2005/10/15

De: F. Rocha Antunes - "O tamanho importa" 

Meus Caros,

Já em tempos falei disto mas com a abertura do renovado (eu acho que é novo mesmo) aeroporto Francisco Sá Carneiro acho que vale a pena retomar o assunto: o tamanho da região urbana centrada no Porto.

A chave para a recuperação económica está na mudança de escala de análise. Começando por nós e continuando para os de fora. O Porto é o centro de uma região urbana, o Noroeste, que tem a uma hora de viagem população sensivelmente igual à que vive na região da Grande Lisboa. E que tem a duas horas 7 milhões de habitantes.

Não há mais do que 3 regiões na Península desta dimensão: Madrid, Barcelona e Lisboa.

Nós fomos fortemente afectados pelos fenómenos de concentração de serviços em Lisboa, e não fomos capazes de projectar as nossas empresas para a nova escala que os acessos rodoviários e ferroviários entretanto criaram. Ficámos presos, mentalmente, à ideia de que Braga é a 2 horas de carro e que a Amarante se ia em dia de feira anual. Claro que não reconhecemos isso e que todos dizemos que sabemos perfeitamente que já não é assim.

Quando se trata de pensar o mercado para o qual trabalhamos, continuamos muito Portocêntricos. E achamos que se o negócio não dá entre o Rio Douro e a Circunvalação, então não há negócio.

Temos todos que agir no mercado do Noroeste que, de uma forma grosseira vai do Sul de Aveiro a Viana, com uma ponta interior por enquanto em Amarante. Se fizermos os nossos negócios considerando esta região como a nossa área primária, que o é de facto mas não administrativamente, então temos sempre muito que fazer.

Ainda esta semana vimos uma multinacional, a Ikea, a considerar que uma só loja era insuficiente para a região. Tem que haver duas, das cinco que projectam ter em Portugal.

Claro que temos que lidar, por exemplo, com mais de quarenta câmaras municipais mas se tivermos uma visão correcta do tamanho do território, podemos escolher as que funcionarem menos-mal. E estimular a competição entre elas.

Francisco Rocha Antunes
Promotor imobiliário

De: Pedro Lessa - "Estratégia regional" 

Em início de novo mandato na nossa cidade, e à falta de projectos a discutir pelo novo executivo (só eles sabem o que farão...), penso que nos podemos congratular com a abertura do novo aeroporto da nossa região.

Resultado de um projecto que considero bem planeado estrategicamente, esta nova estrutura para além de servir o Norte, aponta também para a região que mais ligada estará em termos de desenvolvimento futuro com a nossa.

Com efeito, já há muito tempo que alguns defendem (e bem) a abertura ao Noroeste Peninsular como um dos grandes objectivos estratégicos a seguir.
Teremos bastante mais hipóteses competitivas se estabelecermos paralelos com cidades como Vigo ou até mesmo com a Corunha do que com Lisboa em variadíssimos aspectos.

Mais uma vez, com o actual Presidente da Câmara, temo que nem esta situação ele consiga compreender ou visualizar.
O que seria o novo aeroporto se fosse uma obra da Câmara!!!
Seria para os "portuenses e para o Porto"...
Cumprimentos.

Pedro Lessa
[email protected]

2005/10/14

De: Teófilo M. - "Conselho" 

Para discutir a localização de saídas de túneis, avenidas, travessias e outras coisas mais.
  1. Vão a http://earth.google.com/ ;
  2. Descarreguem o programa;
  3. Instalem o programa;
  4. Localizem o Porto.
A partir daí utilizem as ferramentas disponíveis, para medir, localizar, sobrepor, substituir, sinalizar, etc.

Torna-se mais fácil falar sobre as coisas, quando todos estamos a ver o mesmo.

Cumprimentos
Teófilo M.

De: TAF - "Consensos não são necessários" 

Caro Daniel Rodrigues, conforme escrevi aqui:
"Não se trata necessariamente de procurar consensos muito alargados, mas sim de ouvir um leque abrangente de opiniões para depois decidir mesmo que não se siga a moda."

Há muitos assuntos em que o consenso é impossível, ou eventualmente possível mas pouco saudável. Quem tem legitimidade para decidir, que decida. Mas antes deixe o "povo" opinar sobre aquilo que é importante, até porque no "povo" estão incluídos muitos especialistas qualificados que podem contribuir para alcançar uma governação de qualidade. O papel d'A Baixa do Porto é só esse: o de dar voz a quem se quer pronunciar.

O lobby seria algo diferente: uma estrutura simples mas profissionalizada, com origem na sociedade civil mas sem pretender representar nenhum "consenso", cujos membros seleccionam alguns temas concretos para levar avante. O caso do Túnel de Ceuta poderia ter sido um destes temas há bastante tempo atrás. Agora é tarde demais para a acção do lobby: basta que os decisores decidam, pois os dados e as diversas opiniões já são conhecidos de todos. Se contudo não houvesse uma decisão a breve prazo, então aí já poderia haver lugar a uma acção em tribunal contra ambas as instituições e respectivos responsáveis.

De: Daniel Rodrigues - "Provocações maldosas..." 

Decidi ser maldoso. Já sei que me arrisco a um comentário certeiro e pertinente do taf, com um bonito smile associado, mas não resisto. Talvez ele mesmo sorria com esta provocacão ;)
«Precisamos de um lobby aqui no Porto. Profissional. A sério. Gente capaz de pressionar com eficácia e fazer mexer a sociedade e o Estado. Forçando a implantação de uma “política open source”. Obrigando nos tribunais ao cumprimento da Lei por parte do Estado. Promovendo a racionalização de esforços públicos e privados, colocando as pessoas a falar umas com as outras. Conquistando o interesse de investidores. Propondo soluções realistas para diminuir os "custos de contexto".»
Vamos então criar um lobby para resolver o assunto do túnel de Ceuta?? Obrigar os tribunais ao cumprimento da Lei por parte do Estado (IPPAR e CMP)? Promover a racionalização dos esforcos públicos??

Estamos perante uma situacão concreta, vamos encontrar soluções realistas!!!

Que me perdoem este desafio fora do contexto... Sei que não costumo participar nas discussões acesas, mas enquanto leitor diário, já me sinto parte da energia que resulta deste espaço!

De: Daniel Rodrigues - "Mais e mais..." 

Caro Alexandre Burmester:

Receio de ficar inequivocamente com a aura de indefectível apoiante da Câmara Municipal, quando na verdade apenas apoio de forma muito forte a CMP neste caso particular.

Não tendo o tempo necessário para enquadrar todos os avancos e recuos, recorro a este documento, e extraio a informacão, descontando tudo o que é político, tento cingir-me aos factos.

1. De facto, a câmara propôs-se fazer uma única solução em termos da localizacão para a saída do túnel. Mas disponibilizou-se para fazer os arranjos arquitectónicos (referi-me, na minha ignorância, a arranjos arquitectónicos como sendo urbanísticos. Acredito que tenha dado origem a má interpretacão)
"E a Câmara cumpriria todas as exigências que a Ministra quisesse impor em matéria de arranjos arquitectónicos em toda a superfície, nomeadamente na envolvente ao Museu."

2. Creio que não é suposto que os autocarros utilizem o túnel: Estes deverão continuar a servir a zona de superfície. O Túnel é dedicado aos veículos que pretendam sair rapidamente do centro da cidade, o que escoará e diminuirá a pressão de tráfego sobre a Baixa.

3. De facto o túnel não é um facto consumado, nem será enquanto não houver mais capacidade de decisão por parte dos políticos! Mas pergunto-me, será de bom senso continuar a discutir e a colocar ruído em torno de algo que tem de ser decidido?

Chego com isto ao último comentário que queria deixar à vossa reflexão: não é responsabilidade da sociedade civil saber o que pretende??? Chegar a um consenso? No fundo, e termino aqui novamente espicaçando o Tiago Azevedo Fernandes ;), este espaço de debate encerra-se em si próprio? Não tem consequências? No fundo, se se pretende um lobby, o que irá este lobby pedir, no concreto? Fica preso a ideias? Ou tenta resolver os problemas, no concreto? Dizer: Queremos o túnel fechado ou aberto. Afinal, esta não é também uma micro-causa válida?

Cumprimentos,
Daniel Rodrigues

PS: Sim, a minha proposta era séria. O túnel está pronto, e como disse, nada é imutável. Se o túnel tivesse de ser encerrado, creio que seria mais económico abri-lo e fechá-lo posteriormente, do que manter um embargo mais dispendioso para a vida da cidade. Afinal, face aos milhões de derrapagens em casas da música, euros, porto's 2001, sinceramente, o que custa fazer obra e desfazê-la??? Sinceramente, são os acabamentos a parte dispendiosa do projecto? Sim, quero que se abra o túnel à experiência para ver se ficou bem ou mal. O túnel está feito, acho absurdo que não se experimente. Não se extrapole das minhas palavras 'quero que se construam túneis à experiência'. São questões diferentes.

De: TAF - "Av. Aliados no Parlamento" 

No ALIADOS:

Hoje, em diferido, às 15:00, no Canal Parlamento

Audições no âmbito da petição de "Protesto relativo à intervenção urbanística no conjunto da Av. dos Aliados/ Pr. da Liberdade no Porto": IPPAR (Instituto do Português Património Arquitectónico), Empresa Metro do Porto SA, Câmara Municipal do Porto (11 de Outubro)

De: Alexandre Burmester - "Há uma voz que se levantou..." 

Hoje veio publicado no jornal Público um artigo da autoria do Presidente da Câmara Municipal da Maia – Bragança Fernandes, de que sugiro a sua leitura.

Não o conheço pessoalmente, e muito menos os seus princípios norteadores. Reconheço contudo que a cidade da Maia no contexto da área metropolitana do Porto, será porventura aquela que apresenta melhor condição de vida e se mostra mais dinâmica.

Haverá concerteza muita gente que por diferentes cores partidárias ou por razões de outra ordem poderão discordar do teor deste artigo, mas assim mesmo não deixa de conter o discurso correcto e coerente no actual contexto, e que vem de encontro ao que por aqui e por tantos outros lugares se tem defendido e repetido.

Afinal nesta área Metropolitana, se analisadas as qualidades dos Presidentes de Câmara, teremos:
Confesso ter ficado contente por perceber que alguém com prova de trabalho feito, começa agora a demonstrar um discurso regional.

O meu apoio.

Nota: Na minha última intervenção, onde escrevi “linhas radiais” queria dizer “circulares”.

2005/10/13

De: Alexandre Burmester - "Mais e mais..." 

Pois é não queria entrar em diálogo, mas lá vai uma vez mais.

Caro Daniel Rodrigues, para seu esclarecimento a CMP não se dispôs a fazer qualquer arranjo urbanístico no caso do túnel de Ceuta. Propôs-se sim foi fazer uma entre as soluções que pretendia. Eu não lhe posso enviar as soluções que foram propostas pelo IPPAR, porque não as tenho, mas tive a oportunidade de as ver em sessão pública.

Quanto ao trânsito, e aos autocarros em particular, bastaria que permitissem que estes circulassem e não fossem obrigados a partilhar espaços reduzidos de faixas por entre obras não acabadas. Melhoraria ainda mais de certeza, se a politica de transportes não fizesse transbordo obrigatório na “rodoviária” da Av. Dos Aliados, e tivessem a inteligência de criar linhas radiais circulares.

Assim como não comecei a discussão sobre o túnel, também não pretendo nem encerrar nem continuá-la, não me compete. Mas não a dou por encerrada, primeiro porque como vê não há consenso, e também porque não lhe atribuo a categoria de facto consumado.

Os políticos que se entendam, que é da sua obrigação. E maior obrigação que dialoguem, resolvam e dêem o assunto por encerrado e a obra por terminada.
Este não é certamente um assunto de discussão pública como o faz crer a Presidência da Câmara, tem razões técnicas associadas. E ainda mais não o é, quando se junta um bando de pseudo comerciantes a fazer barulho, ou achando porque se ganhou as eleições que passou a ter um razão sobre a matéria.

Agora abrir o Túnel à experiência para ver se afinal ficou bem ou mal? Isso é uma sugestão séria?

Cumprimentos

De: Rui Valente - "Opiniões voluntariosas, ..." 

"... mas inconsequentes"

Caros “tripeiros”,

Nem podem calcular a simpatia que tenho por esta expressão.

