2005/03/26

De: Pedro Aroso - "Bom Senso..." 

Como já devem ter reparado, ainda não me pronunciei sobre o projecto da Avenida dos Aliados e a explicação é simples: em Portugal existem quatro categorias de arquitectos, a saber: os bons, os maus, os muito bons e os muito maus. Álvaro Siza não pertence a nenhuma destas categorias, pelo simples facto que é um GÉNIO e, os génios, não podem comparar-se a simples mortais. Quando vi os primeiros desenhos do Museu de Serralves, fiquei absolutamente horrorizado! Entretanto, à medida que a obra ia avançando, a minha apreensão ia aumentando... Quando, no dia da inauguração lá entrei pela primeira vez, fiquei estupefacto, deslumbrado, diria mesmo siderado, com aqueles percursos, com aqueles contrastes de luz, com aquelas formas, enfim, com toda aquela magia!

Os antigos gregos tinham uma máxima, que rezava assim: "Quando o génio aponta para a lua, o idiota fica a olhar para o seu dedo". Receio bem que, o mesmo esteja a passar-se com o arranjo da Av. dos Aliados...

Isto não significa que não tenha algumas reservas, designadamente no que concerne ao pavimento das faixas de rodagem. Apesar da imensa admiração que tenho pelo Eduardo Souto Moura, e por toda a sua obra, a ideia de colocar paralelepípedos no centro da Maia e na rotunda da Praça de S. Salvador foi, na minha opinião, um perfeito disparate, por isso não ficarei surpreendido se, a curto médio/prazo, esse pavimento vier a ser substituído por asfalto, como de resto aconteceu em frente à Alfândega do Porto, para grande satisfação não só dos automobilistas, mas sobretudo dos moradores. Espero, por isso, que no caso das Av. dos Aliados, prevaleça o Bom Senso.

Pedro Aroso

De: César Costa - "A Avenida dos Aliados" 

Sendo a primeira vez que "participo" no blogue, devo deixar claro que vos leio quase diariamente com muita atenção. Quero apenas deixar uma "achega" a respeito de um comentário do Sr. Carlos Gilbert.

A zona do Duomo em Milão (praça em frente à catedral com o mesmo nome) não tem tráfego de automóveis particulares, salvo raras excepções. É assim em parte do "centro histórico" da cidade milanesa. Mas atenção, porque à noite toda aquela zona é um enorme deserto, onde nada se passa (e mesmo de dia...). E, posso estar errado, mas não me parece que o Duomo seja local de encontro de quem que seja daquela cidade...

É apenas mais uma reflexão, porque me preocupa o que vão fazer nos "Aliados", particularmente depois da recuperação urbana do Porto 2001...

Cumprimentos.
Cesar Costa
[email protected]

De: TAF - "Sábado" 

- Nova vida para o Batalha
- Os turistas espanhóis chegaram em peso à cidade do Porto
- Turistas espanhóis lotam hotéis da Invicta mas não fazem compras
- Fundação Casa da Música em análise
- Filipe La Féria interessado em dirigir o Sá da Bandeira

- Câmara fez embargo ilegal
- Tribunal considera ilegal embargo decretado pela Câmara do Porto
- Tribunal anula embargo a duas moradias da Foz

- Luta contra linha à superfície no S. João sai à rua
- Comissão anuncia iniciativas contra obra do metro junto ao "S. João"

- Ver a cidade pelos olhos da Primavera

2005/03/25

De: TAF - "Sexta" 

- Rio diz que processo do Túnel de Ceuta melhorou com entrada de Isabel Pires de Lima
- Rio desespera por solução sobre túnel de Ceuta e elogia ministra
- Processo do túnel de Ceuta "melhorou" com ministra Isabel Pires de Lima

- Rio não comenta carta da Adicais
- Câmara disponível para ceder lote à Adicais
- Câmara do Porto considera anuláveis cláusulas do contrato com a Adicais
- Rui Rio responsabiliza serviços Camarários pelos atrasos na entrega do terreno à Adicais

- Táxi fluvial gratuito vai ligar as ribeiras durante a noite
- Hospital de S. João admite que enterramento da linha do metro seria a melhor solução
- PJ quer saber motivo da alteração ao PDM do Porto
- Casa da Música: Isabel Pires de Lima vai reunir-se com os fundadores
- Bilhetes para a inauguração à venda na próxima quarta-feira

- Versão on-line da edição diária do PÚBLICO paga a partir de 4 de Abril
- Redacção de O Comércio do Porto reivindica integração de jornalistas no quadro - Se há dificuldades, deve-se então gerir com visão mais abrangente, tal como sugeri no comentário "A voz do Porto". O mercado é pequeno demais para estratégias isoladas.

De: Alexandre Burmester - "Gestão Municipal" 

Serve a imagem para ilustrar a destruição das linhas do Metro de superfície, que se encontrando concluídas há alguns anos nunca lhe deram qualquer utilidade.

Serve ainda a imagem como ilustração da ilegalidade de execução de obras sem aprovação e licença.

Serve ainda como exemplo da delapidação do património Municipal pelo próprio município, e como tal, prova pela gestão danosa.


Os motivos das obras sabemos quais são. Entretanto para a corrida "chique" dos popós antigos, já temos a recta quase concluída na Av. da Boavista. Segue a respectiva panorâmica.


Francamente não percebo nem para que serve a Assembleia Municipal, nem a Oposição Política desta cidade.

De: Alexandre Burmester - "Respostas..." 

"... às curiosidades"

Em sequência ao post anterior, aqui seguem as respostas:
  1. O orgão está instalado, como pode ser facilmente entendido pelo contexto, na sala principal da Casa da Música,
  2. Não serve para tocar, porque não é um orgão, mas sim um elemento necessário ao condicionamento acústico da sala,
  3. É feito em plástico, logo não é antigo, e em paralelo com outro instalado do lado oposto custou a módica quantia de 100.000 Euros.
Conclusão:
É o que dá quando uma obra não tem dono, ou quando o autor, em "roda livre" goza com o cliente?
Pena, porque quer a obra, como nós todos não o mereciamos...

Alexandre Burmester

De: Emídio Gardé: - "De: F. R. A. - «Mobilidade»" 

Relativamente ao pertinente comentário de Francisco Rocha Antunes àcerca da óbvia necessidade da existência de ligação directa entre as estações ferroviária e de metro em S. Bento, penso, se a memória não me atraiçoa ou não tendo nisso sonhado, ter ligo algures essa ser uma das intenções iniciais da Metro do Porto.
Por que ela caiu no esquecimento e, efectivamente, não está actualmente prevista a sua construção é, realmente, caso de perguntar a quem de direito.
Mas, a esta altura do campeonato, será que ainda se estará a tempo de emendar a mão?

Cumprimentos,
Emídio Gardé

De: David Afonso - "Cavalos de Tróia" 

1. No Público do dia 22 de Março encontrei uma notícia muito interessante: «Bruxelas lança ultimato a Portugal para transpor directiva sobre relações com empresas públicas.» A Directiva 80/723/CE da Comissão Europeia promove a clarificação das relações entre os três vértices – Estado, empresas públicas e privadas - deste verdadeiro Triângulo das Bermudas, onde se dão fenómenos paranormais, onde se confundem os interesses comuns com os interesses de alguns. Citando a comissária: «Estas regras têm por objectivo garantir a transparência das contas das empresas públicas e de outras empresas que oferecem serviços de interesse geral. É necessário assegurar, no interesse dos contribuintes, que os fundos destinados a serviços públicos não são desviados para outros fins, nomeadamente comerciais.»

2. Isto é relevante para o país em geral, mas em particular para nós, aqui no Porto. A Metro do Porto e a SRU Porto Vivo são duas empresas de capitais públicos que estão neste momento a intervir de uma forma drástica e irreversível na cidade. E ainda bem, porque foi para isso mesmo que foram criadas. Contudo, existem zonas cinzentas e margens de acção não totalmente definidas que deverão ser acompanhadas com toda a atenção. Tenho muitas dúvidas sobre a vocação da Metro do Porto para assumir o protagonismo na reconversão do espaço público, quando esta ultrapassa os limites estreitos da sua missão. Não é por acaso que os projectos da Avenida da Boavista e da Avenida dos Aliados, por exemplo, tenham suscitado tal sobressalto cívico. Mais: nas situações atrás referidas a Metro do Porto tem servido de cavalo de Tróia para a autarquia avançar com obras sem ter orçamento para tal, sem concurso público, sem discussão pública. Se existe sentido pragmático na atitude da Câmara em se aproveitar da blindagem legal da metro para executar projectos que deveriam ser da sua e apenas da sua responsabilidade, esse sentido pragmático é apenas o do oportunismo eleitoral.

