2005/04/23

De: Alexandre Burmester - "Pópós" 

Olá Pedro,

Eu gosto de corridas de Pópós, ao contrário de ti que não gostas do Futebol.
Espero é que o Rui Rio organize uma partidinha de futebol entre o Porto e outro qualquer no teu jardim e a tuas custas...

Abraço
Alexandre Burmester

De: Pedro Aroso - "Adivinha" 

Xano Burmester:

Eu assisti aos dois Grandes Prémios de Portugal que se disputaram no Porto em 1958 e 1960.
Como nasci em 1953, ainda era bastante miúdo, mas a emoção vivida nesses dias ainda hoje perdura na minha memória e marcou, para sempre, a minha paixão pelos automóveis (http://clublotus.planetaclix.pt/) e, em particular, pelas corridas.

Reeditar a Fórmula 1 no Circuito da Boavista era um sonho que me passava várias vezes pela cabeça mas, honestamente, nunca acreditei que houvesse alguém capaz de o levar à prática. A decisão do Rui Rio merece por isso o meu aplauso e não me parece correcto da tua parte passar a vida a denegrir esta iniciativa, apelidando-a de "corridas de pópós". Se não gostas, não vás ver. Eu também não gosto de futebol (ou melhor, detesto), mas não impeço os meus filhos de serem sócios do F.C. Porto e verem todos os jogos.

Um abraço
Pedro Aroso

PS: Já conhecia o blog recomendado pelo Jorge Mayer. Visita e alojamento obrigatórios na pasta "Favoritos"!

De: Jorge Mayer - "link de um blog..." 

"... sobre o Porto ..."

Aqui o link de um blog sobre o Porto que provavelmente conhecerá, mas é digno de maior exposição.
http://cidadesurpreendente.blogspot.com/

Jorge Mayer
--
Nota de TAF: Plenamente de acordo. Já aqui e aqui tinha feito referência a ele.

De: Alexandre Burmester - "Adivinha" 

Por que será que no passeio da Av. da Boavista defronte do Parque da Cidade, em cada 4 árvores estão a retirar 3?


Resposta:
Para criar estacionamento dos popós de corrida?

É preciso lata e muita falsidade, para virem dizer que o arranjo da Avenida é apenas para as corridinhas do Presidente.
Haja falta de seriedade.

Alexandre Burmester, Arqto.

2005/04/22

De: F. Rocha Antunes - "Windows" 

Meus Caros,

A geração Windows, de que o Alexandre Burmester fala, não se limita a um factor geracional. É um dado do nosso tempo. O tempo das redes múltiplas e abertas. Como esta em que nos encontramos.

A mudança de paradigma que isto representa é estrutural. Temos que ir percebendo o que tem de revolucionário e não pensarmos, como sempre se pensa quando há alguma coisa de estruturalmente novo, que é o fim do mundo. É apenas o fim da visão que se calhar tínhamos do mundo. Mais nada.

Isto afecta tudo, e estamos a digerir muito devagar a revolução que é. Não devemos é ter uma posição reaccionária, de querer negar a evolução apenas porque não temos uma grelha de leitura adequada.

Francisco Rocha Antunes
Promotor imobiliário

De: Alexandre Burmester - "Mais Música" 

Caro Pulido, vou voltar à carga tentando responder às questões que levantaste. Não sei se consiga, porque este meio (Blog) não será o mais indicado ao ter que limitar o texto a algumas ideias e frases sintéticas. Mas tentemos.

Em primeiro fico contente em saber que se estamos de acordo com os dois primeiros pontos, saltemos então para o terceiro, sobre a qualidade da Arquitectura da C.M., se calhar o mais complexo e difícil de explicar.

Obviamente que a nossa diferença de gerações marca em parte alguma diferença no entendimento quanto à peça de Arquitectura em questão. Contudo vejo no teu texto que estarás mais próximo, pelo menos no sentir do que na verdade expressas.

A minha cultura tem igualmente uma raiz francesa, e nisso não diverge da tua, terá é possivelmente outras raízes, e principalmente outra época, que me obrigam a entender algumas coisas de forma, não muito mas diferente.

E assim poderia no tom deste pequeno texto, sintetizá-las em breves exemplos, que se traduzem nas actuais formas de comunicação e de Arte, das quais aparentemente a nossa formação "Racional e mais conceptual" tem tendência para estranhar.

Em antítese às novas gerações, aprendemos o quanto é importante na Criação a racionalidade e a importância da ideia, como base quer da nossa compreensão como na sua transmissão. Deste discurso é decorrente a tentativa de organização de um discurso coerente, contínuo e até idealista. Daqui para nós como Arquitectos surge o discurso funcionalista, de desenho rigoroso, e até minimalista de recursos e de processos. Daqui surgem conceitos que se montam numa estrutura durável, procurando precisões e definições. A Arquitectura é... e sai uma definição, e consequentemente se divide das outras Artes, que para cada qual e à sua maneira serão igualmente especificas (e tradicionais) - Pintura, Escultura, Música, Dança, etc...

E agora a título de exemplo, vejamos como nós os "antigos" aprendemos a ler da esquerda para a direita, e de cima para baixo. Como o fazem as novas gerações? Já olhaste para as paginações actuais, as revistas de moda, livros artísticos, e até os de Arquitectura. É uma explosão de direcções de leitura, que aparentemente parecem não ter sentido. Chamo a isso a nova geração"Windows", porque lê janelas, que se abrem e fecham sem uma aparente racionalidade ou ordem e na maioria das vezes sobrepostas.

Será que não tem ideias? Ou discurso e conceitos? Serão apenas formalismos?
A resposta não é clara nem simples. Para ti se calhar dirás que são exercícios de estilo. Serão formalidades apenas, com linguagens de moda. Sim e não. Em parte são, mas não são só. Será que a Pintura hoje ainda existe? E a escultura? E outras Artes, não se misturam todas e compõem em conjunto formas confusas e sem fronteiras e definições precisas. Não tem na maioria a durabilidade de uns minutos? A fama de uma hora?

A Arquitectura não é diferente, deixou de ser tão eterna e passou a ser mais instantânea.

Nem em tudo temos que entender, nem sempre haverá que fazer um discurso para compreender, porque estas formas abrem-se menos a raciocínios e mais a emoções. Serão apenas emoções? Também não.

Será a velha dicotomia entre razão e emoção? Será aquela máxima entre os Classicismos e os Romantismos? Será o que for. Eu ainda faço a tentativa de racionalizar para compreender, mas acredita que os mais novos nem sequer o questionam.

E agora quando fazes Arquitectura, e desenhas e condicionas espaços para vivências de terceiros, como será que devemos responder? Descobrir linguagens que comuniquem e que emocionem, ou fecharmos o discurso à nossa linguagem, e esperarmos que decifrem os nossos códigos? De certeza que quererás o mesmo que todos nós, compreender e ser compreendido - "falar e ser ouvido".

Depois do que escrevi (um tanto confuso) e voltando à Casa da Música, encontraste algum ponto em comum? Já percebeste porque é que existem hoje em dia "Estrelas" na Arquitectura? Porque que os clientes querem obras emblemáticas? Porque que os Presidentes entregam as obras só aos "dinossauros". Porquê que será que o Koolhas traz toda a imprensa atrás de si?

Será que já consegues perceber de onde vem e para onde vai esta Arquitectura? E será que a C.M. não é uma excelente peça de Arquitectura?

Abraço

Alexandre Burmester, Arqto.

De: Miguel Barbot - "SRU ao serão na Bonjoia" 

"Caro(a) Amigo(a)

Tenho o prazer de convidá-lo(a) para o Serão da Bonjóia na Quinta-feira, 28 de Abril, às 21.00 horas

Arlindo Cunha
A Reabilitação Urbana do Porto


Que rosto terá a cidade, em especial a sua notabilíssima «baixa», num próximo futuro? Que problemas hoje se perfilam a quem pretende inverter o fenómeno da desertificação? Que contornos terão as soluções?

Para nos esclarecer sobre estas e outras questões relacionadas com a reabilitação da baixa portuense, estará connosco ao serão, na Bonjóia, o Dr. Arlindo Cunha, presidente da Porto Vivo – Sociedade de Reabilitação Urbana.

Recorde-se que a ideia das sociedades de reabilitação urbana nasceu no Porto e a cidade é hoje, pioneira também, na sua implementação.

Não perca esta excelente oportunidade de melhor conhecer o que se faz para devolver mais vida e mais vitalidade à velha urbe.

ENTRADA DA LIVRE

Com as minhas cordiais saudações e aguardando sua presença neste Serão,
João Ogando
Director de Comunicação da Fundação
Quinta de Bonjóia, Rua de Bonjóia, 185 - Campanhã - Porto"

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Nota de TAF: Atenção que coincide com o jantar...

De: TAF - "«Masterplan» - síntese na CMP" 

Está disponível no site da CMP o ficheiro PDF com a síntese executiva do "Masterplan" da SRU. Agora falta só tudo o resto ;-)

De: F. Rocha Antunes - "Atrevimento" 

Meus Caros,

Tenho lido com muito interesse a troca de post’s entre os dois arquitectos Alexandre Burmester e José Pulido Valente a propósito da Casa da Música (CdM).

