2005/12/03

De: Rui Valente - "Convergências e não só!" 

Já repararam que estamos a ser demasiado repetitivos e a cair na tentação de fazer juízos de valor acerca dos "berros" que cada um de nós dá? Até aqui, era a confusão das elites, agora, abusa-se dos berros.

Isto pode pressupor, à partida, a convicção pretensiosa de que os berros de uns são mais "melódicos" do que os berros de outros. Não concordam? Ou será, que há alguém entre nós que, à sua maneira, não tenha passado do berro? O estilo é que pode variar, mas até ver, a abstracção, está patente em todos eles. Ou haverá aqui quem se considere mais qualificado sem assumir abertamente esse estatuto? Se há, óptimo, mas que dê a cara e anuncie o seu projecto com objectividade. Se não o tem, então que preserve a humildade para aceitar a opinião dos demais, mesmo que ela tenha o ruído de um berro, sem contudo, abdicar da crítica construtiva. A sensação que perpassa e que mais desconforta, é haver entre nós quem encare a situação com soluções próprias de executivos, quando ainda não têm qualquer espécie de poder decisório.

Para:
José Silva
Sobre o ponto 5 do seu comentário, estou de acordo consigo. Desde sempre, interpretei a atitude de Rui Rio como uma estratégia política arriscada (não muito inteligente), de ambições mais amplas do que a presidência da C.M. do Porto (muito provavelmente a de chegar a 1º.Ministro). Pessoas há, porém, que assim não o entenderam e apesar da "inércia" com que dirige o município continuam a depositar-lhe alguma confiança. Hélas!
Outra observação que gostava de fazer, é que, apesar do meu amigo ter tido a frontalidade de propor a organização de um partido de índole regional, (ideia que só não apoio inteiramente, por razões temporais), não descura o lado emocional das reacções de muita gente que aqui se manifesta, porque percebe, que é quase sempre a partir de uma emoção que se pode passar à acção. Há quem se obstine em não aceitar a ideia simples, de que para se erguer um edifício não se começa por planificá-lo sem antes saber se há matéria-prima para o construir. Essa, é a filosofia do cartão de crédito bancário.

Para:
António Alves
Também o acompanho na análise que faz sobre as "qualidades" do nosso Presidente da Câmara de forma genérica, incluindo o que pensa sobre as do candidato derrotado Francisco Assis (outra decepção).

De: Alexandre Burmester - "Iniciativa Legislativa" 

Existe na Constituição uma Lei que permite que um Grupo de Cidadãos apresente ao Presidente da Assembleia da República uma Iniciativa Legislativa. Para o efeito, está contabilizado para o total da população do País, que o Grupo de Cidadãos terá que ter um mínimo de 35.000 assinaturas.

Ora se as legislaturas autárquicas fossem igualmente democráticas, e se o Porto vivesse numa democracia, bastaria um total de 1.000 assinaturas para poder promover o mesmo na cidade.

Afinal para que servem as 7.000 assinaturas dos “Aliados”?

Alexandre Burmester

De: Alexandre Burmester - "Realidades" 

Caro Sr. José Silva

Relativamente às questões que colocou, apenas quero responder-lhe à sua última pergunta, sobre a realidade que se passa em Portugal, para lhe dizer que infelizmente da Realidade apenas percebo a que percebo (aliás como todos).

Mas já agora pedia-lhe se me enviava um desenho sobre o que o Rui Rio está interessado.

Cumprimentos
Alexandre Burmester

De: José Silva - "Resposta a Alexandre Burmester" 

1. O assalto regionalista à Baixa do Porto, mais ou menos emocional, é revelador de um padrão de estados de espírito comuns a muitos nortenhos. É espontâneo, é de baixo para cima. É significativo que assim seja.

2. Mais um partido? Que seja. Há algum problema? Os que existem tem medo da concorrência? Paciência. Há alguma lei que proiba a emergência de novos partidos com caracter nacional? Não.

3. Novo partido, igual aos demais, não obrigado. Um partido «open source», estruturalmente organizado em democracia electrónica? Porque não? Também não me importo que venha a ser situacionista e defenda os interesses regionais, aliás, os nossos interesses.

4. «A opinião "aberta" na net, seja pelos Blogs seja pelos Media, é sem dúvida uma mais valia para que todos nós possamos manter-nos melhor informados». Este parágrafo não condiz com a realidade. E a OTA é o exemplo mais recente. Aliás, os mais contestatários contra a OTA a nível nacional foi a associação do operadores turísticos de Lisboa e Carmona Rodrigues.

5. A propósito de Rui Rio e defesa do Norte: Rio ambiciona subir na hierarquia do PSD em direcção a ministro das finanças ou primeiro ministro. Sempre o ambicionou. E a melhor oportunidade que teve foi o PPA. Atacar o Pinto da Costa (se calhar com razão, diga-se), simulando um ataque ao poder do futebol, aumentou-lhe a popularidade em Lisboa. Recentemente, teve que «despedir» Paulo Morais pois este dificultaria os tráficos de influências imobiliário-partidarios necessários à sua ascenção interna no PSD. Caro amigo Burmester, acha que Rio está interessado no desenvolvimento regional ou do Porto? Precisa que lhe faça um desenho?

6. Percebe porque é que Rio ou Ludgero são desesperança? Percebe agora a necessidade de um partido/lobby/movimento de defesa dos nossos interesses? Percebe mesmo a realidade que se passa em Portugal?

De: Cristina Santos - "AMP força" 

O problema da AMP é que não tem orçamento, o problema da AMP é igual ao deste Blog é apenas um espaço onde se discutem opiniões. A AMP não tem cargos com visibilidade, ninguém se quer comprometer com uma camisola especifica.

Mas, como não há nada de novo na Cidade, nem túneis, nem fundações, nem sequer oposição, talvez seja possível acreditar que o novo Presidente vá assumir essa luta na AMP, com competência e com a rebeldia que lhe é habitual.

Se Rui Rio não é detentor do cargo há mais tempo, é porque não queria assumir a responsabilidade de uma instituição sem pernas, agora que aceitou o desafio tem entre mãos uma possibilidade de inverter a tendência, a submissão.

Não acredito que Rui Rio assuma um cargo para ficar anónimo, acredito que como Presidente vá marcar a diferença. E era mesmo de um político como ele garante ser, que a zona norte precisava agora.

Resta esperar mais uns dias até que o Senhor Presidente «assuma» funções.
Continuar serenos cá no burgo, aguardando o fim dos tais dois meses, que o novo executivo precisa para saber onde ficam os «interruptores» da cidade ... enganei-me «os interruptores dos gabinetes»*.

Cristina Santos

* Referência à reunião de campanha onde Rui Rio deu a entender que uma equipa nova não era obstáculo à continuidade, bastava assimilar coisa pequenas como a localização dos interruptores, o resto era só seguir o delineado.

2005/12/02

De: David Afonso - "2 notícias" 

Apenas queria chamar a vossa atenção para estas duas notícias:

1. Oito prédios do quarteirão Carlos Alberto nas mãos da SRU

Creio ter aqui meia resposta à pergunta fiz lá atrás.

2. Aveiro prepara cimeira para reclamar TGV até Salamanca (no Público, não acessível para não assinantes)

Enquanto se discute o sexo dos anjos, o mundo não pára. Devo confessar a minha admiração por Aveiro se ter mexido de forma tão ágil. Fez bem. O Porto, entretanto, discute as "elites". Faz mal.

De: António Alves - "Apelos" 

Têm-se repetido aqui os apelos para que Rui Rio, agora que é presidente da Junta metropolitana, assuma a posição de defensor das justas reivindicações das gentes nortenhas perante o poder central. Alguns posts incentivam-nos a nós, os que por aqui opinam, a desafiá-lo a agarrar a oportunidade histórica, que tudo o que tem acontecido ultimamente corporiza, e que um político esclarecido e corajoso aproveitaria para marcar o seu lugar na história desta região e do país. Ao que parece o homem, até agora, não tugiu nem mugiu.

Mas os meus caros co-bloguistas (os que têm feito tais apelos) não têm memória? Rui Rio exerceu o cargo de presidente da câmara do Porto nos últimos 4 anos (4 anos é mais do que tempo suficiente para todos podermos aquilatar a qualidade da personagem) e nesse período de tempo que indicação nos deixou quanto à sua capacidade para corporizar tal desiderato? Existe por aqui alguém que tenha genuíno orgulho na obra feita por este edil? Existe por aqui alguém que sinta genuíno desvanecimento pelas qualidades políticas e culturais do senhor presidente? Não creio. Rui Rio pura e simplesmente não tem estofo para tão elevada missão. Não tem sequer dimensão política e cultural para dirigir o município, quanto mais para tão altos voos. Parafraseando Gomes Fernandes, um "comboio histórico" parou-lhe à porta e espera que alguém o conduza diligentemente; o problema é que ele nem para guarda-freios serve, quanto mais para assumir o lugar de maquinista.

A via de abordagem para qualquer problema por parte de Rui Rio mantém-se: quezilenta, arrogante e, no seguimento do que já nos habituou no mandato anterior com os casos dos arrumadores e despejos, inaceitavelmente classista. A atitude que agora toma perante os cantoneiros de limpeza da câmara demonstra-o à saciedade. Dele, desiludam-se, não virá nada de transcendente.

Mas caros amigos, os últimos acontecimentos também nos dizem que se Assis tivesse sido o eleito não existiriam motivos para sorrir. Também ele começa a desiludir-me profundamente. A falta de capacidade para enfrentar o directório lisboeta é por demais evidente.

Outros posts têm sugerido formas e meios para esta região se libertar das asfixiantes amarras centralistas. Uns sugerem um lóbi, outros um partido, outros ainda optam por uma via económica de empreendedorismo activo e inovador. Eu, por mim, julgo que todas as opções são válidas, desde que se faça mesmo alguma coisa. Inclusive continuar aqui e noutros lados a "berrar". O tempo é de actos.

Tenho para mim que os regimes não mudam de moto próprio: ou são derrubados, ou caem de podres. É dos livros. Este há muito que caminha a passos largos para o colapso. Quando colapsar é chegada a hora de aproveitar a oportunidade. Já não falta muito. Basta-nos estar atentos.

António Alves

De: F. Rocha Antunes - "Mentalidade pequenina #2" 

Cara Cristina,

Se reparar com atenção, nos exemplos que deu não falei de nada que dependesse da iniciativa privada. Falei de casos que nós, por estarmos próximos, podemos pressionar para que os nossos autarcas deixem de ter eles uma visão estreita e percebam que apenas depende deles terem uma actuação mais concertada. Não existe nada que proíba de se juntarem as vezes que for preciso para terem políticas e práticas concertadas.

Por exemplo, já alguém reparou na quantidade enorme de auditórios financiados com dinheiros públicos que cada entidade gere como coisa sua e que poderiam, sem sacrificar os objectivos iniciais para que foram criados, serem disponibilizados para eventos de toda a natureza? A um preço muito competitivo? E serem geridos profissionalmente por uma entidade como a Culturporto? E aprenderem com o exemplo da Ryan Air e disponibilizar a preços muito competitivos a capacidade excedentária instalada, quiçá até em promoção conjunta com a própria Ryan Air? E com isso contribuir para fomentar o turismo da cidade e da região?

Isto não é nada que dependa de grandes alterações, apenas de vontade de utilizar racionalmente o que já existe e melhorar as condições económicas de todos. E é (seria) iniciativa pública.

Francisco Rocha Antunes
Promotor imobiliário

De: Alexandre Burmester - "Defesa do Norte" 

Agora que temos um Presidente da Junta Metropolitana, devíamos solicitar-lhe a voz activa da defesa do interesse da Região. Apoiá-lo e pressioná-lo na tomada de posições firmes e claras contra as últimas decisões que foram tomadas recentemente:
E mais por agora chega.