3. O caso da SRU também é interessante. Não discordando dos princípios e dos objectivos, não posso deixar de me preocupar com o seu significado e com a sua prática. A SRU é o último recurso, é o reconhecimento da falência de décadas de políticas de gestão do centro histórico e da cidade. É, sobretudo, o reconhecimento de que os serviços autárquicos nunca estiveram à altura da sua missão e de que o labirinto legislativo apenas nos conduziu para um nó cego burocrático. A SRU é uma espécie de "Via Verde" que vai resolver pouca coisa. Fora dos quarteirões-alvo a cidade continuará asfixiada pela burocracia e pela impotência dos técnicos autárquicos. O carácter de excepção da SRU é o reverso do logro geral.
Apesar de tudo, não temos outro remédio – pelo menos a curto prazo – senão confiar na equipa da SRU e nas suas boas intenções. O mínimo que podemos e devemos exigir à SRU é que desenrole o seu plano de uma forma exemplar, não arredando o cidadão da participação no processo de reabilitação. Ora, como já afirmei em outras ocasiões, tal não tem acontecido. Só com muito esforço é que se lhes arranca qualquer coisa, como que se preparassem para aplicar a estratégia do facto consumado. No átrio da sede na Mouzinho da Silveira, finalmente foi afixada documentação relevante constituída pelos alçados e plantas da proposta do arq. Rui Passos Mealha para o quarteirão Carlos Alberto. Era minha intenção fotografar essa informação e partilhá-la convosco (já que o site da SRU teima em não sair do estaleiro), mas fui informado de que tal não me seria permitido. Teria de fazer um pedido formal e por escrito dirigido à Dr.ª Vera Ladeira! Os tiques burocráticos continuam a ser utilizados como um entrave ao acesso à informação! De qualquer dos modos a informação está lá e recomendo a sua consulta. Chamo desde já a vossa atenção para o facto de o edifício do Café Luso, que é apenas o mais interessante de todo o quarteirão, não ter sido alvo de qualquer levantamento. O que é muito grave! Uma tarefa preliminar da SRU deveria ser a elaboração de um levantamento minucioso do edificado e sua posterior publicação para consulta de toda a comunidade científica (historiadores, arquitectos, antropólogos, etc...) e não só. A informação uma vez perdida jamais se recupera. E já que estamos a falar nisto: parece que está definitivamente arredada a possibilidade de se estabelecer um núcleo museológico dedicado à memória de Humberto Delgado neste edifício, onde terá estabelecido a sede de campanha no Porto.

david afonso
[email protected]

2005/03/24

De: Carlos Gilbert - "Respostas" 

1. Alexandre Burmester: Curiosidades

Não me digas que este órgão é um adorno da "Casa da Música"?!! Pelo espaço envolvente assim me parece... E de que é feito? Parece ser de madeira. Para que serve? Bem, deve ter servido originalmente para emitir os sons próprios de um órgão, não? Agora, será como relíquia?

2. Arq. Pulido Valente: o projecto dos Aliados

Em termos abstractos, concordo perfeitamente com os argumentos apresentados. Quem me dera que a nossa Avenida dos Aliados pudesse ser uma alameda ampla, unindo todos os espaços envolventes e servisse de local privilegiado para o encontro de cidadãos, tipo praça central de Milão, para citar só um exemplo. Só que V. Exª não respondeu às minhas perguntas, por isso o assunto fica "coxo"... V. Exª refere o trânsito automóvel (nas tais faixas laterais) como sendo acessório e subordinado ao movimento dos peões. Eu contraponho com o facto de a realidade ser diferente: terá sempre de haver trânsito automóvel com alguma intensidade naquela avenida, pelas razões que já expus no meu texto anterior. Ainda no passado fim-de-semana estive numa das mais "fashionable" avenidas da Europa: a "Königsallee" de Düsseldorf. Foi nela, assumo-o, que me inspirei um pouco na alternativa que apresentei aqui, aproveitando o desenho da autoria de V. Exª. Pois essa artéria, unanimemente considerada "o coração" daquela metrópole alemã, tem os tais "espelhos de água" centrais, duas faixas para trânsito automóvel de cada lado, e um arboredo frondoso a dar um toque "romântico" q.b. ao conjunto. E alguém se incomoda com o trânsito automóvel naquela artéria? Era bom que se pudesse banir por completo os (malditos...) automóveis do coração da cidade. Mas ainda há pouco (por volta das nove da noite) estive na Brito Capelo, em Matosinhos, na qual isso foi conseguido. Vazia. Deserta. Aproxima-se uma composição do metro e pára. Logo se aproxima um vulto do lado oposto, vindo de um grupelho de desordeiros e, vociferando de forma desbragada, dá murros numa das janelas da composição... Portugal é o que é, meu caro, e não o que - em termos teóricos - gostaríamos que fosse... A arte consiste em se conseguir o equilíbrio necessário.

C. Gilbert

De: Alexandre Burmester - "Curiosidades" 




As perguntas são:

1- Onde está instalado este orgão,
2- Para que serve,
3- De que é feito.

Aceitam-se sugestões :-)

Alexandre Burmester

De: Cristina Santos - "Folhetos" 

O António Moreira faz referência a uma carta aberta assinada por 158 pessoas, cujos os argumentos nos parecem fundamentados, pelo menos os excertos demonstram algum cuidado na escrita.
Eu irremediavelmente tenho que trazer a lume, um folheto também sem autor declarado, que foi recolhido directamente num gabinete do hospital de S. João.
«Metro no hospital de S. João – uma imensa passagem de nível sem guarda»

Mais abaixo e com uma caveira típica dos anos 80’ enfatiza-se a luta com expressões:
«Perigo de Morte – Metro à vista»

«Atenção crianças, doentes, alunos, trabalhadores do hospital de S. João e da Faculdade residentes locais … (antes da frase terminar existe um grafismo com o metro a atropelar aquilo que se julga um individuo) … exija que enterrem a linha antes que a linha o enterre a si»

Depois aparece a Malfaldinha a dizer :
MANIFESTE-SE CONTRA O METRO MATADOR!!!

O folheto pretende cativar a atenção, mas será que algum doente, trabalhador, estudante ficou mais esclarecido, será que este folheto trará à suposta manifestação, cidadãos conscientes da sua atitude ou inatitude?

Será que não há um exagero de fundo, que retira logo à partida a credibilidade aos argumentos, não seria mais fácil trocar os grafismos por frases elucidativas, que levassem as pessoas pensar naquilo que será a convivência urbana com um EUROTRAM à superfície, a médio longo prazo?

O folheto é uma peça única, não se trata de um discussão, trata-se de ceder uma informação imediata, chamar a atenção para um projecto que pode vir a ter implicações serias no desenvolvimento da cidade.
Não podemos servir-nos de meia folha para cativar com expressões exageradas cidadãos, que até podem desconhecer que o metro vai chegar ao São João, que podem até nem saber do que se está a falar.
Muitas vezes perdem-se as negociações por falácias descabidas, que retiram ao povo o respeito que este deve ter.

Bem como a causa é justa, como todas as contribuições são bem vindas e como o folheto não está assinado, vamos presumir que se trata de um contributo infantil para esta causa.

Cristina Santos

De: Mário G. Fernandes - "Túnel, Avenida e SRU" 

Pelo que se ler se verá que tenho acompanhado, com interesse, intervenções e temas, particularmente estes, a saber: SRU, túnel e avenida. A ordem de nomeação importa pouco, pois, apesar das especificidades, existem denominadores comuns. Por um lado, em qualquer dos casos se está a tratar da baixa e da sua reabilitação, por outro, em todos aconteceram erros quer no exercício do poder político quer do técnico.


Fui ver o desterrado.

Não ia lá para isso, mas sem saber como, encontrei-me a admirar a obra prima de Soares dos Reis. Nenhuma outra das perto de duas dezenas de esculturas que acompanham o desterrado chegam à sua perfeição. Ninguém é sempre perfeito, naturalmente, como o não foram o conde Ferreira, Fontes Pereira de Melo ou Hintze Ribeiro, também esculpidos por Soares dos Reis. Hoje como ontem, o poder municipal do Porto, tem sido demasiadas vezes imperfeito. Em relação ao túnel, desde Fernando Gomes até Rui Rio, sempre a câmara actuou na ilegalidade, nunca conseguindo o parecer positivo do IPPAR. De Fernando Gomes até Rui Rio, sempre o poder municipal esqueceu a memória e o povo do Porto. Esqueceu o povo porque nunca lhe perguntou a opinião, esqueceu a memória dos símbolos como dos projectos.

O Plano Regulador da cidade do Porto (1954), propunha o prolongamento da rua de Ceuta, em linha recta e à superfície, até à praça Carlos Alberto. O Plano Director (1962) também propunha o prolongamento, mas curvando pelo interior de um novo quarteirão e saindo, sob o edificado, rigorosamente em frente do edifício da antiga escola técnica, que hoje acolhe a faculdade de ciências. Em contrapartida, previa um outro túnel, sob a Cordoaria, redesenhando o quarteirão do hospital de Stº António, demolindo os quarteirões do Piolho e tendo uma das bocas (a de saída) ao lado da Torre dos Clérigos.

Enfim, a solução não tinha que ser esta, o poder municipal não justifica devidamente as suas opções e o IPPAR tem a obrigação de defender o património nacional dos interesses locais. De qualquer forma, estamos aqui, agora resolva-se.