A propósito deste assunto, Miguel Regueiras refere a questão, já repetida noutros sítios, do aproveitamento de uma proposta de projecto de uma casa que o Arq. Koolhaas teria feito para um cliente que a rejeitou, e que isso constituiu a base do projecto da CdM. Miguel Regueiras vai mais à frente e fala na simples ampliação da escala de um projecto para o outro. E como deixou à consideração de cada um, venho considerar.

Qualquer obra humana é resultante de um processo criativo que é complexo. E um processo criativo é isso mesmo, um processo, ou seja uma sequência de acções e reflexões, na busca de uma proposta de solução para uma questão. Não me parece que a linearidade seja a regra destes processos.

Estarmos a analisar um resultado de um processo criativo com base em informações sobre aspectos pontuais desse processo é no mínimo arriscado.

O facto de o próprio Arq. Koolhaas ter dito que se baseou numa ideia que desenvolveu para uma casa que foi rejeitada pelo seu possível cliente não configura nenhuma “imposturice” por si só. Provavelmente quis ilustrar o tipo de preocupações que teve nesse projecto e no resultado que esse outro processo criativo lhe permitiu atingir que achou oportuno considerar como ponto de partida para o projecto da CdM. Acho completamente irrelevante que tenha sido dessa forma ou a olhar para o chão quando estava à espera do Metro, ou na sala de espera do dentista, ou a divagar nalguma conferência aborrecida, ou outra situação qualquer, que lhe tenha ocorrido as linhas de força que queria incorporar na proposta que apresentou.

A nossa dificuldade em perceber processos de trabalho e de criação e a nossa predilecção quase genética por atalhos leva-nos a ver truques e atalhos em todo o lado.

Eu não estou embasbacado com a CdM. Acho que é um edifício que levanta questões sérias e interessantes. Não tenho a certeza que as questões sérias não aniquilem as questões interessantes. Mas não tenho o atrevimento de achar que há ali truque do projectista. Há claramente mais do que isso, há um processo criativo de cujo resultado se pode gostar ou não. E que desde que passou a fazer parte da Cidade é assunto de todos.

Francisco Rocha Antunes
Promotor imobiliário

De: Filipe Araújo - "Luz ao fundo do Túnel!" 

escrevi neste Blog sobre este assunto defendendo sempre aquilo que penso ser a solução para o imbróglio do Túnel de Ceuta.
Neste momento o problema ameaça arrastar-se quando a conclusão poderia ser já no próximo mês.

Por isso assinei a petição a favor do Porto em http://tuneldeceuta.blogspot.com:
“Eu, Cidadão do Porto e abaixo-assinado, declaro publicamente que sou a favor da solução de saída da boca do Túnel de Ceuta no início da Rua D. Manuel II e que pretendo ver esta obra terminar rapidamente.”

Quero um Porto sem buracos o mais rapidamente possível!
Para assinar basta enviar um e-mail para [email protected] com o Nome, Idade, Freguesia, BI, Ocupação.

Filipe Araujo

De: Miguel Regueiras - "S, M, L, XL ..." 

"... (ou como executar um "scale" na prancheta do CAD)"

A propósito do recente diálogo sobre a Casa da Música entre Burmester e Pulido Valente, e nomeadamente do último parágrafo do post "Dá-me Mais Música", será no mínimo curioso, para quem desconheça, passar os olhos no artigo publicado na revista espanhola "Pasajes" nº 16 de Abril de 2000, intitulado "Koolhaas Presenta la Casa da Musica en Oporto", de onde me permito, sem prejuízo da sua integral leitura, transcrever o seguinte excerto:

"El pasado 19 de febrero Rem Koolhaas visitó Oporto para presentar el anteproyecto de la Casa da Música. (...)
Cuando Rem Koolhaas llegó a la sala, se apagaron las luces y se pudo ver una diapositiva con la portada de S, M, L, XL. «La profesión del arquitecto en el mundo contemporáneo está cambiando, y antes de mostraros el proyecto de Oporto, debo presentaros a OMA». Así, comenzó un recorrido por la casa de Burdeos, el aeroporto de Rotterdam, la virtualidad y la realidad según OMA (...).
Entonces enseñó una vivienda para un cliente al que no le gustaban las aglomeraciones de personas, tenia miedo al efecto 2000 y que queria una casa en la que cada uno pudiera estar en su espacio, sin molestar ni ser molestado. Después de un tiempo, y debido a la total ausencia de comunicación, como dice Rem Koolhaas, «we fired him».
El proyecto de Oporto tomó como punto de partida esta casa, expandiendo un proyecto de talla S a talla L. (...)"


À consideração de cada um...

Nota: OMA é a sigla de Office for Metropolitan Architecture, atelier de Rem Koolhaas.

Miguel Regueiras
[email protected]

De: TAF - "E já estamos no fim de semana..." 

- Comportamento do trânsito em estudo
- Se conduzir... responda
- Câmara lança inquérito para melhorar o trânsito no Porto

- Urbanismo da Câmara: protocolo de colaboração com a Ordem dos Advogados
- CMP vai contar com a colaboração de oito advogados estagiários
- Ruas do Porto mais floridas - lá se vai o "sizentismo"... ;-)
- Projecto Ruas Floridas do Porto ganhou menção honrosa
- Silos da Secil dão lugar a prédio
- Silos da Secil vão ser demolidos para dar lugar a um prédio de 70 habitações
- A outra Casa da Música - opinião de Manuel Correia Fernandes
- O "Masterplan" - Degradação afecta metade dos prédios das Fontainhas
- Novo edifício da Faculdade de Ciências
- Passeio Geológico da Foz do Douro
- Plano de pormenor do Parque Oriental - Apreciação pública até hoje

De: TAF - "A apresentação na Alfândega" 

Vim há pouco da segunda apresentação do plano da SRU para a Baixa. A qualidade da comunicação já melhorou um pouco. Mais compacta, embora ainda com a maioria das imagens projectadas sem legibilidade. Era difícil haver alterações radicais em tão pouco tempo, o importante é que se está no bom caminho. :-)

A divulgação muito reduzida fez com que apenas cerca de 100 pessoas estivessem presentes na Alfândega. Tenho alguma curiosidade em saber quantas teriam aparecido se o evento não tivesse sido promovido aqui no blog... ;-)
Houve um período de perguntas e respostas ao fim, o que permitiu esclarecer alguns pontos adicionais.

Telegraficamente, seguem-se alguns comentários e sugestões.

1) Recomendo que se projectem vídeos sobre a Baixa antes do início da próxima apresentação (dia 28, para agentes económicos), no tempo habitualmente morto enquanto a assistência se senta. A SRU tem pelo menos um, que passou na Câmara há dias. Dá uma imagem bastante mais profissional e diminui a sensação de perda de tempo por parte do público que chega a horas. ;-)

2) É importante substituir as plantas projectadas por versões que se consigam ver decentemente. Uma regra básica da comunicação estabelece que todo o texto que aparece no ecrã se deve conseguir ler!

3) Fiquei contente em perceber que as minhas opiniões aqui expressas são genericamente partilhadas pela SRU. Além disso haverá uma avaliação anual do decorrer da implantação do plano, o que é boa política.

4) Foi prometido disponibilizar o “masterplan” no site da CMP em princípio já neste próximo fim-de-semana, e um pouco mais tarde irá supostamente abrir o servidor WWW da SRU. Está aberto até 31 de Maio um período para recepção de sugestões, que devem ser enviadas para a SRU por via electrónica ou por correio convencional.

5) A SRU sublinhou o carácter “aberto” dos seus planos, ou seja, ainda sem todos os detalhes e susceptíveis de incorporarem melhorias sugeridas pela “sociedade civil”. Ponto positivo.

6) Uma das ideias que ainda pouco passa disso mesmo é o “Parque da Inovação”. Os seus contornos estão por definir com rigor, mas não vejo problema nenhum nisso. É bom que se reconheça claramente “ainda não sabemos” quando de facto é essa a situação. Esta transparência irá dar credibilidade à SRU.

7) Outro aspecto (muito importante) é o da segurança, que só será mais profundamente analisado quando aparecerem os “Gestores de Área Urbana”. A SRU acredita que o trabalho deles englobará a definição das medidas a tomar neste campo.

8) Avance-se então rapidamente para a escolha desses “Gestores de Área Urbana”. Parece-me agora das medidas mais urgentes. Em que moldes isso será feito e como irão ser remunerados nesta fase inicial? Poderão eventualmente ser propostos por proprietários/habitantes da área que é suposto gerirem? Serão escolhidos directamente pela SRU? Haverá concurso? Quanto tempo demorará? São pessoas singulares ou colectivas (ou ambas)? Um trabalho desta natureza, envolvendo aspectos sociais, económicos, jurídicos, etc, etc., demora tempo a produzir efeitos. É preciso ficar a conhecer o edificado, as pessoas, os problemas, os potenciais futuros habitantes ou investidores. Quanto mais cedo se começar, melhor.

2005/04/21

De: Pulido Valente - "Dá-me mais música" 

Caro Alexandre Burmester, decididamente gosto de ti. És frontal, claro, preciso e sério. Só não estou de acordo contigo quanto à terceira parte da tua argumentação. O resto assino por baixo.

