2005/11/26

De: TAF - "Um passeio pela Baixa" 



Há pouco estive a passear pela zona de Santa Catarina. Já há algum tempo que estava para ir à Livraria Latina, junto à Batalha. Foi hoje.




Quanto ao debate sobre o que podemos ou não fazer pelo Porto, se vamos adiar as nossas acções por causa do tempo que demoramos a obter resultados, nunca mais saímos da depressão... Um passo de cada vez. Se há condições para concretizar algo, por pouco que seja, por que não fazê-lo? Que sentido faz estarmos a reivindicar seja lá o que for se nem aquilo que está ao nosso alcance é realizado?

A Livraria Latina esteve à espera de algum novo partido ou de um equilíbrio geográfico mais sensato nos investimentos públicos para se modernizar? Que nos sirva de exemplo. Não faltam ali perto grandes espaços para venda ou arrendamento. Havendo capital, não acredito que seja impossível fazer bons negócios. ;-)

De: Rui Valente - "Não nos conformemos" 

Ou muito me engano, ou quer-me parecer que este blogue, entre muitas virtudes, denota, pelas intervenções de alguns colaboradores, um certo sentido corporativo.

Verifica-se a presença de muitos arquitectos neste blogue, o que é perfeitamente compreensível, dados os graves problemas de âmbito arquitectónico e patrimonial de que a cidade é também tristemente fértil. Estou com eles, mas é preciso ter-se a noção de que os problemas da nossa cidade não se esgotam nessa área. Convirá pois, não perder a consciência desse pormenor, para não se resvalar para habitual tendência de olhar para a árvore e esquecer a floresta...

A mim, também me interessam as opiniões de pessoas simples, mas não menos autênticas como as de Manuela DL Ramos, Mafalda Ferreira, etc., porque o problema é de todos nós!

Sobre a ideia da criação de um novo partido, inspirada por José Silva, não tenho nada contra. Acho até, que já devia existir há muito!

Só que, na oportunidade, é uma ideia com custos elevados e de resultados duvidosos de muito longo prazo. E insisto, que não nos podemos dar ao luxo de esperar mais tempo, para acabarmos afinal por fazer mais do mesmo. Mais partido, menos partido, mais sigla, menos sigla, mais direita ou esquerda, o problema não está apenas no rótulo, mas propriamente na sua substância.

A raíz dos nossos problemas para mim, continua a estar na substância política e na busca de uma fórmula eficaz de a controlar. Sou um mero cidadão, quero ser respeitado como tal, e não me movem ambições de poder sob o ponto de vista de "carreirismo político"! Contentava-me apenas com a possibilidade de controlar com eficácia a actividade dos nossos governantes. É isso que nos faz falta! Mas, amigos, continuamos emparedados, perdidos até, porque nos falta um primeiro passo, um dínamo chamado visibilidade! Eu tenho pressa, e os senhores? A calma que nos tem mantido nesta letargia, já dura há 30 anos! Querem esperar mais e deixar para os vossos filhos esta triste herança?

Por que não perguntam os defensores das elites da nossa praça, como já aqui aconselhei, a razão pela qual não capitalizaram um pouco mais das suas mais valias na sua região de origem?

Se, como disse José Silva, Belmiro de Azevedo recusou um convite para liderar um movimento de defesa regional, por estar, não só ele, como os seus próprios funcionários, demasiado comprometidos a nível nacional (e já agora por ter ultrapassado os 40 anos), porque não estender o convite ao seu filho Paulo Azevedo?

Como se pode perceber facilmente, isto é um ciclo vicioso de desculpas, que não transmite qualquer confiança aos projectos das futuras elites. Quem nos diz a nós que as vindouras elites não acabarão por fazer o mesmo? Será que os meus amigos ainda não compreenderam que os senhores que andam agora a "botar" discurso sobre o assunto, sacrificaram o desenvolvimento sustentado da região, em benefício exclusivamente económico das suas empresas? Por que será que Joaquim Oliveira, tem sucesso empresarial nos "media", mas continua apostar forte exclusivamente na grande Lisboa? Sabem onde estão as suas empresas mais importantes? Em Lisboa! Da Sport TV, 50% do capital é dele. Depois tem o Diário de Notícias, Jornal de Noticias, rádio TSF, etc., etc. Consta que está interessado em lançar um novo canal de TV, e não tenho nenhuma esperança de que seja no Porto. A menos que se trate de outra vigarice como é a da actual RTP N, que como todos já devem ter percebido é só para nortenho enganar, porque não passa é de um 3º canal da RTP!

Mobilizemo-nos, vamos para a rua! E em força!

Rui Valente
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Nota de TAF: Julgo que a RTP apresenta a RTPN como um canal assumidamente nacional de algum modo concorrente da SIC Notícias. O "N" virá de "Notícias", e não de "Norte". O facto de ter nascido na sequência da morte da NTV terá levado a este equívoco.

De: Pedro Lessa - "Como fazer? II" 

Notei que não houve comentários ao meu último post (deve ser bom sinal). Posso ter sido um pouco lírico, ou mesmo ingénuo mas reparei que já se discute o como fazer, ou o passar ao concreto.
Dos exemplos que refere, caro TAF, permita-me que seja um pouco pessimista, sem querer desmontar os seus argumentos mas só e apenas pela constatação.

Quanto ao responsabilizar e culpar os responsáveis, numa outra escala é certo, penso que já se conseguiu provar algo, por exemplo no Bom Sucesso através do arq JPV e que resultados? Tudo na mesma. Mesmo em Lisboa, tem por lá andado o Sá Fernandes e as consequências do que tem conseguido são poucas.

Quanto aos investidores, já aqui referi anteriormente que pelo menos dois grandes grupos ligados à reabilitação por aqui andaram a pesquisar e desistiram logo da ideia. Porque será?

Quanto aos grandes proprietários, penso que ninguém gosta de ser maltratado, desrespeitado e até perseguido pelas instituições quando se decide a fazer algo, já para nem falar do capital perdido.
Ainda assim, considero existir alguma culpa por parte, precisamente dos proprietários quando pedem verdadeiras fortunas por prédios em total ruína, castrando por completo quem tem a iniciativa de fazer algo por mais pequena que seja a escala de intervenção (sou um esses exemplos).
Sem querer ser pessimista, caro TAF, a situação só se resolve pela expropriação, portanto, por quem tem o poder para a fazer.

Daí ter afirmado, e reafirmo, que a situação calamitosa, a todos os níveis, em que nos encontramos só se resolve pelo tomada de poder.
Se quem lá está não resolve e ainda por cima dá todas as indicações que o rumo é o do desprezo, tem que ser apeado.
Agora, como o fazer? Se calhar entraria novamente no lirismo...

Pedro Lessa
[email protected]


P.S. - Numa altura em que a Avenida se vai transformando, envio umas fotos do seu início.
É interessante notar a sua monumentalidade sem árvores. A perspectiva torna-se realmente diferente. Vê-se também a construção da câmara ainda a meio.


De: Carlos Gilbert - "David e Golias... e Hércules..." 

Tiago,

Uma resposta como a que me dirigiu merece ser escalpelizada, quanto mais não seja para vermos se a) chegamos a uma plataforma exequível e b) se aliciamos outros a juntarem-se "à causa", a ver se se cria a tal "massa crítica" que de repente passou pelos vistos a ser o conceito-chave...

Lembra-se quando há tempos houve um bloguista deste espaço a sugerir o mesmo passar a algo de mais sólido (não me ocorre agora o termo preciso que foi sugerido, se Associação Cívica ou algo do género)? Já nessa altura me aventurei a apontar as diferenças abissais entre o teclar críticas ou sugestões frente a um ecrã e o defender as mesmas em pessoa frente a uma plateia. Por isso, adianto agora, se formaram os partidos políticos que são supostos defender uma causa comum a muitos cidadãos e dispõem de um pequeno número de indivíduos que são eleitos para desempenharem a tempo inteiro a função de agregar vontades, propostas, sugestões, críticas e dar-lhes visibilidade pública. Viu-se no que deu, apesar de - segundo Churchill - ser ainda o sistema "menos mau" de representação dos cidadãos na política nacional do seu respectivo país.

Diz o Tiago, e logo a começar: «Criar uma pequena estrutura profissional para colocar sistematicamente em tribunal a Administração Central ou Local, bem como pessoalmente os seus responsáveis, sempre que sejam culpados de graves desrespeitos pela lei.»

Tarefa hercúlea, bem intencionada mas impensável entre nós... Pessimismo meu? Pragmatismo, afirmo! Já viu o que acontece quando a Justiça funciona e consegue reunir provas concretas que façam com que poderosos autarcas sejam sujeitos a processos judiciais? Até altos magistrados de enormes responsabilidades se movem para "por baixo dos panos" moverem influências que impeçam o respectivo processo de avançar!... Não vejo como um grupo de indivíduos anónimos, mesmo que reunidos em teoria numa qualquer estrutura, vá conseguir melhores resultados! É que não estamos nos EUA, onde um simples advogado (Ralph Nader) consegue sentar no banco dos réus a poderosa GM, ou dois jovens jornalistas conseguem a destituição do Presidente da Nação...

O Tiago, se conhecer bem algum profissional da C.S., pergunte-lhe os entraves que todos sentem em noticiar factos verídicos que envolvam autarcas a cometer actos ilegais... E neste ponto funciona uma máxima da língua popular, que me atrevo a colocar aqui por ser a que melhor demonstra a realidade, passe a suposta brejeirice e que pode cortar à vontade: "Quem tem xx, tem medo!" E todos dizem o mesmo: "Tenho família a sustentar, e também tenho o meu próprio futuro a acautelar!"

Se pareço aqui pessimista é intencional, quero de propósito fazer a célebre figura de "advogado do diabo" neste debate...

Quanto aos pontos 2 e 3 que refere, não há já espaços de grande dimensão adquiridos por entidades espanholas, como perguntei aqui há meses atrás? Tive essa informação de um amigo que é consultor jurídico de um banco, e mo afirmou ser facto. Resta saber o que pretendem fazer no futuro. Tomar conta da Baixa? Actuarem quando tiverem reunido a tal "massa crítica" e disporem de uma malha já suficientemente apertada que permita a criação de um ambiente agradável (tal como existe no Centro Histórico de Guimarães, que não me canso de apontar como exemplo a seguir)? Não creio que mesmo que se consiga quem compre UM edifício de porte na Baixa e o transforme p.ex. em pequenos ateliers (desculpem o termo elitista, preferem "oficina de trabalho"?...) se consiga algo com visibilidade. Digo isto porque já é o que acontece p.ex. no edifício do "Araujo & Sobrinho", onde nos pisos superiores diversos profissionais dispõem dos seus espaços de trabalho e tal pouco contribui para a dinamização da zona. Era preciso que tal acontecesse com dezenas e dezenas de edifícios, e isso só com a intervenção maciça da autarquia é que se poderia conseguir, até pelo efeito de sinergias necessário. No fundo, será o que propõe no seu ponto nº 4.

Eu adiantaria aqui mais o seguinte (o que não é novo): avançar quarteirão a quarteirão, misturar espaços profissionais com espaços de habitação permanente (com contratos de aquisição vantajosos e a longo prazo), misturar igualmente espaços de restauração com zonas verdes (inclusivé as tais esplanadas por mim referidas já por diversas vezes) e permitir aos habitantes e comerciantes da zona estacionamento com passes mensais a preço reduzido nos parques respectivos e, quem sabe, até títulos do "Andante" também a preços especiais. Junte a isto "workshops" artísticos com frequência (como p.ex. a actuação de hoje no Teatro Helena Sá e Costa, à "Rampa da Escola Normal", onde se vai tocar "blues à moda do Porto") e talvez assim a "coisa" comece lentamente a funcionar. Até porque ao escrever isto me socorro de exemplos concretos: tenho uma filha minha que saiu aqui de casa e foi viver para um espaço na rua de Fernandes Tomás, e tem o seu local de trabalho precisamente no tal edifício do "Araújo & Sobrinho". Divulgo-o aqui com o simples intuito de mostrar que a juventude se sente atraída pelo espaço da "Baixa", há é que dar-lhe condições de fixação. Se assim acontecer, os que ainda lá residem se sentirão motivados a lé permanecer, começa aos poucos a haver sustentabilidade para o comércio tradicional, ou seja, começa a voltar a funcionar a teia de actividades que são o suporte indispensável para qualquer espaço urbano.

C. Gilbert

De: José Silva - "Partido do Desenvolvimento de Portugal II" 

Em 1997, numa das primeiras conferências sobre desenvolvimento regional que assisti, Carlos Magno dizia que a região Norte não era futuro para jornalistas ambiciosos. A seguir Paulo Azevedo reafirmava que não era futuro para jornalistas ambiciosos nem para qualquer outra classe profissional. Entretanto passaram 8 anos e as coisas ainda estão piores.

Há 2 alternativas. Ou baixamos os braços e assistimos à continuação da decadência regional ou vamos à conquista do poder, como desafiou António Barreto na Católica!

