2005/05/21

De: TAF - "Notícias ao Sábado" 

- SRU: Bolhão a concurso
- Linha ZH transportou 16 mil
- Obras em Agosto no Transparente
- Obras do metro no "S. João" avançam apesar das promessas do Governo
- Suspensão do parecer negativo do IPPAR não resolveria túnel de Ceuta
- Joaquim Branco: "Ainda há espaço para novo equipamento cultural na Baixa"

- Conferência "Cidade Pedonal"
- Os textos de Cristina Santos e Carlos Gilbert no Comércio
- Porto Vivo, SRU promove reunião sobre Masterplan, com todos os interessados

De: Mário G. Fernandes - "rua Sá da Bandeira" 

A especulação não acabou. Tal como o Rocha Antunes já aqui explicou (creio que foi ele), a especulação faz parte do jogo e não me parece que o jogo esteja a terminar. Além disso, os "técnicos e investidores" ou os "empreendedores, empreiteiros, imobiliários, arquitectos, e demais profissionais" não estão desesperados por demolir nada, provavelmente nem sequer estarão desesperados, e têm noção do valor da história. No entanto, a valoração não é feita por todos em iguais condições, desde logo porque têm formações, visões e objectivos distintos, para não falar da diferenciação existente entre profissionais da mesma área. O promotor poderá achar que "manter esses valores dá prestigio às intervenções e é alias um excelente aliado do marketing", como a Cristina Santos disse, mas para isso poderão bastar-lhe as fachadas ou, ainda, poderá procurar o "prestígio" do edificado e o alimento do "marketing" por outras vias. É que existem negócios e negócios, bem como promotores e promotores, como em tudo. Então, deve haver alguém que trace essas opções, considerando o interesse comum e o privado e esse alguém é, neste momento e nestas áreas, a SRU.

Por outro lado, gostava de relembrar que ao abordar esta questão perguntei se no caso concreto da rua de Sá da Bandeira "a preservação (a discutir de que forma, mas nunca como puro fachadismo) é encarada como uma condicionante do projecto". Mas acrescentei que se deveriam clarificar opções "neste caso como noutros", ou seja, não pretendi que se definissem regras gerais, antes propunha a casuística, o que implica admitir o "puro fachadismo", dependendo dos casos, o que não me parece que aconteça no caso presente.
Não sou arquitecto e como tal não me introduzirei nos edifícios, contudo, tentando fazer o mais difícil, como lhe chamou Rocha Antunes, diria que uma ideia para a rua de Sá da Bandeira poderia passar pela preservação dos elementos mínimos definidores da essência da morfologia do conjunto edificado que importa para "o aspecto da envolvente", como lhe chama a Cristina Santos, ou seja, as fachadas, as profundidades e as empenas de cada edifício, provavelmente o tipo de telhados. Assim, consegue-se maior flexibilidade, do que a existente, para a recomposição de tipologias internas e a afectação de funções e, podendo não ser a solução mais lucrativa, poderá continuar a ser economicamente viável e suficientemente apelativa.

Mário G. Fernandes

2005/05/20

De: Cristina Santos - "Porto Vivo e Fachadismo" 

O projecto da Porto Vivo dá-nos como exemplo na primeira intervenção a recuperação do Edifício do Café Luso através do apelidado «método fachadista», (este edifício será demolido no interior e unido a outro seu geminado, dado que essa solução garante um maior aproveitamento sem perda de imagem pública exterior, a cércea será unificada com os prédios envolventes, com vista a criar águas-furtadas habitáveis e assim garantir um melhor retorno do investimento).
O projecto já tem parecer favorável do IPPAR e das entidades competentes, está disponível na SRU para quem quiser consultar.

No entanto isto traz-nos de regresso à discussão do fachadismo, sucede que os platónicos do costume se levantam contra o método e dizem não compreender a falta de zelo em preservar os interiores.

Primeiro o método fachadista foi criticado, não por ser errado, mas sim por ser um método geral na recuperação de edifícios.
Existiam edifícios passíveis de recuperação com métodos mais económicos, uma vez que o rendimento destes estava condicionado por ocupação, mas não mereciam a atenção dos técnicos ou proprietários porque o único caminho do restauro era apenas o fachadismo.

Não confundamos uma coisa com outra, há lugar para todo o tipo de recuperação.
Estando os edifícios desocupados e tendo-se em vista a sua recuperação e reocupação, (no caso em que os acessos tem que ser reposicionados, tem que se criar casas de banho dentro dos fogos, condições de ventilação e salubridade, espaços comuns), obrigatoriamente há que demolir o interior.

Nestes casos a reconstrução ao estilo fachadista é a mais adequada.
Faz sentido reconstruir tudo em madeira novamente?! Seria o triplo do valor do investimento, para nada. Há turistas a visitarem os interiores das habitações das casas da Sé????
A demolição interior não põe em causa o aspecto da envolvente, mesmo que a cércea cresça um andar. Se está desocupado deve ser reconvertido com critérios que salvaguardem a envolvente, mas que permitam a reabilitação completa, deixemos-nos de falsos amores.

Ainda quanto à Porto Vivo e o masterplan, nos casos em que possa existir interesse patrimonial no interior (painéis, mármores, tectos, estuques), esse interesse será salvaguardado e visará a instalação de empresas interessadas em manter esses componentes, como forma de promoverem e prestigiarem os seus negócios.

Quanto a demolições gerais só são autorizadas nos casos em que os edifícios já não apresentam qualquer viabilidade de recuperação, ou o custo da sua recuperação ultrapassa os 60%.
A sua reconstrução envolve os mesmos critérios de integração na envolvente.

Obstar o Masterplan é ir contra tudo aquilo que se defendeu como viável para recuperação do edificado.

Vamos ser práticos, o fachadismo não será a regra, será só utilizado em edifícios devolutos, desabitados e que visem usos múltiplos - habitação, comércio e escritórios.

Os nossos técnicos e investidores não são assassinos do património, a época da especulação acabou, todos temos capacidade para avaliar erros anteriores e evitá-los, não vamos partir para um projecto a considerar que somos todos uns incompetentes, desesperados por demolir a história.
Todos os empreendedores, empreiteiros, imobiliários, arquitectos, e demais profissionais, têm a perfeita noção do valor da história, que mais não seja porque manter esses valores dá prestígio às intervenções e é aliás um excelente aliado do marketing.

Cristina Santos

De: F. Rocha Antunes - "Círculo quadrado II" 

Caro Mário G. Fernandes,

É mais fácil criticar o que os outros dizem do que explicar as nossas opiniões consistentemente?

Então essa explicação sobre como se pode fazer o que disse, quando referiu: “Mas é possível conciliar interesses legítimos dos privados, com soluções urbanísticas preservadoras da memória e, simultaneamente, flexíveis e económicas, sem ter que recorrer à demolição.”.

Eu, como promotor imobiliário, estou muito interessado em perceber a sua versão. Também insisto.

Francisco Rocha Antunes

De: Cristina Santos - "Deslocações pedonais" 

Dr. Rui Rio: para um fundamentado conhecimento sobre as ruas «interiores» da nossa Cidade, atrevo-me a sugerir que os nossos Edis passem a andar a pé.
A partida poderá parecer uma brincadeira de mau gosto, mas não é.

Veja-se que as deslocações a pé no interior da Cidade permitem o contacto directo com a população, com o estado de passeios, boeiros e acima de tudo permite a observação da insalubridade que se vive nas Ruas menos transitadas.

Certamente a maioria dos Edis desloca-se em Ruas onde existem negócios, comércio, instituições e nas imediações das suas casas, que em geral se situam em Ruas ditas normais.

Pelo que bastaria umas caminhadas a pé, evitando os trajectos mais conhecidos, para que todo o executivo sentisse as verdadeiras necessidades da Cidade que ultrapassam e muito as questões de gabinete.

Penso que nos inícios da democracia a politica saía dessas Ruas, resultava do contacto directo, do conhecimento social. A deslocação em viatura não permite esse contacto, no máximo permite a observação dos pavimentos e buracos das faixas de rodagem.

Pois bem, asseguro-lhe que num percurso de uns escassos 20 minutos por essas partes da Cidade garante uma maior eficiência executiva a toda a sua equipa, para além das questões de economia, ambiente, etc.
Ontem tive oportunidade de percorrer uma área destas, que se encontra fechada dentro dos quarteirões movimentados e espante-se Sua Excelência – encontrei 2 ilhas e mais dois ou três pólos de insalubridade.
É ainda possível observar as questões sociais inerentes, entretenimento das crianças, desemprego, etc, etc…

Peço-lhe que considere esta sugestão seriamente, que se possível coordene esses trajectos pedonais, com imediações de bairros, com as ruas que já indiquei, ou pelo menos delegue em alguém esta função de observação do quotidiano, como forma de sentir a Cidade, isto impulsiona a revolta e gera a solução.

Como garantia desse impulso cito-lhe o caso da Ilha em Damião de Góis, ora se esta não estivesse implantada nas traseiras da antiga residência de um edil do V. executivo, se não tivesse esse Senhor sentido os efeitos da pobreza e da salubridade de forma directa, provavelmente a Ilha da Caçoula não teria sido a primeira prioridade resolvida de forma excelente.
A observação do quotidiano desta Ilha permitiu pensar diariamente na resolução da insalubridade, não houve necessidade de luta de revolta, de exigência por parte dos moradores.
A política deve nascer daí – do contacto directo com a nossa Cidade e isso não se consegue a passear de Mercedes.

Em alternativa podemos ser nós a comunidade Civil a reportar os problemas e apontar soluções, numa politica que por aqui temos abordado.
Da minha parte remeto as fotos.






Cristina Santos

Ps. esta carta representa também um pedido de alguns dos nossos leitores assíduos, para eles o obrigado pelas dicas.

De: Carlos Gilbert - "Molhes..." 

"... e passeio na orla marítima"

Longe de mim querer aborrecer os membros deste blogue com este súbito arremesso de comentários sobre os molhes, mas quando são lançados temas de interesse vamos ficar calados? Entendo que não, desde que o interesse do tema seja evidente.

Posto este intróito, passo a comentar o "aviso" do Alexandre Burmester de que o passeio anunciado no "site" da CMP deva ser feito com alguma brevidade antes de as praias ficarem cobertas de areia (devido à construção dos referidos molhes)...

Este foi um dos aspectos que eu colocara em artigo no "Público" há uns anos já, se haveria algum estudo de impacte ambiental que incidisse sobre o previsível movimento de areias devido à construção dos novos molhes. Não sei se houve ou não esse estudo. Pessoalmente creio que não irá haver grande alteração na massa de areias no local (concretamente na Praia do Ourigo), uma vez que as areias em suspensão nas águas marinhas são desviadas para fora na zona de Leça, devido ao molhe norte da bacia de Leixões (e as que não são desviadas depositam-se na praia de Leça) e vão depositar-se lentamente nas praias de Gaia, sobretudo a sul da Madalena. Li inclusivé um estudo relativamente recente segundo o qual grande parte das areias em suspensão nas águas costeiras portuguesas se depositam no enorme fosso existente entre Peniche e as Berlengas.
Voltando às nossas praias do Porto, basta ir ao "molhe de Felgueiras" e ver que grande parte do mesmo está livre de areias, no seu lado norte, o que será motivado pelo que acima digo. Outra coisa será a parte do Cabedelo em si, a sul da foz do rio, mas isso já diz respeito a Gaia, fora do âmbito deste blogue portanto.

Já que estamos a debater assuntos relacionados com águas aqui na zona do Porto, sugiro aos membros deste blogue a leitura no JN de hoje de um extenso artigo sobre a dramática falta de qualidade das águas do rio Douro na zona situada entre o Freixo e a foz do mesmo. Como alguém há tempos já lhe chamou com azeda ironia, "o Douro é a cloaca do Porto" e o referido artigo vem infelizmente provar que tudo o que foi feito até agora (a nível de ETAR) não se reflecte em melhoria alguma das águas do nosso emblemático rio! Porque será?

Carlos Gilbert

De: TAF - "Apontadores de sexta-feira" 

- Ippar aprova Centro Camélias
- A STCP vai a ter nova sede junto ao Museu do Carro Eléctrico
- Requalificação chega a mais cinco escolas
- Câmara do Porto gasta 1,3 milhões a recuperar mais cinco escolas
- História da cidade à vista na Casa do Infante
- "Doces vidas"
- Simulacro de acidente no Douro desvenda ausência de plano especial
- Rui Sá propõe observatório regional para melhorar a qualidade ambiental das praias

- Autoridade dos Transportes já gastou quase dois milhões de euros - "o novo Governo já veio dizer que quer alterar o modelo das autoridades dos transportes de Lisboa e Porto. Assim, depois de um ano a preparar terreno e quase dois milhões de euros gastos, o trabalho da comissão instaladora deverá começar de novo do zero."

- Mau funcionamento da ETAR de Sobreiras obriga a descarregar esgoto no Douro
"A partir do Freixo até à barra, a água do Douro ultrapassa o limite máximo admissível para contacto directo (duas mil unidades de coliformes fecais por 100 mililitros de água). Segundo as amostras recolhidas na viagem que o JN acompanhou, a contaminação na Ribeira é 456 vezes superior ao máximo recomendável. Na zona da Cantareira, é 552 vezes superior. Junto à marina do Freixo, o cenário é mais dramático a concentração de coliformes fecais ultrapassava em 5360 vezes o máximo recomendável."