Parecia-me claro que, tendo feito tantas propostas para que os regulamentos fossem substituídos por orientações e limites de volumetria (ou melhor e se preferires, limites aos abusos que deteriorassem a cidade) as minhas críticas só se entendiam quanto à prática da CMP no tratamento dos diferentes projectos e quanto à falta de coerência do Rui Rio: a índices, terreno permeável etc.

Insisto no facto de a arquitectura ser uma arte e dever ter toda a liberdade que é permitida ao resto da sociedade, i.e., só ser impedido aquilo que prejudica terceiros, incluindo obviamente a cidade como parceiro. Assim, na falta de escolas que ensinem, e de ordem que exija, o rigoroso cumprimento de um código de ética apertado e simples ficamos na velha situação de pensar que espécie de regulamentos se devem criar. Quanto a mim o COS e pouco mais, para além evidentemente das regras da insolação e consequente ensombramento que deveriam ser pedra de toque da formação dos arquitectos. Assim como a definição de índices de impermeabilização, não para lotes mas para quarteirões ou zonas. Alinhamentos e cérceas são os meus maiores inimigos podes estar certo. Verás no meu próximo livro.

Quanto àquilo que a arquitectura é ou deveria ser introduzes um conceito que é deveras estranho. Penso que a diferença de idades não será alheia ao nosso diferendo. Sou formado pelas belas artes e na cultura francesa do final do período em que era ainda importante na europa. Tenho sempre insistido na pluridisciplinaridade dos projectos de arquitectura no que às artes concerne. Entendo que muito do bom que pode haver na minha produção se deve a não me restringir às belas artes mas estender a minha formação de leigo a outras áreas artísticas com predominância da música. Entendo que arte não é aquilo que se vota - os votos expressam, em Portugal, a mediocridade, dada a situação escabrosa da cultura vigente - mas aquilo que de novo se faz ou pretende fazer. Muitas vezes mesmo sem conseguir lá chegar um artista abre portas novas. Nisto somos como os da ciência. Trata-se, afinal, de obra colectiva. Só que só um ou outro recebe o Nobel. Quantos desconhecidos são necessários para que isso aconteça? Tenho a consciência de poder ser um desses casos: agito, ventilo, proponho e...semeio? Abro portas.

Uma obra de arquitectura tem de deixar perceber de onde veio e para onde abre portas. No caso da CM veio de uma ideia para um cenário sem q.q. relação com o país e o local. Queres chamar-lhe arquitectura? Não deixo. Mesmo que seja bonita (a ver vamos como se pensará dentro de vinte anos), confortável (a ver vamos por quanto tempo) e agradável de ser usada (a ver vamos se).

Dois.

De: TAF - "Deixem a Baixa para os privados!" 

Na sequência do meu comentário anterior sobre os planos da SRU para a Baixa, em que sublinhava a ausência de capacidade de investimento público para este projecto, tenho que esclarecer um ponto.

Eu acho muito bem que seja o investimento privado a recuperar a Baixa! Só nos faltava que viesse o Estado servir de promotor imobiliário, de comerciante, de agente cultural! O Estado só deve actuar como complemento das acções da sociedade civil, intervindo em situações a que ela não foi capaz de dar resposta.

Mais: não acredito numa revitalização urbana à custa do esforço do Estado. Seria superficial porque não tinha o envolvimento sério dos verdadeiros agentes da mudança: os privados. Seria provavelmente mal gerida e sujeita às tricas políticas. Seria efémera, porque nada do que é forçado se aguenta muito tempo.

Por isso é que é tão importante que a SRU faça bem o seu papel de catalizadora e "descomplicadora". O seu objectivo não pode ser transformar a Baixa, mas permitir que a população e os agentes privados a transformem.

De: Cristina Santos - "Os movimentos..." 

"... de um centro histórico delimitado por uma obra interminável"

Desde que começaram as obras em Frente à Estação, que o mercado das Ruas do Loureiro/Cimo de Vila foi reduzido ao mercado de abastecimento em série.
São na maioria lojas de revenda, que trazem ao centro histórico os feirantes, chineses e marroquinos, que ali se abastecem com carregamentos de sacos pretos, que depositam nas suas enormes carrinhas de vidros fumados.

Estes clientes são rápidos, na maioria vem logo de manha às oito e o resto dos transeuntes são mesmo pessoas das redondezas.

Neste local até os arrumadores aparecem cedo, às sete da manha já estão nos seus postos, as 10Horas têm praticamente o seu serviço concluído, mas são eles que animam as ruas.

De quando em quando surgem uns assobios, uns sinais, umas corridas em cruzeta, e os arrumadores parecem flechas, passados uns minutos reaparecem subindo novamente, completamente desgastados pelas corridas e os saltos em riste.

Se os arrumadores desaparecem e aparecem nos locais mais eiváreis a uma velocidade estonteante, os Polícias deslocam-se com calma demonstrando grande conhecimento de toda esta estratégia e movimento hilariante.

Estes arrumadores, que provavelmente não sabem o que é um Porto feliz, aceitam com alguma normalidade a actividade policial… quando são apanhados acusam os polícias de concorrência desleal, mas o jogo prossegue depois de um breve intervalo, para pedir trocos.

Nas cafetarias, os donos investem nos estabelecimentos na esperança de que o fim das obras faça ressurgir a clientela desaparecida e venha animar o mercado do outro lado da via. Os cafés criaram entre eles uma espécie de regulamento para o uso das casas de banho, se o cliente apresentar olheiras, não a pode usar, se eventualmente a usar não pode demorar mais que 3 minutos.

A comunidade oriental respeita as directivas de Rui Rio, não dão moedas aos estacionadores, de quando em vez acertam-lhe com o pé, mas também não é nada de grave, porque esta comunidade residente garante a visita ao centro histórico de comerciantes a retalho vindos de todo o pais.
São contra as obras nos prédios porque afugentam clientes e o pó estraga os «oilicos».
Garantem a ocupação comercial da zona, arrendando e trespassando espaços aos seus conterrâneos, são detentores deste nicho de mercado e há restaurantes orientais a fazer pratos do dia como bacalhau ou tripas.

Os antigos moradores destas Ruas? Ah, esses estão dispersos por pensões nas redondezas, mas também trata-se de ruas de ocupação comercial, o comércio de revenda.

Descaracterização da zona protegida?! Não, meus caros, é o Centro histórico no seu regresso às origens, no seu regresso à colonização transfronteiriça, fossem os orientais mais investidores no aspecto dos seus armazéns, evitassem o alumínio à cor natural e o centro histórico estava salvo.

Cristina Santos

De: TAF - "Alfândega, 21:00" 

Informou-me agora o Gabinete de Comunicação da Porto Vivo, SRU que a apresentação pública do plano para a Baixa do Porto está marcada hoje para as 21:00 na sala do Infante, na Alfândega.

De: Cristina Santos - "Tentativa" 

Ainda bem que o Francisco nos explica aquilo que realmente é a especulação imobiliária, ou deveria ser.

Agora temos que arranjar outra nomenclatura para os trespasses aproveitadores, para a disparidade dos preços de aluguer, para os elevados preço de prédios em ruína.

Realmente não se pode chamar especulação imobiliária àquilo que é tentar comprar um Prédio em ruínas no Porto, a um preço tão elevado, que o seu restauro e colocação do mercado o retira da capacidade financeira de qualquer comprador, ainda mais com tanta regulamentação proibitiva – a isso podíamos chamar suicidio financeiro.

Por outro lado podemos chamar especulação ou falta de actuação por parte das entidades competentes a determinadas situações em que os proprietários não têm interesse em vender os Prédios em questão, por continuarem a aguardar a tal subida de preço.

Aguardar pelo pico da valorização dos imóveis é esperar que o Prédio não apresente condições de recuperação, um terreno «livre» de condicionantes vale muito mais, não há encargos de manutenção, a salubridade continua a não ter custos directos e o imposto de prédios antigos é irrelevante, talvez resulte dessa visão imobiliária (particular), a degradação que patenteia as ruas da Cidade.

Neste caso a especulação nasce de uma regulamentação demasiado proibitiva, da falta de fiscalização e punição a prédios insalubres, etc.

Depois existe ainda a especulação impraticável, que diz respeito aos proprietários que pretendem alugar/vender apartamentos no Porto, com metade das condições dos oferecidos em concelhos vizinhos, pelo dobro do preço, baseados na crença que esses fogos estão sempre a ser valorizados, por se situarem em centros urbanos.

Nestes casos há tentativa de especulação ou açambarcamento, o que não há é um mercado cego, que possa embarcar, isso só acontecerá quando esta especulação for praticada de forma semelhante nos concelhos vizinhos.

Sou de facto obrigada a concluir, que não há especulação imobiliária, ficam todos pela tentativa.

Espera-se da Porto Vivo uma tentativa de equilíbrio razoável do mercado imobiliário.

Quanto ao meu post, a questão finca-se no porquê de se ter optado por uma empresa pública e não municipal, se afinal continuamos sem verbas para poder agilizar processos de expropriação e outros procedimentos.
Pretendia chegar ao ponto de afirmar que a teimosia de Rui Rio pela empresa pública, não passava disso mesmo, é exactamente nesse ponto que me sinto enganada.

