2006/02/04

De: Carlos Gilbert - "Porto, Gaia e pontes" 

1. Sobre o projecto de fusão entre os dois municípios acho normal causar os debates que tem havido. O contrário é que seria de espantar, era sinal de indiferença perante um projecto cuja importância é indisfarçável. Muito mais importante entendo o factor arquitectónico a dar a todo este espaço que é o Grande Porto e que - salvo raríssimas excepções - reune tudo o que de interdito em arquitectura se pode fazer. Ao longo das últimas décadas imperou a voz do dinheiro e o resultado está à vista.

2. Novas pontes? Creio que a referida ponte à cota intermédia ligando Massarelos (enfiamento da D. Pedro V) a Gaia (à via estruturante já lá existente) é mesmo necessária. Quando o anel exterior ao Porto (A41, salvo erro) estiver todo concluído, grande parte do tráfego rodoviário de longo-curso vai deixar de passar quer pela Arrábida, quer pelo Freixo, creio que isso vai aliviar significativamente ambas.
Quanto à dita "ponte pedonal" sou CONTRA a 100% por motivos estéticos. Alguém me poderá dizer por que motivo não se acrescentam passeios EXTERIORES à Luiz I, construídos dentro do seu estilo e de ambos os lados? Tinha-se a serventia e salvaguardava-se o estilo.
Para não falar nos táxis fluviais entre as duas margens...

Cumprimentos,
C. Gilbert

De: Pedro Lessa - "Outras fusões" 

Ainda a propósito de fusões, acrescento o seguinte:
Concordo completamente e em absoluto com o arq JPV. Será com o baixar de patamar a que teríamos de nos dirigir e lidar que as situações se controlariam melhor.

Quanto mais baixarmos o patamar do poder autárquico, mais fácil acesso teremos a ele e respectiva responsabilização. Ou haverá dúvidas que seria bastante mais fácil solicitar audiências a presidentes de Junta do que a Vereadores? E por outro lado, não será mais fácil para presidentes de Junta dominar melhor uma freguesia do que um Vereador o seu concelho?

Mais uma vez afirmo que o nosso atraso poderá ser benéfico. Com algumas experiências já realizadas por essa Europa fora, podemos sempre aprender com as que foram bem sucedidas. Basta olhar para os nossos vizinhos. Não me canso de indicar o caso de Barcelona. Salvaguardando a escala, o Porto e Barcelona têm afinidades culturais, sociais e até políticas como segundas maiores cidades. Barcelona aqui há uns anos tinha metade da dimensão que tem hoje. Soube reivindicar a expansão e superiormente resolver o aumento admnistrativo. Existe uma câmara municipal, eleita politicamente, e várias sub-câmaras, não eleitas, para lidar com toda a burocracia e processos admnistrativos relacionadas com o munícipe e a cidade. Antes do Jogos Olímpicos já a cidade funcionava na perfeição e ainda assim decidiram aproveitar o evento para melhorar a cidade.

Porque razão insitem os nosso politicos na cegueira umbilical e não decidem aprender com o que se passa lá fora?
Sou completamente a favor da expansão do Porto, contida é certo, mas acima de tudo, pensada e planeada.
Basta também olharmos um pouco para a nossa História municipal. Aqui há uns anos, não se decidiu a integração da freguesia de Paranhos no Porto quando esta pertencia à Maia? Existiram assim tantos problemas, que entretanto se resolveram por si só? Penso que não.
Por vezes ao apontarmos ideias, assustamo-nos sem razão com a sua aplicabilidade e desenvolvimento.

Cumprimentos,
Pedro Lessa
[email protected]

2006/02/03

De: TAF - "O PDM..." 

... foi hoje publicado no Diário da República. O PDF está aqui.

De: João Medina - "Exercício" 

Onde começa um e acaba outro?
Não seria altura de alterar alguma coisa?
("Porto+Gaia: a oportunidade da megapolis" )




De: Alexandre Burmester - "Pontes para o Futuro" 

Vou voltar ao assunto das pontes, para deixar melhor esclarecido o meu último post, que começou com a seguinte frase “Sempre que se fala em pontes sobre o Rio Douro, sejam lá quais e onde forem, estarei à partida de acordo”. O que pretendendo é que se estabeleça o maior número possível de ligações entre Porto e Gaia, de preferência que estabeleçam ligação ao rio e às suas margens (que não sejam aéreas como as actuais), e que fique esclarecido que não defendo a colocação da ponte pedonal junto à Luís, mas que também não estou contra.

