2006/03/11

De: TAF - "Leituras de fim de semana" 

- Urban Pioneering (multimédia)
- The New São Paulo
- Dubai's Architectural Wonders - slide show
- China's New Architectural Wonders - slide show
- Home Is Where the Cargo Was - (slide show)
- Putting the "Fab" in Prefab - (slide show)
- Architectural Wonders: Building Innovation - slide show

- CTT enviam cartas pela Internet a partir de Maio
- Gaia: Revitalizar o Centro Histórico
- "Corpus Christi" vai acolher serviços

PS: - Programa de apoio a lojistas 'passou ao lado' - Já aqui tinha chamado a atenção para o assunto...

De: TAF - "Cinema Batalha" 

  













  

PS: - O cinema Batalha reabriu na noite de sexta-feira

De: Pedro Lessa - "O lixo no Centro Histórico" 

Quem como eu trabalha toda a semana na Baixa (incluindo o Sábado), não pode estar mais de acordo consigo, caro David A.

Como os insólitos (já nem lhe chamo asneiras) na nossa cidade são vários, como por exemplo esse hino ao bom Urbanismo da Av. da Boavista, nós por cá na Baixa temos de lidar com o lixo diariamente. Como já aqui referi, a Rua Ferreira Borges é um autêntico campo minado (de dejectos, claro) e após o seu apelo para que se criem brigadas de limpeza, conto-lhe o seguinte episódio.

Após constatar que um civilizado cidadão residente aqui na zona deu total liberdade ao seu cão de se aliviar mesmo em frente à minha porta, tratei de efectuar a sua remoção, uma vez que se trata de uma entrada para público. Tentar criar civismo nas pessoas já desisti, porque da única vez que tentei quase que fui linchado e pensei que ía sair maltratado da situação. Apercebo-me então que um varredor da nossa distinta câmara vinha a subir a rua nas suas esmeradas varridelas quando, para meu total espanto, contorna o dito dejecto, e segue rua acima. Dirigi-me ao senhor e pedi-lhe o grande favor de, uma vez que ele estava "distraído", apanhar o dito.
Pois a resposta foi pronta: "Temos ordens superiores para não apanhar este tipo de lixo." Como? Será que ouvi bem? Então quem apanha, pensei eu dado que fiquei sem fala?
As brigadas de limpeza que sugere, o que será que limpariam?

Ainda a propósito do fado, "Tudo isto é triste, tudo isto é....."

Cumprimentos,
Pedro Lessa
[email protected]

De: Luiz Canedo - "O Semáforo do Rui Moreira" 

Gostaria de transmitir ao Rui Moreira a mais profunda e sincera solidariedade em relação ao seu, legitimamente revoltado mas lúcido, desabafo. Os mesmos sobredotados, verdadeiros "atrapalhadores do trânsito", estragam, praticamente, tudo em que mexem. Basta lembrar a profusão de sentidos únicos, que obrigam a percursos enormes, por itinerários absurdos e contra natura, onde, à falta de mapas e sinais capazes, só os conhecedores locais, se conseguem mover. Trata-se de ruas residenciais, muitas delas, autênticos parques de estacionamento, onde, de vez enquanto, se move um carro. Os autores destes atentados serão, certamente, os mesmos que de "complicadores ligados" ignoram, por exemplo, também aqui na zona (dita privilegiada), os sucessivos «abaixo-assinados», pedindo semáforos para o cruzamento da Rua do Molhe/Rua Marechal Saldanha, onde os acidentes são diários. Será preciso esperar mesmo os citados 3 anos e meio?

PS: continuando a ler A BAIXA, vi que o Rui Moreira, muito justamente não estava sozinho. Já antes dele, Pedro Aroso, com "Nem sereno, nem estúpido" e Alexandre Burmester, com "Sereno ou estúpido" tinham abordado o "aborto". Para eles também a minha solidariedade.

2006/03/10

De: David Afonso - "Higiene e Turismo" 

[publicado no Dolo Eventual]

Rui Moreira num artigo no jornal Público (no fim-de-semana passado, creio) colocou a questão nos seus devidos termos: nada nos falta, a não ser estratégia. Isto foi dito a propósito do potencial turístico da cidade do Porto, mas também o podia ser a propósito de tudo o resto.

Na minha opinião, é nisto que nos devemos concentrar, pensar na cidade numa perspectiva geral ao mesmo tempo que damos atenção aos pequenos grandes pormenores. São necessárias estratégias globais, tal como é necessário conhecer o terreno, é que tanto deus como o diabo, têm a tendência para se esconderem nos detalhes. A que propósito vem isto?

Não há estratégia para o turismo que resista à imundice que ameaça afogar o centro histórico. Durante a semana, a coisa ainda se vai compondo pela acção das equipas de limpeza (uma tarefa sisífica essa, a de dar uma vassoura para as mãos de um homem, apontar-lhe o Porto e lhe ordenar: Agora limpa!). O pior é durante o fim-de-semana quando o Património da Humanidade fica abandonado a si próprio. A chatice é o estranho hábito que os turistas têm (principalmente os irrequietos dos espanhóis) de nos visitarem durante os Sábados e os Domingos, enquanto estamos de chinelas a ver o FCP na TV. As más impressões não acontecem por acaso. Se não estão a ver lá muito bem do que estou a falar para aqui, no próximo fim-de-semana vão visitar o vosso centro histórico e vão ver o que tem afastado os infelizes dos turistas. Não é preciso ir muito longe, fiquem pelo Largo Duque da Ribeira, aquilo é qualquer coisa de dantesco: dejectos e urina de animais e de homens, sacas de lixo doméstico atiradas pelos cantos, lixo espalhado por tudo quanto é lado. Em bom português do norte: é uma badalhoquice!

É urgente criar brigadas de limpeza que zelem pelo centro histórico durante fins-de-semana e feriados. Aliás, na situação actual, não basta recolher o lixo e lavar tudo pela manhã, já que ao meio da tarde volta tudo ao estado inicial. Não é apenas uma questão de higiene, mas também uma questão de apresentação do produto turístico.
Não vale a pena culparmos apenas os residentes porque estes, na verdade, não têm muitas alternativas. O projecto da autoria de Barbosa e Guimarães, Lda, promovido pelo CRUARB em 1996, foi idealizado como um cenário turístico (granítico, claro) e não como uma área residencial. Não vale a pena procurarem por pontos de recepção de lixos domésticos. O máximo que encontrarão é uma solitária papeleira que esforçadamente desempenha um papel muito mais ambicioso do que aquele para o qual foi pensada. Devia até ser condecorada...

David Afonso

De: Rui Moreira - "O diabo feito semáforo" 

O Alexandre Burmester e o Pedro Aroso já protestaram, mas como tenho um semáforo desses à porta, já não aguento com as buzinadelas. Já não chegam as mãezinhas que estacionam onde querem para ir buscar as crianças ao colégio nos seus bólides, agora tenho o semáforo mesmo à porta.

Do grande-prémio mítico e do novo riquismo dessas obras sobraram também estes semáforos, os passeios já cheios de pedras soltas e mais estreitos, algumas árvores mortas. Percebia-se se fossem controladores de velocidade, entendia-se que fossem accionados pelos peões nas passadeiras. Nada disso, são mais uma obra Rantamplanica, mais uma estupidez.

Mais do que isso, imbecilidade da placa de proibição de inversão de marcha na confluência da Rua de Nevogilde com a Avenida (junto à nova estação de serviço) que obriga quem pretende fazer essa manobra de forma legal a inverter a marcha no cruzamento seguinte, o mais parvo e perigoso dos arredores por a rua do Dr. Cupertino Miranda estar desalinhada quer com a Rua António Aroso quer com a Avenida do Parque. Pela minha parte, declaro solenemente que desobedeço. Os cidadãos têm o direito de resistir à estupidez, à incompetência. A desobediência pode ser um acto cívico, principalmente quando ainda faltam 3 anos e meio.

Rui Moreira

De: Tiago Branco - "Cinema Batalha" 

Como nem tudo é mau, não nos devemos esquecer que hoje temos o reinício de actividade do cinema Batalha, antigo High Life, que vem contribuir com mais uma migalha para vida cultural da Baixa. Certamente que é necessária uma boa publicidade da sua programação e motivar as pessoas a aderirem aos eventos, mas estou em crer que a Música no Coração, saberá fazer esse trabalho no que diz respeito à programação do Grande Auditório. Esperemos que o projecto não morra à nascença, que tenha os devidos apoios da sociedade civil portuense e fundamentalmente que sobreviva ao efeito "novidade". Para bem da cidade.