Sem pretender criar fracturas entre as gentes do Porto (muito pelo contrário), considero pouco genuíno todo o indivíduo nascido nesta cidade que se sente desconfortável com este tratamento. Recorda-me aquelas pessoas de origens humildes, que uma vez endinheiradas, mal conseguem reconhecer o próprio pai…

Por falar em humildade, salta-me logo à memória o actual Presidente da Câmara, um homem que (pasme-se), tudo daria para ser lisboeta e que ainda não percebeu o quanto tal desiderato o tornaria mais desinteressante. É impressionante, como ele sabe ser dócil com a capital e tão padrasto com os seus!.. Mas o facto, é que este pardal ganhou as eleições e que a maioria dos portuenses conseguiu ver-lhe encantos e competências que eu não fui capaz de ver. Ele, juntamente com Luís Felipe Scolari, faziam uma dupla de actores imbatível!

Mas vamos ao que interessa, senão ainda me acusam de anti-democrata…

O que eu quero dizer aos meus conterrâneos, mesmo aos que votaram em Rui Rio, é que na minha óptica, a permuta aparentemente salutar de opiniões com que recheiam este blogue, constitui uma espécie de massa crítica ingénua de efeitos inconsequentes.

Se uns dizem que ao Presidente da Câmara compete determinado tipo de decisões, outros defendem legitimamente o contrário, e essa diversidade de opiniões em lugar de encurtar caminhos, alonga-os, acabando por se transformar num labirinto de frustrações sem uma porta de saída clarividente.

Por isso, não sei se a reeleição de Rui Rio para a Presidência da Câmara terá constituído pior desastre para o Porto do que o voto contra a regionalização, ou se estas duas erradas decisões, não terão mesmo sido a estocada final para a nossa querida cidade. Os portuenses (e o país), não quiseram a regionalização. Deixaram-se assustar com a conversa estafada da opinião publicada lisboeta, e hoje face a decadência da cidade, andam perdidos, um pouco divididos até, à procura de soluções milagrosas.

Aqui há uns anos, escrevi a Miguel Sousa Tavares para lhe manifestar o meu espanto pela sua opção pró-descentralizadora. Dizia ele, na altura, que seria a favor da regionalização, caso fosse outro o mapa das regiões administrativas propostas. Eu, respondi-lhe que, entre um mapa regional imperfeito e a promessa de descentralização permanentemente adiada, preferia correr o risco de experimentar a novidade. O tempo, deu-me razão.

Portugal, continua a ser o país que detém o poder mais centralizado da Europa, e Miguel Sousa Tavares a lamentar-se do centralismo lisboeta…

Pela mesma ordem de ideias, nunca teríamos experimentado o regime democrático e ainda estaríamos subjugados à ditadura de Salazar.

É preciso ousar a mudança! O excesso de conservadorismo tolda-nos a lucidez.

A única coisa que quero propor aos portuenses de todas as classes e simpatias políticas, é que se esforcem por superar o que os divide e se unam fortemente num único sentido: o do Amor ao Porto e ao seu progresso!

Saudações tripeiras.
Rui Valente

De: Daniel Rodrigues - "E mais outras razões" 

Boa tarde.

Esta disputa em torno do túnel de Ceuta parece-me continuar absurda, tanto de quem tem o dever de resolver a questão (CMP, IPPAR) como de quem tem o dever (e o prazer) de a discutir (os bloggers desta Baixa :))

Revendo na minha mente todo o processo, considerando as ilegalidades, pesando-as face à utilidade, ao mal que a circunstância actual provoca na cidade, não percebo o porquê de persistir com uma argumentacão que já cansou. Coloque-se o túnel em funcionamento, e se as coisas de facto provocarem problemas insolúveis para o museu, é sempre possível fechá-lo!!! Então os portugueses, e em particular os portuenses, não são conhecidos por serem decididos e desenrascados? O gasto (que alguns consideram mau) está feito, se vamos gastar a tapar o túnel, então enquanto se decide, pelo menos utiliza-se, e quiçá não se reconhecerá que até foi uma boa solucão.

Em particular, o Alexandre Burmester surgiu com uma argumentacão que me parece de todo despropositada. De todo este processo, recordo que a CMP se dispôs a fazer os arranjos urbanísticos que o IPPAR considerasse necessário (ganhando porventura espaço de passeio para os visitantes), e inclusivé colocar o túnel com saída no centro da rua. Ou seja, eu não li outras solucões propostas com a saída próxima da entrada da porta do museu... Se o caro Alexandre diz que eu ainda não percebi a diferenca, então suplico-lhe que me envie esses dados, para eu não continuar a sentir-me chocado e indignado com uma situação inadmissivel para os cidadãos do Porto.

Em relação ao trânsito, a relação custo-benefício é simples!!! Procure apanhar o 3, o 52 ou o 78 (não sei se os números terão mudado) a qualquer hora do dia... A não ser na rede da madrugada é insustentável a movimentacao de carros em toda essa área! Mesmo que a subida se processe pela Rua dos Clérigos, o benefício é óbvio: evitar o congestionamento de todo o trânsito que procura sair da Baixa para a Boavista e Ponte da Arrábida.

Sinceramente, se todos nós continuamos a discutir a solucão com os mesmos argumentos repetidos ou esgrimidos desde há meses, sem chegar a um consenso, então teremos de reconhecer que os políticos têm razão em não alargar a discussão política à sociedade... Afinal de contas, se neste blog se pretendesse escrever um documento com linhas orientadoras para a cidade, qual seria a solução definida para este caso???

Quase que estranho não se continuar a discutir o túnel da Avenida de França sob a linha de caminho de ferro... :-)) Aí está um exemplo de como as más soluções se resolvem em dois tempos! Logo se avaliará! A cidade não é imutável, certo??

Saudacões tripeiras,
Daniel Rodrigues
--
Nota de TAF: conforme julgo que estará claro (mas não custa nada repetir), o propósito do blog não é encontrar UMA solução para cada problema, mas apenas permitir que cada pessoa apresente a sua opinião e a vá enriquecendo ao ler as opiniões alheias.

De: Pedro Lessa - "Os «pedidos» de parecer" 

Caro Rocha Antunes:

Tentando evitar o diálogo, o que referi foi que, apesar do parecer nos Aliados ter sido "pedido" (note por favor as aspas, também estou dentro da novela) no caso do Túnel esse pedido nunca existiu e quem o devia ter pedido fez gala em afirmar que não precisava de parecer nenhum porque já antes o PS não o tinha pedido.
O ênfase que dei na questão foi que quem quer fazer obra que a faça mas segundo as regras estabelecidas e deixe de lado a prepotência.

A imagem que esta situação poderá dar é que o Porto tem uma câmara que acha que pode fazer obra como bem entender e, não conseguindo desfazer o imbróglio que criou, vem agora o governo de Lisboa através do Ministério da Cultura resolver a questão.
Parece que vai tomar posse da obra e acaba-a.
Sabendo-se como são os politicos, todos vão querer ficar com os louros por ter resolvido este problema. Em Lisboa claro.

Cumprimentos.
Pedro Lessa
[email protected]

De: Alexandre Burmester - "E mais outras razões..." 

Caro Francisco,

Sem querer que esta discussão fique por aqui estacionada entre os dois, vou tentar em outras palavras explicar:

1 – Na verdade não é o facto do túnel sair à porta do Museu o que estará mal, mas principalmente a forma como o faz. (Afinal o azulejo não tem culpa do uso que se lhe dá).
Existirão muitas formas de fazer sair o túnel e a que está prevista não é a melhor. Esta equipe de projecto que pauta por um conjunto de engº.s e de técnicos de trânsito, tem uma sensibilidade muito pouco refinada. Até o IPPAR já propôs outras soluções que incluíam a saída próxima da entrada. Parece-me é que ainda não perceberam, ou não querem perceber bem a diferença.

2 – Muito pior que o túnel para o Museu Soares dos Reis, é sem dúvida o acréscimo do Hospital para as antigas instalações HGSA. Será que o IPPAR foi ouvido? Ou um erro justifica os demais?

3 – Quanto ao trânsito, ainda alguém há-de explicar qual a relação entre o custo/benefício e a vantagem em retirá-lo da superfície para o levar para o túnel. Mas essas são outras questões.

4 – Percebes de Património construído, como percebes de Património cultural, porque há assuntos de que percebemos todos. Que achas de pintar a Torre de Belém de vermelho? Ou de alterar o texto dos Lusíadas? Ou de vestir o Presidente da Republica de t-shirt?

5 – Não precisas de tirar nenhum curso de Arquitectura ou de Urbanismo para perceber isto, porque basta bom senso e sensibilidade, e nem de uma nem da outra tens falta :-)

Abraço

De: F. Rocha Antunes - "Finalmente uma razão ?!" 

Caro Alexandre,

Tinha que ser um arquitecto a explicar-me o óbvio, e que eu ainda não tinha percebido: a razão é o Museu existir! Nunca mais vou perguntar, de tão envergonhado que fiquei de não ter atingido antes e sozinho.

Eu vou agora inscrever-me num curso de arquitectura para perceber o resto: como é que perto de um Museu, imóvel de interesse público, não pode existir uma rampa e junto de um Monumento Nacional, o HGSA, podem existir duas.

E eu que pensava que um túnel tinha a vantagem de evitar trânsito junto das igrejas do Carmo, das Carmelitas, da parte da frente do HGSA, da Praça dos Leões. Não sei nada de património. Mas também não consigo aprender.

Afinal, quem sugeriu aqui que o túnel saísse na ponte da Arrábida é que sabia disto.

Francisco Rocha Antunes
Promotor imobiliário

PS. Pedro Lessa, eu evito o mais que posso o diálogo, mas esclareço: o que disse sobre o IPPAR no caso dos Aliados foi que, naquele caso, o IPPAR deu parecer positivo depois de as obras terem começado. Ou seja, o parecer foi pedido mas isso não impediu as obras de começarem nem o IPPAR se lembrou de as embargar, como lhe foi expressamente pedido. Para análise do parecer do IPPAR consulte os Aliados. A novela do parecer pedido já foi aqui explicada até à exaustão. Pode ser lido por quem tenha interessa lá para trás.

De: Teófilo M. - "Dúvidas" 

Estou cheio de dúvidas. Alguns que por aqui andam saberão bem porquê, mas eu explico.

O Pedro diz-nos que vai emigrar ao saber que é o Lino Ferreira que pode ir para o Urbanismo! Terá a ver com o conhecimento que tem do senhor, ou é apenas por conhecer o seu trabalho na DREN?

Não vejo como o túnel de Ceuta poderá acabar depois da Adolfo Casais Monteiro, pois a rua D. Manuel II nessa zona é mais estreita o que irá complicar o trânsito, já de si bastante problemático, ou teria de ser alterado o sentido da parte final de Casal Monteiro o que não me parece muito curial. Não vejo também como é que o IPPAR conseguirá resolver o assunto, a não ser que deixe as duas saídas no mesmo Carregal. De qualquer modo vai-se arrastar mais este assunto com os portuenses a sofrer na pele os inconvenientes e a cidade também.

A falta de cultura arquitectónica do povo português não serve para justificar o projecto dos ALIADOS, pois não me consta que esse mesmo povo tenha reclamado contra a Avenida do mesmo nome por ser feia e inestética, do mesmo modo como não aceitou pacificamente a Casa dos 24 ou se revoltou contra o abate de árvores no Marquês.
Os espaços públicos, são áreas muito complexas e que envolvem uma multitude de afinidades que não se esgotam em operações de cosmética feitas por costureiros de luxo. Daí a minha dúvida sobre o modo como o processo está a andar, e porque é que teve de andar assim, a não ser que alguém tinha dúvidas na polémica que se levantaria ao consultar os tripeiros.

Tenho dúvidas ao que a Cristina chama de manifestos tardios, pois que me lembre, a ninguém foi dado o direito legal de se manifestar, daí não entender o tardios, até porque o Oliveira Marques diz que ainda nada está adjudicado.

Estas são as dúvidas de hoje... amanhã, se calhar terei mais.

Cumprimentos
Teofilo M.

De: Alexandre Burmester - "Estou em estágio, ..." 

"... para o próximo mandato"

Tenho andado afastado do blog, quer por motivos de trabalho, mas principalmente porque ainda não digeri os resultados das eleições autárquicas.

Depois das vitórias estrondosas dos populistas e do aval passado ao Rui Rio aqui no Porto, sinto-me pouco “Democrático”.