Estas pontes justificariam por si o melhor entendimento entre as duas cidades, uniriam os seus centros históricos, as suas populações, e devolveriam ao rio a vivência que este perdeu ao longo dos anos.

E por falar em localização de pontes sobre o Rio Douro, já agora acrescento várias propostas:


A vermelho as travessias que deveriam existir, para peões e automóveis a cota baixa ou média, e que se situariam da direita para a esquerda:
A verde uma travessia a cota intermédia para o Metro e automóveis entre a Rua da Restauração e a nova via de Gaia perto dos terrenos da Mobil.
A azul uma passagem subterrânea, tal como já o defendeu o Filipe Menezes, entre a Foz e o Cabedelo.

E se vierem outras a acrescentar e não a diminuir também não estou em desacordo.
Agora o que se deve entender sobre a construção de pontes com a fasquia muito elevada, deve-se perceber que se for mantido o princípio até agora vigente, em que sempre que se estuda uma ponte chama-se o maior entendido na matéria (do tipo Prof. Edgar Cardoso, Arq. Siza Vieira,…), corremos o risco de pelos custos vir a pagar por cada ponte o valor de 3, como foi o caso da ponte de S. João, e que se não ocorreu no projecto para a ponte do Infante do Arq. Adalberto Dias, foi porque se promoveu um concurso público.

É garantia suficiente para se encontrar óptimas soluções com o recurso aos concursos. E é também garantia de viabilidade, a consulta popular.
De outra forma ficaremos é sem ponte nenhuma.

De: Rui Valente - "Ponte a jusante, ponte a montante..." 

"... - Porto com Gaia, Porto sem Gaia..."

Ainda é uma criança a ideia da tão propagada fusão Porto/Gaia e já tanta polémica começa a gerar... Agora, são também as pontes.

É espantoso como revelamos tanta capacidade para contestar as ideias uns dos outros, sem contudo sermos capazes de provocar uma acção concreta e atempada que encurte o nosso atraso e acelere a resolução dos muitos problemas de que a cidade padece. Continuamos entusiasticamente a dar palpites sobre tudo e sobre nada e sem nos darmos conta, a dividir-nos... O tempo vai passando e tudo continuará na mesma. É isso que almejamos? Apesar de ser um defensor do debate de ideias, continuo a pensar que muitas da exposições aqui publicadas pecam por insinuarem acções com algum efeito concreto, quando deviam apontar para encontrar consensos a bem da comunidade.

As últimas declarações de Pulido Valente, são quase angustiantes para quem as lê e está desfazada dos assuntos que aborda. Sendo uma figura controversa, por vezes corrosiva, cá para mim deve ser dos poucos arquitectos da nossa praça com "telhados" sólidos e isso paga-se caro. Os telhados de ferro (como ele diz), custam caro ao proprietário. Custam o desprezo mal disfarçado de alguns colegas menos escrupulosos, a indiferença do poder instituído (quase sempre permissivo), e o acentuado azedume do seu próprio estado de espírito (o que se compreende). Parece ainda não ter percebido que a frontalidade levada ao excesso, é insana para tornear as constantes armadilhas que a sociedade tece, sobretudo a quem nasceu estruturalmente sério. Falo assim, porque para além do nome, suponho ter algumas afinidades de carácter com ele e posso bem imaginar o que já deve ter passado.

Já não consigo perceber, é que tenha tão pouco apoio da parte dos seus colegas de ofício que pouco o contestam abertamente, mas não se revelam capazes de congregar graus de exigência comuns no que aos seus interesses e necessidades profissionais respeita.

É por este tipo de postura generalizada que acredito em muito pouca coisa! Para mim, a política só voltará a ser interessante quando me for permitido exercer um controle mais eficiente sobre os políticos, porque mais importante que as ideias é a qualidade do homem que as defende. Cheguei a um patamar de cidadania tão exigente, que o simples acto de depositar um voto numa urna não me satisfaz. É quase uma frustração.