Tiago Branco

De: Pedro Aroso - "«Um dia vou construir um castelo...»" 

«Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não esqueço que a minha vida é a maior empresa do mundo. E que posso evitar que ela vá à falência. Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise. Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história. É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma. É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida. Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um "não". É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta. Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo...»

Fernando Pessoa

Desculpem este post. Talvez o tenham achado inoportuno mas, para mim, Fernando Pessoa é um inesgotável balão de oxigénio que, sempre que posso, gosto de partilhar com os amigos.

Pedro Aroso
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Nota de TAF: Fim de semana! :-)
PS: Já agora, na Biblioteca Nacional...

De: Cristina Santos - "Ironia ou realidade - Metro do Porto" 

Afinal está tudo bem com o Metro, com a gestão do Metro e só não será feito o que não estava aprovado… - Obras do Metro podem avançar sem constrangimentos

"Todas as obras do Metro que têm estado pendentes poderão avançar de imediato sem qualquer constrangimento por parte do Governo (…)"

(finalmente o Metro na Boavista?!)

"O Conselho de Administração da Metro do Porto, bem como a sua Comissão Executiva, têm assim carta branca para terminar todas as obras em curso, que foram alvo de constrangimentos financeiros e do despacho conjunto de Outubro do ano passado, assinado pelos ministros das Obras Públicas e das Finanças, que colocou a Empresa em gestão corrente."

(as cartas de despedimento são de que cor?! Brancas só Brancas essas não são as que se entregam a quem queremos que se demita??)

"As obras em causa dizem respeito às intervenções na zona da Estação de S. Bento, Avenida da Ponte até à Ponte D. Luiz, a sinalização, através da instalação de semáforos, na Linha do Aeroporto e os trabalhos de inserção urbana em Vila do Conde, entre outros."

( afinal é isso só isso? nesse caso ninguém deve ser despedido, as obras junto à Estação de São Bento naturalmente são dispendiosas, sempre pensei que estaríamos a falar de outras obras...)

"já produzido um despacho da Secretária de Estado dos Transportes, clarificando que o despacho conjunto não coloca a Administração da Metro do Porto em gestão corrente.
Neste sentido, o Governo afirmou peremptoriamente que essas obras podem ser realizadas sem a necessidade de qualquer pedido para esse efeito.
(....)
De notar que o referido despacho interministerial apenas impede o lançamento de novas linhas e projectos do Metro que não estejam devidamente aprovados pelo Executivo, o que já antes acontecia…"

(mau era que agora permitissem à Metro do Porto espalhar linhas sem aprovação prévia, não tardava tinhamos um metro teleférico... tanta confusão por umas niquices, não há paciência para este governo)

De: Pedro Aroso - "Nem sereno, nem estúpido" 

Xano:

Eu também tenho lá passado todos os dias, por isso, ao ler o teu post, acho que foste demasiado soft. Aquilo é a maior imbecilidade que já vi até hoje! Entre a Pr. Gonçalves Zarco (mais conhecida por rotunda do Castelo do Queijo) e a Fundação Cupertino de Miranda, instalaram uma dúzia de semáforos, absolutamente desnecessários, programados ao contrário da "onda verde", ou seja, os automobilistas são obrigados a parar em todos.

O artista (ir)responsável por aquela palhaçada, devia ser condenado a trabalhos forçados para o resto da vida.

Pedro Aroso

De: Alexandre Burmester - "Sereno ou estúpido" 

O Povo é demasiado “sereno” e por isso torna-se estúpido.

Após a excelente intervenção que foi objecto a Av. Da Boavista, com a aparente introdução do Metro mas que se saldou pela construção de uma pista de automóveis pagas pelo próprio, e traduziu-se para a cidade na herança de um campo de aviação sem qualquer utilidade, veio agora, passado 1 ano e finalmente, a Câmara Municipal, fazer nova intervenção.

A propósito de um estudo de trânsito, rigoroso e bem documentado, introduziu uma resma de sinais luminosos na Av. Da Boavista entre o Castelo do Queijo e o cruzamento da Fonte da Moura. Os sinais referidos, que chegam a distâncias de 5 metros entre si, combinam uma lógica de engenharia de tráfego, com uma instalação artística. Aparentemente julgo que o departamento responsável por esta solução terá ficado com inveja da Instalação do Cabrita Reis, umas centenas de metros acima.

Uma vez que tanta sinalização apenas serve para o desespero, aumento de stress, gasto de gasolina e de tempo, de quem lá circula, e não tem qualquer outra aplicação prática. A pergunta pertinente que deveria ser feita ao responsável (se existir algum), é de saber se porventura existirá algum prémio por número de sinais luminosos colocados.
Para nós cidadãos existe este prémio que se traduz na paciência e no custo dos equipamentos.

Apenas estou a cumprir os mais elementares deveres de um simples cidadão.

Alexandre Burmester

De: Miguel Barbot - "Fados e Guitarradas" 

Meus caros,

Sigo diariamente e desde o primeiro dia este Blog e só não participo tanto quanto gostaria pelo facto de a escrita ser um passatempo para o qual tenho pouca paciência, sendo sempre com enfado que escrevo alguma coisa que não esteja relacionada com o meu trabalho.

Quem me conhece pessoalmente sabe que o pessimismo não é o meu estilo, chegando mesmo a roçar a ingenuidade no que toca a acreditar que algo de bom nos espera. Indo ao que interessa, esta Cidade vai mal, sendo triste o grande potencial de qualidade de vida que possui não ser devidamente aproveitado pelos seus habitantes e governantes:
Mas...

Se alguém acha que isto se resolve sem enfado, desengane-se. Quem acha que é com a boa vontade e a iniciativa de meia dúzia de iluminados, desengane-se outra vez.

De: Cristina Santos - "Jornal da Tarde - RTP" 

Metade dos portugueses estão hoje a pensar que a taxa de acidentes de trabalho na CMP por motivos de excesso de álcool é altíssima, de tal forma preocupante que o executivo portuense insistiu na proposta e conseguiu colocar os funcionários municipais a soprar ao balão, para prevenir acidentes de trabalho.
Todas as semanas serão sorteados 4 entre os 4000 funcionários e quem acusar uma taxa superior à permitida para se conduzir um veículo será penalizado.
Faltou só apresentar os relatórios de segurança, diagnósticos e estatísticas de acidentes por excesso de álcool no sangue.

Basta uma visita ao Jornal da Tarde da RTP para conferir o ridículo desta situação, com este extremismo não há macro-estrutura que aguente.

Pior ainda é que no mesmo jornal se apresenta um Bairro São João de Deus e os testemunhos de vários Toxicodepentes que denunciam de rosto tapado as agressões de que são vitimas às mãos dos jovens dos bairros.

Na maior da desfaçatez a Assistente Social relata que é normal isto acontecer, dado que os traficantes não apreciam ajuntamentos denunciantes - a técnica de acção social confirma-nos que é rotineiro correr os desgraçados dos drogados com caçadeiras e ainda sorri.

A referida técnica que deveria estar ali a apoiar também os doentes vai mais longe e produz um argumento social tão digno quanto este:
- o mal das agressões físicas directas é que os jovens agressores se sujeitam a ser contagiados pelas inúmeras doenças de que padecem os toxicodepentes.

Para quem não acredita que o Porto tenha sido exposto ao ridículo de forma tão estonteante pode assistir no Jornal da Tarde – RTP.

Ambas as notícias reflectem aquilo que será um futuro pouco positivo para as regras da democracia e socialimo - é um atentado ao bem comum.
É insuportavel que tenha sido difundido para todo o país.

--
Cristina Santos

2006/03/09

De: Pedro Lessa - "Fado não, realidade" 

Começo por concordar com a boa notícia do M.Barbot de que já só faltam 3,5 anos.
Não tenho intervindo como gostava porque, tal como o Pedro, felizmente tenho tido algum trabalho (será a tão propalada saída da crise, Pedro?) e o tempo não estica.
Decidi há pouco fazer uma pausa e cá estou no Baixa, a pôr a leitura em dia e a recuperar o atraso (e que atraso!!).

Estou de acordo com o Rui Valente no seu post "Descomplexar". Para mim, isto não é fado. É a realidade. Chegou-se a um ponto tal que, só expondo a triste realidade da nossa cidade, é que parece que as pessoas ficam chocadas. Fala-se fala-se que a cidade está mal, mas parece não percebem que está é muitíssimo mal. Portanto só expondo os podres é que se mexe com as consciências. Como dizia o outro, são as "imagens reais". Mas mais grave de tudo isto, é que a maioria ainda não percebeu que a cidade está parada. Esteve parada 4 anos e vai estar mais 4. A gravidade da situação está aqui.