Afinal temos o que merecemos, como temos a revista “Maria” e a “Quinta das Celebridades” e tantas outras coisas, que só após gerações e anos de educação, poderão fazer susbstituir este gosto rasca popular, por eleitores melhor informados.



Temo que o nosso presidentinho, após aquele discurso cheio de “categoria” na noite da vitória, venha a assumir mais, e à sua escala, o acréscimo de arrogância e prepotência a que estamos habituados.

Avenida dos Aliados:

É fantástico ler nas declarações do Prof. Oliveira Marques, que este achou que ouve discussão pública do projecto porque foi apresentado na Assembleia Municipal em sessão pública.

Será esta a noção de discussão pública?

Estou de acordo que o projecto da Avenida é de boa qualidade em termos de desenho, mas o que deverá estar em discussão não é o seu desenho, mas o seu conteúdo e o seu significado para a gente do Porto. Isto sim, é que deve ser discutido. Projectos com esta dimensão e impacto não podem evitar a discussão pública, sendo ou não frutos de concursos públicos. Mesmo se fosse objecto de concurso, devia ser chamada a população a dar um voto de preferência.

Agora justificar que não há necessidade porque é fruto de dois “Génios”, é no mínimo redutora quer de provincianismo como de complexo de menoridade profissional. Os Génios, se é que os há (?), também têm mãos direitas e esquerdas, e se enganam. Veja-se o rasgo de genialidade do arranjo da Rotunda da Boavista, e da Casa dos 24, e… tantos outros exemplos.


Túnel de Ceuta

Existe uma razão simples e de base para que a saída do túnel não se faça em frente ao Museu – a existência do próprio Museu.

Perceber a proximidade da antiga estrada Porto - Lisboa, em cima do Mosteiro da Batalha, ou entender a implantação do Estádio de Leiria em cima do Castelo, são razões semelhantes, e só não entende quem não quer.
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Nota de TAF: Este comentário tem um "pormenor" que sai fora dos critérios de publicação que eu habitualmente sigo. Contudo, um pequeno excesso de vez em quando não faz mal a ninguém, especialmente quando o seu autor já tem provado inúmeras vezes que adopta uma postura construtiva sempre que é preciso. ;-)

De: Pedro Lessa - "Chover no molhado" 

Parece-me que estes episódios, tanto o Túnel como os Aliados, vão ter desenvolvimentos iguais aos que se foram desenvolvendo nestes últimos 4 anos.
Uma vez que estamos a iniciar mais um mandato, devemos pensar em unir ideias e opiniões para a tentativa de esclarecimento. Mas penso que à partida será "chover no molhado", uma vez que quem tem poder para a sua resolução já tem decisão formada.
Se quisessem resolver estes problemas já os tinham resolvido.

Quanto aos Aliados, concordo com Pedro Baganha. A culpa não é dos arquitectos mas sim de quem encaminhou o processo e cometeu os atropelos já conhecidos.
Não queria chegar ao ponto de pensar que quem encomendou este projecto tenha a justificação mais assustadora: a ignorância e a incapacidade dos portugueses em discutir projectos.
Num país onde 80% dos projectos não são feitos por arquitectos, e uma percentagem desta nem por engenheiros são, começa-se a criar a ilusão de que os portugueses não têm cultura arquitectonica. Vai daí elimina-se a discussão prévia. Este problema que é estrutural ninguém se lembra de o resolver. Recordo que esta Lei é de 1973.

Quanto ao Túnel, ainda antes de discutir as razões do chumbo, devemos interiorizar que devia ter sido pedido parecer ao IPPAR mas não se pediu. Por muito que alguns regulamentos sejam injustos e desactualizados da realidade eles têm que ser respeitados porque são a Lei. Não percebo o paralelo com a Av. dos Aliados aludido por Rocha Antunes. A grande questão é que nos Aliados foi pedido parecer ao IPPAR (concordando ou não com o seu teor) e no Túnel não.

Uma razão para que a rampa não se faça? (disse muito bem, é que aquilo é mesmo uma rampa apesar de lhe chamarem uma saída de tunel) pergunto por exemplo se já assistiram à chegada dos turistas para a visita ao Museu nos seus autocarros? eu já. Imagine-se agora com uma barreira (física e ruído ambiental) daquelas...

Para finalizar, sugiro a Pedro Aroso que não emigre, para poder analisar o desempenho do referido senhor e depois ao fim de 4 anos votar nele outra vez.

Cumprimentos,
Pedro Lessa
[email protected]

De: Paulo Espinha - "A Luz ao fundo do Túnel..." 

Caríssimos,

1 - Por questões de tráfego de atravessamento, o túnel deveria ter uma boca de saída após a Rua Adolfo Casais Monteiro, pois só assim se minimiza o impacte em toda a zona e se liberta o tráfego do túnel desse semáforo ou então mudam-se os sentidos todos da zona das galerias (lembrem-se do túnel da Rua de Camões que pára no semáforo do Covelo!!!!).

2 - Desconhecendo os resultados dos inquéritos origem/destino que devem ter sido efectuados (??!!!), para sair onde eu penso que a Câmara quer, então bem pode ficar pelo Carregal.

3 - Tudo o resto é folclore e zanga de comadres.

Paulo Espinha

De: Paulo Espinha - "Os Arquitectos, os Autarcas e o Urbanismo" 

"... Ah, e os Engenheiros..."

Caríssimos,

Após leitura atenta dos últimos escritos sobre os Aliados:

1 - É indiscutível a qualidade dos arquitectos, contudo, tenho como lei da vida a regra dos 10/90 - 10% de génio e 90% banal, mesmo que seja preparação para a genialidade (exemplo: até o Miguel Ângelo fez banalidades e o Da Vinci pintou muita coisa para comer e muitas das obras de arte que andam nos mercados internacionais só não foram queimadas pelos seus autores porque...).

2 - É discutível a qualidade da decisão política: já falei sobre a questão da não necessidade da nova estação dos Aliados e estar-se-á a cometer o mesmo erro da Porto 2001 - intervenções avulsas sem um fio conductor em que cada proposta, muitas vezes, explana mais as idiossincrasias do proponente que o respeito pelos arquétipos culturais e de desenho urbano. Proponho, por isso, que os políticos decidam discutir com os técnicos a imagem urbana da Baixa como um todo, tal como se fez para as placas da toponímia. Hoje já se sabe - são as verdinhas...

3 - Puxo a brasa à minha sardinha - o Urbanismo não é só Desenho Urbano e não é só de Arquitectos, também existem, por exemplo, uns logarítmos de cálculo do débito de circulação de peões por m2 de abertura de passagem em determinadas condições específicas (HCM), inclusíve o tipo de pavimento (exemplo: o meu pézinho e os bébés nos carrinhos detestam andar sobre paralelo, as novas passadeiras - outras estão já normalizadas, ver site da DGV, as LRV trapezóidais que são feitas no mesmo material do resto da rua e que resultam muito bem para o objectivo dos <50km/h).

4 - Por último, quem me comprou as minhas pinturas é porque gostou delas, mas há muita gente que não gosta... Também não sou génio. E não acredito em superheróis.

Paulo Espinha

De: Pedro Aroso - "Lino Ferreira sucede a Paulo Morais" 

De acordo com uma notícia publicada no JN, Lino Ferreira deverá suceder a Paulo Morais.

Meus Amigos: a confirmar-se esta notícia, vou emigrar. Adeus e até ao meu regresso daqui a quatro anos.

Pedro Aroso

De: TAF - "O Túnel" 

- Túnel de Ceuta «é» do Ippar
- Buraco mudou de mãos mas continua sem saída
- IPPAR toma posse do Túnel de Ceuta

Em minha opinião há dois assuntos distintos, ambos graves, ligados ao famigerado túnel:
  1. saber qual é o local para a saída que melhor equilibra a protecção do património, a qualidade ambiental (de que se tem falado pouco) e a utilidade para o trânsito;
  2. responsabilizar e penalizar o IPPAR e a Câmara pelas atitudes inaceitáveis que quer um quer outra tiveram antes.
São questões independentes e devem ser tratadas separadamente. A primeira é de carácter eminentemente técnico e para encontrar esse equilíbrio basta colocar uma equipa de especialistas sensatos e isentos a falar uns com os outros.

Mas a solução do problema, qualquer que ela seja, não pode deixar passar em branco nem o desrespeito pela lei e política de facto consumado da CMP, nem a irresponsabilidade, incompetência e incoerência do IPPAR. Nenhuma destas duas instituições pode sair bem desta triste história. Há que encontrar responsáveis e penalizá-los pelos erros cometidos, que nos insultam a todos. E o local para a saída não pode estar dependente disto.

De: F. Rocha Antunes - "Ao menos uma" 

Meus Caros,

Antes de mergulharmos em mais uma série de batalhas à volta da saída do Túnel de Ceuta na Rua D. Manuel II gostava que alguém me desse uma razão que seja, do ponto de vista do património, para que a rampa que falta fazer não se faça.

Só uma já me bastava.

Tem é de ser uma razão de protecção do património, não nenhum formalismo burocrático. Não é que os formalismos não sejam também importante mas, como já vimos no caso da Avenida dos Aliados, isso não é razão para o IPPAR chumbar nada.

Francisco Rocha Antunes
Promotor imobiliário

2005/10/12

De: Pedro Baganha - "Aliados, génios e utentes" 

Na actual discussão acerca do projecto para os Aliados têm-se esgrimido alguns argumentos que nos fazem ponderar até que ponto deve existir uma participação dos futuros utentes nos projectos de arquitectura pública. Pessoalmente temo bem que se fossem submetidos a análise popular projectos como a Casa da Música ou o Museu de Serralves não teriam sido construidos, pelo menos como são. É que a cultura arquitectónica da esmagadora maioria dos portugueses é pouca ou nenhuma, e também é função dos autores maiores da arquitectura “educar” os gostos populares, por presunçosa que pareça tal posição.

Se é verdade que, como diz F.Rocha Antunes, os “donos da coisa” somos todos nós, também é verdade que as criticas que faz se reportam ao modo de fazer (ausência de discussão pública, análise do impacto ambiental, etc) que, em boa verdade, escapam à responsabilidade dos autores do projecto devendo ser dirigidas ao(s) adjudicante(s) do projecto.

Os autores são, de facto, geniais, como refere o Pedro Aroso, referências globais da disciplina, motivo de diversas visitas à cidade para admirar o património que vão construíndo, motivo de orgulho do país, mas não estão por isso acima da crítica. Eu pessoalmente, do pouco que conheço do projecto para os Aliados até gosto bastante pelos precisos motivos por que não gosto nada do que os mesmos autores propuseram para a Boavista. É a minha opinião, e a reconhecida genialidade dos autores em nada interferiu nela. De todo o modo quero acreditar que a defesa do projecto pelo IPPAR augura alguma qualidade no resultado final.

Para terminar: o recurso a concursos de ideias para este tipo de projectos não seria uma boa forma de evitar alguns dos problemas e críticas a que assistimos presentemente?

Cumprimentos
Pedro Baganha

De: Cristina Santos - "Missiva - concluir as obras" 

Em relação à questão Aliados, a obra já está em curso e a plataforma de recepção esta praticamente concluída.
O único factor que me parecia de peso era considerar antes desta intervenção, se existia necessidade da obra e se o investimento se traduzia num incentivo de recuperação da Baixa.

Agora que está iniciada, que o Metro do Porto se responsabiliza pelo seu pagamento, antes mesmo de conhecer o OE, o único factor de peso será talvez o «escurecimento» da calçada e as faixas de rodagem.

Mas estes manifestos parecem tardios.
O que seria agora mais importante era concluir a sala de visitas que se mantém fechada há tempo demais.
A delonga das obras em locais turísticos e de grande concentração urbana tem afastado as pessoas, os residentes e os turistas.

O projecto está aprovado, não existem alternativas que sejam de facto diferentes daquilo que esta proposto, não existem porque não houve um verdadeiro concurso de ideias, mas mesmo assim todas as ideias seriam discutíveis.

Se o problema é a estátua, se não querem a estatua de costas viradas para a CMP, é um requisito que facilmente é ultrapassado e que não significa quase nada, se são esses os argumentos só funcionam a favor do projecto idealizado. Correm o risco de ver a estátua virada para a CMP e o substancial da coisa passa em branco.

