2005/08/13

De: TAF - "De volta..." 

Voltar de uns dias fora tem um problema sério: imensa leitura em atraso nos blogs...
A propósito deste texto no Abrupto e deste outro no Bloguítica sobre o impacto dos blogs, permitam-me os autores lembrar-lhes que nem só de política nacional vive o país. Por exemplo, recordemos o papel d'A Baixa do Porto no debate sobre a criação da SRU ou no caso do Metro na Boavista, mérito dos participantes que aqui quiseram escrever.
Já agora, mudando de assunto, de realçar o texto de Fernando Gomes da Costa sobre os pirómanos, transcrito no Abrupto.

De: Pedro Lessa - "As circunstâncias..." 

"... não impeditivas de."

Permitam-me mais uma vez que exprima a minha opinião.

Concordo consigo Cristina Santos quando diz que o principal objectivo deste espaço de discussão será debater ideias e pontos de vista para formar a nossa opinião.

Quanto a mim, agradeço as opiniões dos outros e tenho-as em boa conta, precisamente para ter a certeza que não sou só eu que vou tentando transmitir alguma mensagem porque pelo panorama da nossa cidade parece que andam, no geral, todos a olhar para o chão sem se aperceberem, no percurso destes 4 anos (se calhar há mais), que devem olhar para todos os lados, especialmente para cima e em frente que é onde está o futuro.

Quando diz que se pretende que os participantes escolham em consciência, que as próximas eleições não sejam decididas por votos de negação, eu pergunto:

as eleições ganhas pelo actual executivo camarário não foram ganhas precisamente por votos de negação? Não se dizia na altura que os portuenses não perdoaram a fuga do anterior presidente socialista para Lisboa? (postura ainda tão comum nos socialistas com os seus jobs for boys?)

Na altura ninguém ligou ao programa eleitoral do Sr. Rui Rio. Todos fomos surpreendidos pela sua vitória. Inclusive ele próprio como se notou na sua sede de campanha na altura (com episódios de nos agarrarmos à barriga de tanto rir). A prova provada foi a constituição da sua equipa, que foi programada para ser oposição, como se constatou depois com os episódios das saídas de alguns dos seus vereadores e agora se vê que os outros também já não farão parte das novas listas.

A minha opinião é que este presidente não serve para a cidade do Porto. Um presidente de câmara que fez o que fez, que com toda a arrogância diz que mais ninguém o faria. Vamos a esmiuçar e NADA mais fez do que gestão corrente. É uma obrigação de um executivo camarário fazer o que este fez. E muito ainda ficou por fazer no corrente. Uma cidade é uma estrutura, precisa de ser mantida.

Um grande Presidente de Câmara vê-se, não pela gestão corrente, mas pelas decisões estruturantes que, não podendo ser tomadas devido à conjuntura, se preparam, se alicerçam e se lançam para o futuro próximo. Deste presidente, de estruturante nada sabemos.

Com esta postura e prioridades não serve: arrogância, prepotência, o desprezo total por quem tem opinião diferente, o incessante procurar do conflito, o desrespeito pela Lei e em especial tomar como ignorantes os que o rodeiam (em concreto os portuenses).

Para finalizar deixo um exemplo: o que sentirá o arquitecto que fez o trabalho de requalificação da Praça Carlos Alberto e vê chegar um senhor que o ignora e enxovalha e manda fazer a Praça com o desenho antigo? (nem comento a visão retrógrada e provinciana da opção). Depois vem a contradição de discurso e políticas (que foi característica fulcral neste mandato do principio ao fim): a requalificação da Av. dos Aliados gera polémica e a enormidade do personagem diz: eu até nem concordo mas como o projecto é do Arq. Siza e do Arq. Souto Moura …!!!……

Cumprimentos Portuenses.
Pedro Santos Lessa.

De: Miguel Barbot - "Zona das Galerias de Arte" 

Está exposta no Largo Sá Pinto, desde Julho de 2005, uma obra realizada por jovens artistas portuenses.

O promotor desta exibição declarou que o seu objectivo é dar uma oportunidade no mundo da arte aos jovens analfabetos que circulam nos corredores do ensino básico da cidade.

O local para a colocação da escultura denominada "O MIMO ARRUMADOR" foi escolhido tendo em conta a proximidade de dois dos maiores polos de concentração artística da cidade. De facto, a Rua Miguel Bombarda é famosa pelas suas galerias de arte e em toda a zona da Rua da Piedade e co Lg. Sá Pinto estão concentradas valiosas obras de arte urbana, realizadas pelos próprios analfabetos autores da escultura.


Os autores da peça demonstraram grande orgulho no seu trabalho, que nas suas palavras ilustra a nobreza de uma profissão que também se quer artística e pela qual grande parte deles pensam enveredar no curto prazo.

De: Carlos Gilbert - "O Metro na versão «F. Assis»" 

Vem o candidato do PS à Câmara sugerir, caso seja ele o eleito pelos portuenses, fazer a ligação (ou melhor, o prolongamento) da linha de Matosinhos até ao hospital de S. João, via S. Mamede. Em contrapartida, alinha pela ideia de não colocar o Metro na Boavista, antes fazendo renascer a já longa ideia dos eléctricos na malha urbana da cidade, incluindo nesta artéria.