Senão vejamos, foi aqui dito, "resolver as questões da Baixa do Porto, que são muitas e importantes, não é desfilar um ror de misérias como se mais nada existisse". Pois não é, mas então pergunto, o que é que se está a fazer? Da parte de quem anda por aí a dizer que a Baixa está a mudar e que é uma das prioridades de actuação? Nada e nada e mais nada. Mas a opinião pública fica com a ideia de que a Baixa está mesmo a mexer. E aqui entra a ideia novamente do fado. Só expondo a triste e dura realidade, chocando as pessoas, é que se percebe que realmente não se está a fazer NADA.

Passemos a um exemplo prático.
Desde o aparecimento das SRUs que tenho sido crítico em relação a estas. A ideia geral que as pessoas têm das SRUs é que a câmara com este organismo vai recuperar a Baixa e que vai ficar tudo a funcionar. Nada mais errado.

Para satisfazer uma solicitação de um cliente, lá fui à SRU pedir informações acerca de o que fazer para intervir em dois lotes cá da Baixa. O serviço pareceu-me exemplar, as instalações agradáveis e funcionais e até tive que tirar ficha (!!), apesar de ser o único que lá estava para 4 ou 5 postos de atendimento. Após todas as explicações, saí de lá com uma, e só uma (triste), conclusão. A de que a intervenção é feita apenas e exclusivamente pelos privados. A câmara nada. A actuação da câmara, através da SRU, pauta-se apenas por facilidades. Se os privados não fazem as obras, nada sai do papel. Pergunto: é assim que se faz a reabilitação da Baixa? É isto que se anda a vender aos portuenses? A câmara diz, vamos reabilitar a Baixa, mas façam-na vocês. Era preciso criar SRUs, com todo o investimento inerente, gastos com equipamento, funcionários para atender meia dúzia de pessoas, etc etc, para actuar? Não poderia ser feito na própria câmara? É tudo só para o show-off. Mais perplexo fiquei com o brio do zeloso funcionário quando me comunica que os prazos de apreciação dos projectos, apesar de na câmara ser de 2 ou 3 anos, ali serem de um par de meses. Que até já havia um caso em que tinha sido apreciado em 15 dias (!!). Porque é que na câmara não se trabalha com esta (saudável) eficiência? O que se faz nos serviços dos Paços do Concelho para os prazos serem de anos? Só se andarem ocupados no Atendimento. Têm um moderníssimo Gabinete do Munícipe para estarem ocupados.

Enfim, termino como comecei, citando o M.Barbot, já só faltam 3,5 anos.

Cumprimentos,
Pedro Lessa.
[email protected]

De: F. Rocha Antunes - "Legibilidade" 

Meus Caros,

Porque não me interessa transformar o blogue num espaço em que alguém consegue convencer os outros das suas teses pessoais e porque a legibilidade do blogue está seriamente deteriorada por este efeito, abstenho-me de comentar mais os assuntos que até aqui referi. Só por isso.

Gosto de opiniões discordantes, mas detesto conversas enfadonhas, e eu sinto-me enfadonho a escrever sobre isto, portanto nem imagino o que sente quem lê.

Passo. Mas não desisto.

Francisco Rocha Antunes
Promotor imobiliário

De: Rui Valente - "Descomplexar..." 

"... os pseudo-complexos, precisa-se!"

Vão-me desculpar a teimosia, mas se puder dar o meu contributo, ainda que modesto, para terminar de vez com esta história importada e um tanto masoquista dos "complexos" dos portuenses em relação a Lisboa, rebaterei esta tese até que a voz me doa (e também não aprecio o fado).

Repito e reafirmo: o centralismo lisboeta foi, e continua a ser o responsável primeiro pelo nosso atraso, e isto a mim, não me passa ao lado, nem pretendo nunca que passe!

Não me cansarei de o dizer, mesmo que as minhas palavras possam estranhamente incomodar alguns dos meus conterrâneos, sobretudo aqueles que nelas descobrem sintomas do foro psíquico (os ditos complexos).

Mais: tenho pena de não ter meios de cidadania democráticos suficientemente fortes para poder punir todos os responsáveis por esta verdadeira aberração política e social a que nos levaram, porque podem estar certos que o faria!

Vamos lá a ver: por que carga de água será que quando fazemos críticas (para o melhor e para o pior) a tudo o que achamos passível de crítica, consideramos uma atitude normal - a tradução enfim, do nosso olhar sobre as coisas - e já temos de arranjar "complexos" sempre que falamos da concentração pacóvia do poder em Lisboa? Não serão as pessoas que assim reajem as complexadas? Ou estarão antes lisboetizadas?

Será isso, razão suficiente para ficarmos todos possuídos por complexos? Mas que história é essa? A quem queremos enganar? A nós próprios? Por que diabo se insiste em inverter a realidade das coisas? Será porventura em maior quantidade a bonança do que a decadência? Andaremos todos a ver fantasmas? O que temos a ganhar quando ignoramos um cancro, quando sabemos que ele existe e está localizado, em vez de nos determinarmos a extirpá-lo?

Constatar a realidade, não significa que devamos renunciar a uma atitude mais construtiva perante as dificuldades, que não caminhemos para a frente, que não tentemos contornar alguns problemas ou que desistamos dos nossos planos e ambições mas, por favor, não assobiemos para o ar quando nos são reveladas as nossas debilidades, que infelizmente, são muitas!

Espanta-me igualmente, como certas pessoas ainda não conseguiram perceber que a livre iniciativa não é uma característica indissociável ao ser humano. Uns têm-na, outros não, outros têm-na mas não a conseguem traduzir em sucesso, outros simplesmente não a podem ter, porque não têm dinheiro! As pessoas não nascem todas com dotes genéticos para empresários, nem tão pouco com o mesmo conceito sobre a vida. A não ser que alguém pretenda fazer deste espaço de comunicação, uma espécie de clube reservado a cidadãos com o mesmo perfil psicológico e social, o que não me parece credível.

Agora, sou eu quem aconselha a não olharmos só para o nosso umbigo... Por esse princípio, se pudéssemos simplesmente escolher éramos, se calhar, todos clones de Bil Gates e teríamos um país de milionários!

A propósito, se entre nós existir alguém com dotes reconhecidos de sucesso económico que preste um bom serviço e adiante gentilmente os 50.000 euros que o TAF tanto necessita para avançar com o seu projecto. O Estado garante, mas devagar, como uma lesma.

Já agora, preferem que diga: o Estado portuense, só para não ferir susceptilidades? Ficam mais felizes assim?

Rui Valente

De: Pedro Aroso - "Chega de Lamechice!" 

Ultimamente tenho participado pouco na "Baixa", porque felizmente entregaram-me alguns projectos de Arquitectura para Matosinhos (hotel), Barcelos (lar de terceira idade) e uma "guest-house" em Gondomar, na marginal do Douro. É caso para dizer, não há fome sem fartura. No entanto, tenho acompanhado esta discussão sobre o "Fado", como lhe chamou o Francisco Rocha Antunes, e não podia estar mais de acordo com ele. Se o Porto e o Norte chegaram a este estado de degradação, a culpa não pode ser imputada a Lisboa, mas sim aos seus "empresários", na maior parte dos casos pouco mais do que analfabetos, e aos seus governantes regionais. Um bom exemplo disto foi o que aconteceu aos 25 milhões de contos que o Governo ofereceu para a Porto 2001 que, em vez de serem investidos na dinamização da cidade, foram pura e simplesmente esbanjados em obras desnecessárias.

Acho que chega de lamechice... Se querem que o Porto saia deste marasmo, dêem o exemplo e comecem a trabalhar para isso, em vez de criticarem tudo e todos.

Pedro Aroso

De: João Medina - "Salta à vista..." 

Para mostrar que as comparações Porto - Lisboa não são algo que é um "fado" das pessoas do Porto com vontade de auto-flagelação.
As consequências de um centralismo desmesurado são de tal forma evidentes que saltam à vista de qualquer um.
Veja-se a continuação das últimas reportagens do La Voz de Galicia.