Não pode é existir um Presidente desta área Metropolitana que se mantenha calado, principalmente quando facilmente teria aqui um apoio popular invulgar, que só lhe somaria pontos políticos. De que espera o Rui Rio?

Está como sempre esteve apenas interessado na gestão da área entre a Circunvalação e o Rio Douro? Tem medo do Governo Central? Tem telhados de vidro? Negoceia a volta do “rebuçado” que é a administração do Metro e vai ficar contentinho? Que espera afinal?

Ó Sr. Presidente acorde, diga lá qualquer coisa, reclame, não tenha medo. Vai ver que até os inimigos o vão apoiar. Que espera afinal?

Que esperamos todos?

Será que haverá alguém por aí que lhe consiga explicar o óbvio que é a oportunidade dourada que lhe caiu na sopa?

O Filipe Menezes a estas horas já lhes tinha chamado sei lá quantas vezes de “Sulistas”, o Fernando Gomes teria convocado os Super Dragões, e o Rui Rio?

Ó Ansiedade….

Alexandre Burmester

De: Pedro Lessa - "Comércio na Baixa" 

A propósito dos horários do comércio na Baixa, aflorado pelo Teófilo e Miguel Barbot relembro aquilo que já aqui afirmei.

O problema do comércio tradicional não passa só pelos horários. O raciocínio a ter para resolver este problema é bastante simples.
Basta dar as condições ao comércio local que têm os shoppings. Horários alargados, estacionamento livre (ou com taxas simbólicas), possibilidade de ruas cobertas sem chuva, ruas limpas e tratadas, segurança visível (não precisa de ser a polícia, nos shoppings não é), etc etc.

Fui bastante crítico com câmara porque, também em relação ao comércio tradicional, NADA foi feito (por culpa também da Ass. Comerciantes, claro. Onde estão os milhões do PPA?).

Quando se quer resolver problemas, não adianta fugir deles nem entrar na teoria da proibição. Se a culpa é dos shoppings, fechem-se os shoppings!! Completamente errado.
Só se resolvem os problemas enfrentando-os e não assobiando pró lado como fez este presidente.

Cumprimentos.
Pedro Lessa
[email protected]

De: Alexandre Burmester - "Participação Cívica x Transparência" 

A convulsão que tem tomado este Blog na defesa da região “Norte” contra os “Sulistas”, os Partidos políticos e os políticos, se tem pertinência, por vezes perde-a por não deixar de beirar gritos no vazio e contestações sem muito sentido. Irá perde-la ainda mais se continuar do mesmo modo.

Para quê querer fundar Partidos políticos, regionalistas ou outros? Para se tornarem iguais aos demais? Já não existem que cheguem? Passado pouco tempo os “revolucionários” tornam-se situacionistas, e fica tudo à mesma. Se os Partidos são o que são, a culpa é de quem participa na sua vida política, e principalmente de quem não participa. Na verdade os políticos são cada dia que se segue de pior qualidade, porque ninguém quer participar e prestar o serviço cívico de tentar inverter e poder acrescentar mais valias nos programas partidários. Para quem tem ambições políticas profissionais ou desinteressadas, o meu mais vivo conselho será que ingressem nos Partidos (Sejam lá quais forem que são todos iguais) e procurem inverter as suas políticas, não valerá a pena estar a estruturar outros.

Fornecer a informação, ajudar a interpretar e opinar, ajuda muita gente a ter mais e melhor opinião, e é o único caminho que este Blog e outros vão produzindo, juntando-se ao coro do volume dos Media. Mais do que isto é apenas querer demais e adulterar esta forma de participação.

A opinião “aberta” na net, seja pelos Blogs seja pelos Media, é sem dúvida uma mais valia para que todos nós possamos manter-nos melhor informados. Convinha é que a Administração Central, Regional, Autárquica e outras, tivessem o mesmo entendimento, e colocassem em público os Estudos, as opções, as estratégias, os Projectos, os pareceres, e até as dúvidas. Se assim fosse muito mais facilmente poderiam decidir, mais justiça haveria na avaliação que se faz das opções políticas, maior participação cívica existiria, e sem dúvida que ao transparecerem os seus procedimentos menor suspeitas e melhor administração teria de existir. Somos todos governados e governantes vítimas deste sistema de encobrimento e de falta de transparência, que origina de parte a parte uma constante suspeição.

“Eles” são corruptos e preguiçosos, “Nós” somos desonestos e mal intencionados até prova em contrário.

A “abertura” pela transparência da “Coisa pública” seja Estado seja Partidos devia ser uma prioridade no actual sistema político.

A forma actual de governação e de decisão conduz-nos a todos, uns aos berros outros de mãos dadas, para o mesmo buraco. É o que acontece quando todos gritam e ninguém tem razão. Ou será que alguém tem?

Alexandre Burmester

De: Rui Valente - "Pedido de esclarecimento" 

Caro TAF,

Não sei se deva agradecer-lhe, ter-me revelado o nome da personalidade que desejava ver ao leme do meu país, mas pode ter a certeza que não é Sebastião, muito menos dos que têm um "dom" antes do nome. É desses exemplares, o que há mais nesta terra de milagres e milagreiros.

Já agora, agradeço-lhe que me informe, quem são esses outros que o senhor refere que serenamente (como diz) vão deitando mãos à obra, porque quero conhecer-lhes o rosto, a forma, o conteúdo e se possível com ela colaborar. Estar-se-á a referir a obras de sucesso do tipo do da RTPN? Ou será que já temos um govêrno sombra e ainda não sabemos?

Rui Valente
--
Nota de TAF: Meu caro, não leve demasiado a sério a minha pequena provocação. "Esses outros" são aqueles que vão trabalhando no Norte sem perder tempo em grandes protestos. Alguns deles escrevem aqui no blog e já têm explicado o que fazem e o que pensam. São fáceis de encontrar. ;-)

De: Miguel Barbot - "«Começou a mexer»" 

Caro Teófilo,

Para uma das suas perguntas, existe uma resposta fácil:

"É necessário ter comércio de proximidade e horários compatíveis para quem trabalha fora de portas. Não podemos todos ter empregos das 09 às 12 e das 14 às 18, o patronato e os trabalhadores têm de ter alternativas. Que interesse terá uma loja, em estar aberta sete horas diárias, em horário onde ninguém entra, porque se encontra a trabalhar? Se os escritórios abrem nesse horário, porque é que o comércio não abre das 11 às 14 e das 16 às 20? Porque não se usa e abusa dos horários flutuantes nos locais em que tal pode ser praticado sem prejuízo algum? Será que toda a gente pensa que o Mundo gira à sua volta e dos seus pequeninos interesses? Se tudo muda, porque não os hábitos?"

A resposta é: porque os comerciantes e os seus empregados não querem.

Pode ler em posts antigos aqui do blog alguns comentários às reacções à proposta da CMP para a liberalização dos horários.

Um abraço,
Miguel

De: Rui Valente - "Exemplar entrevista!..." 

Caro TAF,

Para lhe dizer, que as declarações de José Alberto Lemos (director da RTPN), na entrevista dada ao DN, confirmam tudo aquilo que antes já disse e previa.

Considero-a autêntica "palha", e uma provocação às gente do Norte! O que mais me impressiona, é a malabarice do discurso, um descarado lançar de poeira para os olhos dos portuenses. Se este, é um homem do Norte, que vá e permaneça em Lisboa.

Quanto ao anunciado canal "Porto Canal", vamos lá a ver o que sai da "fornada". Estou cá desconfiado, que dentro de pouco tempo, vão ter de lhe mudar o nome...
Já agora, para não ferir susceptibilidades futuras, por que não baptizá-la desde logo com "Lisboa Canal". Retiradas à partida todas as condicionantes regionalistas, fica já garantido o seu sucesso. Oxalá, daqui a uns tempos, tenha de reconhecer que me enganei.

Cumprimentos,
Rui Valente

De: Teófilo M. - "RTP-N?" 

Bem me parecia, que o N que lá está encostado à RTP não tinha nada a ver com o Norte, mas apenas com notícias mais em Lisboa do que no Porto.

A mal-amada pelos poderes públicos tripeiros, NTV, como podemos ver pelo teor da entrevista, está bem morta e extinta, os serviços é só uma questão de tempo, leiam-se as palavras do seu director: - ... Há também uma transferência de funcionalidade...

Nós, por cá, todos bem, mau grado os histéricos arroubos do Luís Filipe Menezes aquando do encerramento da NTV.

Mudam-se os tempos, mudam-se os compadres...

Cumprimentos
Teofilo M.

De: Rui Valente - "Para afastar confusões" 

No desnorte em que parecem andar todos os que aqui opinam pela mesma causa (presumo), é natural que nem sempre saibamos expressar-nos da forma mais clara, de maneira a evitarmos equívocos e interpretações incorrectas. Pode ter sido esse o caso, da minha última opinião.

Devo esclarecer, que sem retirar uma vírgula ao que disse anteriormente, quando falo com alguma acidez de Lisboa, faço-o, contra o que ela representa (o centralismo de que todos nós sofremos) e não contra os lisboetas cidadãos em geral. Quando digo os senhores de Lisboa, reporto-me, como é óbvio, aos senhores que estiveram e estão no poder, quer eles sejam ou não, oriundos da capital, ou de qualquer outro lugar, incluindo o Porto. Espero, não ter que voltar a explicar isto, mesmo que volte a ser corrosivo com a capital. Mas, já agora, também não escondo que, esta forma absolutista, quase ditatorial de governar o país me tem criado alguns anti-corpos, relativamente aos encantos da cidade de Lisboa.

Receio também, que o sarcasmo com que faço alguns comentários, nem sempre seja entendido como tal, e daí resulte uma imagem exactamente oposta à que pretendo construir. Isto porque, se há alguém que aqui tem relativizado as teses economicistas da iniciativa privada como solução principal dos nossos problemas, tenho sido eu. Respeito-as, porque tenho consciência da sua importância, mas não é o aspecto que mais me preocupa de imediato. Estarei a ser demasiado idealista, admito-o, mas continuo a pensar que é de um movimento forte de contestação, bem organizado, que precisamos antes de mais nada. Precisamos que o nosso desagrado ultrapasse o espaço útil, mas limitado, deste blogue, e tenha a visibilidade de um assunto sério.

Também já aqui afirmei que não gosto dos políticos, não por serem políticos, mas pela aldrabice dos seus métodos, pelo incumprimento crónico das suas promessas e pela mediocridade da sua obra. A única coisa que preciso para começar a respeitá-los, é que comecem a dar-se ao respeito, mostrando que sabem governar,e que acabem com esta onda de vergônha em que envolveram o país ao longo de décadas! Já não há mais margem para errar. É preciso dizer, basta!

Somos, e continuamos a ser, os piores naquilo que há de melhor e os melhores no que há de pior. Hoje mesmo, saiu mais uma notícia que testemunha a realidade desta minha afirmação: da Europa, somos o país que mais polui, sem sequer termos a atenuante desse crime ambiental corresponder a um aumento significativo da nossa indústria. Como é então possível, sem ser idiota, manter um discurso optimista?

Com mais, ou menos regionalismo, com mais descentralização, mais partido, menos partido, a questão que lanço ao blogue é a seguinte: alguém de bom senso, neste país, estaria agora a discutir o tema da regionalização ou o que lhe quiserem chamar, se os sucessivos governos tivessem gerido Portugal de forma mais justa e equilibrada? Algum de nós estaria neste momento a preocupar-se com este assunto? Seremos todos masoquistas? Só nos falta agora mais esse carimbo!

Não se iludam, aqueles que continuam a pensar que a centralidade é uma virgem inocente e que os principais responsáveis pelos nossos problemas somos nós. Pode pensar-se assim, dos tais "desenraízados" locais que saindo daqui para lugares de poder em Lisboa, se limitam a obedecer às directrizes do "chefe" e da sua política, mas esses não serão a amostra mais feliz dos nortenhos, entre os quais todos nos queremos incluir.

