2005/07/23

De: Teófilo M. - "Um décimo - 2ª parte" 

Para além de se tratar de um texto óbviamente partidário, e logo por aí ser natural a existência de alguma demagogia, o sr. Henrique Custódio, avança para comparações que só o atrevimento da ignorância pode permitir.

Chamar equipamentos semelhantes à Casa da Música (CM) e ao Teatro Municipal de Almada (TMA), para além de risível é o mesmo que comparar um Renault Clio a um Renault F1, ambos são equipamentos automóveis, tem quatro rodas, um motor e levam um condutor para além de terem muitas peças com nomes iguais, só que os resultados são bastante diferentes.

Escrever que um edifício que é comparado por críticos de arquitectura, ao Guggenheim de Bilbao, Walt Disney Concert Hall ou ao Berlin Philarmonic Auditorium, é semelhante ao TMA, para além de cegueira partidária, é exemplo do disparate que reina no País.

Atrever-se a chamar semelhante a um equipamento que no auditório principal possibilita em condições óptimas a instalação de 1238 pessoas, para além do pequeno auditório para cerca de trezentas, com outro que tem a sala principal dotada para 446 lugares (quase a terça parte do da CM), é sinónimo de miopia ou de doença grave já em fase de delírio.

Permitir-se comparar um equipamento que, para além de um restaurante para 250 pessoas tem um parque para 660 viaturas, tem uma volumetria de 22.000 metros quadrados, com outro que tem parque público de estacionamento a 200 metros e uma cafetaria, ocupando 1.000 metros quadrados de área útil, só é possível, porque há vontade de não dizer a verdade, custe o que custar.

Mas esquecer que a CM no Porto, é para além dos auditórios, restaurantes, parques, sala para convenções, sala para 'cyber-music', laboratórios de ensino, biblioteca, videoteca, salas de ensaio, e todo o demais equipamento que permite albergar o necessário para uma orquestra sinfónica residente, é também um ex-libris da cidade com projecção internacional, o que certamente não será o caso do TMA, pois para além de uma obra de arte nacional dedicada para espectáculos de teatro, não traz nada de novo para a área da concepção estética ou de engenharia, é apenas criticar por criticar e induzir em erro os que nada conhecem sobre os dois equipamentos.

Lamentável ainda, que o Sr. Henrique Custódio não assuma a crítica como sendo de sua lavra, e no meio do seu arrazoado partidário, diz que as comparações são de um repórter televisivo... Ou seja, não se sabe se o Sr. Henrique Custódio perfilha a opinião do dito repórter, ou se apenas, como não viu os dois equipamentos fala de ouvido!

Quanto ao que diz Manuel Martins sobre a exequibilidade de outros equipamentos da cidade servirem para o que faz a CM, tenho de lhe dizer que também se pode fazer teatro na rua, dar concertos em jardins, projectar filmes em praias, ver ópera em campos de futebol, corridas de automóveis em avenidas citadinas, exposições de pintura em pavilhões gimno-desportivos ou cantar fado em igrejas, o que não quer dizer que sejam esses os locais próprios para o desempenho de tais actividades.

O Coliseu é uma boa sala de espectáculos para circo, cinema, ballet, teatro e variedades, o Rivoli já se perfila como melhor sala para solistas em concerto, ballet, teatro, cinema e variedades enquanto o São João é por excelência uma sala de teatro, cinema e espectáculos de elenco limitado (largura da boca de cena).

Infelizmente não dispomos de nenhuma sala optimizada para ópera, o que leva a que tal tipo de espectáculos decorram no Coliseu na sua generalidade, ou no Rivoli, mas a acústica quer de um, quer de outro não são famosas para este tipo de espectáculos.

Ora, não sendo a acústica idêntica para as diferentes funções (ópera versus concertos), privilegiou-se a vertente musical, pois a sua variedade estilística iria sem dúvida potenciar a sua utilização, e em casa em que o pão rareia há que fazer opções, para além de termos para ballet duas casas já prontas para esse tipo de espectáculos.

Pena é, que a crítica se sobreponha muitas vezes à razão ou à simples técnica, em vez de servir para fometar a discussão de alternativas.

Se na CM foram gastas verbas a mais do que deviam ter sido gastas nada me admiraria menos, depois de ver quantas administrações por lá passaram, e é sabido que cada administrador gosta de deixar a sua pincelada na obra que lhe é entregue. Estou a lembrar-me de um que queria elevador privado e gabinete sumptuoso, nem que para isso se cortasse no espaço das salas de ensaio, ou no espaço dos camarins! Mas será apenas na CM que se terá gasto dinheiro a mais? O que acontece nas condutas da água da cidade, em que cerca de 59% se perde escoada através de fissuras, ligações, rupturas e quejandos com custos que não estão contabilizados e de que muito pouca gente fala numa época em que se pede poupanças a todos os portugueses dada a secura que se vive!

Interessante, é ver que sempre que se faz uma obra em que a mediania é afastada para o lado, e em que é servida a cultura, logo um coro de carpideiras vem a terreiro a propósito do despautério a que estão votados os dinheiros públicos, mas se, pelo contrário, se quer elevar uma qualquer localidade a vila, ou uma vila a cidade, aumentando desproporcionadamente os custos do erário público, já ninguém chora nem esperneia, e boicotam-se eleições, cortam-se estradas, fazem-se excursões de garrafão em punho à AR para reclamar o estatuto que vai servir alguns (poucos), fazendo deste País a manta de retalhos que ele é, e onde a organização político-administrativa é um polvo que tudo enlaça e aperta na sua tentacular teia burocrática.

Pobre País, que tem três jornais desportivos diários, e as únicas tabelas que conhece bem, são as que envolvem futebol.

Cumprimentos

Teofilo M.

2005/07/22

De: Manuel Martins: "A síndroma..." 

"... «Convento de Mafra»"

Portugal não consegue libertar-se da síndroma "Convento de Mafra". Como é da história, o ouro e os diamantes trazidos do Brasil foram desbaratados em gastos perdulários, como o Convento de Mafra, para satisfação de caprichos da realeza.

Não podemos ter uns trocos que não os malbaratemos logo em algo vistoso que pouco ou nada contribui para o desenvolvimento do país e para o bem-estar dos cidadãos. Não venho falar do TGV ou do Aeroporto da Ota, mas de outros gastos sumptuosos como foi o da Casa da Música.

Continuo a interrogar-me por que foi gasto tanto dinheiro num edifício destinado a actividades perfeitamente exequíveis em estruturas existentes na cidade - Rivoli, Coliseu, Teatro S. João. Pelintras como somos e permanecemos, fizemos figura de novo-rico com o Porto-2001 e fomos lá fora encomendar um projecto, tendo prata da casa tão ou mais qualificada. Pagamos bom dinheiro por uma ampliação dum projecto de moradia familiar recusado pelo cliente inicial. O resultado foi não uma Casa da Música, mas de uma "Casa de Alguma Música" porque, apesar da construção de raiz, não foram previstos a teia e o fosso de orquestra, impossibilitando de todo espectáculos de ópera e de bailado.