-
Sá rejeita culpas do chumbo da moção dos Aliados - "Sá recusa voltar a apresentar a mesma proposta, mas desafia o PS a fazê-lo." - Será que agora é a vez do PS e do PCP fazerem birra? Em breve veremos se actuam com seriedade e a proposta é mesmo apresentada na primeira oportunidade ou não. A paragem da obra teria pelo menos a vantagem de obrigar o IPPAR a dizer se "sim ou sopas". ;-)

2005/05/19

De: TAF - "O Túnel e o Futebol" 

(Apontadores actualizados em 2005/05/20, 8:09)

No site da Câmara:
Túnel de Ceuta: Rui Rio recorre para o Primeiro-Ministro

Rui Rio tem parte da razão, mas não tem toda. Como já várias vezes aqui escrevi, este é um caso que envergonha qualquer dos intervenientes. Mas agora Rui Rio parece ter perdido completamente a cabeça. Deu mais um passo em direcção ao "estilo futebolístico" (que inicialmente tanto criticava), inquestionavelmente agressivo e quezilento, queixando-se de tudo e de todos, descobrindo "cabalas" em tudo quanto é lado. Rui Rio "converteu-se ao Futebol" e passou a ser ele próprio o problema que impede a finalização da obra do Túnel.

Já é evidente que, se o Túnel terminar no Carregal, o Ippar AGORA não se opõe e acaba-se rapidamente este pesadelo. Por que é que não se vai para esta solução, mesmo que por hipótese não seja a óptima? Se não for por respeito pela cidade, ao menos que seja por vergonha!

- Na Rádio Renascença - com áudio
- No Janeiro: Acção cível a caminho
- No JN: Rio chama Sócrates ao túnel
- No Comércio: Rui Rio pede ajuda a José Sócrates para desbloquear túnel de Ceuta

De: Alexandre Burmester - "Molhes" 

Aconselho a visita ao passeio que a Câmara aconselha no seu site uma vez que dentro de uns meses, com a construção dos molhes, essa visita passará à História.

Deverão ficar estas praias cheias de areia...

Alexandre Burmester, Arqto.

De: TAF - "Novidades sobre o Túnel?" 

Li isto agora no site da Câmara:

"URGENTE
Conferência de Imprensa sobre o Túnel de Ceuta
Hoje, quinta-feira, dia 19 de Maio, pelas 18 horas, o Presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Rio, dá uma conferência de imprensa sobre o Túnel de Ceuta.
A conferência decorrerá na Sala de Imprensa da autarquia portuense."

PS: Pelo que percebi do que ouvi agora na Antena 1, o tribunal terá negado a suspensão do embargo e por isso a obra terá mesmo que parar. Rui Rio agora apela a Sócrates, ameaça colocar a Ministra da Cultura em tribunal por má-fé e abuso de poder, e diz que vai revelar novos documentos supostamente comprometedores para o IPPAR. Comentários para quê?... :-(

De: Carlos Gilbert - "Marinas no Douro (parte final)" 

Eu não gosto de deixar assuntos a meio, e já que por via das circunstâncias trouxe aqui à baila este assunto da marina, e existindo há uns anos já um projecto do Sport Clube do Porto para um equipamento destes junto à Alfândega, gostaria de explicar porque motivo entendo que se deveria optar por outra solução, agora que vamos ter a barra protegida pelos famosos molhes.

1. A zona da Alfândega tem uma majestosidade que mereceria que lá se (re)criassem condições de atracagem de navios da sua época, ou seja, os "tall ships". Para quem não está familiarizado com este termo, direi que são barcos à vela de médio a grande porte, grande parte deles restaurados de forma exemplar e que estiveram ao serviço entre o fim do séc. XIX e meados do séc. XX (como nós temos o navio-escola "Sagres" e o lugre "Creoula" mais a nau "D. Fernando e Glória", esta atracada na marina do "Parque Expo"). Fazer-se ali um pontão para navios destes poderem regularmente visitar a nossa cidade seria o ideal e enquadrar-se-ia de forma perfeita na zona. Infelizmente as famosas "Cutty Sark Tall Ship Races" já terminaram - e foi integradas numa destas que há uns anos umas dezenas de embarcações demandaram o Porto, dando à zona ribeirinha um colorido único! Mas, todos os anos há por essa Europa fora eventos englobando embarcações à vela do tipo clássico, portanto porque não chamá-los com regularidade à nossa cidade? Se por um lado se vai recriar o ambiente no "Circuito da Boavista" dos anos 50 e 60 (o que em si acho óptima ideia, a forma de o "vender à cidade" é que já será outra coisa...), porque não recriar na zona ribeirinha o buliço das embarcações clássicas? Por motivos de orgulho citadino, por motivos desportivos e também pela devida componente turística, quer dizer, económica.

2. Para embarcações do tipo iate moderno é que entendo o local menos apropriado do ponto de vista do enquadramento estético, daí ter nascido a minha sugestão de transpor essa marina para os locais que foco noutro local. Se soubermos criar condições economicamente vantajosas para atracagem de longa duração, tenho a certeza que muitos proprietários estrangeiros de iates escolheriam a nossa cidade como ancoradouro permanente ou pelo menos semi-permanente, pois no sul de Espanha os preços são proibitivos e no norte deste país os ancoradouros estão esgotados em todas as marinas (Baiona, Vigo, S. Xenxo, etc.). O que daria boas hipóteses a uma marina no Porto. Leixões, como vimos com o incêndio das condutas da Petrogal, não oferece condições de segurança, além do mais o espaço lá é exíguo, e os molhes do Douro agora vêm dar à (outrora) tão temível barra uma segurança que nunca teve.

Há-que aproveitar é as oportunidades e estas não se esgotam nos passeios rio acima e abaixo...

Carlos Gilbert

De: Carlos Gilbert - "A envolvente dos molhes..." 

"... e a marina no rio"

Caro Luiz,

Grande honra me dás em ter sido por um assunto por mim apresentado que te inicias nestas lides bloguistas... Humor à parte, assalta-me uma ideia: lembro-me de ter visto na Comunicação Social uma espécie de planta sobre os molhes que agora estão em construção e uma descrição dos mesmos, mas não me recordo que tenham referido com pormenor a tal "envolvente paisagística". Haverá alguma forma de colocar aqui um esboço da mesma? Devo referir que - embora convidado - não pude ir na altura do primeiro projecto a uma reunião do qual saiu o famoso "documento dos notáveis". Emiti a minha opinião sobre o assunto por mais de uma vez noutro sítio (no "Público - Local Porto", a última a 15/08/1999) e ao reler esta última vejo que se mantém mais que actual (infelizmente é demasiado longa para ser facilmente transcrita aqui).

Espero que desta vez os molhes se enquadrem mais na zona (ainda espero que não ultrapassem a cota do pequeno molhe que existe há muito mesmo ao lado do "molhe de Felgueiras" que - para quem o não sabe - é o que tem o farol na sua ponta) mas se - como escrevi no artigo acima referido - as autoridades nacionais não autorizaram o prolongamento do "molhe de Felgueiras" por este ser património protegido (o que em meu entendimento teria sido a opção esteticamente mais vantajosa e tecnicamente ideal por evitar a construção de um outro molhe, paralelo) a ver vamos se este molhe "protegido pelo seu valor patrimonial" não vai ser seriamente afectado na sua inserção local pela construção do esporão com 300 metros mesmo ao lado...

Mas, Luiz, quando num outro texto meu referi o teu nome foi mais para saber a tua opinião sobre a minha sugestão de um marina na zona da Cantareira (ou no Ouro), como temos vindo a debater hoje aqui, não só como arquitecto, mas também como velejador de longa data. O rio teria imenso a ganhar com o buliço das embarcações (à vela e a motor também) e de minha parte não me canso de chamar este assunto à ribalta!

Grande abraço,
Carlos

De: Miguel Barbot - "Marinas (cont)" 

Carlos,

A comparação que fiz foi apenas entre as condições de Leixões e de outra qualquer marina no Douro. Creio que qualquer localização no Rio traria exactamente os mesmos problemas do ponto de vista náutico. A diferença poderia residir apenas na vocação turística de cada lugar.

Na minha experiência (muito anterior à marina de Leixões), as condições náuticas oferecidas em Leça são bastante boas, principalmente para as fases de aprendizagem, pois toda a Bacia do Porto de Leixões oferece uma excelente alternativa nos dias de maior vento e ondulação que impedem as pequenas embarcações de "sair" para o mar, já para não falar na quase ausência de correntes.

Creio que, Leixões continuará a ser a referência ao nível da vela ligeira e decompetição, dado que existem outros clubes instalados para além do Sport.

Relativamente ao Douro, a construção da Marina é fundamental e a sua localização deve ser reflexo mais da análise do potencial turístico e económico do equipamento em detrimento do seu potencial desportivo. Ou seja, querendo atrair a vela de cruzeiro (turismo) para o equipamento náutico e frequentadores para a zona de restauração (turismo e locais), qual das hipóteses é a mais adequada?

E por fim, qual das hipóteses de localização no Douro iria valorizar mais a Cidade? Qual o impacto do equipamento no esforço de revitalização do Centro Histórico?

Nota: Relativamente à Baía de S. Paio, creio que já são feitas algumas regatas. Pelo menos, há dois anos andaram por lá alguns "tornados" ou outra categoria de catamaran.

De: Cristina Santos - "O encontro" 

O Pedro Aroso vem levantar a questão da escolha face às circunstâncias.
Não me agradam votos de protesto, dado que eles resultam da falta de opções viáveis.

Contudo esta oportunidade de encontro e debate é primordial para quem se interessa pela Cidade. Quem ama a Cidade não tem partido, tem nacionalidade; quem gosta do Porto não vota por descargo de consciência, vota pelo futuro.

Espero deste encontro que as solicitações expostas não resultem em novidade para Francisco Assis, espero que se vislumbre a sua tendência e as perspectivas quanto ao seu programa eleitoral.

Mais do que falar pretendo ouvir, não me serve um discurso facilitista ou consentido, mau seria que Francisco Assis esperasse estes dois meses para se preparar para governar o Porto.
Deve juntar a sua experiência resolutiva e orientação politica para traçar uma estratégia, numa situação ideal devia ter pensado e lutado por ela durante anos, no mínimo devia fazer parte da Assembleia, mas em último reduto o PS Porto pode ter feito um bom trabalho de casa e elegido Assis com representante desse esforço...

Lá estarei na esperança de ouvir novas medidas, novos caminhos, que se adequem à realidade da Cidade.
De outra forma, Francisco Assis terá aqui uma corrente de críticas, que não deixarão passar em branco o convencimento demagogo de alguém considerar que consegue sem esforço ou conhecimento gerir a nossa Cidade.

Cristina Santos

De: L. Botelho Dias - "Marinas do Douro" 

Caro Carlos Gilbert

Embora siga atentamente as notícias publicadas neste blog, é a primeira vez que participo.

Em resposta à tua questão eu, que também estive na famosa reunião com o Pedro e o Rui, fiquei com a ideia de que o trabalho do Carlos Prata explora de forma bastante abrangente todas as potencialidades decorrentes da construção do novo molhe. Por outro lado estou em crer que o impacte visual, em vez de perturbar a paisagem, vai contribuir para a sua valorização.

Um abraço do
Luiz Botelho Dias

De: TAF - "Camélias" 

Segundo o Público de hoje o IPPAR deu finalmente o ok ao Centro das Camélias (ver notícia no Comércio de 31 de Março)

De: Pedro Aroso - "Debate com Francisco Assis" 

Caro Tiago

Este debate com o candidato Francisco Assis parece-me prematuro...

Durante os primeiros dias da campanha eleitoral para as autárquicas de 1989, ficou claro que o Dr. Fernando Gomes conhecia muito mal o concelho do Porto. Tratando-se de um político hábil e inteligente, rapidamente apreendeu as questões, acabando mesmo por incluir no seu discurso propostas de outros candidatos, como foi o caso do Metro de Superfície. Esta estratégia, aliada à sua simpatia e capacidade comunicativa, permitiram-lhe inverter o sentido do voto, que inicialmente dava a vitória ao PSD. Ainda bem que isso aconteceu. Considero que o Fernando e a sua equipa criaram um brain storming na cidade, galvanizando todos os sectores da sociedade civil. Seguiu-se um período de grande dinamismo económico e cultural. Guardo dessa época e do tempo em que integrei a vereação as melhores recordações e uma amizade que ainda hoje perdura. Infelizmente, o último mandato ficou marcado por uma grande desmotivação, que culminou com a sua ida para o Governo. O "sucessor", de quem também sou amigo e com quem mantive sempre um bom relacionamento, não foi capaz de recarregar as baterias, envolvendo-se em questiúnculas com toda a gente, inclusive dentro do próprio partido, com inegáveis prejuízos para a cidade. A eleição de Rui Rio, que eu apoiei apenas por convicção, acabou por ser um cartão vermelho ao Fernando Gomes. Receio que a história volte a repetir-se... Não sinto que o Dr. Francisco Assis tenha qualquer afinidade com o Porto, ou um projecto de futuro de vida nesta cidade, mas muita gente irá puxar do cartão vermelho, votando nele.

Em resumo e voltando à minha questão inicial, penso que lhe devíamos dar mais tempo para conhecer a realidade. Não me apetece nada participar num debate em que as respostas irão, inevitavelmente, apoiar-se em questões de princípio.

Pedro Aroso
PS: Independentemente daquilo que escrevi, tenho o Dr. Francisco Assis na conta de um homem sério, sendo mesmo um dos poucos políticos do Partido Socialista que eu admiro.
--
Nota de TAF: Caro Pedro, o encontro (mais do que "debate") foi proposto pelo PS. Vejo-o como um meio de o candidato ouvir o que a cidade tem para dizer, precisamente para lhe permitir construir o seu programa da forma mais adequada. É mais importante um encontro nesta fase preliminar do que mais tarde, em que Francisco Assis iria ter que defender um programa eventualmente menos válido por não ter auscultado os munícipes em devido tempo.