Cristina Santos

De: TAF - "A SRU na Alfândega" 

É suposto hoje à noite haver uma apresentação na Alfândega dos planos da Sociedade de Reabilitação Urbana para a Baixa da cidade, destinada ao público em geral. Contudo, a esta hora o site da autarquia ainda não tem informação da hora nem qualquer outro pormenor. Aguarda-se... Já aqui e aqui deixei o meu humilde contributo sobre este tema.

- Aliados, Liberdade e Flores acolhem hotéis de charme
- Porto abre percurso geológico
- “Novos” Aliados motiva críticas e terá debate público
- Ambientalistas contra "cinzentismo" da remodelação da Avenida dos Aliados - o termo correcto não é "cinzentismo" mas sim "sizentismo"
- Edifício da Casa da Música vai ser classificado património nacional
- Metro vai ao Parlamento
- Faculdade de Medicina adia acção contra a Metro à espera do Governo
- Estação Faria de Guimarães quase pronta
- Universidade do Porto dá-se a conhecer à população
- Porto prepara-se para 12 anos de obras para reabilitação urbana
- O nosso espaço n'O Comércio do Porto

2005/04/20

De: F. Rocha Antunes - "Heresia" 

Meus Caros,

A propósito do último post da Cristina, não resisto a dizer uma heresia: quem me dera que a especulação imobiliária existisse na Baixa do Porto!

Antes de provocar ataques cardíacos em almas mais sensíveis, vou explicar: nós em Portugal tendemos a confundir especulação com açambarcamento, provavelmente uma herança salazarista tão antiga como a Lei das Rendas. Mas não são a mesma coisa.

O açambarcamento é a retirada intencional de um determinado bem do mercado na esperança que, por ausência de alternativas e por força da lei da oferta e da procura, os preços subam artificialmente.

O que nós temos tido é um açambarcamento de facto em que, por força da dita Lei, uns milhares de concidadãos nossos, que acham que são comerciantes porque há 30 anos vendiam coisas dentro de umas lojas quando o centro do Porto era a única zona comercial de relevo da região norte, perceberam que tinham um negócio melhor: aguentarem os anos que fossem precisos dentro das tais lojas, sem qualquer preocupação de venderem seja o que fosse e protegidos por contratos eternos sem actualização das rendas com base em regras de mercado, à espera de uma lotaria: o valor de trespasse da dita loja que, por força de uma regulamentação absurda, lhes ia direitinho para os bolsos sem qualquer intervenção dos donos das mesmas. Era só esperarem pelas sucessivas revoadas de bancos, cadeias de restaurantes, de roupa de marca a precisarem de criar uma rede mínima na cidade, e fazia-se a fortuna desses açambarcadores.

A especulação é outra coisa. Tecnicamente, especular é esperar por um valor futuro diferente do actual. E investir agora na expectativa de que esse valor futuro permita a realização de um lucro. A versão mais corrente é a especulação positiva, ou seja, quando alguém compra hoje porque está convencido que o preço vai subir. E que alguém comprará livremente esse bem por um preço superior no futuro. Se o preço pedido tiver compradores, há uma transacção de mercado livre e o especulador realiza um lucro. Se não houver quem esteja disposto a pagar o preço pretendido pelo especulador, não lhe resta outra solução que não seja baixar o preço pedido pelo bem até encontrar alguém que, também livremente, esteja disposto a comprar esse bem. Nem que seja com prejuízo, o especular prefere vender a reter o bem, uma vez que a imobilização de capital tem custos.

Sem especuladores não há economia de mercado que funcione. E, se não estou enganado, não apareceu nenhum sistema económico alternativo que seja aceite como melhor pela esmagadora maioria das pessoas.

O que a Baixa precisava mesmo era que houvesse especulação imobiliária. Queria dizer que havia pessoas que estavam dispostas a investir hoje na expectativa de que o valor futuro fosse maior. O problema é que as dificuldades têm sido tantas que nem há especuladores. Apenas há açambarcadores.

Francisco Rocha Antunes
Promotor imobiliário

De: Cristina Santos - "Fomos enganados?" 

Meus Caros

Daquilo que reportam da vossa presença na apresentação do MASTERPLAN, nomeadamente no que diz respeito aos capitais privados necessários ao investimento, há duas ou três questões que não percebo.

A SRU visava garantir condições de intervenção estratégica, mobilizando os proprietários, investidores através de um plano concreto de acção, que também salvaguardasse as questões sócias, desde a utilização do espaço, à protecção de inquilinos e eventuais despejos.

Segundo sabemos a participação do estado (INH) no capital da SRU, garantia o pagamento de parte da reabilitação, na taxa correspondente à sua participação, salvo erro 60%, e a Câmara ainda podia fazer empréstimos sem implicar outras dívidas municipais.

Mas afinal pelo que percebo a verba da administração interna, visa apenas assegurar os gastos de funcionamento do Porto Vivo e eventualmente comparticipar em algumas despesas de infra-estruturas, é isto, entendi bem?

Então onde poderão os proprietários investidores obter verbas, se a Lei do arrendamento não entrou em vigor?
Se a SRU vai partir do princípio do investimento privado - compra e venda - como poderá evitar a especulação?
Em último recurso a expropriação sendo para investidores privados, vai ser altíssima, não se coaduna nos cálculos que se pensaram, ou enquadra-se perfeitamente?
A SRU é simplesmente um mecanismo de comunicação e orientação, sem intervenção prática na recuperação, é uma empresa de relações públicas?

Realmente vocês confundiram-me, já não sei se são os investidores que são sujeitos a concurso público, quem serão os donos de obra, já não sei se a Porto Vivo adquire ou expropria os prédios, ou se simplesmente arranja interessados nessas compras ou expropriações...

Estarei a fazer uma enorme confusão ou fomos de facto enganados? Voltarei ao assunto depois de avaliar in loco.

Cristina Santos

PS: os planeamentos dependem de estudos e levantamentos que na nossa cidade são quase inexistentes, daí que só realizá-los a partir do nada, sem dados básicos, implica meio mandato.
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Nota de TAF: Recomendo a leitura destes posts de Joaquim Branco
- "Expropriações e rendas", 2004/07/08
- "ESCLARECER", 2004/10/15
Em breve haverá certamente mais informação oficial, mas o modelo de actuação e a limitação de verbas nunca foram escondidos pela SRU.


De: Alexandre Burmester - "Quero Música" 

Caro Pulido,
Vou tentar ser mais cristalino e fácil de compreender, relativamente ao que antes escrevi sobre a Casa da Música, e sobre as considerações que daí fizeste.

Digamos que são 3 os pontos que compõem a resposta:
  1. O cumprimento dos regulamentos,
  2. O custo do empreendimento,
  3. A sua qualidade arquitectónica.
Relativamente à primeira questão, sou obviamente forçado a dar-te toda a razão, não são cumpridos os regulamentos que referiste, assim como outros mais que poderia aqui numa extensa lista referir. E o mesmo se passa, com outras obras de Arquitectos famosos, dos quais destaco por exemplo o caso do Museu de Serralves. Mas como sabes as leis são mais iguais para uns do que para outros. Contudo, não sou nenhum defensor nem da existência de regras nem do seu integral cumprimento. Aliás a maioria das regras que existem servem principalmente para orientar os maus profissionais, e consequentemente para nivelar por baixo. As regras deveriam ser antes de tudo orientações e não obrigações.

Se tivéssemos que cumprir sempre as regras, faríamos sempre a mesma coisa, e não haveria lugar nunca a inovações. Veja-se o caso das ditas sociedades muito evoluídas e cheias de regras onde a criatividade tem vindo a dar lugar à monotonia.

Isto não justifica os erros ou as más opções, que tanto estão patentes na Casa da Música como noutras grandes obras. A sua análise não pode é ser só sobre os defeitos, mas do resultado destes em face das suas qualidades, e dai extrairmos o resultado. E neste caso considero a Casa da Música muito positiva.

Relativamente aos custos, é preciso percebê-los à luz de várias pressupostos. Considero que a implantação da Casa da Música e o seu consequente custo um investimento para a cidade, e um investimento para os cidadãos. Por um lado porque proporcionará a possibilidade de podermos usufruir de espectáculos e de eventos a que estamos arredados há muitos anos, por outro porque proporcionará o surgimento de novas gerações com outra educação cultural e musical. Colocará ainda o Porto num circuito cultural, quer através da música como do seu edifício, o que para além dos benefícios publicitários, comportará ainda uma mais valia turística. Acho mal, e nisso concordo, que os custos que nos foram vendidos ao princípio, não correspondiam minimamente aos reais, e essa mentira criou perspectivas erradas. Mas se calhar de outra forma não se faria.

Por último e para falar sobre qualidade arquitectónica, teria que com certeza fazer aqui um discurso mais técnico e consequentemente menos cristalino, por isso falemos do que as pessoas entendem.

Como sabes se muitos disserem e repetirem de que a obra é boa, mesmo que não seja, assim se torna. É aquela máxima de que uma mentira dita muitas vezes torna-se uma verdade. A Arquitectura da Casa da Música vive desta forma de estar neste mundo moderno, de que o que vale é o que se diz e escreve, e o que se diz é o que sabes. Por isso poderia eu concordar ou não contigo, sobre a obra do Koolhaas, que nada do que disséssemos iria contrariar o tanto que tem sido dito e escrito.