O prolongamento da linha de Matosinhos até à zona da Asprela parece-me à partida uma ideia com grande futuro, pois aquela zona poderia ser desde já classificada como "interface Nordeste" da linha global do Metro (tal como a Senhora da Hora o é na sua vertente "Norte"). A este interface chegariam as composições de Gaia (linha D, amarela) e de Matosinhos (linha A, azul), fazendo-se mais tarde o prolongamento da linha D até à Maia. Algures na zona de S, Mamede poderia ficar a estação de recolha que dizem faltar à linha D.

Diz Francisco Assis que a ligação da Sra. da Hora à zona do S. João irá ser cara, mas bem mais rentável que a linha da Boavista e irá servir melhor o propósito desta (que, como sabemos, será aliviar o trecho Sra. da Hora/Trindade). Quanto ao aspecto financeiro, não creio haver aí problema de maior, tendo em conta os projectos grandiosos que o actual governo socialista diz ter em mente e para um prazo relativamente curto... o aspecto prático, esse é de uma utilidade inquestionável e iria dar a toda a rede do Metro uma operacionalidade preciosa.

Quanto ao tema dos eléctricos na Boavista, tem o Dr. Francisco Assis aqui neste grupo de bloguistas um naipe de entendidos na matéria (dos quais eu sou meramente o "escriba"...) que a qualquer altura lhe poderá com todo o gosto prestar os esclarecimentos que entenda úteis. De preferência a tomar um café no "Guarany"...

C. Gilbert

PS: Não se infira deste texto qualquer preferência do autor pelo candidato mencionado! Só que é quem sobre este tema ideias mais úteis lançou agora, só isso.

De: Paulo Espinha - "Já não acredito..." 

"... em super-heróis... Mas gostaria de acreditar!"

“O neutro é a antítese do paradigma”
Roland Barthes

Ora, tenho vindo a acompanhar a presente discussão, entre companheiros desta caminhada pelo éter, acerca do trabalho realizado por diferentes eleitos, etc., etc. O que fizeram, não fizeram, deixaram de fazer, ainda vão fazer, não querem fazer, já tinham feito, etc... Tal e coisa e coisa e tal...

A tese - a importância de cada ser mede-se pela quantidade de mortos que potencialmente consegue provocar. Isto é, por exemplo, o médico só mata um de cada vez – insignificante; o designer não mata mas mói; o professor mata alguns durante o ano lectivo; o engenheiro, o urbanista e o arquitecto matam muitos; o arqueólogo matava; o empresário investe a matar; o industrial mata em série; o corrector não mata, apenas encarece a cerimónia; o teólogo tenta descobrir quem matou; o coreógrafo mata de leve; o enólogo Baco mata; o consultor diz como se mata; o accionista mata gestor; o gestor mata accionista; o linguista mata palavras; o publicitário mata produto; o produto mata mercado; o jornalista parece querer matar; o mordomo tem fama que mata; o terrorista e o HIV matam mesmo; o economista mata dados; o banqueiro conta quantos mata; o escritor mata a pena; o político é um aprendiz e Deus mata tudo, até o absoluto!

Logo – aquilo que eu busco num político é o paradigma da liderança! Em tudo mais, somos todos uns neutros do catarro! Esquerda/Direita – isso já não existe (mas isso é outra discussão). Um líder é antes demais um franco conhecedor da natureza humana. E pode usar isso para o bem ou para o mal. Contudo, os extremos são ambos paradigmáticos.

Há ainda uma outra questão importante de cidadania – reconhecemos ou não que determinado indivíduo serve ou está para se servir (um conselho, olhem para o seu olhar e tirem o seu azimute)! O que nos leva imediatamente a outra questão - quão livre é de facto o candidato que temos pela frente? Quais são os seus medos? E, em que medida os seus medos, irão matar/quartar horizontes de todos nós e da cidade?

No caso presente, Rio vs. Assis (sem desrespeito pelos outros, mas restringindo aos dois que poderão ser de facto eleitos), função dos dados que possuo sobre as respectivas listas , sou tentado a seguir este último. Mas confesso, por quase total desconhecimento dos elementos da lista do primeiro e, ao mesmo tempo, porque conheço alguns elementos da lista do segundo pelos quais nutro amizade e por isso reconheço ser parcial.

O que me leva à questão seguinte – mesmo reconhecendo trabalho feito, porque é que não posso considerar que o potencial de uma nova proposta não é superior. O que me leva à formulação da pergunta que agora faço aos companheiros litigantes: porque não estamos já a discutir as propostas, em vez da “roupa suja” de uns e de outros?

Por exemplo: o planeamento e intervenção urbanística na cidade ainda se rege pela coloração, hoje com a ajuda de ferramentas mais potentes, de cartografia sobre o que pode ser feito ou não. A malta ainda não se cansou disto. A rapaziada ainda não percebeu que o assunto não é geométrico, ainda que se tenha que formalizar dessa forma. Mas afinal qual a estratégica? Que estratégias? Que objectivos foram apresentados? Para quando?