Fui ao debate do museu, olhei para o espaço real e vi desenhos: no presente contexto só uma solução parece conciliável, aquela que coloca a boca do túnel mais próxima do eixo da via, mesmo sob a lógica da funcionalidade viária: o tráfego de proximidade junto aos passeios, o de atravessamento nas vias centrais.


Porque é que o projecto se chama da Avenida?

Porque concebe como um mesmo objecto/espaço, três espaços que são formalmente distintos, concebidos a partir de dois projectos diferentes, relativos e concretizados em dois momentos. Tudo é discutível: o(s) tipo(s) de piso(s), os canteiros, a calçada de calcário e basalto (que é portuguesa mas não portuense e que, já agora, se o quiserem fazer, podem reutilizar numa placa central de desenho idêntico). Apesar disso, aceito quase tudo na proposta, apenas me incomodando duas coisas: o projecto vencedor do Arqº Pulido Valente e a estátua de D. João IV.

No primeiro caso, porque é que a câmara não assume publicamente qual é a sua posição, já que, ao que o Arqº conta, foi o vencedor, mesmo se por exclusão dos restantes concursantes que não representaram Humberto Delgado em "corpo inteiro", como exigia o concurso. No segundo, além doutras razões aduzidas por Jorge Ricardo Pinto, para que se vai gastar dinheiro para tornar uma estátua mais sombria e descentrá-la do espaço público (a Praça) para o qual foi concebida, o que nem Barry Parquer, que elaborou o projecto da avenida, ou Marques da Silva, que elaborou propostas de ajustamento se lembraram? Estes viram a Praça como Praça e não como elemento terminal de uma avenida, mas, também, porque viram o conjunto praça/estátua como uma invariante. O que me incomoda é a justificação da despesa e a apresentação do projecto como um facto consumado e, no dizer de Rui Rio, histórico. Não me lembro se disse genial.


No caso da SRU, e além das dúvidas que já antes coloquei, apenas pretendia deixar algumas questões:
Saudações.
Mário Fernandes

De: TAF - "Políticos e blogs" 

A ler: "More politicians write blogs to bypass mainstream media", no The Christian Science Monitor, via Ponto Media.

- Atraso na entrega de terreno custa 13 milhões à Câmara
- Silêncio da Câmara sobre janelão do BPN levou empresa a pedir "solução definitiva"
- Reunião inconclusiva entre o IPPAR e a Câmara do Porto sobre o túnel de Ceuta
- Decisão sobre túnel de Ceuta nas mãos do Ministério da Cultura
- São João assume que enterrar o metro seria a melhor solução
- Casa da Música vai corrigir ausência de acessos a cidadãos deficientes
- Casa da música quer ser amiga do deficiente
- Casa da Música: Licença de Utilização só pode ser emitida após a conclusão das obras - "Quanto ao facto de o equipamento já ter recebido espectáculos, a mesma fonte assegurou que tal funcionou como testes/ensaios do equipamento" - Promotores imobiliários, já sabem: em vez de pedirem licença de utilização, mantenham os vossos edifícios em testes...

De: Pulido Valente - "C. Gilbert" 

Caro Gilbert, obrigado por ter dado seguimento à minha proposta de discussão. Parece que v. está um tanto ou quanto condicionado pela enorme carga que as ruas têm sobre o cidadão e que não pode ver no espaço uma praça em que TODO o pavimento une as duas fachadas laterais dos edifícios que estão em frente uns dos outros. Ponha-se no Passeio das Cardosas olhe para a câmara e imagine que não há ninguém nem viaturas. Verifique que assim se lê TODO o espaço como destinado ao peão. Imagine depois a parte de Stª Catarina entre 31 de Janeiro e Passos Manuel em que as viaturas são toleradas mas que se vê claramente que é o peão quem manda. Verifique depois que as faixas de circulação das viaturas da minha proposta só são identificadas quando haja viaturas a circular e que nos intervalos entre cada duas há sempre espaço com leitura igual ao todo da avenida. Reparará por fim que com esta solução se cria um grandioso (v. obriga-me a falar com termos de que não gosto) espaço todo ele em contínuo no qual passam tolerados, repito, os veículos. Lembre-se que deve haver também atravessamentos de emergência para o hospital sem que isso crie problemas pois que o pavimento nesse(s) sítio(s) terá de ser desimpedido. Até, parece que vai haver eléctricos a atravessar. Calcule! Mas nada disso reduz a expressão e a dedicação do espaço ao peão. Note que os Aliados têm, no local menos largo 55m e que se as três mãos de transito tiverem 15 metros sobram 40 metros para o peão. Um espaço dedicado ENORME!

A sua proposta mantém trânsito à volta da placa central o que desmotiva as pessoas para irem até lá. Na minha proposta as pessoas sabem, porque sentem, que TODO aquele espaço é deles e que aos motorizados compete a disciplina e a prudência que a lei obriga reforçadas pela tolerância que o peão lhes dá para circularem pelo seu espaço. É conveniente pensar que o centro é do peão e que os motorizados têm que ter um comportamento adequado. No centro circulam ainda mais devagar.

Parece pois que há que ir habituando as pessoas a ter uma visão mais ampla, menos redutora do espaço público, sem sujeições a estereótipos consagrados quando se pretendeu que uma cidade medieval passasse a ser utilizada brutalmente por motorizados sem salvaguarda do equilíbrio e da sensatez.

Desculpe mas hoje peço para não entrar noutra discussão que seria a do ordenamento do trânsito que a adjudicação deste espaço ao peão obriga (a ideia é da CMP ou dos autores e não tem solução correcta no projecto).

De: António Moreira - "Os «Abaixo Assinados»..." 

"... e a eficácia"

Tive conhecimento pelo "Comércio do Porto" que foi enviada uma "Carta aberta" ao Governo, com 158 assinaturas, "exigindo que este se pronuncie rapidamente sobre as intervenções da Metro do Porto previstas para a Avenida da Boavista, área da Reserva Ornitológica do Mindelo (Vila do Conde), e envolvente do Hospital de S. João".

Não estando transcrita essa carta, na totalidade, algumas das frases transcritas na referida notícia fazem-me pensar que, caso tivesse tido conhecimento atempado da mesma, possivelmente a teria assinado.

Atrevo-me a pensar que muitos outros teriam feito o mesmo, caso tivessem tido a oportunidade.

Apesar de muitos de nós apenas procurarmos informação, e verificamos assim a sua falta, quando os assuntos nos afectam directamente, é também verdade que cada vez vai sendo maior o número daqueles que se interessam, que reivindicam o direito a informação completa, correcta e atempada, por parte dos organismos locais e centrais, e que, cada vez mais, se vão fazendo ouvir as vozes dos que entendem que a discussão pública deve anteceder as decisões, não aceitando a lógica do voto como um "cheque em branco", válido por quatro anos.

Quer por via de abaixo-assinados, quer de cartas abertas, quer de "blogs", tertúlias e debates, muitos cidadãos do Porto mostraram já que estão dispostos a abdicar de parte do seu tempo para se informarem, para discutirem e para ajudarem na procura das melhores soluções para a sua cidade.

Demonstraram já também que não ficam "pasmados" com as assinaturas de "arquitectos de prestígio", nem subjugados com os pareceres de "especialistas" e, muito menos, calados perante as imposições de "eleitos".

Que compreendem, claramente, que o poder que delegam nos seus representantes eleitos é, apenas, o poder de executar as SUAS decisões e não o poder absoluto de decidir sem os informar nem ouvir, muito menos o poder de decidir e actuar sem respeitar as mesmas regras que lhes impõe.

Que compreendem, finalmente, que um projecto ou uma solução, não é "de direita" ou "de esquerda", do PSD ou do PS, é, tão somente, BOA ou MÁ, melhor ou pior que outras, e que, apenas por isso, deve ser analisada, discutida, avaliada e decidida.

Falta agora encontrar os meios de acrescentar eficácia a esta realidade.

Não é dispersos em abaixo-assinados, cartas abertas, "blogs", tertúlias ou debates diversos que vamos ser eficazes.

Não é também em hipotéticas "associações dos amigos do Porto" à moda antiga.

Continuo a entender que "A Baixa do Porto", com o formato de "blog" aberto a todos é um primeiro passo.

Espero que oportunidade criada pelo debate da OA tenha permitido, a muitos, a constatação da realidade dos partidos, demonstrando que a actuação nunca poderá ser eficaz, por essa via, por mais "reconversões" ou "refundações" que se proponham.

As soluções tem que ser inventadas, implementadas e impostas por nós,

Juntos

António Moreira

De: Pulido Valente - "Um assunto sério" 

Senhor Vereador Paulo Morais, acabo de saber que o seu despacho ordenando o embargo das obras (para as quais a minha cliente Gavilor obteve autorização de construção por deferimento tácito) foi anulado por sentença do TAC do Porto.

