2004/12/04

De: Carlos Gilbert - "Diogo Araújo..." 

"... - «Recuperação e mobilidade»"

«Infelizmente, aberrações arquitectónicas é o que não falta na baixa, com prédios completamente descontextualizados dos edíficios vizinhos, construções duvidosas, arranjos improvisados, negligência crónica e falta de planeamento. Por muito que a camâra municipal tente contrariar a desertificação da baixa, injectando dinheiro em projectos megalomanos, esta apenas poderá evoluir com investimento privado. A palavra fulcral neste caso é investimento, o que implica retorno. Actualmente, é díficil alguém investir na baixa quando os prédios vizinhos estão degradados ou devolutos e os jardins privados abandonados, e como ninguém investe, muitos prédios continuam ao abandono. (...)»

Era bom que estas frases ficassem bem na mente de todos nós, tão importantes são e tão certeiras vão ao verdadeiro problema da Baixa do Porto! Tudo o que o autor nos diz é o reflexo de gestão autárquica caótica, a nível urbanístico, sabe-se lá com que "hidden motifs" por trás dos licenciamentos camarários que houve no último meio século. Sim, sabem bem ao que me estou a referir: incompetência de uns e "trabalhar para o bolso próprio" por parte de outros. É o que se vê também nas cidades que circundam o Porto (vem-me à mente o "cognome" de um autarca eterno, que diz tudo: o "Senhor dos Recuados"...).

Vejam o que do ponto-de-vista arquitectónico se fez (ou se deixou que se fizesse) nas últimas décadas na Constituição e na Boavista, para só nomear as duas avenidas mais emblemáticas, naquilo que se pode apelidar de zonas residenciais. Como será possível algum dia recuperar as fachadas (chama-se a isso "saneamento urbanístico") de forma a tornar zonas inteiras mais apelativas e mais agradáveis a nelas se viver? Era preciso uma mudança radical na composição dos gestores autárquicos, no seu modo de pensar e actuar e no modo como são responsabilizados perante os munícipes, que são afinal a "entidade" para quem trabalham e por quem são pagos. Só que esta "entidade" não é palpável, não é materializável, não existe, logo - lembrando-me do argumento hegeliano de Pacheco Pereira - como "não está, não tem força"... a não ser que alguém tivesse o arrojo de lançar um movimento cívico do género "Cidadãos do Porto", supra-partidário, unido, coeso e com uma finalidade bem determinada: ser o "watchdog" do que é feito (e do que deveria ser feito) a nível de gestão aqutárquica, para bem do futuro, do nosso e do da nossa cidade. Essa função de "watchdog" é - em teoria - competência da Assembleia Municipal, mas será preciso perder tempo a demonstrar a sua completa inutilidade e inoperacionalidade factual, pelo menos para os assuntos que aqui debatemos? Talvez o conceito da "cibercidade" vingue, mas para isso é preciso mais inter-actividade e, no pouco tempo que aqui tenho, vejo poucos comentários a ideias expostas, pouco debate à volta dos temas centrais. Há ideias formuladas à volta de diversos temas-base, mas depois pouco debatidas, pouco "mastigadas" pelos demais visitantes habituais do blogue. A reflectir.

C. Gilbert

PS: Alguém foi ao debate na quinta-feira sob o tema "Porto, Capital de quê?", inserido no ciclo "Olhares cruzados sobre o Porto"?
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Nota de TAF: Eu fui, e também ontem ao debate na Reitoria. Logo à noite já devo ter tempo para comentar isso aqui e também a reportagem sobre o Metro que finalmente passou hoje no Jornal da Tarde da RTP.


De: Pedro Furtado - "Metro da Boavista e seu custo" 

O post que coloquei ontem foi meramente uma ideia do que poderia custar uma linha de metro subterrânea na avenida da Boavista. Não tendo competências técnicas na área e não sabendo se o subsolo naquela área é diferente dos troços onde o metro é subterrâneo - entre outras razões que podem afectar o custo de construção da linha - peguei nos valores que li no JN, o qual menciona que o troço mais caro custou cerca de 23 milhões de euros por quilómetro. No JN é referido o troço entre Campanhã e Dragão. Da mesma forma que Carlos Gilbert, achei estranho mas, a ser verdade, o troço realmente subterrâneo (Trindade - Campanhã) custou menos do que a extensão da Campanhã até ao Dragão... Tendo em conta estes valores, simplesmente multipliquei o "valor de referência" pela distância do percurso. Como se as coisas fossem assim tão simples....
O valor 144 milhões de euros (ou aquele que realmente custaria se fosse construída a linha subterrânea na avenida da Boavista) é que deve ser tido em conta para verificar a viabilidade de construção da linha. Nunca os 90 milhões. Esse conceito de linha defendido pela MP e pela CMP, na minha opinião, nem deveria ser considerada, devido aos enormes constrangimentos que iria causar a quem mora nessa zona, por não haver tráfego que a justifique e, também, porque iria adiar (ou impedir) a construção da linha com mais importância para esta zona da cidade: Campo Alegre. Mas segundo entendi, estas duas entidades consideram vital haver uma linha na Boavista para desbloquear a confusão que vai ser na zona da Senhora da Hora quando todas as linhas estiverem operacionais.

Como o Carlos Gilbert e o Miguel Barbot se devem recordar, nos meus anteriores comentários sobre esta questão, defendi sempre que não se deveria avançar com a linha de METRO na Avenida da Boavista (especialmente nos moldes apresentados) e sim avançar com a linha de ELÉCTRICO moderno (mais rápido e confortável do que o antigo eléctrico que fazia esse percurso) na avenida da Boavista e estudar a construção da linha (subterrânea!) pelo Campo Alegre.
Esta minha opinião pode estar toldada pela experiência que eu tenho no meu dia-a-dia graças à brilhante ideia da MP (com o aval da CMP) em fechar a passagem de nível da Rua das Cruzes... conceito bastante presente na linha da Boavista à superfície.

Por último, sabendo que a linha de Metro à superfície com a recuperação (mais do que merecida) da Avenida da Boavista custa 90 milhões, quanto custaria colocar um eléctrico rápido com a recuperação da Avenida? Ficando mais barato, o Estado não iria preferir apoiar esta última obra?

Pedro Furtado

De: José Patrício Martins - "Reunião com SRU" 

Meus amigos:

Está anunciada uma reunião dos "bloguistas" d'A Baixa do Porto com a SRU.

Já está feito o trabalho de casa? O que é que vamos querer saber?

Quando abre a sede? A que horas vai funcionar? Se há condições para receber os interessados e disponibilizar informação? E que informação?
Como é que estão os estudos em curso? Pensam dar-lhes divulgação? Quando é que poderão ser disponibilizados aos interessados?
Etc., etc.

É preciso deitar mãos à obra!...
Evitem grandes textos que são difíceis de ler...

PAT, 2004-12-04

2004/12/03

De: Carlos Gilbert - "Miguel Barbot - «Metro»" 

Na altura que eu mencionei noutro textro ter sido convidado pelo responsável técnico pela ADTrans (ABB/DB Transport) para conhecer o que estava em estudo avançado, o que estava na forja em relação a uma futura linha na Boavista era a circulação de composições à superfície do Castelo do Queijo para cima, e depois entrar em túnel por alturas da zona do Bessa, aproveitando o declive natural da zona. Chegada à zona da antiga "remise", a linha iria flectir para a esquerda para fazer "interface", na zona da antiga estação ferroviária da Boavista, com a linha principal que vem de Campanhã e vai para Norte, e tb. com a (eventual) nova linha que daí irá nascer para atravessar o Douro, paralela à Ponte da Arrábida, até às Devezas (sobre esta última poderemos falar mais tarde, noutra ocasião). Por conseguinte, a zona subterrânea seria só desde o Bessa até à Rotunda da Boavista.

Quanto ao texto mencionado por Miguel Barbot, uma dúvida me assalta: diz Pedro Furtado no seu blogue: «O custo mais caro por quilómetro no Metro do Porto, até hoje, pertence ao troço entre a Campanhã e Dragão (percurso subterrâneo), segundo informação recolhida no JN E aqui pergunto eu: de Campanhã ao Dragão??? Não quererá o Pedro Furtado querer dizer: "da Trindade ao Dragão"? De mais a mais, nunca a Boavista poderia justificar uma linha inteiramente subterrânea ao longo de toda a sua extensão! Façam circular composições modernas de eléctrico rápido, requalifiquem a avenida que ela bem o precisa, e estudem bem a inter-ligação do seu início, junto à Rotunda, com os outros meios de transporte, e estamos servidos! As composições, ou pelo menos algumas delas, até poderiam ser pintadas de forma a ostentarem os esquemas cromáticos do mais emblemáticos "carros eléctricos" existentes no museu (o "amarelo", o "verde", etc.) e resolvida fica a coisa.

Já que falamos - outra vez - das composições, retomo o tema aqui posto recentemente por F. Rocha Antunes, e que para mim é também um completo mistério: que raio de eléctrico vão os STCP pôr a circular nas linhas colocadas de novo nas artérias da Baixa requalificadas?...

C. Gilbert

De: Diogo Araújo - "Recuperação e mobilidade" 

"Recuperação/reconstrução do edificado que é muito e bom, depois povoá-lo com ricos, pobres, novos, eurocratas, padres, vadios, poetas, arquitectos etc. O resto vem por acréscimo."

Se é indiscutível que o edificado é muito, é preciso acabar de vez com o mito de que os prédios na baixa estão num patamar de qualidade elevado, e que se encontram meramente degradados. Infelizmente, aberrações arquitectónicas é o que não falta na baixa, com prédios completamente descontextualizados dos edíficios vizinhos, construções duvidosas, arranjos improvisados, negligência crónica e falta de planeamento. Por muito que a camâra municipal tente contrariar a desertificação da baixa, injectando dinheiro em projectos megalomanos, esta apenas poderá evoluir com investimento privado. A palavra fulcral neste caso é investimento, o que implica retorno. Actualmente, é díficil alguém investir na baixa quando os prédios vizinhos estão degradados ou devolutos e os jardins privados abandonados, e como ninguém investe, muitos prédios continuam ao abandono. Este ciclo vicioso não dura eternamente e, felizmente, muitas áreas do Porto apresentam-se já na zona de ruptura, com blocos inteiros num estado de degradação suficientemente avançado para justificar uma intervenção geral e não individual. Obviamente, é utópico pensar que proprietários vizinhos se poderiam juntar e investir conjuntamente em algo que valorize o bairro em geral, visto que não haverá nem disponibilidade nem vontade em investir, mas aqui vão algumas ideias aleatórias:

1 - Todas as fachadas genuinamente tradicionais deverão ser mantidas, e, se possível, emuladas nos restantes prédios. Como todo o bloco será projectado simultaneamente poderá se amenizar diferenças em altura (não existe nada pior do que ver um prédio estreito de cinco andares ao lado duma pequena casa de dois pisos).

2 - Cada habitação deverá ter direito a um, e apenas um, lugar de garagem. Esta garagem poderá ser subterrânea (o que se revela difícil na maioria dos casos) ou ao nível do R/C onde se encontra instalado, maioritariamente, comércio (passando assim o vulgo "jardim" para o nível do 1º andar). Se viver sem carro para muita gente se revela impossível (tanto para percursos grandes como deslocações nocturnas), acredito que mais que um lugar de garagem é excessivo e não fomenta o uso de transporte público. Poderá por ventura existir a situação dos habitantes não só aproveitarem o lugar de garagem como também estacionarem um segundo veículo na rua, mas isto deverá ser combatido pela camâra com uma medida auxiliar:

3 - Estritamente proíbido estacionar o carro ao ar livre na baixa, onde quer que seja. Idealmente, mesmo com todos os habitantes com um lugar de garagem e alguns reservados para o comércio, se existir uma boa optimização do espaço, deverá sobrar espaço que chegue para implementar os vulgos sistemas de recolhas. Enquanto actualmente estes serviços são rentáveis devido ao elevado número de recolhas de habitantes locais, passariam para um modelo de exploração semelhante aos parques de estacionamento dos centro comerciais, com a possibilidade de recolha para habitantes com mais que um veículo. Na realidade, ao acabar com estacionamento na via pública, apenas se transfere a responsibilidade de cobrar pelo estacionamento. Neste momento, dúvido que o parque com pagamento seja eficaz, simplesmente por ser gerido pela camâra, por ser um montante insignificante para os cofres desta e por ser insustentável vigiar constantemente a enorme quantidade de carros estacionados nestes lugares. Ao passar esta tarefa para entidades mais pequenas, privadas, seria possível transferir os agentes anteriormente destacados para confirmar, carro a carro, quem pagou e a que horas, para uma verificação rua a rua de quem está estacionado. Deverá ser fácil constatar qual consome menos tempo e se revela mais eficiente. Paralelamente, ao fomentar as recolhas está-se a criar competitividade num mercado pouco dinâmico. Não será dificil oferecer um serviço mais barato que o actual parque do Via Catarina por exemplo.

4 - Proíbindo o estacionamento, a quantidade de faixas de rodagem aumenta, ou melhor, a quantidade de faixas de rodagem desimpedidas aumenta, porque as filas de carros estacionados desaparecem. A mobilidade da cidade seria largamente melhorada, dedicando estas faixas exclusivamente ao transporte público (o que simultaneamente serve de prevenção ao estacionamento, já que os smarts da stcp andam por aí). A título de exemplo, a Rua da Alegria passaria a ter quatro faixas. Caso a quantidade de faixas disponíveis seja excessiva, que se alarguem os passeios, plantando árvores onde for possível, contrariando assim anos de benefício aos condutores, e não quem realmente anda pela baixa.

Estou perfeitamente consciente que nada disto é possível, apenas vim a pé do Campo 24 de Agosto até à Cordoaria e a desilusão é cada vez maior.

De: Miguel Barbot - "Metro" 

Voltando ao tema do mês, chamo a atenção para este post do sempre atento Pedro Furtado, projectando os custos de uma hipotética linha subterrânea na Boavista, que poderia ser orçamentada em algo como 144 milhões de euros.

O Pedro fez estas contas tendo em consideração o custo por quilómetro entre Campanhã e o Estádio do Dragão, pelo que os valores poderão ser inferiores devido à Boavista ser uma zona menos sensível do ponto de vista do edificado.

De: Carlos Gilbert - "Revitalizar a Baixa" 

De: Cristina Santos - "Das praças para as convergentes" (29/10/2004)

Termina com: «Ou seja, na minha opinião recuperar a Cidade, seria recuperar as zonas com apetência de concentração.
Permitir a quem esta na Praça da Republica dizer, agora também vou aos Aliados, ou à Boavista, quem esta no Marques optar por ir a Santa Catarina porque é perto e os meios são bons.»


A primeira frase expressa o óbvio. Mas pergunto: a que horas do dia (refiro-me ao dia de 24 horas) há a referida "apetência de concentração"? Quando, em tempos idos há muito, a Baixa fervilhava de actividade e não havia os meios de transporte de hoje, muita gente almoçava no centro da cidade. Basta este ponto, por si só, para a hora do almoço ser altura de grande concentração de pessoas. Iam dos empregos para os restaurantes/snack-bars e depois de volta para o trabalho. Infelizmente, entre nós nunca houve o hábito de uma bebida, num snack ou café, depois do trabalho, e antes de rumar a casa, como acontece tanto na vizinha Espanha e em Itália (pelo menos). Se assim fosse, os hábitos sobrepor-se-iam um pouco à desertificação. Depois do jantar, quem sai ou vai ao cinema, ao "shopping" ou aos locais de animação que sabemos (Ribeira, Massarelos, Foz e Zona Industrial, para nomear só os que se situam dentro do nosso perímetro urbano), pois são essas as "zonas com apetência de concentração" nos dias de hoje. (Ainda sou do tempo em que nas quentes noites de verão se ia passear à noite nos jardins do "Palácio de Cristal" e o "highlight" da noite, para nós miúdos, era furar os quadros de cartolina dos chocolates "Regina"...). Aos fins-de-semana, sabemos bem que a "apetência" é para tudo o que é lado, menos na Baixa...

Comparação de cenário: Domingo, 12 de Setembro 2004, "Rheinpromenade" de Düsseldorf: tarde ensolarada, de autêntico verão. A "Altstadt" (cidade velha) adjacente fervilha de gente, os locais de venda de cerveja têm os seus guarda-sóis montados nos passeios e é um fartar de vender a dita bebida... Tudo o que é mesa e cadeiras está mais que repleto, e não é de turistas que falo, mas sim de alemães nados e criados na zona (nota-se pela maneira de vestir e de falar). Os arruamentos na margem do Reno estão repletos de gente, famílias inteiras com crianças de carrinho-de-bébé, triciclo ou pequena bicicleta; namorados aos magotes, casais de todas as idades... Pergunto: o que tem esta cidade alemã de "mágico" que numa tarde de domingo atrai milhares de pessoas para o seu centro e que nos falta aqui no Porto? Talvez aquilo que Gaia agora já tem: uma zona de lazer e bem-estar onde dá gosto passar umas tardes de descontração... e do lado de cá temos na zona da Cantareira e, claro, no Passeio Alegre/Av. do Brasil, se bem que nestas últimas faltem as necessárias infra-estruturas de restauração. O caminho é, portanto, a autarquia embelezar os parques e margens ribeirinhas, zelar pela segurança necessária e talvez a animação gerada pela concentração humana comece a aparecer.