Mas não se esqueçam - Os super-heróis são muito raros e eu quase deixei de acreditar neles.

2005/08/11

De: Cristina Santos - "Polemicar as circunstâncias" 

O principal objectivo deste espaço de discussão será debater ideias e pontos de vista, que nos permitam formar a nossa opinião.

O que se pretende é que os leitores e participantes escolham em consciência o futuro que pretendem para a cidade, pretende-se que as próximas eleições não sejam decididas por votos de negação.

A obra deste executivo foi desenvolvida em circunstancias que não são comparáveis aos fenómenos «Porto património Mundial» ou «Porto Capital da Cultura».

Com esses projectos, que ocorreram no mandato Socialista, tivemos uma oportunidade única de revitalizar a Cidade, a essência cultural e o património Histórico. Embora tenham nomes e áreas de intervenção especifica, estes projectos deveriam ter repercussões no desenvolvimento patrimonial da Cidade.

Mas no nosso caso, só com as obras do Porto 2001 perdemos milhares de habitantes, os portuenses desabituaram-se de visitar a baixa, algumas lojas fecharam.

Tínhamos exemplos como o da Expo 98 que nos permitiam evitar erros profundos, infelizmente não conseguimos, a derrapagem financeira foi inevitável, há quem diga que os Socialista perderam as eleições por vingança dos Portuenses, quanto a mim perderam as eleições pela confusão em que colocaram a Cidade e a falta de efeitos produtivos, como por exemplo o melhoramento do aspecto das Ruas.

Rui Rio tem um defeito pessoal que o impede de ser um bom político, mas nos dois primeiros anos esteve calado, sem polemicas, a tentar resolver as dividas a fornecedores, a preparação do Euro, a gestão autárquica da Cidade...

A Cidade estava podre e no entanto ninguém investia no restauro, nem a própria Autarquia quando tinha ao seu dispor verbas do governo central para o efeito (repare-se 7 anos sem praticamente utilizar estas verbas, basta consultar o site da CM Lisboa para verificar o que tem sido feito na Capital com esses programas – uma lista interminável de prédios restaurados e rendas actualizadas);
As despesas com o funcionamento da Autarquia eram altíssimas e o nível de produtividade baixíssimo;
Os bairro de São João de Deus era um supermercado de droga, desde o fim da Mitra;
Os ringues que o Teofilo refere estavam vandalizados, eram um risco eminente para as crianças que os frequentavam de há muitos anos a esta parte, alguns desde a data de fabrico do Bairro.
As ilhas que foram abolidas nesses tempos, deram lugar a altos e espampanantes prédios, nos locais onde tal não era possível, as ilhas continuaram lá e olhe que mesmo assim ainda não acabaram.
Os inquilinos dos Bairros não tinham oportunidade de pedir autos de vistoria e obrigar a CMP a repor as condições de salubridade no interior das habitações, ou se tinham não usavam, mesmo ao abrigo do programas para o efeito.
Os munícipes desta Cidade eram atendidos na Autarquia com duas pedras na mão, a menos que levassem consigo os envelopes de praxe;
O nível de absentismo, baixas e classificações arrojadas eram um habito enraizado;
Havia um Metro que previsto à décadas, que se tinha perdido sem nunca encontrar o Norte;
Prédios e plágios de Prédios em todos os canto e esquina, albardando fachadas históricas , tapando magníficos telhados...
Gente confinada a Bairros nos confins do território Portuense ao abandono, ate a Edp e os SMAS tinham deixado de verificar esses locais;
Projectos europeus com fundos e tempo esgotado e ainda assim por terminar;
Dividas, gastos injustificados como todos nos percebíamos.
Obra feita quase nada, só praças atabalhoadas, descaracterizadas e obviamente executadas à pressa.

Por tudo isto não podemos comparar um mandato a outro, a obra possível com uma nomeação europeia - não é a mesma sem nomeação nenhuma, sem financiamento...
O que interessa aqui é avaliar se Rui Rio conseguiu resolver alguns destes problemas, se os agravou , se aprendeu alguma coisa com os erros anteriores.
Será que este executivo geria da mesma forma, as duas importantíssimas nomeações europeias que tivemos, com tudo o que isso acarreta?
Afinal amigos, recebemos tanto dinheiro – o que restou?!

Cristina Santos

2005/08/10

De: Teófilo M. - "Polemicar" 

"...(Do gr. polemikós, «relativo à guerra»)"

Cara Cristina,

deste executivo portuense, o que me vem de imediato à cabeça quando ouço falar na sua obra, é das variadas polémicas em que arrastou o nome da cidade pelos jornais, noticiários televisivos e debates sobre a cidade, sempre - creio que não estou a ser excessivo - sem justificação plausível.

A sua avaliação sobre o trabalho deste executivo, na minha modesta opinião, peca por ser demasiado benévola e optimista, pois a não ser feito nada do que assinalou no seu 'post', o que é que haveria de ter sido feito pela equipa autárquica?!

Nada?
Então qual a razão da sua existência!?
Vamos lá então, tentar dissecar o que este executivo fez de tão diferente.