Não vale a pena esperarmos pelas elites tradicionais. Essas tem 50 anos ou mais, já fizeram o seu trabalho, estão na pré-reforma. Um prestigiado professor universitário meu conhecido, incansável defensor do desenvolvimento regional escreveu há tempo a Belmiro de Azevedo, desafiando-o para liderar um movimento anti-centralização. A resposta foi que já não tinha idade para esses desafios e que queria dar espaço aos mais novos. Eu diria mais, nem idade nem espaço de manobra. Belmiro de Azevedo é um empresário que tem clientes e funcionários nacionais e não se pode expor demasiado a estes temas.

Os partidos existentes estão enfeudados a Lisboa. Não vale a pena esperar qualquer coisa de novo.

Há sim que esperar das novas elites. O lugar é dos sub-40, que tem cá património, família e negócios e que não querem migrar internamente ou emigrar. Reparemos em alguns dos presentes na conferência da Católica. Eng Pedro Guedes de Oliveira (ex-Inesc), TAF, os bloguers do Nortadas, Florentino Almeida Conde, ex-redactor das principais posições públicas da ACP, todos eles actores na casa dos 40 anos de idade. É aqui que estão os inconformados e os que podem fazer alguma coisa. Elite, como dizia Cadilhe e citando Pareto, são as minorias mais capazes e motivadas que qualquer sociedade a cada momento possui. Somos nós, portanto.

Reafirmo novamente, especialmente para António Alves, Rui Valente, Cristina Santos, Daniel Rodrigues e Mafalda Ferreira, Carlos Gilbert e Lino Cabral. A solução passa por um Partido do Desenvolvimento de Portugal que vise o desenvolvimento pelo menos bipolar de Portugal. Um partido que ambicione o desenvolvimento regional com maior equidade nacional e melhor aproveitamento e gestão do poder local. Defender uma maior equilíbrio dos investimentos do PIDDAC e a desconcentração da Administração Central (Estado paga 100 mil euros em rendas por dia) na Assembleia da República e a maior sinergia ou mesmo a fusão de autarquias da AMPorto ao nível das Câmaras Municipais. Sucintamente, acolher preocupações dos simpatizantes e militantes, formular uma estratégia, aprova-la internamente, divulgar, fazer campanhas, como esta, concorrer a eleições e atingir o poder por meio democráticos e não à bomba. Como? Usando a Internet, obtendo a aprovação electrónica por parte dos militantes, com receitas e despesas publicadas na Internet e contratando para líder militantes ou simpatizantes com capacidade mediática e profissional demonstrada, financiados por donativos de militantes e empresas não nacionais. Reafirmo: O que está em causa é a nossa viabilidade económica nesta região. Um partido político é a evolução natural do descontentamento existente.

(publicado no Nortugal)

De: TAF - "David e Golias" 

Caro Carlos, os "pequenos grupos" de pouco servem se for para protestar e reivindicar em tertúlias ou manifestações. Mas, ao contrário, se for para actuar pela positiva, os pequenos grupos são muito mais ágeis e rápidos.

Alguns exemplos que eu tenho vindo a sugerir.

1) Criar uma pequena estrutura profissional para colocar sistematicamente em tribunal a Administração Central ou Local, bem como pessoalmente os seus responsáveis, sempre que sejam culpados de graves desrespeitos pela lei. Toda a ajuda voluntária seria bem vinda, mas não se conseguem garantir resultados sólidos sem uma dedicação intensa que só é viável se houver uma base profissional que saiba escolher os casos, estabelecer a estratégia de acção, fazer o controlo rigoroso do andamento dos processos, manter uma pressão constante.

2) Reunir uma instituição bancária ou um investidor particular com capital suficiente (português ou estrangeiro), um gabinete de Arquitectura e Engenharia, apoio jurídico e de gestão da promoção imobiliária adequados especificamente ao caso do Porto, um conjunto de "catalizadores da procura" com uma rede de contactos eficaz na cidade (nós, por exemplo!), e avançar para a aquisição, reabilitação e ocupação de espaços com dimensão significativa na Baixa.

3) Juntar um proprietário ("elitista"?) de grandes espaços devolutos na Baixa (do tipo Pensão Monumental) e uma equipa de empreendedores que, em parceria com ele, concebam e implantem um aproveitamento rentável do(s) edifício(s).

4) Formar uma pequena equipa (mais uma vez: profissional!) que proponha junto da SRU uma parceria/negócio como "gestora de área urbana" de uma zona a escolher na cidade.

A hora já vai adiantada, vou parar os exemplos por aqui...

O que é preciso é fazer algo concreto, começar! Para tudo isto é preciso algum capital. Aí é que algumas das "elites" com músculo financeiro mais pujante se calhar podiam ajudar... ;-) Mas é também nisto que as coisas normalmente falham. Por desconfiança, por avareza, por falta de visão, por inveja, por ganância. Por tudo e mais alguma coisa. Mas, mesmo em termos puramente estatísticos, é impossível que tudo corra sempre mal! :-)

2005/11/25

De: Carlos Gilbert - "Massas críticas..." 

TAF:
«Não espero assistir a grandes "vagas de fundo" que mudem o panorama no Norte, mas continuo a acreditar que basta um pequeno número de pessoas empenhadas para se alcançaram resultados. Agora é só uma questão de se atingir a massa crítica, o que até não será em teoria difícil»

Desculpe, Tiago, mas eu esforço-me por pensar com a "cabeça fria"... é capaz de fazer o favor de me (nos) explicar como é que "um pequeno número de pessoas empenhadas" podem alcançar resultados (e a tal famosa "massa crítica")??? Reunindo no "Guarany"? Na "Católica"? (não, aqui não, "cheira e elites"...). Na Associação Comercial, a convite do Rui Moreira? (outro grupo com "conotações elitistas"... desculpe Rui, nada contra si como presidente, mas julgo que percebe onde quero chegar...).

Houve uma "vaga de fundo" contra os molhes do Douro, como já referi, e foi o que se viu. Houve um "levantamento" contra a linha do Metro na Boavista, fomos ao "Guarany" e que resultados práticos tivemos? Temos agora uma Av. da Boavista "enxertada". Houve uma contra as actuais obras nos Aliados, que resultado deu? Estou em crer que há muito somos vistos como um "grupo de lunáticos" que brada no deserto, e "deixem-nos ladrar"...

Vaga de fundo verdadeira só me lembro de ter visto quando foi do Coliseu. Nasceu de forma espontânea, porque a população sentiu os "fios invisíveis electrizantes" que a mobilizaram. E a população sente que a coisa é mais profunda e não se resolve com pequenos grupos de acção localizada. Estes irão ser pequenos "alfinetes" contra as "pernas do elefante", que lá do alto nem se digna olhar para baixo.

Isto de acção popular em defesa de um projecto pia mais fino e vejam como Rui Rio foi reconduzido confortavelmente, apesar de à partida o PS ser o partido "mais próximo das camadas socialmente mais desfavorecidas".

C. Gilbert

Cabeça fria, precisa-se de facto, só que há poucos que a tenham...

De: Cristina Santos - "Voluntários não existem" 

O que está em causa é o momento, nesta altura não podemos estar a pensar em estratégias a longo prazo, mas sim em algo que trave no imediato as perspectivas do Governo.
Ate agora o Governo mantém-se à espera, se permitirmos que o tempo passe será difícil fazer recuar a seringa contaminada.

A ligação Pocinho - Régua – Porto tem que ser mantida e modernizada e não subtraída, temos muitas pessoas dessa região que fazem tratamentos nos nossos hospitais, que tem filhos a estudar na nossa Região, são pessoas que na maioria deixam os carros em casa com medo do trânsito da nossa Urbe e viajam para cá de comboio, não podemos deixar que aniquilem este elo de ligação.

O TGV, ou comboio rápido (200km hora) é importantíssimo faltam apenas umas centenas de metros para concluir esta ligação.

A linha de Metro não pode sofrer mais reveses, a região tem que ser unida por uma linha eficiente de transportes, o Governo até à data não nos apresentou qualquer relatório de «desfalques» ou excessos orçamentais.

Se calhar é pedir de mais...

O Porto está asfixiado, o Porto não aguenta muito mais.
Em breve não haverá elites, ou famílias com qualidade de vida no Porto porque é impossível investir, obter retorno – não há mercado.

Se ninguém levantar os braços, acabamos todos por desistir e procurar em Lisboa aquilo que aqui não temos – seremos emigrantes dentro do nosso próprio país.
Em Lisboa temos o dobro do mercado, o dobro das oportunidades, em Lisboa é fácil arranjar trabalho, há lugar para todos, venham donde vierem.

É verdade que somos uma aldeia, que o nosso nível de instrução ou cultura geral não tem os níveis da Capital. Lisboa vai a anos luz do nosso Porto, a diferença é inegável no contacto com os lisboetas, eles têm outras capacidades que desenvolveram com o aperfeiçoamento da sua região.
Havia pessoas no Porto que nunca tinham viajado de Metro até há uns meses atrás, será que isto não quer dizer nada?!

É por isso que aqui, a nossa participação também se fundamenta em interesses profissionais e até familiares.
Atrevo-me a dizer que ninguém está aqui de forma gratuita, estamos aqui a defender o valor das nossas casas, dos nossos empregos, o nível das nossas escolas e das nossas crianças.

Estamos aqui a defender o desenvolvimento da nossa região, cada um à sua maneira, uns com melhor escrita, outros com emoção, mas todos queremos o melhor- nesta luta ninguém está sozinho– porque o nosso nível depende sempre do nível em que convivemos.

Este espaço de opinião pública, às vezes, é já a última tentativa de nos agarrarmos à esperança de continuar a dizer- vale a pena viver e investir no Porto.
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Cristina Santos

De: TAF - "Passar ao concreto" 

Caros co-bloguistas

Já muitas pessoas sugeriram acção para mudar o estado da região. Falta é saber concretamente o quê. Eu tenho dado várias sugestões, sempre dentro deste espírito que aqui expliquei. Por exemplo, no primeiro aniversário d'A Baixa do Porto sugeri isto. Em 10 de Outubro passado fiz a proposta do lobby. Já antes tinha proposto fazer eu próprio parte desse trabalho desde que conseguisse o apoio suficiente para o efeito. Mais recentemente, nos meus comentários aos "Olhares Cruzados sobre o Porto", salientei 5 sugestões, algumas das quais não dependem senão da sociedade civil.

Nem todos podemos ou queremos participar do mesmo modo, mas certamente haverá sempre alguma coisa que cada um de nós poderá fazer. Conforme acabei de explicar, além de manter este blog, estou disponível para várias opções de actuação se a minha contribuição for considerada útil. Não espero assistir a grandes "vagas de fundo" que mudem o panorama no Norte, mas continuo a acreditar que basta um pequeno número de pessoas empenhadas para se alcançaram resultados. Agora é só uma questão de se atingir a massa crítica, o que até não será em teoria difícil. Vejamos se a prática o demonstra até porque, como escrevi a 27 de Maio, confio mais no profissionalismo do que no voluntarismo.

De: Rui Valente - "Para TAF -«Só mais uma dica»" 

Caro amigo,

Por mais voltas que dê à cabeça, não me ocorre uma única ideia sobre como poderá ser possível gerar (em tempo útil) um movimento de bloqueio às investidas do poder central! A internet com os seus imensos blogues temáticos ainda não chega a casa da maioria dos portugueses (do grande povo) e não tem o impacto que se imagina.

Já percebi, que não subscreve nem acredita em movimentos populares, mas permita-me que lhe adiante mais uma coisa. Se lhe disser que não tenho simpatia por manifestações gratuitas, por dá cá aquela palha, e que não gosto de grandes confusões, é capaz de não acreditar ou pensar que me estou a contradizer. O que acontece, é que, há momentos na história e na vida dos homens em que as grandes manifestações populares são o melhor remédio para determinados males. Se assim não fora, hoje, tanto o meu amigo como eu estaríamos inibidos de trocar as nossas opiniões. O 25 de Abril (decerto concordará comigo), está na origem da nossa liberdade e nasceu de um movimento militar, que não resultou propriamente de uma acção elitista, mas sim de um movimento de jovens oficiais das forças armadas. Posteriormente, é que foram chamadas figuras mais destacadas da hierarquia militar para assumir cargos de maior responsabilidade. Desse movimento, com a adesão massiva do povo, é que resultou o derrube da ditadura.

Há muita gente cá do burgo, que anda a ser convencida e a tentar convencer, que Lisboa está mais rica e que tem mais valias apenas à custa do seu próprio mérito, procurando desacreditar aqueles que como eu, atribuem ao poder central parte considerável do nosso empobrecimento. Creio mesmo, que são essas pessoas os principais responsáveis pela maior concentração de poderes da capital.

Já disse noutra ocasião, não simpatizar com Alberto João Jardim, mas admiro-lhe a coragem proporcionalmente ao desprezo que me inspiram os politiqueiros cobardes e oportunistas que abundam no continente, incluindo na nossa cidade.

Decididamente já não consigo vislumbrar quaisquer sinais do famigerado homem do Norte! É mera figura de retórica, está morto!