Quanto ao segundo ponto, os meios que a autora refere não são assim tão bons quanto isso, ou a divulgação poderia ser melhor (ainda recentemente estive largos minutos defronte de um dos mapas que os STCP têm nas paragens e verifiquei as lacunas que apresentam, e eu sou de cá do Porto, como se sentirá confuso quem é de fora...).

C. Gilbert

De: Carlos Gilbert - "Divulgações" 

Amigos,

Não sei se esta questão já foi colocada, mas sabem se existe algum tipo de publicação com a divulgação prévia de eventos a organizar na nossa cidade? Refiro-me a concertos, palestras, colóquios, debates, recitais, música sacra e, claro, exposições temáticas.

C. Gilbert
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Nota de TAF: A "Agenda do Porto" é uma aproximação.


De: Cristina Santos - "Regime especial..." 

"...de actualização de renda - SRU"

Ex.mos Senhores, andamos a debater a SRU durante meses e os caros nem recordam os termos em que debatemos as actualizações e expropriações? A lei do arrendamento seria o complemento, do impulso que a acção das SRU tivesse no mercado imobiliário.

Para recordar:

ARTIGO 27º DO DEC LEI 104/2004


Regime especial de actualização de renda

1 — No caso de os arrendatários previstos no artigo anterior optarem pela suspensão do contrato, a respectiva renda será actualizada, segundo critérios de mercado, até ao limite de:

a) 10%do rendimento líquido mensal do agregado familiar, caso este não exceda dois salários mínimos nacionais;

b) 15% do rendimento líquido mensal, nos restantes casos.

2 — O limite máximo a que se refere o número anterior será fixado pela SRU ou pelo município, com base nos valores de mercado apurados e nas declarações de IRS dos membros do agregado familiar do arrendatário relativas ao ano anterior ao da fixação da renda.

3 — Caso o limite máximo a que se refere o n.º 1 seja inferior ao valor da renda já praticada não haverá lugar a actualização da renda.

4 — Caso o arrendatário não forneça à SRU ou ao município os elementos a que se refere o n.º 2, no prazo que lhe for fixado, não inferior a 10 dias, considera-se que renunciou ao direito à manutenção ou suspensão do contrato.

5 — Salvo acordo em contrário das partes, o valor fixado pela SRU ou pelo município passa a constituir o valor da renda, imediatamente aplicável no mês em que os arrendatários reocupem a fracção ou, no caso previsto na alínea b) do n.º 2 do artigo anterior, no mês seguinte ao da notificação do mesmo.

7 — As rendas fixadas nos termos deste artigo vigorarão, no mínimo, durante períodos de 12 meses, devendo os arrendatários apresentar anualmente à SRU, ou ao município, depois de extinta aquela, as declarações de IRS dos membros do respectivo agregado familiar para efeitos de eventual aumento de renda, no caso de, por aplicação do disposto no n.º 1 deste artigo, o valor desta passar a ser mais elevado.

Cristina Santos

De: F. Rocha Antunes - "Eléctricos" 

Meus Caros,

Não há diagnóstico sobre a Baixa que não fale na dificuldade de circulação, resultante quer da morfologia quer da natureza da implantação do edificado, como um dos problemas mais sérios à criação de uma espaço urbano competitivo.

A criação do Metro do Porto é um passo importante para a melhoria das condições de mobilidade na região centrada no Porto mas, como todos os meios de transporte, não pode satisfazer simultaneamente todo o tipo de deslocações. A sua principal vocação é a de transporte rápido entre as várias zonas da cidade-região. A resolução das questões da mobilidade em malha mais fina, adequada às características da zona central do Porto, passará mais pela rede de eléctricos rápidos e pela articulação com a rede de autocarros.

Nos últimos anos, em resultado do plano de mobilidade que foi apresentado pela sociedade Porto 2001, foram instalados bocados de linha de eléctrico pela cidade. Ainda há pouco tempo, quando da conclusão de parte das obras na envolvente do Hospital de Santo António, assistimos à instalação de mais algumas dezenas de metros de linha nova.

Contudo, o silêncio sobre a eventual instalação de eléctricos na cidade é total. Parece que de repente é uma ideia sem dono. Nem a C.M.P., nem a STCP, nem o Metro tem qualquer estratégia definida para a criação de uma nova rede de eléctricos.

Em 27 de Janeiro de 2001, a STCP anunciava um investimento de 5 milhões de contos da criação de 3 linhas: uma que ligaria Matosinhos à Estação de S. Bento, outra que ligaria Matosinhos à Rotunda da Boavista e mais tarde à Cordoaria (pelos vistos a ideia de um eléctrico pela Avenida não é só deste blogue…) e a terceira que ligaria a Rua Chã a Massarelos. A consulta ao Relatório e Contas de 2003 da STCP permite constatar que não há nem uma linha sobre o futuro dos eléctricos.

Ainda há dias, e a propósito da questão da linha de Metro na Avenida da Boavista, me foi referido que era mais barato utilizar os veículos do Metro que a instalação de eléctricos rápidos, o que me parece no mínimo estranho, mas como não sou especialista na matéria, fiquei sem saber se é verdade.

O que me parece evidente é que mais uma vez estamos no escuro, sem alguém que saiba dizer alguma coisa sobre este assunto, e em que o desperdício de dinheiros públicos é a única certeza: investir-se na instalação de linhas novas, sem uma perspectiva de utilização, é mais uma das nossas contribuições para a descredibilização da capacidade de gestão da nossa região.

A mobilidade dentro da Baixa, que tanto poderia beneficiar de uma rede de eléctricos que permitisse a movimentação entre as diferentes zonas reabilitadas, é que paga as favas.

Francisco Rocha Antunes
Promotor imobiliário

De: Alexandre Burmester - "O aeroporto das «Moscas»" 

Usando o direito de resposta gostaria de esclarecer que como já o disse antes:
A Baixa do Porto, situa-se fisicamente entre Valença e Figueira da Foz, em Portugal, na Europa,.... e o que se passa por aí a fora reflecte-se aqui dentro. Não fosse o estado em que está.

Sobre a capacidade de intervenção na Baixa, as decisões políticas de "lá", igualmente jogam com todas as outras de "cá". Por isso caro Rocha Antunes, que nos adianta lutar pela alteração de leis para a Baixa, que dependem de Parlamentos que não são de cá?

Que nos adianta fazer um discurso limitado, quando o que manda não está cá, está lá?
Que me adianta procurar influenciar um Presidente de Câmara, em que votamos, mas não indicamos nem escolhemos?
Tudo o que fazemos é pressão.

E a propósito da imagem "estafada" das moscas, gostaria de esclarecer os seguintes aspectos:

1. Não é em nós (Portuenses) que pousam as moscas, mas sim na coisa pública, no espaço comum de todos.

2. As diferenças entre o Rui Rio e o Nuno Cardoso, é que o primeiro é mais baixo; Entre o Valentim Loureiro e o Mário de Almeida, é que ambos são gordos.

3. Não esqueça, caro Rio Fernandes, que falando de "moscas", o Pacheco Pereira, embora com bastante mais categoria, não deixa de ser uma. Os seus exemplos nem sempre servem. (Mas gostei do que disse)

4. Finalmente gostaria de dizer que eu sou dos que acredita e sempre, na mudança. É uma inevitável consequência. Não preciso de querer acreditar que a mudança aconteça.

Por vezes a pressão dá nisto - explosão. (no aeroporto das moscas)

Mas vamos tentar continuar a falar da arrumação da casa e das suas coisas mais simples, afinal às vezes a consciência não condiz a mais do que à completa passividade.

Alexandre Burmester

De: Carlos Gilbert - "As autárquicas" 

«Meus Caros,
Sugiro que as discussões sobre o Estado da Nação sejam feitas noutro espaço.
Por mim, e quando for para voltar a falar da Baixa, cá voltarei. Para isto não.
Francisco Rocha Antunes
Promotor imobiliário»


Entendo este seu comentário dirigido ao debate de ideias de cariz político em que me tenho envolvido, em resposta a outros membros deste blog. Se bem reparar, não se tem debatido "o Estado da Nação" em lado nenhum, excepto como caso pontual ilustrativo e a título de exemplo genérico. Com um pouco de atenção vê que tudo o que tem sido dito tem como pano-de-fundo o estado de coisas nesta nossa cidade do Porto, certo? É isto que nos motiva aqui, e o modo de actuação dos agentes políticos a nível autárquico é de fulcral importância para o futuro da cidade. Se não gostar, tudo bem, mas não deturpe as coisas de forma injusta.

Carlos Gilbert

2004/12/02

De: Lino Cabral - "Um plano simples para a Baixa" 

Recuperação/reconstrução do edificado que é muito e bom, depois povoá-lo com ricos, pobres, novos, eurocratas, padres, vadios, poetas, arquitectos etc. O resto vem por acréscimo.

(desafio qq bloguista apresentar um plano melhor!)

Lino Cabral
--
Nota de TAF: Não é que esteja errado, mas para "plano" tem pouco detalhe e pouca sustentação, não? Veja por exemplo: "Plano para Portugal" - arranjar um bom primeiro-ministro, melhorar a economia, resolver os problemas sociais, vivermos felizes para sempre. ;-)

De: José Patrício Martins - "E.T. ou E.B.?" 

E.T. ou E.B.?

1. A conversa sobre o Edifício Transparente está a ficar opaca!
2. Porque, a continuar o impasse actual, o E.T. tem de mudar de nome e passar a E.B., isto é, Elefante Branco, isto é, problema sem solução...
3. E, neste caso, só nos resta que alguém proponha passá-lo completamente a transparente, isto é, invisível, isto é...
4. A responsabilidade pelo "fenómeno" E.T./E.B. é da Sociedade Porto 2001.
Este é um facto mais importante do que, à primeira vista, parece. Coloca na mesa um problema de fundo: o da responsabilidade destas organizações "ad-hoc" perante a sociedade civil, constituída em democracia. Em que medida é admissível que os seus actos, intenções e projectos concretos, não dependam de procedimentos administrativos tendencialmente transparentes - p. e. submissão a estudo de impacte ambiental, discussão pública, etc., etc.? (Neste pormenor, honra seja feita à legislação sobre as SRU que não passou por cima do problema...)
5. A responsabilidade actual pela continuação do "fenómeno" já não é daquela Sociedade. Já foi dissolvida! Mas passou, bem ou mal, para os seus herdeiros e sucessores. De que instrumentos democráticos dispomos para pedir contas aos actuais responsáveis? Alguém sabe?...
6. E ainda outro problema: onde estava a sociedade civil quando o processo foi desencadeado e o projecto apresentado? Talvez tenha havido alguma voz discordante, não posso precisá-lo. Mas quantos sucumbiram à vista da "ilustre" assinatura do autor do mesmo...
7. Em suma, o E.T. está lá e já é tempo de lhe dar uma solução! Não acredito que não haja...

PAT, 2004-12-02
--
Nota de TAF: Quanto ao ponto 6. - faltava este blog! ;-)


De: Lino Cabral - "já repararam ..." 

-que o túnel Ceuta/Carregal nos vai oferecer uma zona libertada: Ceuta, Carlos Alberto, Leões, Cordoaria, Galeria Paris, Picaria etc., etc. como todos sabem, melhor que Montparnasse!
(o grosseiro e abrupto tripeiro de outras eras construiu landmarks extraordinários, sem PDM’s !)

-que a zona oriental do concelho (e não só) tem características rurais e agrícolas (Azevedo) mantidas pela população local, cuja valia é, ou deveria ser, tão importante como um lojista da baixa.

-que por mais que nos esforcemos, ainda não encontramos uma cidade com o “andamento” do Grande Porto num raio de 300 e tal kms.
(partilho a ideia que enquanto o Grande Porto não sair do “pântano”, o país lá ficará, sem locomotiva.)

-que um PDM não dá. Precisávamos de um PDIM (Plano Director Intermunicipal), claro, multidisciplinar e motivador, um desafio ao pessoal !

Lino Cabral

De: Cristina Santos - "REUNIÃO SRU" 

Em relação à futura reunião com Dr. Joaquim Branco da SRU, na qual vou estar presente, e atendendo a que considero que a Lei do Arrendamento, não será impedimento para a sua função, uma vez que a SRU, tem tabelas próprias de alteração de rendas, quando muito pode vir a ser afectada pelo Programa REABILITA, sugiro que comecemos a preparar duvidas profissionais ou outras.
Acima de tudo devemos disponibilizarmos-nos para participar na forma que nos seja possível, na qualidade de blogistas ou profissionais.

Pelo que aqueles, que à partida não prevêem estar presentes podem sugerir desde já razões, argumentações e questões, que posteriormente poderão ser levadas à dita reunião.

PS: Caro Francisco, às vezes é dificil separar as coisas, mas não dê com o vaso, aquele que um dia vou ter de lhe devolver, lembra-se? .. Tentemos redireccionar o assunto, com participações como as suas que primam pela analise, frieza, informação e consistência.
Algumas da ultimas mensagens colocam a par a politica nacional, com a politica local, outras nem por isso, mas já pensou que associada à politica nacional pode estar a probabilidade de Rui Rio vir a deixar o seu lugar livre na Camara do Porto, seria possivel falar disso sem falar a nivel nacional?

Cristina Santos
--
Nota de TAF: "tabelas próprias de alteração de rendas"?


De: F. Rocha Antunes - "A Baixa do Porto" 

Meus Caros,

Sugiro que as discussões sobre o Estado da Nação sejam feitas noutro espaço.
Por mim, e quando for para voltar a falar da Baixa, cá voltarei. Para isto não.

Francisco Rocha Antunes
Promotor imobiliário

De: Carlos Gilbert - "J.A. Rio Fernandes..." 

"... - '«moscas» e mudanças' - Um 'teorema'..."

Se bem que seja vontade do "owner" deste blog não se entrar demasiado em polémicas de cariz político, há situações que se podem considerar num plano superior, mais a nível da ideologia. É o caso da opinião expressa por este nosso concidadão, e por isso venho fazer aqui umas perguntas que têm de ser colocadas, sem querer correr o risco de ser considerado repetitivo.

«A crítica abstracta e genérica aos decisores políticos é a forma melhor de mediocrizar o seu conjunto, incentivando o abandono dos menos maus e não atraindo mais do que os razoáveis e os medíocres.» A crítica, no nosso caso, quer-se construtiva, seja ela abstracta ou concreta. Tem havido nestas páginas que chegue de ambas. E quer-se um estilo de crítica que seja intelegível, fácil de compreender, para que quem as lê fique a saber sem margem para dúvidas do que se trata, sem ter de consultar o dicionário. Críticas são próprias da Democracia, desde que feitas com rectidão e honestidade, e se os políticos entendem que são rebaixados a níveis do medíocre por isso, é porque não aprenderam o essencial do "ser-se político". Há-que saber distinguir, na política, entre a crítica fundamentada e a rasteira, não vamos é deixar que nos queiram calar a boca com o argumento que incentivamos ao abandono dos "menos maus" e que fazemos com que só apareçam os "medíocres". Não é que não compreenda o argumento do autor, vemos que é isso que está a acontecer a todos os níveis, temos contudo de zelar para que tal situação não alastre mais ainda, e separar "o trigo do joio"! Se no presente momento (há uns anos, diga-se em abono da verdade) só aparecem políticos de segundo plano é porque a sociedade em si não é capaz de gerar uma camada de políticos com estofo suficiente, com capacidade de resistir a críticas rasteiras e de responder de forma linear, pronta e eficaz! Não me venham é dizer que o motivo subjacente são as nossas críticas!

Do blog de P. Pereira, citado pelo autor:«Existe a tendência para enunciar aquilo que chamei no passado o argumento hegeliano: o que está tem muita força."» Tem, mas o que pode acontecer em política é o que se viu nas últimas 48 horas, a nível nacional: se as instituições democráticas funcionarem, "o que está" pode muito rapidamente perder toda a força que tem (ou julga ter)! Importante é nós, cidadãos, termos a consciência de que não somos amorfos eleitores, mas sim cidadãos com capacidade crítica, e sabermos usar essa mesma capacidade com ponderação e com a necessária sabedoria.

«Eu sou dos que acredita na mudança, tem esperança no futuro. E sabe que a cidade tem uma enorme capacidade de regeneração, resultando das circunstâncias e dos agentes,...» Também acredito no futuro, só que - como disse já - vejo a cidade muito deprimida e sem ninguém a "querer puxar a carroça" de forma convincente na direcção certa, na direcção que anime os portuenses a encarar esse mesmo futuro (o seu, afinal!) com mais optimismo. Esse futuro resultará em parte das circunstâncias e dos agentes: as circunstâncias, essas muitas vezes está nas nossas mãos moldá-las no sentido necessário, os agentes, esses terão muitas vezes ser "empurrados" na direcção certa. O que, no fim de contas, é a razão de ser das ditas críticas com que começamos este debate.

Q.E.D.

Carlos Gilbert

De: JA Rio Fernandes - "«moscas» e mudanças" 

Não julgava possível a partir do Porto reproduzir essa imagem estafada das moscas, com a qual o Alexandre Burmester nos brinda, a menos que se julguem todos os portugueses (ou portuenses?) apenas como o material onde elas pousam.
Então não há diferenças entre Nuno Cardoso e Rui Rio? Nem entre Valentim Loureiro e Mário de Almeida?
A crítica abstracta e genérica aos decisores políticos é a forma melhor de mediocrizar o seu conjunto, incentivando o abandono dos menos maus e não atraindo mais do que os razoáveis e os medíocres.