Confirma-se assim a minha convicção de que o acto de V.Ex.ª é ilegal o que torna ilegal a actuação da CMP. É uma VERGONHA. É pois a altura de V.Ex.ª deixar de ser autista e passar a aceitar as ajudas que lhe pretendem dar sem que para isso tenham sido solicitados aqueles que, como eu, se envergonham da actuação deste executivo. Até me ofereci para, acompanhado pelo meu advogado QUE SABE, ir a reunião/ões com V.Ex.ª para se tentar que os serviços passassem a trabalhar correctamente. Nem respondeu. Não necessitava de agradecer a boa vontade. Não respondendo, além de desrespeito e ofensivo para quem se expõe, dirigindo-se a si com boa vontade, mostra que está cheio de si e que não precisa de ajudas. Mostrou que é empáfio (individuo altivo, vaidoso, enfatuado, soberbo; Lello Popular). De nada serviram as inúmeras chamadas de atenção que, graciosamente, lhe fiz chegar pois o Senhor Vereador agiu sem as levar em conta e subscreveu informações e despachos imbecis (fracos de corpo e de espírito; Lello Popular) que os serviços lhe apresentaram para assinar por baixo. Atitude que nada abona a favor de V.Ex.ª. Como lhe tenho feito saber vezes sem conta, ERRADO! ILEGAL!

Se o Senhor Vereador não tem pessoal capaz deve resolver esse problema e, sobretudo, arranjar maneira de - com um bom apoio de quem saiba - poder cumprir com a sua obrigação de bem gerir o património que lhe foi confiado por nós que o elegemos. Razão pela qual lhe podemos pedir contas a todo o tempo e não só nas eleições.

O Senhor Vereador diz que é homem de confrontos. Novamente errado. Um vereador não é dono da câmara, nem dos serviços, nem da verdade, como se confirma agora. Um vereador deve dar conta aos munícipes daquilo que vai fazendo, e pretende fazer, para que em conjunto a sua actuação possa estar sufragada por aqueles a quem deve prestar contas. Veja-se as ajudas que os cidadãos e cidadãs lhe querem dar nos blogs, ("A Baixa do Porto", "pned”, etc. ; há muitos e bons) que certamente tem visitado. Se não visita mais confirma a sua atitude pesporrânte (prosápia balofa; arrogância; Lello Popular). Portanto não pode criar conflitos ou outro tipo de confrontos institucionais. Muito menos aqueles de que V.Ex.ª tem abusado de, tendo a faca e o queijo na mão, despachar à "Lagardere"/faroeste e ficar à espera que os munícipes tenham coragem para o afrontar no tribunal. Este seu comportamento é tanto mais grave quanto V.Ex.ª sabe que o tempo está a seu favor e que os cidadãos, além de não confiarem - com boas razões, infelizmente, - nos tribunais, não arriscam demoras de anos e anos. É uma atitude prepotente que carece da mais elementar seriedade cívica.

Se teve a coragem de ler até aqui por favor tome nota de mais esta recomendação: para ser elegante e correcto anule imediatamente as suas acções praticadas contra mim (a cliente não é tida nem achada) de modo a evitar mais vergonhas para a CMP, demoras e despesas. Despesas de cujo montante, certamente, a minha cliente pedirá para ser ressarcida em devido tempo.
Reconheça que tem errado e que tem pouco tempo para limpar a má imagem que tem estado a dar de si e da equipa de que faz parte.

Com a consideração devida, creia-me, José Pulido Valente

P.S. fico à espera que queira confrontar-se comigo como cidadão e sem a imunidade. O tema será: a má qualidade dos serviços de urbanismo e fiscalização da CMP. Em devido tempo indicarei os meus padrinhos. Escolha o dia, hora e o local, p.f. JPV

De: Cristina Santos - "Os sucessores" 

Depois deste magnifico post de João Medina, concluímos que afinal o rei não vai nu.
Mas como o rei se retirou para as profundezas do seu palácio e já antes haviam intentado contra o seu reinado, logo se levantaram outros candidatos a sucessores ao trono.
Era uma época em que os tronos valiam só pelas dízimas, a ideia de nobreza estava deturpada e qualquer um podia ser o sucessor do rei sobejamente enganado.

Começaram aparecer no reino, candidatos vindos de todas as aldeias do reino, cada um com sua valia.
Primeiro levantaram-se os nobres das tabernas e dos tascos, uniram-se e tentaram demonstrar, que o reino dependia dos horários em que as tascas e tabernas se encontravam abertas, falaram de condições de acesso dos clientes e do mal que o rei deposto tinha feito ao tentar por ordem nas diversões.
Pretendiam demonstrar que todo o reino dependia essencialmente da diversão que conseguia oferecer na aldeia da Ribeira.
Depois veio uma Rosa D’arque que defendia os oprimidos, sugeria que o palácio devia ser mudado para a aldeia do Aleixo, que todo o reino dependia essencialmente das ideias que ela tinha para o desenvolvimento dessa Aldeia.

Mas os candidatos mais sábios, aproveitando o destrono do rei, prometiam continuar a destrona-lo, o povo estava sedento de vingança e este era o alegorismo da caverna.
Em cima dos cruzeiros destoavam-se discursos de revolta contra o anterior rei, (recalcar o passado era naqueles tempo muito importante), estes candidatos tinham contratado vários bobos, que erguiam pedras sobre a cabeça com palavras de apoio aos discursantes, o povo estava em euforia, sedento de mudança.

A arma mais forte destes nobres era sem duvida a critica feroz ao rei deposto, as soluções eram a curto prazo, propunham o enforcamento do Homem de cinzento. Estes nobres tinham encomendado grandes vestias cor-de-rosa, tinham um poder financeiro incalculável e herdado de antigos reinados.

A corte perguntava – Mas senhor quais são os vossos planos?
O nobre de cor-de-rosa respondia: - Isso meus caros depende dos planos que o malvado tinha.
- Mas senhor o antigo rei já não tem planos
- Não importa estamos contra.
- Mas senhor tendes que admitir que V. pai não fez grande coisa pelo reino, alias nos seus últimos 10 anos de vida viveu doente e parado, quando V. lhe sucedestes também não fizestes melhor.
- Era jovem, os jovens cometem erros, mas consegui aliados que poderão levar este reino além fronteiras, abrirei as portas do palácio sempre que o povo queira festa, farei acordos milionários e todos os que trabalharem comigo serão beneficiados.
- Mas e o reino senhor, os oprimidos senhor, o desenvolvimento a carroça puxada a 200 burros, como será, por onde passará?
- Tenho solução, satisfarei a vontade dos oprimidos para que se calem e nos deixem trabalhar, o reino depende do rei e portanto chamarei a mim as melhores mordomias e os melhores bobos e a carroça lá se há-de ver, que tendes não confiais em mim?
- Não senhor, longe de nós, só nos questionamos se não haverá em V. família quem melhor possa representar o reino, alguém com mais experiência, com mais currículo, o nosso reino é um dos maiores senhor, merece respeito e credibilidade, pensamos talvez em V. dirigente, não sei…
- Eu serei rei, rei mesmo que por falta de oposição, e meu povo eu vos prometo a primeira lei será acabar com os profissionais do contra, de mim nada mais sabereis, apenas a minha vontade de ser rei, uma coisa aprendi com este reinado, a opinião publica pode ser uma coisa muito perigosa, não abrirei a minha boca, farei como meu Padrinho que está em Lisboa


O povo eufórico festejou, gritou, os Bobos ergueram as pedras, que por fim os haviam de sepultar quando o novo rei ocupou o seu trono e a corte essa não mais teve oportunidade de debater com o Rei, o reino foi governado no imediato, compraram-se os revoltados e viveram na paz daquilo que seria subsistir com o que havia, o que só por si já demonstra as enormes capacidades do Rei eleito.

Este reino ficou conhecido como o lugar onde só os fracos queriam ser reis, onde por falta de bons reis subiam ao trono os Bobos.

Cristina Santos

De: F. Rocha Antunes - "A Democracia..." 

"... é uma maçada"

Meus caros,

Depois da brilhante prosa do João Medina, hesitei muito em escrever este post pelo simples facto de saber a que ia fazer “descer”.

Venho falar do que acho que é o principal problema: o método. Eu sei que é maçador mas é aqui que está, mais uma vez, a causa deste problema.

Todas as promessas que foram feitas em campanha eleitoral devem ser cumpridas, porque têm uma legitimidade democrática objectiva e é obrigação dos políticos, sejam eles quais forem, assumirem que cumprirem essas promessas é a parte central do seu programa de acção.

Agora, todas as acções que, pelo seu impacto, tenham relevância na cidade e que não tenham sido apresentadas antes do sufrágio eleitoral têm necessariamente de ser apresentadas aos cidadãos para que, COM TEMPO, se possa perceber qual é a respectiva opinião.

E aqui temos que ser implacáveis: não há justificação para que se intervenha numa zona tão importante da cidade sem se dar tempo para que todos se possam pronunciar. Não é decidir na praça pública, é decidir coisas que a todos dizem respeito depois de se conhecer a opinião de quem se quer manifestar.

O que temos é isto: Uma empresa de capitais públicos que tem como principais accionistas os eleitores dos concelhos da AMP está a utilizar o estatuto de sociedade anónima para pretender não justificar as suas decisões internas e a patrocinar uma obra a uma Câmara municipal da mesma AMP (só para falar desta obra em concreto) que, por ser “oferecida”, não é sequer discutida e que pretende ser efectuada na praça da cidade mais importante.