Rui Valente

De: Mafalda Ferreira - "Contem comigo" 

Embora nunca tenha dado a minha opinião neste blog, venho aqui regularmente ler as diversas opiniões publicadas. E de facto, parece-me estar na altura da cidade do Porto em particular e da região norte de Portugal no geral, entenderem que basta de silêncio e de passividade. Não sei se a atitude deveria ou não partir das elites e quem é que elas são, o que sei é que me parece urgente fazer algo. Se é à bomba, se é por recolha de assinaturas, seja de que modo for, o que é importante é fazer algo que nos retire deste marasmo de atitudes e que mobilize o nosso povo do Norte que de parvo não tem nada. Apenas está adormecido, (mas cada vez menos). Não tenho capacidades organizativas, nem peso económico ou intelectual, mas de bom grado apoiarei com toda a minha força, um movimento que congregue as vozes do Norte que estão profundamente descontentes. Seja Rui Moreira, seja Cristina Santos, seja Alexandre Burmester, seja lá quem for, que de modo descomprometido mas veementemente nos represente como parte activa deste país Portugal com direito a uma voz activa nas decisões que nos afectam directa ou indirectamente. Contem comigo.

Mafalda Ferreira
[email protected]

De: Alexandre Burmester - "Cimeira?" 

Agora que já vale “a pena” a Junta Metropolitana, e que já temos um Presidente para defender a região, gostaria que a intransigência e a capacidade de “diálogo” que o Rui Rio tem demonstrado para com a cidade, se estenda ao Governo central.

A defesa do Metro e a ligação ferroviária à Galiza, devia ser uma estratégia de arranque para a sua prestação futura. Não se percebeu essa atitude nas palavras que hoje proferiu. Se tiver dúvidas lembre-se da forma como o Fernando Gomes reclamou e bem, contra o governo, quando do desvio das águas do Douro.

Assim não vamos lá.

Mas a melhor notícia é sem dúvida e até a mais engraçada desta semana, a anunciada Cimeira de Porto e Gaia. Só neste país de comadres e com políticos de “Elite”, é que é possível ter que acontecer uma Cimeira entre duas cidades vizinhas para poderem tratar de assuntos conjuntos.

O ridículo desta situação é tanta, que nem me apetece começar a dissertar sobre o assunto. Por isso envio uma daquelas imagens ilustrativas do “Portugal no seu melhor” para ilustrar o momento político.

Alexandre Burmester

De: Lino Cabral - "Força agregadora" 

Recordo que quando se deu início ao Porto2001 a comissão instaladora dirigida pelo Artur Santos Silva encomendou um inquérito sobre o "estado da arte" relativo à cultura na cidade. Os indicadores obtidos foram muito desencorajadores. Mas curiosamente, uma outra leitura dos dados, indicaram uma altíssima tendência do tuga tripeiro para a confraternização amiga e ou familiar muito acima da média nacional e até europeia. Somos campeões na conservação e fidelização da amizade e dos laços de sangue. Sabemos por experiência própria que o mais pequeno acontecimento é razão para juntar a volta de uma mesa, amigos, pais, irmãos, primos, empregados, vizinhos, etc. Outro indicador desta força agregadora, é o numero anormal de pequenas e grandes colectividades espalhadas pelo tecido urbano da cidade. Desde a Foz aburguesada ao proletário Bairro do Lagarteiro encontramos sinais desta tendência.

Serão estes indicadores irrelevantes? Suponho que não. Se encontrarmos a estratégia correcta podemos desencadear as sinergias que nos retire do pântano em que nos encontramos. Não é fácil.

Lino Cabral
[email protected]

De: Pedro Aroso - "Manuela DL Ramos" 

Como toda a gente sabe, tenho sido uma das poucas vozes a erguerem-se em defesa do projecto do Eduardo Souto Moura para a Avenida dos Aliados. No entanto, à medida que vejo a obra a avançar, sinto-me cada vez mais apreensivo...
Independentemente do resultado final, gostava de prestar a minha homenagem à Manuela DL Ramos. Acho que está na hora de a clonarmos!

Pedro Aroso

De: Cristina Santos - "Reflectir e a Carta aberta" 

Temos neste blog dados e conteúdo para pôr em prática um manifesto contra o Governo central. A carta de António Alves e o texto de Daniel Rodrigues podiam servir de base para esse documento, que deveria ser dirigido não só ao PS, mas a todos os responsáveis políticos da Região.

Este Blog tem audiências suficientes para reunir, em pouco tempo, um número considerável de assinaturas.
O presidente da nossa câmara também já manifestou a sua discordância quanto às últimas iniciativas do governo central e talvez só necessite do expediente do povo para reclamar com ímpeto aquilo que o Porto tem direito.

Mesmo que assim não seja, se o povo pressionar a acção, com certeza que os autarcas também se sentirão pressionados a intervir. Não temos absolutamente nada a perder, a atitude merece crédito e responsabilidade.

As justificações estão resumidas nos dois documentos que referi, não implicam, nesta fase inicial, grande perdas de tempo dado que a maioria é participante activo, portanto em vez de estarmos a discutir Platão, talvez seja melhor aproveitar o conteúdo e redirigia-o, isto claro se os autores o permitirem.

Este blog nunca foi de manifestos, mas agora pode dar o passo que faltava, se sentimos que é uma injustiça aquilo que o Governo central propõe para a nossa região, devemos procurar ter um papel activo nesta luta - fazer algo mais.

Não devemos, digo eu, temer a nossa manifestação, se não der em nada pelo menos alguém tentou.

De qualquer forma se tiverem melhores sugestões...
Cristina Santos
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Nota de TAF: Cara Cristina, A Baixa do Porto, como blog, não irá tomar posição sobre nada. Isto é apenas um espaço público onde aparecem muitas opiniões diferentes. Nada impede, contudo, que aqui sejam divulgadas iniciativas como essa que foi sugerida. Mas, do mesmo modo que os textos publicados apenas vinculam os seus autores, qualquer manifesto aqui referido será apenas da responsabilidade dos seus subscritores, mesmo que em teoria todos os participantes pudessem estar de acordo sobre ele.

De: TAF - "Não tem havido tempo para apontadores..." 

- Rui Rio eleito Presidente da Junta Metropolitana do Porto
- Rui Rio substitui Valentim Loureiro na Junta Metropolitana do Porto

- Baixa: investidores têm de ser “engenhosos”
- Sociedade de Reabilitação pede empréstimo
- S. Roque: Moradores acusam Rio
- Palácio do Freixo vai acolher Pousada de Portugal
- Norte reforça cooperação com a região de Castela

De: Carlos Gilbert - "Elites?" 

Lino Cabral:
«Se tivéssemos a cabeça fria, teríamos a tal massa crítica criadora da tal elite tão procurada e desejada »

Concordo em absoluto. Cabeça fria e capacidade de análise desapaixonada. Basta ver que este assunto das "elites" pouco eco teve, quer na imprensa, quer aqui mesmo. O Grande Porto tornou-se "parolo", eu diria "amorfo", e os membros que de alguma forma se destacam da mediania tentam passar despercebidos, odeiam o termo "elites" e tenho cá para mim que o "golpe final" terá sido a famosa reunião dos "notáveis" da cidade quando contestaram os molhes na barra do Douro. Foram de tal forma "massacrados" por todos, principalmente pelos órgãos de C. Social, que devem ter jurado para nunca mais tomarem qualquer iniciativa do género...

Eu não tenho pejo algum em divulgar aqui que fiz questão de dizer alto e bom som a todos os que estiveram na Católica na dita reunião o que nós, daqui deste blogue, granjeamos como "fama" precisamente por não nos acomodarmos, lançando para o ciber-espaço as nossas ideias, protestos, críticas e também aplausos: somos conhecidos pelos poderes autárquicos como os "profissionais da crítica". O que dá razão aos que nos criticam de fora dizendo que nos preocupamos mais (nós, os portuenses em geral) em nos "guerrear" entre nós do que juntar esforços para fazer algo de constutivo.

Por mim, ponto final neste assunto (a não ser que me desafiem directamente para uma réplica).
Carlos Gilbert

De: TAF - "Grão-a-grão..." 

Caro Rui Valente

Não acredito na viabilidade de congregar grandes movimentos populares, por um lado, nem no aparecimento de (novas) "elites salvadoras da região", por outro.

Aquilo em que acredito é que o somatório de iniciativas de pequenos grupos ("elitistas", talvez) irá produzindo resultados. Quando mais coordenados estivermos todos, melhor. Quanto mais cooperarmos, melhor. Se for possível. Mas que não se esteja à espera de grandes consensos ou de acções de grande impacto imediato.

De: Rui Valente - "Pela minha parte, basta!" 

Caros portuenses,

Por uma questão de génese pessoal, a última coisa que gosto de fazer é entregar os "pontos", isto é, desistir de lutar por uma causa que me motive! A causa do "Porto", é uma delas, talvez para mim, a mais importante.

No entanto, apercebo-me que, uma multiplicidade de preconceitos, aliados à ausência de uma liderança forte e com visibilidade mediática, está a arrastar-nos para o pior dos caminhos, que é, como já aqui opinei o da dispersão. Não conseguimos perceber de todo, que por mais que gritemos, protestemos entre nós, é como entrar num labirinto sem descobrir a porta de saída.

Pessoalmente, não quero arrogar-me em detentor de qualquer verdade, mas acredito, contrariamente a certas soluções aqui sugeridas mais rebuscadas e de efeito duvidoso, em passos mais simples mas de maior impacto. Acredito que, na ausência de um grande movimento popular será muito difícil, para não dizer impossível, conseguirmos sair do buraco em que as reverendas "elites" nos meteram. As pessoas têm o direito de pensar como querem, mas não merecem muita indulgência, quando, de um modo quase suícida, se esquecem que sempre fomos governados por "elites", por pessoas mais ou menos conhecidas, que emanaram do interior dos partidos e da própria sociedade civil. A questão, é que as dúvidas que hoje temos sobre quem deve ou não deve merecer fazer parte dessa classe de iluminados, são as mesmas que já existiram no passado. Elege-se quem se elege e ponto final!

A sugestão que aqui deixei há tempos, foi no sentido de provocar nos navegadores deste blogue, uma reacção genuína de indignação relativamente ao desprezo a que a nossa cidade tem sido votada, que poderia resultar na permuta de sugestões e ideias sobre a melhor maneira de nos fazermos ouvir. Tive como resultado, algumas reacções convergentes, mas de pouco ânimo e dinâmica. Ninguém está com pressa e parecem muito entusiasmados com os falatórios inconsequentes das "elites"!

O tempo dirá quem tinha razão. Só que entretanto estaremos ainda mais pobres e humilhados, repito, sem sombra de dúvidas, pelo poder central de Lisboa e pelo beija mão subserviente de alguns dos nossos conterrâneos!

Por mim, desculpem-me, mas chega de conversa fiada.
Rui Valente

De: Manuela DL Ramos - "Obrigada elites..." 

... a cidade agradece!

ACABOU. Já não há jardins!

«São 3 da manhã e não consigo ir dormir sem desabafar.
Como sou obrigado a passar a todo o tempo por a amada avenida, ao ver esventrá-la senti que de facto era a mim que o estavam a fazer; de máquina fotográfica em punho lá fui registando o prevísivel assassinato, tentando não me emocionar.
ACABOU. Já não há jardins.
Os portuenses do séc.XXI são masoquistas e sentem-se felizes a dizer mal.
Estou mesmo a ver os partidos e figuras emblemáticas a criticar quando a obra estiver pronta, sem contudo nada terem feito antes.
Só o cromo do jornalista que escreveu uma crónica no JN em que dizia que daqui a 100 anos ninguém estará cá para criticar é que me fez rir. F.F.»

Fotos e mensagem recebidas a meio da noite. Eu também não conseguia dormir.

Elites? Deixem-me chorar!
Se isto neste momento está a acontecer na cidade é porque as elites não estão a cumprir minimamente a sua função: tornaram-se inoperantes, disfuncionais, autistas. Sem eficácia. Uma vergonha.

(Hoje algumas dessas "figuras emblemáticas" vão estar reunidas num jantar promovido pelo Porto Feliz. Agustina Bessa Luís e Hélder Pacheco, entre outros, fazem parte da Comissão de Honra. O convidado de honra é Rui Rio. Vão todos brindar ao Porto!)

Manuela D.L Ramos

De: Lino Cabral - "Elites ?" 

Nos anos 70 havia um mural que dizia: MRPP é a vanguarda da classe operária. Alguns diziam ironicamente que o MRPP era tão vanguardista que a classe operária perdia-o de vista. O mesmo se pode dizer das nossas elites entendidas como a nossa vanguarda. O ponto crítico deste desfasamento é de facto a falta de massa crítica como frisou e bem Miguel Cadilhe na Católica. A grande maioria do povo do Norte por razões várias continua aparticipativo, acrítico e sobretudo de visão curta, muito curta. Neste cenário deprimente, quem tem pernas e talento afasta-se para outras paragens mais arejadas, evidentemente. Não temos elites no sentido restrito do termo, melhor, temos as elites que merecemos.

Insistimos na paranóia de culpar Lisboa por isto e por aquilo, parece-me disfunção muito grave a precisar de tratamento compulsivo. Qualquer sociólogo formado ontem, explicar-nos-ia o efeito atractivo irreversível de uma grande cidade numa formação social como a nossa. É um facto. Não há volta a dar-lhe, o resto é genuína parolada.
Se tivéssemos a cabeça fria, teríamos a tal massa crítica criadora da tal elite tão procurada e desejada.