De: Rui Cunha - "O telemóvel do vereador" 

Concordo inteiramente com o comentário de Carlos Gilbert.
Porém gostaria de perguntar:
1)Porque chega o pessoal do PS 25 min. atrasado a uma reunião marcada para as 10h.? Não será um desrespeito para os seus colegas e votantes?
2)Em assunto tão importante, porque não foi chamado de imediato pelos seus colegas de partido?

Só gostava de entender...

Cumprimentos
Rui Cunha

De: Carlos Gilbert - "Marinas no Douro (cont.)" 

Miguel,

Também fiz vela e windsurf que chegue em Leixões e em frente a Matosinhos para saber das condições que os praticantes destes desportos náuticos lá têm. Quando me referi à ausência de condições no meu primeiro texto, foi no aspecto da logística e não no seu sentido náutico propriamente dito.

Agora que vamos ter os referidos molhes na foz do Douro iremos ter condições que eu compararia talvez à Figueira da Foz, mais ou menos. Também já lá participei numa regata e sei que o único problema (para velejadores) é a vazante, devido à corrente. É pena a "baía de S. Paio" (que é a parte a montante do Cabedelo) não ser desassoreada, dava uma boa enseada para a prática de desportos náuticos, mas com os molhes construídos - e sobretudo com a protecção do enorme molhe norte - julgo que os iates pelo menos irão poder sair para o mar com bastante facilidade. Se irão poder entrar no Douro em plena vazante, isso já é um aspecto técnico que me escapa...

Mas, já que estamos no assunto: a corrente da vazante não se coloca igualmente para os praticantes da vela se um dia se fizer a dita marina junto à Alfândega?

Um abraço,

Carlos Gilbert

PS: Quanto ao efeito colateral na restauração (e na hotelaria, eventualmente) da marina junto à Alfândega, consigo imaginar facilmente o que de atractivo teria para os iatistas estrangeiros ancorarem numa futura marina junto à Cantareira e irem para a zona da Ribeira (e de volta à Cantareira) de eléctrico antigo!...

De: Carlos Gilbert - "O telemóvel do vereador..." 

Eu confesso que ainda estou de cabelos em pé... é assim que funciona a política entre nós??...

O que vem hoje em entrevista com J.L. Catarino no «Público» é o seguinte:
  1. O PS tinha concordado com a CDU que esta apresentasse uma moção no período de "antes da ordem do dia" com vista a promover a paragem das obras de "requalificação" na Avenida dos Aliados até que o IPPAR se pronunciasse. Juntos, teriam a maioria dos votos (sete contra seis do conjunto PSD/CDS-PP) se todos os vereadores estivessem presentes.
  2. Como o pessoal do PS chegou vinte e cinco minutos atrasado à sessão daquele dia (que se iniciou às 10.00h), não se aperceberam que o dito "período de antes da ordem do dia" fora passado para "depois" da reunião (presumo que a pedido da CDU).
  3. Quando a reunião normal terminou, alega José Luis Catarino na entrevista, ouviu um ou dois veradores a falarem, mas foi quando recebeu o dito toque do seu telemóvel e, tendo a reunião já terminado, saiu da sala para atender o mesmo e foi à sua vida. Porquê? Porque alegadamente ninguém o informou de que ia haver ainda a tal sessão de "antes da ordem do dia" e muito menos o PS fora informado pela CDU de que ia ser nessa altura apresentada a referida moção contra as obras.
Meu Deus, que trapalhada, Senhores... Se é assim que "a coisa" funciona, já compreendo muito do que de mal se passa neste país, desculpe-me o desabafo, Senhor Vereador!

Cumprimentos,
Carlos Gilbert

De: Miguel Barbot - "Marinas II" 

Carlos,

Concordo com a sua opinião. De facto, o Ouro/Cantareira, uma vez garantida a segurança, seriam locais de excepção para a instalação de um equipamento deste género. Na minha opinião, a Cantareira seria mesmo a localização ideal, visto o espaço disponível ser maior e estar mais próximo dos potenciais utilizadores (locais), praticantes do desporto.

A Alfândega tem maior potencial turístico e a vantagem de ser uma boa âncora de animação de toda aquela zona, tanto pelos utilizadores esporádicos (viajantes e turistas) como pelas valências de restauração.

Como ex-praticante de vela no Sport, creio que a nova marina servirá principalmente o turismo pois não me acredito que, mesmo após a construção dos molhes, a barra do Douro venha a ter as mesmas condições para a vela ligeira como tem Leixões.

Embora seja o defensor da construção de uma Marina, com respectivo impacto ambiental acautelado, esteticamente a solução da Alfândega não me atrai muito, mais pelo aglomerado de bares e restaurantes do que pela Marina propriamente dita, mas também compreendo que seja fundamental para garantir a viabilidade económica do projecto.


Desenho representativo do Projecto para a Marina da Alfândega, retirado do artigo na Porto Sempre de Abril (página 41)

Miguel Barbot

De: TAF - O telemóvel do vereador 

Recebi agora um telefonema de José Luis Catarino, a propósito do episódio do telemóvel, que não tinha ainda lido os textos aqui n'A Baixa do Porto, mas apenas aquilo que aparece hoje impresso no Comércio.

Eu, pelo meu lado, ainda não tive oportunidade de comprar o jornal e por isso só daqui a pouco vou ver o tratamento gráfico que o Comércio fez e que terá desagradado a José Luís Catarino.

Naturalmente, convidei o visado a escrever um texto aqui no blog. :-)
O convite foi aceite, mas apenas na segunda-feira José Luís Catarino me poderá entregá-lo para publicação. Por isso, aqui fica um pequeno resumo da versão dele que me foi contada por telefone (espero ser fiel no relato).
  1. A moção em causa foi debatida numa altura pouco habitual da sessão.
  2. Não se sabia sequer que ela ia ser discutida.
  3. Rui Sá, ao contrário do que seria habitual, não avisou com antecedência do agendamento desse tema.
  4. José Luís Catarino não se ausentou temporariamente da sessão, mas sim definitivamente, quando recebeu uma chamada pessoal que terá exigido uma acção imediata da sua parte.
  5. Verificando-se que ia decorrer uma votação, nenhum dos seus colegas o contactou por telemóvel a pedir para voltar à sala nem, tanto quanto ele saiba, se adiou uns minutos a votação para entretanto tentar conseguir a sua presença.
Segunda-feira conto então com um texto de José Luís Catarino e, espero, futuramente com outros textos sobre temas mais construtivos. ;-)

De: Cristina Santos - "Porto Vivo..." 

"... em em linguagem para empreiteiro"

A apresentação do projecto da Porto Vivo para empresários e empreiteiros, teve lugar na Aiccopn no passado dia 17.
Esta apresentação visou esclarecer as intenções desta entidade e o papel que cabe a cada um de nós da recuperação da Cidade.

As metas:
O caminho:
Ou seja há aqui espaço para todo o tipo de restauro e conservação, os devolutos ou semi devolutos serão restaurados com projectos «fachadistas» completamente renovadores, nos edifícios ocupadas serão restabelecidas as condições de habitabilidade e de conservação, Telhados, Caixilharias, redes de água e electricidade, saneamento, casa de banho e logradouros. Neste último caso poderemos continuar a usar os métodos que muitos consideram arcaicos e que por exemplo são usados no maiores edifício de Milão , como por exemplo a Cofragem perdida, para os nosso técnicos portugueses enfim – isso é antiguidade, em Milão é uma alternativa certificada, aqui restauro é mesmo betão, por isso demora anos ...(sem mais comentários).

A Porto Vivo terá o papel de:
No caso Carlos Alberto:
O mais importante será apostar na competitividade pela qualidade apelativa – do segmento da qualidade – para o prestígio da cidade - Vamos Porto, vamos conseguir.

Cristina Santos

De: Carlos Gilbert - "Debate com Francisco Assis" 

Parabéns pelo reconhecimento (do nosso blogue) que tal convite implica! Sugiro é a todos que lá queiram ir e intervir de forma activa que pensem bem no que vão dizer e como o fazer da forma mais sucinta possível. É que algumas das intervenções que ouvimos na já famosa "Tertulia do Guarany" não primaram pela fluidez (eu próprio me vi em palpos de aranha ao interpelar os responsáveis presentes de forma fluida e interessante para todos...). E, outra coisa, para evitar interpelações múltiplas sobre o(s) mesmo(s) tema(s), vai haver uma espécie de inscrição prévia para apresentar ideias, Tiago, ou é no mais puro "estilo de café"? Já agora: como se vai saber quem é daqui deste espaço e quem não? Não é que me queira arvorar em "elitista", mas se o convite foi feito especificamente para os membros deste blogue, será de aceitar a eventual imiscuição de elementos externos que porventura queiram "vir à boleia"? Espero não ser mal interpretado neste assunto...

Carlos Gilbert

PS: Estou para ver se o Dr. Rui Rio vai fazer o mesmo...
--
Nota de TAF: Não discuti ainda os detalhes do evento com Francisco Assis, mas eu proporia um modelo semelhante ao daqui do blog, em que a participação é livre mas sujeita a um moderador ditatorial ;-)

De: Carlos Gilbert - "Marinas no Douro" 

Caro Miguel,

Eu sugeri a(s) marina(s) na parte baixa do Douro no meu texto anterior como alternativa à projectada para a zona da Alfândega (se bem que o não tenha afirmado de forma explícita). Não importa aqui tanto se eu gosto ou não da ideia proposta para aquele local, entendo é que do ponto-de-vista técnico (e estético) uma marina se enquadraria melhor numa das zonas que referi: Cantareira, Ouro e/ou Afurada. Junto à Ribeira, atrevo-me a dizer que o único local onde ficava razoavelmente bem uma pequena marina é junto à Ribeira de Gaia, onde um estrutura dessas já esteve montada aquando da vinda dos "tall ships" ao Porto. Junto à Alfândega acho que uma estrutura dessas iria não ficar esteticamente enquadrada com a majestosidade do local e - até prova em contrário - julgo que haverá locais onde ficaria melhor enquadrada.

Como se trata também de assunto envolvendo a Baixa do Porto, vamos dar eventualmente continuidade a este debate?

Abraço,

Carlos Gilbert

De: TAF - "Apontadores do dia" 

- Obras em cinco escolas
- Nova rede da STCP - Verba proveniente do Estado continua a ser insuficiente
- Estrutura nacional para a reabilitação urbana
- Maior navio turístico do Douro já está em Gaia e é inaugurado amanhã
- Governo quer novo modelo para a Autoridade dos Transportes
- CMIN - rectificação

- Museu de Zoologia da Faculdade de Ciências do Porto reabre ao público
- Casa do Infante abre aos visitantes um novo e singular núcleo museológico
- Corta! Festival Curtas Metragens do Porto arranca hoje na Almeida Garrett
- "Dia em cheio" no Museu Soares dos Reis - "Faço um balanço bastante positivo pois não fizemos uma divulgação do que se ia passar, porque até temos vergonha que as pessoas cá venham tendo em conta o aspecto exterior ao museu." - Também não é preciso exagerar!

- Debate sobre desertificação da Invicta aponta ‘criatividade’ como solução - "Sem grandes concretizações, a criatividade foi o recurso mais apontado como forma de reinventar a cidade." - Ai é? Aqui vão então mais algumas sugestões do mesmo estilo: "A solução para a Baixa é revitalizá-la.", "O segredo é colocar a economia a funcionar bem.", "Deve-se apostar em boas ideias.", "Fundamental é aumentar a produtividade.", "O importante é conquistar investidores.", "O caminho passa por resolver os problemas sociais.", "Motivem-se as pessoas e a cidade renasce."
- Estratégias para um Porto mais criativo e cultural em debate - Acabo de ler este outro texto, depois de ter escrito o comentário acima. Não há dúvidas: "O Porto deve definir estratégias de inovação e criatividade a nível metropolitano, trazer jovens para o centro da cidade e apostar na formação cultural" - Debate muito útil, muito útil...

- "Andar às vozes" - Ouça-se.
- "A Baixa do Porto" no Comércio

De: Mário G. Fernandes - "Casa Forte com palmeiras" 

Como referiu David Afonso, as soluções urbanísticas preservadoras da memória "são uma imposição em nome do interesse comum, hierarquicamente superior". Além disso, como refere Rocha Antunes, o mercado vai depurando, certamente, mas o seu funcionamento, por si só, não garante o bem comum.

Passando aos casos concretos: as palmeiras e o quarteirão da Casa Forte.
Quanto às primeiras, pelo resultado se percebe que foram cometidos erros e é verdade que as plantas por vezes morrem, mesmo quando os homens não querem.
Em relação ao edificado da rua Sá da Bandeira, em concreto, e repetindo-me, gostava de saber se a SRU e os promotores imobiliários consideram que a sua preservação (a discutir de que forma, mas nunca como puro fachadismo) é encarada como uma condicionante do projecto. Este é um dos aspectos que interessa clarificar, neste caso como noutros. Tenho um palpite sobre as considerações dos promotores imobiliários deste caso concreto e imagino os considerandos e a indecisão (?) da SRU. Aqui não se trata de uma questão de regras, é mais de opções, é que os edifícios só morrem quando os homens assim entendem.

Mário G. Fernandes

2005/05/18

De: António Moreira - "Pode ser no Vau?" 

"Este encontro com Francisco Assis está previsto para Domingo, dia 29, pelas 18:30, em local a combinar."

Sugiro a Praia do Vau, talvez em casa de alguém conhecido do PS, já que é onde estarei entre o dia 27 deste mês e o dia 9 de Junho.

Não podendo ser, peço ao Tiago e aos outros presentes que deixem a recomendação de que se continuem a ouvir os portuenses (não só os bloguistas e outros ilustres :) ) depois de Outubro, no caso de (eu também espero*) vir a ser eleito Presidente da Câmara.

É pena faltar, mas vou estar na companhia das três mulheres da minha vida :-)
Fica para outra vez.