Não sei se algum dia chegarei a ter o direito democrático de expulsar e punir, sem demoras, todo e qualquer político que se desvie despudoradamente (como é costume) da rota programática que prometeu aos cidadãos durante uma campanha eleitoral, mas tudo farei para lutar por isso.

Dizer, por exemplo como (grosso modo), é péssima a imagem que deles tenho. Quanto mais não seja para ver se aparece alguém (muitos de preferência) a fazer a diferença e mostrar que afinal estava enganado...

Penso mal deles e gostava de lhes explicar cara a cara por quê! Sobretudo àqueles que aparentemente se sentem muito ofendidos com isso!...

Mas não é com discussões eivadas de bairrismos estúpidos e de vaidades pessoais que podemos ter moral para os criticar, porque assim estamos afinal a dizer que merecemos os políticos que temos.

Rui Valente

De: Pulido Valente - "Porto grande ou ovos mexidos?" 

A propósito da interpretação do Teófilo M. daquilo que o Francisco Rocha Antunes diz sobre o grande Porto: "fundir serviços municipais/freguesias" quero perguntar o seguinte:

É disparate pensar que uma cidade como o Porto em grande, abrangendo pelo menos toda a Área Metropolitana mais os concelhos periféricos que ainda não foram incluídos, seja governada pelas freguesias que seriam coordenadas e representadas por um organismo de cúpula que se podia chamar câmara?

O urbanismo só beneficiaria. Quanto às burocracias: fiscalização, taxas, licenças, etc.etc. teriam mais eficácia e seriam mais fáceis de gerir se as áreas das freguesias fossem menores que as de qualquer concelho. O poder autárquico estaria mais próximo e seria mais conhecedor - ou teria a obrigação de ser -, era possível fazer reuniões de fregueses para tratar dos assuntos, e o entrosamento entre executantes e interessados podia ser real. Deixávamos de ter um rei e seu séquito. A vereação seria constituída pelos presidentes das juntas, pelo menos, de modo a que a coordenação fosse eficaz.

É disparate?jpv

De: Pulido Valente - "Esclarecimento" 

Senhor A. Bettencourt,

O amigo não viu bem o assunto que se estava a tratar. Não sei se está de acordo mas o consenso geral, quanto a mim, é que o portuguesinho (todos nós) é esperto e vai por atalhos quando deve ir pelo caminho vulgar. Daí que, todos sabemos, haja o habito dos empenhos (recordo as notícias sobre a % dos empregos conseguidos por cunhas vindas há dias nos jornais) e da compra e venda de benefícios à margem das normas. Também se sabe que essa prática é cada vez mais praticada e aceite como coisa a que não se pode fugir. Lembro que o "lobbying" já é universalmente aceite como admissível, justo e mesmo necessário. Estou a referir-me ao "lobbying" que faz com que uma adjudicação seja feita a um e não a outros quando não há prova de que o escolhido é a escolha acertada. Até se fazem (ou se distorcem) leis para entregar de bandeja grandes (ou menos grandes) negócios. Também se passa o mesmo no meio dos políticos que se encontram para fazer acertos de conveniência que conduzem a que os telefones da Assembleia da República, p. ex., e outros, tenham mais uso para tratar de assuntos pessoais do que aquele para que foram instalados.

Portanto aqui está em jogo não a roupa do P.A. mas a roupagem que disfarça a tentativa de entrar por esquemas desses e neles me incluir. Claro que se a ganga é limpinha estou a falar de roupa mas, se não fui claro, a ganga reporta-se ao operário, que na altura em que estava em Lisboa andava sempre de fato-macaco; portanto aos pobres. Quer dizer escolhi ganhar menos dinheiro - com a sobrecarga de menor realização pessoal e artística - para não me prostituir como muitos da minha classe e não só. (Ontem na consulta o médico falou nisso a propósito dos arquitectos).
Já reparou que a minha cota-parte de figura pública advém de eu não ter estes comportamentos que condeno e de o dizer sempre que posso para que se veja que não é obrigatória a sujeição ao "modelo"?
Sempre ao dispor, JPV

--
Caro Rio Fernandes,

Não percebi a sua frase "sem ultrapassar determinados riscos". Quanto a mim os riscos evitam-se ou tenta-se que diminuam. Não é?
Será que é um eufemismo para dizer que tem que almoçar e dar e levar palmadas nas costas MAS sempre com muito cuidado e escolhendo bem as pessoas? Se assim é não há riscos porque se trata de pessoas de bem. O que não foi o caso que deu origem à minha resposta.
Um abraço e torno a lamentar que esteja tão embrenhado na política partidária.
V. faz falta mais independente, sem peias, sem olhar aos interesses da política ou dos grupos ou do partido. Ou acha que sendo tão dedicado ao seu partido é independente, que não faz um esforço para evitar ultrapassar certos limites na crítica e na assunção de posições?