Lino Cabral
[email protected]

2005/11/24

De: Carlos Gilbert - "Bacoquice?" 

Fiquei um tanto atónito ao ler o que Pedro Aroso escreveu sobre o "desmontar tanta bacoquice"... Que haja quem seja contra o conceito de "élites" ainda aceito, que haja quem se auto-flagele como o caro Pulido Valente, também, mas designar de "bacoquice" um debate como creio que nunca houve aqui no Porto sobre a nossa própria sociedade, acho estranho.

Eu acredito nas elites, e considero que por mais que os visados provavelmente o queiram negar, personalidades como os arq. Souto Moura e Siza Vieira, o Rui Moreira, o Pedro Burmester, a Agustina Bessa-Luís, o engº Belmiro de Azevedo, o João Paulo Sotto Mayor (eminente fotógrafo) e inúmeros outros nomes de todos os quadrantes da nossa sociedade pertencem de forma inquestionavel à nossa "elite" portuense! Só que termo em si mudou bastante de conotação com respeito ao que significava até há trinta anos atrás! Não é "das elites" quem é sócio do Clube Portuense ou do Clube de Leça, nem o presidente da câmara o é pelo cargo que desempenha; é das "elites" quem tem tenha sobressaído da massa anónima dos cidadãos por ter feito obra maioritariamente aceite como válida e de peso, coerente e digna, Senhores!

Agora que muitos de Vós tenham pruridos em serem incluídos num grupo a que se convencionou chamar de "elites", compreendo embora não aceite. Preferem "notáveis"? Duvido. Acho que é tempo de acabarmos com estes complexos do tempo do PREC e que cada um aceite o lugar que os outros achem que merece, sobretudo se for de destaque pelo lado positivo, desde que merecido. Que se não entre em bajulações e salamaleques, é de aceitar. Mas se a sociedade entende maioritariamente que um grupo de indivíduos merece ser entaltecido pelo que faz na vida e pelo que contribui de positivo para a sociedade, que mal há nisso?

Pedro Aroso: se não gostas do termo "elites", dá-nos outro que consideres menos "bacoco", mas isso nada tira de verídico ao que acima digo sobre a diferenciação pela positiva de determinada camada de indivíduos. A não ser que mo provem. Fico à espera...

Um abraço,
Carlos Gilbert

De: Rui Valente - "Aos interessados" 

1ª.Nota:

Segundo o anúncio do jornal "Público" visando o "Ciclo de Conferências . Universidade Católica", o próximo a realizar em 12 de Dezembro, terá como oradores António Murta e José Roquette e como moderador José Manuel Mendonça.
Dos três "ilustres" convidados (devem também pertencer às tão badaladas elites), o único que conheço é José Roquette, um homem do Sul suponho, cujo pensamento sobre "O que resta do espírito empreendedor do Porto" pouco me importará conhecer, pois se cá nasceu, aqui já não vive e que se saiba nada de relevante fez pela nossa região. Por isso, agradeço a vontade mas não comparecerei, não estou interessado.

2ª.Nota:

O seguinte debate, a 19 de Dezembro, com Belmiro de Azevedo e António Borges, será uma boa oportunidade para perguntarmos ao Sr. Belmiro de Azevedo (outra elite), se apesar do seu sucesso com os hipermercados e os telemóveis a nível nacional, será com a expansão desta área de negócios que os poderes regionais se têm afirmado! Qual foi o seu contributo à causa da região criando a sede do jornal "Público" em Lisboa...

3ª.Nota:

A 5 de Janeiro do próximo ano, os oradores serão Paulo Rangel (homem inteligente e que me parece sério) e José Manuel Fernandes (director do "Público"), tendo Rui Moreira (outra promessa local) como moderador.
Uma das muitas questões que se poderiam colocar podia ser, por exemplo, se alguns dos presentes acredita que Sá Carneiro se teria transformado no mito que é hoje para certa área partidária, nos tempos que correm, em que o país está mais centralizado do que no tempo do Salazar...

Rui Valente

De: Pedro Lessa - "Como fazer?" 

Tenho vindo a assistir ao desenrolar de opiniões e argumentos acerca das elites, bombas, regionalização, do querer, do poder, deputados do Porto, desconcentração, fusões, etc, etc e parece-me que falta o essencial. Já li opiniões do que eventualmente fazer, mas o que considero essencial é como fazer. Poderemos estar aqui eternamente a sugerir, mas falta passar à prática. Já todos verificamos e concordamos que o Porto perdeu influência, perdeu verbas de apoio, perdeu quase tudo o que havia a perder e até que ganhamos um presidente de câmara que não se importa com estas perdas. Mas como poderemos alterar esta situação?

Parece-me que por mais debates que se realizem, conferências, colóquios ou olhares cruzados, por mais ideias ou planos de acção que surjam, para terem aplicação prática tem de haver vontade política, porque senão nunca vão ter seguimento, será como diz o arq JVP. É a classe política que tem o poder de levar à prática o que entender. E como temos vindo a constatar no tempo, estes políticos (leia-se poder) não o querem fazer. Por isso só vejo uma solução: como diz o Alexandre B. temos de tomar o poder para inverter o sentido desta situação. Agora, como o fazer?

Pegando na ideia do lobby.
Vivemos num estado democrático, por isso temos de fazer lobby junto de quem pôs estes políticos no poder, ou seja, os eleitores. Como sabemos que neste sistema político, geralmente as pessoas andam desinformadas ou navegam na ignorância (para não dizer outra coisa), as nossas campanhas são a gritaria do costume, a abstenção atinge valores preocupantes, apela-se ao voto na alternância (??!?) sem olhar a programas, o fastio pela classe política aumenta, temos que minar e acabar com a desinformação e intoxicação dos eleitores. Acusar, desmontar argumentos e ideias, ridicularizar, desacreditar completamente esta estirpe de políticos que tem levado o país à ruína, levar o sistema ao caos para ver se do novo surge a solução. Já imaginaram metade do país em branco, sem votar?

Será possível? Se calhar não. Estarei a ser profundamente ingénuo.
No estado em que o país está, completamente podre, não vejo de que outras formas se possa lutar contra isto.
Será que só radicalizando e extremando (à bomba como aqui já foi referido) se conseguirão resultados? Temo que sim.
Mas por outro lado, num país que não tem tradição em reivindicar ou exigir cidadania, penso que nem disso somos capazes.

Desculpem-me o desabafo.

Cumprimentos,
Pedro Lessa
[email protected]

De: Daniel Rodrigues - "Reflectir..." 

Boa tarde.

Intervenção sobre infra-estruturas de transportes
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No que respeita à melhoria da mobilidade nas áreas metropolitanas, com um montante de 727 milhões de euros até 2009, pretende-se aumentar a qualidade de vida dos cidadãos e promover a utilização dos transportes públicos, adoptando políticas de transporte sustentáveis.

Os projectos considerados foram os seguintes:
No que se refere à modernização da rede ferroviária convencional, com um montante de investimento até 2009 de 470 milhões de euros, optou-se por potenciar o desenvolvimento económico e a coesão social e territorial, investindo na eliminação progressiva dos estrangulamentos da rede ferroviária existente, conjuntamente com a concretização de um plano de migração para a bitola e para sistemas de sinalização europeus.

Os projectos considerados foram os seguintes:
Estão ainda previstos investimentos em Plataformas Logísticas, no montante de 170 milhões de euros até 2009, de forma a dar início ao Plano Nacional de Ordenamento Logístico, articulando a rede de plataformas logísticas, optimizando o desempenho global do conjunto, fomentando a utilização racional dos modos de transporte e as ligações de maior eficiência.

Os projectos considerados foram os seguintes:
Quanto ao programa da rede ferroviária de alta velocidade, gostaria de vos dizer o seguinte:
(...)
- E, finalmente, o Programa do Governo definiu como medidas prioritárias:
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Notas deste vosso escriba:
  1. Não há uma única referência a projectos para o Minho, Trás-Os-Montes, ou Beira Alta.
  2. As únicas áreas metropolitanas consideradas para investimento em projectos de transportes públicos foram Lisboa, Margem Sul e Mondego.
  3. Todas as reestruturacões ferroviárias, à excepcão do eixo Norte-Sul são a sul do Mondego. 49% da populacão continental mora acima do Rio Mondego.
  4. É mais importante TGV Lisboa-Porto, já servida por uma linha recentemente recuperada para os pendulares, do que Lisboa-Madrid e Porto-Vigo. Entretanto, depois destas declaracões no parlamento, já se atirou a construção desta última para as calendas gregas, e Lisboa-Madrid ganhou prioridade.
Já agora, outros dados:
Outros dados (os que encontrei, sobre o tão badalado metro do porto):
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2003
28) Transferir para a Metro do Porto, S. A., a dotação inscrita no capítulo 50 do Orçamento do Ministério das Obras Públicas, Transportes e Habitação, destinada ao financiamento de infra-estruturas de longa duração, até ao montante de (euro) 15079000;
29) Transferir para o Metropolitano de Lisboa, E.P., a dotação inscrita no capítulo 50 do Orçamento do Ministério das Obras Públicas, Transportes e Habitação, destinada ao financiamento de infra-estruturas de longa duração, até ao montante de 33386200 euros;

2002
Transferir para o Metro do Porto, S.A., (...) até ao montante de 20 740 017 euros;
Transferir para o Metropolitano de Lisboa, E.P., (...) até ao montante de 43 894 215 euros;

2001
Transferir para o Metro do Porto, S.A., (...) até ao montante de 3,105 milhões de contos; - 621.000.000 euros
Transferir para o Metropolitano de Lisboa, E.P., (...) até ao montante de 4,748 milhões de contos; - 949.000.000 euros

2000
# Transferir para o Metro do Porto, S. A. (...) até ao montante de 2,65 milhões de contos;
# Transferir para o Metropolitano de Lisboa, E. P. (...) até ao montante de 2,65 milhões de contos ;
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Só para consideracao do leitor...

Já agora, escrevam "relatório e contas metro porto" no google.
Depois, facam o mesmo para o metropolitano de Lisboa. Surpreendam-se.

Mesmo assim, a gestão fraudulenta está no norte, os corruptos estão no norte, os portuenses não se devem queixar da desigualdade, são bairristas, etc, etc...

O Alexandre Burmester destacou e bem numa brilhante fotografia: Luta através dos media (os que contam, e muitos que lêem a baixa conhece jornalistas a nível nacional, e colunistas conhecidos do norte). Pelos pontos que já referi... Alguns, nossa responsabilidade, (fundir Porto e Gaia), atribuir competências claras (poder, dinheiro) à JMP.
Outros, responsabilidade nossa: pressionar e alertar toda a sociedade civil para causas que valem a pena: duplicação e electrificação da linha Porto-Vigo, com suporte para velocidade elevada (prolongamento da actual linha Porto-Lisboa); Duplicação do IP4 até Vila Real e com menor prioridade, Bragança. (finalmente concretizando uma verdadeira região Norte interligada); conclusão do IC24.

Mais alguma? Vamos abraçar estas causas nos media reais?

Cumprimentos,
Daniel Rodrigues

De: Pedro Aroso - "Finalmente" 

Hoje desloquei-me propositadamente à Baixa para visitar a CASAPORTO2005.

Nunca andei no Metro mas, sempre que posso, dou uma vista de olhos nas estações. Hoje foi a da Avenida dos Aliados. Gostei. Só não percebo para que serve, dada a proximidade da Trindade e de S. Bento. Mas adiante.

Quando estava a visitar a exposição, patente até ao próximo domingo, aproveitei a cota do andar mais elevado para observar obras que estão a realizar-se à superfície. Fiquei perplexo. Tenho defendido incondicionalmente o projecto do Eduardo Souto Moura mas, a avaliar por aquilo que foi feito, pareceu-me muito tristonho.

Finalmente, uma boa surpresa. O edifício da Pedreira da Trindade, cujo projecto original do Arq. Bento Lousan foi completamente adulterado, está a "mexer". Ainda bem.

Pedro Aroso

PS: Concordo inteiramente com aquilo que escreveu o Zé Pulido sobre as "Elites", excepto numa coisa: ao contrário dele, não o acho "ingénuo, estúpido e parvo". Ainda bem que apareceu alguém suficientemente lúcido para desmontar aquela bacoquice.

De: Pulido Valente - "Elites" 

Estive até à última da hora a dar balanço para ir . Mas não fui. Explicarei porquê mais adiante.

Ia lá para perguntar como se descobre que um tipo é das elites. Se há propostas para submeter e havendo onde as ir buscar; quem estuda essas propostas e com que garantias de resultados e isenção; etc. por aí fora. É que conheço muitos arquitectos que só não são das elites (isto é: só não têm nome e são reconhecidos) porque nunca tiveram trabalho que lhes desse a oportunidade de mostrar o que valem. Há inúmeros jovens arquitecto(a)s que estão sem trabalho o que os obriga a fazer outra coisa e a perder tempo e genica. Nas outras profissões será o mesmo. A notícia do Público sobre a fuga dos jovens talentos de há dias confirma.