Imaginem por um segundo que uma empresa privada, como a minha, pretendia “oferecer” semelhante obra à cidade, com a justificação de que dois conjuntos de escadas rolantes iam implicar a alteração dos passeios e, por isso e já agora, renovava a praça toda. Achavam normal que fosse apresentado como facto consumado? Mesmo que fosse buscar os arquitectos mais prestigiados da Europa? E a cidade não tem nada a dizer?

No caso de se tratar de uma empresa pública, em que os accionistas são os cidadãos das câmaras, ainda fica mais difícil de entender. E de aceitar.

Eu sei que a maçada que dá conduzir um processo aberto é grande. Mas o interesse de todos implica que assim seja. Sobretudo se é do espaço de todos que estamos a falar.

Francisco Rocha Antunes
Promotor imobiliário

De: Carlos Gilbert - "Arquitectos entre si..." 

A arquitecta paisagista Teresa Andresen, que já há dois dias escrevera no "Público" um notável texto sobre a requalificação da Avenida dos Aliados, "responde" hoje no mesmo periódico ao seu colega Eduardo Souto Moura, por este ter referido publicamente que ninguém tivera a atitude de aplaudir a requalificação da Rotunda da Boavista... Teresa Andresen toca no assunto "com pinças" e explica o porquê de forma clara. Sintetizando, diria que a mim, que não sou arquitecto, é imensamente mais fácil questionar aqui (ou noutro lado) as opções defendidas pelo arquitecto A ou B, mas entre colegas de profissão a coisa "pia mais fino"... Ou seja: é como em tudo, o "corporativismo" sobrepõe-se ao interesse do debate puro. Digo isto sem quaisquer laivos de carga negativa, estou só a constatar um facto da vida... Todos sabemos que é assim também entre médicos, magistrados, políticos da mesma cor partidária... basta ler os jornais. Por este motivo, aplaudo a sinceridade e frontalidade da Teresa Andresen que, sem ferir de forma alguma a dignidade de um colega por uma atitude que tomou (a "queixa" pública pela ausência de reconhecimento por um trabalho seu recentemente executado) nos veio contudo mostrar as dificuldades que há "no terreno" e o cuidado a que são obrigados os que são da mesma área profissional, quando se trata de obra pública.

Já agora aproveito para me dirigir a Souto Moura neste contexto: Senhor Arquitecto, o Porto (infelizmente) deixou há muito de ser a cidade genuína com a "alma" franca, directa e aberta que a caracterizou durante séculos, V. Exª sabe disso tão bem quanto eu. Foram demais os erros cometidos pelos "poderes decisórios", demasiado flagrantes os "roubos" cometidos (à custa da identidade própria da cidade), dos quais o primeiro de maior relevância terá sido o do "Palácio de Cristal" original. O que "o povo" hoje quer é trabalho certo e o mínimo de preocupações quanto ao futuro. A Rotunda foi arranjada? Óptimo. Ao menos uma obra em que a zona de requalificação manteve a sua traça... Estamos todos cansados de ver espaços públicos de belíssima qualidade estragados quando a única coisa que precisavam era de uma boa limpeza e arranjos pontuais, nesse aspecto é de louvar a sua obra na Rotunda. Mas, sem qualquer espírito menos próprio, vai V. Exª permitir-me uma pergunta: V. Exª acha, lá mesmo no fundo do seu ser profissional, que para se arranjar um espaço público como a Rotunda e da forma que foi, a edilidade teve mesmo a necessidade de escolher um arquitecto da craveira de V. Exª?? É que dá a sensação que nos dias de hoje qualquer projecto de requalificação de espaços públicos têm obrigatoriamente de ser da autoria de V. Exª ou do seu colega Siza Vieira! É o reflexo das "asneiras" cometidas pela "Sociedade Porto 2001"? Acredite que faço esta pergunta só com um certo espírito de perplexidade, pois entendo V. Exªs talhados para obras de muito maior complexidade.

Respeitosamente,
Carlos Gilbert

PS: João Medina e os "Alfaiates do Rei" - BRILHANTE!!!!

De: João Medina - "Os Alfaiates do Rei" 

Em tempos que já lá vão, existiu um Rei diminuído que decidiu encomendar um novo fato. O único fato que tinha, apesar de ainda manter porte digno e majestático que se impunha, encontrava-se bastante deteriorado e gasto, fruto do uso que lhe vinha sendo dado, não só pelo nosso Rei, mas também pelos os seus antecessores. Com efeito, tratava-se do fato de festa, com o qual todos os anteriores reis gostavam de ser retratados. Mesmo o nosso diminuído Rei, sempre que o vestia, sentia uma altivez tal, que conseguia empinar o nariz e falar daquela forma arrogante e pomposa que apenas é atingível pelos grandes monarcas pequenos.
O nosso diminuído Rei, aconselhado pela sua côrte e apoiado pelo seu bobo, tomou a decisão que se impunha: chamou para tal empreitada os dois maiores alfaiates do Reino – Os ateliers do Olimpo. O dinheiro não era problema, porque como Rei que se prezasse, assumiu logo à partida, que não iria ser a Coroa a pagar.

Os digníssimos alfaiates propuseram a Sua Majestade a criação do traje real mais magnífico de todos os tempos. Seria inspirado no que estava a ser feito nos melhores ateliers da Europa. Passado uns tempos apresentaram o traje.
O pobre Rei e a sua corte, ao verem uma t-shirt cinzenta ficaram pasmados.
De imediato, antes que sua majestade pudesse até abrir a boca, os digníssimos alfaiates começaram a utilizar expressões justificativas de elevada retórica, do tipo “O que é bonito nestes trajes reais é o vazio que pode ser ocupado”, ou “Vimos imagens de t-shirts europeias não consta que sejam desagradáveis” ou que “apenas os profissionais do contra não o conseguem ver a majestade dessa roupagem”.
Ora, sendo estas justificativas ininteligíveis para o nosso diminuído Rei, e não querendo el-Rei assumir-se como profissional do contra, ele convence-se de que na realidade está na posse de uma peça de valor inestimável. E com ele concordou toda a Corte de forma ululante – mesmo só vendo uma t-shirt cinzenta, ninguém queria mostrar discordância em relação a um traje vindo dos ateliers do Olimpo.

Deve aqui dizer-se que el-Rei tinha ainda recentemente mandado fazer outras t-shirts, as quais nunca usava. Apesar da falta de uso apresentavam-se já sem côr e descosidas em diferentes pontos. A diferença é que dessas vezes, sabia à partida que eram t-shirts.
Mas a euforia do momento foi tal, que foi mandado queimar o traje antigo. Esta era, aliás, uma antiga tradição do pobre Reino. A noção de património ou de memória era completamente diferente da que existe nos tempos actuais. Sempre que um Rei mudava de palácio, demolia-se o antigo, sempre que mudava de coche, mandava-se o antigo para fundir e fazer miniaturas, etc...
No dia do desfile triunfal, organizado para mostrar o fato, o Rei envergou o traje mais «magnífico» que jamais tinha sido imaginado: a t-shirt cinzenta!

Foi aí, que os seus súbditos comuns, os do Povo, que el-Rei praticamente nunca via ou ouvia, viram o traje pela primeira vez. “Uma t-shirt?” Perguntam uns. “Que escuro!” Dizem outros. E continuam... “Falta côr”, “Gostava mais do antigo”, etc...
O Rei, estremunhado, apercebeu-se de que algo se passava. Aquelas pessoas não eram os terríveis “Profissionais do contra”, sempre dispostos a sabotar o progresso do reino. Eram súbditos comuns. E agora? Nem sequer podia ir ao Palácio vestir o fato antigo, que estava reduzido a cinzas... Afinal, nem os alfaiates do Olimpo, o tinham ajudado. A chorar de raiva e sentindo-se injustiçado, el Rei, não conseguiu permanecer mais tempo junto do seu Povo e fugiu para o seu refúgio no palácio. Aí fechado, isolado do exterior, passou o resto do seu breve reinado.

João Medina
[email protected]

2005/03/23

De: Carlos Gilbert - "A Av. dos Aliados..." 

... e a proposta de Pulido Valente

Estive a ler o texto deste nosso companheiro de blogue e o desenho que nos submeteu. Gostava de lhe fazer umas quantas perguntas, serei o mais conciso possível.

«Deve-se abandonar o passeio para o peão e adoptar o que já foi bem feito em Stª Catarina, entre a Batalha e Passos Manuel, fazendo um piso único a toda a largura do espaço entre edifícios - sem diferenças de altura entre o que é para os motorizados e para o peão - tratar o piso com o mesmo tipo de material base, sem excluir canteiros ou outros ajardinamentos, e dar aos motorizados uma faixa de três mãos do lado poente como se fez na marginal da Alfandega até aos Pilotos sem que haja reclamações apesar de haver troços de menos que três mãos. E a marginal tem carga de trânsito maior e mais rápido que o centro da cidade.»