Área Social

Sob a rubrica Intervenção nos Bairros Sociais, poderá enfiar-se tudo, desde o arranjo de uma porta, o conserto de um telhado e até o despejo dum inquilino, por isso, e porque os anteriores também os fizeram, não me parece ser coisa de incluir como obra implementada, mas antes como continuação da actuação a que é obrigada a autarquia.

Tentativa de alienação do património - é de facto uma tentativa, nada de sério, pois em Junho de 2005 tinham sido apenas alienadas 72 habitações das 1329 a alienar e postas à venda em Agosto de 2004!... com este ritmo, não sei se os custos de operação irão ultrapassar o dos proveitos.

Obras - Para além de ser demasiado genérico para comentar, era preciso saber quais, onde, como, quando, quantidade, custos, etc..., mas creio que será apenas mais uma das coisas para que as Câmaras têm competência e existem, não é verdade?

Ringues recuperados - Existiam no início do mandato 34 equipamentos deste tipo dos quais, 12 estavam em boas condições - segundo a CMP - restando assim 22 para recuperar. Em Dezembro de 2004, de acordo com o JN, tinham sido recuperados 12, cinco estavam em fase de recuperação, 1 tinha sido abatido ao efectivo e tinham sido construídos mais dois de raiz, levando a que no fim do mandato estejam em funcionamento, 35 ringues; o que me leva a concluir que, em quatro anos, fizeram-se obras de manutenção em 21 rinques e contruiram-se 2. Embora louvemos o espírito de manutenção camarário, não posso deitar foguetes pelo aumento de um rinque na cidade em quatro anos! Mais uma vez, a Câmara, limitou-se a fazer o seu trabalho, que nem foi muito, e onde previu gastar entre 800 mil e um milhão de euros, não sabendo eu ainda quanto foi gasto, e isto para no fim atirar com alguns, como cedências, para a responsabilidade e gestão de Juntas de Freguesia e colectividades amadoras.

Vale dos Leprosos - aí está o que foi uma boa intervenção, mas cujos resultados ficaram muito aquém do esperado, pois os seus frequentadores apenas deixaram de ter um lugar onde se acolitar e refugiaram-se na zona circundante. Não basta pegar em máquinas e arrasar um terreno para acabar com o problemas que lá estão.

Animação dedicada e localizada - Não sei se estaria a falar dos bailaricos da Rádio Festival em bairros camarários a que até ministros foram dizendo que ali é que estava a verdadeira cultura, ou da parceria que aquela rádio conseguiu arranjar com a CMP; com as defuntas noites de Sábado, a distribuição de canoas no Rio Douro para que "também os idosos se possam divertir" (!), mas gostaria de saber quais os programas específicos criados pela CMP, com qualidade e continuidade, que congreguem a população e a façam querer viver/visitar a cidade.

Porto Feliz - Foi criada para erradicar os arrumadores. Não tenho dados estatistícos sobre o seu trabalho, nem pelos vistos ninguém os tem. Que há menos toxicodependentes-arrumadores é um facto! Que não desapareceram na sua grande maioria, é também outro facto! Que o presidente se enganou no que afirmou é ainda facto! Concluir o quê? Que o programa anterior não era bom, porque para além dos toxicodependentes incluía ainda outras faixas de deserdados da vida? Que Rui Rio inovou, criando a Porto Feliz?!

Em Janeiro deste ano, ficamos a saber, por Paulo Morais, que desde o seu arranque em 1982, a Porto Feliz contactou ou foi contactado por 1324 sujeitos, dos quais 462 foram integrados efectivamente no programa e 351 encaminhados para outros organismos, por não se enquadrarem nos objectivos do programa. Mais afirma Paulo Morais Algumas dezenas de ex arrumadores, anteriormente privados de um projecto de vida autónomo e construtivo, estão hoje a trabalhar. Recuperam assim gradualmente a liberdade, a vida e a dignidade que lhes tinha sido negada. Saliente-se finalmente que 40 destas pessoas, integraram o programa, estão já em processo de follow up ou de autonomização. Para quem afirmava inicialmente que existiam perto de 750 arrumadores, que depois baixaram miraculosamente para 400, e que dizia que em 15 de Fevereiro de 2003 se demitia se ainda existisse algum nas ruas, parece-me que não vale a pena dizer mais nada.

Talvez repensar o seu funcionamento, talvez rever os seus métodos, talvez...

Novo Bairro de Qualidade - Onde está? Foi anunciado há um ano, é verdade, mas já passou de projecto ou ainda anda pelos gabinetes de projectistas?

Pelos vistos Cristina, quanto a Área Social estamos conversados. Mais dois ringues (mas a oferta só aumenta de uma unidade), aterramento do Vale de Leprosos, actualização de rendas e o resto ficar-se-à pelo cumprimento das obrigações normais de uma autarquia.

Se nos lembrar-mos de que os anteriores no posto, construíram habitações para se poder acabar com o flagelo das barracas de que este executivo se ufana, como se o mérito da ideia e a maioria do trabalho e custos fossem de sua responsabilidade, já nem valeria recordarmos outras iniciativas, como a de acabar com as ilhas do Porto, iniciada no mandato anterior, ou a criação da Fundação para o Desenvolvimento do Vale de Campanhã, que o actual executivo transmutou em Fundação para o Desenvolvimento Social do Porto, recuperação do Barredo, etc.