A propósito retiro do blog de Pacheco Pereira uma nota sobre alguns jornalistas e suas análises, para reflexão.
"O cinismo gera um grande conservadorismo nas análises. O cinismo leva-os a valorizar a continuidade, a esbater as diferenças e o resultado é que as suas análises resultam pouco dinâmicas. Existe a tendência para enunciar aquilo que chamei no passado o argumento hegeliano: o que está tem muita força."

Eu sou dos que acredita na mudança, tem esperança no futuro. E sabe que a cidade tem uma enorme capacidade de regeneração, resultando das circunstâncias e dos agentes, somando aquilo que um dia se acham asneiras ou sucessos e anos depois, ou mesmo séculos depois, o seu inverso.
Embora, de facto, tenha de concordar que no Porto abunda aquilo que hoje a muitos parece asneira! Haja esperança na mudança, das ditas "moscas", de preferência ajudada pela mudança das mentalidades de cada um.

Rio Fernandes

De: Carlos Gilbert - "E a História, repete-se..." 

Caro Alexandre,

Tem piada, quando eu tenho este tipo de discurso como aqui acabas de colocar, sou sempre apelidado de "eterno pessimista". Só porque me preocupo com o que - segundo os normais parâmetros da observância humana e da normal previsibilidade - irá acontecer; só que depois quando acontece, todos encolhem os ombros, uns resignados, outros desinteressados (a maioria, diga-se). Não quero com isto dizer que tenha qq tipo de "bola-de-cristal", mas há coisas que se prevê com facilidade como vão acontecer. É o que acabaste de fazer. E pegando na ideia do nosso "blog-owner" (desculpem o inglesismo) de que não podemos resignar e até actuar, dentro dos partidos se necessário fôr, pergunto-te (a ti como a todos os que nos lerem): que saída há para este estado-de-coisas? Ou será até que nem há saída? Que só nos resta encolher os ombros também, resignar perante a inevitabilidade do nosso futuro próximo?
Sim, que alternativas teríamos? Pôr de pé mais um (inútil) "movimento cívico", convocar "portuenses notáveis" para reuniões de que qq político se iria rir, mesmo que algo de útil delas saísse?

Já muitas vezes tem sido dito, cada país tem o seu "modus vivendi" que merece. Os portugueses nunca foram educados para pensarem de forma cívica, e os portuenses em particular perderam por completo aquela "alma tripeira" que sempre caracterizou as gentes do nosso burgo. A única (e louvável) excepção que me ocorre é o movimento espontâneo que se gerou à volta do Coliseu do Porto, quando estava há poucos anos prestes a ser adquirido pela IURD. Críticas tem havido de forma esporádica na imprensa, mas de resto a população está tão tolhida pela crise, pelo abandono progressivo, pela falta de segurança, pelo (justificado) temor pelo futuro, que resignada olha para o que daí virá, qual rato hipnotizado perante o olhar frio da serpente...

Talvez o facto de este espaço ter já visibilidade crescente nos possa servir de alento! Talvez possa mesmo vingar a ideia aqui posta há dois dias, salvo erro, de que estamos aqui a criar uma espécie de "cibercidade", e que nos seja possível exercer influência desta forma. Creio ser o caminho que nos resta, não vejo outro. Mas, caso haja quem no-lo saiba apontar, estou mais que disposto a alinhar, desde que seja para o Bem da nossa (martirizada, ferida e triste) cidade do Porto.

Abraço,
Carlos Gilbert

De: TAF - "Afinal..." 

Parece que a tal reportagem sobre o Metro saiu outra vez do alinhamento de hoje na RTP, talvez amanhã...

De: Cristina Santos - "O Sr. Alberto Lima tem alguma razão" 

Em relação ao post do Senhor Presidente da Junta, que tem suscitado aqui grande inconformismo, devo dizer que entendo o discurso do autarca, principalmente a ênfase que o mesmo denota.
A demagogia da mensagem é o que menos me revela, filtro do seu conteúdo geral, o facto positivo que é a boa relação que parece existir entre as partes.
Todos sabemos que muitas vezes as Juntas são incompatíveis com câmara e quem acaba lesado são os cidadãos.
Concordo até com o presidente de Junta, quando este refere Rui Rio com um bom autarca, temos que convir que nenhum outro teve tanta relevância nacional, sem que dela fizesse proveito e propaganda.
É respeitado nacionalmente e como tal valorizou o Porto junto dos órgãos centrais, trazendo para nós grandes investimentos públicos.

Claro que só isso não chega, mas por isso continuamos a sugerir opções, que algumas vezes tem sido levadas em conta pelo executivo de Rui Rio, que abriu diversos canais de dialogo entre os munícipes e a Autarquia.

No atendimento e serviço público, as alterações à macro-estrutura notam-se positivamente.
No que diz respeito aos nossos arrumadores, nem todos drogados, nem todos nacionais, nem todos homens, foi um bom projecto que já seguiu alem fronteiras, tal como a proposta que nasceu no Norte da importância de criar sociedades de reabilitação urbana.
Portanto nem tudo o que diz Alberto Lima é falso ou mau, antes pelo contrario confirma que Rui Rio tem uma visão muito mais nacionalista que regional, que é um excelente gestor e fiável nas suas convicções.
Rui Rio no Porto também não teve uma boa equipa, contudo manteve alguma coerência , pelo menos nacional.
Por tudo isto RUI RIO PODERÁ SER O CANDIDATO SUCESSOR AO GOVERNO CENTRAL.

Cristina Santos

De: Alexandre Burmester - "E a História, repete-se..." 

Afinal, de repente, já não interessam muitos dos assuntos que vínhamos a discutir, porque outros mais altos se levantam. Uma vez mais teremos o País adiado, e à espera das próximas "moscas" que nos saltarão para cima.

Entretanto é como alguém, por aqui refere. Não se parará a S.R.U., mas vamos também adiá-la. A Lei do arrendamento não está concluída no processo administrativo logo estará manca para avançar. A Baixa do Porto adia-se. As decisões importantes aguardam.

Fantástico este país constantemente adiado, e à espera de decisões. (E de 3 eleições no próximo ano.)
Logo mais as novas moscas virão com as novas ideias, dirão as normais baboseiras, e farão as normais promessas. Os palermas irão acreditar, votar, e mais uma vez acreditar.

E, quando esta "nova esperança de moscas" se sentarem, e sentarem os colegas partidários, iremos assistir a um novo desenrolar de inúteis discussões. E, deitar-se-ão fora estudos, encomendar novos, e principalmente vender a ideia de um novo arranque de ideias e de projectos.

Quanto às soluções do País, melhor será nem pensar delas, porque nem dos nossos problemazinhos da cidade e da Baixa se irá resolver:
Afinal somos dirigidos nos últimos 30 anos, ou pelo PS, ou pelo PSD, e nunca, nada, se passou de diferente. Nem seria diferente com outro partido.

Isto sim é Democracia.

As moscas serão sempre moscas.
Nós seremos sempre os mesmos. (?)

Isto sim não é pessimismo, é História.

Alexandre Burmester

De: Paulo V. Araújo - "Jardim do Carregal outra vez" 

Resposta a Assunção Costa Lima:

Não podia estar mais de acordo com as suas palavras: eu também quero que o Carregal fique o mais possível como estava antes. Mas a destruição foi de tal monta que, para fazer um genuína reconstituição, é necessário consultar documentação antiga (mapas, fotos) e planear cuidadosamente os trabalhos. Os especialistas a que me refiro são arquitectos paisagistas com formação na área de recuperação de jardins históricos. Escusado será dizer que tais especialistas raramente são convocados, e por isso acontecem desgraças como na Cordoaria e nos jardins da Av. Montevideu. O melhor (e talvez único) exemplo que temos no Porto de uma recuperação digna desses nome de um jardim histórico é o de Serralves (refiro-me aos trabalhos efectuados na década de 80, sob a direcção de Teresa Andresen, antes da abertura de Serralves ao público, e não aos que lá decorrem actualmente, pois destes ainda é cedo para avaliar o mérito).

Para que as coisas fiquem claras: nem Camilo Cortesão, nem Siza Vieira, nem Souto Moura, nem Solà-Morales fazem parte da lista dos "especialistas reputados" a que eu sugiro que se recorra para reconstituir o Carregal. A recuperação de jardins históricos e a concepção de novos jardins devem ser confiados a paisagistas e não a arquitectos com formação generalista. (Para que não se pense que a minha preocupação é egoísta: não tenho qualquer formação em arquitectura, paisagista ou outra.)

Sobre o Jardim do Carregal e as suas árvores, atrevo-me a sugerir a consulta dos
seguintes textos (a série é para continuar):
http://dias-com-arvores.blogspot.com/2004/10/rvores-do-jardim-do-carregal-1.html
http://dias-com-arvores.blogspot.com/2004/11/rvores-do-jardim-do-carregal-2.html
http://dias-com-arvores.blogspot.com/2004/11/rvores-do-jardim-do-carregal-3.html

De: Cristina Santos - "Edifício transparente" 

Caro Carlos Gilbert:

Antes de mais, quero esclarecer que no Post relativo ao Edifício Transparente, tento explicar que as técnicas, os materiais a implantação, tornam o uso do edifício inviável à partida, pelos custo que acarreta, ainda mais numa época de crise, sem área habitacional circundante, sem actividades de Inverno que prendam o interesse pelo edifício, etc.

Entristece-me que não tenha tido oportunidade de ler o meu post até ao fim.
Como disse no mesmo, um uso que considero adequado para o edifício, é a sua ocupação com actividades desportivas, por exemplo um GINÁSIO, porque é uma actividade que se integra com a localização do edifício, é uma a actividade multifacetada e facilmente justifica o investimento, se a Autarquia usar de métodos como a promoção:

Por exemplo se a Autarquia promover alguns desportos náuticos com carácter regular, um ano por exemplo Motos, Surf, etc;
Pode aparelhar o edifício com máquinas de step por exemplo por um fim de semana, Pode promover nele apresentação de livros, feiras de discos, ou seja «criou este filho deve integra-lo», todas estas medidas promocionais despertariam nos possíveis investidores o interesse e a perspectiva de rentabilidade apoiada através do serviço publico.

Não me interessa que a ocupação do edifício vá a concurso, quando as suas condições não permitem para já a rentabilidade do investimento, pelo que só serviria para acentuar a sua imagem negativa.

Provavelmente este edifício vinha no sentido da urbanização da frente do parque da Cidade, o posterior impedimento de construção habitacional nessa área, levou certamente à anulação do concurso de ocupação, agora nesta data o ET como lhe chama, não é viável, ate essa resolução de impedimento o edifício poderia ter muitos usos rentáveis…

Assim, e redireccionando-o para o post anterior, para evitar a repetição, os meus melhores cumprimentos, e aceite também o meu agrado pelo desafio constante, que traz a este blog.

Cristina Santos

De: TAF - "Os jornais" 

- Via ciclo-pedonal na Ponte D. Maria sem fundos da UE
- Ponte Maria Pia está inoperacional desde 1991
- Via ciclo-pedonal na ponte Maria Pia continua a aguardar fundos comunitários
- Quartel de S. Brás
- Protesto de concorrente adiou linha do aeroporto

Entretanto, informou-me a RTP que está previsto que seja hoje que vai passar no Jornal da Tarde, pelas 13:10/13:15, a tal reportagem sobre o Metro com entrevistas a Rui Rio e a alguns "bloguistas".

Conferências/debates - hoje à noite na Católica e amanhã todo o dia na Reitoria da Universidade do Porto.

De: Miguel Barbot - "Praça Cidade S. Salvador" 

Carlos,

Neste post, a minha referência a um “landmark” dizia respeito à estrutura da Janet Echelman, não ao caixote de vidro.



Não tenho dúvidas nenhumas que essa mesma estrutura (a da JE) será uma referência de toda aquela zona, goste-se ou não.

De: José Patrício Martins - "A propósito..." 

"... da Lei do Arrendamento em "banho-maria"..."

De intervenções que tive oportunidade de ouvir, a proposta de lei do arrendamento deriva de uma autorização administrativa concedida pela Assembleia da República, pelo que a dissolução desta implica o "congelamento" ou, melhor, derrogação daquela autorização. Estarei certo?

Quanto ao facto de a população da Baixa e Centro Histórico ser maioritariamente idosa, acima dos 65 anos, e de, neste caso, os arrendatários ficarem excluídos da sua aplicação, isto não é bem assim. Um dos grandes problemas do actual regime jurídico é o da transmissão do arrendamento a familiares vivendo sob o mesmo tecto. Isto permite a perpetuidade do contrato celebrado, com as consequências que sabemos... A nova lei previa o fim desta situação, tanto quanto me apercebi pela imprensa. Só por este aspecto já seria uma enorme mudança. E sem resolver este problema ninguém estará disposto a adquirir prédios ocupados e a investir na sua reabilitação. Ou antes, talvez os adquira, porque pode ser um bom negócio, mas certamente ficará à espera que venha a mudança para depois agir.

Por outro lado, temos o problema do arrendamento comercial que tem um enorme peso na situação de decrepitude do comércio da Baixa. Se não se acabar com o escândalo dos trespasses, alguém acredita que isto vá mudar?... E sem a componente comercial e de serviços duvido que haja reabilitação da Baixa do Porto.

Tem-se posto muito a tónica na atracção de famílias e principalmente jovens para virem a residir ali. Com certeza que essa é uma orientação importante. Mas, de igual modo, é preciso atrair também actividades.
Algumas ruas como Mouzinho da Silveira, Flores, Sá da Bandeira, Clérigos, 31 de Janeiro, devem ter uma forte componente de serviços, comércio, restaurantes, cervejarias, tabacarias, etc., essa é a sua matriz. Além do mais, quer pela sua tradição, quer pela sua localização estratégica, o valor de troca dos prédios é outro e a sua utilização futura não poderá deixar de ter isso em conta.
A presença simultânea, no mesmo prédio, de comércio ou serviços com habitação, nem sempre é desejável e frequentemente é impossível nessas ruas. A largura muito estreita das parcelas não dá espaço para a caixa de escadas e respectiva porta de entrada, independentes. A não ser que o proprietário da loja viva nos andares superiores, o que, evidentemente, é raro.
Em situações excepcionais, como é o caso da Rua dos Clérigos, é possível ter a loja para a frente e fazer a entrada para as habitações, nos pisos superiores, pela rua de Trás: as parcelas vão de uma rua à outra. Mas estas são circunstâncias excepcionais, não são a regra.

A riqueza e a diferença da Baixa e do Centro Histórico passarão inevitavelmente por um "mix" de actividades e de estratos sociais. Essa composição não pode ser determinada com exactidão à priori, embora, porventura, cada pequeno "ecosistema" revele potencialidades e dificuldades muito próprias que devem ser conhecidas e exploradas, deixando contudo uma margem muito ampla para que o mercado possa agir e escolher naturalmente a melhor solução para aquele lugar e para o nosso tempo. Por exemplo, uma área com tão forte presença de serviços de saúde, como é a Cordoaria/Carlos Alberto, permite supor a possibilidade de desenvolvimento de habitação colectiva para a terceira idade, dispondo de serviços comuns (empreendimentos que não se confundem com os tradicionais lares de terceira idade), serviços de especialidades geriátricas, etc., etc. Mas será que esta é a perspectiva do mercado, aqui e agora?

Voltando atrás, à lei do arrendamento, aqui deixo a sugestão para que, quem souber do assunto, se pronunciar e se possível nos esclarecer. O tema é de vital importância para o futuro do Centro do Porto!

PAT, em 2004-12-01

2004/12/01

De: Carlos Gilbert - "O «E.T.»..." 

Meus amigos, especialmente ao Miguel Barbot e ao Armando Peixoto: Desculpem lá a pergunta insistente: o "Edifício Transparente" é um "landmark"??? Então eu sou um provinciano de Carviçais... (sem ofensa para os seus habitantes!). "Landmarks" para mim são a Ópera de Sidney, o Guggenheim de Bilbao, o Centro Georges Pompidou, à sua escala o C.C.B.! Aqui no Porto, "landmarks" talvez tenham sido, cada um na sua época, a Torre dos Clérigos, o "Palácio de Cristal" (o original!), o Coliseu, agora o E.T.?? Sei que com certeza fui fazer agora aquilo que em inglês se chama "to open a tin can of worms", mas enfim, ideias são para serem debatidas, não é?

Carlos Gilbert

PS: sempre gostava de saber mais em concreto os motivos que vos levam a classificar aquele edifício sem charme algum de "landmark"... Que saudades da "Casa de Chá da Boa-Nova"...

De: Armando Peixoto - "Edifício Transparente" 

Acho que falar na inviabilidade do Edifício Transparente é ridículo. De facto, ele foi construído sem um propósito inicial. Mas quero relembrar que, há algum tempo, foi feito um concurso para ocupação do mesmo espaço, e existiram alguns proponentes. Até, pasme-se, houve um vencedor, a Hottrade! O que é de estranhar é que, após o concurso e com uma nova administração, a casa da música tenha cancelado o concurso e obrigado a Hottrade a renegociar o contrato. Motivo esse que levou ao atraso das obras. Problemas de concessão que, pelos vistos, teimam a manter-se! Daqui a pouco, vão dizer que o Palácio do Freixo também é inviável... Repare-se como este edifício está vazio e o Museu Nacional da Imprensa, mesmo ao lado está num edifício cujas condições me faltam palavras para descrever! Mas como o Miguel Barbot disse, e bem, "como todas as landmarks, no inicio há quem goste e há quem deteste".
Repare-se também na Praça de D João. O projecto da Porto 2001 previa, na placa central da praça, a instalação de alguns bares ou cafés com esplanadas e um ecrã gigante para divulgação de eventos culturais (e eventualmente outras coisas...). Julgava eu ser uma boa ideia no processo de reabilitação da baixa, até porque esplanadas não abundam na baixa e aquele é um lugar quase "fadado" para isso. O ecrã também seria excelente para animação e para melhorar a informação relativa à vida cultural da cidade (informação essa que é muito reduzida...). Ainda continuo à espera....