Mas eu gosto da Casa da Música, fico é com inveja de não ter o mesmo tratamento quanto às regras, e por último não sou defensor de alinhamentos, continuidades, verdes, etc., ... Tudo isso depende quando valores mais altos se levantam.

Um abraço

Alexandre Burmester, Arqto.

De: F. Rocha Antunes - "Excepções" 

Meus Caros,

Este post do Arq. Pulido Valente toca numa das feridas mais importantes e que se traduz numa originalidade portuguesa, apenas comparável a outra, a ideia generalizada de que há um capitalismo sem dor: a regra das excepções. Esta regra diz que as excepções legais são a via que existe para fazer coisas normais e que a Lei geral existe para que só quem está dentro de uma qualquer excepção consiga fazer seja o que for.

aqui falei antes da Lei do Funil. Essa Lei, talvez a mais utilizada em Portugal, diz o seguinte:

“Há sempre dois grupos de destinatários da Lei, o primeiro somos Nós e o segundo são os Outros. Embora as leis gerais se apliquem a todos, quando se chega à interpretação em concreto, Nós temos direito a uma interpretação tão lata quanto formos capazes de imaginar, e os Outros têm a interpretação tão restrita quanto for possível. Daí que, perante a mesma situação, se considere que, conforme se trate de aplicar a Lei a Nós ou aos Outros, se utilize a parte mais larga do funil ou a mais estreita.”

Essa Lei assume, na legislação geral e local, a forma de excepção. Criam-se regras gerais impraticáveis mas que permitem aos nossos legisladores o gozo intelectual de se acharem “avançados”. A exequibilidade das mesmas só é garantida pelas excepções que as próprias leis e regulamentos criam.

Os exemplos não têm conta: desde a impermeabilização dos solos aos critérios de segurança e de mobilidade para deficientes, passando pelo cumprimento de prazos que são só exigíveis a um dos lados, continuando pela irresponsabilidade orçamental dos projectos públicos, na responsabilização dos cidadãos e das empresas e na desresponsabilização dos gestores da coisa pública, a imposição de regras de preservação de património que os próprios responsáveis não conseguem reabilitar a não ser à custa do eterno e sempre escasso cabimento orçamental, na impunidade com que os planos de investimento do Estado central e local são alterados quando tanta coisa legitimamente depende deles, etc.

O pior exemplo é quando o Estado cria excepções à Lei porque o próprio Estado não está em condições de a cumprir, impedindo que essa Lei possa ter os efeitos pretendidos, como é o caso do novamente adiado art. 35º do Código das Sociedades Comerciais, que obrigaria todas as empresas a esta coisa tão simples que é o de manterem a sua solvabilidade económica em níveis mínimos, porque o Estado como dono de algumas empresas não está em condições, enquanto accionista, de as cumprir. O Estado abdica do seu papel fundamental, o de regular a saúde da economia, porque como accionista não está em condições de cumprir os mínimos que deveria impor a todos!

É por isso que eu, como capitalista assumido que gosta de mercados abertos, odeio a ideia de ter um Estado dono de empresas. As que não quer ou não consegue vender deveriam deixar de ser equiparadas a empresas, permitindo que a regulação da actividade económica pudesse ter alguma racionalidade.

Talvez por isso eu aspire a uns anos sem eventos que justificam estas situações ditas de excepção. E esperar que a digestão desta série de eventos nos últimos 10 anos permita que estas coisas sejam avaliadas com tempo.

Se conseguirmos acabar com as excepções e voltarmos a regras gerais aplicáveis a todos teríamos um retorno a todos os níveis que, ao contrário do que aconteceu com alguns desses eventos, seria realmente positivo.

Francisco Rocha Antunes
Promotor imobiliário

De: Pulido Valente - "Queres música?" 

Caro Alexandre Burmester, sabes que te aprecio como cidadão e que devemos discutir as nossas opiniões diferentes de modo que as outras pessoas possam tirar todo o benefício possível. A tua música que me responde não é cristalina e fácil de compreender. Tem muitos "undercover" sub-reptícios que nem todos compreenderão.

O facto que se discute é precisamente saber se o dinheiro público pode e deve ser esbanjado da maneira como foi e se se pode fazer tábua rasa dos regulamentos e posições assumidas pela CMP para com o munícipes e dar a estas obras outro estatuto. Não pode. Tem que haver um comportamento para todos os casos e se o Rui Rio quer menos impermeabilização do solo deve-se obrigar a que o solo da Casa da Música seja também maioritariamente permeável. Aquele lajeado todo não seria aceite, na mesma proporção, para uma obra de um dos teus, meus ou de outros, clientes. A falta de verde também não. As incorrecções técnicas seriam penalizadas pelos custos e os clientes não iriam com as obras para a frente. Mandavam-nos bugiar. Portanto estás a pretender um estatuto especial para um Koalas qualquer que apareceu há menos de vinte anos e que se meteu nos meios conhecidos da moda e do espectáculo (conheces o livro "A sociedade do espectáculo” do Guy Debord?), fez um conjunto de firmas por esse planeta fora e está a geri-las como firmas que são. Portanto para que resultem têm ter mercado e solvência. Quantas associações ambientais(alistas) há que vivem na penúria graças à militância dos seus associados que investem trabalho e alguns tostões para combater as firmas que vivem do ecossistema e se esquecem de ser coerentes?

Não caro Alexandre, não é com filosofias estéticas ou políticas que consegues defender quer o Koalas quer a CM. Trata-se de esbanjamento que não te seria permitido a ti ou a q.q. dos teus colegas que não estejam protegidos pela aura da fama conquistada no mercado da moda. Portanto é ilegítima e um abuso parolo. Sim, tem lá paciência mas é assim mesmo. Sem as badanas e as distorções fingidas, fingidas, fingidas, aquilo é banal. Só se deixa deslumbrar quem quer ou quem não sabe ler o que lá está. As salas de ensaio estão todas juntas. Erro. Para que umas não ouçam as vizinhas - têm em comum um envidraçado - tem de se gastar rios de dinheiro. Com tanto espaço livre e sem uso destinado, o prato do bolo, podiam ter disseminado as várias salas quer de ensaio quer de concerto/ espectáculo, de modo a que fosse mais fácil e económico isolar acusticamente cada uma. E as escadarias? E os espaços ridiculamente pequenos no meio daqueles outros brutalmente grandes? E o gosto? E a proporção? E a escolha criteriosa... dos materiais quer de tosco quer de acabamento? E a ridícula confrontação dos materiais no tosco, bem, com os acabamentos caríssimos, mal! Nem sequer há coerência.

Vá lá, dá o braço a torcer e concorda que aquilo é fogo de vista para festas minhotas. Só que não acaba no fim da festa. Temos que o gramar sempre a estralejar. PUM PUM PUM. Mais um rombo na moribunda avenida. Mais um precedente para afastar os edifícios do alinhamento que a avenida sempre teve até que chegou o "Sheraton" e os outros investimentos dos mais endinheirados. Agora que os edifícios vão recuando onde está o verde normal e imprescindível nesses casos? O Eduardo deixou um canteirinho livre? Que saiba o lote é todo ocupado. Ah R.R. mexilhão que a permeabilidade do solo só é exigida quando se trata do manel ou do joaquim! Direitos adquiridos, se são contra o PDM, não existem.

Um abraço
jpv

De: F. Rocha Antunes - "Projectos públicos" 

Meus Caros,

Há coisas que se impõem pela sua natureza, e tentar resistir a elas é como querer segurar água na palma da mão. A forma como nós encaramos os projectos públicos é uma delas.

Não sei se é por mérito do deficit (ou défice, como se escreve agora, presumo que numa evolução semelhante à que transformou as sanduíches em sandes) que veio demonstrar que os recursos são escassos, ou por a informação ter deixado de ser administrada e ter passado a ser livremente distribuída, o que veio retirar o clássico controlo do que se noticiava, ou pela mistura dessas duas razões ou ainda por qualquer outra de que não me lembre, o que é certo é que já não é possível continuar a gerir projectos públicos, ou com forte impacto público, sem os abrir à discussão pública.

Não é ainda evidente que só se conseguem desenvolver projectos com essas características se houver a capacidade de definir um tempo de preparação dos mesmos, uma tempo de discussão pública e de ajuste às propostas iniciais e um tempo de execução eficiente?

Não é ainda evidente que sempre que se tenta fugir a esta ordem natural depois se compromete a execução e até a concretização dos mesmos?

Ainda ontem, quando assistia à apresentação do Masterplan da SRU (que deveria evidentemente ter outro letreiro, mais inteligível por todos), observava a dificuldade que o Presidente da CMP tem em perceber este fenómeno. O que é estranho, porque a própria CMP teve uma experiência muito importante que, pelos vistos, não entendeu: a primeira discussão pública do PDM.

As discussões públicas são uma regra que é preciso deixar de fugir dela.
Isso significa que há duas coisas que têm de acontecer:
  1. Os projectos devem ser preparados com tempo, de forma que as propostas sejam consistentes antes de virem a uma discussão pública
  2. Os promotores desses projectos têm de se preparar profissionalmente para gerir correctamente uma discussão pública.
Antes que alguém venha dizer que gerir é tentar controlar as conclusões de uma discussão pública, eu explico: se a primeira etapa, que é a preparação correcta da proposta for bem feita, as hipóteses de a discussão pública correr mal reduzem-se drasticamente. E todos ganhamos com isso. Se a segunda etapa seguir as melhores práticas, garante-se a eficácia da discussão pública e os seus resultados.