Só com um grande estadista, um grande democrata, um enorme português, é que o país tem remédio.

As presidenciais, são uma boa oportunidade para apresentar o meu protesto pessoal, que é muito simples: não vou deixar de fazer a tarefa mais comezinha da minha vida para dar a importância do meu voto a qualquer dos candidatos, por muito injusto que isso possa ser para alguém inocente.

Rui Valente
--
Nota de TAF: Caro Rui Valente, de novo se confirma que enquanto uns continuam a esperar pelo D. Sebastião, outros vão deitando mãos à obra mais serenamente... ;-)

De: TAF - "RTP-N" 

Via "Jornalismo e Comunicação" cheguei à entrevista do Director de Programas da RTP-N no Diário de Notícias. Vale a pena ler o comentário de Manuel Pinto.

Afinal quando é que aparece o "Porto Canal"?

De: Lino Cabral - "É preciso repetir vezes sem conta" 

F. Rocha Antunes tem toda a razão. É preciso repetir vezes sem conta o potencial desta maravilhosa região do Noroeste. É preciso rapidamente rectificar os erros sucessivamente acumulados ao longo das últimas décadas, tarefa gigantesca de pelo menos duas gerações atendendo ao estado caótico da região: ordenamento do território, mobilidade, formação, principalmente investimento forte em formação formal ou informal. É preciso exorcizar definitivamente alguns hábitos enraizados por medos e ignorâncias castradoras impeditivas de atitudes mais pró-activas como o risco, a inovação, a cooperação, etc.

É preciso acabar com a eterna discussão sobre o sexo dos anjos; os "infiéis" já tomaram a fortaleza! É preciso lutar com as armas que temos na mão. A AMP deve ser o nosso "Quartel-general", o resto é música celestial!

Lino Cabral
[email protected]

De: Cristina Santos - "Mentalidade pequenina..." 

"... é não procurar zonas rentáveis"

Bem, se admitirmos que tudo depende da iniciativa privada, então o melhor a fazer é demitir o Estado, não devemos estar a investir dinheiro quando as grandes decisões dependem exclusivamente da nossa ambição.

Se o estado governa grande parte das nossas possibilidades financeiras, tem obrigação directa de intervir. Se não quiser assumir esse ónus de um povo dependente, então que baixe os impostos e taxas de aluguer - o povo não lhe exigirá tanta responsabilidade.

Agora se os órgãos de decisão auferem ordenados altíssimos, dividendos de todo o lado e quando se trata de investir essa competência e dinheiro fogem das responsabilidades, o caso vai mal parado.

Já sabemos que o desenvolvimento depende das ideias e criatividade de cada um.
Nesta altura as possibilidades de criatividade estão quase esgotadas, um negócio enfadonho aqui pode singrar em Viana, o contrário é impossível de acontecer.

Para investir há que ter infra-estruturas, metro, estacionamento, qualidade de vida, jardins, salubridade e segurança.

A investir temos que pensar nos clientes da área metropolitana e da área Norte, estes tem que ter transportes, ou facilidade nos acessos.

O nosso investimento passa pelo mercado imobiliário e turismo, áreas que exigem recursos públicos administrativos de qualidade, e uma cidade com boa imagem.

Que boa imagem pode ser transmitida, se o Governo não investe nesta região?
Se nem sequer gasta aquilo que dela aufere, só podemos concluir que a nossa região dá prejuízo a toda a gente.
Vamos imaginar que uma empresa de transportes da área norte , considera deslocalizar-se e vir para o Porto pelas facilidades que o TGV lhe dará em termos de transporte de mercadorias, o que estará a pensar essa empresa hoje?!
Que afinal tem é que ir para Lisboa, lá sim fica próximo de tudo.

Isto é o que se está a debater, mais nada, a iniciativa privada vai para onde tem hipótese de sobreviver, quem não o fizer tem mentalidade pequenina, é agarrado à «terra» em vez de procurar novos horizontes.

De: Teófilo M. - "Começou a mexer" 

Já está! Afinal começou a mexer qualquer coisa, que ainda não sabemos bem o que é, mas que passa por uma maior representatividade da Região Norte junto do poder político, económico e cultural.

Embora, e de acordo com Rui Valente, não acredito que a iniciativa privada seja suficiente para dinamizar o Porto, como parece ser a trave-mestra da ideia defendida pelo Tiago, pois os pequenos terão somente pecúlio para as suas aventuras, os grandes têm mais olhos e barriga do que bairrismo - faltam por cá um Nabeiro, um Afonso Pinto de Magalhães ou um Cupertino de Miranda - e o resto da população não têm um projecto onde apostar.

Arranjem-lhes um projecto, e verão que os pequenos também colaboram, se lhes fôr pedido, se tiver qualidade e se fôr suficientemente abrangente.

Por outro lado, não podemos pedir aos jovens para virem ocupar a Baixa, nem sequer aos tripeiros mais velhos que emigraram para as periferias, uma vez que a Baixa precisará primeiro de criar as infra-estruturas necessárias para os receber, pois ninguém por muito amor que tenha à sua cidade, decide viver pior só para ajudar ao desenvolvimento.

Basta olhar em volta, procurar um cinema moderno, restaurantes diferentes, locais de convívio ou de lazer para constatarmos que nada disto existe em qualidade e quantidade suficiente. Por outro lado, continuam a asfixiar os dois grandes mercados de frescos do Porto - Bolhão e Bom Sucesso - que em nada ajudam à fixação das populações, e ainda há relativamente pouco tempo se correu a pontapés com uma grande cadeia de comércio, para a cidade vizinha, por teimosia incompreensível.

É que a cidade, não é apenas a Baixa, é também o Marquês, Lapa, Lordelo, Campanhã, Carvalhido, Massarelos, Foz Velha, Pereiró, Monte dos Burgos, Boavista, e em todas estas zonas o abandono se vai instalando, ou o crescimento atabalhoado como por exemplo o que se está a verificar na zona do Pinheiro Manso ou na zona rica de Aldoar.

É necessário ter comércio de proximidade e horários compatíveis para quem trabalha fora de portas. Não podemos todos ter empregos das 09 às 12 e das 14 às 18, o patronato e os trabalhadores têm de ter alternativas. Que interesse terá uma loja, em estar aberta sete horas diárias, em horário onde ninguém entra, porque se encontra a trabalhar? Se os escritórios abrem nesse horário, porque é que o comércio não abre das 11 às 14 e das 16 às 20? Porque não se usa e abusa dos horários flutuantes nos locais em que tal pode ser praticado sem prejuízo algum? Será que toda a gente pensa que o Mundo gira à sua volta e dos seus pequeninos interesses? Se tudo muda, porque não os hábitos?

Também é claro que teremos de pressionar os políticos para eles andarem mais para a frente, com certeza que é preciso pedir às Universidades que se abram à cidade e a projectem para um futuro inovador, não tenho dúvidas de que a Câmara e o seu Presidente terão de ter atitudes mais firmes e assentes em ideias apoiadas pela razoabilidade, as Instituições da cidade deverão ter uma palavra a dizer também e não se deixarem cair na modorra, com o leit-motiv habitual da pedinchice e reclamação, não se esforçando minimamente para mobilizar energias dos seus associados.

Depois, vamos lá, não são os lisboetas os culpados do nosso atraso, pois a maioria deles tem o mesmo poder que cada um de nós tem, mas são os novos-lisboetas, empurrados para a capital por necessidades diversas, que fazem o que fazem porque é lá que residem e vivem. São lisboetas de traje, mas não passam de provincianos que pensam que ao chegar à capital passam a pertencer à elite do País, e depois o País que sofra na pele o seu egoísmo desmesurado.

Sempre que contactei com lisboetas, nascidos em Lisboa, e não no Porto, Viseu, Lagos, Sernancelhe, A-dos-Cunhados ou no meio de agreste monte, sempre dei com gente simples e sem preconceitos, que apenas pelo sotaque fadista se distinguia da restante amálgama dirigente.

Olhem para o Governo e vejam quantos nasceram em Lisboa? Há por lá gente do Norte, do Centro, do Sul e de Lisboa também, mas o que os une naturalmente é o local onde estudaram, e aí o peso vai todo para Lisboa, seguido de longe por Coimbra e depois lá vem o Porto.

E se nos interrogarmos o que têm feito o José Sócrates, o Freitas do Amaral, o Augusto Santos Silva, o Teixeira dos Santos, o Marques Mendes, o José Lello, o Miguel Cadilhe - só para falar em alguns - pelo Norte, dificilmente encontramos algo na memória que seja digno de lembrança.

Querem mais exemplos? Que fazem as células do PSD, PS, CDS, PCP e BE aqui no Porto, tirando o papel mais activo que teve o Rui Sá no consulado anterior, e que - pelos vistos - continua a manter?

Luta de galos entre si, pelo poleiro mais alto?

Ainda agora, o que é que estas forças políticas fizeram quando confrontadas com a derrapagem do Metro de Lisboa? Solicitaram intervenção do governo idêntica à que aquele fez no Porto, ou limitaram-se a deixar andar como se nada tivesse a ver com eles? E que dizer da problemática dos lixeiros da CMP? E o que dizem sobre a pressão que estão a fazer sobre quem tem a posse dos direitos de utilização do Douto como via fluvial?

Não cheira isto tudo a uma grande dose de inépcia, para não lhe chamar outra coisa?

Se a ideia do lobby for para a frente, é tempo de escolher o projecto a apoiar, pois a dispersão nunca foi grande ajuda quando os meios são poucos.

Vamos lá, grão a grão...

Cumprimentos
Teofilo M.

De: F. Rocha Antunes - "O Noroeste" 

Meus Caros,

Já não tem conta as vezes que tenho aqui escrito sobre a necessidade de pensarmos a nossa região como o Noroeste de Portugal, uma região urbana policêntrica com mais de 2.600.000 habitantes, ou seja, com a mesma dimensão populacional que a região metropolitana de Lisboa.

Esta região tem, por si só, dimensão capaz de gerar prosperidade económica que chegue e que sobre para todo o Norte. O que temos é de deixar de pensar pequenino, ou como me ensinou o meu Pai que nasceu aqui, deixar de pensar poucochinho.

Há muitas coisas que dependem só de nós, e que apenas a mentalidade de dependência do Estado central nos impede de avançar. Por exemplo, o que é que impede que todos os vereadores do urbanismo das Câmaras que fazem parte da Grande Área Metropolitana do Porto, a que se poderiam juntar todos os vereadores das Câmaras adjacentes, definam as linhas de articulação entre os vários Planos Directores Municipais em revisão? Não existe nada que impeça que isso aconteça, e todos os técnicos são unânimes em reconhecer que isso só trazia vantagens. Mas para isso é preciso que todos estejam na disposição de fazer o tal esforço de pertencerem a uma união que a todos deveria interessar…

Por exemplo, porque não avançar voluntariamente com regras urbanísticas uniformes para todo o Noroeste? Quem trabalha nesta área sabe que cada Câmara Municipal define de maneira diferente as regras urbanísticas nos respectivos planos municipais. O que dificulta enormemente o investimento. Nada impede que sejam as mesmas. Está é tudo à espera que seja um organismo do Estado central a dizer o que é melhor…

Há centenas de exemplos em que se pode demonstrar que a vontade de trabalhar em grupo é possível, não exige que seja feita nenhuma alteração legislativa e em que todos os intervenientes ganhavam com isso.

O que o Norte e o Porto precisam urgentemente é de recuperar a iniciativa e não esperarmos sempre que sejam os outros a fazer por nós aquilo que nos importa.

Francisco Rocha Antunes
Promotor imobiliário

De: Alexandre Gomes - "Artigo por..." 

"... Joana Andresen Guedes nos «Aliados»"

Bravo, a propósito do dito artigo.