Não se ficava desta forma com uma assimetria insanável na nossa praça/alameda principal? A marginal é um arruamento, aqui trata-se do centro da cidade que deve ostentar a maior "beleza de arquitectura citadina" possível, não? Estou a imaginar-me no Passeio das Cardosas a olhar para cima, em direcção à Câmara, e "vejo" do meu lado esquerdo as ditas três faixas de rodagem e do lado direito o espaço para peões... e não consigo ver harmonia neste tipo de solução. Prefiro um ajardinamento central, as faixas de rodagem estritamente indispensáveis de cada lado (duas?) e passeios laterais com um desenho que harmonize com o tipo de edifícios desta avenida. É utópico pretender copiar-se o exemplo da Santa Catarina, pois o trânsito não pode ser desviado, mas a este ponto vamos de seguida.

«Por outro lado não se pode agarrar nos Aliados e tratá-los como se não fossem o centro do centro da cidade.» Exactamente, tem de ser um espaço belo, arejado e com a imponência que esta parte da nossa cidade ainda vai tendo. De preferência com infra-estruturas que chamem a população para desfrutar do mesmo (p.ex. esplanadas em frente aos cafés que por lá há, devidamente separadas do restante passeio com faixas de arbustos, bancos convidativos nas zonas centrais).

«Há que estudar as ligações às ruas e circulações necessárias que ficam cortadas com este contínuo que vai das Cardosas até atrás do hospital da Trindade. Há que ir mais longe, também, e desviar o trânsito nas cotas altas para que a ligação entre os lados ocidental e oriental da cidade seja feita sem sobrecargas nos Aliados.»

Desviar o trânsito? De que forma? Por onde? Quem vem da zona da Constituição e/ou Gonçalo Cristóvão e quer ir para a zona ribeirinha não pode deixar de circular pela Av. dos Aliados. Quem quer ir da zona dos Clérigos (parte poente da Baixa) para a parte nascente (Batalha, S. Lázaro, Campanhã) idem. Quem quer circular da zona de Sá da Bandeira/D. João I para a parte poente tem de passar pelos Aliados. Quem quer ir da parte baixa (sul) para a parte alta (Trindade/G. Cristóvão/Marquês), idem. Sem ser de forma alguma dotado da visão de um arquitecto, permito-me mostrar como eu gostaria de ver a Avenida dos Aliados, pelo desenho que anexo. Não é assim muito diferente do que a edilidade propõe, excepto que não permitiria o atravessamento directo de um lado para o outro, subdividiria a parte central em três grandes zonas, cada uma com o seu "espelho de água" e zona verde adequada. Quanto ao tipo de revestimento (calçada portuguesa com desenhos artísticos ou outra) não me pronuncio. Deixo isso para quem dispõe de mais conhecimentos neste campo específico do que eu.

Só uma nota final: se proponho aqui três zonas verdes com "espelhos de água" parto do princípio que a edilidade iria tomar as medidas para manter a zona devidamente tratada e limpa. Caso contrário, não vale a pena.

Carlos Gilbert

De: Pulido Valente - "Monumento" 

Projecto de Monumento a Humberto Delgado










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Nota de TAF: ler também isto e isto.

De: Pulido Valente - "Muita paciência e muita militância" 

Meus amigos, já não tenho ilusões. Poucos serão os que querem que continue a dar os meus bitaites sobre o que se passa na CMP. Para esses, se os da câmara quiserem que consultem este blog, aqui vai mais um punhado de pérolas da nossa Câmara.
Li hoje que o vereador do urbanismo se coloca na posição, cómoda e perfeitamente absurda para quem foi eleito e não é dono da cidade, de reptar os cidadãos para que recorram ao tribunal administrativo se não concordarem com o que a CMP, E NÃO ELE; está a fazer.
Cómoda porque sabe que a demora reconhecida dos tribunais vai desmobilizar os cidadãos de usarem esse seu direito. Tanto mais cómoda quanto, quando viesse a decisão, ele Paulo Morais já tinha voltado para as suas hortas e, portanto, já não seria apanhado pelas eventuais e mais que certas condenações da CMP E NÃO DELE.
Absurda porque sendo eleito tem o dever de ter outra postura e outro tratamento para com os munícipes que precisam dele para que a CMP, E NÃO ELE, os trate bem.

Vi também que há investidores, surpreendentemente apoiados pelo vereador comunista, que ameaçam, chegam mesmo a, propor acções contra a CMP, e não contra ELE, por ELE não dar o despacho que eles entendem dever dar.
Aqui a porca torce o rabo e estão duas, pelo menos, questões diferentes.
Há um terceiro aspecto muito importante que está mal explicado na notícia que li no Público.
A CMP NÃO PODE fazer acordos com os particulares que NÃO respeitem o PDM. Todos aqueles que os anteriores executivos fizeram são nulos assim como aqueles feitos sob esta gestão no tempo do Ricardo ou no do seu substituto.

Quarto ponto: as medidas preventivas são, em parte - aquela que dá orientações para apreciar os processos - ilegais, pelo que não adianta querer aprovar o PDM antes de 6 de Setembro, data em que deixam de ter hipotética validade para sustentar os despachos da CMP. Portanto não há razão, também por esse lado, para que não se faça um PDM em condições e de qualidade o que não aconteceu até aqui.

Quinto ponto: A CMP NÃO pode decidir sobre os processos de licenciamento e autorização com base no PDM que ainda NÃO tem força legal. Nem na parte ilegal das medidas preventivas.
Aquilo que a CMP tem estado a fazer é um absurdo e só prova a má qualidade do pessoal que intervem neste sector dos licenciamentos e autorizações, incluindo a do vereador que prefere fazer asneira a informar-se devidamente (não tem tempo, a política toma-lho todo) a rodear-se de pessoal competente que o ajude a fazer o seu lugar com correcção e respeito pelos cidadãos.

Por hoje.
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Nota de TAF: Actualizei com uma imagem de melhor qualidade a proposta de Pulido Valente para os Aliados.

De: António Moreira - " Túnel de Ceuta: ..." 

"... a versão da autarquia, com as imagens"

Publicado no Provotar

De: TAF - "Páginas de quarta-feira" 

- Túnel de Ceuta: a versão da autarquia, com imagens
- Rui Rio reuniu-se com Ministra da Cultura
- Presidente do IPPAR no Porto para discutir túnel de Ceuta

- Metro: Oliveira Marques “perplexo” com posição da Faculdade de Medicina
- Oliveira Marques acusa Faculdade de usar o metro na luta contra "S. João"
- Projecto aprovado desde 2003 pelas três entidades envolvidas
- Projecto do metro junto ao S. João vai à reunião da Câmara do Porto
- Assembleia Metropolitana chumba proposta para parar obras no S. João
- Acordo com hospital não trava contestação
- Desnivelar Circunvalação custa 18 milhões
- Utentes dos alternativos com esperas de 6 minutos

- Mudança da Reitoria para breve
- CMP: Rui Sá alerta para défices ocultos
- Sá diz que Morais rejeitou projectos já homologados
- Vereador do Urbanismo acusado de arriscar saúde financeira do Porto
- Chumbo de projectos pode criar "passivo oculto"na Câmara do Porto

- Queda parcial do telhado de fábrica impede circulação na rua da Alegria
- Cai cobertura de edifício centenário
Valia a pena quem sabe mais sobre o empreendimento para aqui previsto (e que está atrasado) mostrar-nos os obstáculos irracionais que uma obra destas encontra por parte do Estado. Teria certamente elevado valor didáctico. ;-)

- Aliados no executivo
- Oposição quer votar projecto para os Aliados
- PDM está nas mãos da Assembleia Municipal
- Executivo aprova Plano Director Municipal do Porto
- Aval a PDM sem mudanças
- Rio diz que últimas alterações ao PDM são responsabilidade da Assembleia Municipal

- Casa da Música está a funcionar sem licença de utilização - "Fernando Albuquerque admite que não foi cumprida a formalidade."- Mais uma vez: o "direito de não cumprir a Lei" é algo que não existe! Se o próprio Estado não dá o exemplo de cumprimento dos seus deveres mais básicos, por que é que os particulares se hão-de preocupar com essas "formalidades"? Neste caso os responsáveis são fáceis de encontrar. Punam-se, ou estamos na República das Bananas.

- Casa da Música: Janela ainda não está fechada
- Vereador diz que nada assinou - Cronologia
- Sede do BPN volta ao projecto inicial e tapa janela da Casa da Música
- Casa da Música adia abertura de bilheteiras para a próxima semana

Já tinha reparado neste blog há algum tempo e tenho-me esquecido de colocar aqui uma recomendação. Vale bem a pena a visita para quem gosta de fotografia (do Porto).

2005/03/22

De: L F Vieira - "Arrufos tripeiros" 

Blog: Cabo Raso
Post: Arrufos tripeiros
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Nota de TAF: Cuidado com as janelas pop-up "piratas" com publicidade que aparecem ao visitar o Cabo Raso, fruto provável dos "extras" ao fundo do menu direito. Recomendo o uso do Firefox em vez do Internet Explorer.

De: Pulido Valente - "apesar de não servir..." 