Até porque a população teve conhecimento, antes das eleições, o assunto foi nessa altura debatido por aqueles que ainda desconheciam o projecto.
Neste momento os portuenses estão mais interessados em finalização, em começar a assentar pés na Baixa, que na estátua, que no jardim sobre lajes, ou sobre quezilas.

A calçada vitrificada é de melhor qualidade, durabilidade, manutenção e aspecto, mas também é mais difícil de completar no aumento dos passeios.

Importa é concluir isto que já nos prejudicou muito.

Cristina Santos

De: F. Rocha Antunes - "Pérolas" 

Meus Caros,

Eu tenho a maior consideração pelas obras de arte que alguns arquitectos são capazes de fazer e eu de entender. Mas mesmo quem faz as obras de arte tem de cumprir regras universais naquilo que não é a parte da criação artística.

Por exemplo, nenhum grande artista achou normal maltratar e desprezar quem lhe pagava a obra. Podia não ter lá muito respeito intelectual pelo gosto do mandante/pagante, mas não é normal, mesmo nos génios, menosprezar ostensivamente os mecenas.

O que se está a passar no caso da Avenida dos Aliados é isso mesmo: os génios estão-se nas tintas para saber o que pensa da obra os que a vão pagar. Que são os cidadãos contribuintes de Portugal. A República definiu leis que têm por objectivo assegurar que em projectos de relevo os cidadãos se possam pronunciar sobre o que é proposto fazer-se. Mais, em caso de se estar perante um intervenção num espaço patrimonialmente sensível, existe um instituto estatal cuja missão é assegurar que esse espaço não é alterado de forma a afectar a noção de património colectivo. E por último, quando uma obra tem um impacto forte no meio ambiente, então está sujeito a uma análise prévia do referido impacto.

No caso da intervenção da Metro do Porto existem três violações das leis: a que obriga a discussão pública projectos de dimensão significativa, a que sujeita a aprovação prévia do IPPAR para as obras em área protegida e a que obriga a cumprir na integra o estudo de impacto ambiental aprovado para a linha amarela e que previa a reposição integral das condições anteriores.

O verdadeiro 3 em 1.

É perfeitamente escusado virem agora atirar-nos as pérolas da genialidade para cima, porque a porcaria está feita. E repare-se que não é a genialidade que se está a discutir. É o modo.

Só há uma solução: uma dose de humildade grande, a abertura de uma discussão pública como deve de ser e a Lei obriga e, seguros da genialidade do mesmo, aguardar serenamente que aqui o comum dos mortais possa pronunciar-se e digerir semelhante pérola. Ficamos todos mais ricos com isso. Afinal, ainda somos os donos da coisa.

Francisco Rocha Antunes
Promotor imobiliário

De: Teófilo M. - "Génios" 

Caro Pedro,

mas que me importa que o Siza e o Souto sejam génios? Será que por chamarem génios aos senhores, eu tenho de concordar com todas as obras em que metem as mãos?

Gosta de jazz, mas isso quer dizer que vai pôr altifalantes na Foz, e durante 24 horas por dia transmitir Dianne Schuur (que estou a ouvir neste momento), que é comparativamente, o mesmo que vai acontecer aos portuenses, depois da requalificação da Avenida?

É que a Avenida é de todos nós, e não apenas de quem gosta ou de quem não gosta. O que está em causa, para além da destruição de uma coisa de que gosto, e que faz parte da história já não muito recente da cidade, é não se ter discutido a obra, pois a ter havido e a ter ganho a posição pro-Siza/Souto, lamentava, mas nada mais diria, pois é assim que entendo a democracia.

O projecto até pode ser muito bonito, mas são os próprios arquitectos que já vão dizendo, conforme li nos ALIADOS, que não estão a ser utilizados os materiais propostos, nomeadamente a cor do granito que passou de escuro a cinzento claro, numa perversão da obra original. Ora, se no princípio já vai assim o que é que se esperará do final?

Por outro lado, até eu que não sou especialista de arquitectura, não entendo como é que se fará uma revitalização da Avenida, alargando os passeios, diminuindo o miolo, e mantendo os cruzamentos perturbadores de uma continuidade desejável, ou mudando a estátua de D. Pedro IV, como se este afrontasse a Câmara, pois a estátua é equestre e o cavalito tem a patita no ar, que é sinal de desafio/combate!

Também não me esqueço, das loas que alguns arquitectos teceram em relação ao que fizeram na Cordoaria, e no entanto, por muito que o gabem, tenho saudades do velho jardim, que deveria não ter perdido o romantismo que o caracterizava, e que agora jaz despido de gentes e com uma plataforma sobre o lago que até agora nunca foi utilizada para os fins a que a destinaram.

Gosto muito do Porto, o que não me obriga a gostar da arquitectura do Hospital de S. João que me faz lembrar a arquitectura do Reich alemão, ou do posicionamento do 'Cubo da Ribeira' por muito que goste do José Rodrigues, e que encobre a fonte taurina, obrigando os fotógrafos a malabarismos para conseguir um enquadramento ideal e dificultando a sua percepção integral.

Ah! já me esquecia, há mais um pequeno detalhe. Se no fim ficar uma 'borrada' como é... desfaz-se e volta-se atrás, ou ficamos todos com 'aquilo'?

Cumprimentos
Teofilo M.

De: TAF - "Escultura ou Arquitectura?" 

Caro Pedro, esqueces-te de que estamos a falar de uma obra de Arquitectura, e não de uma Escultura em espaço público. Uma obra de arquitectura tem que funcionar de acordo com o que os utilizadores precisam, ao passo que uma escultura não tem o mesmo tipo de requisitos.

Mais: a suposta genialidade dos arquitectos não isenta o dono da obra do cumprimento da Lei. A esse respeito leia-se isto.

De: Pedro Aroso - "Os Aliados na AR" 

Caro Teófilo

Não era minha intenção tornar a dar para este "peditório" mas, já que insistes, repito aquilo que já disse e escrevi várias vezes: o Siza e o Souto Moura são dois génios! Eu sei que as suas obras são um pouco como o Jazz: ou não se gosta ou então gosta-se muito, como é o meu caso, que ouço esse tipo de música desde que me levanto até que me deito.

Tive oportunidade de analisar o projecto e fiquei absolutamente deliciado com aquilo que vi. Quando a obra estiver concluída, não tenho dúvidas que passará a ser um dos pontos de encontro mais aprazíveis da cidade. Isso mesmo entendeu o João Belo Rodeia, com quem estive há dias no funeral do Arq. Fernando Távora. Ao colocar a cabeça no cadafalso por esta obra, o João está a correr um grande risco, mas não parece preocupado porque está 100% convicto de que vamos todos usufruir de uma obra-prima. E eu concordo com ele!

Pedro Aroso

De: Teófilo M. - "Os Aliados na AR" 

Leio o JN e o título da notícia não me agrada muito - Intervenção da Metro nos Aliados "boa para a cidade".

Nem um ponto de exclamação no fim!

Depois, Oliveira Marques, o ex-demissionário presidente do Metro, diz que afinal a obra do Siza ainda não está adjudicada, como se fosse a falta de adjudicação que estivesse em discussão e não o projecto em si.

Mais grave ainda, as declarações do ex-presidente do IPPAR que para justificar o projecto recua a 1917, como se entretanto o mundo tivesse parado e a Avenida dos Aliados fosse alvo de permanentes críticas desde essa época.

A finalizar, a história da mudança de orientação da estátua equestre de D. Pedro IV, virando as costas a V. N. de Gaia, ou seja o oposto do que fez aquando da sua estadia na cidade.

Sobre todo este imbróglio, estranha-se que as forças vivas na cidade continuem mudas e quedas, preferindo discutir outros assuntos, que não sendo de menor relevância, não terão tanto impacto na zona da Baixa citadina.

O povo do Porto, uma vez que os jornais, nem as TV's dão grande atenção ao assunto, não participa, pois creio que a maioria nem sabe do que se passa.

Não haverá maneira de lhes chamar a atenção? Será que somos tão poucos a importar-nos com a Avenida dos Aliados? Como muito bem diz o Francisco Rocha Antunes, será que só quando mudarem a Torre dos Clérigos do sítio é que as pessoas irão acordar?

Agora que as micro-causas começam a estar na ordem do dia, não será esta uma micro-causa para os 'blogs' que amam o Porto.

Para mim é.

Cumprimentos
Teofilo M.

De: Paulo Espinha - "O planeamento pela negativa..." 

Caro Pedro,

Porque é que eu digo que falta a Rui Rio visão? Exatamente pelo que disseste.

1) A autarquia deve dirigir, orientar, levar os outros a... Não é operando pela negativa que se atinge o que se quer. O mercado arranja logo forma de ultrapassar as directrizes negativas, as proibições e as taxas altas. No caso presente, o investimento foge ou então espera, pois tem capital suficiente para isso, que Rio vá embora. O que há a fazer é qualificar os factores de atracção da Baixa. Quem sabe, uma nova "Rua do Almada"... Será que não ensinam isto nos bancos da escola de economia?

2) Rui Rio ainda não percebeu que o Porto está em competição com os pólos vizinhos?

3) Rui Rio ainda não percebeu que a alta burguesia portuense não está a facturar? E sem isso, que não há sobras para os menos favorecidos?

Eu confesso que fico siderado com tanta inteligência ou falta dela...

Paulo Espinha

De: Pedro Aroso - "A Vida Continua?" 

Durante muito tempo acreditei que os Serviços de Urbanismo da CMP não funcionavam, porque os funcionários eram incompetentes e mafiosos. Hoje tenho dúvidas que seja essa a causa e explico porquê: ao contrário daquilo que muitos afirmam, Rui Rio tem um projecto claro para o Porto, que passa pela "proibição" da construção fora da Baixa. Essa estratégia está consubstanciada no PDM, com a redução para metade dos índices volumétricos, e nos valores exorbitantes das taxas. Não me surpreende que, a par destas medidas, os Serviços tenham sido instruídos para dificultar a vida aos munícipes e em particular aos arquitectos, que no mandato anterior passaram ser tratados como personas non gratas. Os resultados estão à vista: a cidade está paralisada e os arquitectos sem trabalho. Por outro lado, não se vislumbra um aumento significativo de intervenções na Baixa, porque entretanto os preços dos terrenos e dos edifícios para recuperar aumentaram exponencialmente. Rui Rio ainda não percebeu que esta opção é um fiasco e uma tragédia para a economia da cidade, que todos os dias perde emprego em favor dos concelhos vizinhos. A este respeito, não tenho grandes ilusões. A Vida vai continuar, é certo, mas vai continuar na mesma.

Pedro Aroso

De: David Afonso - "A Vida Continua" 

Fico aliviado por ver que a vida continua por estes lados. A vitória de Rui Rio só vem reforçar a necessidade de se manter um espaço de debate como este. E já voltámos a falar da cidade e tudo! É caso para dizer: «Vamos a isto, Porto!» ;-)

1. Rocha Antunes vai directo ao assunto: a grande «força de bloqueio» (estive a actualizar o meu vocabulário cavaquista...) da cidade do Porto são os serviços de urbanismo da Câmara Municipal. Completamente de acordo! Se Rui Rio não conseguir resolver este problema, falhará totalmente o seu próximo mandato. Esse é um assunto da exclusiva responsabilidade da autarquia e, inevitavelmente, dos tribunais. Como não espero muito de Rui Rio, vou exigir-lhe apenas este programa minímo: devolver a normalidade (possível neste país) aos serviços de urbanismo. Quanto ao resto estamos cá todos nós, portuenses. E este resto o que é? Por exemplo, a cultura que vai ser (tem de ser) um dos grandes sectores estratégicos do Porto, apesar de Rui Rio. Já aqui deixei uma amostra de algumas ideias. Estas e outras ideias, para o sector cultural ou para qualquer outro, devem ser discutidas pela cidade, com ou sem a autarquia. Devemos aproveitar esta oportunidade única que Rui Rio nos dá, ao pretender reduzir a intervenção da Câmara à sua mínima expressão (pelo menos é isso que eu deduzo do seu não-programa eleitoral). É a oportunidade de sairmos da menoridade cívica em que decaímos nos últimos anos.