Cumprimentos
António Moreira

* Mas nada de confusões com o senhor do BE :)

De: TAF - "Francisco Assis conversa com o blog" 

Fui recentemente contactado pelo Partido Socialista propondo-me um encontro entre os participantes d'A Baixa do Porto e Francisco Assis, no âmbito da auscultação à cidade que o candidato a Presidente da Câmara está a realizar.

Sendo este um espaço de abertura e debate, parece-me do maior interesse discutir a cidade com os políticos que nela intervêm. Assim, do mesmo modo que vários de nós se reuniram anteriormente com o vereador do Urbanismo a convite deste, certamente não errei ao aceitar em nome dos "bloguistas" a sugestão do PS. Do mesmo modo aceitarei eventuais propostas semelhantes com origem noutros candidatos.

Este encontro com Francisco Assis está previsto para Domingo, dia 29, pelas 18:30, em local a combinar.

Nunca é demais sublinhar que A Baixa do Porto é apenas uma "praça pública virtual" que dá voz a quem nela quiser pronunciar-se sobre o Porto. É frequentada por pessoas com pensamentos distintos, posições divergentes, atitudes diversas. Por isso é que é um bom local de reflexão. :-)

De: Miguel Barbot - "Marinas" 

Carlos,

Relativamente ao seu post, onde se lê:
"uma vez que vai haver molhes, não era de se fazer a tal marina de embarcações de recreio ou na Cantareira, ali encostada aos pilotos, ou mais acima, no Ouro? Ou até duas: uma do lado do Porto, para embarcações de porte mais ligeiro, e outra na Afurada, para embarcações de maior porte?"

Relembro o projecto do Sport Clube do Porto / REFER para a Alfândega, que supostamente já deveria ter começado.
Alguns apontadores:
http://jn.sapo.pt/2004/10/08/grande_porto/marina_alfandega_luz_verde_oito_anos.html
http://www.ocomerciodoporto.pt/secciones/noticia.jsp?pIdNoticia=25593&pIdSeccion=7
http://www.ocomerciodoporto.pt/secciones/noticia.jsp?pIdNoticia=25395&pIdSeccion=7
http://www.invesfer.pt/seccoes/ver_artigo.asp?id_artigo=185&seccao=Projectos&subseccao=Projectos

Miguel Barbot

De: F. Rocha Antunes - "As regras do jogo" 

Meus Caros,

O post de David Afonso coloca uma questão importante: a necessidade de todos, e naturalmente os promotores privados, cumprirem as regras do jogo, neste caso a preservação da memória. Não podia estar mais de acordo.

O problema já não é, quanto a mim, na necessidade dos promotores imobiliários perceberem isso. Os que não perceberem não conseguem fazer nada, isso o mercado já está a resolver.

O problema é que os que querem preservar também não conseguem. E parece-me importante perceber que nenhuma cidade pode prescindir de um tipo de agentes, neste caso os promotores imobiliários, sem perder com isso. É preciso que todos cumpram as regras do jogo, mas não pode deixar de preocupar que haja regras que ninguém consegue cumprir.

Não se conseguem cumprir porque foram definidas com uma lógica errada: em vez de se garantir o resultado, impede-se que se mexa seja no que for. Vou exemplificar com um caso concreto, as palmeiras dos Leões.

No caso das palmeiras da Praça dos Leões (eu sei que se chama Praça Gomes Teixeira) o promotor privado que ganhou a concessão do parque de estacionamento foi obrigado a preservar as duas palmeiras originais, embora tenha apresentado uma proposta em que se obrigava a replantar, no fim da obra, duas palmeiras com a dimensão semelhante às existentes.

Quem decidia sobre estas matérias (adivinhem…) recusou essa proposta e pôs como condição prévia à aprovação do projecto que essas palmeiras se mantivessem intactas durante a obra. E assim foi feito, Foi construído o parque mantendo-se as palmeiras, o que representou um custo adicional de 20.000 contos por palmeira, porque foi preciso fazer uma estrutura em paredes moldadas à volta de cada palmeira e manter essa estrutura durante toda a construção. Mas as palmeiras sempre estiveram lá.

Quando o parque foi concluído descobriu-se que, mesmo sem tocar nas palmeiras, elas não tinham aguentado. E então, presumo, a CMP decidiu remover as palmeiras mortas e replantar duas palmeiras que hoje estão em condições. O que podia ter sido feito desde o início foi o que acabou por ser feito. E o importante, que era que hoje estivessem lá duas palmeiras, aconteceu. Não sei de botânica o suficiente, mas eventualmente poderiam até terem sido retiradas as que lá estavam. Só que tudo foi feito com um custo muito superior ao necessário. Porque algum organismo não teve a capacidade de garantir o resultado mas apenas de impor uma norma clara, a de que não se podia tocar nas palmeiras, mesmo que sem sentido.

O problema da preservação da memória é que a abordagem é a mesma. Não há a capacidade de quem a regula de perceber que importa mais garantir o resultado do que congelar tudo, fazendo com que a maior parte das vezes se perca a oportunidade de investir qualificadamente e recuperar e revalorizar a cidade. E isso já volta a importar a todos, presumo. Deixa de ser um assunto que só interessa aos promotores privados e passa a ser outra vez um problema da cidade. Daí a minha insistência de que as regras de alguns desses organismos públicos que têm responsabilidades nestas matérias sejam clarificadas.

Francisco Rocha Antunes
Promotor imobiliário

De: Carlos Gilbert - "Os molhes do Douro (parte II)" 

Pedro,

Talvez tenha sido erro de avaliação da minha parte, ao ler o texto do Rui Moreira fiquei com a impressão de o assunto (da envolvente paisagística) estar ainda mais ou menos em aberto. Afinal deve ter estado no momento da tal reunião de que Vocês falaram, mas já não agora. Mas, repara, eu fui mais longe nas minhas sugestões, falo em algo bem mais ousado, algo que dê àquela obra um significado mais profundo, e com aspectos colaterais mais vantajosos para toda a zona.

Já que falas no Luiz Botelho Dias - a quem retribuo amistosamente os cumprimentos - pergunta-lhe qual a opinião que tem da ideia que lancei da(s) marina(s) naquela zona e da tentativa de captar "iatistas" estrangeiros de passagem pela nossa costa. Para já não falar em "obrigarmos" as entidades competentes (?) em incluir forçosamente a nossa cidade nos roteiros anuais dos "tall ships". Afinal os molhes vão servir para quê? É só para salvaguarda dos pescadores da Afurada? Ou vamos aproveitá-los de uma forma mais abrangente?

Um abraço,

Carlos Gilbert

PS: Já que estamos a falar de assuntos de índole náutica, não era de "martelarmos" mais uma vez nas ligações fluviais Foz-Massarelos-Ribeira? Não me entra na cabeça porque motivo esta ideia emperrou por parte das autoridades. Sei que é uma briga entre a CMP e a APDL, mas no fundo é mais um assunto em "banho-maria" que imensa vida iria trazer ao rio mas também à parte ribeirinha das baixas quer do Porto, quer de Gaia. Façam-nas, porra! (Com a devida vénia ao autor da célebre pichagem no muro da barragem do Alqueva...)

De: David Afonso - "Algumas notas" 

1. A propósito do post de F. R. Antunes "O Círculo Quadrado?": não me atrevo a contrariar uma opinião tão informada, mas é preciso ver que quando se fala na "conciliação de todos os interesses", esses interesses não têm todos o mesmo estatuto. Não me parece aceitável que se coloquem par a par os interesses privados com os interesses comuns. "As soluções urbanísticas preservadoras da memória" são uma imposição em nome do interesse comum, hierarquicamente superior, e não o resultado de uma mera negociação. O promotor privado quando respeita a memória da cidade não está a oferecer nada, apenas cumpre as regras do jogo.

2. A Baixa do Porto: o estado a que isto chegou tem muitos responsáveis: o estado central, a própria autarquia, os promotores imobiliários, a banca (que desalojou cafés históricos e que usufrui de uma espécie de eterno retorno financeiro com uma cidade que se constrói e desconstrói sustentada no crédito), os empresários, os shoppings e nós próprios, figurantes de êxodo de quase 30 mil almas. Apesar de tudo eu queria viver na baixa. Acerca de um ano resolvi comprar casa na baixa, de preferência uma daquelas casas oitocentistas características cá do burgo. Pois bem! Contactei uma série de mediadores imobiliários que tudo fizeram para me demover da minha originalidade. Ao telefone: «Na baixa?! [pausa para digerir a surpresa] Não, não temos nada. Acho eu.... De certeza que querem na Baixa? Olhe que tenho aqui umas coisas interessantes em... [Matosinhos, Gaia, Maia, etc..., etc...é só escolher].» Não obrigado! Alguns mais empenhados não nos largaram assim com tanta facilidade e lá tive de marcar deslocações para ver algumas casas. Invariavelmente o mediador imobiliário chega sempre atrasado, dentro do seu fardamento Maconde, amaldiçoando a cidade por não ter estacionamento. Como o mediador não conhece a cidade, torna-se obrigatória a deambulação pelas ruas da baixa até encontrarmos a ruína que pomposamente nos mostra e informa: «São apenas 50 mil contos! Olhe que é de aproveitar...». A ruína, sem telhado, entulhada de lixo e fezes, lá está. E quem diz 50 mil, diz 70 mil e até 90 mil! E depois vem o momento, o mais constrangedor, que é o momento em que o mediador procura justificar o valor, coisa que lhe é complicada de fazer porque ele próprio desconhece e despreza a baixa e tudo o que é velho: «Sabe que não são os primeiros a ver este prédio! Há pessoas que gostam muito deste tipo de casas... [sim, há excêntricos para tudo...]. Enfim, talvez possa botar parte da fachada a baixo para fazer uma garagem... talvez possa até pôr tudo a baixo e construir de raiz por detrás da fachada... Olhe, de certeza que não quer ver outras coisas?» E fui, mas primeiro despedi todos os mediadores imobiliários. A cidade está como está porque também não há quem a saiba vender.

3. A recomendação pedindo a paragem imediata das obras na Avenida dos Aliados foi chumbada porque o vereador socialista José Luís Catarino teve de atender o telemóvel. De facto, as coisas são cada vez mais claras: esta gente precisa mais de nós, do que nós deles. Senhor vereador: se for para mim diga que não estou.

David Afonso
[email protected]

De: Pedro Aroso - "Os Molhes do Douro" 

Caro Carlos Gilbert

Ao ler os últimos posts publicados na "Baixa", fico com a sensação de que vivemos num país sui generis... Com efeito, sempre que é lançado um concurso, como foi o caso dos "Molhes do Douro", a entidade promotora elabora um "Caderno de Encargos". Por norma, os concorrentes ficam sujeitos, sob pena de desclassificação, a respeitar esse "menu". A única excepção diz respeito aos "Concursos de Ideias", onde a flexibilidade é naturalmente maior. Depois de adjudicada a obra, a margem para introduzir modificações é mínima*.

Todas as sugestões por ti apresentadas para alterar a proposta elaborada pelo Carlos Prata, parecem-me extemporâneas. No entanto, uma boa parte delas foi contemplada no projecto que está a ser executado, como é o caso da "área que contenha um ajardinamento, uma área de restauração tipo snack-bar e uma área de lazer para quem queira pura e simplesmente apanhar sol. Essa área de restauração deveria ser do género café/snack-bar para ser acessível a todas as bolsas (é que restaurantes já há o da Praia do Ourigo e os dois na Cantareira) mas a um nível que permita o seu concessionário ter fundo-de-maneio suficiente para zelar pela limpeza adequada da zona".

Se tiver oportunidade de falar com o Carlos Prata, vou pedir-lhe para disponibilizar algumas das imagens virtuais que tive oportunidade de ver e que me deixaram francamente bem impressionado.

Um abraço
Pedro Aroso
PS: O Luiz Botelho Dias também te manda um abraço

* Eu sei, mas a Casa da Música foi uma excepção

De: António Moreira - "A Ética..." 

"... e o «Respeito pela Cidade»"

De acordo com o que vem referido na imprensa de hoje, foi ontem chumbada em reunião do executivo uma recomendação da CDU que "censurava o "desrespeito" do edil em relação às deliberações da Câmara e da AM que solicitavam reuniões para debater o projecto e responsabilizavam-no "por aquilo que possa vir a acontecer na Avenida na sequência de um eventual parecer negativo do IPPAR". Recomendava, ainda, que a Empresa do Metro parasse com as obras, permitindo a apreciação do projecto pelos órgãos municipais e pelo IPPAR."

Este "chumbo", pela sua peculiaridade, suscita várias considerações:

1 – A recomendação teria sido aprovada (subentende-se), caso o socialista José Luis Catarino não tivesse sido obrigado a abandonar a reunião por força de "motivos pessoais" que lhe terão sido dados a conhecer, por uma chamada para o telemóvel, no decurso da reunião.

2 – O facto de, então, se ter verificado um empate, permitiu que o Sr. Rui Rio, usando o seu voto "de qualidade", tenha "chumbado" uma recomendação que, não fosse esse facto fortuito, teria (subentende-se), sido aprovada.

Não vou aqui analisar o facto de um responsável socialista manter o seu telemóvel ligado, durante as reuniões do executivo, e acredito que os tais "motivos pessoais" fossem de tal forma urgentes que o impedissem de cumprir com as obrigações livremente assumidas perante os cidadãos que o elegeram.