Mas como isto vai longo. Talvez amanhã haja mais...

Cumprimentos
Teófilo M.

De: Pedro Lessa - "O Senhor Rui Rio" 

O Senhor Rui Rio.

Começa já a ser tempo das pessoas que vivem no Porto e que utilizam por exemplo a Baixa do Porto no seu quotidiano (em trabalho ou não), de dizer basta à actuação de um presidente de câmara que nos cai em cima quase todos os dias com as suas posturas insuportáveis. Só não vê quem não quer.
Seja por ser da mesma cor, por fidelidade ao partido, pela simpatia da pessoa, da postura da mesma ou o que quer que seja (às vezes existem razões que só alguns vêm), as pessoas continuam a dar crédito ou tempo a tal insigne figura que, desde que tomou posse, tanto mal fez à cidade de que tanto gostamos, ou para não ser sentimental, apenas usamos diariamente.
Após ler o texto de Cristina Santos cada vez fico mais apreensivo. Quando se indica como pontos positivos os que lá são explanados, a situação é bem pior do que imaginava. Tudo o que é indicado por Cristina Santos mais não é do que gestão corrente de uma câmara. Estamos a falar da 2ª cidade do país. Uma cidade faz-se de decisões estruturantes e planeadas para um futuro programado. Não de arranjos aqui e acolá nem terminar obras de outros (p.e: Nó de Francos).
Como que se consegue paralisar por completo um Departamento de Urbanismo? Não será só certamente por se ter uma politica diferente de ocupação territorial. Aqui falo com conhecimento de causa porque após dar entrada de vários processos de obras é-me dito pelos funcionários que têm ordens superiores para parar com tudo porque têm de reorganizar prateleiras de processos!!?!
Compreende-se o tempo de austeridade económica e a câmara endividada ao máximo como argumentos para uma actuação camarária que se pautou por fazer simplesmente a gestão corrente. Compreende-se o completo corte de verbas de apoio cultural (é o mais fácil) para um arrumar interno da casa, mas não é preciso estar muito atento para encontrar exemplos que contrariam por completo esta postura:
Uma amplamente anunciada e mediatizada mudança das placas toponímicas, como se a cidade precisasse delas para sobreviver (com tantos buracos nas nossas ruas para não falar na porcaria espalhada pelos passeios);
A realização de corridas de carrinhos que transtornaram a vida dos moradores e não adianta justificar que houve patrocínios e apoios (a câmara com certeza que gastou verba por pouca que fosse) e com o argumento que são investimentos para a linha do metro que por sinal ainda não está aprovada (será que vai haver metro na Av. da Boavista?);
A actuação dos fiscais municipais no estacionamento da baixa que só afasta quem lá quer ir. Para uma câmara que não tem dinheiro não está mal, só eu na minha porta já contabilizei dezenas de carros, furgões e até pick-ups, para não falar dos funcionários que se agrupam ás dezenas nas esquinas na conversa e até prós cafés vão juntos (já repararam como as zonas de cargas e descargas triplicaram em detrimento do estacionamento para ligeiros. Para quê? Ah pois são para haver mais transgressões e por isso mais multa!!)

Se estes não são apenas alguns motivos para, pelo menos nos deixar a pensar, andamos todos a dormir realmente.
Depois temos os episódios anedóticos do Túnel de Ceuta, do Bolhão e afins, que me deixam perplexo e estupefacto (mais uma vez só não vê quem não quer).
Quem é o Senhor Rui Rio para fazer obras sem pareceres das instituições que as tutelam?
Quer mudar o projecto do Túnel? POR LEI, tem que pedir parecer às instituições próprias;
Quer fazer obras de consolidação no Bolhão? POR LEI, tem que pedir parecer às instituições próprias;
Este Senhor é diferente de mim ou de todos nós?
Então eu agora faço obras num prédio na cidade e não meto o projecto na câmara. Que tal?
E já agora porquê lançar novo concurso para as obras do Bolhão quando já existe projecto e ainda por cima pago (140 mil contos pró lixo??!?)
Penso que o mais grave de tudo isto é existirem pessoas que consideram muito normal esta actuação e ainda a recomendam (por exemplo uma denominada comissão de comerciantes do Carregal que não vê que quem provocou toda esta confusão foi o próprio Rui Rio e ainda culpa a Ministra por fazer cumprir A LEI).
Vamos referendar o Túnel? E assim o IPPAR já não precisa de se pronunciar? Não nos insulte meu caro Senhor. E argumenta-se com a liberdade do povo conseguida no 25 de Abril? Mas afinal somos uns asnos? Não sabemos o que é a Democracia? Mas afinal quem é o asno?
Num país onde reina a total impunidade de actos e opiniões, não temos outro remédio senão mudarmos a nosso sentido de voto e questionarmo-nos se será eficaz esta atitude. Claro que não é. Eu que até votei no Senhor e ainda por cima tenho alguma simpatia pelo partido que representa, com certeza não votarei nele. Mais, só apreciarei o programa de candidatura dos outros partidos e votarei o dele ao completo esquecimento e indiferença.