Mas nem tudo é negativo. De longe a longe, lá vem um assomo de que não somos diferentes de outros povos. Também temos qualidades para agir com sabedoria e sensatez.
Ultrapassando os encómios próprios de uma publicação partidária, permito-me transcrever um texto sobre a recente inauguração de uma sala de espectáculos que, pelo que li nos jornais e vi em reportagem na TV, foi construído de raiz com meios e concepção portugueses, permitindo todos os espectáculos, incluindo ópera e bailado, e custou a décima parte:

UM DÉCIMO

No passado domingo, o Presidente da República inaugurou o novo teatro municipal de Almada, encomendado, construído e quase integralmente pago pela município local.
Compreende-se a presença do Chefe de Estado no evento: trata-se de uma obra com dimensões, valências e funções com evidente envergadura nacional e internacional: a boca de cena do auditório principal tem qualquer coisa como 30 metros de altura - apenas superada, nacionalmente, pela boca de cena do palco central do Centro Cultural de Belém -, enquanto o edifício, com cerca de mil metros quadrados de área útil, alberga ainda uma sala experimental, uma sala de ensaios, camarins, uma galeria de exposições, café-concertos, livraria, ludoteca, sala de vídeo, cafetaria e alojamentos.
Trata-se de um imóvel de grande valor arquitectónico, projectado pelos arquitectos Graça Dias e Egas Vieira, construído em quatro anos e tendo custado 10,6 milhões de euros, a maior parte dos quais - mais exactamente 8,1 milhões de euros - pagos pela autarquia, com o Estado a comparticipar com os restantes 2,5 milhões.
A completar esta breve apresentação do novo equipamento almadense, acrescente-se que é propriedade da Câmara Municipal - naturalmente, pois projectou-o, construiu-o e pagou-o quase na totalidade - e vai ser gerido pela Companhia de Teatro de Almada, que ali terá a sua residência permanente e nele promoverá as mais diversas programações culturais, num apoio institucional à actividade dramática e artística neste concelho que não tem paralelo no mundo autárquico português.
Todavia, não é em todo este rol de excelência e excepcionalidade que reside a notória singularidade deste equipamento inaugurado no passado domingo, em Almada.
A grande originalidade do novo Teatro Municipal de Almada resumiu-a, com a naturalidade dos relatos objectivos, um repórter televisivo que noticiou a inauguração.
Disse ele, num noticiário sobre o evento: «O novo Teatro Municipal de Almada tem as mesmas dimensões da Casa da Música, no Porto, com uma única e grande diferença: custou um décimo do que se gastou para construir o equipamento do Porto».
Repita-se o assombro.
No mesmo País, dois equipamentos em tudo semelhantes - seja em dimensão, capacidades, funções ou tempo de construção - apresentam uma única e substantiva diferença: um custou dez vezes mais que o outro.
Ou, se quiserem, um custou um décimo do outro.
Entretanto, ambos são obras construídas com dinheiros públicos.
A que derrapou dez vezes mais - sem que alguém seja responsabilizado ou, sequer, questionado - é da responsabilidade do poder central, tutelada directamente por sucessivos Governos do PS e da coligação de direita PSD/PP.
A que foi construída com tal rigor, que custou dez vezes menos - sem que alguém disso se gabe, embora tivesse toda a legitimidade para o fazer - é da responsabilidade do poder local, mais concretamente da Câmara Municipal de Almada.
Perante isto, calem-se de uma vez com a velha falácia de que as «obras públicas» derrapam sempre nos custos, qual fatalidade que dá muito jeito aos corruptos de todos os calibres.
O novo Teatro Municipal de Almada é, todo ele, também uma obra pública, só que de uma autarquia.
A grande e fundamental diferença é que se trata de uma câmara governada... por comunistas.

-Henrique Custódio

Edição Nº1651 - 21 de Julho de 2005
http://www.avante.pt - Jornal «Avante!»


Cordiais cumprimentos.
a) M. GASPAR MARTINS - Porto

De: Teófilo M. - "Agora que falamos de mercados..." 

... porque não olhar para o mercado do Bom Sucesso, que caminha em direcção a uma morte anunciada que certamente trará mais um empreendimento imobiliário de duvidoso interesse.

Será que não é à CMP que competirá criar condições para a dinamização daquele espaço, tendo em vista o seu aproveitamento como mercado de frescos?

Esta é apenas mais uma das muitas confusões que se passam nesta cidade, onde se pretende fixar a população residente, mas em que, simultaneamente, vão fazendo desaparecer os equipamentos necessários para servir os residentes particulares, senão vejamos.

As esquadras de polícia foram desaparecendo em vez de aumentarem, permitindo assim que o policiamento de proximidade não possa ser efectuado de maneira correcta, pois como é sabido, um oficial da polícia conhecedor e conhecido da população que serve é o ponto mais importante para o despiste de situações anómalas na zona que patrulha.

O desaparecimento do pequeno comércio, favorecendo sobretudo o aparecimento de grandes superfícies leva a que se dê mais uma machadada no atribulado trânsito, pois faz criar fluxos de elevada densidade em períodos determinados, pois as pessoas passam a comprar mensalmente/quinzenalmente, e para isso utilizam o automóvel para transporte das mercadorias o que, para além de lhes trazer mais encargos (custos de combustível e manutenção, desgaste da viatura, perda de tempo presos no trânsito e nas bichas dos super/hipermercados, esgotamento físico e emocional dada a grande aglomeração de utilizadores, etc.), não lhes enriquece a qualidade de vida, nem tampouco lhes permite abastecer-se de géneros a que dá preferência, tendo de se sujeitar ao que as grandes superfícies oferecem, e que geralmente deixam muito a desejar na área de frescos, ou de produtos artesanais.

Não se tem tratado eficazmente de um regulamento de cargas e descargas que privilegie o cidadão, preferindo ir ao encontro dos interesses dos distribuidores e dos recebedores, o que geralmente vem ocasionar incómodos para quem quer utilizar os passeios ou os lugares de estacionamento de curta duração para os seus afazeres quotidianos, originando muitas das vezes situações de paragem do trânsito por períodos demorados com os imensos custos daí provenientes.

Não se produz legislação capaz, que eficazmente impeça os prédios de habitação de se transformarem em prédios de arrendamento comercial ou ainda em pequenas unidades fabris, atirando para as periferias os eventuais interessados em fixarem-se no miolo da cidade, pois as rendas pagas pelo comércio ou pequena indústria são muitas vezes superiores ao que aparece fixado no contrato de arrendamento.