Nem vou salientar o facto, evidente, de não fazer qualquer sentido estar a discutir, politicamente, a bondade deste ou daquele projecto, sem, previamente, se ter assegurado que o mesmo tinha condições para ser implementado, por via da obtenção de todas as licenças e pareceres a que a legislação obrigue e, pelo menos de acordo com o que é afirmado pelo responsável do IPPAR Porto, a lei neste caso é clara e obriga a parecer PRÉVIO e VINCULATIVO do IPPAR.
Mas interessa-me aqui, fundamentalmente, analisar os princípios éticos que norteiam a actuação dos "nossos" eleitos e, nesta caso particular, do Sr. Presidente da Câmara, assim como o exemplo claríssimo que isto representa quanto à "qualidade" da nossa "democracia".

Ao verificar-se esta situação, num executivo constituído por "pessoas de bem", seria de esperar que fossem tomadas em consideração as circunstâncias que motivaram a ausência de um dos eleitos e que, não sendo possível adiar a votação, fosse possível que o ausente delegasse os seus poderes, indicando o sentido do seu voto.

Caso, por força de regimento interno, essa delegação de poderes não fosse possível, seria então de esperar que o Sr. Presidente da Câmara, como "pessoa de bem", mas também dando um sinal de inteligência, demonstrasse ser real a tal imagem de rectidão de carácter que, durante tantos anos andou a construir, bem como os princípios éticos e o respeito pela cidade de que se quer constantemente arrogar em paladino.

O simples acto de usar o seu voto "de qualidade" para fazer aprovar a decisão que sabia (subentende-se) ser maioritária, demonstraria estarmos perante uma pessoa que, acima dos mesquinhos interesses partidários e, longe da imagem prepotente que tem vindo a granjear, colocava a decência, os princípios éticos, o respeito pelos reais valores da democracia.
Ter-lhe-ia permitido ganhar o meu respeito e (talvez) o respeito de muitos outros cidadãos atentos e decentes.
Muito acima disso, ter-lhe-ia permitido sentir, de direito, RESPEITO PRÓPRIO.
(E isso Sr. Dr. Rui Rio é algo que só quem o tem sabe o que vale)

Em vez disto, o que verificamos?
Aproveitando um constrangimento (que se supõe de forca maior) de um adversário eleito, usou o seu voto "de qualidade" para impor a sua vontade e os seus interesses, ao arrepio de todos os valores que definem a decência.

Resulta também triste, da análise destes factos, o não ter ainda o edil compreendido sequer o que tinha a ganhar ou a perder com esta actuação, no que respeita (ao menos) à sua imagem.

E não ter ainda percebido, também, a inutilidade prática destes actos dado que, se efectivamente a obra foi iniciada sem obter o tal parecer PRÉVIO e VINCULATIVO do IPPAR, então (a exemplo do prolongamento do "Túnel de Ceuta"), estamos perante uma obra ILEGAL e, nem que houvesse uma deliberação por unanimidade do executivo ou da Assembleia Municipal, a mesma passaria a ser legal.

Pois a LEI e o poder judicial servem também para isso, para proteger a sociedade das decisões ilegítimas dos seus eleitos.

Assim os cidadãos se saibam fazer respeitar, já que os eleitos demonstraram há muito não o fazer.

Nota. Estou aqui a partir do princípio que os tais "motivos pessoais" que forçaram a ausência de José Luis Catarino, eram de ordem de grandeza tal que justificassem efectivamente essa ausência.
A não ser assim, continuariam válidas as considerações acima, mas muitas mais haveria a acrescentar.

Cumprimentos
António Moreira

De: Carlos Gilbert - "Os molhes do Douro" 

Ai ainda não há planos para as envolventes do lado Norte? Então vamos lá puxar pela nossa massa cinzenta e ver o que se pode arranjar como sugestão.

Presumo que toda a parte a sul do molhe existente do lado do Porto irá ficar num plano inferior (como foi o caso até agora) e dou por boa a informação que me foi dada há tempos pelo Dr. Ricardo Fonseca (APDL) de que os molhes a construir irão ficar a uma cota pouco acima do nível médio das águas do mar. Isto significa que iremos ter uma boa parte (no início dos dois molhes norte, o existente e o novo) que se poderá aterrar e que irá ficar razoavelmente bem protegida das nortadas. O que eu sugiro é criar-se ali uma área que contenha um ajardinamento, uma área de restauração tipo snack-bar e uma área de lazer para quem queira pura- e simplesmente apanhar sol. Essa área de restauração deveria ser do género café/snack-bar para ser acessível a todas as bolsas (é que restaurantes já há o da Praia do Ourigo e os dois na Cantareira) mas a um nível que permita o seu concessionário ter fundo-de-maneio suficiente para zelar pela limpeza adequada da zona.

Que outro fim poderia ter essa zona? Piscina de marés? Acho que em toda a zona protegida pelas rochas entre o Castelo do Queijo e o Ourigo haverá locais mais adequados para tal equipamento, bem aninhado nas rochas, tal como em Leça da Palmeira. A zona da foz do rio é terreno privilegiado para os pescadores amadores, porquê dar-lhes cabo do seu hobby? Além do mais, os molhes não têm como justificação primeira a "defesa da pesca artesanal"? Então!... Voltando ao sério, faça-se ali um espaço em que a simples contemplação do rio e do jogo das marés se possa continuar a fazer como sempre foi feita na zona da Avenida D. Carlos, um pouco mais adiante, incluindo um espaço para o parquemento de automóveis, como já existe (existia, antes de montarem o estaleiro). Não se perca de vista que sempre houve centenas de cidadãos que passam horas naquele local a contemplar a Natureza, muitas vezes com a família, e dentro das suas viaturas para se abrigarem das intempéries (vento sobretudo). O automóvel neste caso deve ser visto não tanto como meio de transporte (hediondo, para alguns...) mas antes como "resguardado sofá de sala-de-estar móvel"... A ser aceite esta ideia, o que se pode fazer é compor esse tal espaço de parqueamento com arbustos, tal como na referida Av. D. Carlos o estacionamento é feito entre as palmeiras. Não sou arquitecto, mas entendo que deve ser dos exercícios mais fáceis, esse de fazer um esboço para esta área.

Dois aspectos, estes ligados à náutica.
Primeiro: uma vez que vai haver molhes, não era de se fazer a tal marina de embarcações de recreio ou na Cantareira, ali encostada aos pilotos, ou mais acima, no Ouro? Ou até duas: uma do lado do Porto, para embarcações de porte mais ligeiro, e outra na Afurada, para embarcações de maior porte? É que não nos esqueçamos dos milhares de embarcações de recreio que passam pela nossa costa todos os anos, num vai-vem constante entre o Mediterrâneo e a zona da Mancha (norte de França, sul da Inglaterra, Bélgica, Holanda, Alemanha e mesmo Escandinávia), embarcações essas que para reabastecimento e descanso das respectivas tripulações nada têm de jeito entre Viana e Cascais! Vamos desperdiçar esta oportunidade, autêntica "galinha-de-ovos-de-ouro"? Isto, para não pôr até no ar a hipótese de uns estaleiros de apoio para pequenas reparações de iates ao lado do porto de pesca da Afurada! Isso seria criar postos-de-trabalho, tornar aquela zona mais nobre e dar um impulso de monta ao comércio local! Quem sabe se alguma das empresas europeias de construção de barcos de recreio não se lembrava de aproveitar o saber dos artesãos portuenses no que diz respeito a embarcações de madeira e vinha cá montar uma delegação? Tal como os espanhóis da "Rodman" já o estão a fazer na zona de Vila Nova de Cerveira com a "Náutica Rio Minho"? Desta forma Leixões até podia ficar livre de embarcações de recreio (ambição longa de há muitos anos...) e é sabido de todos que condições para embarcações de recreio é coisa que lá não há, como ficou provado há bem pouco tempo...
Segundo: há tempos, a zona da foz do rio era terreno ideal para os surfistas. Desapareceram pouco depois, ignoro os porquês. Será que com a construção do molhe sul a praia do cabedelo irá voltar a ser boa para estes desportistas? O que está previsto fazer-se nesta zona? É que com a construção dos molhes o impacto no cabedelo das ondas vindas de noroeste (rumo dominante) vai ser atenuado de forma significativa, daí a minha ideia de voltar a atrair os surfistas para os tirar da zona conspurcada da praia da Circunvalação.

Comentem.
C. Gilbert

De: João Medina - "sugestão para limpeza da cidade" 

Este texto foi encontrado no Blog Briteiros e penso que pode ser perfeitamente enquadrável neste blog, sobretudo desde que a CMP lançou o seu programa "Porto mais limpo - cidade acolhedora".

"Para quem vive nas grandes cidades, um simples passeio à porta de casa transforma-se por vezes numa verdadeira prova de perícia para evitar pisar a sujidade causada pelos cães.
Está previsto pela legislação portuguesa que os munícipes que acompanham os animais são responsáveis pela limpeza e remoção dos dejectos nos espaços públicos. Mas, apesar de incorrerem em multa de 36 a 548 euros, muitos esquecem de usar o saquinho de plástico para recolher os resíduos caninos, logo que o cãozinho acaba de fazer as suas necessidades.

O município de Dresden, na Alemanha, encontrou a solução para apanhar os prevaricadores, através de testes de ADN. Os proprietários dos cães são obrigados a registá-los e pagar uma taxa anual. Com o novo projecto, deverão ainda fornecer uma amostra da saliva do animal, que permitirá constituir um ficheiro genético de todos os cães registados.
A operação será rentável, já que o preço da multa, que na Alemanha varia entre 180 e 600 euros, é nitidamente superior ao custo da análise de cada "presente"- cerca de 75 euros."

Este não seria um projecto de fácil execução, sobretudo numa Cidade que se auto-denomina "Cidade da Ciência"?
Até era uma forma de colocar a câmara e algumas instituições do sistema científico a trabalhar em conjunto.
É preciso é ter coragem.
Ganhavamos todos.
______________________________
João Medina

De: TAF - "Os apontadores do costume" 

- Escrevi um texto sobre a recuperação do Bairro do Aleixo no respectivo blog.

- Os museus de todo o País abrem hoje gratuitamente
- «Serralves em Festa» abre as portas ao público dias 4 e 5 de Junho
- Casa Museu Abel Salazar - Grande reabertura em Matosinhos

- Demolição no S. João de Deus
- 15 blocos demolidos, 236 realojamentos e 71 despejos no Bairro S. João de Deus
- Contas da Habitação chumbadas
- Oposição chumbou contas de 2004 da Empresa Municipal de Habitação

- Obras prosseguem nos Aliados
- Rio convoca Assembleia Municipal para debater Avenida dos Aliados
- Toque de telemóvel chumba paragem da obra nos Aliados

- Assembleia Municipal chumba legalização dos guardas-nocturnos
- Oposição chumba regulamento de arrumadores e guardas-nocturnos
- Guardas-nocturnos e outros assuntos
- Moradores de Parceria e Antunes chamados
- Projectos urbanísticos discutidos em sessão pública
- Processos chumbados por Paulo Morais devem ser discutidos em reunião
- Indemnização de 2,5 milhões é culpa do anterior executivo

- Centro Materno Infantil: Rui Rio na Assembleia da República
- Rio insiste no pagamento da dívida no processo do Materno-Infantil

- Recolha de assinaturas contra comércio dominical
- Rio Douro navegável é tema de colóquio internacional
- O presidente da AICCOPN critica a falta de força jurídica da SRU
- Nova lei do arrendamento é fundamental para captar investidores para a Baixa

2005/05/17

De: Rui Moreira - "Apagar a Memória" 

Caro Pedro Aroso,

Se tivesse mudado de opinião, justificava-se que ficasses estupefacto. Não mudei. Fui signatário do primeiro Manifesto dos Notáveis. No intuito de conhecer o novo projecto, agora em realização, organizámos no Palácio da Bolsa em 2004-01-07 e em período de discussão pública, uma reunião para apreciação da proposta, com a presença do Presidente do IPTM, do Secretário de Estado das Obras Públicas, de vereadores das Câmaras Municipais de Porto e Gaia, dos projectistas, do Arquitecto Prata, dos sábios que avaliaram o projecto, de associações ambientalistas, de muitos dos notáveis. Fiquei então convencido que o projecto, sendo um mal menor, era nefasto. Por isso, tenho escrito sobre o assunto desde então.

Jornal “Público” / 4 de Abril de 2004
O Último Adeus

Vá até à Foz do Douro, suba o Rio, atravesse devagar pela Ponte da Arrábida e percorra a marginal de Gaia até ao Cabedelo. Despeça-se das vistas, prepare a saudade. Está já adjudicada a obra dos molhes do Douro. Desta vez, não surgiu o movimento cívico que em 1997/98 conseguiu travar a construção de dois enormes molhes que canalizariam o Rio Douro, e que teriam um impacte intolerável a nível paisagístico. Defendia então o Governo, a APDL, o IND e os projectistas que essa empreitada era indispensável para proteger as margens do rio e assegurar a navegabilidade na Barra a navios de calado médio, que a Secil pretendia descarregar no seu terminal no Ouro.

Desde então, o Cabedelo recuperou a sua dimensão. Para isso, contribuíram razões naturais, com anos pluviosos e cheias como já não havia memoria, mas também é verdade que se abandonou a extracção comercial de areias que fragilizava a península de areia.

Essa protecção natural tem evitado novos estragos na Av. D. Carlos I, que ladeia o jardim do Passeio Alegre e fora danificada pelos temporais de 1990. A APDL fez obras de protecção na Cantareira, com a construção de um muro de suporte, posteriormente aterrado, o que permitiu alargar o passeio e a construção de dois restaurantes e uma zona de estacionamento em trincheira.

A Secil abandonou o Ouro, onde vai desenvolver um projecto imobiliário. Hoje, descarrega os navios de cimento num terminal dedicado no Molhe Sul de Leixões.

Em condições climatéricas normais, a barra é cruzada por navios comerciais de pequeno porte, com dimensão adequada às eclusas do Douro, e pelos pescadores da Afurada, que recorrem ao abrigo de Leixões sempre que o mau tempo os impede de regressar com segurança ao porto de pesca. A navegabilidade faz-se, sobretudo, com navios fluviais turísticos, aproveitando as potencialidades do Douro.