Acrescento só duas coisinhas:

1. Parece que o nosso D. Pedro afinal não vai andar às voltas, fica quedo, a olhar o Sul. Espero é que os nossos iluminados Siza e Robin não se lembrem de montar o cavaleiro e cavalo em cima de uma paragem de autocarro de betão como fez o igualmente iluminado Solà de Morales na rotunda do Castelo do Queijo...

2. Há uma coisa boa no projecto dos ditos para os Aliados: repõem-se os candeeiros de iluminação pública ao gosto do «debut de siècle» passado (sem ironias).

Bem, não resisto,

3. E se o nosso Souto Moura quer ir para Lisboa por ser mais alegre, que faça o favor. Só prova que não tem o apego suficiente ao Porto que lhe dê autoridade para fazer o que está a fazer à cidade. Se o tivesse, nem o proporia. Não se lembre é de propor algo semelhante para o «conjunto» Avenida da Liberdade/Rossio. Não me parece que lá fossem ser tão apáticos como a maioria de nós por aí.

Abraços,
Alexandre Borges Gomes
Luanda. 2/12/05 06:36

De: TAF - "O lixo do Porto" 

A maneira como tem sido gerido o problema dos lixeiros do Porto é uma vergonha para a cidade. Rui Sá explica em artigo de opinião no Janeiro os antecedentes da história.

Há efectivamente uma questão legal a ultrapassar, mas isso não poderia nunca implicar, como implicou, a diminuição drástica do salário destes trabalhadores. Não acredito que não haja uma forma de, dentro da Lei, resolver o problema. Bastaria certamente invocar as legítimas expectativas dos trabalhadores que, ao que se vê, foram basicamente burlados pela entidade patronal (a autarquia), pois recorreu a uma fórmula ilegal para ao longo de vários anos lhes entregar o suplemento que agora foi retirado. Ora isto não é da responsabilidade dos trabalhadores e, portanto, cabe à entidade patronal responsabilizar-se pela situação. Não seria assim numa empresa privada, à face da Lei? Esta obrigação, sempre segundo a Lei, não pesa mais do que as outras questões levantadas?

Se anteriormente houve actuação ilegal, há responsáveis: os decisores. O correcto é por isso pedir-lhes a eles contas pelas suas decisões ilícitas, mantendo os compromissos da Câmara para com os lixeiros. Este episódio é especialmente revoltante sabendo-se a vida difícil que estas pessoas têm.

Palpita-me que, além da lamentável actuação política do executivo, haverá aqui também muita incompetência dos serviços jurídicos da CMP apesar de, ironicamente, terem recebido há pouco tempo a "certificação de qualidade"... Provavelmente não é só o lixo da rua que precisava de ser varrido.

2005/12/01

De: Rui Valente - "Mafalda Ferreira..." 

"... e o artigo de Luís Costa"

A propósito do excelente artigo de Luís Costa, no "Público" de hoje, citado pela Mafalda Ferreira, quando destaca em caixa: "No Porto não há apenas gente de tamancos estóicos e ideias limitadas que, repetindo até à náusea um discurso assente em banalidades pretensamente regionalistas, dá de si mesmo uma imagem propensa ao ridículo", eu acrescentaria mais alguns pozinhos.

Em primeiro lugar, torna-se fundamental perceber a origem deste tipo de "clichés" depreciativos, como o acima referido, para avaliar o pêso correcto da sua credibilidade. Quero com isto dizer, que tenho sérias dúvidas que esse tipo de rótulos sejam de fabrico interno, ou mesmo sejam a expressão de portuenses de insuspeita capacidade auto-crítica. Esse será mais o estilo de piadas adoptadas pelos desenraizados da terra (que também os há...). Portanto, é decisivo concluir que esses anátemas de ironia sem gosto nem bondade, têm origem num único ponto chamado Lisboa! Assim mesmo, repito, Lisboa!

Além disso, qualquer que seja o tipo de mentalidade que os senhores de Lisboa pretendam caracterizar, relativamente a gentes do mesmo país, mas de outros espaços fora das suas excelsas fronteiras, só podem ser fruto dos seus próprios exemplos e de um medo mortal de uma concorrencia mediática descentralizada!

Em segundo lugar, poderia sacar de imediato um infindável rol de programas televisivos de cariz pretensamente recreativo, com origem na capital da excelência, que são dos mais reles exemplos de cidadania que se podem dar a todo o país, mas só enunciarei alguns.
De Lisboa, saem ou já sairam programas como: "IURD-Reino de Deus", "Os Donos da Bola", "Big Brother", "Quinta das Celebridades", "Fiel ou infiel", etc., etc.

Este tipo de criatividade alfacinha (importada), meus caros, dispenso eu e, até agradeço que a deixem de emitir para a minha terra, de gente inoperante e bronca, porque somos demasiado limitados para assimilar tanta elevação cultural! Mas, há que reconhecer, que a excelência da dinâmica na capital é tão prolífera, que, ao contrário de nós, queixinhas incapazes de criar um único canal de TV, tem também a SIC Comédia, SIC Gold, SIC Mulher, RTP (com e sem N), RTP Memória, RTP2, TVI, SIC Notícias. E, Lisboa tem tudo isto porquê? Porque, como devem reconhecer, há uma originalidade rara e indesmentível na criatividade em cada um dos mencionados projectos de TV!... Isto, é o exemplo acabado, de como a Qualidade e só a Qualidade, justificam o sucesso da iniciativa privada, e como o nosso atraso económico e social se deve apenas e só a nós próprios e aos nossos serôdios preconceitos provincianos...

Presumo que, para alguns dos participantes deste blogue, o meu discurso, não seja o mais conveniente, mas se assim fôr, talvez não seja inoportuno, começar a definir abertamente cada posição e separar as águas. Por mais voltas que tentemos dar, está a evidenciar-se uma incompatibilidade de objectivos na forma como cada um pensa para ajudar o Porto/Região a avançar. Por isso, porque não começamos a dizer exactamente o que queremos e como queremos, em vez de acentuarmos as nossas divergêdncias? O ideal seria, estarmos todos unidos num mesmo objectivo, mas como, por inércia ou por outras razões isso não está a acontecer, que mais podemos fazer?

Rui Valente

De: José Silva - "A (in)acção de Ludgero Marques" 

Mafalda,

Ludgero Marques é presidente da Associação Empresarial de Portugal e representa os interesses de uma instituição e dos seus associados. A instituição AEP tem graves problemas financeiros, suportados pela Administração Central. A Exponor vai sair de Matosinhos em direcção ao Europarque para assim obter valias imobiliárias e reduzir dívidas. Os associados da AEP também recebem subsídios a fundo perdido da Administração Central.

Assim, como é que espera que Ludgero Marques estivesse bem preparado para criticar a OTA?

De: Mafalda Ferreira - "Artigo de Luís Costa no Público" 

Foi com enorme agrado que li hoje no jornal Público, um artigo assinado por Luís Costa em que é abordada a posição da Ass. Com. do Porto sobre a construção do aeroporto da Ota. Luís Costa reconhece a esta tomada de posição, a utilização de argumentos válidos e bem fundamentados contra a construção deste aeroporto, onde se incluem para além da situação económica portuguesa, o papel que o recente aeroporto Francisco Sá Carneiro deveria vir a tomar num país que não fosse tão despudoradamente centralista e despedista.

E vai mais longe e e tb concordo com ele. O Jornalista, sem referir nomes, mas eu refiro-os - Ludgero Marques - no debate Prós e Contras - Ota - envergonhou a região Norte ao apresentar-se no debate sem dados concretos, sem explicitar objectivamente as razões pq não apoiaria a Ota (nem aqui foi suficientemente claro - fiquei sem perceber mto bem se era a favor ou não) em suma, sem fazer trabalho de casa. Limitou-se a fazer queixinhas lamurientas e deixou no ar uma péssima impressão dos empresários do Norte.

Não é por esta via que o Norte se conseguirá afirmar e individualidades mal preparadas como esta, causam enorme transtorno e atraso às pretensões da nossa região. Por favor, haverá cá no nosso burgo empresários que se revejam nas palavras do dito sr? Poupem-nos... Já não basta o governo Central desprezar e arruinar a nossa região agora até os de cá contribuem alegremente para isso? Porque não tomam os ditos empresários uma posição pública veemente tal como fez a Associação Comercial do Porto?

De: Miguel Cunha - "Porto - O Terceiro Mundo é mesmo aqui" 

Os trabalhadores da Câmara Municipal do Porto responsáveis pela recolha do lixo estão em greve. Independentemente das razões que possam assistir a cada uma das partes em confronto (Câmara e Trabalhadores), esta greve, e modo como tem vindo a ser gerida, teve como efeito visível o colocar a cidade do Porto ao nível de uma qualquer cidade do Terceiro Mundo. Lixo amontoado junto dos contentores. Lixo espalhado pelas ruas. A saúde pública em risco. Enfim, uma vergonha para a qual os poderes públicos e sindicatos não conseguiram encontrar solução, agravada pela falta de civismo dos cidadãos.

Miguel Brás da Cunha. Advogado

2005/11/30

De: Pedro Lessa - "Como fazer? III" 

No seguimento dos meus últimos posts, já se começa a discutir (penso que ainda só vai no início) o como fazer, para se tentar inverter o rumo dos acontecimentos da nossa cidade e região.

Apesar de não apreciar os políticos e as suas acções, penso que será das poucas maneiras de fazer algo. Por muito que existam grandes ideias e projectos, não resultarão se não houver abertura dos políticos para as concretizar.
Como disse anteriormente, vivemos num regime democrático e por isso ao dizer que temos de tomar o poder, obviamente que só pela política o poderemos fazer.
Fui mais longe ao afirmar que, como está o nosso sistema político, só expondo e denunciando toda esta arbitrariedade de tratamento e estas incríveis tomadas de posição em relação ao Porto e ao Norte, é que se poderia propôr uma alternativa. Seja ela regional ou não com sigla ou sem ela. Denunciando junto das pessoas, de quem vota.

Alguém duvida que, se o cidadão comum ao estar minimamente informado acerca, por exemplo das "diferentes" derrapagens nos Metros de Lisboa e Porto, admitiria acusações destas? Se as pessoas soubessem dos indicadores de desenvolvimento que vão surgindo não reivindicariam mais?
Penso que a situação chegou a tal ponto que já não se consegue alcançar o que quer que seja, seja com a iniciativa privada, personalidades, elites, etc sem se ser imediatamente torpeado pelos efectivos poderes.

Cumprimentos.
Pedro Lessa
[email protected]

P.S.- Obrigado caro António pela sua amável gentileza. Não o esperava de todo. De facto, todos os meios se tornam úteis para desenvolvermos a nossa actividade.

De: Manuela DL Ramos - "Rui Rio e os Aliados" 

Post: RUI RIO E OS ALIADOS
ou do diálogo encarado como monólogo
por José Carlos Marques

Blogue: ALIADOS

Cordialmente
Manuela D.L.Ramos

De: Rui Valente - "José Silva e o «P.D.P.»" 

Subscrevo parcialmente as suas opiniões e considero a implantação de um movimento (ou partido) de cariz regional ou semelhante, algo plausível, face à situação a que chegamos. Sinceramente, enfatizando a sua expressão de repúdio pelos complexos de algumas pessoas em não querer chamar as coisas pelo nome, penso inclusivé, que a estratégia de evitar o adjectivo "Regional" no nome do novo partido, não deixa de ser, em si mesmo, um acto de subserviência para com o poder central, algo contraditório.

Poder-se-á sempre replicar, com o velho chavão popular que diz, "não ser com vinagre que as moscas se apanham", mas afinal, não será basicamente da hipocrisia política vigente de que nos andamos a queixar? Da mentira e do engôdo? Estamos a criticá-los, e já queremos copiar-lhes as manhas, começando logo por dar um nome diferente às coisas, mesmo que não passe do simples nome para uma sigla?