2. A propósito de escritórios na Baixa. É verdade, eles existem, mas o mercado ainda não se adaptou às necessidades emergentes: espaços abertos, multi-funcionais, contratos de arrendamento flexíveis, serviços de apoio. Se eu precisar de um espaço apenas por dois meses, como vou eu convencer um senhorio da bondade desta minha necessidade? Se arrendo um escritório, tenho ainda de fazer a via sacra da EDP, PT, SMAS e etc, perdendo com isto tudo um tempo precioso, que deveria ser dedicado ao trabalho. Sei do que falo: já tive escritório na Rua da Fábrica, na Rua de Miguel Bombarda e na Praça General Humberto Delgado (Aliados). Nestes últimos dois casos, os senhorios ainda preferiam manter o edifício meio desocupado do que baixar os valores ou flexibilizar os contratos. Eu sei que se precisasse de 5.000 m2 o Rocha Antunes era capaz de me resolver o problema, mas o meu problema, bem como o da cidade, afinal é outro. Não precisamos tanto de escritórios-âncora, mas de escritórios e ateliers-semente.

David Afonso
[email protected]

De: Miguel Barbot - "FRA" 

Caro Francisco,

Conheço pelo menos 3 casos de empresas que tiveram dificuldade em encontrar espaço... uma delas acabou por ampliar as instalações no Cidade do Porto como último recurso. Na altura achei curioso saber que existiram problemas com licenças em alguns dos espaços disponíveis.

Como sabe, um escritório para muita gente precisa de outras valências para além do espaço.... precisa de, no mínimo, estacionamento, acessibilidades e infraestruturas e geralmente o seu aspecto e a localização (prestígio, investimento) também contam bastante... Se conhecer algo numa boa zona (que não seja um degredo), que não obrigue a grandes obras (custos) e que esteja pronto a utilizar num prazo razoável agradeço que nos indique.
--
Nota de TAF: A questão das obras pode eventualmente ser irrelevante desde que devidamente negociada com o proprietário e se o prazo de entrega não for demasiado curto. Volto a insistir no lobby para os casos em que não se trate apenas de mediação imobiliária. Acho que vou fazer disto a minha "micro-causa", seguindo os exemplos do Abrupto e do Bloguítica... ;-)

2005/10/11

De: Pedro Lessa - "Passaram 4 anos?" 

Começo por verificar que logo no 2º dia após as eleições, começam a surgir aqui no blog opiniões do que fazer ou não fazer. Considero um bom presságio.

Por outro lado, fico surpreso (ou talvez não) quando leio opiniões de quem votou no Dr Rui Rio onde se diz que o Urbanismo funciona mal, projectos chumbados por dois vereadores no mesmo mandato (!!?!), um senhor da lista eleita que parece um iraquiano a falar, é preciso investimento imobiliário quando o PDM proposto indica investimento/construção ZERO ou quase, não existe PDM??....

Será que estes 4 anos passados não existiram? Estivemos este tempo todo a criticar precisamente isto e onde nada foi feito e agora diz-se o mesmo? Estamos a começar da estaca zero? Este é o primeiro mandato do Dr Rui Rio?
Aceito que me digam que é o que está mal e é preciso combater. Mas então para que votaram novamente no senhor?

Quando Fernando Pereira diz que "nunca a “cidade” do Porto poderá contribuir positivamente para o seu futuro" enquanto não interiorizar o mérito, eu pergunto que mérito? Com o exemplo deste 4 anos? E depois diz:
"O Presidente da Câmara que se ocupe, das pequenas coisas, que limpe a autarquia das burocracias, desperdicios e corrupção, que sustente o processo de revitalização da Baixa, que imponha regras de funcionamento da cidade, que limpe a cidade, que aumente a mobilidade dos cidadãos, que ajude a criar condições de usufruto do espaço público."
Se nada disto foi feito, será agora com a maioria que se vai fazer? E, mais uma vez, não se passaram 4 anos para se fazer?

O Presidente da câmara tem de ser o grande idealista, tem de ser o pensador da cidade, tem de andar atrás de quem tem a iniciativa empreendedora para oferecer orientação. Que "iniciativa privada" investe na cidade quando nem o Presidente sabe o que fazer?

Quanto ao lobby tenho as minhas reservas, mas não o rejeito. Considero é que quando o exemplo que vem de cima é tão mau enfrentaremos não um mar de entraves mas um oceano.

E quando Miguel Barbot pergunta, será que existem condições na Baixa?
Claro que quem quer vir para a Baixa sabe que existem. É preciso é que lhes sugiram condições e exista abertura do município para tal.
Porque razão o Corte Inglês queria vir para a Baixa? Para ter prejuízo não era de certeza.
E mais, porque razão os grandes grupos internacionais ligados à Reabilitação já com alguma obra nos seus centros históricos, analisaram o nosso e fugiram a sete pés? (conheço dois casos, um galego e outro inglês)

Cumprimentos a todos.
Pedro Lessa
[email protected]

De: F. Rocha Antunes - "Escritórios na Baixa" 

Caro Teófilo M.,

Se é verdade que foi o abandono dos bancos e das companhias de seguros que reduziu o peso económico da Baixa, também é verdade que foram essas empresas que fizeram a maioria dos magníficos edifícios dos Aliados, por exemplo.

A Baixa tem espaço para tudo: para as grandes empresas, para os pequenos escritórios, para habitação económica, para habitação média, para habitação de luxo, para comércio de vizinhança, para os grandes mercados de influência regional, como um dia o Bolhão irá ser porque hoje não é nada, para as associações, para os teatros, os cinemas, para tudo o que faz uma cidade.

Há prédios de escritórios que estão a ser reconvertidos em habitação, há edifícios de habitação que serão reconvertidos em escritórios, o mais importante é que haja investimento, procura, oferta, negócios, turismo, gente a morar, gente a passear, gente a comprar, gente a espreitar, gente a namorar, gente, gente, gente.

O que é preciso é criarem-se condições objectivas para o investimento. A procura, não tem qualquer dúvida, existe. E quando há procura, a oferta só não aparece se não a deixarem aparecer. O que, com as dificuldades criadas ao investimento, tem sido o caso do Porto. Pelo menos quando se comparam os desempenhos das entidades camarárias de licenciamento com os dos concelhos vizinhos.



Francisco Rocha Antunes
Promotor imobiliário

De: Teófilo M. - "Que tipo de escritórios para a Baixa" 

Ao meterem escritórios na Baixa é bom que se acautele quem vão ser os seus utentes, pois foram os grandes escritórios (banca, seguros) que a arruinaram, fazendo-a ser apenas o local por onde passam milhares de pessoas que entram entre as oito e trinta e as nove horas, que ao meio-dia dão uma saltada ao café em frente para (geralmente em pé) trincarem algo que lhes alivie a fome, até se retirarem entre as sete e oito horas, deixando a Baixa vazia de movimento, pois a informatização retirou a clientela aos seus balcões.

A Baixa terá de ter comércio, entretenimento, prazeres, sedes de associações, ou serviços de frequência elevada e com expectativas de continuidade.

Trazer estudantes para a Baixa é uma das ideias que se perfila no horizonte e que tem pernas para andar, uma vez que já há transportes rápidos que dão acesso aos diferentes polos universitários, e a sua fixação na Baixa arrastará outro tipo de necessidades que dinamizarão aquele local.

Depois é bom não esquecer o turismo, fomentá-lo, criar hotéis de charme, criar esplanadas com animação, trazer eventos à cidade, farão com que esta se modernize e saia das suas fronteiras naturais.

Agora, a Câmara que se espevite e actue junto dos investidores propondo-lhes actividades e locais para que eles se instalem, de maneira a servirem quer os seus interesses, quer os da cidade.

Já que Rui Rio gosta tanto de carros antigos, porque não incentivar a instalação de oficinas de restauro de renome, ou de construtores de acessórios, o mercado é aliciante, e simultaneamente poderiam existir feiras e clubes que ajudassem à divulgação, na Baixa. Locais não faltam. Operários também.

Fazer do Porto uma montra de exposição da região, criando um ponto de encontro fomentador da exportação dos nossos produtos do interior, ao mesmo tempo que contribuíamos para o crescimento do País.

Haja vontade!

Cumprimentos
Teófilo M.

De: TAF - "Negócios na Baixa" 

Caro Miguel, este tipo de necessidades é que era missão para um lobby eficiente. ;-)

Quando não se consegue encontrar algo no mercado, seja imobiliário ou outro qualquer (o que, segundo o Francisco, parece não ser o problema neste caso concreto), uma rede de contactos bem organizada pode perfeitamente servir para fazer nascer a resposta à procura. Um lobby competente pode desenhar e negociar uma solução num âmbito mais vasto do que o abrangido pelos agentes sectoriais actualmente existentes, cumprindo assim o propósito para que teria sido criado.

De: F. Rocha Antunes - "Podia repetir a pergunta?" 

Caro Miguel Barbot,

Não percebi o que disse a propósito dos 5.000 m² de escritórios.
Quer 5.000 m² de escritórios na Baixa? Escolha o sítio. Aliados, serve? De que lado?

Com e sem estacionamento, com transportes públicos novinhos em folha, regionais e suburbanos. É só pedir. Para entrega no ano que vem, no ano a seguir. E com jeito com entrega a 6 meses.

Francisco Rocha Antunes
Promotor imobiliário

De: Miguel Barbot - "Agora fiquei baralhado..." 

Caro Pedro Aroso,

Diz que ficou contente com a maioria absoluta do RR, compreendo, mas o que não compreendo é a sua total descrença face a outras alternativas, pois pelo quadro que apresenta no seu post não vemos motivos senão para chorar...

Relativamente ao Pelouro do RS e a crer na notícia do DN a atribuição do Urbanismo e mesmo do seu tão querido e desejado Pelouro da Habitação serão atribuídos a alguém mais próximo a RR. Pessoalmente também não me acreditava que o RS fosse o melhor vereador para o Urbanismo.

"Fonte próxima do autarca admitiu ao DN que Rui Sá será convidado para voltar a integrar o Executivo. No entanto, parece certo que o pelouro a atribuir será de pouca responsabilidade. O Ambiente, que actualmente detém, está fora de questão."

De: Miguel Barbot - "Fernando Pereira - «Pós-eleições»" 

"O Presidente da Câmara não tem de ser o grande idealista ou pensador da cidade, nem tem de andar atrás de quem vai abrir um canal de televisão ou um aeroporto, deixemos as iniciativas privadas conduzir os investimentos para onde são mais úteis."

De acordo, mas e quando as iniciativas "privadas" são "privadas" da possibilidade de investimento tornar-nos-emos um dormitório de Matosinhos, Gaia e Maia?

Lanço uma outra ideia... uma empresa de dimensão considerável (e que se quer rentável) que se queira instalar no Porto ou ampliar instalações não consegue encontrar para venda 5.000 metros quadrados (devidamente licenciados) para instalar escritórios... vai encontrá-los na Baixa?

De: F. Rocha Antunes - "Serviços de Urbanismo" 

Meus Caros,

Tentando regressar ao trabalho, proponho que nesta fase que agora se inicia se volte ao essencial deste blogue: a Baixa e os problemas que os serviços de urbanismo causam à cidade e à economia da região.

O Dr. Rui Rio reconheceu, em campanha, que se havia área em que tinha falhado era na eficiência dos serviços de urbanismo. É um bom começo, reconhecer o erro. Mas é curto se ficar por aqui.

Assim, e antes de se saber quem é o próximo responsável do Urbanismo e Mobilidade (outra área em que a gestão corrente foi inexistente), convém relembrar ao futuro executivo que parte da economia da cidade e da região passa pelo investimento imobiliário.

Há toda a legitimidade de se escolher que tipo de investimento imobiliário se quer, mas uma coisa é certa: algum investimento imobiliário é preciso. A transparência e a rapidez de análise são, num mundo competitivo como o de hoje, essenciais para atrair o investimento imobiliário qualificado e responsável. E não vale a pena escamotear a realidade: os serviços de urbanismo da Câmara Municipal do Porto funcionam muito mal. Tão mal que muitos investidores profissionais se recusam sequer a analisar hipóteses de investimento aqui. E isso tem de mudar rapidamente.

Pela minha parte irei acompanhar de perto o que se passa e o que se vai ou não fazendo nesta matéria. Porque me importa e porque não importa apenas a mim. E não vou achar que é um problema de pessoas, ou apenas um problema de pessoas. É mesmo falta de ter sido, até agora, uma prioridade política clara.

A visibilidade do assunto pode ajudar muito à sua melhoria. Tragam exemplos e situações para todos podermos expor o que se passa. Para que se perceba que agora tem mesmo que se resolver o que houver por resolver.