Tudo levaria a crer, pois, que o projecto fosse abandonado, mas os fundos comunitários têm o efeito nefasto de incentivar obras desnecessárias, por distorcerem o equilíbrio custo-benefício. Assim, o Estado lançou em 1999 um novo concurso, na modalidade “concepção/projecto e construção”, tendo uma Comissão Independente escolhido a solução vencedora, da autoria do Arquitecto Carlos Prata, baseada na construção de 2 molhes:
Apesar do projecto ter um grau de qualidade formal e paisagístico muito superior ao da solução apresentada em 1998,continuo a duvidar da sua utilidade.

Reconheço a importância e admito que os molhes ajudem a consolidar as margens do Douro na zona do Passeio Alegre. É um aterro com mais de 100 anos, e a natureza tem destas coisas, reage contra a intromissão humana. Havia, todavia, soluções menos impactantes. Todos os outros efeitos são, potencialmente, negativos, porque não garantem o enraizamento do Cabedelo, implicam a remoção de areias e o rebentamento de rocha por explosivos com as consequências no equilíbrio ecológico da baía de São Paio, obrigam a um estaleiro numa cidade que já não aguenta obras, contribuem para a salinização do rio e ameaçam as praias de VN de Gaia, pelo varrimento de areias que idênticas obras provocaram noutras zonas da costa portuguesa.

5.Valeu a pena o movimento cívico de 97/98, a bravura dos que foram apelidados de “notáveis”. Todos os técnicos que então afirmaram que essa obra era a mínima necessária para garantir os objectivos enunciados foram desmentidos pelos factos. Fica-me, apesar de tudo, a certeza de que apenas se evitou um mal maior e que foi pena não se continuar a luta, porque mesmo com um projecto melhor, a paisagem única do estuário do Douro vai sofrer um dano irreparável. Podem achar que é irritação, mas não compreendo que a CMP não tenha, sobre tão importante matéria, uma qualquer opinião.


A reunião que referes, onde compareci a pedido do Presidente da Junta de freguesia de Nevogilde, não tratava dos molhes mas sim da envolvente. Especificamente, o Arquitecto Carlos Prata pretendia saber a opinião desses autarcas sobre o uso a dar a área envolvente pois o projecto poderia comportar alterações. Anunciou-nos já então que a ponte que ligaria os dois molhes norte (assinalada a vermelho na foto, que tirei hoje da planta que está exposta no local) não iria ser feita. Falou-se nessa reunião da eventualidade de entre os dois molhes construir uma piscina de marés.


A Junta da Foz defendia então um terreiro para festas das suas colectividades culturais... Reafirmei que sou contra os molhes, mas que independentemente disso, discordava desse aterro. Aliás, deves-te recordar da minha discussão acesa com o Presidente da Junta da Afurada, que se irritou por eu ser contra os molhes, que ele entende são favoráveis à pesca artesanal. Falei há dias com o IPTM e ainda não sabem que solução dar à praia que vai ficar encravada entre os molhes, a juntar lixo do rio. A protecção da margem do Rio Douro não necessitaria dessas avantesmas, e não me basta dizer que o projecto do Carlos Prata é menos mau.

Quanto ao resto, reafirmo que os molhes são nefastos sob o ponto de vista ambiental e paisagístico, e não encontro benefícios do ponto de vista da navegabilidade. Recentemente, dedicamos uma das Tertúlias do Comercial (co-organização ACP/”Comércio do Porto”) a esse tema, com uma intervenção do Professor Bordalo e Sá, com muita gente ligada ao assunto, nomeadamente com a presença do Eng. Francisco Lopes do IPTM.

Quanto às areias, meu caro Pedro, o IPTM dizia que as areias que fossem removidas serviriam para reforçar o Cabedelo. Está escrito no Estudo de Impacto Ambiental. Não me consta que o Cabedelo seja em Valbom, e é lá que as areias estão a ser depositadas para venda.


De: Cristina Santos - "Aqueles que desejavam..." 

"... viver num bairro social"

Falam de Bairros de condições degradantes, esquecem os pequenos bairros dispersos pela cidade.

Esquecem os idosos que vivem em condições degradantes, esquecem famílias numerosas em casa de tabique que ameaçam a ruína.
Por não se socorrem estes, que nunca beneficiaram de apoio, aumentam-se as necessidades de habitação social.

Se os Bairros são compostos por apartamentos de má qualidade construtiva, nestes casos continuam a faltar instalações sanitárias, água e outros bens habitacionais básicos.

Se nos Bairros a união faz a força, nestes casos que existem espalhados por toda a Cidade, a exclusão é o principal privilégio.
Se nos Bairros há instituições dedicadas ao apoio aos mais idosos e jovens residentes, nestes casos específicos as famílias pobres travam lutas para serem integradas nos Centros que servem toda a freguesia.
Mas isto parece não ser problema, porque mais tarde ou mais cedo estas famílias serão transplantadas para Bairro Sociais, como tal não são urgentes.

Fala-se consecutivamente da acção deste executivo, mas parece só haver espaço para falar dos projectos herdados de outros mandatos.

Para que se saiba e conste, este executivo foi o único a utilizar e cabimentar verbas para programas de intervenção nestes casos de salubridade, muito embora esse tipo de programas existissem há uma década, caso do RECRIA e do SOLARH.
Este executivo tirou da gaveta autos de vistoria e salubridade que remontam a 1995, aumentou o valor das coimas e os meios de fiscalização.

Estas medidas são um grande auxílio à problemática dos Bairros e do seu aumento, são um apoio à exclusão que tantas vezes é nossa vizinha, às famílias que não tem dinheiro para pistolas, ou sequer oportunidade de praticar actos ilícitos, vivem pobres dentro das casas de Fachadas Históricas.

Não reclamam grandes obras seguram os tectos com barrotes, limitam-se à condição de pagarem apenas 10 euros de renda.
Escondidos desejam apenas morar num bairro social.

Vou aqui abrir uns parênteses de realce: há um caso na enigmática zona da Foz em que um jovem de 25 anos toma conta da mãe que perdeu a autonomia, numa casa de uma só assoalhada, situada numa Rua onde as condições são semelhantes para todos os moradores.
Nesta casa o saibro cai das paredes, os tectos tem manchas e as janelas apodreceram. Este jovem é órfão desde os 12 anos, lava a mãe numa casa de banho no exterior, mas não perdeu a força, trabalha, a custo integrou a mãe num centro de dia e agora o programa Recria vai proporcionar-lhe fazer as obras necessárias.

Como digo este jovem não ficou afectado pela insalubridade que o rodeia, não se pode permitir a isso, este jovem está apenas preocupado em ter uma casa de banho interior onde possa fazer a higiene diária, com humildade e asseio pede ao empreiteiro responsável pela proposta, o favor de instalar nessa futura Casa de banho um polivã com acessórios que lhe facilitem acomodar a mãe, propondo-se caso seja necessário a pagar aos poucos essa instalação.

Se este jovem fosse um traficante teria uma casa revestida de mármore azul, vivia à custa da exploração de jovens pobres e excluidos.

Cristina Santos

De: Cristina Santos - "SMAS e outros" 

Para além de tudo aquilo que aqui já foi dito sobre o trabalho de Rui Sá enquanto dirigente dos SMAS, acresce a intervenção na área da organização interna dos recursos humanos e materiais, que produz efeitos diários na melhoria dos serviços prestados à Cidade.

Em três anos Rui Sá conseguiu aniquilar hábitos enraizados durante décadas, para tal teve que travar uma verdadeira luta interna, que lhe valeu de início um sem número de insubordinação e motins.

Conseguiu reduzir o número de efectivos, produzir mais e de forma eficiente.
Recorde-se que há uns tempos atrás eram necessários 3 trabalhadores e 2 dias de serviço para abrir/tapar um buraco de 1m2.
Há uns tempos os funcionários eram concorrentes directos das pequenas pichelarias, usando para a prestação de serviço particular, matérias-primas pagas por todos nós, não tinham qualquer receio de denúncia.
Davam–se ao privilégio de atender a uma solicitação após horas desta ter sido efectuada, as ligações aos colectores não tinham acompanhamento, antes pelo contrário precisavam de uma «certa ajuda», para serem aprovadas.

Actualmente o cenário é completamente diferente, os colectores são instalados por equipas de 3 homens, permanentemente vigiados por um fiscal e são implantados em tempo record.
Os buracos de 1m2 ou a instalação de contadores são feitos por um só funcionário, como em qualquer empresa particular.
As religações de água são efectuadas quase de imediato e, quando isso não acontece, os funcionários informam telefonicamente o munícipe do eventual atraso do serviço.

As melhorias são perceptíveis para quem tenha que lidar diariamente com estes serviços.

Acresce ainda que os funcionários deixaram de ser concorrentes directos das pequenas prestadoras de serviços, facilitam os trabalhos, fazem sugestões, são pontuais e ajudam a que a Cidade se movimente com eficiência.

É corrente, embora o vereador tente transmitir outra ideia, que a maioria dos funcionários dos SMAS não concorda com esta nova logística, mas aqueles a quem a incompetência era o principal desmotivador estão agora mais satisfeitos com a unidade e vêem nesta mudança a oportunidade de demonstrar o seu profissionalismo, por muito que isso doa aos bloqueadores de serviço com mais de 15 anos de contrato efectivo.

O mesmo se passa em Departamentos da CM Porto, como o Urbanismo, em que, por exemplo, a simples mudança no sistema de classificações, da marcação do ponto ou do trabalho em open space, causou nestes ditos bloqueadores de eficiência traumas que se reflectem numa total oposição a Rui Rio, consequentemente num bloqueio à Cidade.
A simples introdução de seguranças que identificam o acesso à Câmara causa em muitos funcionários doenças súbitas, o que é certo é no próximo Natal a nossa Câmara já não se vai apresentar como um supermercado - isso é muito bom e é com certeza irreversível.

Cristina Santos

De: F. Rocha Antunes - "Onde..." 

Caro Tiago,

Disseste isto:
Um abraço
Francisco
--
Nota de TAF: Quando escrevi isso referia-me de facto aos custos de construção, não querendo contudo dizer que eram os únicos que influenciavam o preço final. Os métodos de construção frequentemente usados (e, na minha modesta opinião, pouco menos que arcaicos) fazem com que se desperdice muito tempo e dinheiro. Mas, lá está, isto dava pano para mangas...
:-)

De: Carlos Gilbert - "J.M. Varela: Vereações" 

«Relativamente ao vereador Orlando Gaspar nunca percebi como é que sendo vereador do ambiente em 2001 foi conivente com a destruição patrimonial e ambiental que foi feita no jardim da Cordoaria. O jardim da Cordoaria que era um jardim histórico que mantinha ainda as características do romantismo portuense (a época de ouro da nossa cidade) foi, completamente destruído e transformado numa “coisa” inclassificável.
José Manuel Varela»

Meu caro,

Sabe o que são as "cordadas"? São um conjunto de alpinistas que andam pelas montanhas e glaciares todos presos uns aos outros com cordas, por motivos de segurança. Caindo um, é seguro pelos restantes (a não ser que caiam todos...). Em política, este termo significa que um só elemento não pode em regra tomar medidas avulsas, sem consultar os seus pares (a quem deveu ser elevado ao nível que desempenha) e sem obter o seu consentimento colectivo (devendo-lhes portanto "vassalagem"). É por isso que nos partidos nunca há a hipótese de um determinado indivíduo, por melhor que seja, subir a lugares de destaque e tomar medidas em determinada direcção, se os restantes membros superiores desse partido não estiverem de acordo. E também é por isso que por vezes eles caem todos, como foi o caso do PS com Guterres e com o PSD com Santana Lopes...

Neste caso que foca, talvez no seu íntimo o engº Orlando Gaspar até pudesse estar em desacordo com o que foi feito no Jardim da Cordoaria, mas teria sido muito "politicamente incorrecto" se se manifestasse contra, pois aquilo tudo foi feito no âmbito do "Porto - Capital da Cultura 2001", assinado por arquitectos "intocáveis" e subscrito por baixo por gente de altíssima craveira. Com o resultado que se vê...

É a nossa sina. E bem pode o caro Rui Moreira bradar contra tudo isto (como muito bem tem feito semanalmente num dos principais jornais) que nada irá conseguir. A não ser que... consiga ser eleito a Presidente da Câmara. Mas depois também vai depender de outros... A única chance era conseguirmos o milagre de juntar um grupo de aí uns seis elementos de confiança e estes fazerem uma espécie de "grupo blindado" do tipo dos "Intocáveis" do tempo de Chicago dos anos 30 em que um grupo de elementos do FBI se juntaram para combater o crime de forma verdadeiramente eficaz e resistindo a subornos, falcatruas, tráfico de influências e demais podridões da sociedade americana conseguiram prender o Capone... Não vejo outro jeito de se conseguirem melhoras na gestão da nossa sociedade.

Cumprimentos,
Carlos Gilbert

De: F. Rocha Antunes - "O círculo quadrado?" 

Meus Caros,

Li com atenção o que Mário G. Fernandes escreveu sobre o investimento em reabilitação na Baixa.

Chamou-me particularmente à atenção uma frase: “Mas é possível conciliar interesses legítimos dos privados, com soluções urbanísticas preservadoras da memória e, simultaneamente, flexíveis e económicas, sem ter que recorrer à demolição.”.

É que é aqui que está o essencial da questão da reabilitação: Saber se e como se pode fazer precisamente isso, conciliar interesses legítimos dos privados, que convém perceber que são vários e diversos mas não necessariamente convergentes, com soluções urbanísticas preservadoras da memória, mas definindo o tipo de preservação da memória que permita a tal flexibilidade, o que não é linear nem fácil, sobretudo se não quisermos recorrer à demolição, e económicas, que presumo que seja uma referência ao custo de construção envolvido.