É por essa e outras razões, que pessoalmente não gosto dos políticos, porque admitem naturalmente a aldrabice como instrumento de trabalho, arranjando sempre argumentação para a justificar, mas o pior, é que acabam sempre por transformá-la numa rotina repugnante que acaba por nos conduzir à mediocridade actual.

No entanto, é preciso acreditar. O benefício da dúvida deve ser dado sempre àqueles que, para lá das intenções, ainda não se deram a conhecer no concreto. Daí, não ter nada a obstar com referência a uma nova organização politico-partidária, a não ser no timing, porque continuo plenamente convicto, que o momento requere visibilidade imediata. Fazer, quanto antes, algo de suficientemente mediático, que leve o governo central a saber que existimos, a sentir-nos o pulso, que estamos atentos e muito descontentes com o que se está a passar! A organização política, poder-se-ia colocar como hipótese, como o segundo passo a dar, caso, entretanto, nada resultasse de relevante desse primeiro movimento contestatário, que deveria ser tão forte quanto possível.

Não quero ser mauzinho, mas o modo como alguns portuenses encaram esta situação, parece mais consentâneo com alguém que assiste da poltrona da sala do cinema a um filme de terror, findo o qual, regressa a casa para dormir tranquilamente, do que da postura de cidadãos saturados de contemplar desde há 30 anos a esta parte, este triste espectáculo de ver a nossa cidade e região caducar, quase a apodrecer e ainda por cima comportarem-se como "Anjos da Guarda" do poder central!

Nunca, em tempo algum, as mudanças profundas de crises políticas e sociais foram lestas e eficientes com os apanagiados do politicamente correcto. Esses, quase sempre apenas se destacam na acção, quando se trata de abrir as mãos para recolher os benefícios conquistados pela exposição descomplexada de terceiros! Querem mudança sem mudança, querem mexer sem mexer, querem em suma, deixar tudo como está, para continuarem a esquematizar teorias administrativas, como se já fossem primeiros-ministros!

Assim, nunca mais lá vamos.
Rui Valente
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Nota de TAF: De facto confirma-se que está muito longe de haver consenso quanto à estratégia para fazer renascer o Norte...

De: TAF - "Apontadores" 

- O que pensaríamos da Câmara de Lisboa se tivesse em destaque no seu site a notícia de irregularidades e derrapagens orçamentais no Metro do Porto? Pois bem, no Porto é assim - Metro de Lisboa: Tribunal de Contas detecta fortes irregularidades e derrapagens orçamentais

- A história de Magalhães Basto
- Região Norte perde na coesão social e na competitividade
- Por sugestão de Diogo Castelo Branco ("Enquanto discutimos..."): Dubai vai construir o maior aeroporto do mundo

- A primeira Assembleia Municipal depois das autárquicas
- Autarquia empenhada em aproveitar o próximo QCA
- Críticas à criação de nova empresa
- Explicações sobre o Centro Materno-Infantil
- Centro materno dentro da cidade
- Nova rede da STCP deixará cinco zonas sem autocarros
- Câmara admite negociações com a STCP para não deixar locais sem transportes públicos
- Novo Bolhão gera reservas da Oposição
- Sacos de lixo ao monte esperam fim da greve
- Porto: trabalhadores de limpeza não estão a cumprir serviços mínimos

De: Cristina Santos - "Método para o PDP" 

Poderá o Porto pode ter uma voz em CORO, sem representantes individuais?
Contudo vamos passar ao método para a constituição do tal partido:

Primeiro reunimos uma série de reivindicações, estabelecemos objectivos e metas.

De seguida seleccionamos pessoas, a que esses objectivos e metas possam beneficiar directamente, e tenham perfil para esta luta - partimos do princípio que a honestidade merece ser compensada.
Contactamos um trabalhador/gestor dos média, um advogado, um arquitecto, um imobiliário, um político da oposição e um empreiteiro.
Convencemo-los das vantagens desta intervenção e do retorno, que esta pode ter se todos colaborarem nesse sentido.

O Advogado estuda a estratégia jurídica, o gestor dos média divulga-a, o arquitecto faz planos, que servem de base ao imobiliário para este angariar fundos de comparticipação, o político usa do dom para atribuir à causa justificações nobres e sociais, o empreiteiro aponta a massa inicial.

A causa justificativa forjada pelo político e divulgada pelo jornalista servirá para cativar inocentes para a luta, organizamos debates e colóquios.

Convidamos os adeptos da causa para um jantar (de preferência no Roseiral) e pelo caminho ditamos palavras de ordem, para convencer o resto da população.

Tudo isto de forma honesta, uma vez que os representantes da causa pelo menos os que dão a cara, só poderão ser corruptos depois de sujeitos à pressão de outros grupos semelhantes.

No caso de o nosso projecto inicial ser bem sucedido, temos que arranjar um responsável pela selecção dos futuros interessados em apoiar o projecto e pela gestão da tesouraria.

Obviamente que as causas deste nossos suposto partido são regionais e de carácter civil, nunca de interesses particulares.

Nesses termos cada um dos fundadores poderá exigir que o Metro passe enterrado à sua porta, dado que isso beneficia a Cidade, poderá também exigir que o TGV seja concluído porque isto de recambiar a mercadoria em TIR´s já era, tudo sempre pelo interesse Global.

Claro está, que entre os fundadores podem vir a existir divergências de opinião (conflitos de interesses), para os quais devemos estar preparados, se dois exigirem o desvio da linha do metro para lados opostos, terá que existir um Presidente que defina para que lado devemos exigir o metro.

E o resto é por acréscimo, depois da máquina montada a engenharia funciona sozinha.

Realmente esta é a possibilidade mais realista, não há outra em Portugal, se queremos reabilitar o Porto temos obviamente que constituir representantes, remunerados claro, é que por amor à causa a coisa não funciona.
Façam-se os movimentos e não faltarão interessados em os representar.

Cristina Santos

De: José Silva - "Partido do Desenvolvimento de Portugal III" 

(publicado no Nortugal)

Não quero ser polémico, mas não deixo de atirar pedras para o charco. Eu defendi a criação de um Partido do Desenvolvimento de Portugal e não um Partido do Porto! Interessa-me o desenvolvimento da região mais pobre da Ibéria, mas não tenho nada contra o desenvolvimento das outras regiões. Não esquecer: Primeiro nós, depois os outros tem sido a prática de Lisboa e ninguém se importa. A prática em Portugal tem sido empobrecer todas as regiões para que uma pareça desenvolvida!!!

Nada impede criar um partido de âmbito nacional que por acaso a sua implantação seja maior numa certa área de Portugal. Reparem no que é o PDA, Partido Democrático do Atlântico. Nacional de nome, mas defende os interesses dos Açores.

Mas mais grave é a argumentação contra: Uma afirma que caso houvesse, deveria preocupar-se com os problemas dos territórios em colapso. Mas não é isso que é a metade norte de Portugal, a região mais pobre da Ibéria? De que estamos à espera? Da fome africana?

Grave é também nos deixarmos condicionar pelo que aquilo que Lisboa iria pensar de nós. Qual é o problema ou crime a constituição de um partido/lobby/movimento, com origem a Norte, honesto sério, ágil, ligeiro, democrático, com bons princípios meios e fins? Será que os partidos do bloco central tem mãos limpas para poderem criticar? Afinal que raciocínio bizantino é este em que a democracia cristalizou e não há mais nada de novo? Não defendemos a economia de mercado, a liberdade de associação e expressão? Estamos tão formatados pelos «clichets» centralistas que até condicionamos as nossas próprias ambições? E se assim é, isto é o Porto que tanto elogiamos?

É certo que os problemas regionais não se resolvem apenas pela representação na administração central ou local. Muitos deles passam pela actualização de mentalidades da iniciativa privada. Mas convinhamos, um partido, lobby, movimento cívico ajudaria bastante, não acham? Qual o efeito no nosso nível de vida e realização pessoal se se conseguir travar a OTA, fundir autarquias, desconcentrar para a região norte certas unidades da administração central? Será que os imensos lamentos do «cluster» imobiliário da Baixa do Porto que frequenta este blogue iriam reduzir-se? Eu acho que sim. Mais. Acho que seria legítimo. Lisboa é parte do problema. A outra parte são os funcionários de Lisboa que nos governam localmente e as mentalidades privadas que tem rasgos de funcionários públicos...

Adicionalmente e nas sequências do conceito de política «open source» de TAF, sugiro um partido/lobby/movimento controlado/votado directamente pelos próprios militantes via Internet, com financiamentos e decisões publicadas também na Internet. Não haveria risco daquilo que se queixa Paulo Morais. Onde há no mundo um partido semelhante? Não sei. Não me interessa. Apenas sei que é tecnicamente possível e tem «mercado».

Lutar por micro-causas, como TAF sugere? Procurar reunir investidores estrangeiros para a Baixa do Porto e assim recuperar o património? Caro Tiago, eis um pouco de realismo dado pelo mundo financeiro: Há dias um funcionário de uma gestora de patrimónios sediada no Porto dizia-me que um cliente portuense da empresa estava farto de estar em Lisboa e queria regressar. Só que não consegue porque é em Lisboa que há dinheiro e oportunidades de negócio.

Há tempos cruzei-me com um mestre em Psicologia da UP. Propunha-se fazer uma tese de doutoramento sobre a redução dos níveis de ansiedade nos seres humanos quando se executa certas actividades mentais, como a escrita de um diário. Isto é, redigir sobre algo que nos apoquenta, diminui o nosso stress, embora o problema fique por resolver. A Baixa do Porto torna-se assim uma imensa fonte de dados empíricos para esse doutorando e em mais um FCP (Feliz Como no Prozac), para todos os nortenhos inconformados sem coragem, onde parcialmente me incluo.

Voltemos portanto à discussão das calçadas e outras particularidades urbanísticas, para os sonhos dos investidores estrangeiros na Baixa ou para a crença da capacidade do Rui Rio (que também quer regressar a Lisboa) em gerar administrativamente procura de imóveis caros num território em constante empobrecimento. Não se esqueçam: Em Janeiro começa a subida dos juros do BCE, mais falências familiares e mais imóveis sem procura... Bons sonhos, portanto.
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Nota de TAF: Caro José, em Lisboa é que há dinheiro a mexer. Mas posso garantir-lhe que cá no Porto há muito património e muita liquidez parados (infelizmente sem eu lhes ter acesso...)

De: Cristina Santos - "Quem desafia quem?!" 

Em resposta ao Sr. Lino Cabral

O Dr. Rui Rio tem a maioria, tem o apoio do povo, basta que diga a hora e com certeza muitos munícipes se deslocarão para ouvir o que ele tem para dizer.
Aliás neste momento iriam os que o apoiam e os que querem saber mais sobre as consequências das últimas iniciativas do governo central.

É ao presidente que compete convocar e esclarecer o povo, se pelo contrário permanece numa atitude omitida, o povo deduz que a situação não é relevante.
Rui Rio é um líder, tem perfil para encabeçar esta luta, terá até sido por isso que foi eleito em maioria.

Vamos aguardar... Rui Rio a convocar e a falar ao povo seria um momento único na política nacional, mais abrangente que o caso do túnel de Ceuta.
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Cristina Santos

De: David Afonso - "Contas em dia (5 de 5)" 

[publicado no DoloEventual]

5. Estou inclinado para abordagens do género das que foram sugeridas pelo TAF: a criação de uma plataforma cívica, bem estruturada, ligeira e ágil, que actuasse sobre situações concretas fazendo recurso aos tribunais e ao esclarecimento da opinião pública. Mais, também acredito que não há nada que possa substituir o esforço, a iniciativa e a criatividade individuais. Foi isso que tornou o Porto grande, foi a ausência disso que reduziu o Porto ao que vemos. E esta ideia deve ser revisitada, parece-me que tem pernas para andar. Eu, pessoalmente, conheço alguns técnicos que estão com muita vontade de intervir e de colaborar.