Eu destaco:
"Mientras Oporto camina con las manos en los bolsillos, Lisboa corre hasta para comer."
"Oporto se mira al espejo y frunce el ceño; Lisboa se pinta de nuevo y sonríe."
"Mientras Oporto emigra, Lisboa estrena embajadas."
"Oporto llora, Lisboa mama."
"Hay algo en sus calles a veces limpias y siempre empedradas que no abunda en el resto del país de la crisis: una clase media con algunos euros en el bolsillo."
"Los zapatos gastados que calza Oporto se convierten en tacones de diseño en una capital acostumbrada a saludar a habitantes de todo el mundo."

De: Cristina Santos - "O Partido Socialista" 

Uma Cidade não se governa com um só partido, o Partido Socialista líder da oposição também deve merecer a nossa reflexão ainda mais numa fase de possível mudança.

Na minha parca opinião, (que se entenda que não represento neste blog nenhuma figura pública ou estratégica procuro sempre que possível chegar à malha que traduz aquilo que entendo como sentimento do povo), o partido socialista tem falhado enquanto oposição. Tem falhado cabalmente, nos interesses, nos movimentos e nos estudos que faz da situação da cidade. Só não o admite quem não considera o valor do voto do povo. A maioria de Rui Rio deve-se essencialmente à ineficácia do PS nos últimos anos, um PS envelhecido, dogmático, partidarista.

O PS tem que adoptar novos rumos e tornar-se um elemento útil para a cidade. Já não lhe adianta continuar a insistir na vítoria pela derrota ou desistência dos adversários, o partido terá mesmo que mudar para cativar a confiança do povo, terá que se empenhar e participar. Quanto melhor for a estrutura partidária do PS ou do PSD mais a cidade beneficia.

De momento decorrem as candidaturas internas para as concelhias e há uma que, quanto a mim, merece especial destaque pelo apelo que faz à mudança, pela reflexão cuidada que faz do PS e da sua postura nos últimos anos.

A mudança que parece mais importante no seio das propostas apresentadas pela candidatura do socialista Avelino Oliveira versa a regionalização do próprio partido, um PS Porto unido nas causas nacionais mas voltado prioritariamente para os interesse regionais, mesmo que isso cause incómodo à estrutura partidária.

Vale a pena consultar o programa, vale a pena reflectir e vale a pena incentivar os Socialistas da Cidade a reflectirem naquilo que pretendem.

Costumo dizer que em cada esquina do Porto há um socialista, e agora depende dessa massa de gente, uma cota da mudança na cidade e no desenvolvimento - na Democracia a oposição também governa.

E nessa crença considero que nós todos, povo, devíamos ser chamados a votar nas concelhias, mesmo tendo um partido próprio deviam dar-nos a oportunidade de escolher o poder e a oposição.

Mas isso são outras histórias, outra inocência, de momento importa que os Socialistas consultem aqui e aqui e escolham, escolham com responsabilidade. Das suas escolhas depende boa parte da postura do Porto, as cidades são políticas, o país é gerido pela política, é muito importante que se façam as escolhas correctas, isentas, lineares e motivadas sempre pelo interesse comum.

Cristina Santos

2006/03/08

De: F. Rocha Antunes - "Fado" 

Meus Caros,

Desculpem eu não alinhar no vosso Fado. A reportagem que o João Medina transcreve é o Porto? Agora deu-nos para mostrar as chagas? O que diriam os galegos, de quem tanto gosto, se eu dissesse que era a região capital do narcotráfico?

Eu passo pela carrinha da sopa dos pobres todos os dias, quando vou para casa. Não preciso que me digam que há pobreza no Porto. O que me importa é que possa haver também riqueza. E isso está ao alcance de todos os que lêem este blogue. Fazer com que o Porto não concorra com Lisboa para ser a nova capital do Fado. Não pretendo ocultar nenhum problema, nem deixar de considerar o sofrimento dos meus concidadãos. Agora, resolver as questões da Baixa do Porto, que são muitas e importantes, não é desfilar um ror de misérias como se mais nada existisse.

Eu acredito que a Baixa levou duas décadas a decair e que pode levantar-se em menos tempo. E eu, como muitos outros, estou a fazer mais do que dar opiniões sobre o assunto. Estamos a concentrar as nossas energias no nosso trabalho para que isso seja realidade.

O complexo em relação a Lisboa é coisa que me passa ao lado. Não gosto de Fado, mas isso não me transforma em inimigo de ninguém de Lisboa. Nem venho discutir quem é mais portuense. O que me importa é trabalhar para que a Baixa seja recuperada. E que a riqueza passe a existir, porque é a única maneira de a pobreza diminuir.

Francisco Rocha Antunes
Promotor imobiliário

De: Rui Valente - "La voz de Galicia" 

Como poderá comprovar-se, através dos meus últimos textos, há alguma sintonia entre eles e o que diz a transcrição feita por João Medina do jornal a Voz da Galicia.

Pode ser que o testemunho de nuestros hermanos tenha mais peso do que o nosso, que aqui moramos e vivemos, mas isso também é muito típico dos portugueses.

Se alguém com dúvidas quiser fazer o favor de tomar boa nota, repare no que de positivo é referido nalguns paráfrafos do artigo do jornal galego sobre o Porto:
Estes são os parcos comentários, que nos podem orgulhar e ajudar a perceber porque são desdenhados por alguns lisboetas do género daqueles a quem a Cristina Santos dá tanta importância. Os outros comentários, aqueles que infelizmente são a grande maioria, são de nos deixar o tal orgulho de rastos e não estão nada longe do que aqui tenho escrito.

Mas, convém não esquecer, que estas opiniões sairam da voz de gente que viveu num país regionalizado, desenvolvido, cujos padrões de qualidade estão muito acima do nosso.

Insisto, não é Lisboa que nos pode servir de modelo para o progresso, a não ser que queiramos copiar um figurino de outro género, como o da macrocefalia centralista e de estagnação, do tipo sul-americano, como o que Lisboa patrioticamente nos tem vindo a brindar.

Rui Valente

De: Miguel Barbot - "Empregos e desenvolvimento" 

Caro Francisco,

1. Não tenho nada contra os médicos espanhóis no Porto, que estão tão só a fazer pela vida como todos nós. Acho apenas paradoxal existirem muitos portugueses a optar por cursos de medicina no estrangeiro por falta de vagas nas nossas Universidades e os hospitais contratarem médicos lá fora.

2. Não me acredito que a pobreza que podemos encontrar em grande parte do Porto tenha origem na falta de iniciativa pessoal, mais vulgarmente conhecida por preguiça. Acho que é por falta de trabalho mesmo.

3. A fobia ao investimento não é só no sector da construção, mas em todos aqueles que possam vir a ser considerados como estruturantes. Quantos CV's chegam ao El Corte Inglés por dia?

4. Relativamente a viver na Baixa, já fiz a minha tentativa. Após 2 anos de um processo de enlouquecer qualquer um vi o meu projecto chumbado sem respeito por qualquer tipo de prazo e com argumentos de levar qualquer um às lágrimas de tanto rir. De facto os santos da casa só o são porque têm que ter uma grande paciência para aprovarem o seu projecto ou então pais ricos para comprar a casa já reconstruída e pronta a habitar. É por isso que não fazem milagres.

5. Também conheço muitos espanhóis a viver no Centro da Cidade: no Edifício Les Palaces e no Mota Galiza: são perto do Hospital.

6. Espero sinceramente, tal como o Francisco, que quando os residentes voltarem a ocupar a cidade toda a miséria desapareça. Mas isto já não é para o meu tempo.

De: João Medina - "Portugal visto da Galiza" 

- El futuro hace las maletas
- «Vivimos en un país muy caro, en el que hace mucho que nadie ahorra»
- «Es cada vez más difícil que te paguen una factura antes de tres meses»
- «Está todo fatal, pero seguro que salimos de la crisis en el 2007»
- «Mi mujer y yo vivimos en esta furgoneta con 190 euros al mes»

De: F. Rocha Antunes - "Empregos e desenvolvimento" 

Caro Miguel Barbot,

Gostei muito desta sequência do seu post:
"Él es uno de los 2.500 españoles (casi todos gallegos) que residen en Oporto. Buena parte de ellos son médicos o enfermeros. El resto ejercen y cobran como profesionales cualificados. Y, salvo excepciones, viven cómodos y bien remunerados: «Cuesta adaptarse por cómo está todo, pero los españoles en general estamos muy bien», confirma Belén, una profesora madrileña que lleva un lustro dando clase en Portugal."