De: Carlos Gilbert - "As autárquicas" 

Caro Tiago,

Agradeço-lhe a gentileza da resposta ao meu texto sobre o assunto em epígrafe. Mas deixo aqui uma pergunta no ar: são - como diz - os partidos que precisam de pessoas, ou têm sido as pessoas que se têm filiado para se servirem dos partidos? Ou pelo menos as que arranjaram meios de chegar ao topo? Não quero começar aqui uma análise mais profunda sobre o papel dos partidos na sociedade, sobre o "gap" entre o que deveria ser e o que é a realidade, julgo que todos aqui sabemos bem distinguir as coisas, mas se o Porto está neste momento num "caos político" como afirma, por alguma razão é! E os partidos em si são instituições, se há mal-estar é porque as pessoas o fizeram. Sou pragmático, apesar de não ter perdido a minha dose de idealismo. Só que este último tem recuado cada vez mais para o "fundo da gaveta", e no presente momento não vislumbro como p.ex. eu poderia ter uma atitude mais "vigilante", como sugere, ou mais activa, se o termo lhe agradar mais.

Carlos Gilbert
--
Nota de TAF: Cada um de nós há-de encontrar a sua forma de contribuir para a evolução da vida política no Porto. A minha "atitude activa" foi lançar e gerir este blog. :-)
PS: Parabéns pelo seu site Porto romântico visto de um Land-Rover Serie II.


De: Assunção Costa Lima - "Jardim do Carregal..." 

"... - Resposta a Paulo Araújo"

Pelo menos já somos dois...

Quero dizer-lhe que não me parece sensato propor a reconstrução do Jardim “com base em estudos paisagísticos sérios, coordenados por especialistas reputados”. Muito simplesmente há que reconstruir o Jardim na sua traça original, conservar as espécies, arranjar os arruamentos e conservar os banquinhos. Há que plantar, para além de outras espécies, três magnólias que foram derrubadas na face adjacente ao hospital de Santo António, limpar e conservar o lago, rever a iluminação, arranjar a casinha e dar-lhe uma utilização social interessante, eventualmente como ponto de apoio aos utentes da Consulta e da Urgência do Hospital de Santo António. Mas, pelo amor de Deus: não proponha especialistas. Olhe o que aconteceu ao Jardim da Cordoaria... Deixem o Jardim do Carregal manter-se como, provavelmente, o último Jardim Romântico da cidade digno desse nome.

Assunção Costa Lima

De: Miguel Barbot - "Praça Cidade S. Salvador" 

Caro Carlos,

De facto, utilizações para o ET não faltam.... e uma delas pode perfeitamente justificar a existênca da linha de metro: o hospital de campanha e garagem para as AGV's,
que ocuparão o piso térreo libertando os restantes para o centro de comunicações, mascarado de grande ginásio.

Humor à parte, do que já podemos ver, ainda não consigo ter uma opinião... estou na fase de estranhar e não sei se vai entranhar. É provável que não aconteça. O que não consigo é criticar tal monumento tendo em conta os aspectos estéticos. Como todas as landmarks, no inicio há quem goste e há quem deteste. Depois o tempo dirá: a maioria dos monumentos sobejamente conhecidos em todo o Mundo foram polémicos e ridicularizados. Hoje ninguém vive sem eles.

De: TAF - "Eleições autárquicas" 

Carlos Gilbert comentou há pouco este meu texto sobre as autárquicas.

Tenho tido a opção de evitar o debate estritamente político n'A Baixa do Porto. Quando se trata de casos concretos da cidade é inevitável que apareçam por vezes conflitos de natureza partidária mas, ainda assim, procuro que a ênfase seja no problema em si e não nos políticos. O desafio que lancei no referido texto e que publicito no topo da página é político (no sentido mais lato) mas de natureza supra-partidária.

O tema da utilidade do envolvimento dos indivíduos nas actividades partidárias já aqui tinha sido abordado antes (por exemplo por Francisco Rocha Antunes e Rio Fernandes). A minha posição é esta: "Recuso-me a aceitar como inevitável a competição irracional e como impossível a cooperação construtiva entre partidos." Resignarmo-nos é desistir da Democracia.

Claro que as instituições avançam sempre mais devagar do que os indivíduos, mas não há outra maneira a não ser insistir continuamente e conquistar terreno passo a passo. Os partidos também precisam das pessoas! ;-)

De: Lino Cabral - "PDM's para quê ?" 

Uma coisa que o cidadão comum (o meu caso) não entende é o facto PDM . A primeira pergunta que ocorre é : para quê um plano se não é para cumprir? um plano sujeito a sucessivas alterações é ineficaz. Não há PDM que nos proteja da asneira (o Transparente Encalhado) nem da ingenuidade (Jardim da Cordoaria).

Uma cidade é um organismo vivo sujeito a múltiplos imputs/ outputs e o imponderável nestes fluxos está sempre presente. Para gerir esta complexidade melhor seria um programa com objectivos de manter saudável o “organismo vivo”: vida, mobilidade, rendimento, felicidade, cultura, etc. parece-me um conceito mais adequado ao pretendido e obviamente um desafio à população.

(Um PDM é coisa de arquitecto. Pelo menos há uma ideologia de arquitecto na feitura e discussão do Plano. Penso eu de que…)

Lino Cabral

De: Assunção Costa Lima - "ainda o ..." 

"... post de Alberto Lima"

Foi no dia 1 de Dezembro de 1640. Foi há 364 anos. Um punhado de valentes Portugueses libertou o País de seis décadas de jugo Castelhano. Glória eterna aos camaradas pela façanha e a D. João, 8º Duque de Bragança que depois segurou a barra. É que, para além do feito permitiram este feriadinho mesmo a jeito para ver com um pouco mais de atenção os tais feitos “de rigor orçamental IMPRESSIONANTE e sem paralelo na Administração Pública Portuguesa”, referidos no post do Dr. Alberto Lima.

É realmente um inventário impressionante: dou particular relevância ao “combate à corrupção dos serviços” e à “redução significativa do absentismo e horas extraordinárias dos funcionários da CMP”. Então há corrupção nos serviços? E há absentismo e excesso de horas extraordinárias? Sou quadro da Administração Pública Portuguesa e se alguém afirmasse tal sobre a minha instituição eu exigiria um esclarecimento completo. Assim, sempre que olho para um qualquer trabalhador dos serviços camarários olho-o como um possível corrupto e um possível absentista...

E o resto da impressionante obra? Sempre tive a ideia que é obrigação do Presidente de qualquer edilidade fazer obra na sua área de intervenção mas, ter como obra Camarária “As verbas "record" do PIDDAC para o Distrito do Porto” essa é que é obra... E o resto? E o resto da impressionante lista? Confesso que nos últimos tempos não tenho percorrido a cidade de forma que não sei quão impressivas são as obras arroladas. Porém, os meus trajectos habituais, permitem-me constatar que, das obras ditas concretizadas, o Túnel Ceuta-Carregal não está pronto, a Casa da Música também não, continuo a confrontar-me com arrumadores (ou antes engºs de tráfego) nas ruas. Quanto ao resto, e fazendo fé que os lapsos são só estes, sempre tive de ideia que é dever de ofício de qualquer Presidente de Câmara fazer obra, aliás como de qualquer trabalhador pago para o efeito, seja em lugar público ou privado, e o dever é ainda mais imperativo quanto se apresenta candidatura pública e publicitada a um qualquer lugar. Aliás uma boa parte dos feitos relacionados transitaram das administrações anteriores, sim que não exclusivamente da última. Se não estou equivocada ouvi falar pela primeira vez do Túnel do Carregal ao Dr. Fernando Cabral, o Metro era uma velha ambição que o poder central entendeu considerar ao tempo de uma anterior gestão da Câmara e se iniciou na gestão anterior, o “novo Teatro Carlos Alberto” foi iniciado na gestão Camarária anterior, e as comemorações do São João não sei quando começaram, mas tenho a certeza que não foram da autoria do Dr. Rio... Também não creio que o nosso Presidente tenha promovido/organizado a exposição dos dinossauros.

Conhecida como a cidade do trabalho o Porto não está habituado ao luxo e nem sequer o deseja. Deseja, isso sim, um ambiente social humano, justo e solidário. E isso não se vê: o desemprego continua em marcha crescente, o tráfico e consumo de droga aumentam, o custo de vida dispara, confrontamo-nos em cada esquina com a miséria e a exclusão social. As ruas continuam sujas, ao fim de semana os contendores de lixo transbordam já que se eliminou a recolha de lixos nesse período, os buracos nas ruas e passeios e as obras inacabadas prevalecem. A insegurança reina, os assaltos de rua sucedem-se com uma frequência assustadora.

Na resposta-compilada do Dr. Alberto Lima identifico cinco items dirigidos aos socialmente mais desfavorecidos: “O combate ao "fenómeno" dos arrumadores; a intervenção de fundo no bairro São João de Deus; a regulamentação da habitação social (despejos, rendas, venda habitação); a recuperação da habitação social; a demolição de dezenas de ilhas municipais (TODAS!) degradadas na Cidade e consequente realojamento dos seus moradores.” E fico perplexa. Então os arrumadores são um fenómeno? Será que agora o Porto “virou” Entrocamento? Para mim fenómeno é coisa rara e surpreendente, e, realmente, os arrumadores não se enquadram neste conceito. São gente de carne e osso como eu ou o Dr., eles são sim a trágica consequência da combinação do consumo de droga e da exclusão social com a falta de estacionamento e da sua ordenação. Cravam uma moedinha? É mais barato que os parques da Câmara e melhor que andar a roubar. Se eu concordo com os arrumadores? Claro que não. Se gosto: também não. Mas lá que a ideia é engenhosa, lá isso é... E a demolição das dezenas de ilhas? Para onde foram essas pessoas? Que se vai fazer com os terrenos devolutos? Já alguma vez pensou que foi mais um notável contributo para a desertificação da cidade, gerando ainda mais insegurança. Se nas ilhas existia marginalidade também lá existia muita e boa gente, gente do Porto, daquela a sério, da tal que “troca os bbb pelos vvv mas não troca liverdade por serbidão”. Se algumas dessas ilhas poderiam ser casos perdidos outras não seriam requalificáveis na mesma serventia? Essas pequenas comunidades onde o companheirismo e a solidariedade imperavam eram pequenos condomínios fechados que, essencialmente precisavam de que se lhes criasse condições de vida capazes e que, seguramente, não queriam ser desmembradas. Ficava mais caro? Creio bem que sim. Mas a mais valia social era, seguramente, compensadora dos custos financeiros. Recordo com saudade a ilha da Parceria, ali entre Maternidade Júlio Dinis e o Cemitério dos Ingleses. Era um bairrozinho pinoca, algo degradado, mandado construir no final do século XIX por um industrial da cidade de nome Antunes para alojar os seus operários. Aliás o verdadeiro nome da ilha era Parceria Antunes em homenagem ao seu promotor. A minha saudade estende-se ao S. João do Campo Pequeno (ou da Maternidade) que “os da Parceria” ali montavam. Este ano ainda lá houve S. João: mas está triste, está vazio, faltam os de lá. Era bonito, era espontâneo, era S. João do Porto e não S. João do Presidente da Câmara... Libertar a cidade do pesadelo das ilhas não era, certamente, erradicar os seus habitantes para a periferia, mas sim dar-lhes condições para se manterem onde estavam. Ironicamente, leio com frequência notícias, em que se exige aos privados proprietários de ilhas que façam obras para dar condições aos seus inquilinos. Coisa que a “impressionante obra” não fez. E esta hem?...

Olho mais uma vez a impressionante lista de impressionantes obras. A Miragaia, a minha freguesia, nada coube. Nem a S. Nicolau... Pobres freguesias, de gentes pobres, de portuenses trabalhadores que nesta plêiade de obras apenas se viram contempladas com o arrasar dos negócios da Ribeira, muitas vezes fonte da sua subsistência. Se a lista me impressiona é pela falta de equilíbrio, pela óbvia priorização de infra-estruturas próprias para servir os já instalados e escorraçar os carenciados.

Detenho-me sobre o fim da reflexão do Dr. Lima. “Este Presidente de Câmara é um luxo para a Cidade”. Luxo, diz-nos o dicionário provém do étimo latino luxu e significa ostentação ou magnificência; ornamento; decoração faustosa; viço; vigor; esplendor; capricho; extravagância; Não creio que a cidade esteja interessada em tais atributos, e, muito sinceramente também não creio que o Dr. Rio queira ser considerado um luxo.

A finalizar diz o Dr. “Mas esta é, somente, a minha opinião. A opinião dos Portuenses iremos, tranquila e confiantemente, validar nas próximas eleições autárquicas.”

Não, Sr. Presidente da Junta de Freguesia de Lordelo do Ouro: tal como José Régio no seu Cântico Negro, Não sei por onde vou, / Não sei para onde vou / - Sei que não vou por aí!.

Assunção Costa Lima

De: Carlos Gilbert - "Miguel Barbot..." 

"... - «Praça Cidade S. Salvador»"

Aos poucos, vou vendo os artigos que me interessam neste fórum. Ao Miguel Barbot, e com respeito ao tema da sua intervenção citada, tenho a dizer o seguinte: Estando a escultura a que se refere prevista para o espaço adjacente ao E.T., lógico se torna que se trata de uma grande antena de captação de emissões de rádio oriundas do "outer space", sendo que a aparelhagem electrónica de recepção e descodificação está destinada a ser montada dentro do E.T.. daí que ainda não tenha sido concessionado, pois os verdadeiros planos das autarquias não poderem ser revelados de forma extemporânea... só a semanas das autárquicas. Aos poucos se vai conhecendo a verdade, não me pergunte à como eu soube deste "segredo"...

Carlos Gilbert

De: Carlos Gilbert - "TAF: As próximas eleições..." 

"... autárquicas no Porto"

Caro Tiago,

Sou novo aqui neste seu blog, portanto não sei se é possível comentar as suas opiniões no local onde as publica (TAF: Opinião), até pq clicando no sinal de "envelope/reposta" aparece mensagem dizendo "unable to fulfill your request". Por isso, permito-me responder-lhe aqui.

O tema que apresenta é mais que pertinente, e já o foquei de forma muito breve na resposta a outra opinião. Nós, cidadãos, queremos (exigimos!) políticos que verdadeiramente nos representem, mas estamos "reféns" dos partidos que estabalecem as suas listas consoante os fluxos do momento, ou seja, conforme o peso das linhas dominantes numa dada altura. Melhor exemplo disso é o que está a acontecer no presente momento no PSD (a nível nacional). Estou em crer que haja até indivíduos sérios que tenham verdadeira intenção de se colocar ao serviço da causa pública, uma vez eleitos. Só que, como para lá chegarem precisam do apoio de toda a "máquina" (ou "aparelho") ficam autenticamente reféns dos seus correligionários (o que em política se apelida de "cordadas", termo usado no alpinismo, em que o primeiro homem a escalar a montanha depende na sua segurança e sobrevivência de todos os outros que a ele estão ligados por cordas...). Assim sendo, pergunto como é possível o que defende ao dizer: «A intervenção da sociedade civil pode fazer-se também pela participação na vida interna dos partidos, obrigando-os a agirem de acordo com os interesses da população e não em função das guerrilhas mais mesquinhas que agora todos observamos com indignação. Os partidos e os seus dirigentes são o que são porque nós deixámos!». De que forma vamos participar na vida interna dos partidos, pergunto? Mesmo que uma dezena de cidadãos conscientes se inscrevessem como membros de um dado partido para tentarem de alguma forma uma alteração no "modus vivendi" do mesmo, seriam corridos à gargalhada, no mínimo! Veja as lutas titâncias que tem havido dentro do PS (e refiro-me neste momento à concelhia do Porto), e as lutas em surdina que houve no PSD! Como vai o comum cidadão "naõ deixar" que as coisas se continuem a degradar? É por este motivo que defendi noutra resposta a opinião de que as próximas autárquicas não vão servir para referendar coisa nenhuma, poderão quando muito servir para escolher entre "o mal menor". E isto que digo vai de encontro ao seu próprio pensamento quando termina o seu artigo dizendo: «O Porto chegou a tal ponto de degradação que, após encontrado um consenso mínimo sobre as principais acções a executar no próximo mandato, se justificava uma candidatura independente apoiada pelos principais partidos. Trata-se de um "estado de emergência", que exige medidas radicais e excepcionais como esta.» Pergunto: "apoiada pelos principais partidos"??? Julga que estes são ingénuos a esse ponto? Isso seria os partidos reconhecerem publicamente a sua própria falência a nível político, esqueça essa ideia...

Portanto, e salvo melhor opinião (que bem desejável seria), continuamos "reféns do sistema" (o qual, segundo Churchill, ainda é o menos mau de todos os tipos de política...).