Também não via com maus olhos que, a um outro nível, uma nova geração de políticos, com noções de cidadania mais liberais e inteligentes, passasse a assumir responsabilidades autárquicas e que o fizesse por fora dos partidos, através de um movimento de independentes. Precisamos de alguém que afaste a má moeda da Câmara do Porto (não me refiro apenas a Rui Rio, mas também a todo o inacreditável PS-Porto). E mais do que um nome importa encontrar uma coligação de vontades.

Da mesma maneira, precisávamos de alguém que desse um rumo à Universidade do Porto, que tão entretida anda a brincar aos promotores imobiliários. Alguém que acorde o gigante, s.f.f.! A propósito desta coisa da ligação a alta velocidade Porto-Vigo existem estudos? Sabe-se quais seriam os benefícios para a região? Qual seria o seu impacto a curto, médio e longo prazo no comércio, na indústria e até na cultura de ambos os lados? Se ainda não existem estes estudos, do que está à espera a Universidade do Porto para, em parceria com as universidades galegas, levar a cabo esse estudo. Eu não preciso de ser convencido. Acredito que essa ligação ferroviária poderia vir alterar para melhor as relações entre o norte de Portugal e a Galiza, mas a crença e o voluntarismo não chegam. Há que fazer o trabalho de casa. Não devemos perguntar o que Lisboa pode fazer por nós, mas o que nós podemos fazer pelo Porto.

2005/11/29

De: Rui Valente - "Yes Men" 

Acreditem ou não, tenho por hábito fazer com regularidade aceitável, uma coisa chamada auto-crítica. Isto, em quase tudo o que faço, de pior ou melhor, nas minhas acções quotidianas. Sobretudo, esforço-me por compreender aqueles, cujas ideias são opostas às minhas, mas feliz ou infelizmente, nem sempre me sinto levado a concluir que estou errado ou motivado para alterar a minha posição primeira.

Nenhum português pertence absolutamente a qualquer lugar específico do país, pela mesma ordem de razões, que nenhum estrangeiro é totalmente espanhol ou chinês. Mas o que, pela minha parte posso afirmar com a mais profunda e sentida convicção, é que estou mais perto do Porto (porque aí nasci, vivi e fui criado) do que - passe o propositado exagero -, de Vila Nova de Gaia... E gosto muito do Porto. Também sei o risco que corro, se confessar que o sistema em que vivemos me obrigou a desprezar Lisboa (e já lá vivi). Isto, não é politicamente correcto, não é cínico, não é elegante, mas é o que eu sinto e ponto final!

Esta ordem de razões afectivas, tem apenas a mesma lógica (e duvido que alguém de boa fé o possa contestar), que tem dedicarmos atenção e carinho especiais, à nossa família, à nossa casa, e só depois a terceiros. Este, parece-me ser o comportamento normal de todos nós, na rotina das nossas vidas. Contudo, também eu, tenho raízes transmontanas e minhotas, de regiões por sinal, desde sempre, muito apoiadas pelo governo central... Creio até, que nem se devia ouvir falar das assimetrias regionais, porque podemos, às páginas tantas, ser apelidados de hereges...

Pela óptica, de certas pessoas, a felicidade, só depende de nós. Infelizmente essa é uma verdade só relativa e muito pouco realista. Há pessoas que se sentem mais confortáveis quando optam pelo discurso que lhes foi incutido com sucesso, pela opinião publicada de Lisboa, do estilo Rui Rio, que dizia, "não ser por berrar contra Lisboa que o Porto se afirmava"! Já aqui perguntei, se terá sido por andar caladinho com o poder central, mas agressivo com os seus conterrâneos, que o Porto evoluiu, mas ninguém me soube dar a resposta. O tempo, será o fiel juiz do papel que Rui Rio teve e terá para o desenvolvimento da cidade!

Mas se aqui transcrever algumas fracções de um estudo económico de Augusto Mateus, relativo aos fundos de coesão, gostava se saber se o que lá está, terá a ver com os adeptos do regionalismo ou da descentralização, com os berros (para já inofensivos) contra Lisboa deste recanto de provincianos, que só encontra excepções naqueles que obedientemente lhes imitam o discurso sem retirar qualquer vantagem objectiva para a região. Rezava assim no "Público" de hoje:
"contrariando o próprio espírito dos fundos estruturais, quem mais beneficiou com QAC (Quadro de Apoios Comunitários) anteriores, foram as zonas mais desenvolvidas. Um relatório recente da Comissão Europeia sobre a coesão reconhecia que "os fundos estruturais foram concentrados de forma excessiva em Lisboa". Resultado: a região desenvolvida tornou-se ainda mais desenvolvida e as regiões menos desenvolvidas ficaram um pouco mais para trás. A média per capita de Lisboa e Vale do Tejo aumentou de 79 para 94,7 por cento da média europeia entre 1986/2001, enquanto o Norte, passou de 51,1 para apenas 56,9 por cento.

Eu só gostava de perguntar aos adeptos do "lisboamente correcto" se acham que o que atrás transcrevi tem a ver com o nosso provincianismo, com a nossa falta de iniciativa, de criatividade empresarial, ou não será mais da responsabilidade dos yes men do nosso burgo.

Rui Valente

De: Ricardo Cruz - "Talvez... alguma ordem no debate" 

Meus caros,

Talvez seja oportuno alertar para a necessidade de alguma ordem em certas linhas do debate.

Em particular, permito-me enunciar o estabelecido no artigo 51.º n.º4 da Constituição da República Portuguesa (Associações e partidos políticos): «Não podem constituir-se partidos que, pela sua designação ou pelos seus objectivos programáticos, tenham índole ou âmbito regional.»

Não obstante, mesmo ignorando o que se encontra estabelecido na nossa lei fundamental, a virtual constituição de um partido político de inspiração regionalista estaria votada ao mais rotundo fracasso. Vislumbro, de resto, que os centralistas deste país muito nos agradeceriam a dádiva de tamanha ingenuidade.

Um abraço,
Ricardo Cruz
[email protected]

De: F. Rocha Antunes - "Porto, cidade aberta ao mundo" 

Meus Caros,

Eu sou um português típico: nasci em Moçambique, filho de um portuense e de uma alentejana, estudei em Lisboa e decidi viver na Mui Nobre, Sempre Leal e Invicta Cidade do Porto. Por isso quando se entra na onda regionalista e bairrista opto por me abster, por achar que não acrescento nada.

Agora, eu sei que Porto gostava de ter: uma cidade aberta ao mundo, uma cidade do mundo. Sem complexos de inferioridade e desculpas com o que os outros não nos deixam fazer.
Com muito menos paroquialismos e muito mais urbanidade. Com muito menos espírito de capelinha e com muito mais visão do futuro.

O Porto é o centro de uma vasta região que, à escala europeia, tem massa crítica. O que falta é interiorizarmos isso.
Temos que assumir, todos, as nossas responsabilidades de cidadãos e profissionais. E os que lêem este blogue têm, como todos os outros, essas responsabilidades de cidadania e de profissionalismo.

A chave destas coisas, como sempre, está dentro de nós e não fora.
Eu continuo optimista em relação ao Porto e à Baixa. E pratico-o. Todos os dias.

Francisco Rocha Antunes
Promotor imobiliário

De: Pedro Furtado - "Exposição" 

Caro Tiago,

Envio-lhe um link com a apresentação de uma Exposição que me parece enquadrada no tema do “A Baixa do Porto”:

Exposição "Artur de Magalhães Basto – Historiador do Porto"

Um abraço
Pedro Furtado

De: António Barros - "Passeio pela Baixa" 

Tendo conhecimento deste blog recentemente, escrevo assim pela primeira vez, um pouco no seguimento dos passeios pela baixa aqui mostrados e a tentativa de dinamização da mesma.
Ao contrário de muitos, torna-se interessante notar que ainda existe quem aposte na Baixa para trabalhar.


Dou o exemplo da loja A2+ na Rua Ferreira Borges, que abriu recentemente a Livraria de Arquitectura, aposta antiga mas agora concretizada pelo seu promotor.
Estando na Baixa desde 1999 trabalhando artigos de Design e Decoração, pretende agora tornar-se na única livraria de arquitectura especializada da cidade do Porto.
É de louvar a coragem e tenacidade de alguns, perante o marasmo que se vive na nossa cidade, em continuar a apostar na nossa Baixa, apesar das adversidades.
Saudações.

António Barros.

P.S.- Peço-lhe desculpa meu caro Pedro, por esta pequena surpresa não premeditada. Felicidades neste novo projecto.


De: David Afonso - "Contas em dia (4 de 5)" 

[publicado no DoloEventual]

4. Alguém sugeriu a hipótese de criação de um partido do norte para defender os interesses da população cá de cima. Não me parece boa ideia. Em primeiro lugar, porque a lógica dos partidos regionais é segmentária e afuniladora, tratando-se apenas de um nacionalismo em ponto pequeno; Em segundo lugar, um partido verdadeiramente regionalista deveria preocupar-se antes de mais nada com as regiões mais carenciadas e em risco de ruptura demográfica, económica, social, vítimas de um modelo de desenvolvimento litoralista, do qual o Porto, apesar de tudo, tem sido, comparativamente, um dos principais beneficiários. A minha solidariedade com esta gente impede-me de considerar sequer a existência de um partido umbiguista, que nasceria apenas para competir com outro umbigo maior; Em terceiro lugar, se o objectivo é eleger "verdadeiros" representantes do norte em... Lisboa, então estamos conversados: mais do mesmo não obrigado!; Em quarto lugar, a manter-se a actual situação de penumbra no financiamento dos partidos (nota: reler as entrevistas de Paulo Morais), apenas estariamos a ampliar a gangrena do comércio ílicito de favores e influências; Em quinto lugar, não é líquido que o problema do Porto seja estritamente de representatividade política, às tantas estaríamos a administrar o medicamento errado com todos os efeitos secundários indesejáveis daí decorrentes (nota: recordar Alberto João Jardim).

david afonso
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De: David Afonso - "Contas em dia (3 de 5)" 

[publicado no DoloEventual]

3. Por falar em mudar de vida: às vezes dou por mim a pensar se a única maneira de reabilitar a baixa não será, afinal, de exigir àqueles que batem com orgulho e furor tripeiro no peito, ritmando a ladaínha das lamúrias e exigências gastas, que fossem consequentes com as suas palavras e tomassem a única atitude coerente: que viessem viver para a baixa! Que deixassem o conforto da periferia e que voltassem para cá. Este desafio é dirigido às gerações que a abandonaram, àqueles que, agora com 40, 50 e até 60 anos, ficam admirados por os filhos até preferirem viver no velho Porto ("O que prova como o Porto é atrativo para os jovens!" pois...), àqueles que visitam a Baixa quase como se de uma cidade estrangeira se tratasse, àqueles que só cá vêm no S. João e quando o FCP ganha algum título, apesar de cá terem nascido e de se dizerem tripeiros. Mas também é um desafio aos políticos que põem o Porto num pedestral, mas dele só conhecem o que vêm fugazmente nas arruadas de campanha eleitoral e também aos responsáveis e técnicos que orientam o processo de reabilitação urbana da cidade. Quantos deles cá viverão? Se a estes todos, juntássemos uma percentagem da população exilada nos bairros sociais (porque razão a rehabitação da cidade nobre não pode ser feita também com esta gente?!), então sim, tinhamos cidade! E o resto são cantigas!

david afonso
[email protected]

De: Alexandre Gomes - "A mensagem de Teófilo M." 