Cumprimentos, JPV

De: F. Rocha Antunes - "Espírito metropolitano" 

Meus Caros,

Esclarecendo o que disse, em resposta aos comentários do Tiago e de Teófilo M., eu acho que já pode ser feito muito sem alterar mais Lei nenhuma. O que é preciso é que o espírito metropolitano passe a ser um valor percebido pelos actuais autarcas como importante para a sua reeleição.

Até agora as preocupações dos autarcas eram a de satisfazerem os interesses exclusivos dos seus munícipes. Daí a falta de interesse nas questões metropolitanas que não sejam financiadas por fundos comunitários.

O problema é que qualquer munícipe de qualquer dos concelhos desta grande região urbana começa a perceber que já não basta que os autarcas do sítio onde moram tratem apenas dos interesses desse sítio.

Como já muitas vezes foi aqui referido, com grande autoridade, por JA Rio Fernandes, hoje todos nós moramos num concelho, trabalhamos noutro, vamos às compras num terceiro e vamos divertir-nos num quarto, tudo isto dentro de um dia normal de qualquer cidadão. Por isso, os problemas que se tem de resolver implicam autarcas com espírito metropolitano, percebendo a complementaridade de problemas e de soluções.

Os autarcas que persistirem neste isolamento e não optarem por um cooperação activa serão penalizados já nas próximas eleições. Porque não estão a saber interpretar os interesses dos seus munícipes. E serão substituídos por autarcas com maior espírito metropolitano. Podem pensar que isto é uma enorme profissão de fé na capacidade dos autarcas. Eu acho que se há coisa em que todos se aplicam muito é em perceber como podem ser reeleitos. E basta que um deles comece a agir assim, para os outros terem de imitar.

Nada impede, como disse outro dia, que a cooperação seja real. E não há nada na Lei que impeça que ela exista. Se juntarmos a isso o medo de não serem reeleitos, temos uma combinação de possibilidades muito exequível. Tiago, a política dos pequenos passos que tu sempre defendeste é isto. E criar uma guerra entre paróquias antes das vantagens da fusão entre concelhos serem pacíficas para toda a gente é um desperdício de recursos escassos sem grande proveito à vista.

Francisco Rocha Antunes
Promotor imobiliário
--
Nota de TAF: Estamos basicamente de acordo. A única diferença significativa é que eu acho que a integração de Gaia no Porto seria praticamente consensual, apenas com algumas resistências residuais por parte de autarcas e aparelhos partidários. Mas as vantagens da integração compensariam esses atritos, que acabam por não ter eco na população em geral.

De: Teófilo M. - "Fusões, pontes e outras coisas mais" 

Começando pelas fusões, acho que a primeira coisa a fazer é mostrar aos respectivos munícipes quais as vantagens da dita, pois assim será mais fácil promovê-la e levá-la a bom cabo.

Creio que a ideia do F. Rocha Antunes, se bem a entendi, de começar por fundir serviços municipais/freguesias, é bem interessante e capaz de sensibilizar os cidadãos para um futuro comum; por outro lado, a fusão seria sempre uma absorção de Gaia pelo Porto e nunca o contrário, pelo que há que contar com resistências acrescidas a esse facto, que eu até nem critico muito, pois os mais bairristas entendem perfeitamente essa diminuição teórica de importância.

No entanto, creio que serão os políticos e os pequenos reizinhos da administração local que menos estarão interessados em tal fusão, pois sabem que perderão as suas sinecuras e honrarias de papel de lustro, o que a sua pequenez não consentirá sem larga luta.

Mas a discussão é importante que venha à luz do dia, pois sensibilizar os mais adormecidos é um dever de todos os que por aqui andam, muito embora os resultados não tenham até agora sido de molde a regozijo que dê direito a festança, bastará olhar para o drama dos Aliados.