Ora, neste círculo vicioso, que se tem transformado em espiral de escoamento de áreas vitais da cidade, não vejo grandes ideias que permitam inverter a desertificação reinante, daí este meu lamento.

Cumprimentos
Teofilo M.

De: Valério Filipe - "O Bolhão e a Baixa" 

Conheço muito bem o Mercado do Bolhão.

A minha Avó vendia galinhas (sim, era galinheira) às comerciantes do Mercado. E, há cerca de 26 anos anos atrás, todas as semanas, às quintas feiras, acompanhava-a na visita que fazia ao Mercado. Eu pouco mais fazia do que apreender o rico vernáculo que as vendedeiras gostavam de me ensinar, e que eu repetia alegremente, para grande tristeza (e vergonha) dos meus pais... Lembro-me de algumas pessoas que lá tinham "banca". Algumas já faleceram (como a Dª. Laura - tendo ficado os filhos com a loja), outras ainda se mantêm (como a Dª. Branquinha - que vende as melhores, e mais limpas, tripas enfarinhadas da cidade)... Lembro-me de um "arrumador" (como actualmente se diz) que, com licença da Câmara (e direito a boné com chapa), disciplinava o estacionamento, sempre caótico, como hoje, em frente à entrada Sul do Mercado.

Hoje frequento o Mercado como cliente - como não conheço o Ex.mo Senhor Rocha Antunes, ele continua sem conhecer pessoas que compram no Bolhão ;-)...

Todos os sábados, antes do Mercado fechar às 13h00, levo a minha mulher às compras semanais de frutas e legumes. Podemos garantir que os preços praticados são baixos (quando comparados com "médias superfícies comerciais" - desconheço o preço das "grandes superfícies") e a qualidade dos produtos é excelente. Obviamente que existem "bancas" com vendedoras mais simpáticas que outras, e como bom Mercado que é, não é raro as vendedoras chamarem à atenção dos compradores de uma forma, digamos, directa (por pisarem fruta, meterem a unha, não escolherem a "eito", etc..). A realidade é que o Mercado, aos sábados de manhã, está vivo! Nos restantes dias da semana, abastece os resistentes moradores da Baixa e muitos dos restaurantes desta zona. E faz negócio, porque se assim não fosse, os Comerciantes abandonavam de bom grado as suas lojas e "bancas".

Se fechar (no todo ou em parte), ou se desviarem os comerciantes para outros Mercados, os moradores da Baixa vão se sentir tentados a fazer compras na "grande superfície" do Centro Comercial das Antas (onde chegam facilmente de metro). Ou seja, aparentemente sem querer, a CMP arranjou mais uma forma de despovoamento da Baixa.

Entretanto, a Ex.ma Senhora Laura Rodrigues (presidente da Associação dos Comerciantes) mantém a confiança no Executivo Camarário, pedindo aos comerciantes ""calma e confiança" no executivo liderado por Rui Rio". A presidente apelou, ainda, a todos para que "não façam do Bolhão um novo Túnel de Ceuta." (Comércio do Porto de 21 de Julho). Não consigo ter o distanciamento suficiente para comentar as declarações desta Senhora.

Entretanto, penso que li, ou no Blog, ou numa notícia de jornal através de um atalho, que o Ex.mo Presidente da Câmara pretende entregar para a ala sul um projecto imobiliário de serviços e hotelaria. Pode ser o TAF me diga aonde está esta notícia. Sinceramente, quero acreditar que não li, mas apenas sonhei... Se for verdade, voltarei ao assunto.

Valério Neto Filipe
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Nota de TAF: Será algum destes apontadores de dia 20?

2005/07/21

De: Pulido Valente - "Dois apontamentos" 

I - Bolhão: para os comerciantes do Bolhão a deslocalizar o Eng.º Alexandre Faro Barros propõe que sejam localizados na antiga Praça de Lisboa, aos Clérigos (com dois grandes parques de estacionamento subterrâneos -ou só um?-) pois aquilo está morto e tem espaço. Que acham Vossas senhorias?

II - Está tudo maluco, surdo e cego ou sou eu que não tenho quem me ouça?

Isto a propósito da notícia de que a CMP aceitou a proposta do Rui Sá para que se deixem estar como ele os deixou os acordos feitos pelo Ricardo .

II. 1 - As pessoas ainda não acreditaram/viram/interiorizaram que tudo, ou quase tudo, o que tem sido feito nestes quatro anos no que respeita aos licenciamentos, etc. é ilegal e susceptível de várias consequências funestas para a cidade e para as pessoas e para os autarcas e para os funcionários da CMP.

É ilegal porque
Portanto o PDM foi revogado só
Acordos e jeitos havidos em q.q. tempo são NULOS à face da lei.

Mas, vide o que se passa com o Bom Sucesso e não só, estamos num período em que a lei só é usada em benefício próprio (correctamente ou incorrectamente) o que, como é óbvio, não anula a ilegalidade dos actos ilegais.

Porque não perguntam se não me faço entender?
Este assunto é o de maior importância pois dele decorre a ilegitimidade da gestão havida e, em muito, corrente.

E isso é sumamente importante.
Está práqui um tipo a esforçar-se para contribuir para alargar as ideias dos outros e é essa a "paga" que V. me dão!
Não quero que aceitem à ceguinho mas se não aceitarem discutam, contradigam, ajudem-me a melhorar.

De: F. Rocha Antunes - "Os comerciantes do Bolhão" 

Meus Caros,

Agora que se instalou uma nova querela política no Porto, a propósito do Mercado do Bolhão, acho que é oportuno reflectirmos na essência e não no frenesim da coisa.

A verdade é que há uma grande mistificação sobre aquilo que se designa por comerciantes do Bolhão.

O Bolhão é, e na minha opinião deverá continuar a ser, um mercado público. Um mercado é, antes de mais, o local onde diversos vendedores se juntam para vender as suas mercadorias. Convém não nos esquecermos disso.

O que nós hoje temos é um mercado que falha redondamente nos seus objectivos primários: atrair os clientes para comprarem os seus produtos. Ninguém que eu conheça compra alguma coisa no Bolhão há muitos anos. Pelo simples facto que não há lá nada que interesse comprar.

À boa maneira portuguesa, criaram-se comissões e direitos adquiridos e já existem aquilo que, eufemisticamente, se convencionou chamar “os comerciantes” do Bolhão.