Carlos Gilbert
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Nota de TAF: Caro Carlos: o TAF-Opinião é um local onde eu "armazeno" algumas ideias minhas, e não um espaço de debate. O erro que detectou no "envelope" foi um erro temporário do próprio Blogger, que entretanto está aparentemente corrigido. De qualquer modo esse é apenas um apontador para enviar referência do texto para outra pessoa, e não uma opção de resposta. Quanto ao conteúdo do seu texto, irei dar uma resposta mais tarde. ;-)


De: TAF - "Há vida além do Governo Central" 

- A Cidade Que Vem de Baixo
- Edifício Transparente vai demorar a "endireitar"...
- Metro até Pedras Rubras está pronto mas parado por diferendo jurídico

- Polémica da construção no Bessa com prolongamento
- Rejeitadas reclamações do PDM
- Moradores de Villa Bessa ponderam impugnar PDM em tribunal
- Deputados Municipais Adiam Decisão Sobre Terrenos do Boavista

- Financiamento da Casa da Música ainda por esclarecer
- Rui Rio quer sensibilizar AMP para participar na Casa da Música
- Casa da Música Vai Custar 15 Milhões por Ano

Não esquecer: Reunião com a SRU

De: José Patrício Martins - "Lei do Arrendamento..." 

"... em «banho-maria»"

Os sucessivos percalços e reveses que se têm vindo a levantar ao arranque do processo de reabilitação urbana, são tantos que é fácil cair na tentação de fazer, seja o que for, para mostrar alguma coisa de positivo. É uma reacção natural e, talvez até, legítima. Mas pode não ser a mais avisada.
Até porque as dificuldades vão continuar, surgiu novo contratempo. Desta feita é a "lei do arrendamento" que volta ao estado de "banho-maria"!
Do qual não sabemos quando irá sair ou mesmo, se irá sair?...

Tiago Fernandes: parece-me que, mais urgente que ajudar a escrever o programa do próximo executivo municipal, há que o fazer para o próximo governo!

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Patrício Martins
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Nota de TAF: Segundo Vital Moreira, "Tecnicamente o Governo mantém-se em funções plenas". Em teoria não é por isso completamente impossível que a Lei do Arrendamento venha ainda a ser aprovada. De qualquer modo, tenho a impressão de que para a Baixa do Porto não é esse o ponto crítico (dados os poucos habitantes com menos de 65 anos aos quais a lei se aplicaria nessa zona, por exemplo).


2004/11/30

De: Luísa Ferreira - "Duque de Loulé" 

Gostaria de saber se algum dos "bloguistas" conhece algum projecto de intervenção ou concurso, para a zona junto ao viaduto Duque de Loulé, e se possível o tipo de projecto/programa. Creio que é uma área com um carácter muito forte a nível urbano e paisagístico na cidade do Porto, mas que se encontra "ferida" por esse viaduto... infelizmente um dos muitos casos semelhantes existentes.
desde já agradeço!

Luísa Ferreira
[email protected]

De: Carlos Gilbert - "Lino Cabral: Grande medida!" 

«O Metro na Av da Boavista é uma GRANDE medida ! e um desafio à tradicional mobilidade da população. A confusão e o caos derivados de tal impacto na avenida, é um particular do trânsito motorizado que nela circula, e é essa praga que qualquer cidadão civilizado pretende eliminar. Claro que terá que ser uma medida faseada e inteligente, mas esse é um grande objectivo. Acabou o mito do automóvel. (...)»

Claro. Os milhares de cidadãos residentes nas zonas adjacentes à Av. da Boavista/Mar. Gomes da Costa e na generalidade da Foz, e que exercem as suas profissões fora do Porto, passarão a ir para os seus empregos/empresas de bicicleta, pois o Metro não os vai servir. Quem percorre a Boavista entre as 8.00 e 9.00 da manhã, e segue pela Av. Dr. Antunes Guimarães ou vira directamente para a VCI, vê bem a quantidade de veículos em sentido ao exterior da cidade. Quanto a isto, estamos conversados.
Que um transporte colectivo num corredor central, unindo a rotunda do Castelo do Queijo (ou mesmo Matosinhos) à Rotunda da Boavista, é útil, isso já afirmei. Mas tb. disse que tipo concreto de composição: o eléctrico moderno, em vez das composições actuais do "Metro". E é fazê-lo seguir pela Foz fora até à zona do Passeio Alegre e daí ao Infante. Mesmo da Sra. da Hora ao centro de Matosinhos entendo que se deve optar por composições das que refiro. O actual "Metro" é de imensa utilidade sim, mas nunca em vias em que tenha de as partilhar com outros utentes, automóveis, autocarros, motos, bicicletas ou até peões.
Quem tenha a oportunidade de se deslocar à por mim já anteriormente referida zona de Düsseldorf, na Alemanha, sabe do que estou a falar.

De: Carlos Gilbert - "O Edifício Transparente" 

De Cristina Santos: «Como disse Armando Peixoto, o edifício transparente não peca pela sua existência, mas sim pela falta do seu uso. Porque não é usável o edifício, não é rentável ou acessível ao investimento?
- Porque é da previsão da utilidade do edifício e do seu futuro uso, que deve nascer o projecto;
- Porque não foi tido em conta o uso materiais, técnicas, estruturas e beleza, que tornassem o investimento acessível, económico e viável;
(...)»


Cara concidadã: Com que então o E.T. (não o do filme, mas sim o "monstro", aquele que refere no seu texto) só peca "pela falta so do seu uso e não pela sua existência"? Por que razão então afirma na parte final do segundo ponto que refere não ser o mesmo viável? Há uma certa contradição, não?

Eu vou dizer-lhe por que motivo o E.T. é em primeiro lugar o imbróglio que é: pela sua localização! Tivessem construído um edifício menos "pomposo" mas mais útil (na sua concepção, construção e inserção ambiental) 100/150 metros mais acima, na suave encosta do Parque da Cidade, mas a MONTANTE da via de circulação existente, com serventia directa para os utentes do Parque da Cidade, e estou certo de que teria havido interessados na sua exploração. Bem rodeado de um lago, de arbustos e arvoredo e ampla vista pela encosta abaixo, até à praia e o mar, o cenário teria sido outro. Bastava um edifício que albergasse um snack-bar/restaurante ligeiro, uma tabacaria, uma gelataria, algo tipo "praça de alimentação" adaptada ao local, e o resultado teria sido outro. Porque nos "shoppings" as rendas que este tipo de instalações pagam também não são "pêra dôce"... portanto a questão da viabilidade económica, sendo verdade, tem de ser usada com cautelas. Mas, repito, mesmo não sendo de forma alguma arquitecto e/ou paisagista, a presença no local ditou-me há muito os defeitos do plano escolhido e qual a solução mais viável. Mas, como em tudo, são opiniões...

Carlos Gilbert

De: Paulo V. Araújo - "Jardim do Carregal" 

Apesar de tratar da delapidação do Jardim do Carregal e do seu uso como estaleiro de obras, situação que deveria envergonhar toda a cidade, gostei muito de aqui ler o texto de Assunção Costa Lima. Também em Outubro de 1999, quando se iniciou a construção do túnel rodoviário Ceuta-Carregal, escrevi a um jornal diário uma carta sobre o jardim que nunca chegou a ser publicada. Pelo eco que teve na imprensa, parecia que o assunto a ninguém incomodava. Vejo agora que felizmente me enganei: embora o poder não lhes tenha dado ouvidos, outros como eu sofreram e sofrem com a destruição deste jardim.

É inestimável o serviço que a discussão livre neste e noutros blogues presta à causa da cidadania. Fico consolado de saber que, além dos arquitectos que se comovem com viadutos premiados, há quem estime um jardim condenado por um projecto insensato. Não somos muitos nem muito influentes, mas já somos alguns.

Está na altura de exigir que o Jardim do Carregal seja reconstruído com base em estudos paisagísticos sérios, coordenados por especialistas reputados. Era o que faltava se, também aí, a Câmara recorresse aos arquitectos do costume (que nada percebem de jardins) para uma "requalificação" sensaborana e desrespeitadora da memória citadina.

Paulo Ventura Araújo

De: TAF - "Reunião com a SRU" 

Conforme combinado há já bastante tempo, mas só agora possível dado o atraso na respectiva constituição, está prevista para daqui a alguns dias uma reunião dos “bloguistas” com a “Porto Vivo - SRU”. Falta ainda marcar a data ao certo. Estava a pensar propor um dia de semana, ao fim da tarde. Concordam? Quem estaria interessado em comparecer na nova sede da SRU na Rua de Mouzinho da Silveira? Enviem-me por favor mail para [email protected].

O Dr. Joaquim Branco, presidente da Comissão Executiva, propõe uma agenda deste tipo:
- a organização da sociedade e os seus processos de decisão;
- apresentação sintética da metodologia da SRU, por onde está a ir e os estudos que tem;
- forma de participação dos bloguistas.

Como enquadramento lembro o resumo da recente reunião com o Vereador do Urbanismo e o meu comentário “O que fazer”, publicado em 7 de Setembro.

Não me parece adequado que “A Baixa do Porto” passe a funcionar como uma “organização”, de algum modo. Este blog, como expliquei no “post” inicial e aqui, é apenas uma “praça pública virtual” onde cada um pode dar a sua opinião e que servirá de ponto de encontro/divulgação. É natural, contudo, que através d’A Baixa do Porto se consigam encontrar interesses semelhantes/complementares que proporcionem o aparecimento de iniciativas individuais ou colectivas, independentes do blog em si.

Já tenho explicitado a minha opinião de que o nosso envolvimento não deve ser “desinteressado”. Recuperar o Porto não se faz com boas-vontades, voluntarismos ou mecenato, que são úteis apenas como suplemento de algo mais sólido. A cidade precisa de “economia real”, de competência no nosso trabalho profissional, de lucro privado gerado honestamente, de interesses particulares defendidos com transparência. É nesta perspectiva que proponho se prepare a reunião com a SRU.

De: L F Vieira - "A Baixa do Porto" 

Blog: Cabo Raso
Post: A Baixa do Porto
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Nota de TAF: Os meus agradecimentos às palavras simpáticas. Não faço aqui mais do que a minha obrigação.


De: Carlos Romão - "O metro, o eléctrico..." 

"... e a sociedade do conhecimento"

Peguei no texto de Lino Cabral e substituí a palavra «metro» pela expressão «eléctrico rápido». Li-o de novo e quase que o assinava por baixo. Só não o fiz porque o que está em causa não são as vantagens que Lino Cabral atribui ao metro. Essas são consensuais. O veículo, para lá dos atributos da mobilidade e de não ser poluente, convive bem com a paisagem urbana.

O que está em causa é a implantação de uma infra-estrutura ferroviária na Avenida da Boavista. Creio que não haverá estudo de impacto ambiental sério, que viabilize a construção de uma ferrovia no eixo da avenida.
Não vou alongar-me na enumeração das razões que sustentam a minha opinião, porque elas estão mais que esplanadas neste blogue. No entanto, gostaria de lembrar uma que, tanto quanto me parece, não tem sido mencionada: a pesada catenária, os inúmeros e volumosos postes silenciosos que iriam substituir os troncos das árvores da avenida e que, se repararem bem, nunca são representados nas antevisões optimistas do metro. Porquê? Porque constituem um muro, um forte impacto visual indisfarçável.

Acredito que a solução de mobilidade para a avenida, dá pelo nome de eléctrico rápido, um veículo amigável, que tão bem convive com a urbe e que dispensaria o tal estudo de impacto ambiental.

Quanto à sociedade do conhecimento, que refere Lino Cabral, temos aqui no blogue «A Baixa do Porto» um bom exemplo. Ao participar neste canal de debate no ciberespaço, estamos a criar a cibercidade, tentando melhorar a cidade física e a comunicação interpessoal.

Carlos Romão

De: Miguel Barbot - "Social Watch" 

Na secção “A Fechar” no JN de ontem podemos encontrar um artigo sobre o relatório de 2004 da organização internacional “Social Watch”, onde podemos encontrar afirmações como “Em Portugal o contexto é de crise económica, insatisfação generalizada e falta de expectativas” ou “cresce a impressão de que na democracia portuguesa reina uma cultura de irresponsabilidade e impunidade”

Face a estas situações, ao aumento da corrupção e ao descrédito e inoperância total em que caíram as instituições, a notícia acaba com um apelo “o Social Watch salienta a necessidade da organização dos cidadãos portugueses para enfrentarem os desafios e “tomarem iniciativas conjuntas de defesa de seus legítimos interesses e desejos”.

É precisamente isto o que fazemos neste blog.

De: TAF - "O debate nos media" 

- Hoje no Público (só em papel) aparece um texto de João Medina com as razões contra o Metro já aqui no blog por ele expostas.
- No Jornal da Tarde da RTP, provavelmente amanhã, há-de aparecer uma reportagem sobre o Metro com entrevistas a alguns "bloguistas" e a Rui Rio.

De: Lino Cabral - "Grande medida!" 

O Metro na Av da Boavista é uma GRANDE medida ! e um desafio à tradicional mobilidade da população. A confusão e o caos derivados de tal impacto na avenida, é um particular do trânsito motorizado que nela circula, e é essa praga que qualquer cidadão civilizado pretende eliminar. Claro que terá que ser uma medida faseada e inteligente, mas esse é um grande objectivo. Acabou o mito do automóvel. Se fizéssemos uma boa Avaliação do Impacto Ambiental os resultados seriam demolidores para as almas motorizadas. Creio até que se os resultados chegassem a todos nós, a população contribuiria voluntariamente para o sucesso do Metro não só, na Av. da Boavista , como em todos os locais onde fosse possível instalá-lo. É a tal sociedade do conhecimento que muitos falam e poucos praticam. Os maiores problemas da mobilidade serão resolvidos com a mudança de nossos hábitos, mas compensativo porque a nossa qualidade de vida é aumentada.

Lino Cabral

De: Cristina Santos - "De edifício transparente a Ginásio" 

Como disse Armando Peixoto, o edifício transparente não peca pela sua existência, mas sim pela falta do seu uso.
Porque não é usável o edifício, não é rentável ou acessível ao investimento?

- Porque é da previsão da utilidade do edifício e do seu futuro uso, que deve nascer o projecto;
- Porque não foi tido em conta o uso materiais, técnicas, estruturas e beleza, que tornassem o investimento acessível, económico e viável;
- Porque as questões de implante, maresia, confrontações, não foram salvaguardadas com uma correcta aplicação da arquitectura e engenharia;
- Porque não existiu um concurso honesto de ideias, que admitisse a beleza, durabilidade, maresia, visibilidade e uso;
- Porque há obras de arte de alguns dos nossos arquitectos, que são para emoldurar e não para usar;
- Porque na hora de aprovar ideias e dons ocultos dos arquitectos da arte, não se contabilizam prazos, investimentos, possibilidades etc.

Como nenhum destes factores foi tido em conta, investir num edifício deste tipo e em época de crise, é quase impossível, pelo valor da exploração ou renda, pelos custos da manutenção, pela envergadura do espaço etc.

Informem-nos os Senhores Doutores e os Senhores Arquitectos, qual o tipo de investimento e uso que previam para o local, qual a empresa, o offshore, a multinacional, que está HOJE disposta a investir no local?

Veja-se: se do edifício fizermos um café convívio, com altas tecnologias, a que preço será cada café, e quantos cafés terão de ser vendidos só para pagar a renda?
Se montarmos uma Book Store, uma loja de roupa, um outlet, ou qualquer outra coisa, como será possível rentabilizar o investimento?
Quanto a mim a melhor ideia seria aproveitar o espaço para UM GINÁSIO, mas mesmo assim é difícil rentabilizar tal estrutura.


Portanto, a única medida a tomar nestes casos em que a Obra já esta feita e a degradar-se é viabilizar o seu uso, FORNECER PERSPECTIVAS DE RENDIMENTO, ARGUMENTAR, PROJECTAR, VENDER… para isso é necessário adoptar:

Medidas excepcionais de isenção de impostos para o local;
Comparticipação na renda ou na taxa de exploração;
Disponibilizar recursos autárquicos para a manutenção;
Iniciativas publicas que demonstrem as possibilidades dos usos:
Como promoção de corridas de lanchas, ou outro barco, espectáculos de surf, munindo o edifício de plateia e cafetaria provisória;
Apresentação de livros ou autores, fim de semana da aeróbia, promovidas pela Autarquia usando o mesmos recursos


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Tendo dito, sugiro ainda em alternativa desopilante, que se monte no local um centro de observação e apoio às frotas marítimas, um novo farol que é o próprio edifício, ou em alternativa um centro de observação ao comportamento marítimo, ao estudo dos astros, das intempéries, ou até o museu do vidro que pode limitar-se a um investimento a longo prazo em que o museu é o próprio edifício, não já sei,

Aquelas rampinhas podem muito bem servir o desporto radical em espaço coberto, sim sem duvida a melhor ideia e posicionamento…HouseBike, Skatesurfer, Bodyjumping, - eu talvez aderisse neste meu combate à barriga de vereador, este uso seria para mim uma opção, claro com o devido seguro de riscos e amolgadelas...

De: TAF - "Hoje" 

- Trânsito no Porto: Abriu a 'caça' à falta de civismo
- Brigada de fiscalização vai combater estacionamentos indevidos na cidade do Porto
- Reboque liberta ruas para autocarro passar
- STCP e Câmara do Porto lançam ataque ao estacionamento irregular
- Carros Mal Estacionados no Porto Podem Ser Rebocados em 20 Minutos

- Construtores Civis Preparados para a Reabilitação da Baixa Portuense
- Reabilitação Arranca com 50 Casas Camarárias
Escreve-se na notícia acima: "Por estes dias, a "Porto Vivo" tem-se desdobrado em contactos para conseguir que parte dessa reabilitação se faça por via do mecenato."
Não me parece que seja este o caminho. O caminho é a "economia normal", pois é o único sustentável - a Baixa do Porto tem que ser um bom negócio para todos. Não é com "mecenato aqui e mecenato ali" que se dá a volta à situação, até pela imagem de excessivo voluntarismo que faz desconfiar os agentes económicos quanto ao real interesse de investir no Porto.