Uma discussão pública eficaz é aquela que permite que a proposta concreta seja apreciada e criticada e que é capaz de melhorar a proposta inicial para que os objectivos públicos do projecto sejam atingidos. Há um exercício de modéstia que é fundamental: uma proposta pode ser excelente, mas mesmo nesses casos, que me atrevo a dizer que ainda não são a regra, há sempre pontos de vista e críticas que ajudam a melhorar ou a minorar aspectos que não tenham sido considerados nessa proposta.

Ainda não tenho informação que me permita emitir qualquer opinião sobre o Masterplan. Só o farei depois de conhecer bem a proposta.

Mas quero elogiar a metodologia base que está a ser seguida pela equipa do Dr. Joaquim Branco. Primeiro prepararam solidamente a proposta. E agora, uma vez concluída essa proposta, sujeitam-na à discussão pública. É assim que se deve fazer.

E se não for assim, nenhum projecto vai poder ter sucesso.

Os calendários partidários têm que se adaptar a isto, e não o contrário. Ou os desgostos, nesta matéria, nunca mais têm fim.

Francisco Rocha Antunes
Promotor imobiliário

De: TAF - "Crítica construtiva, parte II" 

Cenas do episódio anterior, como resumo:
  1. Rui Rio ainda não percebeu que um dos problemas da cidade é a agressividade dele próprio, que gera resistências escusadas. Outra pessoa com mais sensatez, aplicando exactamente as mesmas medidas, teria metade dos problemas e conseguiria o dobro dos resultados.
  2. A apresentação do Masterplan, em termos de comunicação, foi vergonhosa. Além disso, na documentação fornecida (um pequeno livro A4 de 32 páginas) a legenda das muitas plantas nem sequer está perceptível. O servidor WWW indicado também não existe (ainda?).
Passemos agora ao plano propriamente dito, para voltar no fim à técnica de comunicação.

O que é afinal o “Masterplan” da SRU, na minha interpretação?

Trata-se de um documento que explica o que gostaria de se ter na Baixa do Porto. Baseou-se em estudos relativamente profundos que resultaram num conjunto de propostas principais que parecem fazer sentido e ter alguma solidez.


Alguns dados sobre a “Área Crítica de Recuperação e Reconversão Urbanística – ACRRU” (anel exterior da foto):
Nessa área foi definida a “Zona de Intervenção Prioritária – ZIP”, com 5 Km2 (anel vermelho seguinte).

Não haja dúvidas num aspecto: quase 100% do investimento necessário (2,7 mil milhões de euros!) será com capital privado. Os meios próprios que a SRU e a autarquia possuem são quase nulos. Nessas condições, o Masterplan é apenas uma orientação, uma sugestão para os privados. Contudo, entra em detalhes como definir as tipologias dos apartamentos conforme as várias zonas da ZIP, a natureza das empresas, os produtos em que o comércio deve apostar… Ora isto são decisões da responsabilidade exclusiva dos investidores. Aconselhar é bom, mas provavelmente exagerou-se no detalhe das sugestões em muitos casos. A menos que…

… O Masterplan parece ter também outros destinatários: as entidades que têm de dar parecer sobre as obras (o IPPAR em especial) e, em menor grau, os próprios serviços técnicos da Câmara. Sabendo-se que qualquer reabilitação séria exigirá consideráveis alterações no edificado, pretender-se-á de algum modo criar um argumento de peso para que essas entidades não sejam demasiado rígidas na sua apreciação: a existência de um plano sério de reabilitação, a prioridade a eventuais “valores mais altos” do que a preservação de algum património menos importante, por exemplo. Isto não é uma censura: eu concordo que tem de ser assim. Daí então os tais pormenores que figuram no Masterplan e que, não fosse esta razão, não se justificariam.

À SRU exige-se o bom senso de não planear demais e, principalmente, de dar bastante liberdade aos privados para apostarem naquilo que eles acharem melhor. Qualquer investidor exigirá fazer as coisas à sua maneira, dentro de regras e orientações razoáveis por parte da SRU. Se um promotor imobiliário quiser construir (à sua custa) T4s onde a SRU tinha previsto T1s, não o deverá poder fazer? Ou se quiser instalar uma galeria de arte onde estava projectado um restaurante? Ou fazer um hotel de 5 estrelas num local que tinha sido recomendado para 3 estrelas?

O Masterplan identifica igualmente quais as infra-estruturas que faltam na ZIP. Aí sim, o planeamento é fundamental porque se destina em grande parte a investimento público ou equiparado (Portugal Telecom, etc.) em redes de gás, saneamento, telecomunicações, transportes, instituições de apoio social, escolas, espaços verdes,... Assim se criarão as condições-base que permitirão à Baixa ser atractiva para quem nela quer viver ou trabalhar.

Não me canso de escrever: a função principal da SRU é ser “descomplicadora”, é fazer pouco mas fazer bem. É deixar a sociedade civil respirar e trabalhar. A SRU deve focar a sua atenção principalmente na requalificação do espaço público da ZIP e na disponibilização de infra-estruturas competitivas.

É boa ideia a criação de “Gestores de Área Urbana” para servirem de interface com a SRU e como dinamizadores da sua zona de actuação. Seleccionem-se bem essas pessoas/entidades e façam-se contratos que sejam motivadores, recompensando generosamente resultados que sejam realmente bons.

Tenho muito receio dos programas de incentivos financeiros: criam burocracia, exigem recursos humanos para a sua gestão que a SRU não tem, são fomentadores de maus hábitos nos privados. Aposte-se antes na “descomplicação” dos procedimentos, regulamentos ou licenças e, importantíssimo, na rapidez de despacho. Cuidado com o excesso de “Parcerias” previstas - só o tempo perdido a negociar os protocolos...

Eis o sumário que foi apresentado quanto aos procedimentos de Actuação da SRU:
O Masterplan refere um Plano de Comunicação. É fundamental que se comece já, por exemplo com esta sugestão que dei aqui e colocando imediatamente no site da CMP os documentos do Masterplan em PDF. O papel da SRU, atendendo a que os seus fracos recursos financeiros praticamente não lhe permitem actuar como investidor, vai ser basicamente de gestor de informação: fomentar o encontro entre oferta e procura, divulgar oportunidades de habitação ou negócio, oferecer (ou vender) sugestões de projecto já “meias cozinhadas” ou mesmo preliminarmente aprovadas.

A imagem é fundamental, porque no fundo é o “core business” da SRU. Não pode falhar. Se a apresentação mais ou menos restrita de ontem, de um gritante amadorismo, foi um mau começo, há ainda oportunidade de corrigir. Amanhã, quando for para o público em geral, ao menos que seja MUITO mais curta e com imagens que se consigam ler. Mas, quando for para convencer os agentes económicos (portugueses ou estrangeiros), o standard de qualidade tem que ser outro totalmente diferente. Se o trabalho do Masterplan foi sério, não o estraguem com uma trapalhada qualquer.

Há muito mais para dizer e pensar. Assunto certo para os próximos tempos.

De: TAF - "Imprensa de Quarta-feira" 

- Baixa aguarda investidores - Alguns detalhes
- Comércio, turismo e empresas ajudam a reabitar a Baixa
- Reabilitar a Baixa vai custar 2,7 mil milhões de euros - cuidado com alguns números errados nesta notícia.

- Vandoma na Cadeia da Relação
- Feira da Vandoma muda-se para a Cadeia da Relação
- Feira da Vandoma na Cordoaria a partir de sábado e até Julho, e outros assuntos
- Governo quer que a linha de metro termine antes da porta do "S. João"
- Obras do Metro param em frente ao hospital de S. João
- Governo quer tirar o metro da porta do Hospital S. João
- Assembleia quer discutir projecto dos Aliados
- Ryanair voa para Frankfurt por 3 euros
- Ryanair lança a partir de 30 de Outubro rota Porto-Frankfurt
- RTP: Informação instala-se no Porto durante a greve - há males que vêm por bem... :-)
- Molhes do Douro: a única alternativa ou uma obra "avulsa" e sem utilidade?

2005/04/19

De: TAF - "Os planos da SRU" 

Nota prévia: este texto é construtivo! :-)

Vim agora da apresentação do “Masterplan” da SRU. Vim um pouco irritado, devo dizer. Não tanto com o “Masterplan” em si, mas com a própria apresentação. E, já agora, com o nome “Masterplan”, que não tem jeito nenhum ser em inglês... Adiante.

Bem à portuguesa, a cerimónia começou com significativo atraso. Rui Rio faz o discurso inicial. Bom discurso, não fossem alguns pormenores que refiro abaixo.

Disse basicamente que este plano é estrutural para o Porto, que é tarefa para pelo menos 10 ou 12 anos, que enquanto ele for Presidente é um compromisso que se obriga a seguir, que os intervenientes no processo de revitalização da Baixa podem ter a segurança de que não haverá ziguezagues. Acrescentou que o plano está contudo aberto a correcções e sugestões adicionais, que pode ser melhorado. Mas as suas linhas fundamentais foram longamente pensadas e são para manter. Faz sentido. Foi directo, conciso, racional.