A dificuldade de um processo de reabilitação é precisamente a conciliação de todos os interesses necessários ao desenvolvimento do investimento.

O problema começa por estarmos todos habituados a pensar o investimento imobiliário através de uma equação económica da promoção imobiliária de espaços novos, em que se parte de um terreno que ou ainda não está ocupado ou que, na pior das hipóteses, tem uma ocupação com um valor residual negligenciável. Esse terreno, ou o activo inicial a ser transformado, é valorizado essencialmente pela sua localização. Não existe nenhum outro valor relevante a considerar para essa valorização.

A análise económica de uma operação imobiliária com essas características que eu, por simplificação, chamaria do negócio que até agora foi o do costume, é a da alteração do valor de uso que essa operação permite e que, ao valor de mercado que é possível praticar para esse uso, é necessário deduzir os custos de aquisição e transformação do espaço tal como ele se encontra no início da operação.

Sem complicar excessivamente, essa operação será feita sempre que os investidores considerarem que existe um lucro potencial nessa operação capaz de remunerar adequadamente os riscos comerciais, financeiros e patrimoniais que a mesma operação envolve. E esse lucro é analisado em função quer dos custos de transformação quer de um factor muito importante, por ser cada vez mais relevante em tempos de inflações baixas, que é o tempo em que a operação se desenrola.

Os custos de construção, numa operação de promoção imobiliária de espaços novos ou de raiz, se preferirem, são os mais relevantes, embora mesmo assim longe de serem maioritários.

Numa operação de reabilitação esses custos não são os mais relevantes. Os custos mais relevantes são os do valor inicial do activo, que já nunca é um terreno com uma ocupação negligenciável, mas sim um imóvel que foi construído para satisfazer necessidades que entretanto se alteraram profundamente e cujo formato não permite uma ocupação com um valor de uso suficientemente valioso para, em muitas vezes, fazer face à simples preservação do imóvel.

O desafio económico da reabilitação é identificar novos usos que sejam suficientemente valiosos para viabilizar uma operação de transformação dos imóveis, permitindo que eles voltem a ter capacidade de gerar rendimentos que sustentem a sua manutenção e vitalidade. E conseguir que os custos de transformação de imóveis existentes sejam economicamente viáveis, isto é, remunerem ao mínimo os capitais necessários para realizar uma operação com essas características, depende muito das possibilidades de adequação desses imóveis aos novos usos desejados pelo mercado. Se não for possível ajustar os imóveis a esses novos usos, a reabilitação não se faz.

Esses novos usos valiosos terão que ser encontrados considerando que a localização é o factor mais importante que a reabilitação da Baixa tem para oferecer, especialmente por se tratar de uma área patrimonialmente muito qualificada, e de que a qualidade do edificado é uma parte essencial. Se não se mantiver essa qualidade, o valor de uso desaparece e as possibilidades de realização dos negócios de reabilitação serão irremediavelmente comprometidas.

Agora, e tendo isso como pressuposto, temos de saber adaptar a equação económica da promoção imobiliária a esse facto: os imóveis tal como se encontram são o valor mais significativo dessa equação, e já não os custos de construção necessários à transformação de uso. A necessidade de controlar os custos de transformação vem da necessidade de não inviabilizar a alteração de uso. Não se pode é pensar que, nestas circunstâncias, se pode medir o investimento necessário apenas por uma parte pequena do investimento, o custo de construção, como aliás já em tempos o Tiago fez. É fundamental equacionar também o valor dos imóveis tais quais eles são e as possibilidades e limitações que se vierem a colocar às imprescindíveis alterações de uso.

Senão, nunca mais conseguimos sair do círculo quadrado em que o imobiliário da Baixa se transformou e de que ainda não conseguiu sair.

Francisco Rocha Antunes
Promotor imobiliário
--
Nota de TAF: Hum?! Fiz o quê? Talvez tenha em tempos usado indevidamente a expressão "custo de construção", englobando nela (erradamente) o próprio custo inicial dos imóveis. Mas concordo integralmente com este texto.

De: Pedro Aroso - "Apagar a Memória" 

Caro Rui Moreira

Acabo de ler o excerto de um artigo escrito por ti e transcrito pelo Zé Pulido Valente na grupo PNED.

Devo dizer que fiquei estupefacto com aquilo que dizes acerca dos molhes do Douro. Se bem te recordas, fomos convidados pelos presidentes das juntas de freguesia da Foz do Douro e de Nevogilde para a apresentação deste trabalho, da autoria do meu colega Carlos Prata e, na altura, fizeste alguns comentários de circunstância, sem nunca colocares verdadeiramente em causa o projecto.

Para quem não sabe (ou não se lembra), a primeira versão da construção dos molhes do Douro foi muito contestada, facto que levou à abertura de um concurso público, em que participarem equipas reunindo os melhores especialistas do país nesta matéria.

Escusado será dizer que as razões que determinaram o lançamento de desta obra nada têm a ver com a "exportação do granito" as "areias que estão a ser vendidas em Valbom" ou para "fomentar a construção civil...".

Um abraço
Pedro Aroso

Em baixo reproduzo a transcrição excerto que o JPV colocou no PNED:

"APAGAR A MEMÓRIA
Rui Moreira (in Público Local-Porto -edição impressa- 15-05-05)

«(...) É lamentável que ainda hoje, continuemos a apagar a nossa memória colectiva pela lei do camartelo. Quando aplaudimos os esforços do SRU, devíamos lembrar-nos que ancorar o que resta dessa memória faz parte integrante da criatividade sem a qual nunca haverá a tão desejada reabilitação. Poderemos fazer até uma nova cidade, mas não conseguiremos refazer a nossa cidade escaqueirando o que temos. (...)
Nenhuma obra, das muitas e más que foram sendo feitas, terá a dimensão trágica dos molhes do Douro (...)
Entretidos por promessas espúrias e publicidades enganosas de fantasiosas brochuras municipais, transformamo-nos numa sociedade crítica. Preferimos que as "obras que "têm que ser feitas avancem rápido e nos causem o menor transtorno. Destruíram a paisagem com os molhes? Lá terá que ser, por causa da exportação do granito. As areias que iam reforçar o Cabedelo estão afinal a ser vendidas em Valbom? Deve ser para fomentar a construção civil...
Aterraram a porta dos Carrancas? Deixem lá fazer a saída do túnel ou nunca mais acabam as obras! Vão fazer uma pavorosa marina mediterrânica na Alfândega, em pleno centro histórico? Não faz mal, vaio atrair turistas ricos! Vão mexer nos Aliados? Não se aflijam, o projecto é do Siza. Esventraram a Boavista? Tinha que ser para as corridas "míticas" do Rio. Arrancaram as árvores? Ora, há verde que chegue no Parque.
(...) O pior sintoma de depressão e decadência da cidade é esta letargia, esta insensibilidade, este estado de prostração, perante a banalização do vandalismo.»"

De: TAF - "Terça-feira nos jornais" 

- Demasiada dependência de subsídios nos bairros sociais - "Tínhamos uma mãe que já havia sofrido vários problemas com a comissão de menores devido à maneira como tratava o filho, que estava prestes a perder. Descobrimos, porque estamos no terreno, que ela pura e simplesmente não sabia tratar dele, nem sequer dar-lhe um banho. Ensinámo-la e desde então tudo correu bem"
- S. João de Deus "acolhe" 1500 toxicodependentes por dia

- Duques baptizam hotel flutuante
- Douro Queen levanta âncora na sexta-feira - "a ocupação deste navio já está garantida para os próximos cinco anos"

- Câmara só conseguiu vender oito casas de um total de 1241 - em 2004
- Empresa de Habitação do Porto só vendeu oito casas de bairros em 2004
- Balanço Social de 2004 apresenta dados “positivos” sobre funcionamento dos SMAS
- Entrevista do candidato do BE, João Teixeira Lopes
- Calçada da avenida dos Aliados vai para a rua de Sampaio Bruno

- Inaugurada 1ª Feira de Orientação Escolar e Profissional na Zona Histórica do Porto
- Cursos e profissões mostram-se no Mercado Ferreira Borges
- Visitas à Casa da Música só dentro de duas ou três semanas
- O nosso espaço no Comércio - com uma pequena gralha no título do meu texto, que deveria ser "A transparência da SRU"

De: Mário G. Fernandes - "Quarteirão fantasma" 

Do site da SRU:

"Com o objectivo de avaliar as metodologias operativas a PORTO VIVO-SRU, , tem vindo a desenvolver os documentos estratégicos para diversos quarteirões situados na Zona de Intervenção Prioritária (projectos-piloto).

O projecto base do Documento Estratégico está já elaborado para os quarteirões de Carlos Alberto e do Infante e encontra-se em discussão com os interessados: proprietários, inquilinos e detentores de direitos reais dos prédios localizados nesses quarteirões, bem como com investidores interessados em colaborar com o processo de reabilitação.

A elaboração e apresentação pública destes projectos foi precedida pela deliberação municipal que isenta aquelas áreas da realização de planos de pormenor, conforme ao que está estatuído no Art.º 12, do D.L. n.º 104/2004, de 11 de Maio.

Em breve, seguir-se-ão idênticos procedimentos para os projectos-piloto dos Quarteirões das Cardosas, Bolhão e Cais das Pedras."

Basta ler, está lá tudo. Até agora "discutiram" com os "detentores de direitos" e pediram a dispensa de plano de pormenor para não terem que "discutir" com mais ninguém. Mas há mais, os próprios informam que "Em breve, seguir-se-ão idênticos procedimentos para os projectos-piloto dos Quarteirões das Cardosas, Bolhão e Cais das Pedras.", desculpem a repetição.

A cidade, os cidadãos, tem direito a conhecer as opções em jogo. Apenas um exemplo: no caso do quarteirão da Casa Forte (que curiosamente não é referido no texto supra da SRU mas que pertence aos projectos piloto), soube-se pelos jornais que parte significativa dos edifícios que marginam a rua de Sá da Bandeira pertencem a uma mesma empresa. Vamos supor que, assim sendo, essa entidade decide comprar mais um ou outro edifício, para ganhar escala, e pretende deitar tudo abaixo e levantar uma nova edificação, talvez neomoderna, mais funcional e mais barata.

Será que a cidade não se importaria de perder o edificado que agora lá existe? E qual seria a posição da SRU? Seria, ah e tal ... sem investidores não se faz nada? Mas é possível conciliar interesses legítimos dos privados, com soluções urbanísticas preservadoras da memória e, simultaneamente, flexíveis e económicas, sem ter que recorrer à demolição.

Espero que a SRU não vá por aí, mas temo-o. Talvez pela falta de transparência de que fala o TAF.

Mário G. Fernandes

2005/05/16

De: TAF - "A transparência da SRU" 

Continuando a minha reflexão sobre o desempenho da SRU, há mais um aspecto que quero focar.

A actuação da SRU tem que ser um modelo de transparência. Os poderes excepcionais que possui constituem uma ferramenta indispensável para inverter um processo degenerativo do centro da cidade. Precisamente por serem excepcionais, o seu uso deve ser constantemente verificado por aqueles em nome de quem a SRU foi constituída: nós todos.

Assim, é um direito da cidade saber-se com quem é que a SRU negoceia, que propostas faz ou recebe, qual o detalhe dos projectos que lança, quem são os proprietários dos imóveis que pretende recuperar, qual a avaliação que faz deles, etc., etc. A SRU não é uma empresa privada. É uma entidade de capital integralmente público com funções muito específicas de interesse também público.

Com excepção de eventuais “segredos de negócio” de promotores privados que pretendam confidencialidade numa fase preliminar de auscultação, tudo devia ser adequadamente divulgado. Não se trata de duvidar da respeitabilidade de quem trabalha na SRU (ou melhor, como provavelmente diria Manuel Ferreira de Oliveira, de quem serve na SRU), mas sim de promover a adequada participação da população. Também neste aspecto há que aplicar um modelo “open-source”. Por isso, venha depressa um site completo, com toda esta informação acessível, pois não é menos prioritário do que o resto!

De: José Varela - "A acção do Vereador Rui Sá" 

A acção do Vereador Rui Sá

O vereador Rui Sá, na minha opinião (ao contrário do Pedro Aroso), tem realizado um importante trabalho de modernização dos serviços municipais, nomeadamente na área da limpeza urbana e dos SMAS. Lembro-me que no final de 2001 a situação de limpeza da nossa cidade tinha chegado a uma situação deplorável (particularmente na minha freguesia: Ramalde) devido aos critérios de gestão que estavam a ser seguidos, de não substituição dos funcionários que se aposentavam. Esta situação agravou-se quando foram introduzidas mudanças no regime de aposentação da administração pública, provocando um aumento dos pedidos de aposentação. Resumindo, a situação dos serviços de limpeza em 2001 era de grande descapitalização em termos de recursos técnicos e humanos. Tem sido notório a acção do vereador Rui Sá na modernização do sistema de recolha de lixo, no reforço da varredura, na ampliação das áreas servidas por contentores (evitando assim os inconvenientes dos sacos de lixo espalhados pela rua, nomeadamente quando eram postos fora de horas), utilização das carrinhas de varredura mecânica que estavam paradas, etc.

Relativamente aos SMAS basta comparar a relação qualidade/preço (eficiência do serviço prestado/tarifa paga) com a situação dos restantes concelhos da AMP (como Vila do Conde ou Gondomar). O que eu acho escandaloso é que estas autarquias, a pretexto da concessão dos serviços, estejam a proceder a aumentos exorbitantes do tarifário.

Finalmente, por acção do vereador Rui Sá, o Parque Oriental do Porto vai finalmente ser uma realidade e não apenas um sonho bonito dos portuenses.