Estava a pensar nesta entrada no debate quando verifiquei que estava a ser de uma estupidez crassa pois que quem é responsável pela situação são os mais ou menos poderosos que organizaram o colóquio ou lá o que aquilo foi. Percebi que aquilo era uma marosca para nos dar a ideia de que a malta tem voto na matéria e que nos interessa participar. Puro engano. Aquela coisa não foi mais que uma das muitas masturbações do poder e seus apêndices para manter o Zé pacóvio na expectativa, convencido que terá um dia a oportunidade, se conseguir preencher a proposta e ser aceite, quer dizer se se portar bem, de fazer parte de tão selecta parceria. Chegado aqui senti-me tão mal por ser tão ingénuo e parvo (porque passei umas horas a preparar a minha intervenção) que resolvi não ir.

Eis a razão: sou ingénuo, estúpido e parvo (no sentido de infantil).

De: Rui Valente - "As elites do Norte" 

É por demais evidente a agitação reinante na cabeça dos portuenses! Tão flagrante se revela, que quase roça o desespero!

Havendo a aproximar-nos um denominador comum - a vontade de restituir ao Porto o prestígio que já teve - mantém-se, no entanto, a dispersão relativamente àquilo que mais nos devia unir: estudar soluções práticas no sentido de encurtar a distância que vai entre o querer e o poder. Esse devia ser o nosso primeiro objectivo: conquistarmos mais poder para a nossa região! Depois sim, trocarmos ideias rigorosas sobre a forma de o consolidar.

E por favor, vejam se preservam algum sentido de humor na análise que fazem de algumas declarações, como a que aqui atrasado foi proferida por J. Pulido Valente num comentário a um artigo meu (que isto só lá ia à bomba!), porque decerto, nem ele nem eu, defendemos soluções "terroristas"! O que provavelmente poderá acontecer, é que a nossa paciência e margem de tolerância para com as trafulhices de alguns políticos se tenha esgotado e não estejamos disponíveis para muitos mais benefícios da dúvida... Pelo menos comigo, é isso que acontece. Penso de facto, muito mal da nossa classe política!

Mas, será porventura mais fácil para os que me estejam a ler, compreender o meu ponto de vista, se lhes disser que concordei com muito do que foi dito na Conferência da Católica, por dois ex-políticos (Miguel Cadilhe e António Barreto + Artur Santos Silva), mas que ao mesmo tempo desconfio da genuidade das suas preocupações! E sabem por quê? É que ambos, em épocas diferentes, tiveram também responsabilidades governativas, tiveram aquilo de que hoje se lamentam (da falta de poder) e o que é que fizeram de notável em prol da nossa região? Mais! Já assisti pessoalmente a outros debates ligados a questões regionais com Miguel Cadilhe e outras personalidades e quase sempre gostei e concordei com as suas teses. Mas, e daí? O que aconteceu nos tempos (anos) que se lhes seguiram? Zero! Apenas palestras, mais palestras e palestras. E só isto, não muda absolutamente nada! Não sejamos lentos a compreender esta triste realidade.

Depois, ouvimos frases com esta (de A. Barreto): "se as elites do Porto não têm poder, não é a regionalização que o vai dar. Ou o conquistam, ou ninguém o dá de borla"! Agora digo eu: se eles não são elites, quem o será?

"Não temos no Norte grandes líderes políticos, mas temos grandes líderes empresariais"! Esta expressão foi de Miguel Cadilhe e poderá servir de reflexão às teorias economicistas do TAF que aposta claramente no investimento empresarial como a melhor fórmula para a afirmação regional. Mas, para esta teoria repito a pergunta: o que têm andado a fazer Belmiro de Azevedo, Amorim, ou Joaquim Oliveira, só como exemplo? São todos figuras de elite do Norte, e nenhum apostou claramente na região no que respeita à implementação de um veículo de comunicação social poderoso, como é a televisão!.. Já se esqueceram do que aconteceu ao "Comércio do Porto"? Era porventura um mau jornal? Não era, pois não? O que acontece, é que só descobri a sua existência casualmente e muito depois de se ter relançado, ironicamente pouco antes de desaparecer das bancas...

Também aqui se interroga Ricardo Cruz, acerca da definição precisa do conceito Regionalização e eu gostaria de terminar com a minha humilde opinião: para além de todos os esquemas orgânicos que a poderão explicar, o que lhe posso dizer, talvez (admito) de uma forma um tanto simplista, é que, é sempre mais fácil administrar e controlar a minha casa do que a do meu irmão, mesmo que viva mesmo ao lado... Depois... bem, depois só depende da qualidade dos administradores.

Ou será que os gorvernos centrais nos têm dado até agora, bons exemplos da arte de bem governar?

Rui Valente

De: Alexandre Burmester - "Luta..." 



Em face dos últimos acontecimentos, julgo que não teremos outra hipótese do que irmos à “luta”.
Se luta armada, se elitista, se política, ou se todas.

O Poder não se dá, toma-se.

Estou já estou preparado.
Alexandre Burmester

De: António Alves - "Carta Aberta..." 

"... aos deputados PS eleitos pelo círculo do Porto"

Exmos. Senhores Deputados,

A Região de Lisboa ostenta já um PIB per capita superior à média europeia. A Região Norte caiu para a posição de região mais pobre da Europa.

Um governo justo, preocupado e interessado em implementar políticas com vista a um desenvolvimento harmonioso do país deve ter como objectivo primordial atenuar as enormes assimetrias regionais que hoje se verificam.

Um governo, verdadeiramente patriótico, deve ter como objectivo fundamental a coesão nacional. Implementar medidas para promover o desenvolvimento das regiões mais pobres, e pugnar por um desenvolvimento homogéneo e multipolar de Portugal, deve ser a sua principal preocupação.

Nada disso se verifica, antes pelo contrário, os últimos acontecimentos demonstram que este governo persiste em privilegiar o desenvolvimento unipolar e desequilibrado do país, condenando outras regiões a um empobrecimento progressivo.

A Região Norte sofre este ano um corte superior a 30% nas verbas do PIDDAC; o distrito do Porto sofre mesmo uma brutal redução de 55%.

Sublinhe-se que os cortes médios nacionais são apenas de 25%.

Simultaneamente ficamos sem certezas quanto à implementação da 2ª fase do Metro do Porto, cuja procura ultrapassa todas as expectativas e já gera receitas que, coisa inédita em Portugal, pagam 30% da sua exploração. Além disso, tem sido capaz de construir cada quilómetro de linha em túnel a um preço 50% inferior ao usual em Portugal.

De seguida ficamos também a saber que o desiderato de possuir uma ligação ferroviária moderna à Galiza, cuja construção se mostra essencial para a potenciação do novo aeroporto Francisco Sá Carneiro, assim como para que as empresas nortenhas possam aproveitar um mercado potencial de 7 milhões de pessoas, foi adiado para data indeterminada, nada nos garantindo que venha um dia a ser mesmo levado a cabo em tempo útil (antes que a megalomania da Ota, para artificialmente se justificar, absorva quase todo o tráfego aéreo nacional).

Isto é, o governo discrimina negativamente a região mais necessitada de investimento estruturante.

Por outro lado prepara-se para despejar milhões de euros sobre aquela que já é a região ibérica com o maior PIB per capita através um conjunto de obras que, sem o justo contraponto noutras regiões do país, só poderão agravar as já inaceitáveis assimetrias existentes e inviabilizando definitivamente um desenvolvimento equitativo e multipolar de Portugal.

Nos últimos 20 anos, o tempo de uma geração, todos os grandes investimentos nacionais -Expo98, Ponte Vasco da Gama, Euro 2004 e agora a Ota e TGV Lisboa-Madrid-, com a excepção do Euro 2004, que se espalhou por outras partes do país, situam-se na região de Lisboa.

No mesmo período de tempo tenho assistido ao empobrecimento da minha cidade e da região envolvente.

As consequências desta política são já trágicas.

Um estudo realizado em Janeiro deste ano, pelo Instituto Português da Juventude (IPJ), envolvendo 1011 jovens entre os 15 e os 29 anos, residentes nos distritos de Braga, Bragança, Porto, Viana do Castelo e Vila Real, apresentado em Vigo durante o I Congresso Europeu da Juventude Atlântica, concluía que 31 por cento dos jovens do Norte identificam-se sobretudo com a própria região onde vivem e só 22,8 por cento reconhece o país como imagem da sua personalidade.

Esta percentagem só pode vir a descer no futuro.

Eu próprio, apesar de já não ser jovem, cada vez me identifico menos com este país.

Como cidadão eleitor do distrito do Porto venho por este meio apelar para que honrem o mandato que lhes foi concedido pelos eleitores e que utilizem todos os meios ao vosso alcance para reverter esta situação.

O interesse nacional impõe que assim seja.

Na próxima ida às urnas os eleitores desta região cá estarão para julgar as atitudes tomadas por vossas excelências em defesa da coesão nacional.

Os meus melhores cumprimentos,
António Alves

De: TAF - "Notícias das «elites»" 

- As elites e a regionalização
- Elites do Porto e do Norte não têm poder político - Vozes

De: Alexandre Gomes - "Do outro lado..." 

"... - Aliados - dizia eu em desespero..."

Cara Manuela,

O ver as fotos da cerca à volta da menina dos Aliados põe-me fisicamente doente. É a angústia de não perceber esta insistência. E de ninguém dar a cara em defesa do novo projecto. Na manifestação contra seriam poucos mas onde estão os poucos que sejam a defender a intervenção?

Muito, muito triste!

Alexandre Borges Gomes
Luanda.

De: Daniel Rodrigues - "Fusão Gaia-Porto" 

Das 5 possibilidades referidas por si, creio que esta é a que tem pernas para avançar, como possibilidade de fazer algo independente do poder nacional, e capaz de aglutinar uma massa crítica populacional elevada.

Para além desta questão, vários políticos já defenderam exactamente o mesmo. Que tal deixar diferenças para trás, e propor directamente a criação de um movimento pela fusão de Porto e Gaia a políticos que defendem essa ideia nos media? Creio que Luís Filipe Menezes já adiantou essa ideia várias vezes... De qualquer modo, não se poderia estagnar numa fusão (gestão conjunta das duas cidades). Seria necessário dar mais poderes a cada junta de freguesia (por exemplo, passar a parte de animação cultural, e respectiva dotação, para as juntas de freguesia). Ou seja, fazer uma "descentralização" da própria mega-autarquia.

Embora este seja um caminho possível, julgo que temos de intervir a outros níveis. O Estatuto dos Deputados está assim referido na constituição:
"Natureza e âmbito do mandato
1. Os Deputados representam todo o País, e não os círculos por que são eleitos."
É necessário alertar os deputados eleitos pelo círculo do Porto para a necessidade de alterar este artigo da constituição!! No fundo, que voz afinal é que eu elejo para defender os meus interesses??? O meu poder de voto encerra-se no poder local. Os deputados não vão defender os interesses de quem os elege, mas de todo o país. Desta forma não temos democracia representativa.

Que passo concreto dar para alterar esta situação??

Em vez de perder energias com questões menores (que me perdoem a dureza das palavras, independentemente da justiça da causa), como a alteração da Avenida dos Aliados, ou os casos de urbanismo como o do Parque da Cidade, realizar movimentos cívicos que pressionem (recolher assinaturas, criar tertúlias/debates, organizar manifestações, falar continuamente nos media (conhece-se sempre alguém que colocará uma reportagem sobre estes assuntos)) para os seguintes objectivos:
Temos que nos unir em torno de uma causa comum. O momento é sério; A prepotência do estado central, que recebe cerca de 50% da riqueza produzida pelo país no seu conjunto, redistribuindo-a por uma Administração Pública concentrada em Lisboa, atingiu limites. Atente-se na previsão de investimento público comparativamente entre Grande Porto e Grande Lisboa. E não haja receio de dizer "Basta."

Se o Porto já soube em momentos anteriores dizer "Basta", então é chegada a hora de o fazer de novo. Mas só unindo-nos em torno de causa comuns. Algumas vão ser perdidas? É certo. Mas creio que é necessário ultrapassarmo-nos e clarificarmos as necessidades prioritárias. E se o Estado não considerar que as nossas prioridades são prioritárias, então muito obrigado, parte da contribuição de impostos deverá ficar nas áreas metropolitanas, para investimento conjunto, por exemplo, com a Junta da Galiza. Aí caberá aos deputados por nós eleitos serem literalmente massacrados (através de cartas, e-mails, e, em especial, pressão nos media), até que obriguem a alterações legislativas nesse sentido.

É hora. Criar um movimento cívico, com assinaturas, com fóruns REAIS, PRESENCIAIS, dizendo claramente: O Governo tem de investir JÁ neste bloco de estruturas essenciais. E querendo ou não, temos de o fazer através do conjunto de autarcas (bons ou maus) que elegemos. Temos de fazer debates, moções, levar a todas as reuniões camarárias este assunto. Temos que concentrar esforços em torno de dois objectivos, claros e incisivos. Creio que a linha Porto-Vigo e a duplicação do IP4, são questões para já... E já, é já a partir de amanhã.