Mas será que ele ganhará as próximas eleições? Se calhar sim.
Mas aí pergunto, este povo prefere uma câmara que apenas faz gestão corrente?
Mas afinal quem são os asnos?

.........................................
Pedro Santos Lessa.
[email protected]

De: GARRA - "Ramal da Alfândega" 

Chamamos a S/ atenção para a notícia "Movimento quer reabilitar ferrovia da Alfândega do Porto ", publicada no jornal Público de hoje na secção "Local Porto", com chamada à 1.ª página, e disponível on-line (para assinantes registados), solicitado a sua divulgação e seguimento julgados adequados, bem assim como à seguinte

NOTA DE INFORMAÇÃO

No dia 23 de Julho foi criado um grupo de acção cujo fundamento é a reabilitação do Ramal da Alfândega (que liga a estação de Campanhã à Alfândega do Porto) e a sua integração na rede intermodal do Porto – o Grupo de Acção para a Reabilitação do Ramal da Alfândega (GARRA).

O Ramal da Alfândega foi desactivado em 1989. O canal ferroviário existe desde 1888 e tem 3896 m de extensão, pertencendo à REFER. A linha foi sempre utilizada apenas para transporte de mercadorias, embora, na sua concepção, tivesse havido o cuidado de dotar a estação terminal da Alfândega "com um cais para passageiros de 3.ª classe", e era de bitola Ibérica (via larga). Este canal percorre a escarpa da margem direita do rio Douro abaixo da linha S. Bento-Campanhã, entrando em túnel perto da ponte do Infante terminado no actual parque de estacionamento da Alfândega ao fim de 1258 m.

As principais vantagens da reabilitação deste ramal são:

· A recuperação de um ramal de 3,9 km existente desde 1888, aproveitando o espaço-canal e túneis existentes;
· Um reduzido período de obras para a reabilitação total do ramal;
· Um muito baixo custo da reabilitação, quando comparado os elevados custos das novas linhas de Metro;
· A integração deste ramal com o eléctrico, o autocarro, o metro e o serviço suburbano da CP;
· A possibilidade de criação de um anel de transportes sobre carris e em via segregada à volta do Porto, ligando por comboio a Alfândega a Campanhã e daqui a S. Gemil, S. Mamede e Leixões com ligação aqui à rede do Metro do Porto no Senhor de Matosinhos e ligação à rede de carros eléctricos da STCP na Praça do Infante;
· Uma contribuição fundamental para a reabilitação social e económica da Baixa do Porto, onde já se lançou a recuperação do quarteirão do Infante;
· A ligação do centro histórico, a área Património da Humanidade e zonas ribeirinhas à rede local, regional e nacional de transportes em 4/5 minutos;
· Facilitar a possibilidade de um comboio turístico na zona histórica do Porto;
· Abre, igualmente, a possibilidade da existência de comboios históricos que liguem a Alfândega ao Pinhão – subido o Douro desde a foz, aumentando e integrando a oferta turística que já se verifica a nível fluvial.

Pelo GARRA
------------------
http://garra.pt.la
[email protected]
--
GARRA - Grupo de Acção para a Reabilitação do Ramal da Alfândega


De: Cristina Santos - "Dúvidas II" 

Caro Helder

Tenho que admitir que tive alguma dificuldade em recordar eventos culturais promovidos pela autarquia, dai que optei por incluir dois itens, fiquei na duvida ate que ponto os pais natais não tinham uma representação cultural nestes tempos de crise .

Quanto ao Teatro Carlos Alberto, o Helder tem razão.
Na verdade tudo começou com a Porto 2001, nessa época o Porto era a Capital Europeia da Cultura , os comerciantes protestavam contra o atraso das obras nas vias publicas, o povo acreditava que a Cordoaria seria transformada numa Praça principal.

O projecto de remodelação, ampliação e programação do Teatro Carlos Alberto tinha sido apoiado no âmbito do FEDER, com uma comparticipação na ordem dos 4900 milhões de Euros.

A Porto 2001 promovia espectáculos e entretenimento, primando ela própria pelo espectáculo da derrapagem radical. Tudo era belo.

Teresa Lago fazia afirmações rigorosas e conscientes :
«Apesar da confusão que neste momento existe na Cordoaria, agrada-me passar lá e ver a abertura daquele espaço. O Porto não tinha uma praça com aquela dimensão e com a dignidade com que aquela vai ficar» ou
«O que houve, por exemplo, com o atraso no arranque das obras no Auditório Carlos Alberto, é que havia espectáculos que estavam planeados para lá e que tiveram de ser recolocados.»

No fim, 14% do projecto da Porto 2001 ficou por cumprir, mas gastaram-se mais 16 milhões daquilo que estava inicialmente previsto.
O projecto do Teatro Carlos Alberto foi um dos visados, por culpa do projectista o empreiteiro abandonou a obra e o novo Teatro só foi reaberto em 2003 - 3 anos após o inicio da remodelação - a derrapagem deste investimento ultrapassou os 100%.