"... para nada aqui vai UMA solução possível"

Se a CMP entende que quer fazer dos Aliados um local de encontro e de lazer tem de criar condições para que as pessoas se sintam bem nesse espaço.
Não é com uma alameda circundada por automóveis e autocarros que ocupam cerca de vinte metros do total da largura entre edifícios que isso se consegue.

Deve-se abandonar o passeio para o peão e adoptar o que já foi bem feito em Stª Catarina, entre a Batalha e Passos Manuel, fazendo um piso único a toda a largura do espaço entre edifícios - sem diferenças de altura entre o que é para os motorizados e para o peão - tratar o piso com o mesmo tipo de material base, sem excluir canteiros ou outros ajardinamentos, e dar aos motorizados uma faixa de três mãos do lado poente como se fez na marginal da Alfandega até aos Pilotos sem que haja reclamações apesar de haver troços de menos que três mãos. E a marginal tem carga de trânsito maior e mais rápido que o centro da cidade. Aliás em Sá da Bandeira continua a haver só três mãos.

Claro que o transporte público será privilegiado; o particular que queira circular na Baixa vai ser penalizado com dificuldades e possíveis demoras. Mas queremos ou não revivificar a baixa e dar-lhe condições para ter pessoas? Se tivermos estacionamentos enterrados e no interior dos quarteirões, podemos e devemos impedir o estacionamento ao longo das ruas o que permite melhores condições para que a minha proposta, um esboço, funcione BEM.



Por outro lado não se pode agarrar nos Aliados e tratá-los como se não fossem o centro do centro da cidade. Há que estudar as ligações às ruas e circulações necessárias que ficam cortadas com este contínuo que vai das Cardosas até atrás do hospital da Trindade. Há que ir mais longe, também, e desviar o trânsito nas cotas altas para que a ligação entre os lados ocidental e oriental da cidade seja feita sem sobrecargas nos Aliados. Estive na CMP a ver o projecto e vi que se mantêm os atravessamentos e ao fim e ao cabo só se fez (como digo há muito) cosmética e desenho de moda. Arquitectural fashion. Mas vi também que o metro anda quinze metros abaixo da avenida o que permite um estacionamento enterrado que apoie o centro para quem tenha negócios, ou necessidade de transporte de deficientes em melhores condições que no metro, ou quem não tenha ligação entre casa/escritório por metro. Caso de toda a zona marginal com profundidade até perto da Boavista. Mais a malta de Matosinhos que não irá pela Pr. Mouzinho de Albuquerque. Já é um montão de pessoas.

De: Cristina Santos - "Breves" 

O Negócio do transporte do desdobramento

Era e ainda é no Marquês que a partir das 21 Horas se constata o negócio fabuloso de transporte de passageiras internacionais em carrinhas e monovolumes.
Este negócio que é sem dúvida muito rentável dado o número de embarcações, serve uma clientela que se aproxima da praça em carros de alta cilindrada e aí desembarca para as tais carrinhas, é procurado por senhoras bem vestidas, que habitualmente chegam entre as 21 e 21.30 e se acomodam no interior até completar o número de assentos disponíveis.

Ora conclui-se que este transporte seja uma alternativa ao metro que ainda não existe na Praça; na verdade se não fosse este tipo de transporte a Praça nem sequer era frequentada.

Este negócio expandiu-se recentemente para a artéria da Constituição, no percurso paralelo a Damião de Góis, são três ou quatro carrinhas repletas de meninas bonitas, que se vão acomodando pelo passeio à espera das embarcações, sim neste caso, não existem carros de alta cilindrada e a maioria das meninas são mesmo Portuguesas ou Brasileiras.

Devo dizer que este negócio incomoda os transeuntes que ali passam com as famílias às nove da noite, isto porque efectivamente ninguém sabe para onde se dirigem estes transportes, o preço do bilhete, o destino etc.…

Talvez por isso surjam comentários da população que se sente lesada, comentários estes que os utilizadores do serviço refutam com expressões e gestos bem portugueses, sem sequer se levantarem dos passeios ou das entradas onde permanecem aguardando.

Claro está que a população civil nada tem que ver com os novos franchising e pela atitude das entidades policiais, com certeza este é um negócio legalizado, com impostos e licenças em dia, pelo que não se compreende porque ainda não lhes criaram apeadeiros ou postos de paragem recolhidos.


Cultura Portuense


Foi com alguma piada que ontem assisti no centro histórico à influência das teses do povo Portuense nos emigrantes orientais. No centro histórico privilegiado por um povo activista e reivindicativo, os orientais são facilmente confundíveis com os portuenses.

Completamente integrados, estes imigrantes que repovoaram o nosso centro histórico, que são geridos por um oriental bem informado que tomou de trespasse muitos dos espaços comerciais e que os disponibiliza aos seus conterrâneos, são a prova viva da influência da cultura portuguesa no mundo.
Veja-se que informados que o Prédio onde habitam vai sofrer obras de recuperação e que as rendas vão sofrer um aumento reagem com a seguinte expressão
- O quê obras – nova renda? Então num quer obras, senhorio nunca fez obras, se faz obras, num renda mais alta, ou nós no querer obras, liga liga ao patrão num quer obras, eu ser inquilino.

Lição bem estudada. Hem?

De: TAF - "Imprensa de terça-feira" 

Por recomendação de Carlos Gilbert, que subscrevo, comecei por ler «Calados, a "obra" vai começar!", de Teresa Andresen no Público apenas em papel. Na página seguinte há também a opinião de Álvaro Domingues: "O túnel".

- PDM é o mesmo com alterações da Assembleia Municipal
- Representantes de Villa Bessa vão à reunião de Câmara
- Finanças dizem que terrenos no parque são para construção
- Câmara do Porto deverá votar projecto dos Aliados
- Ministra reuniu-se com Rio para discutir o túnel

- História: os postais d'O Comércio
- Moradores do "S. João de Deus" apresentam queixas a vereadora
- STCP alarga circuito turístico às zonas da Boavista e Foz do Douro
- Circuito turístico alargado
- O verde metropolitano
- Museu Militar do Porto assinala 25 anos de existência com pompa e circunstância

- Obras do Metro geram trânsito caótico nos acessos ao Hospital de São João
- Câmara da Póvoa junta-se aos protestos contra transbordo de passageiros no Viso
- Faculdade de Medicina propõe metro enterrado frente ao São João

- Sede do BPN vai tapar Casa da Música - "O actual vereador do Urbanismo da CMP, Paulo Morais, limitou-se a empregar o método que tem aplicado em todos os projectos: verificar se cumprem o PDM e se têm ou não direitos adquiridos." - Até que enfim, não pode ser de outra maneira! Os erros do passado só se conseguiriam corrigir com avultadas indemnizações, que a autarquia não tem dinheiro para suportar. Por isso o que nos resta é aguentar com as irresponsabilidades antigas e evitar ainda mais problemas com "fugas para a frente" como as de Rui Rio no Parque da Cidade.

A dança das cadeiras:
- Rui Rio derrota Francisco Assis num cenário sem coligações nas Autárquicas
- Mais de um terço avalia acima de "bom" a gestão de Rui Rio
- Nuno Cardoso é o candidato do PS mais bem colocado para bater Rio
E conhecer os programas, não?

De: F. Rocha Antunes - "Mobilidade" 

Meus Caros,

Sem querer entrar ainda na discussão da proposta do Metro, aceite pela CMP, de renovar o espaço público mais importante da cidade, venho chamar à atenção para um aspecto que, seja qual for a opção estética que vier a ser assumida, deve ser corrigido: A não existência de uma ligação confortável entre a Estação de S. Bento e a respectiva estação da linha Amarela do Metro.

Como se pode ver na fotografia anexa, que tirei ao ir ver o projecto exposto no átrio da CMP, não existe nenhuma ligação entre a Estação de S. Bento e a nova estação de Metro em frente.

Não percebo como é que depois de obras tão profundas não se fez um acesso directo do interior da Estação Ferroviária à estação do Metro. Quem conhece a Estação de S. Bento sabe que o canto mais a Sul da parte da frente não é muito utilizado, e serviria perfeitamente para albergar essa ligação sem afectar o enorme fluxo de passageiros que ali saem para a cidade.

O transbordo proposto, que implica sempre uma ligação ao ar livre, não é feito nas melhores condições possíveis. E todos sabemos da importância da inter modalidade dos transportes e do conforto em que o transbordo entre modos de transporte para atrair cada vez mais utilizadores aos transportes públicos.

É o que dá os projectos não serem apresentados em tempo à discussão pública: agora vamos todos ouvir que sempre foi assim, que já está feito, e que nós, os profissionais do contra é que emperramos o desenvolvimento das soluções.

Agora, que fazia muito mais sentido poder fazer-se um transbordo confortável, fazia. Até porque quem preferir apanhar ar, sem mergulhar directamente de uma Estação para a outra, poderá faze-lo na mesma.