A natureza de ocupação de um espaço num mercado é precária. Por força das circunstâncias próprias de qualquer mercado, apenas devem continuar a permanecer num mercado aqueles vendedores que forem capazes, pelo mérito das suas capacidades de vendedores e interesse dos produtos que vendem, de atrair clientela. Ora, com a equiparação dos direitos de utilização de espaço de um mercado à parte pior das regras abstrusas do inquilinato na versão portuguesa, criou-se uma espécie de direito adquirido que deu no que deu: um progressivo afastamento de qualquer realidade comercial e a ocupação selvagem para os mais diversos fins. Os leitores têm consciência do que hoje se oferece no Bolhão? Desde meias e todo o género de roupa interior passando por electrodomésticos há de tudo no Bolhão.

A incapacidade da autarquia, nos últimos 30 anos, de lidar com a necessidade de renovação dos vendedores fez com que o mercado tenha perdido toda a vitalidade e atractividade. Este facto, a que não deve ser alheia outra das grandes mistificações portuguesas, a de que é nos mercados que se testam a popularidade dos políticos locais, deu nisto.

Sejamos sérios: o que o mercado do Bolhão precisa é de voltar a ser isso mesmo, um mercado público. Capaz de atrair os vendedores de produtos que hoje interessem aos potenciais clientes. É evidente que precisa de obras urgentes de recuperação, mas não se pode repetir aqui a asneira intervencionista do CRUARB na habitação.

O Bolhão tem de voltar a ser um mercado bem gerido. Capaz de ter uma oferta de produtos que seja atraente para os consumidores que hoje somos. Mais nada. O resto é folclore político em tempo de pré-campanha eleitoral.

Francisco Rocha Antunes
Promotor imobiliário

De: TAF - "Ai ai ai..." 

Notícias num dia em que se espera o pior de um Estado sem controlo...

- Fórum da Sustentabilidade propõe retirar mais automóveis do centro do Porto
- SRU intervém em Mouzinho/Flores
- Flores/Mouzinho alvo de renovação
- Projectos despachados por Figueiredo devem ter cumprimento

- Comerciantes do Bolhão querem garantias e mais tempo para mudar
- Bolhão: Oposição teme pressa
- Ninguém assume causas
- Câmara admite selar lojas de quem não quiser sair
- Oposição pede obras sem saída dos vendedores
- Rui Sá ameaça obrigar Câmara a reunir se houver despejos coercivos
- Assis promete candidatar projecto de Massena a fundos comunitários
- Na ala Norte do mercado existem apenas 22 espaços disponíveis
- A criação de um movimento cívico de defesa do Mercado do Bolhão - Aliança PS/CDU em perspectiva? E só para o Bolhão? ;-)
- Movimento cívico pelo Bolhão - Desconfio que isto ainda vai trazer muitas dores de cabeça a Rui Rio. Esta urgência está mal contada, até porque "A decisão de evacuar de imediato a ala sul do Mercado do Bolhão, no Porto, foi, essencialmente, política."

- A Baixa do Porto impressa

2005/07/20

De: TAF - "Mais apontadores" 

- Feiras e exposições cedem lugar a hotel e "show rooms" na Exponor
- Crédito à habitação sem fronteiras

- Mais de 7,8 milhões pagos pela Câmara a construtores - "Em todos os casos, são contas antigas que agora estão a ser saldadas." - deviam-se enviar as facturas para os responsáveis pela autarquia na altura...

- Câmara realoja despejados
- Deputados municipais aprovam recomendação sobre famílias em pensões do Porto
- "Preferia morrer debaixo dos escombros" - "(...) Medidas que, segundo a recomendação, devem ser tomadas com "a maior brevidade". Uma celeridade que terá de respeitar, contudo, o período de férias. Ainda durante a discussão política, a vereadora da Habitação, Matilde Alves, revelou aos deputados que se tinha reunido, durante a manhã, com o director do Centro Distrital de Segurança Social, Luís Cunha, para procurar resolver os problemas dos desalojados (actualmente, são 150 pessoas). Uma "primeira" reunião de trabalho que só será repetida em Setembro, porque, segundo a vereadora, o responsável da Segurança Social vai de férias. E Matilde Alves só admite reunir-se com Luís Cunha." - é a vereadora possível...

De: Teófilo M. - "Ainda o Bolhão" 

Tendo acompanhado com interesse o que por aí se vai noticiando, e lembrando-me que o actual presidente da CMP é uma pessoa toda virada para os números, surpreende-me que exista desde 1998, na mesma CMP, um projecto, aprovado por unanimidade e com voto de louvor, com um valor de execução de 12,5 milhões de Euros, e que agora se pretenda abrir concurso para um novo, tendo logo à partida o custo previsto crescido 20%!

Mais estranho, é que se ande há mais de um ano a proceder a obras de escoração, com custos que ainda não vieram à luz do dia, e que não se sabe bem por quem é que foram/estão a ser suportados.

Sabendo-se que o Mercado carecia de obras urgentes, também não se compreende muito bem porque é que a SRU demorou cinco meses (!) a pedir uma vistoria a uma empresa privada, quando saberia, por parceres do LNEC, o estado em que o Bolhão se encontrava.

No fim desta trapalhada toda, estranha-se o silêncio da Laura Rodrigues, da Associação dos Comerciantes do Porto, omnipresente sempre que é preciso zurzir em estruturas que não tenham a cor laranja, e "sempre em defesa dos comerciantes do burgo" como tão bem gosta de dizer. Será que estes comerciantes do Bolhão não lhe merecem tanta atenção, ou não estão situados na 'Baixa' que ela tanto diz defender nas suas coloridas intervenções?

Por outro lado, a SRU, que é quem irá tomar conta do assunto não é detida maioritariamente pela CMP, sendo o restante do INH, o que quererá dizer que os dinheiros virão daquelas duas entidades ou de outras entidades públicas, ou seja de todos nós?

Finalmente continuo a não entender o discurso confuso da CMP, pois o presidente diz uma coisa e os vereadores dizem outra; quer-se reabilitar a Baixa, mas de repente querem sacudir da Baixa alguns comerciantes; não querem descaracterizar o Bolhão, mas querem de lá tirar o mercado de frescos, transformando-o numa mistela em que será difícil misturar arte, com batatas e chouriços e lojas de pechinchas; argumenta-se com o deficiente funcionamento do mercado, esquecendo todavia que a desertificação da área está a avançar em passo acelerado... afinal em que ficamos?

Parece que andam eleições por perto, e a falta de obra feita leva-o para caminhos que sempre afirmou não gostar de percorrer, mas que afinal são os que disfarçadamente utiliza no seu dia-a-dia, marcados por um discurso radical, pobre e incoerente, que infelizmente não tem sido combatido pelos que se afirmam defensores da cidade e do seu futuro e património.