Conheço alguns profissionais qualificados das mais diversas áreas que estão desempregados ou precários, empregados em Lisboa ou em Espanha e conheço muitos outros a fazerem pela vida em áreas de que não gostam (a vender rações para gado, p.e.) porque não entraram em medicina/enfermagem e optaram pela área da saúde animal.”
Os dois parágrafos são elucidativos de muita coisa:
A cidade recuperará quando os seus residentes a ocuparem. E eu, que moro na Baixa, registo um progresso lento, mas positivo, como aqui já tenho escrito, por exemplo a propósito dos cafés. Por mérito dos turistas que, mesmo correndo riscos, desaguam na Baixa, trazidos muitos deles pela Ryanair.

Curioso é o facto de muitos dos espanhóis que cá vivem morarem no centro. Será caso para dizer mais uma vez que santos da casa não fazem milagres?

Francisco Rocha Antunes
Promotor imobiliário

De: Miguel Barbot - "Galicia" 

Aparentemente a chamada de atenção do JM passou despercebida.

Para além das evidências facilmente constatáveis com uma visita rápida ao centro da cidade, é com alguma tristeza que lemos o relato de testemunhos prestados por nossos amigos galegos:

"Él es uno de los 2.500 españoles (casi todos gallegos) que residen en Oporto. Buena parte de ellos son médicos o enfermeros. El resto ejercen y cobran como profesionales cualificados. Y, salvo excepciones, viven cómodos y bien remunerados: «Cuesta adaptarse por cómo está todo, pero los españoles en general estamos muy bien», confirma Belén, una profesora madrileña que lleva un lustro dando clase en Portugal."

Conheço alguns profissionais qualificados das mais diversas áreas que estão desempregados ou precários, empregados em Lisboa ou em Espanha e conheço muitos outros a fazerem pela vida em áreas de que não gostam (a vender rações para gado, p.e.) porque não entraram em medicina/enfermagem e optaram pela área da saúde animal.

Quanto à pobreza a saltar aos olhos em todo o centro histórico é verdade e inegável. E não há SRU que venha resolver a situação: o máximo que pode fazer é expulsar economicamente esta gente para os arrebaldes face a uma hipotética e distante valorização do terreno. Os problemas ficam todos cá.

Estamos numa cidade em que o presidente se entretém a demolir blocos e a chamar a isso acção social e um PDM que se gaba em outdoors de não permitir construção (onde é que a malta vai trabalhar? numa correctora financeira?). No Porto todo e qualquer investimento é mal vindo.

A cidade é tudo menos aprazível para os turistas. Fui dar uma passeio com amigos catalães em Agosto passodo e passei um dos maiores vexames da minha vida: tive a infelicidade (ingenuidade) de subir pelo funicular até à Batalha e parecia que tinha acabado de passar uma carroça de lixo a galope debaixo de uma nortada das fortes. Santa Catarina parecia Xangai tal a desordem na sinalética e publicidade exterior. Nos Aliados havia um buraco gigante.

Na Ribeira, o Óscar (é assim que se chama o rapaz) passou o tempo agarrado à carteira e à máquina fotográfica, já que estava de calções, e a avisar a companheira para ter cuidado com a bolsa. Não vinham prevenidos e traziam demasiados valores à vista.

A Sé parecia outro Continente: rapazelhos com pitbulls a desafiar os poucos polícias que ficaram depois do Euro, olhares de esguelha e um sentimento grande de insegurança.

O resto da Cidade parecia ter sido invadida pelos adolescentes de Brooklyn, Bronx e South Central em peso, tal a quantidade de grafitis.

Bem, a boa notícia é que já só faltam 3,5 anos.

De: Rui Valente - "Obrigado a António Alves" 

Pela minha parte, quero agradecer a António Alves a forma bem humorada e pertinente como aqui nos relatou a história do famoso sapateiro do palacete da Avenida Brasil (oportunamente fotografado pelo Tiago), que, como se pode constatar, nos tirou de algum marasmo momentâneo.

A mim, não me entediou, pelo contrário, esclareceu-me sem me aborrecer. Mas, se entretanto, houver entre nós quem saiba dizer-nos qual o estilo mais indicado para participar neste espaço de cidadania, é favor apresentar o modelo.

Creio antes ter sido um bom exemplo de informar sem chatear e já agora, sem olhar para o umbigo...

Sem um pouco de sal e pimenta, a comida é tão desinteressante. Não acham?

Rui Valente

De: F. Rocha Antunes - "Umbigos" 

Meus Caros,

Um esforço importante é deixarmos de falar para o umbigo, não vos parece? Senão o tédio instala-se de vez.

Francisco Rocha Antunes

De: TAF - "A propósito dos debates" 

Os debates abertos à participação do público, como o que decorreu recentemente na Árvore, as "Tertúlias do Comercial" no Palácio da Bolsa, os "Olhares Cruzados sobre o Porto" na Católica, e outros, são especialmente úteis desde que adequadamente moderados e divulgados. Se algo precisa urgentemente de mudar no país, e no Porto em especial, são os "opinion makers" e os decisores (seja no sector público ou no privado).

Importa colocar o debate no nível a que ele deve ser realizado: as ideias, os projectos, as grandes opções de vida em sociedade. Não o fulano A ou o fulano B, não o partido X ou o movimento Y.

A chave para o desenvolvimento de Portugal está nos cidadãos com responsabilidades intermédias nas empresas, na Administração Pública, até nos partidos. A possibilidade de participação que lhes é dada nestes eventos proporciona à sociedade civil a oportunidade de respirar, de mudar de discurso, de crescer.

Veja-se o que aconteceu na Árvore com as intervenções do público. Apesar de terem começado mal, com uma pergunta virada para a pequena política (quase esquecendo o tema do debate) por parte de uma figura pública, terminaram muitíssimo bem com a opinião serena, oportuna e tecnicamente competente de uma jovem economista sem visibilidade conhecida. Repare-se também que normalmente os "consagrados" presentes na assistência (pessoas de inquestionável valor, note-se!) pouco passam disso mesmo: assistência. Nada de novo trazem à discussão.

É este serviço de catalizador da participação dos valores ainda pouco conhecidos da sociedade civil que A Baixa do Porto tenta prestar. Estas ferramentas na Internet são um excelente complemento das vias convencionais, permitindo aos cidadãos uma divulgação efectiva da sua opinião que de outro modo seria quase impossível. Os novos protagonistas (e com "novos" não me refiro necessariamente à idade) irão revelar-se, quase involuntariamente, pela sua capacidade de acrescentarem valor com recurso a todos estes meios.

Falta agora "requalificar" a intervenção dos tais "consagrados", actualmente passivos mas com um saber acumulado que poderia ser muito melhor aproveitado. É preciso que as pessoas falem umas com as outras, novos e velhos, conhecidos e desconhecidos, lançando projectos comuns. Escrevi sobre isso aqui. É urgente abrir horizontes nesta sociedade portuense fechada sobre si, dividida em pequenos grupos sociais quase estanques. É fundamental quebrar estas barreiras que nos atrofiam. O que tem acontecido no Porto cria alguma esperança, mas acredito que se pode fazer muito melhor.

De: Rui Valente - "Não vale a pena insistir..." 

Menina Cristina,

Deixe-me tratá-la assim, sem ponta de ironia, mas ciente do seu empenho de cidadã e da sua boa fé, salpicada de uma flagrante ingenuidade, o que, até lhe dá um
certo charme...

É por demais evidente que, por muitos argumentos que apresentemos para explicar o nosso apreço ou desgosto relativamente às mais valias do nosso Presidente da Câmara, dificilmente chegaremos a acordo.

Portanto, acho que devemos sobretudo continuar a lutar, cada um à sua maneira, por aquilo que nos une, que é genericamente a reabilitação da cidade do Porto.

Não aprecio Rui Rio, portanto, mesmo que eu volte a criticá-lo (o que é muito provável), não se melindre, porque é a ele que me dirijo e não a si. Peço-lhe, é que não tente persuadir-me a ressuscitar um morto, porque é assim que, em termos figurativos vejo o senhor Rui Rio.

Quanto aos lisboetas, e à importância que parece dar às suas gozadas gargalhadas, é bom sinal. É sinal, que o Metro do Porto, é de facto uma obra importante, moderna e suficientemente rápida, para as nossas necessidades. Procure sondar bem a opinião do grande povo, e certamente perceberá o quanto a elogiam. É possível que um pormenor ou outro, pudesse (e devesse) ser melhorado, mas no contexto da obra, satisfaz. E ainda mais, quando os lisboetas gozam com ela, é, como já lhe disse, muito bom sinal, é sinal que a invejam!...