- Metro: Bragança Fernandes propõe canal entre a Linha P e a Linha T
- Casa da Música: Empreitada deveria ficar pronta hoje, mas ...

Alguém sabia disto? Parece-me pessimamente divulgado:
- U.Porto debate o centro da cidade
- Universidade debate revitalização do centro
- Universidade do Porto debate presente e futuro do centro da cidade

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Para que serve este blog

"A Baixa do Porto" não tem "uma posição" sobre o Metro na Boavista. Nem "uma opinião" sobre o centro da cidade. "A Baixa do Porto" é apenas um local onde as pessoas podem expressar o que pensam, cada uma pela sua cabeça. Não somos um movimento nem nos pretendemos organizar em favor de nenhuma causa. Aliás, "nós" é um conceito que aqui não tem aplicação.

Se algo "nos" une é apenas o interesse em que os projectos públicos para a cidade sejam debatidos publicamente. É obrigar a que sejam explicadas as razões para as decisões que são tomadas com base no dinheiro de todos nós. É expor os decisores às verificação transparente dos seus argumentos. É permitir que todos contribuam para a evolução da cidade com ideias, comentários, sugestões, correcções.

De: Diogo Araújo - "Metro" 

Tratando-se de uma das poucas zonas do Porto projectadas com coerência e visão na sua quase totalidade (sim porque a Avenida da Boavista era suposto subir até à Praça da República, e não desaguar na Rua da Boavista), a ideia de implementar um metro à superficie substituíndo o actual corredor central para autocarros pareceu-me, num primeiro instante, o cûmulo do ridículo. A única razão pela qual não ganha esse galardão é a possibilidade de alguém na empresa ainda poder vir a ter a brilhante ideia de contratar um arquitecto de renome para projectar o metro na Avenida Marchal Gomes da Costa.

Se já ninguém questiona que a linha irá afectar negativamente a mobilidade e que não terá viabilidade económica, porque razão poderá alguém defender este troço? No interesse de quem? No dos moradores, os tais que se vão ver aflitos todos os dias por não poderem virar à esquerda, não será de certeza. Dificilmente o público geral sairá beneficiado por ter que pagar mais para fazer o mesmo percurso no mesmo tempo. Com uma linha tão lenta, a passar uma zona com uma densidade populacional tão baixa, apenas os turistas parecem levar a melhor, a não ser que se possa considerar o Boavista, Futebol Clube claro está, ou não fosse este país tão pobre que qualquer clube consegue ser elevado ao estatuto de potência local.

Parte do plano da linha da Boavista supõe um desvio do trânsito para a recente "nova avenida paralela à Avenida da Boavista", esperando-se que o desvio de carros possa de alguma forma desviar mais importância para que algum dia se possa começar a tratar esta nova ligação pelo nome. A extensão da nova avenida não se efectuará a partir do ponto em que esta acaba neste momento, por razões que não serão alheias a quem já lá circulou, existindo uma perda de prioridade num estreitamento da via para quem segue na direcção que liga à Avenida da Boavista. Adicionalmente, a Câmara já terá tentado alargar esta via, mas o proprietário do terreno (a escola Nossa Senhora do Rosário) não terá cedido. A ligação da avenida à Avenida do Dr.Antunes Guimarães deverá implicar a demolição de alguns blocos habitacionais nessa zona de Ramalde (blocos esses que felizmente são habitados na sua maioria por arrendátarios reformados facilmente expropriados) e ainda a utilização de parte do terreno do INATEL. Se bem me lembro o proprietário destes terrenos será nada menos do que o BFC, pelo qual João Loureiro poderá ter muitas mais ameaças do que a mera suspensão do desporto amador no caso da Camâra não aceitar a construção do edíficio ao lado do empreendimento BOAPOR II.

Infelizmente a discussão em torno da linha da Boavista tira o foco de situações bem mais urgentes. No meu entender, qualquer extensão do metro dentro do Porto deverá ser subterrânea, já que é o único modo de garantir a sua eficácia. A linha prioritária será sempre aquela que serve o polo universitário da Universidade do Porto no Campo Alegre, e consolida (ou recupera) a centralidade do Hospital St. António. O importante é não começar a tratar paragens de metro como se de um autocarro se tratasse. Bastará uma linha Aliados - Cordoaria - Palácio de Cristal ou Praça da Galiza - Polo Universitário. Quanto a quem defenda uma linha até à Universidade Católica, tenho mais reservas visto que exista pouco retorno para o dinheiro investido e a partir do Campo Alegre, o 37 revela-se uma alternativa viável com pouca incidência de trânsito, mas o importante é começar, e bem. Como última nota, e tendo em conta a entrevista de Joaquim Branco no Público recentemente, deverá ser feito um estudo à viabilidade de abrir metro na zona da ribeira, já que é inconcebível "jovens" se fixarem na zona quando irão demorar quase uma hora para chegar ao Hospital S. João, ou mais de meia hora até ao Campo Alegre.

2004/11/29

De: Assunção Costa Lima - "Post de Alberto Lima" 

Caro Dr. Alberto Nuno Bragança Assunção de A. Lima

Acabei de ver o seu post resposta a «O pior cego é aquele que não quer ver» e, antes do mais quero dizer-lhe que tenho por graça Assunção Lima o que é, seguramente uma curiosa afinidade consigo. Não o conheço pessoalmente mas, depois de ver o seu post fiquei praticamente certa que esta deve ser a única afinidade que temos.

Como não disponho de tempo, neste momento, para fazer a análise detalhada de tão ilustre prosa quero apenas dizer-lhe e a todos os caros bloguistas frequentadores do “A Baixa do Porto” que o Túnel da Rua de Ceuta, que apresenta como obra concretizada, “com um rigor orçamental IMPRESSIONANTE e sem paralelo na Administração Pública Portuguesa”, não está pronto. A obra foi iniciada há cerca de cinco anos, teve um largo período de interrupção e continua causando largo incómodo aos residentes e utentes da zona em que se desenvolve. Imagine caro “quase homónimo” que eu resido no Carregal e trabalho na rua de Ceuta: isto é que é galo: ele foram várias detonações diárias, ele é transito interrompido, ele é estacionamento num caos, ele é lixo, pó, barulho, etc. etc. etc. quer em casa quer no emprego. Ele é um magnífico jardim com espécies raríssimas, provenientes do antigo jardim botânico, completamente arrasado... Ó Dr. a sua “resposta compilada” não está bem: ou o seu compilador funciona mal ou realmente o Sr. é a antítese do cego que não quer ver (ou seja vê aquilo que não existe).

Não tendo tempo para mais permito-me aqui transcrever missiva que, à data de início da obra do dito túnel enviei ao Sr. Chefe da Divisão Municipal de Parques e Jardins, ao Sr. Presidente da Câmara Municipal do Porto, ao Sr. Vereador do Pelouro de Ambiente da Câmara Municipal do Porto, ao Sr. Vereador do Pelouro de Urbanismo e Planeamento da Câmara Municipal do Porto e à Srª Presidente da Junta de Freguesia de Miragaia:

Dirijo-me a V. Excia na expectativa de ver tratada de forma sensata e eficaz a deterioração de que vem sendo vítima o Jardim de Carrilho Videira, vulgo Jardim do Carregal, nomeadamente desde que aí se iniciou uma grande obra, que presumo ser a de construção do túnel que irá ligar a Praça Filipa de Lencastre á rua do Prof. Vicente José de Carvalho. E digo presumo, já que a obra não tem qualquer placa de identificação, tal como, suponho, o regulamento Camarário exige.

Não é necessário, seguramente referir a V. Excia as características, quase únicas na cidade, que o jardim apresenta. A própria placa que recentemente lá foi colocada pelos serviços camarários é, por si, elucidativa da riqueza do património botânico do Jardim.

É confrangedor assistir diariamente ao total abandono a que o Jardim foi votado, nomeadamente desde que se iniciou a referida obra. Sem nunca mais ter sido regado, só as chuvas desta semana fizeram despontar de novo alguma verdura do revestimento rastejante do jardim. A chuvada que, na noite da passada terça feira, se abateu sobre a cidade, acompanhada de vento, fez cair um grande galho de uma das árvores que bordejam o Jardim pelo lado da Rua Clemente Menéres e, até hoje pelo meio dia, ainda não tinha sido retirado, nem feito qualquer tratamento à árvore que ficou muito danificada. As sebes do jardim já não são podadas nem tratadas à largo tempo, e os arruamentos estão no mais completo caos apresentando lombas que fazem lembrar os troços mais ousados de um qualquer rally automobilístico. O lago, já há largo tempo com problemas de retenção da água, contém agora um pequeno resíduo de água, de poucos centímetros de altura, de aspecto putrefacto onde além de outro lixo bóiam também papeleiras daquelas que, comummente, vemos apensas aos candeeiros de iluminação. Sem ser varrido à larguíssimo tempo o jardim não só está pejado de lixo como tem algumas papeleiras completamente cheias e já com montes de lixo acumulado no chão, junto ao suporte.

Se a obra que aí se está a realizar é uma inevitabilidade, já não o é, seguramente, a forma como a mesma parece estar a ser conduzida. É penoso ver vegetação danificada e retirada apenas com o objectivo, pelo menos aparente, de arrumar materiais destinados à obra. Isto é o que agora se pode ver no troço do jardim que fica à face da rua do Prof. Vicente José de Carvalho. Acresce que boa parte da vegetação cortada está, há mais de duas semanas, empilhada junto ao arruamento do Jardim, sendo mais um triste testemunho da degradação que apresenta. Sem pretender “meter o foice em seara alheia” permito sugerir algo que parece ser elementar: se o armazenamento de materiais tem de ser feito e se o lago tem de estar vazio parece ser de utilizar a área do lago para fazer esse armazenamento...

É nas alturas de crise que se mede a boa qualidade de um serviço e, consequentemente dos seus profissionais. E, Sr. Engº, o Jardim do Carregal está em crise: sem ainda se ter recuperado totalmente da agressão que sofreu aquando da vultuosa obra de ampliação do Hospital Geral de Santo António, sofre agora uma nova e violentíssima agressão, por força da nova obra agora iniciada. Precisa, agora mais que nunca de ser cuidado com frequência, vigiado por técnicos competentes, capazes de articular com o executor da obra a forma de viabilizar o empreendimento do túnel e simultaneamente proteger o Jardim. Numa cidade que se apresenta orgulhosamente ao Mundo como Capital Europeia da Cultura do ano 2002, numa cidade que viu, muito justamente, grande parte da sua malha urbana classificada como Património Cultural da Humanidade, não podem ocorrer situações como esta. A cultura, de que seremos Capital, não é apenas conservação de edifícios antigos, exposições de Arte, espectáculos ou construções de casas da música e não se traduz por largos ou eruditos conhecimentos. É muito mais que isso: é um padrão de comportamento, de crenças, de valores morais, de instituições que constituem a herança social da comunidade. E se dela vamos ser capital é porque nisso somos maiores, e, Sr. Engº, a atitude que vem sendo adoptada com o Jardim do Carregal não nos confere, seguramente um estatuto de maioridade.

Permito-me aqui citar o Dr. Mário Soares, quando, há tempos referiu o direito à indignação. É em nome desse direito que me dirijo a V. Excia e que espero, em prazo muito curto, ver restituida ao Jardim do Carregal, a dignidade que sempre teve e merece, ver a belíssima e variegada vegetação com que está dotado ser conservada, ver os seus arruamentos limpos e cuidados. Esse será, seguramente, um excelente contributo para o património cultural que o Porto representa, será respeitar a cidade e os seus habitantes. Em última análise será respeitar os moradores do Carregal, que, como cidadãos e como contribuintes o merecem, seguramente, por parte das entidades e serviços municipais.

Esperando ver esta situação rapidamente corrigida, apresento-lhe os melhores cumprimentos


Dr. Alberto Lima: A Câmara então ainda presidida pelo Dr. Fernando Gomes (embora então já de abalada para o Governo Central), bem como a Srª Presidente da junta de Freguesia de Miragaia tiveram a gentileza de me responder e, durante algum tempo, muito pouco, a situação foi um pouco melhor. A partir daí, não mais houve atenção pelo jardim, pelos moradores ou pelos utentes do Carregal. Se esta é uma marca de qualidade e sem paralelo na Administração Pública Portuguesa então estamos conversados...

Só mais um detalhe: Honro-me e prezo-me de ser quadro superior da Administração Pública Portuguesa, há mais de 30 anos e muito gostaria de saber como chegou à conclusão da tal falta de paralelo já que considero o meu serviço de gestão exemplar.

Assunção Costa Lima
B.I. 967520, Pt, 26/01/2004

De: Armando Peixoto - "Presidente Alberto Lima e outros..." 

A propósito do post do Sr Presidente Alberto Lima, queria aqui dizer que ninguém acha que a cidade está parada, achamos é que poderia andar mais e melhor! Agradeço a lista de actividades que divulgou, e agradeço ao Presidente Rui Rio os seus "presentes", pagos, julgo eu, por todos nós, no exercício daquilo que julgo ser a sua função. Se o senhor tem andado atento ao percurso deste blog, julgo que poderá aperceber-se que é discutida a cidade, elogiando, criticando ou sugerindo, mas sem querer entrar em guerrinhas partidárias. Como portuenses e cidadãos que se interessam pela sua cidade, não nos contentamos em "validar nas próximas eleições autárquicas" o trabalho do executivo, mas temos prazer em ter um papel mais activo na discussão do Porto. Julgo que o senhor devia ver isto como algo positivo, como crítica construtiva, como algo que valoriza a democracia, até porque toda a gente pode deixar aqui a sua opinião.

Pude reparar que foi mencionado aqui a questão do edifício transparente. Na minha opinião, ao contrário do que me parece ser predominante, o edifício transparente poderá ser uma mais valia para a cidade e para o parque da cidade. Não creio que tenha sido um erro do arquitecto Solá Morales. O erro é ter aquilo vazio e sem uso (ainda!!!), quando propostas e ideias para o local não faltam...

Queria também deixar aqui uma questão. Estão a finalizar as obras na estação de S. Bento. Qual vai ser o destino da Avenida da Ponte? Já se sabe o que vai ser criado alí? Sei que há um projecto do arquitecto Siza Vieira para a Avenida da Ponte, que incluía a construção do "museu da cidade", mas pelo que leio nos jornais, ainda não deve haver nada decidido. Será que o projecto foi para a gaveta? Será que, o tempo que duraram as obras desta estação não foi suficiente para estudar o arranjo à superfície? Vai ficar para a SRU resolver? Vai ficar por resolver? Vão ser aproveitados os 60 milhoes de euros a mais que o governo disponibilizava para a linha da Boavista para serem aplicados num ponto nevrálgico da cidade? Alguém faz alguma ideia? Vai-se esperar algum tempo para voltar a esventrar o sítio, em vez de aproveitar o lanço e fazer logo tudo de uma vez (sem soluções provisórias/geralmente ad eternum)? Julgo que este assunto merecia alguma discussão...

Também acho interessante o caso do Parque das Camélias, na Batalha. Sei que há um projecto para o local, julgo que voltou a ser engavetado. De qualquer maneira, com a futura ligação de metro para Gaia, este parque perde um pouco do seu sentido, uma vez que o mais lógico seria encaminhar as camionetas vindas de Gaia para um interface com o metro, ainda nessa cidade, e aplicar a intermodalidade. Mesmo que continue com o seu uso corrente, julgo que seria importante dar dignidade ao local, de modo a deixar de parecer um terminal de camionetas do Zaire ou do Burkina Faso.

De: Miguel Barbot - "Alfândega" 

Existe um projecto, a Marina da Alfândega, que há alguns anos me vem chamando a atenção e que, pelos vistos, sempre vai avançar quando acabarem as sondagens arqueológicas que se encontram neste momento em curso.

Na qualidade de, não muito bem sucedido, ex-projecto de velejador e ainda por cima do clube em questão, gostaria de conhecer um pouco mais deste projecto, que poderá contribuir, e muito, para a revitalização de toda aquela zona. Como na Net ainda não encontrei nada a não ser os normais artigos dos diversos "Locais Porto", peço aos leitores do blog que eventualmente conheçam o projecto, que publiquem algumas informações adicionais sobre o mesmo.

A única coisa que sei, é que no projecto está também envolvida a REFER, que este contempla um parque de estacionamento e uma zona ao estilo das Docas e do Cais de Gaia.

De: Carlos Gilbert - "A José Pedro Lima" 

Cito: «Há exemplos que apresenta que são estranhos (a Casa da Música), outros são cómicos (como os acessos a um estádio que Rui Rio tudo fez para impedir que existisse)»

Quanto à Casa da Música não me vou pronunciar aqui (já o fiz há tempos, e queira Deus que não venha a ter a mesma razão que tive quando fui dos primeiros a levantar dúvidas quanto ao "Edifício Transparente", quando estre estava ainda na fase das fundações...). Mas não concordo que Rui Rio não tenha querido o Estadio do Dragão. O que não quis, e argumentou bem dessa vez, foi o famoso PPA (Plano de Pormenor das Antas) que parece ter sido um enorme "frete" que a anterior vereação ia fazer ao F.C.P., do género do edifício lá construído (tipo BIC da Maia...), completamente ao arrepio do PDM. E o que Rui Rio não quis foi misturar o desporto com política, como era uso comum nas vereações anteriores. Que possa ter exagerado, é outra coisa. Mas a César o que é de César...