Não tendo o optimismo da Cristina Santos, que vê o actual Porto como a cidade do futuro, avançando com os exemplos da Casa da Música, do Fantas e da requalificação da Ribeira, que, graças ao sr. presidente, contaram com dificuldades adicionais às que já eram esperadas, não vislumbrando no horizonte oposição de qualidade, vou ficando cada vez mais desiludido quanto ao futuro desta que foi um pólo de dinamização nacional, e, que agora, só salta para os Telejornais por causa de situações tristes, salvo honrosas e parcas excepções.

Cumprimentos
Teófilo M.

De: L F Vieira - "Mercado do Bolhão" 

Com cumprimentos

Blog: Cabo Raso
Post: Mercado do Bolhão

De: TAF - "O Mercado do Bolhão" 

É impressão minha, ou está em pleno curso mais uma trapalhada na gestão da cidade?
Um caso para estudar melhor.

- Rui Rio não garante continuidade de todos os comerciantes no Bolhão
- Uma intervenção adiada
- Interdição posta em causa - Saber mais
- Comerciantes querem ficar e outros detalhes
- Rui Rio quer evitar acidente como o de Entre-os-Rios
- Projecto de recuperação concluído em 1998 está "actualizadíssimo"
- Autor de projecto em luta pela reabilitação
- Já em 1992 se alertava para problemas de segurança a curto prazo
- Degradação acentuou-se depois das obras do metro
- Vendedores do Bolhão recusam sair apesar do risco de desabamento

- Na outra galáxia
- O estudo da Porto Vivo SRU
- A posição oficial da CMP

De: Ricardo Silva - "Artistas do Porto..." 

"... Interpretam Amália..."

Este título encabeçava um press-release da Camara municipal do Porto dando conta do protocolo assinado com as "produçoes Lá Féria".
Leio com atenção que a C.M.P. subsidia o espectáculo Amália com 10 mil contos (mais a cedencia do teatro Sá da Bandeira), e subsidiou o espectáculo "Raínha do Ferro Velho" com 20 mil contos... como contrapartida o elenco terá de ter 80% de artistas sedeados no norte.
Como a C.M.P. não subsidia nenhum grupo teatral do Porto, fiquei intrigado, foi então que descobri que os artistas do Teatro Plástico estão sedeados na Mongólia, dos Visões Úteis estão no Burkina Faso, os da Seiva Trupe estão na Estónia (ex-União Soviética), do Teatro Bruto no algarve,e por aí fora...
Falamos muito de Barcelona, como um caso exemplar, as duas imagens de marca desta fabulosa cidade, são o seu clube de futebol e a cultura, será que estou errado ou na cidade do Porto este executivo acha execrável quem tem opiniões diferentes?...

Cumprimentos

Ricardo R. Silva
Porto
[email protected]

De: David Afonso - "Ecologia Urbana" 

1. No passado Domingo o jornal Público abordou o tema dos combustíveis alternativos. O Porto neste aspecto, através dos STCP, ocupa um lugar de destaque a nível nacional e até europeu. Cerca de um terço da frota de autocarros (175) faz uso do gás natural e, pelos vistos, outros 50 estarão a caminho. Como se não fosse suficiente, na Linha 20 circulam a título experimental e integrados no programa CUTE (Clean Urban Transport for Europe), 3 autocarros movidos a hidrogénio. Este programa, que integra cidades como Londres, Madrid, Hamburgo e outras, aproxima-se do fim da sua primeira fase e, segundo Rocha Teixeira dos STCP, o Porto não avançará para a segunda fase. Desconheço em que consistiria esta segunda fase e quais serão (em pormenor) as razões da STCP para deixarem a meio um projecto tão interessante. Acredito que esta decisão tenha sido ponderada e reflectida, mas, por feitio, tenho alguma dificuldade em aceitar que as coisas fiquem pela metade. Pergunto-me se, após um investimento de dois milhões de euros, será boa política deixar o jogo a meio...

2. No mesmo jornal faz-se ainda referência ao caso da Câmara Municipal de Almada, o qual poderia servir de inspiração para a nossa própria Câmara: 1) possui uma Agência Municipal de Energia; 2) bem como uma Estratégia Local para as Alterações Climáticas; 3) elaborou um estudo para renovação de toda a frota municipal (desde dos tractores até aos carros da vereação) com o objectivo de encontrar soluções menos poluentes; 4) iniciou a renovação da frota justamente pelos carros destinados aos vereadores, adquirindo modelos híbridos. Ora aí está um bom exemplo! Quando chegar a altura, a Câmara Municipal do Porto poderia se desfazer dos seus potentes, caríssimos e poluentes carros de vereação (incluindo o velhinho e poluente Mercedes de estimação do sr. Presidente) e adquirir automóveis ecológicos para dar o exemplo (de preferência de uma cor qualquer que não o preto protocolar...).

3. A propósito da estranha e incontrolável propensão para o abate de árvores que tomou conta da nossa Câmara (não, ainda não é desta que vou chorar em público a magnífica Tília que me abateram no Largo da Ramada Alta...): já repararam como a D. Manuel II, no passeio frente ao BES, se tornou num lugar inóspito para o peão sem as árvores que lá existiam e que foram abatidas aquando do "arranjo" da envolvente do buraco do túnel de Ceuta?

David Afonso
[email protected]
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Nota de TAF: sobre o ponto 1, informação adicional aqui (PDF em inglês) e aqui.

2005/07/19

De: Joaquim Carvalho - "O Chão da Avenida..." 

"... dos Aliados: Património Histórico?"

Não vou entrar na discussão sobre a Avenida dos Aliados, mas sempre digo que gosto mais do chão branco com desenhos. Mas essa de qualificar aquele chão de património histórico é que me parece um exagero dos diabos.

Afinal de contas, quantos anos tem aquela “calçada à portuguesa”? Século XVIII? Anterior? Século XIX? Meados do Século XX? Viverá ainda alguém que se lembre da sua construção (pelo menos, ali, mais perto da Câmara)?

E que dizer da distância entre a estação da Avenida e a que se diz em S. Bento mas que tem uma saída lá para os lados do Mercado de S. Sebastião? Não é um exagero o que se diz da estação da Avenida? Não era um disparate não existir uma estação junto à estação? Não seria criticável não existir uma estação bem no centro do Porto? Se esta estação não existisse o debate não seria outro? Talvez.

Apesar de tudo, sou, claramente, pela calçada calcária com desenhos e a favor das árvores, mas é por causa do branco, do ar e das sombras...

De: Pedro Simões - "Avenida dos Aliados" 

Caro TAF,

Acabei de escrever algumas generalidades sobre a Avenida dos Aliados em http://fontedasvirtudes.blogspot.com. Envio-lhe esta indicação, para o caso de considerar que acrescento alguma coisa ao debate.