Melhores cumprimentos,
Daniel Rodrigues

PS: Creio que não são precisas bombas... Apenas ousar. Ousar.
--
Nota de TAF: Por coincidência, ou talvez não, este assunto vem hoje referido no JN.
- Mais próximos do que nunca
- "Assuma-se que já não há cidades, há uma metrópole"

2005/11/23

De: Carlos Gilbert - "Ainda a Conferência na Católica" 

Diz Ricardo Cruz:
«Seguramente, ninguém quererá ver o contágio alastrar a um modelo regionalizado. Sintomático, ou talvez não: nenhum dos intervenientes no debate da Católica referiu que as elites do Porto andariam pela política local. No mínimo, dá que pensar.»
Pois dá. Porque nenhum dos seus "expoentes" lá esteve (ou se esteve, entrou mudo e saiu calado) certamente porque à partida nenhum dos autarcas de peso se considera inserido no número dos pertencentes a "elites", certamente imbuídos pelo "complexo elitário", conceito que aliás o Prof. António Barreto teve o mérito de "desmontar" de forma conclusiva, em resposta a um dos intevenientes do público presente.

Temos de nos convencer de uma vez por todas que a sociedade exige que haja diferenciação entre os seus membros, e essa diferenciação é medida e aferida pelo respectivo mérito, seja em que área for. E todos sabemos que a grande maioria dos políticos portugueses da actualidade tem tudo menos mérito. Viu-se isso, se exemplos fossem necessários, nas últimas "autárquicas".

Pela minha parte, saí deslumbrado da conferência de ontem! Nunca vi uma concentração tão grande e notória, mas descomplexada, de intelectualidade junta! E como ninguém tinha de provar nada e não havia votos em jogo, foi um debate aberto, franco e sincero, como - repito sem me cansar - nunca me lembro de ter assistido. De tal forma assim foi, que o tema do debate, à partida delicado e que eu julgava iria ser pegado "com pinças", foi debatido como digo de tal forma aberto que pareceu natural haver "elites" na nossa sociedade portuense e estas serem sujeitas a debate sincero, inclusivé por quem se auto-considerou "de esquerda" (o Prof. A. Barreto).

Que retemperante iniciativa! O meu obrigado aos seus promotores.
C. Gilbert

PS: Como pequena nota à parte, foi igualmente notório ter-se visto o "anfitrião", o Prof. Carvalho Guerra, sentado o tempo todo com toda a simplicidade na quina do palco por falta de espaço, tal o anfiteatro estava lotado!

De: Ricardo Cruz - "Ainda a Conferência de ontem na Católica" 

Conto-me entre os bafejados pela sorte de terem podido assistir ao concorrido debate na Católica entre Cadilhe, Barreto e Santos Silva. Sendo que todos os protagonistas me merecem respeito intelectual de longa data, foi uma bela conversa.
Escrevi já diversas vezes em prol da descentralização e desconcentração de serviços do Estado (p.e. aqui), na convicção de que a evidente hipercentralização de meios, recursos e elites em Lisboa é típica de uma concepção terceiro-mundista de Nação, aliás só encontrando paralelo em paragens menos recomendáveis da América Latina ou de África. Mas, talvez por deformação profissional (16 anos de Universidade terão ajudado…) tenho sempre enorme dificuldade em participar de discussões algo vácuas no alcance dos conceitos.

Vem isto a pretexto da dita “regionalização”. Confesso que, até hoje, ainda não consegui encontrar em nenhum documento minimamente estruturado a substância concreta do que seria “a” regionalização – o conceito, definido, desenvolvido e avaliado em plenitude. Temos, assim, um debate vazio, melhor, sobre um objecto indefinido que cada um molda em função de ideários íntimos, mais ou menos esclarecidos, seja a favor, seja contra.

O que é – como seria – “a” regionalização em Portugal? Alguém sabe, ou tem uma proposta concreta para apresentar? Seguramente, não se tratará apenas de um mapa, como aquele que teremos votado no idiota referendo de 1998. Pondo as coisas em termos claros: Que regiões? Que órgãos políticos, com que composição e funções? Legitimados, mas como? Com que poderes e atribuições? Com que novas competências e meios a transferir da administração central (e local, convirá não esquecer) para as ditas “regiões”? Com que poderes a serem reforçados em matéria de administração central? A que ritmos se transfeririam tais poderes, parecendo óbvio que o gradualismo é bom conselheiro? Que fiscalização, e por quem, das instituições políticas das regiões? Com que meios de financiamento e orçamento? Mediante que articulação com a organização administrativa do território? Com que implicações para a divisão administrativa (distrital e concelhia) do país? Com que consequências em matéria de lei eleitoral?

Com probabilidade, acreditarei na regionalização que Miguel Cadilhe terá em mente. Não pela substância da sua proposta – que não conheço e, suponho, ninguém conhece - , mas pelo homem e pelas suas capacidades e atributos. O que, convenhamos, é simultaneamente muito… e nada. Posso acreditar em Cadilhe e na “sua” regionalização. Mas, seguramente, não acreditarei na dos aparelhistas da política local. Tem faltado imensa substância e alguma ordem a todo o debate sobre a regionalização.

Gostaria ainda de abrir um outro ponto de reflexão. O propalado “Poder Local Democrático” é apontado como uma das “grandes conquistas” da democracia. Sê-lo-á. Todavia, é também esse o mesmo poder local responsável pela destruição irreversível de património natural, paisagístico e histórico, pelo desordenamento territorial, pela delapidação de recursos públicos à conta de lógicas bairristas e protagonismos serôdios, e pela institucionalização de práticas de gestão censuráveis. Seguramente, ninguém quererá ver o contágio alastrar a um modelo regionalizado. Sintomático, ou talvez não: nenhum dos intervenientes no debate da Católica referiu que as elites do Porto andariam pela política local. No mínimo, dá que pensar.

Isto não é nada fácil, mas vale a pena discuti-lo abertamente. Como sugestão, talvez a Católica do Porto pudesse ser invectivada a mobilizar meios e competências para formular e fomentar o debate de propostas relativas a algumas das questões que levantei, o que permitiria acolher as sugestões 4) e 5) subscritas por TAF.
Gostava ainda de agradecer e encorajar TAF e os “habitués” d’“A Baixa do Porto” a não desistirem de continuar a lutar por uma causa muito válida.

Um abraço para todos.
Ricardo Cruz
[email protected]

De: Teófilo M. - "Eu sei que estamos zangados" 

Eu próprio me tenho interrogado se não terá já chegado a hora, de passarmos das palavras para acções mais concretas, que passem pela formação de um lobby a favor da cidade e da sua região envolvente, uma vez que, e parece que todos estamos de acordo, do lado das estruturas politíco-partidárias, nada se vê?

Quando o TAF diz que precisamos de um lobby aqui no Porto, já entendeu que é por aí que passará a defesa da cidade/região, pois é preciso pressionar os políticos, os burocratas instalados, as elites enfastiadas e os investidores desinteressados, para que abandonem o equilíbrio indiferente em que se mantêm, levando-os a abandonar a inércia em que modorram, abandonando de vez o discurso da enumeração dos problemas, para passarem para a aplicação das soluções necessárias.

As Associações da cidade têm de ser recordadas do seu papel dinamizador, as autarquias têm de deixar de se debruçar sobre os seus umbigos, os jornais e outras fontes de informação têm de cumprir o seu papel na divulgação das diversas opiniões, e ala que se faz tarde.

Talvez se seguirmos o exemplo do prof. Moniz Pereira, ao constituir a associação de amizade Portugal-Portugal e passarmos à criação da Associação de Amizade do Norte de Portugal.

Cumprimentos
Teofilo M.

De: Manuela DL Ramos - "Afinal..." 

"... não são apenas más as novas..."

Obras nos Aliados vão ser analisadas pela IGAT
Será que apesar disto vão prosseguir?
Esperemos que impere o bom senso.

Manuela D.L Ramos

De: TAF - "A conferência de ontem na Católica" 

As elites (no bom sentido) só merecem esse “estatuto” em função dos resultados que obtêm pelas suas acções. Por essa razão é legítimo dizer que nesta altura não há praticamente elites no Porto. Tem contudo havido alguma agitação, normalmente sob a forma de protesto e de reivindicação. O mal é que acaba tudo por se transformar em incentivos ao aumento da intervenção do Estado.

Alguns exemplos.

a) Quer-se encontrar uma “estratégia para a Região”. Ora isso pressupõe que, das duas uma: ou quem a vai aplicar é o próprio Estado (mais investimento do Estado, mais dinheiro meu nas mãos do Estado) ou então a sociedade civil encontra no seu seio um consenso muito alargado (o que me parece irrealista).

b) Outro exemplo, uma proposta de Miguel Cadilhe: com a melhor das intenções, propõe a utilização das reservas de ouro para uma revolução na Administração Pública (mais investimento do Estado, o nosso tesouro nas mãos dos gestores públicos). Mas há alguém que nos consiga garantir que a gestão dessa revolução vai ter sucesso? Que o Estado consegue atrair gestores à altura dessa missão? Que se consegue estabilidade suficiente para levar o plano até ao fim? Ou vai acontecer como no Plano Tecnológico, em que ao fim de muitos meses nos aparecem 400 páginas com 166 ideias luminosas, e logo a seguir afasta-se o responsável por esta obra de arte? Eu não quero mais dinheiro meu nas mãos do Estado! O Estado que faça as reformas que quiser mas sem assaltar ainda mais o meu património!

c) Outro exemplo ainda: o documento de Vital Moreira para a CCDRN sobre a desconcentração e descentralização. É um bom trabalho, que merece leitura atenta, mas mais uma vez assume uma visão “estatista” da regionalização: caberia à Administração Central a liderança do processo.

O que é que eu proponho, então?

1) Em vez de tentar resolver os problemas todos de uma vez só com grandes projectos, as elites do Porto deviam organizar-se em pequenos grupos para concretizar iniciativas menos ambiciosas mas com efeitos palpáveis. Sugestões:
2) Avançar com a desconcentração dos serviços da Administração Central, sem confundir isso com regionalização.

3) Fundir municípios como um primeiro passo para uma reorganização mais geral do território. Começaria por integrar Gaia no Porto.

4) Criar um lobby para pressionar principalmente a sociedade civil, os privados, mais do que o Estado. Quanto aos privados, por exemplo para congregar interesses tal como referido no ponto 1). Quanto ao Estado, por exemplo para tornar pública toda a informação (estudos como os do Metro, processos de Urbanismo, etc.) que não está disponível para consulta fácil.

5) Colocar por escrito as propostas que surgirem nessas elites. E, em vez de se manterem como “treinadoras de equipas alheias”, criarem elas próprias as suas equipas e meterem mãos à obra.

--
PS - Alguns comentários que entretanto encontrei na blogosfera:
- No Nortadas um e dois.
- N'O Vilacondense

De: Carlos Gilbert - "Mais do mesmo..." 

De Manuela DL Ramos:
«Numa altura em que as cidades que têm o privilégio de possuírem espaços com história, os preservam para os transmitirem às gerações futuras, numa época em que as políticas modernas de intervenção em espaços urbanos aconselham medidas que valorizem a diversidade de carácter de cada cidade e protejam o património cultural (e natural), a cidade do Porto programada e deliberadamente vai arrasar com um século de história urbana.
Espantoso!»
É, e apetece perguntar ao Prof. António Barreto, ao Dr. Miguel Cadilhe e ao Dr. Artur Santos Silva, depois da brilhante conferência de ontem na Católica, que "poder" querem que as ditas "elites" do Grande Porto tomem! As decisões são tomadas por quem pode, não por quem quer, Senhores! E este "blogue" é bem testemunha disso, fartamo-nos de clamar contra determinadas decisões que têm delapidado o carácter muito próprio da nossa cidade e com que resultados?

Prof. António Barreto, quando proceder às tais filmagens no centro do Porto a que aludiu na sua palestra, não se admire nem fique escandalizado com o que vir na nossa avenida principal da baixa... são decisões de quem detém o poder mas não pertence às tais "elites" ontem referidas. Estas, estão de pés e mãos atadas, assitindo impotentes contra as prepotências em cadeia...

Cordialmente,
Carlos Gilbert

De: Manuela DL Ramos - "Aliados - Mais do mesmo" 

«Hoje não tenho boas notícias, acho que vão começar a obra, uma vez que não enfeitaram de Natal os candeeiros da avenida, só os da câmara é que foram os escolhidos. Também hoje andaram a colocar grades de modo a cercar o jardim que resta da avenida. Enfim! que tristeza!» (mensagem recebida via [email protected])

Que tristeza! E que vergonha! E que revolta!
Apesar apesar de ainda não ter sido publicado o relatório final da Comissão Parlamentar, apesar das agora mais de 7000 assinaturas, apesar das queixas à Provedoria da Justiça e ao Ministério Público, os responsáveis da obra avançam, insensíveis, ignorando tudo e todos.

Numa altura em que as cidades que têm o privilégio de possuírem espaços com história, os preservam para os transmitirem às gerações futuras, numa época em que as políticas modernas de intervenção em espaços urbanos aconselham medidas que valorizem a diversidade de carácter de cada cidade e protejam o património cultural (e natural), a cidade do Porto programada e deliberadamente vai arrasar com um século de história urbana.
Espantoso!

Cordialmente
Manuela D.L Ramos
(Publicado no Aliados)

2005/11/22

De: Rui Valente - "Nota de TAF" 

Meu caro,

Isto vai-lhe parecer discurso de revolucionário de fancaria, mas quando puder, há-de explicar-me quando, e em que parte do universo as grandes reformas partiram daquilo a que o meu amigo denomina "elites" com estatuto.