Carlos Gilbert

De: Carlos Gilbert - "Falta um ano..." 

De Cristina Santos: «Uma Cidade cheia de potencial, a Cidade mais convidativa e rentável de Portugal.»

Minha cara,

Não se esqueça que o Porto (não só a "Baixa", pois aqui devemos tratar do Porto como um todo, mas concordo que com "centro-de-gravidade" na Baixa, concordas Alexandre?), o Porto sofreu uma transformação radical desde os anos 80/90 do século passado, com vários factores a levarem a esse estado-de-coisas:

-o declínio (senão extinção pura e simples) de muitos ramos de comércio e indústria tradicionais e o "efeito-de-cascata" que tal provocou, sobretudo a montante;
- o surgimento de muitas "cidades-dormitório" que provocaram uma sangria enorme nos cidadãos a viver na nossa cidade;
- o surgimento das enormes superfícies comerciais e o efeito devastador que criaram no comércio tradicional;
- a péssima gestão do trânsito durante décadas que levaram a que a "Baixa" se transferisse para a zona da Boavista, primeiro, e depois se fosse diluindo pelo que se chama de "Grande Porto", incluindo as cidades periféricas;
- o brusco travão que a massificação da TV representou nas artes da nossa cidade, com reflexo negativo imediato nos teatros, cinemas e salas de concerto que temos (ou tínhamos).

Não quero falar de excepções (o Coliseu será uma delas, a animação nocturna na zona ribeirinha, outra), mas no fundo, quem hoje-em-dia precisa verdadeiramente da "Baixa"? Se ao menos tivesse esplanadas convidativas nos passeios (como em tantas outras cidades europeias, até com climas bem mais frios), se existissem "botecos de tapas", casas de música do mais variado tipo (jazz, blues, música portuguesa), talvez isso trouxesse aos poucos gente à "Baixa", mas quem dá o primeiro passo nesse sentido? Quem investe em esplanadas convidativas, se ninguém gosta de se sentar a beber um "fino" ou comer uma "francezinha" ao ar livre? Quem abre casas de música, se o público-alvo tem receios fundados de se movimentar pela "Baixa" fora às horas a que as mesmas iriam fechar? Porque motivo em cidades europeias há de noite carrinhas das autoridades de segurança colocadas de forma bem visível à noite, nos centros urbanos, e cá não? Quando se sabe que é precisamente a falta de segurança que afasta tanta gente? É para não pagar horas-extra aos agentes da polícia? Se é isso, não se queixem de daqui a uns tempos os prédios da "Baixa" ficarem muito bonitos por fora e continuarem vazios por dentro...

Já há tempos o escrevi (de novo, no "Público"), a tutela até parece que alinhou no mesmo sentido, mas houve um inexplicável "travão" à ideia: a de dar vida ao rio criando travessias de lanchas entre o Porto e Gaia (como na Afurada, com o Ouro). Nunca cheguei a perceber bem por que motivo Rui Rio travou de forma intempesitva os planos que a APDL até já tinha neste sentido (alegadamente a tutela queria começar - e bem, a meu ver - com pequenas "carreiras", e ir ampliando aos poucos o serviço, Rui Rio queria um serviço logo "por inteiro", estou correcto?), pelo menos em mim criou a ideia de uma "birra institucional", daquelas tipo Rui Rio/Luis Filipe Menezes, e adivinhem quem ficou a perder? Todos nós, e a "Baixa" em concreto. Mais uma vez...

Carlos Gilbert

De: José Pedro Lima - "Post de Alberto Lima" 

Resposta ao post de Alberto Lima

Sou evidentemente incapaz de contraditar (como é moda agora) tão extenso post. Vou-me cingir ao unico caso que conheço bem, que é o Tunel da Rua de ceuta. Este processo não nasceu na gestão "Rui Rio" antes é uma malfadada herança da anterior gestão camarária que provavelmente será a maior culpada neste tema. No entanto mencionar deste ponto como concretizado, vai ter paciência, mas é gozar com quem lá mora. Este túnel não só não está concretizado como esteve completamente parado durante grande parte da gestão do Dr Rui Rio. Ainda agora o famigerado tunel mantem-se como um gigantesco estaleiro que mutilou, entre outras áreas, o jardim do Carregal transformando-o num autêntico bunker. Não sei para quando estará o fim da obra, incluindo pôr direito o que se estragou mas arrisco-me a dizer que ainda vai demorar e não sei se irá a tempo de o Dr Rui Rio a apresentar como obra feita do seu mandato. Aliás espero sinceramente que os restantes exemplos que apresentou e que eu não conheço tão bem estejam ao menos mais perto de estarem concretizados que o Tunel da Rua de Ceuta. Há exemplos que apresenta que são estranhos (a Casa da Música), outros são cómicos (como os acessos a um estádio que Rui Rio tudo fez para impedir que existisse) e muitos outros que são ainda parte da gestão normal da câmara, sendo (também) para isso que os autarcas são pagos. Agora o Tunel da Rua de Ceuta...haja paciência!

Cumprimentos
José Pedro Lima

De: Carlos Gilbert - "O pior cego é aquele que não quer ver..." 

Cito do autor: «A opinião dos Portuenses iremos, tranquila e confiantemente, validar nas próximas eleições autárquicas.»

Peço perdão? Nas próximas autárquicas podermos votar a favor dos partidos que se apresentarem com os respectivos cabeça-de-lista. Vai haver votos de fiéis ao seu partido e votos ditos de protesto contra o actual Presidente, mas nada disso diz de facto da satisfação/insatisfação dos portuenses sobre a forma como estão a ser geridos os destinos da nossa cidade. Não veja, portanto, as próximas autárquicas como balança aferidora do que está a ser feito. Infelizmente os partidos portugueses continuam com uma dose de autismo político espantosa (a única excepção de monta foi a primeira medida do ministro António Mexia ao demitir o então presidente da TAP...) e não manifestam vontade real em auscultar o grosso das pessoas com opinião formada. O que é pena.

Carlos Gilbert

De: Cristina Santos - "Falta um ano" 

Ex.mo Presidente de Junta Sr.Alberto Lima

Em primeiro lugar em participações anteriores e contextualizadas muitos de nós reconhecemos o trabalho desenvolvido, nomeadamente nos últimos 3 anos. (consulte arquivo deste blog por exemplo.

O Porto não se degradou em 3 anos, assim como algumas das medidas por si apontadas também não nasceram nestes 3 anos de mandato, o que acontece é que o investimento europeu e do governo central, tem sido realizado sem o devido cuidado, sem planeamento no tempo e no custo, e principalmente sem correspondência com outras áreas como o comercio, cidadania, segurança, limpeza etc.
Muito investimento público simultâneo… Mas e a Cidade o núcleo urbano?
A Cidade foi-se degradando, o comércio foi penalizado, as empresas mudaram, e as verbas continuam a ser canalizadas para fins específicos, quando poderiam ser divididas por vários sectores e áreas da Cidade.
As juntas também tem um papel importante nessa benéfica expansão de verbas as várias áreas, reivindicando os problemas das suas Freguesias, pedindo ajuda, colaborando com os munícipes.
Mas regressando, quando estiverem concluídas todas as obras, os Prédios e a economia urbana em geral, apresentará mazelas profundas, difíceis de consolidar.
É quase como se o Porto estivesse a ser preparado para uma nova população, novos habitantes, a questão é : a modernização exige tal preço?

Veja-se o caso geral das nossas Freguesias «históricas» sem população activa, sem jovens do secundário e com creches apinhadas, lojas fechadas, proprietários que não querem investir, rendas condicionadas e total precariedade no sector social e habitacional, ruas ao abandono, marginalidade crescente, jardins sem iluminação etc.

Ou seja, o Dr. Rui Rio fez um bom trabalho e provou que é possível cumprir prazos e orçamentos, mas tudo isto não obsta outros projectos para a Cidade, claro que não poderão ser feitos em 3 anos, mas existem outras medidas que podem incentivar investimentos.
Das medidas que referiu, quase todas pertencem aos mesmos Pelouros, ou por dotação orçamental ou por puro mérito do Edil, e o resto ?
Agora sou eu que lhe proponho, entramos no discurso «o óptimo é inimigo do Bom – o tal : vai-se fazendo»?

Depois se vamos a falar de listas de iniciativas promovidas em 3 anos, o tamanho é quase sempre o mesmo, este excesso actual resulta mais da Europa que do Porto em si, de iniciativas como o Euro, programas europeus, datas comemorativas e como diz muitas das iniciativas foram previstas há mais de dez anos...

Devo ainda concluir , que de facto os mandatos deveriam ser de 6 anos nas grandes metrópoles, até ver este executivo tem muitas intervenções de louvar, mas por vezes as coisas só funcionam com a devida pressão e cegueira, tentamos ser construtivos, apoiar o que nos parece bem e sugerir alterações ao que nos parece mal.

Quanto a Rui Rio ser um bom representante da Cidade, concordo, até por que fez vencer uma imagem, quando não pretendia imagem nenhuma, porque zela pelo cumprimento e pelo rigor dos investimentos públicos.
Mas prognósticos só no fim do mandato, não tentemos visualizar num ano o que não vimos em três, merece outra oportunidade. Vamos a ver, até lá todos juntos uns ignorantes, outros só cidadãos, outros ainda com o poder de nos gerirem, podemos fazer de:
Uma Cidade cheia de potencial, a Cidade mais convidativa e rentável de Portugal.

Melhores cumprimentos
Cristina Santos

De: José Patrício Martins - "Atendimento noturno" 

Caros amigos,

Gostava de saber as v/ opiniões sobre o seguinte assunto:

Muitas pessoas com quem tenho falado e que estão interessadas em recuperar edifícios e/ou viver na Baixa, têm, como é evidente, a sua actividade normal que as impede de se deslocarem com facilidade durante as chamadas "horas de expediente", para se informarem, discutirem as suas ideias, etc., etc... Até porque muitas delas vivem fora, na Maia, na Areosa, em Gaia...

O que é que acham de haver atendimento informativo, sobre a reabilitação urbana, lei do arrendamento, incentivos, etc., para além do horário das repartições públicas?

Não sei se será possível, mas que dava jeito, dava!

Um abraço,
PAT, em 2004-11-30

De: Alexandre Burmester - "«A Baixa do Porto» - Lembram-se?" 

Muito boa gente ainda não entendeu que aquilo a que vulgarmente chamamos de Porto, é na verdade:

* Vila do Conde
* Stº Tirso
* Maia
* Matosinhos
* Valongo
* Gondomar
* Gaia
* Espinho
* E claro está, senão me esqueci de mais nenhuma, também o Porto.

Não chamamos assim ao espaço onde vivemos, porque existem aqui tantas "tribos", como autarquias. Mas os estudos que se fazem, tais como os viários, transportes, sociais, estratégicos, etc... tem isso em conta.

Quem não o tem é quem depois vai para o poder e disputa a sua guerra particular, e o seu partidarismo.

Mas falar do Metro na Boavista, é falar apenas da Boavista. É falar dos transportes urbanos deste espaço autárquico, e das suas opções e implicações ao resto da cidade, incluindo a própria Baixa.

Não estendamos este assunto, como estar a por em causa o "Metro", o sistema Ferroviário Nacional, a politica do País, etc...

Ó Boa gente, este Blog, chama-se a "Baixa do Porto", não o "Estado da Nação"

Nota 1:
Esta versão do "Porto", é a mais reduzida, a outra vai de Valença à Figueira da Foz.
Nota 2:
Caro Rocha Antunes, o seu comentário é totalmente pertinente.
Aqui, até à data ninguém se candidatou, fez perseguição, ou campanha politica.

Agora que os "Cegos" são como os chapéus - são, e há muitos.

Alexandre Burmester

De: Vitor Vieira - "Sobre o Metro e sobre a TIS" 

Sobre a TIS:
- é a empresa do "milagreiro" Dr. José Viegas, "inventor" do desastre que foi o reordenamento da circulação dos autocarros na Av da República, em Gaia (ao centro, causando inúmeras mortes e acidentes)

Sobre o Metro:
- em tempos cheguei a ter uma disputa, nas colunas do "JN", com o "relações públicas" da STCP, que não me conseguiu demonstrar que existissem, de facto, estudos sobre a mobilidade e os movimentos pendulares (pelo menos com alguma credibilidade);
- pedindo desculpa pela extensão, abaixo apresento texto que há 7 e 1/2 anos enviei para os jornais, que me parece ainda actual:

"Metro: interrogações

O Metro Ligeiro do Porto, que se arrasta nos jornais há oito anos, mereceria melhor reflexão quanto ao impacto nas três cidades que, aparentemente, serão as primeiras a dispôr dele: Matosinhos, Porto e Gaia.

Debruçar-me-ei, por agora, sobre o seu percurso nesta última. Segundo parece, sairá do subsolo junto à EN222, descerá pelo centro da Avenida, e atravessará a Ponte, com paragens junto ao GaiaHotel, Colégio de Gaia, Câmara, apeadeiro de General Torres, e Jardim do Morro. Os atravessamentos automóveis serão poucos, e de nível.

Aqui começam as interrogações. E se avariar um carro sobre a linha? Teremos de andar a subir e descer a Avenida para a cruzar? Haverá vedações ou os peões poderão atravessar em qualquer ponto? Como as composições podem transportar até 400 pessoas, que tamanho terão de ter as paragens? Serão seguras? E como chegam as pessoas ao Metro, se vierem de carro ou autocarro até perto da Avenida? Onde deixarão os carros? Será que estão dispostos a pagar duas vezes, para chegar ao Metro e para o utilizar? Por onde passarão as viaturas que hoje enchem a Avenida, enquanto durar a construção?

Afinal, não seria preferível que o Metro circulasse, enterrado ou não, na nova via a criar, paralela à Avenida da República, desde a 222 até à nova ponte? Ou o Metro só é bom se puder ser mostrado a toda a gente: “olhem para mim, até tenho um Metro na Avenida!”?

Nunca vi qualquer esclarecimento para perguntas tão simples. Por isso pergunto-me se alguma vez terão sido equacionadas outras alternativas, certamente menos custosas e de mais rápida implementação.

O movimento actual na Avenida é essencialmente gerado por camionetas, autocarros e viaturas provenientes de Oliveira do Douro, Avintes, Vila d’Este, e Carvalhos (locais onde é maior a concentração de “dormitórios”). Constata-se facilmente que há uma sobreoferta na Avenida. Porque não criar interfaces (para camionetas, autocarros e viaturas particulares) nas zonas de Quebrantões e da EN222, e um sistema de vaivéns com autocarros articulados da STCP (gratuitos ou com o preço integrado no bilhete da camioneta ou do parque de estacionamento)?

Para além de ter custos baixos e diminuir a pressão na Avenida, seria uma forma de criar uma atitude de preferência pelo transporte colectivo e as condições objectivas para, mais tarde, substituir os vaivéns por um transporte mais pesado, como o Metro.

Outras questões: para onde vão as pessoas de Gaia quando se dirigem ao Porto? Vão para o centro? Para a Boavista? Mudam de transporte quando saem na Batalha? Estas perguntas já deveriam estar respondidas por um estudo profundo da mobilidade, mas, ao que sei, só agora a STCP começou a fazer qualquer coisa desse tipo.

Nova ponte: nas últimas eleições, perdi a conta às que o PS e o PSD prometiam. Afinal, parece que só irá haver uma. E como poderá funcionar, se for servida por uma via rápida do lado de Gaia e por ruas estreitas e congestionadas no Porto? Será que esse facto não irá conduzir em Gaia à criação de uma segunda Avenida da República, cheia de betão? Que ainda por cima tentará os automobilistas a levar o carrinho até ao Porto, em vez de usar o Metro? E porque razão ainda não foram abertas (mesmo provisoriamente) as ligações de Oliveira do Douro e de Vila d’Este à Ponte do Freixo, o que obriga os seus habitantes a terem de usar a D.Luís?

Historicamente, os centros do Porto e de Gaia estão “condenados” a fundir-se, como se fundiram as cidades de Pest, Buda e Obuda para formar Budapeste. E isso faz-se criando pontes, e muitas. Porque não começar já com uma no enfiamento da Rua D.Pedro V, do lado do Porto? E outra entre a antiga Alfândega do Porto e a zona dos estaleiros em Gaia?

O Metro tem sido um mero instrumento de propaganda, não é nenhuma panaceia milagrosa para a resolução dos problemas de trânsito da Área Metropolitana do Porto. Está por isso na altura de os cidadãos de Gaia, do Porto, de Matosinhos, agarrarem esta questão e exigirem respostas claras. Para que não continuem a passar grande parte da sua vida em engarrafamentos.

Vítor Vieira
Porto/Gaia
Maio 97"


De: F. Rocha Antunes - "Partidarices" 

Meus Caros,

Este blog é um espaço de cidadãos, livre e aberto a todos. A via que o Tiago seguiu de o tornar um espaço de liberdade e não mais um blog de autor(es) é mérito exclusivo dele, mas foi o que fez da Baixa do Porto o espaço que hoje é.

Como participante assíduo apenas quero fazer uma pequena nota, no mesmo sentido que já fiz outras anteriores. É importante que não nos deixemos levar pela tentação de fulanizar em excesso o que aqui se escreve. Isso pode dar muito gozo individual mas afasta-nos do essencial.

Neste particular, quero chamar à atenção a um dos colegas mais antigos, o Arquitecto Pedro Aroso, para as consequências que estão à vista de uma via fulanizada na crítica. Não é uma censura, é uma discordância mesmo.