Cordiais saudações,
POS

De: João Medina - "bloGaia" 

Caro TAF,

pedia que divulgasse no blog, caso ache merecedor disso:
http://castelodegaia.blogspot.com/

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João Medina

De: F. Rocha Antunes - "Aliados outra vez" 

Meus Caros,

Há um ponto, dos muitos que a questão da Avenida dos Aliados levanta, que me parece importante: A Metro do Porto tem autorização para fazer aquela obra.

Existe um organismo do Estado que tem por missão decidir se qualquer obra que se faça está ou não de acordo com a política nacional de defesa do Património. Esse organismo chama-se IPPAR e é dotado de um quadro técnico qualificado para tomar as melhores decisões sobre a protecção do Património colectivo.

E esse organismo, no uso das competências exclusivas que detêm e que tão ciosamente defende, como sabemos, APROVOU as obras que estão a decorrer na Avenida dos Aliados.

Portanto, do ponto de vista estritamente legal, a obra está autorizada por quem de Direito.

Agora, quais são os critérios que foram utilizados, que linha de defesa do património foi seguida, isso já só lendo o respectivo parecer obrigatório é que se pode saber. Eu ainda não consegui. Quem conseguir pode fazer esse serviço à comunidade que é partilhar essa informação que, no meu entendimento, devia ser pública.

Agora que foi aprovado pelos responsáveis legais que têm essa missão, foi. Ah pois é...

Francisco Rocha Antunes
Promotor imobiliário

De: F. Rocha Antunes - "Custos relevantes" 

Meus Caros,

A questão da Estação da Avenida dos Aliados é o paradigma do nosso problema colectivo e da forma como o nosso dinheiro é gasto. Já em tempos coloquei aqui a questão.

Alguém decidiu gastar o nosso dinheiro a fazer uma Estação Inútil. Não estamos a falar de uma obra particular, e mesmo essas estão sujeitas a aprovação camarária. Estamos a falar de investimento público comparticipado pela União Europeia. Só o que deve haver em relatórios técnicos deve dar para encher uma sala. Mas devem ser documentos classificados, pois ninguém tem acesso a eles.

O que é certo é que alguém achou boa ideia, alguém validou tecnicamente essa ideia e muitos outros levaram tal ideia por diante. A súbita orfandade é apenas sinal de que a opinião pública não tem qualquer relevo nas decisões deste tipo de investimentos.

Sempre que alguém fala deste projecto, gasta a metade inicial do tempo a justificar que não tem nada a ver com a decisão inicial, que apenas se limita a gerir o seu desenvolvimento da melhor maneira possível, e que os constrangimentos técnicos são condicionantes de qualquer opção. O que, não deixando de ser verdade, não chega. Não porque eu tenha subitamente aderido a uma qualquer teoria económica nova, mas porque a mais sólida teoria económica tem um conceito que raramente é utilizado na análise dos investimentos públicos que é a noção de custos relevantes.

O conceito de custos relevantes, um dos mais importantes para a análise do processo de tomada de decisão, ensina-nos que não são os custos históricos que devem determinar as opções de decisão racionais (neste caso o custo de construir a estação) mas sim os custos e proveitos futuros para a operação que resultam das várias opções possíveis. Explicando melhor, o que importa é saber quais são os custos de existência dessa estação a funcionar e a influência que essa estação vai ter na operação global: redução da velocidade comercial, desgaste desnecessário dos equipamentos, percepção de menor eficiência do sistema pelos seus utilizadores e isto no prazo adequado de análise, que nunca é pequeno (20 anos deve ser o mínimo). Se compararmos os resultados operacionais das duas opções, manter a estação ou fechá-la, pode ser que se demonstre, economicamente, que é melhor não a abrir.

Pode parecer estranho, mas quem sabe o mínimo de teoria económica sabe que tudo o que seja reduzir operações que acrescentem margens negativas a qualquer processo económico é boa ideia se isso não puser em risco os benefícios essenciais que esse processo deve produzir. Ora, é aqui que me parece claro que ninguém morria se a Estação da Avenida dos Aliados não existisse. Pode-se apanhar o Metro nas Estações da Trindade ou na de S. Bento. Portanto, racionalmente, a solução pode muito bem ser não abrir a Estação.

Claro que isso levanta um outro problema, que é justificar à população porque é que não se abre. Mas abrir a Estação apenas disfarça, bem é certo, uma má decisão inicial. Não a justifica.

Francisco Rocha Antunes
Promotor imobiliário

De: Paulo Espinha - "Mercado do Bolhão" 

É verdadeiramente extraordinário que se acusem os proprietários de prédios degradados dos centros das cidades de negligência, etc..., perante estas notícias sobre o Bolhão.
Claro está que, urbanoide que sou, me era muito mais agradável ver o Bolhão transformado num Covent Garden. Mas esta não é forma de arrumar com as peixeiras, floristas, etc...
Isto não é uma crítica à actual Câmara. O problema é da Câmara Municipal do Porto.
Agora, que a actual Câmara pode começar a usar a SRU na sua própria casa, parece-me já irreversível!!!

Paulo Espinha

De: TAF - "A estação dos Aliados" 

Depois de ter lido este post do Gabriel no Blasfémias, resolvi escrever isto.
  1. Se a estação de Metro dos Aliados é completamente redundante, já que existem as de S. Bento e da Trindade muito próximo
  2. Se o seu funcionamento é prejudicial ao próprio serviço aos utentes, pois diminui escusadamente a rapidez da linha
  3. Se a operação e manutenção de uma estação de Metro representa um custo adicional para a empresa
Então desista-se de ter uma estação de Metro nos Aliados.

Vede-se lá em baixo o acesso ao túnel propriamente dito e lance-se em alternativa um concurso de ideias para aproveitar o espaço subterrâneo entretanto criado.

De: Cristina Santos - "A cidade do futuro" 

A Cidade está a passar por um período de quebra, perde habitantes diariamente e os investimentos agora feitos só se revelarão conciliadores nos próximos anos.

Contudo, é inegável que as forças estão a puxar pelo Porto, estão a desenhar-se investimentos e projectos que farão retomar à Cidade o alento necessário ao seu arranque.

Esta fase crítica será recompensada com a estabilidade, que resulta dos protocolos com a ciência, o desenvolvimento e até com a nossa vizinha Galiza.
Estamos a desenhar estradas e praças, umas bem outras mal, mas estamos a investir, a dinamizar, a acessoriar a cidade de meios de transporte e aproximação às cidades nortenhas mais pequenas.

Temos a Casa da Música, temos o Fantas, temos a Praça da Ribeira, cada vez mais na moda, temos inúmeros investimentos que começarão a dar frutos num prazo de 3/5 anos.