Podia contudo ter evitado as queixas e “piadinhas” do costume. Mal passavam uns segundos do início do discurso e já estava a dizer que aqui no Porto há sempre gente contra qualquer coisa que se faça. Que tinha convidado as televisões mas só apareceu a SIC. Que se fosse em Lisboa bastava um acidente de trânsito para aparecer na televisão; aqui, que é a segunda cidade do país e onde estava a haver uma importantíssima apresentação, havia apenas uma estação atenta.
Mesmo que Rui Rio tenha razão, isto cansa! A altura era para uma postura integralmente positiva, a olhar para a frente, para mostrar o que de bom teremos à nossa espera se soubermos gerir adequadamente este processo.

É este comportamento (o homem não consegue resistir ao seu intrínseco feitio quezilento!) que gera reacções negativas e promove a agressividade também por parte dos seus opositores políticos. Exemplos há muitos e reflectem-se também aqui no blog em vários comentários que aceitei para publicação e em muitos mais que não seleccionei. E sem um bom relacionamento com a sociedade civil (apoiantes ou opositores, tanto faz), estraga-se tudo.

A seguir ao Presidente da Câmara falaram Arlindo Cunha e Joaquim Branco, da SRU. Nada de especial a assinalar.

Depois passaram a palavra aos consultores, que apresentaram em mais detalhe o Masterplan. Que desgraça de apresentação! Longuíssima, mal preparada, demasiado propagandística (delirante, mesmo, em alguns pontos específicos). A rever profunda e urgentemente para a próxima apresentação pública na Alfândega, na quinta-feira. Se o objectivo é comunicar, tem que se perceber o que é que a audiência consegue captar. Não adianta despejar informação. Mais tarde volto a isto, agora tenho que interromper a redacção, outras prioridades... :-)

De: F. Rocha Antunes - "Eleitoralismo" 

Meus Caros,

Chamo a vossa atenção para a importância de não nos deixarmos contagiar por qualificativos pessoais. A melhor maneira de não se discutir nada é levar tudo para posições pessoais ou partidárias. O ruído que isso provoca dá normalmente muito gozo a quem nele participa, mas tem o condão de afastar todos os outros que não estão para participar em tais exercícios.

Com a aproximação da campanha eleitoral é necessário fazermos todo um esforço para julgarmos as atitudes e as opiniões com vigor e rigor, mas sem descambarmos para terrenos que impeçam que se discutam as questões importantes.

Quem já me leu antes sabe que insisto sempre nisto. Com o andar da carruagem fica cada vez mais importante.

Francisco Rocha Antunes
Promotor imobiliário
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Nota de TAF: O Francisco escreveu o que eu ia escrever... :-) Estou a preparar um comentário mais longo sobre a apresentação do "Masterplan" da SRU, onde ia incluir isto.

De: Francisco Morais - "O Dr. Rui Rio..." 

"... e o Dr. Rui Rio"

Há dois assuntos de debate em curso na cidade e na Baixa da Cidade que envolvem uma mesma pessoa que incarna duas posições antagónicas:

1 - O dr. Rui Rio, presidente da Câmara do Porto, que no caso do túnel da Rua de Ceuta, surge como o grande paladino da defesa dos acessos protegidos ao Hospital de Santo António, usando métodos (inadmissíveis num estado de direito) que tentam ultrapassar o IPPAR (entidade que considera desnecessária, já que sabe tudo sobre património, essa palavra mesquinha que só serve para (lhe) perturbar os projectos) e esquecer o disposto nas Leis (será que entende que não são para todos?).
2 - O dr. Rui Rio, presidente (interino) da Metro do Porto, que no caso do Hospital de S. João trucida a Direcção do Hospital, os utentes, o INEM, a Faculdade de Medicina ... na defesa de uma solução indefensável ... O utente de canadianas não pode ser trucidado no HGSA (claro que não!) mas no HSJ já não há problema.
Das duas posições opostas, assumidas pela mesma pessoa, temos que concluir (se alguém ainda duvidava...) que na sua governação da cidade e no sorriso aberto com que responde aos jornalistas quando interpelado sobre qualquer questão de peso (p. ex. sobre os comentários do Presidente da República sobre a saída do Pedro Burmester do projecto da Casa da Música), há sempre uma elevada dose de hipocrisia, mentira ou irresponsabilidade.
Aparenta sempre um superior gozo sobre as outras entidades, sobre as quais procura pairar como superior. E os cidadãos vão vendo, cada vez com maior tristeza, os resultados deste mandato. Resta-nos a consolação que quanto mais alto se sobe, maior é a queda ...

Francisco Morais
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Francisco Pires de Morais, Arq.º
[email protected]

De: TAF - "Hoje" 

No site da CMP:
-"Apresentação da revitalização urbana e social da Baixa Portuense
Terça-feira, dia 19 de Abril, pelas 16 horas, o Conselho de Administração da Porto Vivo, SRU, vai apresentar a Proposta de Plano para a Revitalização Urbana e Social da Baixa do Porto. A sessão, que decorrerá no Átrio dos Paços do Concelho, será presidida por Rui Rio, Presidente da Câmara Municipal do Porto."
- Gestão autárquica: em três anos a CMP reduziu em 60% a dívida a fornecedores

A "nossa página" n'O Comércio do Porto (ainda não tenho o PDF respectivo):
- "Túnel de Ceuta: Venham as boas razões"
- "Notas musicais"

- Rio sublinha que dívida da Câmara baixou em 60 por cento desde 2001
- Rio diz que Câmara é "exemplo para o país"
- Finanças “não estão como eu gosto”

- Passeio das Fontainhas recuperado a pensar no uso pela população
- Projecto de requalificação da Alameda das Fontainhas custa 920 mil euros
- Governo não prevê enterramento da linha de metro junto ao "S. João"
- Casa dos 24 reabre antes do Verão como centro de apoio aos turistas
- Casa dos 24 será “uma montra da cidade”
- Montanha de lixo na praça - Números
- Seis toneladas de lixo na Praça D. João I

O Masterplan da SRU:
- Estratégia da SRU apresentada
- Reabilitação da Baixa fica por 1695 milhões de euros
- Retorno dos eléctricos e ligação de metro ao Campo Alegre
- Avenida da Ponte com comércio, hotelaria e habitação
- Cais fluviais no Douro e ponte pedonal entre as duas ribeiras
- Centro de ciência e inovação na área do Campo 24 de Agosto
- Mercado do Bolhão aberto à animação diurna e nocturna
- Fundos e incentivos na Baixa

- O Guia "PortoIn" que saiu Domingo passado no Comércio (PDF de 4,5 MB)

De: David Afonso - "Masterplan" 

1.A SRU Porto Vivo vai apresentar o Plano Estratégico (Masterplan) esta terça-feira, 19 de Abril, no átrio dos Paços do Concelho. Trata-se de um documento imprescindível para que se perceba quais são os objectivos propostos a curto e a médio prazo, dado que o objectivo a longo prazo é de todos nós conhecido: a reabilitação da baixa e, por consequência, da própria cidade. Ao fim e ao cabo deverá nos esclarecer sobre as questões mais difíceis: O quê? Como? Onde? Quando? Quanto? Para uma avaliação posterior do modelo de intervenção SRU é bom que estas questões sejam objectivamente respondidas logo à partida. Um aspecto em particular gostaria de ver bem explicado e fundamentado: como se vão coordenar os quatros eixos das intervenção de reabilitação, ou seja, a reabilitação do património edificado, a distribuição das funções, a renovação social e a mobilidade.

2.A intervenção sobre as zonas piloto já está em curso. Carlos Alberto em fase de negociação (e reformulação?) e Infante, desde de segunda-feira 18, em fase de discussão pública com os interessados. Eu, com toda a franqueza, considero bizarra a opção de se avançar para o terreno sem primeiro se ter concluído e apresentado o chamado Masterplan. Afinal de contas, qual é a função das zonas piloto? Não é a de testar o modelo de reabilitação? Não é a de recolher ensinamentos que permitam aperfeiçoar o modelo? Se assim é então não se entende o modus operandi da Porto Vivo, que inverte a lógica da coisa.

David Afonso
[email protected]

2005/04/18

De: António Moreira - "Notas Musicais" 

Tenho lido comentários, alguns do mais baixo nível, em diversos "blogs" sobre este assunto.
Coloquei o meu comentário no "Blasfémias" e no "Sede".

Dada a delicadeza do mesmo não tinha, ainda, enviado qualquer comentário sobre isto para "A Baixa".

Penso ser, agora, ocasião de, também aqui, exprimir o que penso:
"A Casa da Música será apenas mais uma sala de espectáculos (neste caso também um ícone da arquitectura), ou um projecto cultural, conforme as opções políticas que venham a ser feitas:
No que se refere a objectivos
No que se refere a programas
Mas, também, no que se refere às pessoas capazes de os encarnar e lhes dar alma.
Pelo que neste projecto demonstrou, ninguém melhor que o Pedro Burmester, em minha opinião, para ser a alma deste projecto.
Não acredito em "cultura" de esquerda ou de direita.
Apenas em Cultura (ou não...)."