A propósito, já perguntou aos seus super-civilizados amigos de Lisboa se não querem ficar com o Rui Rio? Por mim, ofereço-o , e de borla!

Aliás, é em Lisboa o seu habitat natural e não no Porto, onde nada de significativo ainda fez, a não ser zangar-se com os seus próprios conterrâneos e lamber os pés à capital da vergonha e da centralização terceiro-mundista!

Rui Valente

De: Cristina Santos - "Do primeiro mandato até Lisboa" 

Tentativa de resposta a Rui Valente

O primeiro mandato de Rui Rio tinha como bandeira uma restruturação fechada, voltada para a localidade e a reorganização funcional. (Orçamento, macro-estrutura, funcionamento dos serviços dos SMAS e Ambiente, reordenamento urbano, reabilitação da massa edificada e restruturação dos bairros sociais.)
Para um executivo que não pensava ganhar as eleições, este programa era mínimo e ciente das dificuldades.
Resolvidas questões como Euro, Casa da Música, o executivo iniciou funções, conseguindo melhoras efectivas em todas as áreas indicadas como prioridades no programa de candidatura.
As despesas diminuíram e o orçamento disponível aumentou, ao fim de 4 anos esperava-se que as verbas economizadas viessem a ser aplicadas em projectos estruturais, a par da continuação das medidas implantadas no primeiro mandato.

Contudo na segunda candidatura Rui Rio limitou-se a substituir a equipa e a prometer continuar as medidas implantadas no mandato anterior. Quem o elegeu deve ter noção disso e decidido conforme o que considerou melhor para a Cidade.
Quem não promete não deve, não me lembro de Rui Rio ter feito qualquer promessa e olhe que bem tentei.

A maioria de Rui Rio sempre foi um risco para a Cidade, o PS facilitou esta situação, o que é certo é que entre o PS e o PSD há uma escolha com diversas consequências más..

O partido socialista tende para a megalomania, mal gerida financeiramente, o partido social democrata tende para a economia fechada, para a localidade, são ambos demasiado extremistas. O que se pretendia era um acordo, um pacto de estabilidade e é isso que defendo, o partido socialista parece o menos disponível para este acordo.

Quanto aos problemas que refere: - Concordo.
Foi um erro gravíssimo tirar o pelouro do ambiente ao Engº Rui Sá, foi o único que conseguiu restruturar os serviços e implantar normas de rigor eficácia, obviamente o vice-presidente não está à altura.
Está a perder-se tempo com um novo projecto para o Bolhão quando já existia um, Rui Rio pode estar a adiar a intervenção tal como fez o PS.
As obras nos bairros têm que ser mais rápidas, tratam-se de obras de conservação não podem continuar a prolongar-se por tempos indefinidos.

O Masterplan caiu no esquecimento total!

Rui Rio terá dois anos para concluir boa parte das medidas do primeiro mandato e posteriormente abraçar novos projectos e horizontes. Já tinha dito que era de começar a reclamar deste executivo caracolesco a partir de Março.

Quanto ao edificado (razão de todo este texto), nesse ponto continuo a insistir que tendo Fernando Gomes debatido durante anos a possibilidade de criar uma aliança entre proprietários e autarquia, nunca as suas acções surtiram efeito por razões nacionais que definem as condições gerais do ordenamento urbano.
O edificado não se degradou em 4 anos, foram muitos anos com esperança de edificar novos prédios em altura.
Nessa matéria a conduta de Rui Rio parece-me a mais acertada e a razão principal da sua eleição.
Estruturas do melhor que há, mas falta de tudo o resto. Quase como ter um Porsche de dois lugares, pagar a prestação do mesmo, dormir numa barraca e não ter emprego.
Dou prioridade à condição local por mais dois anos.

Quanto aos Lisboetas, esses arrogantes, o que invariavelmente me dizem à gargalhada é que fomos enganados, que o nosso metro é igual ao eléctrico rápido de superfície lá da terra deles, que circula a mesma velocidade e com o mesmo conforto, não percebem como o nosso «Metro» custou tanto dinheiro.
Costumo dizer-lhes que do inicio do projecto à sua execução houve uma enorme inflação monetária, até a moeda mudou, mas eles raramente param de rir, se não é do Metro é do Fernando Gomes, o que me parece é que passam o tempo a rir-se de nós.

--
Cristina Santos

2006/03/07

De: António Alves - "A história de um sapateiro" 

Logo após o 25 de Abril, um homem, sapateiro de profissão, traído pela História, vê-se obrigado a abalar da África adoptiva em direcção à "metrópole". Melhor dizendo: foi praticamente corrido a tiro e veio com as mãos a abanar.

Chegado à invicta cidade, sem meios nem amigos que lhe pudessem valer, o homem vê-se na contingência de providenciar um tecto para a família. Passeando pela ditosa avenida marginal desta nossa cidade e pensando na vida, eis senão quando ele repara num sui generis palacete de neo-manuelina traça totalmente abandonado. Eureka! - Diz o retornado para consigo - Olha aqui está um bom lugar para instalar a famelga; e mais ainda: tem uma bela garagem onde posso montar a oficina de remenda solas; e está rodeada por uma vizinhança aburguesada capaz de me garantir meios para sustentar a descendência com dignidade e que precisará com certeza dum artista competente para lhe consertar os sapatos. Meu dito meu feito: como era moda na época, ocupou a casa devoluta. Afinal não fez mais do que muitos que até precisavam bem menos do que ele. Melhor ainda: não ficou de mão estendida aos subsídios do IARN, montou banca, angariou clientela e lá foi vivendo dentro das possibilidades. Aliás, desenvencilhou-se bastante bem: o homem era dono duma personalidade peculiar, e a sua simpatia e competência profissional sempre lhe garantiram boa clientela. Além de filósofo (há um elevado número destes pensadores entre os profissionais da sovela), era aquilo a que hoje se chama um Empreendedor (com E grande).

Por lá permaneceu uns 20 anitos, criou as filhas e, vai para uns 10 anitos, foi viver para outras bandas. Não faço ideia em que circunstância saiu da mansão.

Moral da história: o sapateiro foi o melhor que aconteceu ao palacete. Estava abandonado antes dele e assim se mantém depois dele. Enquanto o remendão lá viveu aquela casa abrigou vida e pelo menos não se degradou mais do que já estava. O mesmo já não se pode dizer dos últimos anos. O proprietário provavelmente julga que tem ali um espaço mais valioso que um prédio na 5ª avenida de Nova Iorque ou na parisiense Foch. Está à espera que lhe saia o euromilhões.

António Alves

De: Rui Valente - "Cristina Santos & Rui Rio" 

Cara Cristina Santos,

Já deu para perceber que há em si uma indisfarçável empatia por Rui Rio, ou pela sua "obra", pelo seu partido, ou se calhar, por coisa nenhuma. É um direito que lhe assiste, como a mim me assiste o direito de o avaliar apenas e só, pelo resultado que o seu trabalho deixa ver. Já vai no segundo mandato, é bom que não se esqueça disso...

No meu caso, como creio que para muitos portuenses, não me interessa muito saber se o senhor, lá no fundo, bem lá no fundo, até possa nem ser mau tipo (o que sinceramente duvido), ou se de vez em quando diz ou faz umas coisas acertadas, interessa-me sobretudo a sua obra global pela cidade, que também é minha. Mas, pela sua óptica, de tudo aquilo que se vê de negativo no Porto, nada será da responsabilidade de Rui Rio, tudo deverá ser da culpa dos que lhe antecederam... Pouco original essa postura, não acha?

Por outras palavras, o Metro do Porto, o Parque da Cidade, a Casa da Música, a renovação da marginal do Douro, o Estádio do Dragão e a criação da nova zona urbana envolvente, devem a sua existência e conclusão indiscutivelmente à voz tronante e mobilizadora do Dr. Rui Rio. Será isso?

Sei que lhe estou a falar de futilidades, de obras de fachada, como certos invejosos gostam de adjectivar, mas o que é certo é que algumas foram de facto realizadas, outras, pela sua dimensão, estão ainda em execução como é o caso do Metro e da área urbana envolvente ao Estádio do Dragão que estava votada ao abandono há muitos anos.