Isto não quer dizer que não haja ainda muitas coisas a melhorar, uma vez que a CMP precisa urgentemente de se modernizar ainda mais, mas só por ignorância, sectarismo político, ou má fé se pode ignorar estas realidades.

Mas, mais importante do que isto, é que o vereador Rui Sá tem sido quem tem defendido os direitos dos cidadãos do Porto, nomeadamente daqueles que normalmente não têm voz, contra as políticas tecnocráticas e contra os lobbies e outros interesses subterrâneos.

Quanto à comparação entre as árvores plantadas no tempo do vereador Orlando Gaspar e as plantadas agora, confesso que não sou especialista em botânica, nem consigo distinguir se uma árvores foi plantada há 4, 3 ou 2 anos. Penso que o melhor seria o Pedro Aroso fazer uma lista com as árvores que cada um mandou plantar, para depois com a ajuda de leitores especialistas nesta área, podermos fazer uma comparação fundamentada tecnicamente.

Relativamente ao vereador Orlando Gaspar nunca percebi como é que sendo vereador do ambiente em 2001 foi conivente com a destruição patrimonial e ambiental que foi feita no jardim da Cordoaria. O jardim da Cordoaria que era um jardim histórico que mantinha ainda as características do romantismo portuense (a época de ouro da nossa cidade) foi, completamente destruído e transformado numa “coisa” inclassificável.

José Manuel Varela
[email protected]

De: F. Rocha Antunes - "Comportamentos" 

Caro Pedro Aroso,

Eu acredito que, ao contrário do que é corrente, todos podemos ter comportamentos bons e comportamentos maus.

Sou da opinião de que as pessoas, todas, são sempre poucas e que é mais importante analisar condutas, comportamentos e opiniões específicas do que catalogar definitivamente alguém, considerando-as incapazes de fazerem coisas boas só porque algumas vezes fizeram coisas más. Não tenho ilusões nem sou lírico e sei que há pessoas que têm comportamentos maioritariamente maus em determinadas áreas e que, por isso, não devem ser consideradas habilitadas para os exercer.

Não tenho também ilusões e sei que, pelo facto de se fazerem algumas coisas boas, que quem as fez fará tudo bem. Por isso restrinjo a minha análise aos comportamentos em si, e não a uma classificação definitiva de ninguém. É, se quiseres, uma perspectiva económica e como tal ecológica: se os comportamentos maus forem sancionados, tenderão a ser evitados no futuro e as pessoas reciclam voluntariamente esse tipo de comportamentos. Se, pelo contrário, as classificarmos definitivamente por esses comportamentos, deixamos de dar oportunidade para essa reciclagem, e entramos no perdido por cem perdido por mil nessa matéria.

Por exemplo, eu já discordei muitas vezes da forma como tu aqui criticas e elogias algumas pessoas mas, como é o teu comportamento específico que eu não concordo, nunca deixei de acreditar que, com outros comportamentos, és um elemento válido nesta discussão. Foi também o que achei, naquele caso, do Eng. Rui Sá.

Comportamentos, condutas e opiniões, são o objecto de uma discussão pública. Catalogar definitivamente alguém é coisa que eu, pelo menos, não me atrevo.

Francisco Rocha Antunes
Promotor imobiliário

De: TAF - "Cara SRU" 

O trabalho da SRU é complexo e trabalhoso. Exige conhecimentos técnicos (arquitectura e urbanismo, engenharia, património, economia, direito,...), "bom senso social" e muita persistência. Consciente dessa natureza delicada e demorada da missão da SRU, sempre adoptei um postura de apoio e cooperação. Não há outra possível: só com uma colaboração muito alargada entre os (potenciais) intervenientes se conseguirá mudar a Baixa do Porto.

Também por parte da SRU tenho sentido a mesma vontade de colaboração, o mesmo interesse em ultrapassar dificuldades e produzir resultados palpáveis. Precisamente por isso me parece ser altura de chamar a atenção para alguns aspectos menos conseguidos na componente de comunicação com os interessados neste assunto:
Receio que o volume de trabalho e a "permanente urgência" em que provavelmente se vive na SRU induza a mesma prática que tem produzido maus resultados no resto do país: acaba por nunca se fazer o que é importante porque é sempre preciso tratar primeiro do que é urgente.

Lembremo-nos todos que a cidade precisa da SRU e, muito mais, de uma sociedade civil activa com meios para actuar. A SRU pode fornecer grande parte desses meios, mas para isso é preciso que nos entendamos. Por mim estou disponível para dar o meu modesto contributo, com vontade e boa-fé. Julgo que todos os leitores deste texto dirão o mesmo.

Cara SRU: vamos conversar? ;-)

De: António Lopes Dias - "Transportes" 

Agradeço os esclarecimentos de Alexandre Burmester. E concordo: deveríamos ter combóios suburbanos, e não linhas de Metro até à Póvoa...e metro de superfície, e autocarros, e automóveis e peões e ciclistas, no perímetro urbano!

Mas se o Metro, afinal, deve ser chamado de "eléctrico rápido", estando o busilis da questão na medida da bitola (que os técnicos devem conhecer), porque razão se lançou a ideia nos cidadãos, e em especial no público utente, que o tal eléctrico rápido era este "Metropolitano de superfície", por vezes subterrâneo (onde o orçamento o permitiu), e depois se escolhe a bitola mais larga (que o transforma em "combóio" e permite que o mesmo vá até à Póvoa)?

Falta de planeamento estratégico da mobilidade para a área metropolitana? Falta de capacidade de concepção técnica de uma rede de transportes? Falta de uma ideia global sobre urbanismo para esta cidade?

Ou trata-se, pura e simplesmente, do resultado de mais um dos entorses da nossa política autárquica: a dos interesses específicos que se sobrepõem ao planeamento integrado, aos interesses colectivos da mobilidade, do ambiente e da qualidade de vida, e que faz com que todos os Presidentes de Câmara queiram estar e decidir sobre o Metro, cada qual pretendendo impor a sua prioridade, garantir a sua "linha", no fundo a sua próxima vitória eleitoral?

Da falta de clareza e democraticidade na tomada das decisões, da irresponsabilidade técnica e política de quem tem por missão gerir a "res publica". Da demissão da função de cidadania que a todos compete.

Não estará aqui, afinal, o cerne de problemas como o do Hospital de S. João, o de Matosinhos, o da Avenida da República, para não falar do Túnel de Ceuta, da Avenida dos Aliados, etc?

Claro que a Avenida da Boavista necessita de... (chamem-lhe o que quiser) um transporte colectivo, rápido, não poluente, com maior ordenação do trânsito. Prever uma pista para ciclistas seria boa ideia; assim como o eléctrico rápido a ligar a parte ocidental à oriental, como já por diversas vezes defendi.

E, francamente, confio que a solução proposta para a Avenida não seja tão má quanto muitos a antevêm. Aguardemos.
A. Lopes Dias
--
Nota de TAF: A diferença entre "metro" e "eléctrico" é basicamente se o veículo circula ou não em canal reservado exclusivamente para ele. A esse respeito escrevi há tempos isto e isto.

De: Pedro Aroso - "«Eng. Rui Sá»" 

Caro Francisco Rocha Antunes

Não entendo a tua surpresa relativamente ao comportamento do Eng. Rui Sá. Ele é, seguramente, o pior vereador desta câmara, tendo atingido o "princípio de Peter" ao fim de muito pouco tempo. Senão, vejamos aquilo que se passa com os pelouros que tutela:

1. Direcção Municipal de Ambiente e Serviços Urbanos:
Comparem as árvores que se plantaram no tempo do Eng. Orlando Gaspar, com aquilo que se passou nos últimos três anos.

2. Serviços Municipalizados de Água e Saneamento (SMAS):
Abrem -se valas para o saneamento a torto e a direito (em vias acabadas de pavimentar) e... quem as tapa? Algumas ruas da Foz/Nevogilde estão praticamente intransitáveis. No princípio do ano tive oportunidade de falar pessoalmente com ele sobre este assunto, comparando o Porto a uma cidade do 5º mundo e a sua reacção foi um encolher de ombros, como se isto fosse uma situação perfeitamente normal.

3.Serviço Intermunicipalizado de Tratamento de Lixos:
Comparem a atenção que era dada à limpeza da cidade no tempo do Eng. Oliveira Dias, com aquilo que se passa agora.

Tirem as vossas conclusões.

Pedro Aroso

De: F. Rocha Antunes - "Eng. Rui Sá e o Inatel" 

Meus Caros,

Seguindo a minha velha regra de não qualificar as pessoas mas os seus actos específicos, venho hoje falar da recente posição do Eng. Rui Sá em relação ao PDM e o atravessamento do terreno do Inatel. Nós já aqui falámos nisso, mas nós somos cidadãos que se podem permitir ter opiniões fora dos calendários, porque temos a nossa vida e, apesar de nos interessarmos, não somos directamente responsáveis pela gestão dos assuntos camarários.

O que não consigo entender é como é que só agora o Eng. Rui Sá toma posição sobre o assunto. Então o que andou a fazer durante as discussões públicas do PDM, nomeadamente a terceira, em que era claro que a nova via ia atravessar o dito terreno? Não se trata de saber se a via deve ou não atravessar o terreno do Inatel, o que me importa perceber é o silêncio na altura e a posição só assumida agora.

Não de percebe como é que a descoberta deste assunto é feita só agora. Não acredito que da parte do Eng. Rui Sá e da CDU não tenham lido o PDM as vezes que foram precisas no tempo em que o deviam fazer. Tenho-os por gente trabalhadora, que costuma fazer o trabalho de casa.

Será que o Eng Rui Sá também acha que as discussões públicas são uma formalidade legal que não é para levar a sério ou, como me parece, estamos perante uma justificação para empurrar a reprovação do PDM por parte da CDU para mais para perto das eleições autárquicas?

Francisco Rocha Antunes
Promotor imobiliário

PS. Eu já dei a minha opinião sobre a questão levantada por Alexandre Gomes

De: Alexandre Gomes - "Rui Sá..." 

"... contra o «facto consumado» nos Aliados..."

Bem, meus caros, acho que talvez tenha chegado a hora de metermos a viola no saco.

Se o IPPAR, a maioria na Assembleia Municipal E o vereador da Câmara para o Ambiente, nada podem fazer quanto ao alindamento dos Aliados em curso, pouco, me parece, resta a fazer.

Um lembrete, no entanto. Ninguém respondeu à minha ingénua pergunta: Se não há parecer do IPPAR sobre a obra, mas esta está a ser seguida «de perto» pelo representante do IPPAR no Norte, então ele segue a obra com base em…?

Abraços,
Alexandre J. Borges Gomes
Delegação da Comissão Europeia, Angola

De: TAF - "No início da semana" 

- Preservar o parque do Inatel
- CDU quer rever PDM para poupar INATEL
- CDU vai tentar consenso sobre PDM para evitar corte do estádio do Inatel
- Rui Sá contra "facto consumado" nos Aliados
- Cinema reaberto na Baixa não tem a adesão esperada - ver site
- Assis promete apoiar projecto da "Rua das Artes", no Porto
- PSP/Porto precisa de mais 1500 agentes para poder cumprir missão preventiva
- Gaia: Fim das obras à vista na "nova" avenida

- Câmara paga 4,9 milhões
- Empreteiros das alamedas de Cartes e 25 de Abril reclamam indemnização da Câmara do Porto
- Câmara paga cinco milhões por atrasos em obras da zona Oriental
É quase inacreditável o número e volume de indemnizações por incompetência que a autarquia tem sido e vai ser obrigada a pagar!

- Incompetência a metro... - "A 1 de Março deste ano expirou o prazo de intervenção de uma comissão de acompanhamento que tinha como missão emitir pareceres que permitiriam ao Governo tomar decisões no sentido de construir a linha de metro para Gondomar. Dezoito meses depois de entregue o projecto, a referida comissão extinguiu-se sem ter dado qualquer parecer. Uma comissão que custou dinheiro aos contribuintes - quanto terão recebido, em senhas ou outras prebendas, os membros de tão inútil organismo?"

- Aleixo: Um inferno com vista de postal - o destaque do JN de hoje - ver outros textos com apontadores nesta página.

2005/05/15

De: Carlos Gilbert - "O Metro, mais uma vez..." 

Li os últimos textos do Alexandre Burmester e do Rui Moreira. O primeiro repete "ad nauseum" o essencial, o que só os "pais" da ideia do Metro no Porto não quiseram (ou souberam) ver. Infelizmente não conheço bem Estrasburgo, e gostava de ir lá só para ver como é esta cidade (com o Eurotram nas ruas) e pq aqui no Porto está a dar tanta celeuma...

Quanto ao texto do Rui Moreira, atrevo-me a dizer (depois de termos visto tantas fotos de outros tipos de transportes urbanos electrificados aqui há uns meses atrás): o tipo de "metro" escolhido aqui para o Porto é largo de mais, daí os passeios terem de encolher... Eu volto a repetir: conheço bem Düsseldorf e o sistema de transporte urbano e sub-urbano desta grande metrópole (a "Rheinbahn"). O metro tem exactamente a mesma bitola e largura dos eléctricos (existem ambas as variantes) e lá as avenidas onde circula têm uma "vida" normal, a harmonia entre o transporte eléctrico e os restantes utentes (automóveis, motos, autocarros, ciclistas, peões) é perfeita. Da próxima vez que lá for tirarei mais fotos para as facultar aqui, se bem que as que já foram aqui colocadas mostram o que digo. E as que foram aqui disponibilizadas mostram as soluções de várias outras cidades e, se bem que não tenha ido medir de régua na mão, vê-se bem que a maioria delas optou por composições mais estreitas para circularem nas artérias.

C. Gilbert

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