Cumprimentos
António Moreira

De: Alexandre Burmester - "Notas musicais" 

Vem este comentário a propósito de uma nota colocada no Blogue "Blasfémias", sobre tráfico de influências do Presidente da Republica, do PS, e da Ministra da Cultura para fazer retornar o Pedro Burmester à Casa da Música.

Devia estar calado e não exprimir nenhuma opinião, porque tratando-se de meu irmão, alguém facilmente dirá que sou parte interessada em alguma coisa. Mas como estou a anos luz de distância do Presidente, do PS, da Ministra, da Casa da Música e de qualquer engajamento político, tenho o afastamento suficiente para poder dar uma opinião.

O Pedro, embora simpatizante do PS, nem é do partido nem tem ou teve qualquer cargo de "Boy". O seu trajecto na sociedade 2001 deve-se ao facto de ter apresentado e desenvolvido um projecto musical que se concretizou na Casa da Música. A sua participação na sociedade, enquanto Capital da Cultura, resumiu-se à programação cultural.

Quando esta sociedade, após os eventos, transitou para a esfera politica, com a mudança de Governo e orientação, foi nomeado Administrador em representação do Ministério da Cultura (PSD). Foi nesta altura e com os desvairos políticos que sucederam na Administração, que veio a público denunciá-los e que se incompatibilizou com a sua gestão.

A Casa da Música era na altura como hoje, mais um lugar de encosto e de promoção política para os ditos "Boys" e menos um projecto cultural.

Discute-se actualmente o seu modelo de gestão, e pela discussão que se lê, já se percebe como fica difícil ao Estado largar as suas mordomias.

Agora que se completou a obra, e que se dá inicio ao Projecto cultural percebe-se bem que o Norte ainda não se encontrou. Ao contrário o desnorte parece que teima em ficar.

Não se pode gerir uma obra cultural com base a princípios de aparelhos partidários. À semelhança da Casa de Serralves, a Casa da Música tem de ser imune às querelas partidárias e às constantes trocas políticas. Um Projecto Cultural consistente continua necessário. O Pedro tinha-o e ainda o tem.

Mas o Projecto que já se iniciou devia primeiro ser implantado e sedimentado, para depois poder andar. Após a sucessão da programação, com pouco sentido, da euforia da inauguração, a continuar como está iremos assistir ao "vazio" a que me refiro.

Não é ele, Pedro, fundamental ao bom funcionamento da Casa da Música, qualquer outro poderá fazer esse trabalho. O que interessa entender como fundamental é a existência de um Projecto Cultural fora da esfera da política e do Estado. O Pedro, quanto a mim, até estará melhor a gerir a sua carreira musical.

Alexandre Burmester

De: TAF - "A procura na Baixa" 

Este meu amigo continua à procura de um apartamento para adquirir na Baixa. Sugeri-lhe que, em vez de edifícios novos, pensasse num espaço usado em edifícios com boa arquitectura, como há em Sá da Bandeira ou na Rua de Ceuta, por exemplo. Havendo interessados em vender, podem enviar-lhe informação por meu intermédio.

A Baixa do Porto é um blog com um objectivo claro: contribuir para a revitalização do centro da cidade. As opiniões aqui publicadas são importantes, mas mais importantes são as acções concretas: gente na Baixa!

De: Fernando Pereira - "Mandatos autárquicos" 

Agora que está em discussão a questão da limitação dos mandatos dos órgãos de gestão política, queria em poucas palavras sugerir mais alguns pontos de reflexão.
  1. Não é fundamental a limitação de mandatos, uma vez que, na minha opinião, regras administrativas não podem resolver problemas que são eminentemente políticos.


  2. O ponto principal numa estratégia de combate à corrupção e clientelismo passa por duas linhas de acção: aumento da fiscalização e responsabilização efectiva dos eleitos.


  3. Propostas concretas:
    a. Eleição individual do presidente da Câmara (ou Junta ou Governo Regional) com efectiva facilitação de candidaturas individuais, sem ligação partidária.
    b. Vereadores e membros de Governo Regional escolhidos livremente pelo Presidente dos eleitos para a Assembleia Municipal (ou Freguesia ou Regional)
    c. Efectivo poder de fiscalização por parte das Assembleias e dos órgãos de inspecção de âmbito nacional
    d. Revisão da Lei de Finanças Locais e alteração das regras que actualmente ligam o orçamento autárquico à construção de novas obras
    e. Penalização dos eleitos por decisões que demonstradamente sejam lesivas dos interesses (sobretudo financeiros) da população


  4. Se mesmo assim fosse considerado positivo, limitação dos mandatos mas de todos os envolvidos, presidentes ou deputados municipais ou vereadores. Essa limitação dependeria de 12 anos de manutenção em funções. Como disse acima, não resolveria o problemas mas daria um sinal de maior responsabilização dos autarcas.


  5. Talvez assim se caminhasse no sentido correcto. Clarificavam-se regras, incentivavam-se os partidos a escolher melhor e a serem mais conscientes e dava-se a oportunidade a pessoas independentes (se é que isso existe, mas isso é outra conversa) a que efectivamente se colocassem à disposição de servir a população em vez de estarem só do lado de fora a avaliar e criticar.


  6. Limitar o mandato do primeiro-ministro? Não, dado que não é eleito directamente. Dos deputados? Não me parece necessário, é suficiente alterar o modo de elaboração das listas por parte dos partidos.
Em resumo, alguns pontos de discussão, não consensuais, sujeitos a evidentes críticas mas que espero sejam um contributo mais sereno e menos populista que algumas ideias e propostas que vêm sendo avançadas recentemente em Portugal.

Fernando Miguel Pereira
Economista

De: TAF - "Notícias" 

Algumas de sexta-feira passada:
- Futuro do Conservatório do Porto decidido em Maio
- Apartamentos de luxo vão nascer em armazém na marginal do Douro
- Linhas de acção da Porto Vivo apresentadas na próxima semana

Outras de Domingo:
- Rui Rio não sabe se o novo acordo amortiza dívida à Adicais
- Cedência de terreno à Adicais poderá ser gratuita
- Francisco Assis prossegue estratégia de auscultação nos bairros problemáticos
- Nova marginal de Siza explicada aos leceiros por Narciso Miranda
- Marginal de Leça pronta no Verão
- Casa da Música esgotada com 2500 pessoas
- Areia do Cabedelo usada para a construção civil

E outras de hoje:
- INEM reprova traçado do metro no S. João
- O grito do povo
- INEM apresenta ao Governo inconvenientes do metro no "S. João"
- Poluentes da VCI em estudo: resultados preliminares revelam valores preocupantes
- Sá exige recuperação do Bairro do Leal
- Cresce a insegurança no Bairro do Leal e plano de recuperação continua na gaveta
- SRU arranca com discussão pública no Infante
- Coligação entre a CDU e o PS ainda é possível
- "Ainda se pode negociar uma coligação no Porto"
- Assis já admite que o PS não vai coligado para a Câmara do Porto

- Buraco da Câmara diminui mas a dívida total aumenta
«Tal como há dois anos, os leilões de terrenos voltaram a ser um fiasco. Dos 11 terrenos que a autarquia pensava vender, apenas conseguiu alienar quatro. De uma receita prevista de 24,7 milhões de euros, a autarquia apenas conseguiu vender parcela no valor de 2,1 milhões (8,5%).» - Consigo imaginar imediatamente pelo menos duas razões para isso: preços especulativos estabelecidos pela própria Câmara e falta de confiança na rápida aprovação de projectos...
«Ainda no que concerne ao buraco financeiro, o relatório alerta, contudo, para a "possibilidade de, nos exercícios futuros, poderem surgir encargos de processos em litígio, pelos quais a Câmara do Porto poderá ter de pagar até 50 milhões."» - Pois, não é surpresa... :-(

- Árvores migratórias - Nem que fosse só pelo título, merecia a leitura. :-)
- Ponte de Luís I renasce debaixo de um manto de andaimes
- Maior arco em ferro forjado - Intervenção avaliada em oito milhões
- História: Praça da Ribeira e Rua de S. João, Praça da Batalha e Matosinhos

- Terreno vizinho da Casa da Música vive atribulações há quatro anos
- Nuno Cardoso não autorizou ocupação do terreno
- Rio renegociou mas não conseguiu evitar atraso

- Edição conjunta do CP com os blogues "A Baixa do Porto" e "Blasfémias" - Segundas, quartas e sextas: Blasfémias. Terças, quintas e sábados: A Baixa do Porto. :-)

2005/04/17

De: TAF - "Almoço segunda-feira, dia 18" 

No âmbito da colaboração recentemente combinada pel'A Baixa do Porto com O Comércio do Porto e com o Blasfémias, vai passar a realizar-se às segundas-feiras, começando já amanhã, um encontro informal reunindo gente destas três "entidades". Pretendemos trocar ideias e fazer ao vivo algum debate complementar ao da blogosfera, fomentando a participação da sociedade civil na vida da cidade e do país.

Atendendo a que A Baixa do Porto é um "blog aberto", os bloguistas que estiverem interessados poderão participar nestes almoços buffet no Grande Hotel do Porto, em Sta. Catarina, pelas 13:00. Peço apenas que me informem por email antes, para reservar lugar.


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