Ainda assim os únicos bens patrimoniais que a Porto 2001 deixou para alem da data, são este tipo de obras, que impingiu a Rui Rio.
Este apenas as terminou porque era inadmissível num mandato em que iria decorrer o Euro e ainda faltavam os acessos, continuar com uma obra, que exigiu tanto investimento, parada por um erro no projecto.
Alias relembremos que um erro semelhante no projecto de escavação interrompeu, as obras ilegais do túnel de Ceuta, os empreiteiros não apreciavam os projectos da Porto 2001.

Pronto admito, o mérito dos investimentos é da Porto 2001, de outra forma teria que juntar à lista anterior a Casa da Musica, o semi-tunel de Ceuta e outras.

Quanto ao que é bom e mau nos feitos deste executivo, geralmente a ideia é boa, a aplicação contestada e as consequências trágicas, mas como diria a oposição – a seu tempo.

M. cumprimentos
Cristina Santos

De: Paulo Espinha - "Ontem e hoje..." 

Há cerca de 4 anos atrás, os eleitores desta mui invicta e leal cidade do Porto deram uma lição a Fernando Gomes. Uma lição política que correspondeu à dimensão da sua ambição pessoal, mesmo que se reconheça que muito foi feito e de facto muito foi feito, não só por Fernando Gomes, como por toda uma equipa onde se incluia o Nuno Cardoso, Manuela de Melo, etc... Pode-se também dizer que muitos erros foram cometidos, talvez, mas se nos lembrarmos dos tempos de Fernando Cabral...

Resultado da decisão popular: Rui Rio foi assim eleito, como se diz popularmente "sem saber ler nem escrever". Mas foi e trabalhou com a equipa que tinha, com aquilo que considera serem os seus valores, com o seu carácter, a sua própria visão cosmopolita, a sua experiência política desde os tempos de escola e com os seus medos. Sinceramente, terá trabalhado bem umas coisas e outras mal. É normal. É natural. Podemos gostar ou não. A pessoa pode-nos ser simpática ou não. É a vida...

Mas hoje Rui Rio não vive um momento fácil. É que, se o povo, lhe der um segundo mandato, o povo vai cobrar e agora é mesmo a sério. É que o povo não é estúpido, mas é filho da p...

Ora costuma-se dizer: "serão nossos horizontes, aqueles, que medos nossos não conseguirem quartar". Logo a questão é - quais os medos de Rui Rio? que novos medos Rui Rio tem para nos mostrar?

Faço um voto - que sejamos todos bem sucedidos, que a cidade seja bem sucedida, independentemente de quem for eleito. E que, pelo Porto, não nos caia o céu em cima das nossas cabeças, tal como diziam os irredutíveis gauleses, apesar de não acreditar em super-heróis!

Paulo Espinha

2005/08/09

De: Helder Sousa - "Dúvidas" 

Em relação ao último texto de Cristina Santos (Comparsas), queria apenas perguntar se a lista de 'feitos' indicada são coisas positivas ou negativas? É que não percebi muito bem, principalmente no ponto 'cultura e animação'...
Colocar num mesmo ponto 'Cultura e Animação' já é um erro (ou confusão) digno de registo!
Outro assunto: mesmo estando um bocadinho longe dos acontecimentos mais importantes e que mais discussão provocam neste blogue, não me lembro de nada que possa ter acontecido ao Teatro Carlos Alberto e à sua reconstrução que tenha a ver com a Câmara Municipal Ou estarei enganado?
Mas lembro-me da recente entrega do Teatro Sá da Bandeira ao Sr. La Feria ao abrigo de um muito duvidoso protocolo...
Mas enfim, estes assuntos são menores, comparados com as grandes opções para a autarquia que aqui se discutem.

hs

De: David Afonso - "Brincar às democracias" 

A proposta de Rui Rio de cada candidato inscrever no seu programa eleitoral uma proposta de solução para o problema de túnel de Ceuta para que esta fosse implicitamente referendada pelo eleitorado, obrigando desse modo o Governo a aceitar a proposta do vencedor, é uma proposta perigosamente demagógica. Francisco Assis não mordeu o isco e, para surpresa de muitos, Rui Sá também não.