O metro, as periferias, o arranjo das ruas e uma macro estrutura que permita conservar todos estes investimentos farão do nosso Porto a Cidade meritória.
Os pavilhões desportivos para os mais jovens, as actividades gratuitas nos bairros sociais, a beneficiação da zona de Ramalde, os protocolos com a geotecnica, faculdades e a luta pelo centro materno-infantil. A zona ribeirinha e a consolidação da beira marítima, a SRU e a reabilitação importantíssima da Rua da Alegria e Fernão Magalhães.
Tudo investimentos sustentáveis, de definição de competências e obrigações .

O futuro começa por aí, em saber alicerçar e conservar o básico.
Podíamos fazer melhor, ou até podíamos não fazer nada – mas o risco da aposta nos bens essenciais é sempre insignificante face à necessidade.
Estamos a desenhar aquilo que há-de ser a nova cidade, as novas gentes, não estamos a recuar, estamos diversificar e a desenvolver.

Até a exigência do povo já atingiu um patamar de excelência, o respeito pela identidade da comunidade civil trará precauções, que sintonizarão os interesses conjuntos.

Os projectos e as guias estão iniciados, vale a pena aguentar a crise, quem souber manter os seus negócios e habitação no Porto em breve será recompensado com o desenvolvimento e a adjacência ao prestígio.

A cidade esta numa fase de reconstrução, de mudança, no fim das obras vamos ter uma cidade nova para contemplar, com erros de projecto, com defeitos nos acabamentos, mas uma cidade nova, onde começaremos um novo estilo de vida.

Cristina Santos

De: TAF - "Notícias nos jornais" 

- Viagens fora de horas
- Um passeio ao Carmo
- Mercado do Bolhão: edifício em perigo iminente
- Risco de ruína obriga a evacuar metade do Mercado do Bolhão
- Oito prédios a reabilitar no quarteirão Mouzinho/Flores

- Exponor vai mudar para a Feira dentro de dois anos
- Câmara de Santa Maria da Feira anuncia Exponor no concelho
- Mais portuenses de autocarro
- Habitantes da cidade satisfeitos com qualidade de vida - Só vejo duas explicações para isto: os portuenses confundem "gostar do Porto" com "ter qualidade de vida" e, além disso, viajam pouco... Não é que o Porto esteja especialmente mau, mas o resultado parece-me demasiado lisonjeiro para a cidade.

- Entrevista a Francisco Assis no Comércio
- A Baixa do Porto em papel

De: TAF - "Os equívocos do SEDE" 

Caro Avelino Oliveira

Resolvi reunir aqui o que já escrevi nos comentários ao post "O sentido critico de TAF" no SEDE. O tema foi a apreciação que aqui tem sido feita da acção do Arq. Pulido Valente.

Eu não digo que JPV é Deus :-) mas apenas que teve durante décadas um papel que mais ninguém teve. Bastaria isso para merecer um respeito especial. Diga-se aliás que é escandaloso o nível de degradação a que os profissionais da área deixaram chegar a situação. Nem que tenha sido apenas por omissão, há uma responsabilidade colectiva inegável. Uma vergonha, devo acrescentar!

Quanto às "coisas menos boas" de JPV diria o seguinte.
Às vezes a pedagogia passa por “ser chato”, ou até um pouco violento, e confrontar as pessoas com o resultado da sua incompetência ou da sua irresponsabilidade.

Imaginemos por exemplo que há dois terrenos, lado a lado, para construção de um edifício em cada um deles.
Imaginemos que num deles se avança primeiro com a construção de um projecto que desrespeita algumas normas regulamentares mas que “passou” perante a passividade da autarquia e prejudicando os interesses do vizinho (futuro vizinho, neste caso).
Quando mais tarde se concretizar a segunda construção, no outro terreno, cumprindo escrupulosamente a Lei mas sem tomar em conta a existência do “edifício abusador” ao lado, é natural que esse edifício abusador seja agora prejudicado por uma envolvente desfavorável.
De quem é verdadeiramente a culpa? Do arquitecto que projectou o edifício mais recente, ou da Câmara e do autor do mais antigo? Quem foi o mau arquitecto?

Mais uma nota.
Quando se compra um terreno para rentabilizar com construção, o custo do tempo é enorme! O atraso na obtenção da licença é da exclusiva responsabilidade da autarquia. Por isso, é a própria autarquia que com isso faz com que haja uma densidade de construção por vezes superior à que seria desejável, pois o promotor não tem outra opção para não perder dinheiro. Quando a CMP cumprir a Lei e der respostas em prazos decentes, o mercado funcionará de forma mais saudável e transparente. E os preços descem.

Ainda mais uma nota, desta vez quanto à questão de estes comentários sobre JPV credibilizarem ou não o blog. Essa crítica não faz sentido nenhum. Aqui escreve quem quer. Eu sou o moderador e faço uma "censura prévia", mas julgo que ninguém me acusará de ter recusado comentários por causa das ideias que exprimiam. Quem quiser escrever o contrário do que anteriormente foi dito sobre JPV ou sobre outro assunto qualquer pode fazê-lo. A credibilidade d'A Baixa do Porto é essa. :-)

Ao contrário do SEDE, onde é suposto haver uma "linha editorial" nem que seja minimalista (e perfeitamente legítima, como é evidente), n'A Baixa do Porto isso não existe de todo. É um espaço totalmente aberto, por definição. Não existe uma "opinião do blog". Existem n opiniões das n pessoas que aqui quiseram escrever.

PS: Caro Carlos Gilbert, o que Rui Rio disse na apresentação do livro de JPV foi de facto aquilo que os jornais transmitiram, não me lembro de nada relevante a acrescentar.

2005/07/18

De: Carlos Gilbert - "Manuela D.L. Ramos" 

"A nova Baixa que se anuncia"

Minha nossa!! Que atrocidade, Senhores! E chamam a isto "requalificação"? Querem desta forma chamar mais gente à Baixa? Foge...

CG

De: F. Rocha Antunes - "Cidades verdes" 

Meus Caros,

Uma das grandes tendências das sociedades modernas é a da sustentabilidade ambiental.

Como todas as tendências, começou por ser uma reivindicação extremista, mas aos poucos foi-se espalhando e assume hoje um lugar central nas preocupações de toda a gente.

Uma das grandes vantagens que o Porto pode vir a oferecer é a dianteira nesta área. É antigo o gosto dos portuenses pelos jardins e pelas árvores, e se há coisa que ainda hoje impressiona os nossos visitantes é a quantidade de verde que ainda há na cidade.

Por isso, não consigo entender a insistência de alguns arquitectos, insistentemente apontados como faróis da arte de projectar de renome mundial, em não incorporarem o mínimo de preocupações ambientais nos seus projectos, especialmente de espaços públicos.