Francisco Rocha Antunes
Promotor imobiliário

De: Pedro Aroso - "Esperar para ver" 

Se bem me recordo, os únicos intervenientes habituais da "Baixa" que manifestaram publicamente o apoio a Rui Rio, foram o Francisco Rocha Antunes e eu. Mentiria, por isso, se dissesse que não tinha ficado satisfeito com esta maioria absoluta. No entanto, e ao contrário da generalidade dos comentadores, não creio que este mandato venha a ser mais fácil para Rui Rio:
  1. A sua equipa parece-me bastante heterogénea, embora tenha uma característica comum: obediência cega ao líder! Isto mesmo ficou demonstrado no debate do Majestic, com aquele discurso interminável do Sr. Lino Ferreira que, ao que tudo indica, vai ter um papel preponderante neste Executivo. Não sei porquê, aquele senhor faz-me lembrar o porta-voz do governo iraquiano antes da invasão das tropas anglo-americanas. Por outro lado, não encontro na lista ninguém com competência e perfil para ocupar o pelouro do Urbanismo; consequentemente, não me desagradava nada que essa cadeira fosse confiada ao Eng. Rui Sá. Mas desenganem-se aqueles que, como o Tiago, acreditam que Rui Rio lhe vai entregar esse pelouro. Era bom demais!

  2. Existem muitas dezenas (talvez centenas) de projectos que, tendo sido aprovados pelos Executivos anteriores e até pelo Ricardo Figueiredo, foram entretanto chumbados pelo Dr. Paulo Morais. Os lesados ficaram a aguardar os resultados das eleições antes de avançarem com os pedidos de indemnização a que têm direito. Tudo leva a crer que nos meses mais próximos os tribunais sejam inundados com processos. Por outro lado, a reorganização dos Serviços do Urbanismo encontra-se na estaca zero e, qualquer que venha a ser o vereador, vai levar alguns meses até que consiga tocar naquele ninho de abelhas.

  3. Quando Fernando Gomes era presidente da CMP, foi aprovada na Assembleia da República a proibição de acumulação deste cargo com o de eurodeputado. Pelos vistos, esse impedimento não é extensivo aos vereadores e, assim sendo, Francisco Assis vai acumular… Parece-me um mau começo, pois é revelador do seu "empenhamento" na forma como vai acompanhar os problemas da cidade, ou seja, a partir de Bruxelas!
Em todo o caso, julgo que devo conceder aos eleitos um período de tréguas e dar-lhes tempo para me provaram que estou enganado.

Pedro Aroso
--
Nota de TAF: Eu não disse que acreditava, apenas dei a sugestão... ;-)

De: Fernando Pereira - "Pós-eleições" 

Mais do que um poder absoluto nas mãos de um só homem para gerir os destinos da nossa Câmara, é a perspectiva de ela vir a ser governada contra a própria cidade.

Eu sei que nem sempre os resultados eleitorais agradam a toda a gente, mas não terão sido os eleitores do Porto (ou seja, a cidade, em termos da democracia) a dar a maioria absoluta ao Dr Rui Rio?

Parece no mínimo abusivo dizer que agora aquele em quem a cidade votou não tem o apoio dessa cidade. Não apoio unânime, mas maioritário.

O que me preocupa mais é que enquanto não se interiorizar que tem de haver algum mérito em quem tem um resultado destes e que não adianta assumir a pose dos “intelectualmente esclarecidos” que sabem mais do que o povo (veja-se o drama do Dr Carrilho, como exemplo mais fiel desta atitude) nunca a “cidade” do Porto poderá contribuir positivamente para o seu futuro.

É por isso que a ideia de lobby do TAF é a única saida.

Aceitamos os resultados, reconhecemos os vencedores e assumimos que o papel da Câmara é limitado e que nos compete a nós fazer o resto (eu diria o principal).

O Presidente da Câmara não tem de ser o grande idealista ou pensador da cidade, nem tem de andar atrás de quem vai abrir um canal de televisão ou um aeroporto, deixemos as iniciativas privadas conduzir os investimentos para onde são mais úteis.

O Presidente da Câmara que se ocupe, das pequenas coisas, que limpe a autarquia das burocracias, desperdicios e corrupção, que sustente o processo de revitalização da Baixa, que imponha regras de funcionamento da cidade, que limpe a cidade, que aumente a mobilidade dos cidadãos, que ajude a criar condições de usufruto do espaço público.

A economia e os canais de TV e o movimento no Aeroporto e a concorrência com as outras cidades, etc., virá logo a seguir, conduzida por todos nós, cada um na sua área.

Enfim, acredito que o papel do blog deve ser o de lobby, não para influenciar ou comandar os políticos eleitos mas antes para dar exemplos de como pensar, como fazer e como intervir na cidade.

Para isso, estou por aqui.

Fernando Miguel Pereira

De: Cristina Santos - "The day after" 

Depois de uma maioria absoluta a Cidade acordou cinzenta e silenciosa.
Pela manhã nos cafés onde habitualmente se discutiam as notícias do JN, o ambiente era mudo e rigoroso.

Para mim era impossível que aqueles portuenses estivessem tão calmos, afinal tínhamos ido a eleições do dia anterior, não havia nada para comentar?
Estariam finalmente sossegados quanto às questões do metro, da avenida, do túnel?
Ou estariam simplesmente estúpidos face a esta maioria?

Na verdade também eu me sentia um pouco reprimida e até culpada, nunca imaginei uma maioria absoluta, com os olhos para o balcão sem encarar a senhora que é daquelas socialistas conservadoras (vota sempre PS), abri a discussão com um estrondoso – Atão Rui Rio ganhou a maioria?!

Bem meus amigos, passei o dia mal disposta, os presentes não estavam pelos ajustes, justificavam esta maioria com a sondagem da Inter-campos, argumentavam que os fascistas correram às urnas para salvar o Rio - acabando por lhe dar a maioria absoluta. Quase num insulto pessoal, (sim insulto pessoal porque isto de dar opiniões tem consequências) diziam que a Cidade do Porto estava perdida, «…porque só cá tinham ficado os fascistas» …. «A gente boa tinha saído da Cidade…».

No restaurante o ambiente era o mesmo, pareciam todos empenhados em afirmar publicamente que não tinham votado Rui Rio. Afinal o presidente ganhou maioria e eu ainda não tinha encontrado ninguém que estivesse contente ou pelo menos admitisse ter votado na coligação?!

Uma maioria absoluta e nada muda, nem sequer um pouco de entusiasmo?!
Ninguém disponível para aceitar o peso desta eleição?

Os olhares desconfiados encaravam aqueles que poderiam ter votado Rui Rio, quase como um apuramento - foi um dos almoços mais curtos destes 4 anos.

Havia algum entusiasmo, havia aqueles que assumiam o voto em Assis e prometiam auditorias, processos em tribunal, pragas e maus presságios para os que votaram em Rui Rio.
O que me levantava outra dúvida, se todos tinham votado no Sr. Assis como é que o PS perdeu as eleições? Há tantos socialistas na Cidade, quase 3 por cada pessoa que encontro.
O que se passa ser socialista é só moda? Se são socialista porque não foram às urnas, serão tudo traidores?

O mais estranho é que muitos argumentavam que se Cardoso fosse o candidato, tinham ganho as eleições.

Enfim mas o sentimento reinante era o medo, a surpresa e a apatia geral, sentimentos nada próprios para uma maioria absoluta.

Hoje continuam todos calados, ninguém se atreve a falar nestas eleições, uns por peso na consciência, outros porque não querem ser discriminados e outros porque finalmente percebem que ser socialista não chega.

O que me parece é que há quem ainda não percebeu que Rui Rio ganhou, que as coisas tendem a mudar, que vem aí o OE penalizador com certeza e que os socialistas só voltam a ganhar quando forem mais comedidos no desejo de poder, a culpa desta maioria não é dos apoiantes de Rui Rio é da falta de apoiantes para os outros partidos.

Não adianta pragas ou lamentos, temos que seguir sem ódios, sem divisões, numa colaboração mútua pela Cidade.

De: Evaristo Oliveira - "Com esta maioria, ..." 

"... já não é preciso «muleta»"

Não gostei mesmo nada da maioria absoluta conseguida por Rui Rio.

Mais do que um poder absoluto nas mãos de um só homem para gerir os destinos da nossa Câmara, é a perspectiva de ela vir a ser governada contra a própria cidade.

Nos quatro anos antecedentes, encontramos laivos de condutas menos próprias, e de falta de urbanidade nas atitudes do Presidente.

São, aliás, profusamente conhecidas atitudes de desrespeito e desdém, para com os agentes da modernidade das nossas vidas cívica, cultural e intelectual, levando-me a pensar agora, com a sua liderança reforçada, que elas vão ser, (aliás já começaram, no seu discurso de vitória) mais acintosas e refinadas.

Há, no entanto, nesta maioria absoluta algo clarificador, o nosso homem, não precisará de muleta para continuar a sua anquilosante e funesta obra.

Tem agora, tempo de sobra o Sr Engº Rui Sá, (não me parece que vá continuar com a presidência dos SMAS, ou, se continuar, a ilação a tirar é preocupante para os seus eleitores...) para fazer o balanço dos desvarios que “permitiu” durante quatro anos!

Evaristo Oliveira

De: TAF - "Jornais" 

- Prazo para fechar o buraco do Túnel de Ceuta frente ao museu termina hoje
- Núcleo de fundadores rejeita proposta do Governo para a Casa da Música
- Núcleo de fundadores desiste da Casa da Música
- Rio admite dar pelouro a Rui Sá
- Porto: empate na Assembleia Municipal beneficia direita

De: Hugo Enes - "Um dia muito cinzento" 

Como portuense (votante) recentemente obrigado a "emigrar" para Lisboa (onde me sinto muito bem), fico muito preocupado com a vitória de RR (confesso que votei nele no primeiro mandato).

Uma cidade faz-se afirmativamente! Decidindo o melhor para si e competindo com as outras cidades no contexto europeu. Ora, um Presidente cuja ambição para o mandato é manter as contas da autarquia equilibradas e assistir a alguma recuperação da baixa do Porto, não está capaz de constituir uma liderança mobilizadora. O RR é a total renuncia à competição, é o atirar da toalha ao chão, é a Coimbrização do Porto.

A vitória do Rui Rio no dia de ontem, fez-me lembrar a vitória do "não" à regionalização. É o mesmo sabor amargo de mais uma oportunidade perdida de o Porto ter uma voz forte. Mais uma vez, fico com a sensação de a cidade ter dado um tiro do pé e feito uma escolha contra os seus interesses. Mais, parece-me que é a vitória de um complexo de vergonha induzido pela comunicação social de fora da cidade.

Deixando para trás este dia cinzento e olhando para o futuro, deixo-vos com três ideias que julgo que os "Portuenses" da Póvoa a Espinho deviam bater-se:
Não é o Presidente da Câmara que poderia conseguir por si só a concretização destas ideias, mas poderia ser o líder, o mobilizador e o "lobbyist". É aí que RR falha totalmente.

Hugo Enes

2005/10/10

De: TAF - "O lobby" 

Precisamos de um lobby aqui no Porto. Profissional. A sério. Gente capaz de pressionar com eficácia e fazer mexer a sociedade e o Estado. Forçando a implantação de uma “política open source”. Obrigando nos tribunais ao cumprimento da Lei por parte do Estado. Promovendo a racionalização de esforços públicos e privados, colocando as pessoas a falar umas com as outras. Conquistando o interesse de investidores. Propondo soluções realistas para diminuir os "custos de contexto".

Já tenho escrito não-sei-quantas vezes que o Estado (Administração central ou local) deve actuar apenas onde a iniciativa privada não pode, não quer ou não sabe. E, em geral, apenas enquanto não pode, não quer ou não sabe. Nunca tive ilusões de que a Câmara do Porto pudesse ser o motor da cidade e da região. Ao contrário do que o PS queria, não é função da autarquia “definir uma estratégia”.
«Afinal seria uma estratégia definida por quem, dirigida a quem, implementada por quem?
Não precisamos por isso de “uma estratégia”. Precisamos apenas de um Estado que não complique desnecessariamente a vida a quem quer trabalhar e que deixe a “sociedade civil” evoluir por si própria.
Nada impede, apesar de tudo, que tentemos coordenar esforços. Sugerindo áreas de actuação. Criando produtos ou serviços complementares aos já existentes. Investigando em conjunto. Promovendo recursos comuns, sejam eles privados ou públicos. Tudo isto sem forçar consensos nem impor soluções.»
Ou seja, trata-se de gerir recursos humanos numa situação em que não existe uma hierarquia. Confirmado Rui Rio, já se sabe que o seu forte está longe de ser este… Por isso, há aqui uma necessidade que deve ser suprida por “nós”. O tal lobby. Organizamo-nos? Ou vamos desperdiçar mais quatro anos à espera de um D. Sebastião?