Mas qual é o mal desta proposta? Em primeiro lugar, é o reconhecimento final, por parte de Rui Rio, de que esta questão sempre foi vista por ele como uma questão política e não técnica. Ninguém pode esquecer as acusações, sem qualquer fundamento, do autarca contra o IPPAR e o MC por, alegadamente, estas instituições promoverem a politização de um processo técnico. Em segundo lugar, representa uma valente escorregadela populista da mesma estirpe das tentativas descaradas de Fátima Felgueiras, Valentim Loureiro, Isaltino Morais e Avelino Ferreira Torres de legitimarem via eleitoral os seus procedimentos mais questionáveis. As eleições autárquicas, como todos os autarcas deviam saber e como os eleitores não esquecem, servem para eleger um executivo local e não para legitimarem adhoc decisões polémicas. Em terceiro lugar, subsiste aqui um vício que Rui Rio faz de conta não ver: é que mesmo para aqueles que gostariam de ver mais vezes utilizados os instrumentos referendários como estratégia de democratização do poder local (como é o meu caso), esta proposta não é aceitável porque um referendo pressupõe, como condição prévia, uma separação da questão objectivamente demarcada da questão do poder. Assim, se por acaso, eu concordasse com a solução apresentada pelo candidato X, mas não com o restante programa do mesmo candidato, eu, enquanto eleitor, sentir-me-ía inibido de escolher a melhor solução porque não estaria disposto em pagar a pesada factura de contribuir para eleição de alguém que considerava menos capacitado para ocupar o cargo em eleição. Se o eleitor tivesse a possibilidade de escolher de uma forma separada a) por referendo: a solução do túnel; b) por eleição: o executivo municipal; então estariam reunidas as condições iniciais para se proceder ao referendo (embora para mim, as soluções para problemas de ordem técnica não sejam referendáveis). Mas o que Rui Rio pretende é rentabilizar (!) o descontentamento popular gerado por uma situação de impasse, de que ele próprio é um dos principais protagonistas (a propósito: constato que não está em sintonia com o presidente do seu partido, já que Marques Mendes fez ponto de honra na separação dos referendos do aborto e da Constituição Europeia, das eleições autárquicas, justamente porque partia do princípio que as questões de poder não são imiscuíveis com referendos). Em quarto e último lugar: se por devaneio ou puro diletantismo cívico, alguém levasse esta proposta a sério, então teria de exigir ao ilustre autarca que levasse até às últimas consequências a sua proposta, isto é: vamos referendar a Avenida dos Aliados e a Linha do Metro na Avenida da Boavista? Estará Rui Rio disposto a levar este jogo até ao fim?

david afonso
[email protected]

2005/08/08

De: Teófilo M. - "O Inovador" 

Como a cidade está a precisar urgentemente de inovação, o nosso presidente da Câmara, descobriu uma nova maneira de fazer avançar a cidade e, quiçá, lançar as bases da prática política que, até à presente data, nunca adaptou para à sua volta congregar vontades, em vez de criar as habituais polémicas que nada de bom trouzeram à cidade, fazendo-a título de notícias, quase sempre pelos piores motivos.

Desta feita, e depois de clamar aos quatro ventos que os senhores do governo, o IPPAR, alguns jornais, "gente de esquerda", e adversários políticos, o contradiziam apenas para o incomodar, e com isso causavam incalculáveis e tremendos prejuízos à cidade, aos seus cidadãos e aos seus utentes, de uma penada, atira para trás das costas com todo esse dolo,e vai daí, propõe ao Primeiro-Ministro que fique tudo como está até às eleições autárquicas, e que posteriormente se dê seguimento ao que for proposto pelo candidato vencedor!

Não se compreende muito bem, como é que os portuenses poderão aceitar tão graves prejuízos durante pelo menos três meses - uma vez que o próximo presidente só entrará em funções lá para meados de Novembro - segundo proposta de quem deixou na gaveta durante ano e meio o pedido obrigatório de parecer ao IPPAR (Junho de 2002 até fins de 2004) sobre obras a que deu andamento sem dar cavaco a ninguém, e que anda desde o início de 2005 (ano de eleições) num jogo do gato e do rato com os poderes instituídos, fazendo-se vitimizar em todo o processo, como se da sua parte nada tivesse havido de incorrecto ou mal conduzido.

Por outro lado, abre agora uma nova maneira de fazer política, pois a partir de agora serão as populações que passarão a dar parecer sobre as obras que deverão ser feitas ou não, nos lugares, aldeias, vilas e cidades deste País, pelo que o governo irá sem dúvida ficar com um excedente tremendo de colaboradores, pois ficarão sem sentido todos os serviços que visem acautelar o património deste País, começando pelo IPPAR, passando pelo ICN, INAG, IEP, INFARMED, ISHST e acabando nos muitos pareceres obrigatórios das mais diversas entidades nacionais, que zelam pela aplicação das leis da República.

Assim, quando alguém pretendesse abrir um estradão que cruzasse a A1 ao mesmo nível, bastava juntar um grupo a apoiar o presidente da Junta que tivesse o dito no programa, e mal este ganhasse... pimba, construir-se-ía a estradeca, pois o Zé Pagode lá do sítio assim o teria entendido na sua proverbial sabedoria.

Se, o presidente da junta de Massarelos prometer, na sua campanha, substituir a estátua da Rosalia por outra em louvor ao Pinto da Costa (o do FCP), e ganhar...logo o presidente em exercício lhe fará o favor de proceder à reorganização da Praça da Galiza, uma vez que os eleitores assim o decidiram!

Será assim que o Rui Rio entende a política? E se o partido que o apoia não se manifesta, pois ao calar-se concorda com tal hipótese, porque é que andam a atirar-se à OTA e ao TGV, se estavam no programa do governo do partido que venceu as legislativas?

Parece-me que esta nova maneira de fazer política, para além de não ser séria, é indiciadora do populismo pacóvio que começa a fazer carreira neste País, inundado de Isaltinos, Valentins, Ferreiras Torres, Fátimas Felgueiras, Jardins, e quejandos que nos arrastam inexoravelmente para o fundo.

Se a oposição acordasse, isto ainda poderia ter interesse, mas com o calor e as férias, anda tudo adormecido.

Cumprimentos
Teófilo M.

This page is powered by Blogger. Isn't yours?