Será que estamos perante profissionais que não foram ainda capazes de incorporar as preocupações mais actuais? Será que a insistência em “granitar” e acinzentar não é a insistência em maximizar o aspecto estético em detrimento de um conjunto de outros aspectos igualmente importantes? Será que se pode ser Moderno hoje sem a preocupação da sustentabilidade?

É possível que se continuem a fazer projectos públicos sem a análise do respectivo impacto ambiental? E sem uma estimativa dos custos de manutenção e reposição dos materiais utilizados?

Francisco Rocha Antunes
Promotor imobiliário

De: Manuela DL Ramos - "Uma nova Baixa anuncia-se..." 

A propósito do post de Cristina Santos sobre as zonas pedonais veja-se o estado em que já se encontra a nova calçada em alguns sítios. Mas que granito foram os "mestres" arranjar para a repavimentação dos Aliados?
O poder de absorção desta calçada é assustador!

Mais uma razão para se gostar da calçada polida de calcário e basalto (a tal...)
A "nova Baixa que se anuncia" e que se está a revelar, é de fugir!
Eu não me conformo!

Manuela D.L.Ramos

De: Carlos Gilbert - "Andar a pé? No Porto?" 

Nem no Porto, nem em Lisboa, nem em qualquer cidade com acentuados desníveis! Há, por essa Europa fora, muitas cidades em que pelo menos no "miolo" (chame-se-lhe "City", "Innenstadt", "Centro" ou outro nome qualquer) tal é possível e é feito, mas o Porto é demasiado desnivelado para que tal seja possível. Sim, também eu calcorreei na minha juventude muitas artérias a pé (por necessidade, óbvio) e como efeito secundário agradável sei ainda hoje o nome de muitas delas, coisa que a juventude actual nem sonha... Mas andar a pé na cidade, só em curtas distâncias (ou por necessidade extrema). Curtas distâncias para mim seria no máximo da Praça da Liberdade ao Infante, o inverso para mim já é uma "longa distância"...

Não sou técnico de transportes, que é quem deve saber com precisão as medidas a tomar, mas assim por intuição parece-me que se deveria criar circuitos mais ou menos circulares dentro do "miolo" da cidade e com autocarros de menor dimensão, sendo a "Baixa" servida das diversas periferias com os autocarros actuais, os de maior porte. E, eventualmente, pelos "eléctricos", sendo que aqui me assaltam algumas dúvidas quanto ao seu efeito prático nos dias de hoje. Talvez a linha Massarelos/Parada Leitão/Leões seja um bom teste, que se pode depois alongar com outra linha a "fechar o circuito" pelos Clérigos abaixo, S. Bento e Mouzinho da Silveira até ao Infante.
Devo dizer que a ÚNICA dúvida que tenho é com respeito à velocidade média de progressão deste meio de transporte devido ao trânsito automóvel, e não ao meio de transporte em si, pelo qual sou cem por cento a favor, como todos os que me têm lido sabem.

Quanto aos transportes fluviais, também já este tema foi aflorado. Não me entra na cabeça por que motivo não se faz a travessia Ribeira/Gaia com lanchas com capacidade de umas trinta pessoas e depois se vai alargando o trajecto até Massarelos, e daí até à Foz (pilotos).
Deixei de fora neste comentário o "Metro", pois este é o transporte por excelência para os centros urbanos e para ligar os mesmos de forma rápida às periferias e vice-versa. Deixei-o de fora por ter já sido dissecado de tal forma aqui que me dispenso de repetir argumentos. Além do mais estamos aqui a falar de "trajectos a pé", ou seja, trajectos curtos e o "Metro" entra noutro tipo de conceito de mobilidade.

Cumprimentos e bom dia de trabalho.

Carlos Gilbert

PS: Para saber o que Rui Rio disse na apresentação do livro do arqtº Pulido Valente, tive de me socorrer da imprensa. Preguiça daqui dos bloguistas? Desculpem o "off-topic".

2005/07/17

De: Cristina Santos - "Pedonal ou nem por isso" 

O Cidadão pedonal sai às 9 da manhã para a via pública.
Ao fechar a porta do prédio é imediatamente agraciado com uma nuvem de fumo e um delicado som de escapes.
Leva cinco minutos até poder atravessar a passadeira em segurança e dez minutos à espera de autocarro. A cidade é pequena - o Cidadão decide ir a pé para o emprego.

Os passeios denegridos, sujos de óleos e poluições, arruinam-lhe o ímpeto matinal.
As casas abandonadas, os comerciantes e habitantes logo de manhã a esfregar os passeios e varandas com lixívia pura, que rally... chega ao emprego já cansado.

À hora de almoço o movimento aumenta, antes de almoçar o cidadão pedonal já inalou grande quantidade de fumo, atravessou placas abusivas de restaurantes e desviou-se de alguns sacos de lixo.
Almoça num dos tascos estreitos e sombrios que há nas redondezas e segue novamente para o escritório. Atravessa o jardim da praça contemplando estacionadores, prédios velhos e árvores doentes.

Ao fim do dia junta-se a uma fila que aguarda a possibilidade de contornar os veículos mal estacionados e consegue transpor a passadeira fazendo zig zag entre mercedes e smarts.

Não vê as montras porque os passeios são estreitos e as pessoas circulam apinhadas, entre placas, caixotes e afins.
Os buracos e os dejectos caninos obrigam-no a uma circulação cabisbaixa, diminutiva.
Só os passeios em basalto estão consolidados e limpos, resistem à poluição e são facilmente laváveis, mas o ar é irrespirável, as árvores estão doentes e já não tem oxigénio, o cidadão pedonal chega a casa arrasado.

Mas este foi um dia anormal para o cidadão pedonal, na verdade ele evita qualquer contacto com este panorama.

Ele já não passeia na cidade como fazia na juventude, não conhece lojas animadas, não vê flores, nem árvores, perde o folgo, esbarra-se com carros, pessoas, andaimes, buracos e pingadeiras.
Por isso diariamente limita-se ao transporte (público ou não) que o leva directamente da porta de casa à porta do emprego, não faz paragens, come no restaurante ao lado do escritório e só atravessa o jardim se tiver muita pressa.
Faz as compras num só lugar, amplo e com ar condicionado, visita esporadicamente o parque da Cidade porque é o único sitio onde encontra ar puro.
Atá ao fim de semana foge da Cidade, em busca do repouso que lhe permitirá regressar segunda feira a todo este stress, que partilha com colegas, amigos e família.

O cidadão tem esperança que o metro lhe venha facilitar a vida na cidade, infelizmente por agora o metro ainda não chega a todo o lado e a paragem mais próxima fica a 800mts do local de trabalho; por enquanto ele vai continuar a utilizar a sua viatura ou em alternativa os autocarros que andam sempre atrasados.
Isto tudo, até a empresa fechar: é que cada vez se nota mais a falta de produtividade.

Cristina Santos

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