De: Miguel Barbot - "RR, FA e RS" 

Continuo sem perceber onde os portuenses foram "pescar" o rigor e a seriedade do Dr. RR e onde foram desencantar a não seriedade e o não rigor do Dr. FA.

Em longa conversa com alguns votantes RR de última hora, apenas conseguiram justificar o voto com duas coisas: o Gabinete do Munícipe (com uma visita anual ao mesmo)... e o rigor e a seriedade, embora não me explicassem porque é que o FA não é digno do mesmo rótulo.

A propósito, tinha expressado a minha vontade de votar no RS mas à última da hora votei contra RR.

Em relação ao rigor, só me ocorre uma coisa: Metro na Boavista + viaduto + terrenos IMOLOC + corridas de carros... Quanto à seriedade só me ocorre uma outra coisa: RR vs FCP e PDM vs BFC. Mas, se calhar, sou eu quem tem uma visão enviezada das coisas....

A propósito, o discurso de vitória a tentar colar ao espírito de defesa do Porto foi digno de um caciqueiro...

Enfim, a vida continua e esperemos que o Rui Sá tenha um pelouro neste executivo. Teremos 4 anos para esperar pela obra.

Abraços,
MB

De: Rui Valente - "O desgosto!" 

Rui Rio ganhou, parabéns à democracia, mas eu não gostei. Estou zangado com esta democracia, porque erra muitas vezes.

Por estranho que pareça, ainda estou por entender o que viram os eleitores do Porto em Rui Rio, para lhe darem outra vez a vitória e que eu não fui capaz de ver. Talvez eu sofra de miopia aguda e não o saiba…

Reconheço que o facto de não gostar da personagem nem pintada - porque continuo convencido que o homem não sente a alma tripeira - me limita à partida a capacidade de análise, mas mesmo assim, procurando ser racional, a única coisa que consigo louvar-lhe, é eventualmente o acto de saneamento de alguns resquícios de corrupção no município.

De resto, mesmo dando de barato o facto de ter terminado algumas obras iniciados pelos seus antecessores, este resultado eleitoral parece-me tão pouco ambicioso pela parte de alguns portuenses, que me leva a prever um futuro muito pouco risonho para a nossa cidade.

Este novo voto de confiança num homem de perfil retintamente burocrata, recorda-me o “porreirismo” dos condutores domingueiros que se embriagam todos de felicidade por contribuírem para os engarrafamentos nas suas viagens bucólicas de regeneração espiritual duvidosa, sem se importarem minimamente com o direito dos outros ao usufruto da estrada!

Rui Rio vai levar uma eternidade a restaurar a cidade. Com ele, a cidade vai levar uma eternidade até percebermos que tem um rosto novo (se vier a ter)!

O tempo o dirá! Depois não digam que não avisei!...

Rui Valente

De: TAF - "Em frente!" 

- Porto vai ter novo espaço de exposições de arte contemporânea
- Aliados levam Câmara e Metro ao Parlamento - ler também o Aliados
- Cafés que ficaram na história da boémia cultural portuense
- Turismo do Norte aposta nos estudantes

De: Pedro Lessa - "Na ressaca..." 

... e depois de conhecidos os resultados destas eleições, devo confessar que me senti algo surpreendido.

Tinha a perfeita noção de que Sr Rui Rio tinha algum capital de simpatia, o suficiente para a reeleição, mas fiquei surpreso com a maioria.
Mas enfim, nada a dizer. Está feito. Só nos resta esperar por melhores tempos.
Tristes tempos em que a nossa cidade vive (julgo que para o país também). Quando para a maior parte dos portuenses chega a "seriedade, o rigor, etc, etc" para eleger um presidente de câmara, vejo o futuro com apreensão.

Esta foi a prova de que realmente o Porto e a região do Norte (as suas gentes digo eu) já tiveram mais força e poder de afirmação e reivindicação. Para continuar a viver, a cidade só precisa de ter as contas em dia e sermos todos muito honestos. Parece que os possiveis "bons" candidatos para gerir autarquias se esfumaram e para se ter alguém supostamente com dinâmica de acção só nos restem os valentins, as fátimas e os avelinos no meio do seu lodaçal...

Mas, reconheço que em Democracia (mesmo na nossa que tem levado muitos pontapés) temos sempre de dar o benefício da dúvida.
Pode ser que o novo presidente agora eleito (novo porque tem novo elenco e uma maioria), decida ter um mandato com os horizontes mais alargados, com as prioridades bem definidas e com uma nova sensibilidade das necessidades da cidade.
Como me considero optimista tenho esta esperança. Apesar de ser difícil, se pensarmos bem e a fundo nas razões de quem votou para estes resultados.

Quanto ao Baixa, espero que mantenha o sentido crítico que sempre me pareceu ter nos contributos apresentados para que a influência civica nesta nova maioria seja determinante, porque em relação ao Urbanismo todo o cuidado e atenção são poucos como alerta e muito bem o Arq. JPV no seu último post.

Cumprimentos,
Pedro Lessa
[email protected]

De: Paulo Espinha - "O Porto Votou... II" 

Caríssimos,

É agora que o Porto assume a Presidência da Junta Metropolitana????
Ou vamos continuar no mesmo Populismo a partir de subúrbio aqui ao lado????

Paulo Espinha

De: TAF - "Os resultados com mais pormenor" 

Além dos resultados que já aqui publiquei, vale a pena analisar também outros dados mais pormenorizados que estão (intermitentemente...) disponíveis no site do STAPE

- Câmaras Municipais do Distrito do Porto
- Assembleias Municipais do Distrito do Porto (total e por concelho)
- Juntas de Freguesia no Concelho do Porto (total e por freguesia)

Os vídeos da SIC:
- Rui Rio
- Francisco Assis

PS:
Neste cenário, de realçar a importância do papel de José Pedro Aguiar Branco como Presidente da Assembleia Municipal, moderando os ímpetos mais irracionais de Rui Rio. ;-)

De: Paulo Espinha - "O Povo Votou..." 

Carissimos,

Não gosto de Rui Rio! Considero que não tem nada a dar à cidade!
Até hoje funcionou pela negativa. Permanentemente contra tudo e contra todos!
A partir de ontem é diferente! O povo votou. Deu-lhe a maioria absoluta.
Agora não tem mais desculpas. Estamos à espera de inaugurações suas.
Já não há mais herança para inaugurar!
E como agora vai ter mesmo que trabalhar construtivamente pela positiva, agora é que vamos poder avaliar se é mesmo tão diferente dos outros.
Pobre Porto...

Paulo Espinha

De: Carlos Ribeiro - "Maioria absoluta..." 

Olá, Tiago

Relativamente aos resultados apurados para a Assembleia Municipal, em que aparentemente o PSD/PP não tem maioria absoluta, é preciso somar aos 18 lugares eleitos, nove presidentes de Junta, que têm assento na AM por inerência do cargo, o que permite à coligação completar 27 lugares. O PS elegeu 6 presidentes de Junta, pelo que a oposição reunida completa igualmente 27 lugares.

Este empate, pela aplicação da lei, há-de funcionar sempre, em caso de impasse, a favor da Coligação, pelo que na prática, a situação se traduz numa maioria absoluta na Assembleia Municipal.

Também espero que o meu PS não se remeta a uma atitude de bota-baixismo, que ao contrário do que por aí se teme, nem sequer é previsível, pelo menos para já. Nem saberíamos em que base poderíamos sustentar uma tal atitude. Com base no nosso projecto para a Câmara, não, porque o eleitorado portuense claramente o rejeitou. Com base em eventual incumprimento do Dr. Rio do seu próprio projecto também não, porque nunca o teve ou, se teve, nunca o percebemos.

Vamos andando e vamos vendo, mas parece-me que se o Dr. Rio tem condições fortíssimas para governar a Cidade à sua maneira, há que aceitar que foi assim que os portuenses quiseram e respeitá-lo por isso.

Por outro lado, se uma oposição institucional - a que tem assento nos órgãos municipais - está destituída de eficácia prática (o que umas vezes é bom e outras má, consoante ela própria tenda para o obstrucionismo puro e duro ou para o simples e crítico controlo democrático), então, é importante que os grupos de opinião e de crítica que se formam espontaneamente na sociedade civil, numa função cívica que é brilhantemente desempenhada pela "A Baixa do Porto", entre outros, funcionem. E que funcionem libertos daquelas idiossincrasias tiquentas próprias dos partidos políticos, apoiando quando tiverem de apoiar e criticando quando tiverem de o fazer.

Mas isso, os bloguistas desta Baixa sabem fazer melhor do que ninguém.

Um abraço

De: Cristina Santos - "A tal distinção política" 

Dando-se o caso de as diversas forças cumprirem, com aquilo que prometeram nos seus últimos discursos, a nossa Cidade pode vir a ser a primeira com uma governação isenta de partidarismos.

Rui Rio já provou as suas teorias, está livre para continuar com a sua diferenciação política.
Se até aqui justificou a sua diferença nos métodos de gestão da demagogia, pode agora optar por uma governação justa em entendimento com a oposição.

Isso marcava a diferença, desenvolvia a cidade e até não é uma medida difícil dada a disponibilidade já manifestada por Francisco Assis.

A gestão partilhada, justa, honesta e independente era o que melhor podia acontecer à Cidade e até ao País.

Aliar o rigor financeiro, a um pouco de socialismo e ao conhecimento palpável da cidade, era construir um futuro sustentável, uma cidade distinta, uma cidade que representa todos os Portuenses, todos menos os do Bloco de Esquerda, mas do mal o menos.

Isso era mesmo muito bom, era bom que Rui Rio continuasse a distinguir-se politicamente – desta vez partilhando e gerindo discussões segundo diversos pontos de vista.

Será Rui Rio capaz disso? Isso é que era uma diferença – uma referência nacional.

Cristina Santos

De: TAF - "Sugestão" 

Aqui vai a minha sugestão para a distribuição de pelouros: Urbanismo para Rui Sá.
Não só é provavelmente o vereador mais competente para esse efeito, como ficará imune às suspeitas que impendiam sobre o PSD.

De: Cristina Santos - "Rescaldo" 

Contra as expectativas a CDU continua a eleger 1 só vereador.
A governação partilhada fica assim dependente do bom senso do PSD.

Francisco Assis no seu discurso pós-resultados anunciou que apoiaria tudo o que se revelasse importante para a Cidade.
Rui Rio pareceu também disposto a aproveitar as mais-valias da oposição.
Esperamos que os ódios de estimação não impeçam o cumprimento destas duas afirmações.

De resto talvez tenha acontecido aquilo que vários participantes aqui afirmaram, na hora final os que tendiam para Rui Sá acabaram por votar em Rui Rio.
Não foi o meu caso, que sempre pretendi uma gestão partilhada fosse qual fosse o executivo eleito.

Rui Rio ganhou sem promessas, ganhou limpo, está de parabéns, não podemos nem sequer dizer que ganhou por falta de esforço do PS, dado que Francisco Assis e a sua equipa desenvolveram uma campanha forte, o que aconteceu é que a Cidade prefere quem tem os pés assentes no chão.

Esta visto que a Cidade não quer construção no parque da Cidade, não quer multi-usos, nem megalomanias, a Cidade prefere a recuperação do núcleo a uma representação regional.

Rui Rio agora não tem mais desculpas, com uma maioria absoluta nunca mais poderá alegar que a oposição não o deixa governar.

No que diz respeito à Baixa do Porto, tenho como certo que aqueles que não viram eleitos os seus candidatos preferenciais eleitos, vão manter a independência e avaliar o executivo conforme o proveito para a Cidade, evitando a crítica cega que várias vezes patenteou estes 4 anos.

Ganhou quem a Cidade quis e nós munícipes sabemos adaptarmo-nos a qualquer executivo, de acordo com o que pretendemos para a nossa Cidade.

Força, humildade, partilha e rigor é o que espero do novo executivo.

De: Teófilo M. - "Acordei bem disposto" 

Não há como uma boa luta para estimular as hostes, e um combate sério e aguerrido sempre me despertou a boa disposição.