Portanto, ficamos a saber, sempre que um qualquer visitante da nossa cidade torcer o nariz ao aspecto ruinoso e sujo da Rua de Sta.Catarina e de tantas outras ruas, que a culpa é de todos os autarcas que precederam o revolucionário Rui Rio e que este, apesar do estado acentuado de degradação da cidade está a fazer um excelente trabalho! Muito bem, assim, com esse detalhe, os turistas passam a olhar para a cidade de outra maneira e subitamente a descobrir-lhe encantos escondidos e a vê-la bela, restaurada e limpa!

Aos poucos, começo a dar-me conta que a cidade do Porto se chama afinal Rui Rio e que devemos começar a rever-nos mais nas virtudes secretas do autarca do que no declínio que a própria cidade denuncia a cada dia que passa.

Já aqui tive oportunidade de fazer uma crítica forte a algumas atitudes tomadas por Fernando Gomes e noutros locais a Nuno Cardoso, mas pelo menos esses, com as suas lacunas e alguma permissividade (que não pretendo branquear), sentiam a cidade, as suas gentes e não tinham medo de berrar contra Lisboa, quando tal era necessário. Aquilo que afinal F. Gomes fez de mais infeliz, foi justamente o mesmo que Rui Rio desde sempre almeja, não resistiu à ambição por mais altos poderes, e acabou por "queimar-se"! Os amigos lisboetas trataram-lhe da saúde, com ciladas e tudo à mistura, e ele, pouco arguto, deixou-se apanhar como uma criança.

Pessoalmente não pretendo ser lisboeta, nem tenho que agradar aos lisboetas, que não são exemplo para nenhum cidadão do país, quero ser como são as pessoas genuínas da minha terra, que até sentem algum orgulho em trocar os vês pelos bês! Sempre que um lisboeta nos chamar provincianos, minha amiga, pode estar certa, é porque estamos em vias de fazer algo importante!

Minha cara, para quem tanto prometeu, para quem tanto garantiu marcar a diferença, o nosso autarca ficaria certamente melhor enquadrado a gerir uma simples mercearia, de preferência sem berros, em silêncio, como numa igreja!...

Rui Valente

De: TAF - "Espaço de publicidade" 

     

"Paisagens de interior" - Esculturas de Ana Carvalho (para venda)

De: David Afonso - "A Sinédoque Cavaquista" 

[publicado no Dolo Eventual]

Cavaco Silva ao ABC: «a centralização prova que Portugal é um país com forte unidade, que não tem problemas linguísticos, étnicos ou religiosos». O que pensarão disto os portugueses do Norte (e não só) que deram a vitória ao Professor? Por que razão não disse nada disto durante o período eleitoral? O slogan de Cavaco, afinal, não é Portugal Maior, mas Lisboa Maior. Esta mania de tomar o todo pela parte (totum pro parte) não é apenas uma figura de estilo, mas uma verdadeira traição a quem lhe deu a maioria absoluta. Estou curioso para ver se a "agência noticiosa" instalada no site da Câmara Municipal do Porto vai ou não fazer eco destas palavras do futuro PR. Por uma questão de coerência deviam publicar a história toda.

De: Cristina Santos - "Ainda a opinião de Rui Valente" 

Correndo o risco de me repetir pela enésima vez, gostava de informar o Sr. Rui Valente que, até ver, o único não responsável pelo estado do edificado com rendas condicionadas é o actual presidente da CMP.

De referir o excelente aproveitamento que tem feito do programa RECRIA, as verbas que a CMP tem disponibilizado para o auxílio aos proprietários descapitalizados, a acção do departamento de Salubridade, as medidas de Dr. Paulo Morais no que concerne aos autos de vistoria, o aumento das coimas aos proprietários, proposta para legislação e criação das Sociedades de Reabilitação Urbana…

A CMP dispõe de uma equipa formada e experiente para prestar informação aos proprietários e inquilinos, no que diz respeito à obtenção desses apoios a reabilitação de edifícios com rendas anteriores a 1986, auxiliando os munícipes em todas as fases de instrução dos processos de candidatura. (Rua do Bolhão nº 164 -1º andar)

Convêm ainda frisar que a CMP organizou e implantou este objectivo de reabilitação de forma tão eficaz que praticamente não existe mora no pagamento das comparticipações atribuídas ao proprietário, obvio que isto não é vantagem nenhuma, uma vez que Lisboa nos leva 10 anos de avanço nessa matéria e continua a reabilitar ao abrigo destes programas mais do dobro dos edifícios e fogos urbanos, com igual eficácia.

Mas isso não é culpa do actual executivo, mas sim do uso que foi feito do programa pelo executivo anterior - um uso que pode ser classificado de descredibilizante.

Os proprietários portuenses em 2002/2003 acreditavam tanto no programa RECRIA que nem sequer se habilitavam a candidaturas, com receio de outros encargos, o executivo actual desenvolveu uma campanha feroz de sensibilização e informação.

Começou por ir buscar à gaveta Autos de Vistoria que datavam de 1995/1996, notificou os proprietários, verificou a insalubridade em que as pessoas continuavam a viver mesmo depois de um auto que diagnosticava ameaça de ruína há 7 anos atrás.

Nas cartas de notificação de coimas, o anterior executivo de Rui Rio enviou aos proprietários em falta informação relativa aos programas de apoio à reabilitação e disponibilizou-se para apoiar todos aqueles que pretendessem realizar as obras. Foi necessário um ano para que as pessoas acreditassem na informação remetida, depois disso as valências do programa têm aumentado a reboque da experiência dos técnicos na área de reabilitação.

Os Autos de Vistoria são cada vez mais precisos e efectivos, não há desculpa para os proprietários não reabilitarem ou não aumentarem rendas, e foi essa mensagem que o executivo difundiu, com êxito.

Por vezes os portuenses admiram-se da estima que Rui Rio merece, mas para quem vivia entre a chuva e um soalho em ruína, Rui Rio foi o único que procedeu a um auto de vistoria e obrigou o proprietário a intervir, todos os outros desejavam apenas que as casas ruíssem para poder edificar barcos de proa, mesmo que isso causasse a lotação dos nossos bairros sociais.

E para quem tem memória curta diga-se que o caso de Alferes Malheiro se repetiu e ainda se repete por toda a cidade, sem mortes, mas com danos muito graves para os portuenses.

Um dia, mesmo que em prejuízo da imagem da cidade, inundo o Blog com rostos de famílias e imagens dos interiores de casas senhoriais, para que possam ver como muitos vivem por detrás dessas fachadas que vemos nas nossas ruas Históricas, faço o inverso do David Afonso - um roteiro pela insalubridade, pela demagogia dos tempos em que se pretendia ver os prédios ruir, dos tempos em que o que mais se pretendia era que o histórico debandasse para se reconstruir plágios, dos tempos que feriram a alma de quem amava o centro do Porto, da vida que por cá se leva.

Por acaso também tenho fotos de rostos de sapateiros, completamente degradados, das suas casas senhoriais onde chove e o banho é tomado num alguidar, das suas famílias. Espero que em breve, pelo menos para esse sapateiro que conheço, a nossa Porto Vivo traga alguma esperança numa nova vida. Está para breve a reabilitação de Carlos Alberto...

Cristina Santos

De: João Medina - "O Porto visto de fora: La Voz de Galicia" 

O facto bom é sermos notícia.
As razões para tal é que são as piores:

"UN VECINO EN CRISIS | Una ciudad contra sí misma
Oporto encalla en la contradicción

La capital del norte luso lucha para modernizarse dentro de una crisis que socava sus grandes proyectos y castiga a su población con los peores salarios de todo el país.

El metro, … se ha convertido en el símbolo de una ciudad que quiere y no puede, frenada por unos desequilibrios sociales.

En la Baixa,las imágenes de miseria están a la vuelta de la esquina: más del 20% de la población de la ciudad vive en condiciones cercanas a la marginalidad.

en el se puede ver el metro más moderno del sur de Europa cruzando un arrabal de desheredados

las cifras de crecimiento estén en los últimos años seis veces por debajo de la media nacional

la ciudad con el aeropuerto más moderno de la Eurorregión, capaz de mover más pasajeros que las tres terminales gallegas juntas, sale adelante con el salario medio anual más bajo de Portugal: 7.002 euros, 1.400 menos que la media nacional y 4.300 por debajo de Lisboa.

viven en casas de propiedad municipal que se visten de ventanas rotas y fachadas leprosas, por lo que su prioridad es comer hoy y guardar algo para mañana, aunque sea a costa de mil peldaños de ascensión, dolor de espalda y zapatos gastados

O encontrar a esos mismos habitantes sin recursos subiendo una escalera de mil peldaños junto al Duero, porque no les llega para pagar los 1,35 euros que clavan por coger un moderno teleférico sin clientes. Lo demuestra el hecho de que en el teleférico hubiera ayer cuatro empleados para atender a tres clientes (dos de ellos periodistas)."