Caros amigos,

A propósito da mesma – com a qual não poderia concordar mais no que toca aos Aliados – ocorreu-me uma daquelas associações de pensamentos que, porque não há que esquecer o que de mal já se fez e se ameaça repetir, partilho convosco:

«Aliados, Siza e Robin, mudanças na Praça com nova fonte tipo Medici bem em frente à Câmara; Porto 2001, mudanças na Praça D.João I sem a antiga fonte do conjunto do Palácio Atlântico e seus cavalos rebeldes…»


Será que ninguém com poder de decisão – não nós evidentemente - vê o absurdo destas mudanças? Que raciocínio leva a que se tire uma fonte verdadeira duma praça (e não um «apanha sacos de plástico esvoaçantes») e, quase moto contínuo, se construa outra noutra praça vizinha? A dita segunda praça, a que ficou sem fonte, é um bom paradigma do que se prepara para a que vai ganhar uma nova.

Mais do que nunca me apego ao meu novo adágio emprestado doutra língua, «se não está escangalhado, não concerta!».

Abraços,
Alexandre J. Borges Gomes
Delegação da Comissão Europeia - Angola

De: David Afonso - "Contas em dia (2 de 5)" 

[publicado no DoloEventual]

2. Este blogue anda efervescente. Ainda bem. Mas fala-se de um Porto cabisbaixo e de uma Lisboa eternamente sádica e gorda, fala-se cobras e lagartos do governo e da necessidade de um levantamento popular. Nada de novo. Percam uma tarde destas, vão à BPMP e peçam um periódico qualquer do Porto datado dos anos 50 a 90 do século XIX. Está lá tudo. As mesmas palavras de ordem, as mesmas queixas, o mesmo problema das elites e até o problema das ligações ferroviárias. Pelos vistos está-nos no sangue. Era bom se mudássemos de vida.

david afonso
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De: David Afonso - "Contas em dia (1 de 5)" 

[publicado no DoloEventual]

1. A Cristina levantou, já faz algum tempo, a questão da reabilitação do quarteirão de Carlos Alberto. Achei muito interessante o que então foi dito, apesar de não vir acrescentar nada de novo. (recordo que já tinha feito aqui uma apreciação do plano estratégico para o dito quarteirão em Abril). Creio que no preciso momento em que a Cristina escrevia o seu artigo, os proprietários deviam estar a receber as notificações de expropriação. Ora, este é um dos momentos mais delicados de toda a operação de reabilitação, o qual deve ser conduzido com o máximo de cautela e de um modo exemplar por parte da SRU. Não que, ao contrário do que afirma a Cristina, este quarteirão seja dos mais complexos (bem antes pelo contrário), mas porque este é o primeiro e por ser o primeiro, é o que vai marcar todo o restante processo de reabilitação. A predisposição dos investidores e a colaboração dos proprietários vão ser condicionadas por tudo o que acontecer neste quarteirão-piloto.

Em concreto, parece que apenas alguns dos edifícios vão ser expropriados. Menos mal. Desconheço as razões que terão levado a SRU a avançar com esta medida. Não sei se existiria outra alternativa viável ou não. Não sei se todos os proprietários demonstraram uma absoluta renitência em colaborar ou não. Sei apenas que existiam investidores interessados mas, por qualquer razão, não chegaram a acordo com os proprietários. Um dia seria pedagogicamente interessante que SRU nos explicasse em detalhe todos os passos dados nesta operação.

Uma outra situação que me preocupa é a da manutenção dos espaços comerciais. A situação é fácil de compreender: os comerciantes sobreviventes à desertificação da baixa, ao êxodo dos estudantes e à verdadeira infâmia que foi aquela cratera aberta a céu aberto na Praça Carlos Alberto deixada pela Porto2001, estão saturados e cansados. É natural que entre o dinheiro da indemnização e a manutenção da actividade, aproveitem a oportunidade para largarem tudo rumando para outras paragens ou pura e simplesmente para se reformarem. Entretanto, fica aberto o flanco à criação de espaços comerciais devolutos ou subexplorados como se vê por aí em muitos empreendimentos. Só imagino este quarteirão e esta vizinhança com o seu restaurante modesto e acolhedor, com a lojinha de ração de animais (onde ainda me abasteço para as minhas gatas), com o sapateiro, etc. O ideal seria manter este tipo de comércio, por ventura melhorado, mas não reconvertido em espaços anónimos ou pseudo-sofisticados. Será que a SRU acautelou esta situação?

david afonso
[email protected]
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Nota de TAF: Tanto quanto sei, as expropriações avançaram porque não foi possível chegar a acordo com alguns proprietários para que eles próprios assumissem a recuperação nem, alternativamente, para que vendessem os imóveis a preços considerados aceitáveis por investidores privados.

De: Cristina Santos - "Lirismos" 

O que urge é manifestar o nosso desacordo contra o Sr. Engº Socrates, que mais não visa que financiar compadrios à custa de todo o País. Isso não irá reabilitar o Porto irá simplesmente mostrar que estamos contra, contra os cortes orçamentais, contra esta brincadeira do partidarismo... e para essa luta até temos o presidente ideal.

O pior é que não temos feedback suficiente do povo Portuense, povo cansado, que dorme a 15km da zona onde trabalha, gente massacrada com ordenados de 750€ e rendas de 400€, pessoas que desenfreadamente tentam manter o equilíbrio, o emprego. Será só medir a taxa de abandono escolar, para entender as dificuldades por que actualmente passa o povo nortenho.

Quanto aos privados...
Se os privados mantivessem o sentido da luta, com certeza não faltariam tipografias dispostas a imprimir uma série de panfletos reivindicativos, não faltariam empresas cujo marketing incluísse a palavra Porto.
Nos placards internos com certeza existiriam divulgações sobre a cidade, alertando clientes e trabalhadores.
Os Jornais dariam voz ao espírito que corre nas ruas portuenses.
Mas esse espirito comunitário deixou de existir, os jornais vendem entrevistas para cada um falar de si próprio.
As necessidades e interesses próprios sobrepõem-se aos interesses globais, o que é normal... o que sai um pouco da normalidade é a inacção das entidades que deviam regular as sociedades.

Em consequência não temos mercado, as ruas onde se instala o comércio não têm metro, não tem estacionamento, o movimento é dos últimos que habitam o centro, ou dos que nele trabalham. Basta fazerem uma pausa e pensar no Natal no Porto há uns anos atrás, naqueles tempos em que não nos aproximávamos das montras por excesso de transeuntes, querem saber?! eu fiquei admirada em ver duas montras enfeitadas hoje... é fiquei mesmo, deve ser porque caminho de olhos postos nos beirais e nos tubos de queda...

Conheço um ex-Lisboeta que costuma dizer «um Homem chega ao Porto rico, investe e nunca mais sai daqui... porque fica pobre» Resta-nos portanto esperar, quando a necessidade apertar, o povo manifesta-se, sair daqui não sai, quem fica por cá não tem poder para investir noutro lado.

Dou esta conversa de lutas por encerrada e viro-me para uma onda de interesses mais particulares.
Ate breve
Cristina Santos

Ps. A ideia do Tiago está muito bem enquadrada para a recuperação e reabilitação do Porto a médio/longo prazo, numa escala regional e empresarial.

2005/11/28

De: Lino Cabral - "Desafiemo-lo !" 

Ele é um verdadeiro homem do norte. Colérico, abrupto, impaciente, às vezes jocoso e claro, obstinado. Estranho que neste blogue não haja um mísero post que lhe faça justiça. Rui Rio conseguiu aquilo que muitos não acreditavam.

O tuga tripeiro votou nele em massa porque percepcionou nele as características de um líder. Bateu o pé aos arruaceiros, fez obra e o mais importante porque inédito no burgo, mostrou as contas como devem ser mostradas. O povo gostou e aplaudiu. Tem maioria absoluta no Concelho, é o presidente do estratégico Eixo 21 e foi eleito presidente da Junta Metropolitana do Porto (não tem site!!). A resistência sistemática ao homem começa a ser ridícula e prova o endémico provincianismo que nos cega. Se conseguirmos ultrapassar as reservas mentais que persistem no nosso colectivo, de imediato percebemos que RR tem o poder político legítimo e único para liderar um projecto de desenvolvimento para a região. Desafiemo-lo!

Lino Cabral
[email protected]
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Nota de TAF: Quanto à Junta, há isto, desactualizado.

De: TAF - "Escrito em Novembro de 2003" 

Acho que fui mal compreendido em alguns aspectos daquilo que escrevi em posts anteriores. Eis um texto meu já com dois anos que talvez esteja mais claro.
Quem cria e faz avançar um projecto de dimensão relativamente modesta, baseado essencialmente em recursos próprios e muito trabalho, depara-se normalmente com o problema de um crescimento demasiado lento da iniciativa. Haveria grandes vantagens em ter acesso a um suporte financeiro mais volumoso. As dificuldades encontradas junto dos potenciais investidores são conhecidas:
  • pedidos sistemáticos de projectos detalhados de investimento e de estudos de mercado que, para serem sérios e fiáveis, seriam provavelmente mais dispendiosos do que o investimento propriamente dito;
  • ausência pura e simples de vontade de arriscar.
O empreendedor (escolho aqui um conceito mais genérico do que apenas "empresário") fica assim sujeito às limitações dos seus recursos próprios e do auto-financiamento que o empreendimento vai proporcionando.

As “elites” da região, que poderiam desbloquear estes estrangulamentos, têm demasiada inércia e, na prática, pouca abertura a novos actores com ideias sólidas e sóbrias. Parece ser mais simples conseguir alguma colaboração através da excentricidade (ou até da irresponsabilidade) do que do trabalho sereno e competente, mesmo quando é bem divulgado.

As “elites” sofrerão provavelmente dos mesmos males que o “portuense típico”... Se assim for, afinal não possuem esse estatuto e serão outros os agentes da evolução. Há demasiados “gestores” e poucos “empreendedores”: os primeiros formulam receitas e administram dinheiro alheio, enquanto os segundos assumem riscos e lideram novos projectos.

(...)
O Porto tem um espírito bairrista que pode ser convenientemente explorado para a concretização de investimentos. Por um lado há capital privado disponível para ser usado a favor da região, embora os seus detentores não saibam bem como. Por outro lado há boas ideias e competência técnica sem capital de suporte ao investimento. Nisto vai-se testar a maturidade da região: será que conseguimos reunir investidores com alguma liquidez e promotores sem capital?

A primeira dificuldade é que não se conhecem uns aos outros. Já está demonstrado que o método habitual de apresentar um “business plan” e esperar uma resposta não funciona suficientemente bem. O desafio aqui vai principalmente para os investidores: com base nos critérios que acharem adequados, seleccionem um conjunto de potenciais empreendedores com os quais irão em conjunto pensar novos negócios. Não se trata portanto de seleccionar projectos, mas sim de seleccionar pessoas.

Esta tarefa não pode ser deixada ao Estado.
(...)
A vontade de realizar e a competência técnica dos empreendedores, aliadas à experiência e rede de contactos dos investidores, proporcionarão melhores resultados do que quaisquer programas de apoio estatais.
Ver mais aqui.

De: Rui Valente - "Para TAF" 

Caro TAF,

Pela minha parte, também tenho dificuldade em compreender, que a resolução dos nossos problemas passe apenas pela iniciativa privada!

Convirá recordar que a grande maioria dos portuenses não tem qualquer capacidade financeira para investir, e a minoria que o tem, é o que se constata, péssima e pouco preocupada pelo bem estar comunitário. O meu amigo exprime-se como se cada portuense fosse um capitalista e isso pode condicionar-lhe o realismo nas suas análises.

Já citei aqui vários exemplos de empresários de sucesso a nível nacional e nortenhos que apesar disso, não deixaram de concentrar noutras regiões do país (nomeadamente Lisboa), as suas prioridades de investimento, quando elas eram (e são) mais necessárias à nossa região. Estou-me a referir, neste caso, às empresas de comunicação social, em particular de televisão. E essa, era, na minha opinião, uma das mais importantes iniciativas de carácter privado que se podiam ter levado a cabo para o desenvolvimento da nossa região, desde que existisse autonomia e qualidade no respectivo projecto.