Rui Rio venceu! Parabéns ao vencedor e honra aos vencidos.

A população do Porto decidiu, não para me fazer a vontade a mim ou a de qualquer um de nós que por aqui escreve, mas porque entendeu que Rui Rio merece mais quatro anos para mostrar o que vale.

Para mim, continuará a valer muito pouco até prova em contrário, e o discurso de vitória já o começou a demonstrar. A ver vamos. A carruagem ainda nem sequer tem os cavalos atrelados, bom será que não sejamos críticos, só pela vontade de o ser.

Este espaço, pluralista e com intervenientes com escolhas diversas, mostra a todos os que o visitam, que é feito de gente que gosta da sua cidade e que está bastante acima das tricas partidárias. Por isso gosto de andar por aqui.

Desejo que Rui Rio, agora com uma maioria absoluta, não faça o que geralmente fazem os que as alcançam, que é reforçar o autismo, imaginarem-se os donos da razão, terem só certezas e julgarem que só raramente é que se enganam, para além de vestirem o fato de penas que só os pavões tão bem sabem usar.

Assis, também me agrada, ao dizer que vai estar presente para o combate, esperemos também que o faça serenamente, com elegância mas firmeza.

Rui Sá, poderá agora mostrar o melhor de si, livre da ânsia do poder, lutando pela cidade que o castigou pela sua protecção ao executivo anterior.

Nós, por cá, espero que continuemos diariamente a defender a nossa dama, que bem merece, aplaudindo o que está bem e reclamando sobre o que está mal, podemos começar já hoje, pois a Avenida dos Aliados precisa de todos nós.

Cumprimentos
Teofilo M.

De: Fernando Pereira - "Eleições" 

Caros

Depois dos resultados de ontem, que me agradaram bastante, espero que seja possível fazer algumas reflexões sobre o seu impacto futuro.

É pena que possa perder-se o contributo activo de Rui Sá mas ainda penso que, com alguma arte do presidente da Câmara, possa ser possível aproveitar o contributo de Rui Sá sem que a dependência do seu voto crie ruído desnecessário em torno da actividade da CMP.

Gostei do resultado, agora, sem álibis nem desculpas, Rui Rio pode mostrar se marca positivamente o futuro da cidade, como eu acredito, ou se perde a sua oportunidade de demonstrar que a sua forma de fazer política é a que mais serve os cidadãos. Como disse aqui há dias, acredito que é, mas há erros que espero que não se repitam.

Não resisto a uma comparação com Lisboa. O Porto está no bom caminho. Os presidentes eleitos são de bom nível nos dois casos, mas acho que por cá podemos ter mais esperança no futuro. A nossa oposição é melhor, Assis muito melhor que Carrilho, Sá muito melhor que Ruben Carvalho, e não temos a figura do BE a irritar tudo e todos. E discutiram-se mais ideias para a cidade. E agora clarificou-se a situação com uma maioria absoluta. Só falta o FCP começar finalmente a ganhar avanço na Superliga...;-)

Resta que, perante a escolha do caminho futuro, a nova maioria (e a oposição) trabalhe efectivamente no caminho desejável, para evitar os medos do TAF e para demonstrar que os portuenses escolheram bem.

Em Matosinhos, tudo na mesma. O PS perde votos para o BE mas sem consequências práticas. Acho que daqui a 4 anos a disputa será mais animada, não acredito nada num bom mandato deste executivo. Veremos...

Fernando Miguel Pereira

De: Valério Filipe - "Agora a Cidade!" 

Tenho algum receio que o estilo truculento do agora re-eleito Presidente venha completamente ao de cima. É um comportamento típico que ataca todos os políticos portugueses. Veja-se o que aconteceu ao Engº. Sócrates com a maioria. Nas palavras de António Vitorino: "Habituem-se!" E é que nós precisamos de fazer. Temos que nos habituar.

Gostei do discurso de Francisco Assis, assumindo que tomará posse como vereador, e que está disposto a colaborar na resolução dos problemas da Cidade. Mas a verdade é que, como diz TAF, a tendência das oposições minoritárias é destruir e criticar gratuitamente. Esperemos que não seja o caso.

Por fim, desejo que, apesar da maioria, o PSD/CDS governe para a Cidade, e que o Presidente, o Ex.mo Senhor Rui Rio, entenda que (pelo menos) metade dos portuenses gostam da maneira como faz política. Talvez passe a olhar para a Cidade com outros olhos. Pelo menos, não despreze a outra metade.

Vamos aguardar pela distribuição dos pelouros, também para saber se a CDU vai ser recompensada pela campanha que fez, e que o Presidente já agradeceu.

Aqui cessa a minha muito pequena contribuição sobre este processo eleitoral. A partir de agora apenas participarei para discutir os problemas e as soluções para esses problemas. E a importância deste blog está precisamente neste ponto.

Valério Filipe
[email protected]

De: F. Rocha Antunes - "Humildade democrática" 

Caro Tiago,

Espero que já tenhas recuperado o teu habitual discernimento, depois da tua visível dificuldade de digestão dos resultados de ontem.

Não percebo como é que escreveste que estamos perante uma “perigosa” e “não merecida” maioria que é absoluta na Câmara mas não na Assembleia Municipal.

Um bocadinho de humildade democrática tenho a certeza que hoje “vendia” muito por este Porto fora.

Aproveito para me regozijar com a decisão de Francisco Assis de assumir uma liderança positiva da oposição na câmara. Convém lembrar que uma das características estranhas do mandato anterior foi a ausência de uma oposição qualificada por parte do PS.

E estou curioso para ver com quem é que Rui Rio vai preferir entender-se: se com o novo PS se com Rui Sá. Algum entendimento terá que existir, porque o executivo não tem maioria na Assembleia Municipal.

A profunda renovação dos eleitos, começando pelos vereadores da coligação vencedora e continuando pelos do PS, e a nova liderança da Assembleia Municipal permitem esperar que o comportamento dos órgãos autárquicos seja substancialmente melhorada. O que nos beneficia a todos.

Rui Rio tem todas as condições para mostrar o que vale. Desta vez ganhou sem surpresas e com uma equipa escolhida por si. A única coisa que deixou de ter foi desculpa. Cá estaremos para ajudar a que o Porto, a Baixa e os malditos serviços de urbanismo sejam melhores.

Francisco Rocha Antunes
Promotor imobiliário
--
Nota de TAF: Caro Francisco, então depois do que escrevi (ver especialmente as "Alegações finais") haveria de achar que esta maioria absoluta não era perigosa e imerecida? Que coerência haveria? As minhas convicções antes do voto são iguais no dia seguinte às eleições, precisamente porque foram devidamente ponderadas e não fruto do calor da campanha. ;-) O perigo, como aliás já expliquei, nem sequer tem origem apenas nos vencedores, mas também nos vencidos. Onde é que falta "humildade democrática" nesta opinião? Até porque, como é evidente, não é a Democracia que está em causa.

De: Alexandre Gomes - "Magnanimidade" 

Caros amigos,

Como vos havia anunciado cá estou e votei. Admito não deixar de estar satisfeito com o resultado, talvez só com uma peninha de se perder o nosso Rui Sá. A propósito, custa-me às vezes, como hoje, que o nosso blog mais pareça «O Anti-Rio» - político, rabugento e negativo - do que «A Baixa do Porto» - focado, crítico e positivo. Agora o povo, nós, votámos e há que voltar àquilo que nos une aqui - defender a Baixa do Porto.

E é isso que me leva a escrever-vos. Andei ontem pela praça e é verdadeiramente revoltante o que aí jé se fez. Eu tirei umas fotos aos motivos alegóricos ao Vinho do Porto da calçada portuguesa nos passeios laterais. Mais que nunca pergunto-me como é que alguém com a mínima ligação a esta cidade pode, com um projecto, ou financiamento, ou decisão, contribuir para a sua destruição. Só pode ser porque nunca os viram ou pararam para observar.

Que haja magnanimidade na vitória! Agora, ceder um poucochinho já não faz perder votos. O rio não para mas pode abrandar um pouco e/ou dar uma voltinha e contornar um obstáculo. Ande lá, Sr. Presidente-da-Câmara-re-eleito-com-confortável-maioria-que-já-nem-precisa-do-Sá, faça-nos lá esse jeitinho e reponha o ainda pouco dos Aliados que foi descaracterizado, à maneira antiga, como estava previsto. Havia um que há uns anos dizia que nós, quando caminhamos, pela rua, vamos a olhar para o chão 60% do tempo e que portanto valia a pena tê-lo bonito...

Tentarei enviar-vos as fotos separadamente.

Abraços,
Alexandre Borges Gomes
Porto

De: TAF - "O papel do blog" 

As maiorias absolutas causam geralmente dois fenómenos pouco saudáveis:
  1. o "quero, posso e mando" por parte do executivo;
  2. o "bota-abaixo" por parte da oposição, que passa a dizer mal de tudo mesmo sem razão.
Por isso, Pedro, A Baixa do Porto terá obrigação de se manter um espaço onde o debate racional tem lugar de forma aberta.

De: TAF - "Maioria absoluta..." 

Rui Rio conseguiu a maioria absoluta.
É uma vitória clara, não merecida, e principalmente perigosa. Mas foi a que o Porto escolheu. Mais uma razão para reforçar a intervenção da sociedade civil, numa postura construtiva. ;-)

A resposta à dúvida que eu levantei aqui está dada: a blogosfera ainda é um mundo à parte. Ou melhor, é uma parte ainda pequena do "mundo real". Mas certamente não por muito mais tempo. Provavelmente pela última vez em eleições autárquicas.

OS RESULTADOS (fonte STAPE)
CÂMARA MUNICIPAL
ASSEMBLEIA MUNICIPAL
De notar que o PSD/CDS não tem a maioria absoluta na Assembleia Municipal.
PS: Afinal é mesmo maioria absoluta também na A. M. por causa das inerências e voto de qualidade. Ver comentário de Carlos Ribeiro.

2005/10/09

De: Alexandre Burmester - "Categoria" 

A comunicação social, em particular a televisão, está de parabéns. As eleições autárquicas parece que se resumem a: Felgueiras, Amarante, Oeiras e Gondomar.

Ó tristeza mental, vergonha nacional.

De: TAF - "A maioridade de Rui Rio?" 

Será que Rui Rio vai perceber que, com Assis e com Rui Sá, o executivo será incomparavelmente melhor do que com os fraquíssimos vereadores do PSD/CDS? Terá sido por isso que, afinal com bom senso, evitou falar em distribuição de pelouros antes de saber os resultados? Terá Rui Rio atingido finalmente a maioridade? ;-)

(Pressuposto: confirmam-se as projecções...)

De: José Pedro Lima - "Eleições - primeiras reacções" 

Ainda sem resultados, verificou-se o que eu aqui previ para Amarante: a divisão entre Avelino e o PSD permitiu a vitória de Armindo Abreu...

Passando ao Porto onde aparentemente Rio vai continuar não deixa de ser curioso vê-lo a ser aplaudido ao som dos cânticos que são ouvidos no Estadio do Dragão, especialmente do lado da bancada dos Super-Dragões.... Rui Sá acaba de dizer que ainda não sabe se RR lhe vai propor ou não algo. A ausência de resultados está a tornar a noite algo monótona e os comentaristas estão com a missão dificil. Não é evidentemente indiferente uma vitória com ou sem maioria absoluta e por isso as conferências de imprensa atrasam....

Em Matosinhos tudo apontava para uma vitória fácil e folgada de Guilherme Pinto. Guilherme Pinto tem um programa curioso: quem o lê pensa que é de alguém que pretende chegar agora à Câmara e não de quem já há largos anos exerce funções de vereador. Estarei atento ao seu cumprimento nos próximos anos....Aparentemente a forma como vão ser geridas as obras no Porto de Leixões com previsivel grande impacto na população serão o primeiro teste

Estes mandatos no Grande Porto serão os primeiros "pós-blog". Será também curioso saber como A Baixa do Porto acompanhará o evoluir dos próximos anos, especialmente quando os temas forem menos interessantes e apaixonantes. Um desafio também para o blog

Jose Pedro Lima
[email protected]

De: TAF - "A realidade virtual" 

Continua todo o país a fazer comentários e a extrair conclusões ainda sem nenhum resultado real, apenas com projecções baseadas em sondagens...

De: TAF - "Caro munícipe" 

Já foi votar?

Locais das secções de voto


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