Nós não estamos apenas carecidos de "operações cirúrgicas de comandos" de cariz economicista, mas sim de uma forte consciencialização cívica dos nossos direitos de soberania que nos ajude a perceber em definitivo que não devemos permitir o acesso ao poder a quem não tem categoria moral nem intelectual para o fazer! E a experiência diz-nos que nós nunca tivemos governantes à altura das suas responsabilidades.

O meu amigo deve estar esquecido dos 15 milhões de euros, queimados no projecto regionalista da falecida NTV, que se tivessem sido bem geridos podiam ter dado um enorme contributo para a consolidação da autonomia regional. Houve capital (e não foi pouco), mas falhou competência! Porque terá sido, sabe? Eu ainda estou por saber... Mas repare agora, como a RTPN que de nortenha só tem o "N", parece andar bem de saúde. Mas o que se passará, afinal?

Será capaz também de me explicar se os interesses economicistas foram conjugados com os regionais nos planos de Joaquim Oliveira, um homem do Norte, quando comprou a Sport TV, TSF, Lusa, Jornal "O Jogo" e outros media? Porque será que "O Público" tem sede em Lisboa sendo da Sonae de Belmiro de Azevedo, outro homem do Norte?

Para lhe dar um exemplo actual e pessoal, dir-lhe-ei apenas, que nem Mário Soares, apesar do "animal político" com que o baptizaram, nem Cavaco Silva, nem qualquer outro candidato, me farão dar um único passo, no sentido de creditar com o meu voto, uma única sílaba dos seus doutos argumentos, ôcos e malabaristas, para me convencerem a reconhecer-lhes importância! Eu sinto que não preciso deles para nada, mas apesar disso sei que muita gente não pensa assim e irá obedientemente eleger um deles para Presidente da República!

Já alguém disse que: "se um milhão de pessoas cometer uma asneira, não será por isso que deixa de ser uma asneira"!... E modestamente pressinto, que mais uma vez não serei eu a cometê-la!...

Com amizade,
Rui Valente

De: Cristina Santos - "Exigir explicações do Governo" 

De que serve a Constituição mais avançada da Europa, aplicada no país mais atrasado do estado europeu?!

A culpa é do povo porque não obriga ao cumprimento do planeado?!
... mas isso é como uma empresa que abre falência.
Como vamos obrigar que se cumpra, se não há meios para tal?
O máximo que podemos fazer é condenar os políticos por danos morais, por criarem ilusões que sabiam de antemão que não podiam concretizar...

Agora no panorama local e antes de uma eventual acção em relação ao Metro do Porto há que avaliar.

O Governo alega controle da despesa, por isso antes de mais temos que saber como é que se propõem resolver este problema.

Se pretendem controlar a despesa recorrendo a serviços mais baratos ou se pretendem suspender traçados.
Se propõem concluir o Metro em tempo útil economizando, ou se eventualmente pretendem adiar a sua concretização que é uma forma de poupança imediata.
Se pretendem reduzir nos recursos humanos ou se pretendem aumentar os salários dos gestores.

É nestas pequenas diferenças que se justificam as intervenções, será o governo capaz de fazer melhor que os gestores da Metro?!
Consegue o Governo nomear órgãos capazes de aumentar a rede e controlar os custos?!
Porque é que a região norte não exige que sejam apontadas as derrapagens e as alternativas a este custo «excessivo»?

O governo não pode tomar iniciativas deste tipo, sem as justificar a Portugal.
O governo deve lembrar-se que a estagnação de uma cidade implica o desenvolvimento de todo o país.
Se tomou esta atitude tem que ter bases para tal, porque é que as mesmas não são tornadas públicas?!

E aliás o que anda a fazer o presidente desta Cidade, que não se pronuncia?! Será que tem medo que a derrapagem suba lá dos lados da Boavista?!

De: Rui Valente - "TAF - Liberdade" 

Meu caro,

Conquanto tenha tido o cuidado de evitar dar o nome aos destinatários que possam estar eventualmente a ameaçar a sua liberdade, pressinto que as minhas opiniões sobre o tema "Porto/Norte de Portugal" não façam o seu estilo e comecem a criar-lhe algum embaraço. Está no seu direito, mas estarei enganado?

Como não gosto de falar sem primeiro ouvir o meu interlocutor, tive o cuidado de ler com atenção os seus apontamentos referenciados como: "Regionalização a martelo", "O Governo, o capital e a economia do Norte", "Estratégia para a Região" e por último, "A política Open Source". Li-os, procurei entendê-los o melhor que pude e sei, e o que posso dizer-lhe é que, embora bem estruturados e apresentados com aparente convicção, continuo a pensar o mesmo, ou seja: estamos preocupados a discutir a receita dos "pratos" sem termos autoridade nem equipamento de cozinha para os confeccionar!..

O meu amigo, procura apresentar os assuntos de forma didática, quase científica - o que é meritório - apresentando organogramas, sugerindo esquemas de poder descentralizado ou desconcentrado, mas perdoe-me a frontalidade, dificilmente irá com isso influir o rumo dos acontecimentos.

A menos que, através deste blogue, consiga convencer algum magnata estrangeiro (como refere) a investir na região e a interessar-se pela causa com mais empenho dos que os capitalistas locais, o que me parece pouco provável. As suas legítimas teorias enquadram-se mais no papel de executivo do que no de cidadão comum inconformado com o que os nossos governantes nos reservam num futuro próximo, e é isso que me parece inquientante!

Desculpe-me falar-lhe deste modo, mas pessoalmente, estou cansado de ouvir fóruns e debates sobre tudo e nada, particularmente quando as vedetas dos mesmos são personalidades que já ocuparam cargos em governos presentes e passados e que astutamente os usam, mais para "lavarem as mãos" das asneiras que andaram a fazer, do que, como se poderá supor, para esclarecer o que quer que seja. Se não foram capazes de governar, muito menos o serão para ensinar os outros a fazê-lo! Não será assim?

Por isso insisto que, a nossa preocupação prioritária devia apontar para a procura de outros meios de intervenção cívica sobre o controle da actividade política, porque não é tanto na bondade dos projectos de governo que está o mal, mas mais na nossa incapacidade prática de evitar o seu incumprimento!!! Quer melhor exemplo do que a nossa Constituição? Não é sabido por todos nós, ser uma das mais avançadas da Europa? E então, porque será que é tão repetitivamente desrespeitada?

Meu caro, estamos sem ponta de poder e sem ele, não passaremos da cêpa torta! Não tenha dúvidas.

Um abraço
Rui Valente
--
Nota de TAF: Caro Rui Valente, nenhuma opinião expressa aqui no blog me "causa embaraço" pela simples razão de que este é um local público onde os textos apenas vinculam os seus autores. Como gestor deste espaço, tenho muito gosto em publicar aqui opiniões com as quais não concordo - só pelo confronto leal de argumentos se pode evoluir. De facto não estou de acordo com algumas das ideias que defende, nem com vários argumentos de outros participantes. Eu acredito que a situação está mais para "operações cirúrgicas de Comandos" do que para "grandes cargas de infantaria". Não confio na possibilidade de mobilizar a sociedade civil nortenha antes de alcançar sucesso com iniciativas privadas autónomas com origem nas "elites" que provarem ser dignas desse "estatuto", e que (como bem lembra) certamente já não incluem muitos dos que julgam a elas ainda pertencer... ;-).

De: TAF - "Olhares" 

Começa hoje mais um ciclo de conferências "Olhares Cruzados sobre o Porto", da iniciativa do Público e da Universidade Católica. Logo à noite, às 21:30 no auditório da Católica da Foz, falam António Barreto e Miguel Cadilhe, moderados por Artur Santos Silva, a pretexto do tema "Onde estão as elites do Grande Porto?"

Estive a reler o meu próprio comentário por ocasião do mesmo ciclo em 2004. Veremos se este ano há novidades ou se de facto as elites desapareceram do Porto. ;-)

Eu bem escrevo sobre estes temas, mas tem adiantado pouco...

De: David Afonso - "As escolas do centro do Porto" 

[publicado no DoloEventual]

A semana que passou deixou-nos uma boa notícia (ao menos uma!): a DREN não tenciona encerrar nenhuma escola na cidade do Porto. Isto significa que o Carolina Michaelis e o Rodrigues de Freitas podem, para já, respirar de alívio. Esta decisão, contudo, não parece se limitar à manutenção da abertura dos estabelecimentos, já que a DREN e as próprias escolas manifestam hoje uma atitude muito mais proactiva e positiva. Em vez de ficarem a olhar para a maré demográfica que de tão vazia ameaça secar as escolas do centro, propõem-se a captar alunos das escolas sobrelotadas da periferia tirando partido das facilidades de transporte geradas pela presença da linha de Metro Trindade-Sª da Hora, numa lógica de racionalização dos meios (físicos e humanos: para quê ter turmas com 30 alunos se a 15 minutos de distância existem duas escolas históricas, uma delas centenária, com turmas de 20 ou menos?).

Seguindo a mesma lógica, a DREN prevê ainda a possibilidade de os espaços entretanto "devolutos" serem ocupados por serviços públicos. Parece-me uma boa ideia e até nem é nova: na Homem Cristo de Aveiro funcionou dentro das suas instalações a tesouraria municipal. O que não falta por essa cidade são serviços e colectividades carenciadas de espaços para exercerem as suas actividades: se os edifícios das escolas têm espaço livre, não vejo porque não hão-de albergar esses serviços e colectividades. Aliás, talvez tivéssemos aí uma oportunidade rara de desenvolver projectos educativos intimamente entrusados com a sociedade civil (ex: se uma universidade da 3ª idade utilizar as instalações de uma escola, porque motivo não hão-de os alunos dessa mesma escola colaborar de perto nesse tipo de projecto? Se um serviço público instalar um centro numa escola porque motivo não hão-de colaborar no processo de formação dos alunos e restante comunidade escolar através de estágios integrados na própria escola ou de acções de formação?).

A Rodrigues de Freitas, a par do Carolina Michaelis e da Alexandre Herculano (magnífico projecto de Marques da Silva!), são, por si só elementos de valorização urbana e cultural. O seu património é impressionante. Passo a citar o Público de 16 de Novembro: «A Escola Secundária Rodrigues de Freitas está satisfeita com as boas notícias, não só da sobrevivência do estabelecimento de ensino, mas também das obras anunciadas. O edifício é grande, mas há muito tempo já que não sofre qualquer intervenção. Há, por exemplo, uma piscina no espaço, mas está fechada. Apesar destes problemas, a escola tern aumentado a visibilidade das sucessivas iniciativas que organiza. Esta sernana realiza-se na Biblioteca Jaime Cortesão, no último andar do edifício, uma série de conferências no âmbito de Novembro, o mês da Ciência e Semana da Ciência e Tecnologia. Com objectos e livros distribuídos por várias salas, encontram-se pequenas relíquias naquele imóvel. A última máquina de cinema mudo do Carlos Alberto, só para exemplificar. Ou um herbário de 1870.» A Alexandre Herculano também é dotada de instalações muitos interessantes que poderiam e deveriam procuram uma maior exposição pública. A SRU PortoVivo no seu «Masterplan» («Contrato de Cidade», insisto eu!) dá alguma relevância (mas não a suficiente) ao parque escolar. Ora, não há reabilitação possível sem equipamentos-âncora de prestígio, como são estas (e outras) escolas. A SRU pode ajudar a criar aqui centros de ensino de excelência. Começando por colaborar na sua reabilitação física e da sua valorização histórica, museológica e cultural. Só quem nunca entrou no Alexandre Herculano, por exemplo, é que não percebe a verdadeira pérola que ali se encontra! Mas pode e deve ser ambiciosa: a reabilitação do centro histórico é uma lição prática de história, geografia, economia, sociologia, etc... Será que as escolas e a SRU vão deixar escapar esta oportunidade única de educar gerações novas para uma nova cidade?

PS1: Dizia Rui Rio, antes das eleições, que se «eles» (o ministério da educação) fossem inteligentes deveriam encerrar as escolas que não têm alunos. Na altura chamei a atenção para este peculiar facto de termos um presidente da Câmara que exige o encerramento de escolas no seu próprio concelho. Afinal existem outras soluções. Ainda bem que não foram «inteligentes».
PS2: O não encerramento do Carolina Michaelis pode ser uma pedra no sapato de Rui Rio: como resolver agora o problema da localização do Conservatório? Creio que, infelizmente, a solução não consta nos próximos episódios desta telenovela...

David Afonso
[email protected]

2005/11/21

De: TAF - "Liberdade" 


Li com atenção e interesse os textos recentes que aqui têm sido publicados sobre a Região e a maneira de "dar a volta a isto". Devo confessar que, apesar de partilhar das mesmas preocupações, não concordo com muito do que foi escrito.

Já tenho reflectido sobre o assunto: não precisamos de uma "estratégia para a região", bastam-nos liberdade de acção e uma "política open source". Uma desconcentração bem feita será certamente benéfica. Mas dispenso grandes iniciativas regionais e até a mobilização generalizada da sociedade civil.