Os assuntos que aqui tratamos são demasiado importantes para que se perca tempo na discussão partidária que uma intervenção demasiado personalizada sempre arrasta. Nada tenho contra a discussão partidária, só que essa discussão já ocupa tantos outros espaços que me parece ser de evitar que também aqui se a faça.
Com uma dose de contenção todos saberemos encontrar o equilíbrio sempre precário mas fundamental essencial para dar longevidade à Baixa do Porto. Estou certo disso.

Francisco Rocha Antunes
Promotor Imobiliário

De: TAF - "Mais notícias de hoje" 

- Reabilita funde quatro programas de apoio à reabilitação habitacional, no Público.
- Também no Portuense - Caro Pedro, o JN pode ter-se esquecido, mas eu não :-)

De: Alberto Lima - "«O pior cego é aquele que não quer ver»" 

Caríssimos bloggers, como Presidente de uma Junta de Freguesia da Cidade, eleito pelo PSD, e interessado nestas matérias da Nossa Cidade, deixem-me exprimir a seguinte opinião que, no fundo, representa uma resposta-compilada a diversas intervenções formuladas neste magnifico blog mas, particularmente a propósito de um post intitulado, "O pior cego é aquele que não quer ver".

Como também acho que o pior cego é o que não quer ver, gostaria de perguntar qual de vós e porquê alinha pelo discurso (entretanto silenciado pela acção de Rui Rio) da "Cidade parada"?

Concretizar os seguintes pontos, com um rigor orçamental IMPRESSIONANTE e sem paralelo na Administração Pública Portuguesa, é estar parado?:

Construção do Metro do Porto - maior obra pública de transportes da Europa;
As novas acessibilidades em Ramalde;
A reestruturação do Nó de Francos;
A nova obra do nó do Regado;
As novas alamedas em Campanhã;
Os acessos ao novo estádio do Dragão;
O túnel de Ceuta;
A nova estação ferroviária, também em Campanhã;
O novo teatro Carlos Alberto;
A ampliação e remodelação do Museu do Romântico;
O novo Museu do Vinho do Porto;
A Casa da Música;
A renovação da Avenida da Boavista;
O combate ao "fenómeno" dos arrumadores;
A intervenção de fundo no bairro São João de Deus;
A regulamentação da habitação social (despejos, rendas, venda habitação);
A recuperação da habitação social;
A construção de dois novos pólos de habitação social de qualidade;
O novo Gabinete do Munícipe;
O provedor para o cidadão com necessidades especiais;
A nova macro-estrutura da CMP;
A redução significativa do absentismo e horas extraordinárias dos funcionários da CMP;
O novo PDM;
A criação da 1ª SRU em Portugal;
A demolição de dezenas de ilhas municipais (TODAS!) degradadas na Cidade e consequente realojamento dos seus moradores;
A recuperação / renovação do parque escolar da Cidade;
A conclusão do núcleo rural de Aldoar;
A Marina do Freixo;
A organização do Porto Sounds;
O Festival da Francesinha;
As comemorações, sem precedentes, de São João;
A exposição dos Dinossauros;
Os desfiles "record" dos Pais-Natal;
A primeira Maratona da Cidade do Porto;
Os programas de desporto e actividades extra-curriculares para os alunos do ensino básico;
A requalificação de TODOS os ringues desportivos ao ar livre da cidade;
A criação de novos espaços desportivos e de lazer;
A instalação dos radares na VCI;
O impressionante ciclo de conferências dos 30 anos do 25 de Abril;
Os Julgados de Paz;
O combate à corrupção dos serviços;
E muito mais que não me ocorre no momento.

Mas, o novo discurso político do Porto trouxe, também, na minha opinião, as seguintes mais-valias intangíveis:

O respeito pela figura de carácter e honestidade incontestáveis que o País inteiro demonstra ao Nosso Presidente da Câmara;
As verbas "record" do PIDDAC para o Distrito do Porto;
A Presidência da Metro do Porto;
A prioridade à ligação Porto-Vigo em TGV;
Os contributos para a revisão da lei das autarquias e finanças locais;
E, concerteza, também muito mais que não me ocorre no momento.

Este Presidente de Câmara é um luxo para a Cidade. Só nestas condições é que alguns, como eu, aceitaram e aceitam conviver e trabalhar num ambiente político geralmente degradado, que é resultado de uma classe política desactualizada, mal preparada e, por vezes, irresponsável, classe essa que é um espelho da nossa Sociedade, nomeadamente de uma comunicação social que, salvo raras excepções, dá o justo e merecido destaque ao bombardeamento de iniciativas e atitudes políticas com que este Presidente de Câmara presenteou a Nossa Cidade e o País nos. 3 primeiros anos de mandato!!! "Dantes" eram necessários 10 anos para apresentar alguma coisa que, normalmente, nunca passava do papel.

Mas esta é, somente, a minha opinião.

A opinião dos Portuenses iremos, tranquila e confiantemente, validar nas próximas eleições autárquicas.

Melhores saudações,
Alberto Lima

De: F. Rocha Antunes - "Assinaturas" 

Meus Caros,

A sistemática invocação da qualidade dos autores de projectos de arquitectura como principal justificação de investimentos públicos de elevado montante é uma prática antiga, mas que se vem acentuando nos últimos tempos. Não há agente público que não recorra a arquitectos indiscutíveis para assegurar que, por essa via, se podem calar as vozes que contestam a utilidade desses investimentos. É mesmo misturar alhos com bugalhos.

É fundamental que a qualidade dos projectos de arquitectura e urbanismo seja elevada. Não sou eu que vou discutir a qualidade evidente dos arquitectos do costume. Agora, nada disso resolve a questão de base: são esses investimentos, mesmo com uma elevada qualidade de projecto, úteis ou não?

Quem acompanha as questões da qualidade da arquitectura, não deixará de concordar que o Arquitecto Manuel de Solà-Morales, para dar um exemplo, é um excelente arquitecto. Mas sabemos que não foi por isso que já alguém entendeu porque se investiu no Edifício Transparente. Outro exemplo é o do premiado viaduto do parque da cidade. Tem um óptimo projecto, mas não serve para o que dele hoje se pretende. Senão, não se faria outro.

Como aqui também se poderia dizer, há mais vida nos investimentos públicos para além da qualidade do projecto. E as questões essenciais incluem não só, evidentemente, a qualidade do projecto mas outras questões como a sua oportunidade, a sua viabilidade e a respectiva sustentabilidade futura. E dessas raramente se fala. O que não pode ser. Senão, ainda acabamos todos falidos mas com um magnífico catálogo de obras de arte.

Francisco Rocha Antunes
Promotor Imobiliário

De: Cristina Santos - "Os estudos prévios existem" 

Segundo informaram hoje via e-mail, e no âmbito da discussão em curso, os estudos prévios para o Metro do Porto (População, adesão, ambiente, mobilidade etc.) têm vindo a ser desenvolvidos por uma Empresa sediada em Lisboa denominada - TIS, consultores em transportes, inovação e sistemas, SA.
Os estudos remontam a 1995, sendo que os mais recentes focam essencialmente, o traçado para a Avenida da Boavista, Matosinhos Sul e Gaia, com base em analises que prevêem o futuro desempenho, rendimentos, benefício social etc..

Não são conhecidas (publicamente) as conclusões destes estudos , pelo que e como já referi, sem eles ou pelo menos sem as suas conclusões é nos impossível avaliar a situação no todo, limitamos-nos a ver a estética da questão.

Mas é estranho que os defensores desta linha, nunca utilizem estes estudos como bases sólidas dos seus argumentos, quando por norma nos afrontam com estatísticas, percentagem e previsões... é no mínimo estranho.
Os estudos existem , parece é que ninguém lhes quer dar valor, porque será?!

ESTUDOS DESENVOLVIDOS PELA «TIS»

- ESTIMAÇÃO DA PROCURA E RECEITA ASSOCIADA, AVALIAÇÃO DOS IMPACTOS AMBIENTAIS NAS LINHAS DO METRO DO PORTO (estudo de 1995 - requerido pela metro do Porto)
- EXTENSÕES DO METRO DO PORTO - ESTIMATIVAS SUMÁRIAS (em 2000 -Metro do Porto)
-REVISÃO DOS ESTUDOS DE PROCURA COM DADOS CONSOLIDADOS DE 2001 PARA O METRO DO PORTO (em 2001 - Sotagus)

Cristina Santos

De: Miguel Barbot - "Para Reflectir..." 

Shoppings no Nortadas

De: Carlos Gilbert - "O Metro na Boavista" 

Desde que foi lançada a ideia de instalar de raiz uma rede de "metro" na nossa cidade do Porto que me tenho debruçado sobre a matéria e alguns artigos foram tornados públicos num dos diários que a cidade lê ("Público"). A iniciativa valeu-me, inclusivé, um convite pessoal do mais alto responsável técnico pela empresa que concorria à parte da construcção e fornecimento do equipamento rolante, dentro do consórcio que viria a vencer o consurso público, que me deu a honra de, na altura, me mostrar os pormenores do que iriam ser as duas principais linhas previstas como "espinha dorsal" da rede "metro", as infra-estruturas pleneadas e como eventualmente interligá-las com futuras extensões, tudo matéria que exige confronto de ideias com quem está por dentro das questões, devido às dificuldades que a implementação no terreno de uma rede destas fatalmente acarreta.

Devo acrescentar que, nas minhas opiniões, me baseei sempre na experiência que fui adquirindo como utente duma das mais vastas redes de metropolitano e seviços complementares que existe na Europa, a "Rheinbahn" à volta da zona do Ruhr, na Alemanha, com centro na cidade de Düsseldorf, e claro como cidadão nado e criado nesta cidade há tempo suficiente para ter uma noção das exigências e dificuldades do trânsito nesta urbe.

A já referida espinha-dorsal parece estar implementada a contento, pese embora as dificuldades que as composições têm em circular dentro da malha urbana de Matosinhos, o que não é de estranhar pois as composições escolhidas não são adequadas a raios de curvatura pequenos. Não é mal que não se possa remediar mais tarde, concebendo material circulante específico para as artérias mais centrais, isto é, mais propício a curvaturas mais apertadas (como acontece, p.ex., na referida "Rheinbahn" e decerto em muitos outros locais por esse mundo fora).

No tocante à "linha da Boavista" ora em debate, entendo - e para ser o mais breve possível - um disparate total o "espartilho" que se quer criar na via em questão, pois que se de facto esta avenida necessita de um transporte de tracção eléctrica que una a zona da Foz à Rotunda, e uma requlificação urbana nesta artéria até vem a calhar, há-que acautelar os diversos interesses em devido tempo, antes de se tomarem decisões irreversíveis que a cidade venha posteriormente rejeitar. Em primeiro lugar vem a pergunta: em média, a quantos utentes diários irá servir a linha? Em segundo, qual o transtorno que os esquemas ora publicitados quanto aos principais cruzamentos vai causar aos milhares de automobilistas que circulam na Avenida da Boavista todos os dias para entrar e sair da cidade, nas mais diversas direcções, e para os quais o "metro" nunca irá ser alternativa? Ou seja, que terão sempre de "conviver" com este meio de transporte urbano? Já se pensou a sério nas implicações de fazer rodar parte do trânsito da Boavista por artérias circundantes, que não passam de pacatas ruas de bairro, com o propósito de evitar as mudanças de direcção "à esquerda" que há nos cruzamentos do Bessa, de S. João de Brito, da Marechal e na Fonte da Moura? Não valerá mais fazer parar cada composição um minuto mais em cada um destes quatro cruzamentos, devidamente semaforizados, como já estão, do que criar a barafunda que já agora se antevê? São mais quatro a cinco minutos de durção do trajecto entre a zona do Castelo do Queijo e a Rotunda, mais desta forma evita-se o caos que não é dificil de prever.

Quanto à implementação do "metro" noutras artérias citadinas, interrogo-me que tipo de material circulante se pensa introduzir nas artérias da "baixa" da cidade que já estão requalificadas e com trilhos devidamente colocados para uso futuro. Decerto que não irão ser as composições actuais, pois não?

Carlos Gilbert

De: TAF - "A utilidade dos blogs" 

- Debate sobre metro instalou-se na Net - aqui mesmo! :-)
- Requalificação da Boavista mais importante que metro
- Ribeira do Porto vazia de moradores já não é mais do que "sala de visitas"

2004/11/28

De: Pedro Aroso - "O pior cego é aquele que não quer ver" 

O jornal "O Comércio do Porto" publicou uma notícia, de que transcrevo esta passagem:

"No discurso de ontem, o edil (Rui Rio) quis responder a quem diz que a cidade está parada, sublinhando que "o Porto tem tido o maior volume de investimento público que alguma vez viu na sua história". Em causa estão o metro, os acessos aos estádios, as novas alamedas de Campanhã, o túnel de Ceuta, a nova estação de Campanhã, a Casa da Música, entre muitas outras obras".

Ou seja, para o Presidente da Câmara do Porto, somos todos um bando de idiotas, já que a cidade nunca esteve tão bem.

O Salazar também dizia que os portugueses eram todos muito felizes e, a prová-lo, comparava as taxas de suicídio do nosso país com as da Suécia e dos países mais desenvolvidos. Claro que, em Portugal, como não havia estatísticas, também não havia suicídios e, na maior parte dos casos, eram diagnosticados como enfartes do miocárdio...

Meu caro Rui Rio, é caso para dizer que: "o pior cego é aquele que não quer ver"!

De: F. Rocha Antunes - "Eu empata me confesso" 

Meus Caros,

Até estava a estranhar que ainda não tivesse ainda aparecido o primeiro com a clássica abordagem dos “Velhos do Restelo”. Afinal sempre apareceu. Eu prometo que vou resistir à qualificação pessoal e que vou considerar, como sempre, que todos os interlocutores numa discussão pública apenas valem pela consistência dos seus argumentos nessa mesma discussão. Como deve ser.

O que se tem discutido aqui e por outros sítios é a questão da razoabilidade ou não de se investirem 90 milhões de euros na criação de uma nova linha de Metro que ligará apenas a Avenida da Boavista à Rua de Brito Capelo, em Matosinhos.

Eu sei que não é muito moderno, ou como agora de diz, politicamente correcto, questionar este tipo de investimentos públicos que são, inexoravelmente, justificados como sendo bons para todos nós.

Agora, o que não percebo é a insistência em transformar a zona Ocidental da cidade na Senhora da Asneira: já não chegava o Edifício Transparente, o parque de estacionamento que era para carros e só dá para barcos, um viaduto que só tem uma faixa útil de rodagem porque na outra se colocaram uns inúteis carris no meio do incontornável empedrado e que afinal nem para isso serve, surgiu agora a ideia peregrina de “escangalhar” a Avenida da Boavista e fazer ali e de uma só vez o que de errado se fez nas duas Avenidas da República das cidades vizinhas. Chamar ainda por cima a isso requalificação urbana é o cúmulo.

Vamos a ver se se percebe. Decidir investir numa nova linha de Metro, que só é justificável por um erro primário de planeamento da rede, não parece ser muito sensato. E quando se critica tal investimento, em vez de se argumentar com a dúzia de justificações que qualquer investimento de dinheiros públicos desta dimensão exige, só se consegue invocar a estafadíssima referência dos “Velhos do Restelo” ainda mais preocupa. Nem me vou alongar pela referência em si que, como sabem os que leram mais do que as citações alheias, não tem o sentido que vulgarmente se lhe atribui.

A verdadeira questão, doa a quem doer, é se há justificação para investir 90 milhões de euros nessa nova linha de Metro ou não. Se não há uma dezena de outras possíveis linhas de Metro mais urgentes ou não. Tudo o resto é não perceber o que é a responsabilidade de gerir dinheiros que, relembre-se, são de todos. E fugir à obrigatória responsabilidade de explicar antes a bondade desse mesmo investimento.

Empatar o gasto inútil de dinheiros públicos é uma obrigação de cidadania. Velha como o mundo, no Restelo ou na Boavista.

Francisco Rocha Antunes
Promotor imobiliário

De: Miguel Barbot - "E esta, heim?" 

"A requalificação desta importante artéria da cidade do Porto é reivindicada há muitos e muitos anos. Agora que há disponibilidade e meios para o fazer, introduzindo o metro em canal próprio (como andavam os eléctricos, até há bem poucos anos, numa parte importante da Avenida), a partir de um projecto com a assinatura dos arquitectos Siza Vieira e Souto Moura, lá surgem umas vozes a criticar o que desejavam que fosse feito e nunca o foi e a impedir a sua concretização, o mais rápido possível.Camões falava, há cinco séculos, em "Velhos do Restelo". Hoje, numa linguagem mais corrente, defender o fim dos "empatas", onde quer que eles se encontrem, é uma reivindicação justa e séria."

Agostinho Branquinho no JN - retirado do Portuense.

A forma democrática do "eu quero posso e faço" doa a quem doer, partindo para o insulto sobre aqueles que tem o desplante e o descaramento de não concordar com uma ideia, já não é nova.

O insulto, mascarado atrás do politicamente correcto é uma bela forma de disfarçar fraquezas e fragilidades. "Reivindicação justa e séria" é aquela que todos nós, cidadãos descomprometidos desta cidade fazemos, ao pedirmos transparência e rigor nos projectos que comprometem o futuro da cidade.

Agostinho Branquinho conseguiu, num simples parágrafo, resumir todos os motivos pelos quais nos levantamos ou insurgimos contra esta absurda empreitada. Tá lá tudo. Tenha vergonha Sr. Branquinho.

PS: Sr. Branquinho, Novembro termina depois de amanhã... A Casa da Música já está pronta?

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