Eu peço desculpa, mas (só como exemplo), o caso da OTA e do TGV, seriam porventura desbloqueados se o Porto tivesse em cada um de nós um líder? Desculpe-me mas não estaremos a confundir as coisas e a ser profundamente utópicos, para não dizer ingénuos? O facto de andarmos todos (os portuenses), legitimamente preocupados, de revelarmos até alguma desorientação para encontrarmos um objectivo comum, não será significativo? Ou será, às tantas, que afinal, temos é objectivos diferentes e porventura opostos?

Como diz (e bem), a sociedade civil, não é uma massa homogénea de cidadãos com vontades e ideias compatíveis, mas não é tão pouco um conjunto invarável de indivíduos com património económico-financeiro garantido.

Quanto a Rui Moreira, reafirmo o que anteriormente disse. É apenas um ponto de partida, mais uma sugestão...

Rui Valente

De: Mafalda Ferreira - "Concordo com Rui Valente" 

Estou de acordo com Rui Valente.

Qualquer mudança é por si só um processo incomodativo e que cria, pela sua natureza, enorme inércia para arrancar. Esperar que surjam lideres em diferentes áreas da sociedade portuense e (vamos antes falar da região norte) que eles sejam capazes de se afirmarem naturalmente não me parece ser de todo possível no nosso Portugal centralizado. Até porque já há vários anos que temos vindo a assistir aos entraves "acidentais" que surgem às iniciativas do Norte. Se não têm um pézinho próximo do governo central, é certo e sabido que de certeza estarão votadas a uma dimensão mínima e a um percurso pejado de entraves... até os ditos lideres de cada área, pelas dificuldades que enfrentam, desistirem ou se mudarem de malas e bagagens para o sul e rapidamente esquecerem os "provincianos" da nossa terra.

Acho que canalizar as nossas esperanças em torno de uma personalidade minimamente consensual e à qual sejam reconhecidos valores de independência, inteligência e seriedade a par de qualidades de liderança e um espírito independente seria o que de melhor nos poderia acontecer neste momento. A sociedade civil no norte está desagregada, perdida, com falta de coesão e embebida emn alguma apatia por acreditar que nada vale a pena e já se tornou impossivel contrariar a maré que se arrasta há tantos anos. É nestas alturas que se torna, em termos de dinâmica de grupo, fundamental que alguém se torne o porta voz e elemento agregador pelo menos até que a sociedade seja capaz de se organizar em núcleos independentes e eficazes. Acho que agora é imperioso remarmos todos para o mesmo lado, com a mesma força e direcção.
Rui Moreira, porque não? é uma boa possibilidade.. Assim ele esteja para isso.

Mafalda Ferreira

De: TAF - "Contestação ou concretização?" 

Caro Rui Valente

Continuo a não compreender que sentido faz esta procura de um líder, independentemente das qualidades que certamente possuiriam os "candidatos". Um Norte que se queira afirmar pela contestação é um Norte fraco.

O Porto não precisa de um líder, precisa de muitos, cada um nas respectivas iniciativas privadas! Líderes empresariais, líderes de opinião, líderes políticos, lideres culturais, líderes na Ciência, etc. E que conquistem a liderança pelo que fazem, e não por quanto protestam...

Também sou mais adepto das lideranças institucionais do que das pessoais. Importante devia ser a Câmara do Porto, e não o fulano de tal que numa determinada época é o seu presidente. Idem para a Associação Comercial, para a CCDRN, para todas as entidades que de algum modo representam esta região ou cá actuam. Evidentemente que é também necessário que quem assume estes cargos de responsabilidade esteja à altura da missão que lhe é entregue.

A sociedade civil não é uma massa homogénea de cidadãos, todos com vontades e ideias compatíveis. Ao contrário, a vitalidade de uma região advém precisamente da diversidade, da complementaridade. Procurar resolver os problemas do Porto com o surgimento de um líder é aceitar a nossa incapacidade de liderar seja o que for.

De: Rui Valente - "Para: Teófilo M. / «Uma Alternativa»" 

Já que parece haver tanta parcimónia (ou preconceito) da parte de alguns "companheiros de route", pela opção de um expressivo "Movimento de Contestação" - que, apesar de difícil organização me continua a parecer a solução mais rápida e impactante, - porque não tentar "pressionar" a Associação Comercial do Porto, na pessoa do seu presidente, Rui Moreira, que tudo leva a crer ser uma personalidade consensual e talvez a mais descomprometida politicamente de todas as que se conhecem no burgo?

Parece-me ser um homem inteligente, sério, com qualidades de liderança e de apreciável visibilidade. Será assim tão complicado fazer a experiência? As suas posições relativamente à situação da região Norte e do Porto, são bem conhecidas e revelam uma genuína preocupação pelos seus problemas. Quem sabe se não estará mesmo a necessitar de um sinal de todos nós de apoio para avançar com qualquer acção concreta?

Não quero acreditar que sejamos piores que os lisboetas em termos de solidariedade, como tem insinuado António Barreto em várias ocasiões. Pelo contrário, acho que somos naturalmente menos individualistas. Já lá vivi alguns anos e era essa a ideia que os próprios lisboetas tinham de nós. O que me parece (para não dizer que tenho a certeza), é que António Barreto é um daqueles portuenses alisboetados, já pouco identificado com os problemas do Porto. Os seus argumentos são quase brilhantes, mas falta-lhe sentido de proximidade para lhes conferir mais precisão e realismo.

Vamos lá, então! Encontremos um ponto de dinâmica comum, para não passarmos dos palpites avulsos, como se estivéssemos numa simples tertúlia de café!

Nós não podemos passar o tempo a discutir o assunto "Porto", como se tratasse de trocar impressões sobre as ideias que cada um tem para abrir um simples "negócio". O Porto é uma causa nacional! Nós, é que não temos tido políticos capazes de a representar e defender com ambição!

Rui Valente

De: Carla Leitão - "O que faz falta..." 

É interessante como na SIC, no espaço da “Praça Pública”, deram a conhecer que uma determinada Junta de Freguesia retirou um gradeamento de um pequeno largo de uma aldeia, substituindo-o por um muro com uns “mecos” de gosto duvidoso, mas enfim (…), e ainda, no dito largo, tencionava dar lugar a um santinho, talvez daí os “mecos” para pôr o largo à altura do futuro residente. Até aqui tudo estaria bem, não fosse um habitante local que se pôs a questionar a “estética” da obra e a imposição do místico e beato santo, ao que parece, o protestante deverá professar uma religião que não a Católica Apostólica Romana e aqui é já o suficiente para sarilhos! Fez queixa à Câmara Municipal e alegou que tudo se processou à revelia da opinião dos residentes. Ao que a CM respondeu que, por se tratar de uma obra num espaço público e de utilidade pública, a Junta teria toda a legitimidade de o fazer, embora, fez notar que tal decisão deveria ter sido antecipada por uma Auscultação Pública.

Ora se nos pusermos a tomar este exemplo em paralelo com a Avenida dos Aliados, eu fico a achar que talvez não fosse pior tomarmos tempo de antena na sic no espaço referido e assim lucrarmos com a reposição da disciplina no tocante aos procedimentos que envolvem a intervenção na coisa pública.

O nosso problema não são elites, cor ou mais a norte ou, a sul, o nosso problema é a falta de disciplina, bom senso e competência pautada pela qualidade.

De: Teófilo M. - "Afinal como é?" 

No meio de opiniões sobre o rumo a tomar, o tempo corre inexorável, sem se importar muito com os problemas que afectam o burgo, que pelos vistos é apenas de uns poucos, pois a generalidade da população vive apaticamente a cidade.

A Avenida dos Aliados, por algum barulho que se fez e que se continuará a fazer, jaz desfeita e vilipendiada, por proposta de dois insignes mestres arquitectos que não cuidaram de saber se a obra agradava ou desagradava aos que a irão fruir, mas que sabem certamente que detêm o poder para proceder como procedem.

O Bolhão, em notícia do JN, já está na forja para transformação, e o silêncio é mantido quer pelos que por lá ainda tentam mercadejar, quer pelos que já procuram novos locais para fazer as suas compras, pois sabem que contra o poder absoluto não há muito a fazer, e sabem que têm quota parte no que está a acontecer, pois na hora certa depositaram o papelinho no projecto anunciado.

O transporte fluvial, por sua vez, jaz encalhado numa teia de desinteresse, (ou será que são apenas outros interesses ?), impedindo que o rio sirva para aliviar o congestionamento rodoviário, e em simultâneo servir o turismo.

Os senhores do Metro continuam a fazer as obras como entendem, sem respeitar nada nem ninguém, como se as reclamações que lhe são apresentadas fossem apenas zumbidelas incómodas da mosquitada tripeira, e que esperemos não se saldem por mortos e estropiados que farão aumentar a venda de jornais.

Paulo Morais, não contente com o foguetório que lançou na altura, e que até ao momento ainda não estourou, volta a dar uma entrevista, arvorando-se em pura donzela impoluta, dando-se ao privilégio de criticar os que lhe serviram de trampolim para saltar para a ribalta, criticando mais uma vez por alto quem não se pode defender da mesma maneira, enredando-se numa trivialidade exasperante de afirmações LaPalisseanas, como se tivesse acabado de descobrir a pólvora!

Onde está a novidade?

Somos nós, senhores! É a gente do Porto que está a fazer isto! Não são os governantes, nem os espanhóis, nem os mirabolantes moinhos de vento contra quem nós, os D. Quixotes, parece andarmos a combater.

Precisa-se urgentemente de uma pedrada no charco!
Não há por aí jornalistas que saibam escrever umas linhas e as possam publicar?
Não espevitaram, a Manuela e o João Castell, o Germano Silva para a luta pelos Aliados?

Não poderá a Associação Comercial do Porto começar por dinamizar um processo sobre os problemas do Porto, uma vez que tem o privilégio de possuir contactos com entidades que podem ajudar ao empurrão?

Vamos lá, como já muitos por aqui disseram... o tempo urge!

Cumprimentos
Teofilo M.

De: Cristina Santos - "CMP aprova Moção ao governo central" 

Por desatenção ou porque pura e simplesmente o Jornal que leio não publicou esta informação, desconhecia que o executivo da CMP aprovou por unanimidade uma Moção contra as últimas iniciativas do Governo Central.
Essa Moção não tem referencias ao Metro do Porto por exigência do partido socialista.
A Moção está disponível no site da CMP.

Finalmente parece que voltamos ao activo.

Cristina Santos
--
Nota de TAF: "O site oficial da Câmara Municipal do Porto será, a partir de hoje, objecto de uma campanha de divulgação pública nacional."

De: David Afonso - "Outro Passeio Pela Baixa" 


Contra o que seria de esperar aqui e acolá vão aparecendo exemplos de gente que rema contra a maré de depressão/degradação. Este domingo a Baixa do Porto ganhou mais trunfo: uma Loja/Galeria de Sargadelos, uma cadeia galega de produção e venda e de porcelanas de excelente design e qualidade, mas também [pequena] livraria e galeria para exposições de trabalhos de artistas portugueses e galegos. Enfim, uma verdadeira embaixada cultural da Galiza. Fica na Rua Mouzinho da Silveira nº28 e qualquer coisa, perto das estações de combóio e metro de S. Bento. Vão lá que vale a pena. Por momentos, até esquecemos as ruínas à volta...


David Afonso
[email protected]
[publicado no DoloEventual]

2005/11/27

De: TAF - "Algumas notícias de um Domingo com gripe..." 

- Entrevista com Paulo Morais no Janeiro
- Táxi fluvial está "encalhado"
- Prazer de andar em passeio nas ruas da cidade medieval
- Mercado tradicional apenas no piso inferior do Bolhão
- Bolhão envelhecido - Ceder superfície

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