Quero é liberdade para poder trabalhar em paz, que é algo que agora o Estado com o seu imenso peso e burocracia não me concede. Gostaria era de poder co-gerir alguns recursos privados que actualmente são mantidos em stand-by pelos seus detentores, gerando algum valor acrescentado com as capacidades que acredito ter. Não me repugnaria absolutamente nada colaborar com capital estrangeiro para criar mais riqueza em Portugal ou noutro lado qualquer. Quando tiverem uma economia a funcionar saudavelmente, os portugueses terão poder. Assim é que não!

De: Rui Valente - "Pulido Valente" 

Caro Pulido Valente,

Não posso estar mais de acordo consigo, quando diz que devemos manter nos "carris o comboio dos temas abordados"! Foi aliás, essa a razão que me levou a participar nesta aventura de também querer dar o meu modesto contributo para tentar colocar o Porto no lugar que lhe é devido. Desde sempre, reconheci neste blogue muitos pontos de interesse para a cidade e para a região, não apenas pela pertinência dos assuntos abordados, como pelo manifesto incómodo patenteado pelos diversos colaboradores face ao que tem vindo a passar-se com a nossa cidade. É já um começo de facto, mas não chega!

Acontece, que apesar disso, cedo me apercebi da inocuidade do mesmo, caso não seja ultrapassado o âmbito tertuliano e de certo modo fechado deste blogue e por essa razão achei oportuno espicaçar um pouco os espíritos mais conformados (que não parece ser o seu caso), no sentido de abrir caminho para novos e mais importantes desafios. Para já, apenas a sua reacção, a da Cristina Santos e do António Alves, parecem (até ao momento) ter sido as únicas a assimilar a ideia da minha mensagem e a corroborarem comigo a necessidade de fazer algo mais!

No entanto, não concordo consigo, quando parece considerar o tema RTPN como um desvio ao tema, que é como sabe a cidade do Porto, mas também o da região em que ela se insere. Tenho para mim, que é exactamente de um poderoso canal de televisão, não apenas, mas assumida e descomplexadamente regional, aquilo de que o Porto mais precisa! Sem ele, tudo o resto se tornará mais difícil, porque como é sabido, não é com as promessas sucessivamente incumpridas de descentralização que lá chegaremos.

Na minha opinião, o acto eleitoral é um instrumento de soberania popular muito limitado de resultados excessivamente lentos que só agrada (e convém) à classe política! Para os políticos, é compreensível tentarem convencer os eleitores de que já tudo foi inventado nessa matéria, mas para nós a interpretação da prática democrática pode contemplar outras formas de soberania, desde que enquadradas na legalidade. O problema para muita gente (mesmo bem intencionada), é conseguir quebrar a barreira do conservadorismo e não conseguir vislumbrar outras formas de luta que não o acto de votar, de quatro em quatro anos!

O Movimento do Coliseu do Porto, foi sem dúvida uma boa causa e um exemplo considerável, capaz de mobilizar os portuenses, mas teve na circunstância, meios de visibilidade e o apoio de figuras públicas que um "blogue" não pode atingir de um dia para o outro, mas com vontade e e ideias tudo é possível. A questão é insistirmos dia a dia no tema, divulgando-o e procurando transmitir-lhe um cunho sério e com fins bem claros! A depressão e a intensificação de vazio de poderes no Porto a todos os níveis é um motivo muito mais grave e importante do que o caso do Coliseu e merece o máximo empenho de todos nós. Sempre!

Como dizia há dias Rui Moreira, pessoalmente também não simpatizo muito com Alberto João Jardim, mas devo reconhecer que foi o único político que desde sempre percebeu, que a única forma de combater o poder central, é desafiá-lo, mesmo com ameaças pouco consentâneas com a integridade nacional. Porque, bem vistas as coisas, não terão sido os sucessivos governos centrais quem mais tem contribuído para a divisão do país?

O que me resta dizer, é que, em vez de andarmos a discutir o sexo dos anjos, sem quaquer efeito prático, procuremos aproveitar este espaço para apresentar sugestões e métodos para almejarmos alcançar todos o mesmo objectivo, que é obrigar o governo de Lisboa a tratar-nos com mais seriedade e respeito!

Um abraço
Rui Valente

De: Teófilo M - "Previsões" 

Segundo o JN, a adesão ao Metro já levou a que as previsões de utilização para o ano de 2008, já tenham sido excedidas!

Devemos estar contentes com o sucesso que este novo meio de transporte está a ter, mas será também altura para nos interrogarmos seriamente, sobre a qualidade das previsões e estudos elaborados sobre a evolução da procura.

Quem os fez? Qual o resultado imediato e a curto prazo desta enorme derrapagem previsional? Alguém para responder?

Cumprimentos
Teofilo M.
(publicado no Akiagato)

De: José Silva - "O Metro do Porto..." 

"... e o Partido do Desenvolvimento de Portugal"

Acho que o Nortugal.Info e a Baixa do Porto irão testemunhar uma passo importante na história contemporânea de Portugal. As notícias dos últimos dias (OTA, TGV duplicado sobre a linha do Norte, ausência de CVE Porto-Vigo e a tentativa de diabolizar o Metro do Porto por parte da administração central de Lisboa) e os gritos de Rui Valente e António Alves levam a concluir que NÓS vamos mudar Portugal.

1. A administração do Metro do Porto sempre foi um compromisso possível entre uma administração central e comunicação social centralista que acha que qualquer cêntimo gasto na região do Porto como estratoesférico e a liderança pelos autarcas. Neste aspecto a actual administração saiu-se bem. O Metro está aí, já com bitola europeia.

2. Acho, de qualquer modo, que houve erros:
3. Administração Central e Metro do Porto estão em braço de ferro. Mas não tenhamos dúvidas quanto ao desfecho:
4. Porquê ? Porquê a crónica sensação de perda de poder do Porto e da metade norte de Portugal. Há permanentemente 2 pesos e 2 medidas. É simples de perceber. Basta ler «É preciso atrair 300 000 residentes nos próximos anos» e fazer o seguinte raciocínio:
5. Conclusão: O resto de Portugal está a empobrecer para que os proprietários de imóveis e políticos nacionais enriqueçam! Por muito que neguem, os funcionários do Terreiro do Paço, a comunicação social de Lisboa, os políticos ditos nacionais, terão sempre uma atitude contra o resto de Portugal, sobretudo a norte, onde se concentra a maior massa humana e concorrencial a Lisboa. E porquê ? porque o modelo de enriquecimento deles é captar residentes e assim valorizar o respectivo património imobiliário. Assim, na óptica das elites de Lisboa, não deve nem pode haver alternativas de desenvolvimento fora de Lisboa. É que caso hajam, o fluxo migratório interno pára e eles empobrecem !

6. Isto explica muitas coisas. É por isso que a Regionalização foi bloqueada. É por isso que todas as personagens da metade norte de Portugal, sobretudo as mais reivindicativas são desvalorizadas pela comunicação social de Lisboa. É por isso que nas redacções de Lisboa, a partir de Leiria é tudo norte. É por isso que a NTV fechou, que Rio Rio não se importou e por isso que a PT/TVCabo impede um novo PortoCanal. É por isso que o único candidato presidencial (Botelho Ribeiro) oriundo da metade norte se queixa de discriminação; É por isso que os candidatos Valentim, Felgueiras e Ferreira Torres foram apresentados com «bandidos» e Joaquim Raposo, presidente da C.M. Amadora, com processos idênticos, não foi mediatizado. Eles necessitam de ocultar a evidência. Eles necessitam que não detectemos o padrão dos fluxos económicos regionais dos últimos 30 anos. E a região do Porto é a principal ameaça. É aqui onde sempre houve uma maior densidade de elites com capacidade de detectar estes padrões e colocar em causa a gestão de Portugal por Lisboa.

7. Há 2 alternativas. Nada fazer ou fazer algo. Podemos continuar a assistir à perda de oportunidades de desenvolvimento. A Rui Rio e a Menezes a quererem correr para Lisboa. A sermos liderados por autarcas marionetas do poder central. Podemos continuar a assistir à desvalorização das nossas propriedades, à falta de oportunidades de desenvolvimento profissional, a OTAs, TGVs para Madrid vazios e adiamentos dos nossos investimentos. Podemos continuar a lamentar em blogues, conferências da UP, da UCP, ou posições públicas da ACP. Podemos continuar a ignorar que a região de Lisboa já tem o maior poder de compra da Ibéria e que a região norte já é a mais pobre da mesma Ibéria. Podemos continuar com conversa, como escrevem António Alves ou Rui Valente. Ou podemos crescer e ser empreendedores. Podemos dizer com dignidade que também somos Portugueses e que também merecemos desenvolvimento. Não temos que ter vergonha ou inibições por ser mais ambiciosos. Queremos continuar a ser Portugueses. Não temos nada contra os cidadãos de Lisboa que são nacionalmente solidários. Queremos futuro. Merecemos futuro. Queremos um Estado que seja regionalmente justo, honesto, que trate todos os Portugueses com o mínimo de equidade. Sejamos lúcidos e realistas: todos nós que pensamos no desenvolvimento regional e local sabemos que nada se altera com a repetição das lamentações. Afinal, na democracia formal que vivemos, há oportunidade de ir há luta. E esta luta não é ilegítima ou inglória. É necessário afrontar democraticamente o Sistema e indo a jogo. Não podemos ficar de braços cruzados. Temos que assumir a nossa própria maturidade. Não podemos esperar mais. O mundo não para. Temos que pôr mãos à obra. E a solução é a criação de um novo partido para a defesa dos interesses regionais: um Partido do Desenvolvimento de Portugal!

8. Caros portuenses, precisamos de alguém que nos defenda a nível local e nacional. Precisamos de um partido em que os seus membros não ambicionem ir para Lisboa. Um partido honesto, sem interferência de lobbies, que tenha como objectivo a maximização do aproveitamento dos impostos cobrados, a bem de todos os Portugueses e não apenas dos que habitam na região de Lisboa. Um partido que acabe com a fragmentação da região do Porto em autarquias que vivem de costas voltadas e que quadriplicam empresas municipais, assessores e motoristas. Não um partido para afrontar Lisboa, para alimentar bairrismos ou para gerar separações. Um partido sim para trabalhar e para acabar com as separações que JÁ existem nos dias de hoje. Um partido para melhorar aquilo que hoje mesmo detectamos de errado na sociedade regional ou local. Um partido para governar autarquias e também, sendo minoritário na Assembleia da República, tenha poder suficiente para bloquear orçamentos e grandes investimentos nacionais. Um partido que ambicione enriquecer material e imaterialmente a população residente. Um partido que estanque a drenagem constante de recursos para Lisboa como é o aeroporto da OTA. Mas também um partido que também aponte o desperdício entre nós, quer no sector público (autarquias, subsídios a colectividades demasiado fragmentadas por individualismo do antigamente), como no privado. Basta isto para que Portugal se desenvolva de forma mais equilibrada.

9. O mundo está «open source». As actividades sociais são cada vez mais geridas via Internet. Blogues, donativos online (Paypal Donate), redes sociais tipo Meetup.com ou Moveon.org. Na prática a militância num partido ou numa causa pode ser feito a partir do nosso PC em casa, sem colocarmos em risco a nossa actividade profissional ou familiar. A publicidade a candidaturas pode ser feito no Google AdWords ou publicidade em blogues, sem recorrer a outdoors caros e ineficazes. Daqui por 4 anos os não internautas serão minoritários. Chegar aos eleitores não será difícil. Estamos no século 21, onde a velha democracia dará inevitavelmente lugar à democracia electrónica. Há aqui uma tremenda oportunidade de nos adiantarmos à prática política tradicional. Podemos implementar um sistema electrónico em que os militantes propõe e votam todas as propostas, dirigindo transparentemente a acção dos seus lideres. Um sistema destes custaria apenas umas semanas de trabalho de programação. Não é mais um partido. Um partido de «open source» em cada militante vota por internet nas políticas sugeridas por todos os militantes, deixando a funcionários do partido a implementação, se eleitos para cargos públicos. Um sistema destes, totalmente público, transparente e aberto, permitirá dar a este partido a credibilidade que falta à política em Portugal e assim rapidamente conduzir os destinos das comunidades locais e influenciar a comunidade nacional.

10. O clima social é propício. A população está descontente. Compra ideias honestas e pró-activas. Não faltam publicações online com uma missão pró-desenvolvimento regional como o Nortugal.Info. Não faltam candidatos a líder. Tomemos por exemplo o único candidato à Presidência da Republica oriundo do norte do Mondego: Botelho Ribeiro, 38 anos, professor universitário da Universidade do Minho, preocupado com o ano 2025 e defensor da desconcentração da Presidência da República para Guimarães. Estudou em Aveiro e na Bélgica e vive em Paredes. Deixo um desafio aos leitores do Nortugal.Info e a Baixa do Porto: Vamos testar a nossa força ajudando este candidato a obter as 3750 assinaturas que necessita. Quanto ao partido, a espontaneidade das publicações recentes a candidatura de Botelho Ribeiro com os nossos valores, revelam que ele sociologicamente JÁ começou. Agora é uma questão de tempo até se formalizar.

Nota: Comentários, sugestões e eventualmente «adesões» podem ser enviadas para [email protected]

(publicado no Nortugal)

2005/11/20

De: TAF - "Leituras" 

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