É assim que somos vistos...

De: Rui Valente - "Ainda a Av. Brasil..." 

Para o TAF:

Apesar de ter escrito "casas" e não "casa", apercebi-me logo que se tratava da mesma casa e tive o cuidado de observar bem a última foto (a das traseiras) para retirar algumas dúvidas iniciais.

Procuro redigir com o menor número possível de "gafes" os meus comentários, mas nem sempre é possível.

Para F. Rocha Antunes:

É bem possível que o inquilino da referida casa tenha sabido usar os recursos, ou se quiser, as manhas da lei, para nela permanecer, mas é também provável que o senhorio o tenha querido despejar sem o indemnizar convenientemente. Será porventura tradição dos senhorios portugueses procederem, com regularidade, às obras de conservação e manutenção a que são obrigados por lei nos seus prédios? Terá o senhorio falido por culpa do inquilino, ou esteve todos estes anos à espera que o desgraçado do sapateiro lhe arranjasse o dinheiro?

Rui Rio poderá não ter culpa neste caso, como poderão não ter tido outros autarcas antes dele, noutros casos. Há sempre um outro culpado antecedente para justificar a inércia e arrogância dos actuais. Passa-se o mesmo na política nacional. Lá diz o velho ditado, quem vier atrás, que feche a porta e a culpa acaba sempre por morrer solteira, é típico.

Rui Valente

De: TAF - "Umas brevíssimas notas..." 

"... sobre o debate com Miguel Cadilhe na Árvore"

Conforme já aqui tive ocasião de expor, o problema principal da proposta de Cadilhe é confiar na capacidade do Estado para aplicar a si próprio um tratamento radical, dirigido centralmente por uma equipa de “comandos”. O risco de falhar é demasiado elevado. Não nos esqueçamos de que estamos a falar do mesmo Estado que tomou as “grandes medidas” de construir os estádios do Euro 2004, a OTA e o TGV. Basta.

É que não faltam recursos! Se o Estado usar bem o que agora desperdiça, chega e sobra para as reformas todas. Então que se reforme com o seu orçamento actual. Será mais lento? Talvez. Mas é muitíssimo mais seguro.

Mais ainda: mesmo que por hipótese o tratamento de choque tivesse sucesso, como seria depois a gestão corrente? Os quadros intermédios têm que ser formados para gerir bem. Essa formação não deve ser teórica, mas sim de “mãos na massa”: reorganizar os seus próprios serviços. A verdadeira “grande reforma” é optimizar o aproveitamento de recursos nos níveis intermédios da Administração Pública. Como é que isso se faz? Eis as minhas sugestões.
  1. Uma política “open source”. A simples exposição pública de tudo o que agora não sai dos gabinetes seria garantia de que as coisas iam melhorar quase por artes mágicas…

  2. Imagine-se um quadro médio da Administração Pública. Propõem-lhe o seguinte: abdique do seu vínculo à função pública e aceite um contrato com o Estado para gestão do serviço que agora dirige; x% das poupanças que conseguir vão directamente para si, como prémio de desempenho. Seria ou não tentador? Seria ou não eficaz?
Tudo isto exigia naturalmente uma explicação e justificação mais detalhada, mas o meu tempo voa…

2006/03/06

De: F. Rocha Antunes - "Avenida Brasil" 

Caro Tiago,

Não sei como está a situação hoje, mas durante anos essa casa, precisamente, tinha um inquilino, presumo que sapateiro, que sabia muito bem utilizar os direitos que a lei lhe confere e impedir qualquer tentativa do proprietário de resolver a situação. Se calhar o proprietário entretanto também faliu em resultado disso. Nem tudo o que acontece de mal no Porto é culpa de Rui Rio. Há leis que fizeram muito para que isto acontecesse. Parece que finalmente a situação vai mudar. A da lei.

Francisco Rocha Antunes
Promotor Imobiliário
--
Nota de TAF: Caro Francisco, o sapateiro (ou similar) pelo menos já não está em actividade nesse local. De qualquer modo eu não me queixei (neste caso...) de Rui Rio. ;-)

De: Rui Valente - "Avenida Brasil" 

Caro Tiago,

Permita-me sugerir um singelo texto para enquadrar as suas "expressivas" fotos dos prédios da Av. Brasil. Por que não: "Quem me acode senão morro!" ou "Onde estará o meu dono que não me liga patavina?"
Sr.Rui Rio, gosta do que vê?

Rui Valente
--
Nota de TAF: Caro Rui, embora não faltem outros exemplos na Foz, estas fotos são de uma única casa - a terceira é uma vista das traseiras, recolhida na Rua de Gondarém.

De: Rui Valente - "TV Norte, custa tanto a arrancar!..." 

Parto difícil este, o da Televisão regional...

Pode não passar de uma ideia persistente, de uma teimosia, até de um disparate, mas pessoalmente, estou plenamente convicto que, se por esta altura já tivéssemos implantada na cidade do Porto uma estação de TV, com administração local e devidamente estruturada, há muito que teríamos arrepiado caminho no sentido da autonomia e do desenvolvimento de que tanto carecemos.

Não me é simpático passar a ideia de um discurso passadista demasiado repetitivo cheio de "ses" e de "por quês", mas continua a parecer-me que muitos dos nossos conterrâneos tripeiros e nortenhos com peso económico e político, ainda não perceberam (ou não querem perceber) a força dinâmica que uma Estação de Televisão local poderia acrescentar à nossa cidade e região. Daí, surpreender-me o aparente alheamento dessa gente, pojada de recursos humanos e de capital, face à progressiva decadência da região, continuando a privilegiar a região de Lisboa para investir, sem experimentar essa área de negócio na segunda cidade do país!

Só para se ter uma pequena noção da influência da TV na opinião pública, bastará pensar se alguém (à excepção daquelas pessoas que por razões profissionais ou de proximidade com eles lidavam), sabia quem eram Rui Moreira, Rio Fernandes, Azeredo Lopes, José Manuel Mendes ou até mesmo Paulo Rangel, antes da NTV? Não terá sido, principalmente através desta estação e da RTPN actual (apesar do plágio do nome e do âmbito), que eles mais se projectaram publicamente, divulgando as suas ideias e opiniões? Toda esta gente que nos é (pelo menos em teoria) próxima, estava de certa forma no anonimato relativamente ao cidadão comum. Não terá sido um pouco assim?

Para lá dos recursos exigíveis, começando pelo dinheiro e acabando no capital humano, o que haverá de facto em Lisboa de transcendental que não existe no Porto, à exclusão do poder? Mas, o que é afinal isso, do nosso déficite de massa crítica? Não existe? Existe e andará escondida, ou porventura envergonhada?

Quando é por demais conhecida a existência na nossa região de grandes empresários, excelentes artistas, escritores, músicos, bons arquitectos, cientistas, investigadores, médicos, desportistas, etc., etc., etc., que mistério é este que nos coarta a liberdade e atrofia o progresso? Chamar-se-á hiper-centralização, ou antes, doses excessivas de parolice do empresariado local? Ou, as duas coisas?

Última questão, um pouco fora do contexto, mas mesmo assim uma questão: continuarão a ser de facto necessários para nós portuenses (e até para o país) estes mega-debates a partir de Lisboa, muito participados, muito filosofados, muito aplaudidos, do tipo "Prós e Contras", que cada vez mais se assemelham à versão política do Big Brother?

Numa época de crise, do apertar do cinto, não seria nos gabinetes ministeriais, o local mais adequado para muitos dos que nesses programas participam colocarem em prática as sua iluminadas soluções para os problemas nacionais? Não andarão alguns destes cavalheiros a perder tempo, o tempo que tantas vezes dizem faltar-lhes e a branquear subtilmente as suas inoperâncias governativas pretéritas e recentes, enquanto a vidinha pessoal vai correndo?

Sinceramente, não consigo perceber esta forma folcolórica de fazer e de estar na política, para afinal... fazer tão pouco!

Rui Valente

PS-Afinal em que dia da semana sai a revista "O TRIPEIRO" com o jornal "Público"? Alguém poderá informar-me?

2006/03/05

De: LF Vieira - "Avenida dos Aliados" 

Blog: Cabo Raso
Post: Avenida dos Aliados

Cumprimentos.

De: TAF - "Av. Brasil" 






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