Fazer-se uma estação que custou pelo menos 5 milhões de euros nos Aliados e que não serve para nada, e que implica agora este investimento adicional na reformulação dos Aliados não foi problema. Criarem-se condições de conforto na utilização dos transportes públicos é que não foi prioridade. Opções…

Convém não se esquecerem que a ideia do Metro, mais do que permitir a criação de espaço públicos requalificados, é a de servir nas melhores condições a população da região metropolitana do Porto.

Francisco Rocha Antunes
Promotor imobiliário

De: David Afonso - "Acesso à informação" 

Em boa altura F. Rocha Antunes nos falou aqui do Freedom of Information Act. Também me parece que a questão do acesso à informação é a grande luta cívica do tempo presente. Muitas das questões debatidas neste blogue (creio até que a sua própria génese) são directa ou indirectamente relacionadas com este problema. E nisto não está só. Práticas comuns como a retenção ou, pelo menos, não divulgação dos pareceres técnicos, das estimativas orçamentais, das condições contratuais entre o público e o privado, etc... são geradoras de desconfiança, de incompreensão e, por último, de rejeição por parte da opinião pública. A isto ainda é de acrescentar uma tendência – preocupante em democracia – para manipular a informação: as autarquias em geral são pródigas em produzir material pseudo-informativo (impresso ou on-line) que visa condicionar a percepção que o cidadão tem das decisões dos seus autarcas. O debate sobre a cidade é, nestas condições, assimétrico: quem detém a informação não se dispõe a debatê-la e quem se dispõe a debatê-la não tem acesso à informação.
Não sendo jurista - sou licenciado em Filosofia e com uma especialização em Construção de Memórias Históricas – gostaria, no entanto, de lembrar aqui que a própria Constituição da República Portuguesa garante o livre acesso à informação produzida, por exemplo, no âmbito da administração local:

«Titulo IX (Administração Pública)
(...)

Art. 268º
(Direitos e Garantias dos Administrados)
1. (...)
2. Os cidadãos têm também o direito de acesso aos arquivos e registos
administrativos, sem prejuízo no disposto na lei em matérias relativas
à segurança interna e externa, à investigação criminal e à intimidade
das pessoas.»


David Afonso
[email protected]

2005/03/21

De: Cristina Santos - "Habitação" 

Acusam se os promotores, os imobiliários e os construtores de especulação, no Porto essa especulação resulta essencialmente da exploração dos proprietários.
Claro que factores como as limitações à edificação, a corrente de má construção dos anos 90, as condicionantes do património reduzem as hipóteses dos investidores, mas principalmente é o valor dos prédios que originam que um T1 no Porto para venda tenha o preço, de um T2 para compra em qualquer concelho circundante.
A Cidade não tem qualidade de vida que justifique esses valores, o centralismo que oferecia está em queda livre dado o encerramento do comércio e o desenvolvimento e expansão da linha de transportes públicos.
Assim não há negócio, não há renovação de gerações, nestas circunstâncias a cidade só terá procura após 20 anos contados a partir processo gradual de abandono.

A culpa dos proprietários:
Arrendamento:
Venda e investimento
Quanto à culpa dos promotores e dos construtores, que se acordem as mentes adormecidas nos anos 90, para o facto de que hoje é impossível de parte a parte (desde o construtor ao imobiliário) obter 40% de lucro, isso são tempos idos, se queremos investir em habitação de qualidade os preço aumentam a ponto de por vezes tornarem os fogos demasiado caros para venda, dadas as limitações às amplificações.

Assim e se não queremos enveredar pelo caminho da massificação e das ilhas ao alto, resta-nos criar tabelas justas de venda de prédios devolutos e depois investir com a consciência que os lucros dificilmente ultrapassarão os 10% nos primeiros anos.

A medida que o Tiago apresenta, no pouco que pude ver, é um óptimo trabalho talvez desenvolvido pela administração local, que soube encontrar investimento junto de investidores em grupo, multi nacionais, podia aplicar-se na nossa Cidade.
Mas a nossa cidade não tem as mesmas aliciantes, um projecto como esse só depois de ser testado na Capital, não tenhamos ilusões, tenhamos a esperança, que os valores que Lisboa indica como preço de venda, sejam uma consciencialização dos proprietários portuenses, que sirva como exemplo e despertador.

Se não há residentes, não há dinheiro para melhorar a cidade, se não há famílias sedentarizadas, de nada no vale um Património que não podemos manter ou conservar, se a cidade não tem qualidade de vida não justifica tais investimentos, também não pode ter qualidade de vida sem receitas....

Cristina Santos

De: João Medina - "Aliados" 

Descubra as diferenças... parte 2

Antes de mais devo realçar o facto de que gostaria de ver disponibilizada mais informações sobre o projecto. Unicamente a brochura parece-me pouco. Será que alguém da CMP ou dos gabinetes do Dream Team disponibilizar mais informações sobre o projecto para consulta online?
Ainda por cima...
Na brochura que está no site da câmara aparecem (mais uma vez) duas versões para o mesmo local.
Na planta, ao lado da fonte, aparecem duas fileiras de árvores. No esboço, imediatamente ao lado, aparecem três fileiras. Qual será a versão final? Ou não será nenhuma destas?


Reafirmando o que já disse aqui, mais uma vez pegunto:
Que tipo de discussão e opinião podemos nós (os cidadão comuns) construir com base nesta informação?
Ou isso também não interessa nada?

Já agora... não haverá responsáveis por estes erros?
É que na empresa na qual trabalho, seria inadmissível que acontecesse tal coisa.

nota final: Já alguém sabe qual a espécie de árvores foi escolhida? Folha caduca? De fruta? Com flores? Ou essas coisas não aparecem no AutoCad?
_________________________________
João Medina

De: F. Rocha Antunes - "Freedom..." 

"... Of Information Act"

Meus Caros,

A propósito de muitas das nossas questões, faço aqui alguns links para um assunto importante: a obrigação dos governantes, a todos os níveis, prestarem informação completa do que fazem e como fazem.

Começo com uma citação, que está na primeira página de um organismo estatal americano:

“A popular Government without popular information or the means of acquiring it, is but a Prologue to a Farce or a Tragedy or perhaps both. Knowledge will forever govern ignorance, and a people who mean to be their own Governors, must arm themselves with the power knowledge gives."

James Madison, antigo Presidente dos EUA


Podem consultar o texto do Freedom of Information Act Americano neste link.
Ou o inglês neste.

Volto mais tarde a este assunto, para explicar a versão da União Europeia sobre isto.

Parece-me escusado dizer qual a importância disto para a nossa cidade. É que suspeito que há já leis que obrigam, não apenas recomendam, que todos os organismos do Estado e empresas públicas tornem público, em tempo, todas as razões que justificam os investimentos e as decisões que nos afectam. E que, como é costume, nós ignoramos e depois não as usamos.

Francisco Rocha Antunes
Promotor imobiliário

De: TAF - "Pequeno Porto" 

Em Lisboa:
- Casas à venda em Lisboa por 60 mil
- Apresentação do Fundo de Investimento Imobiliário “Lisboa Séc. XXI“
(Ambelis no site da CML e no respectivo site oficial.)

No Porto:
- APOR - Tem havido intervenções mas a nível diferente. Haverá algo minimamente equivalente ao que é feito em Lisboa? Colocar pessoas nos sítios? Não vale a pena falar no "Porto com Pinta"...

Desde há bastante tempo tenho vindo a afirmar que especialmente no Porto há investidores com capital parado e empreendedores competentes sem ma$$a crítica...

O imobilismo actual não é originado apenas pelas dificuldades colocadas pela Administração Central e Local. O caso da recuperação da Baixa é para mim claro. Basicamente não nos levamos a sério. Em Lisboa vão investir 260 milhões de euros, dos quais 50 milhões de imediato. Imagine-se o impacto que teria um investimento de, por exemplo, apenas um décimo do que vai ser aplicado em Lisboa: 26 milhões de euros (nem é muito, compare-se com o Metro...) para comprar, recuperar e ocupar edifícios na Baixa.

Quais os obstáculos, actualmente?
A iniciativa pública pode ajudar, mas quem tem os meios para resolver o problema são os privados. A SRU possui ferramentas para ultrapassar muitas das dificuldades que até agora se encontravam (expropriações, trabalho a nível de quarteirão, etc.), mas não tem capital nem consegue sozinha mobilizar a procura.

Estou absolutamente convicto de que, tivesse eu capital suficiente para actuar como promotor, não teria dificuldade em levar para a Baixa muita gente como eu próprio. Não é por "ter a impressão de que"... Conheço realmente muitos casos concretos e, além disso, este blog proporciona uma visibilidade significativa para quem quiser juntar oferta e procura logo desde a fase de projecto. Contudo, é fundamental liquidez para realizar em tempo útil negócios interessantes.

Onde é que andam os investidores? Os portuenses não são suficientes, pelos vistos. No resto do país se calhar também não há muita disponibilidade. Fundos como os da Caixa Geral de Depósitos ou do Grupo BES? Promotores como os grupos Amorim ou José de Mello? Aqueles menos conhecidos, mas com enorme investimento na periferia de Lisboa? Viremos-nos para os investidores estrangeiros, os nacionais virão atrás... ;-)


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