Mas também não será por aqui que o Norte se vai afirmar, como muito bem diz o TAF.

Volta à discussão sobre a ponte pedonal, o que é bom, pois as duas cidades carecem dela como pão para a boca, mas os poderes públicos ainda não deram por ela, a não ser nos discursos das campanhas eleitorais.

Não sendo arquitecto, não posso tecnicamente discutir se uma ponte junto à Luís I será esteticamente recomendável, mas, não me lembraria de propôr construir um Centro Comercial (por mais bonito que fosse) a 30 metros da Torre Eiffel, uma ponte à cota baixa a 10 metros da Tower Bridge ou um armazém frigorífico em frente ao edifício da ópera de Sidney, por isso, parece-me que a ponte (qualquer uma) que evite a visualização completa da ponte Luís I a partir de Oeste, será mais um atropelo ao que é um monumento à arquitectura do ferro.

Há muito tempo que existem soluções para que tal ponte se faça sem prejudicar a navegabilidade do Douro, já a famosa Ponte das Barcas o previa e não existiam na altura os meios de que hoje a moderna engenharia dispõe, por isso levantar esse problema é só tentar argumentar e mais nada.

Estou perfeitamente de acordo quando dizem que os passadiços da Luís I reservados aos peões, para além de perigosos não servem os interesses das populações, mas duvido que alguém se esteja verdadeiramente a preocupar com isso, creio que a preocupação será mais de outro tipo se bem me faço entender.

Para novos nomes da Avenida, deixo aqui mais alguns, Avenida do Paralelo, Avenida da Fonte, Avenida do Cinzento, Avenida dos Dias sem Árvores ou Avenida dos Deserdados, pois esta é mais uma herança que nos tiraram e ainda afirmam que nos deram cavaco.

Cumprimentos
Teófilo M.

De: Miguel Barbot - "Pontes" 

Relativamente às pontes mantenho a minha opinião que está no fundo do baú.

Uma solução poderia ser a construção de uma nova travessia entre D. Pedro V e o Cais das Arrozeiras (é assim??), fechando o circulo "histórico" e ligando a marginal de Gaia, praticamente a direito, à Rotunda da Boavista.

Esta solução implicaria a existência de uma ponte móvel para não inviabilizar o projecto do Sport para a Alfândega.

De: JA Rio Fernandes - "Pontes" 

A propósito do debate das pontes, a minha posição é a favor e de preferência de uma ponte pedonal afastada da de D. Luís I, de forma a favorecer o circuito num percurso pedonal das duas ribeiras.

Mas não resisto a lembrar a que já existe e que não serve de nada, senão de mera imagem. Refiro-me à magnífica Ponte de D. Maria Pia que, vá lá saber-se porquê está em completo abandono e desaproveitamento há largos anos: será devido ao desentendimento entre autarcas, será do desentendimento entre autarcas e empresas públicas mais Estado Central, ou será simplesmente porque “naquele lado” (o oriental) ninguém está especialmente interessado?

A propósito do desaparecimento da Avenida dos Aliados que vai ser “praçada” em contínuo cinzento entre as Cardosas e os Paços do Concelho, acho muito sugestivos os nomes que foram propostos para o espaço construído sobre a memória da praça central da cidade (“a praça” como refere Alberto Pimentel, lembrando o dístico nos eléctricos de finais de XIX) e sobre a desaparecida “avenida da cidade”, magnificamente concebida de acordo com os padrões em uso para os espaços mais nobres das cidades portuguesas ao longo de boa parte do século XX, com muito desenho, basalto e calcário nos passeios, relva e flores nos canteiros. Porquê estragar? Porquê fazer espaço contemporâneo por todo o lado? E porquê ali? Apenas porque a Metro paga? … Antes houvesse menos dinheiro: talvez pudesse existir mais tino! Mas se assim é, porque não antes mesmo ao lado, entre S. Bento e a Ponte de D. Luís I? Apenas por birra de alguém? Por favor…

Aproveito para saudar publicamente o Arqº Pulido Valente. Muito embora, sem ultrapassar determinados riscos, pessoalmente participe em muitos almoços e não veja como problema que me condicione o facto de ter boas relações com um qualquer decisor político, entendo que fazem sempre falta alguns, mais independentes, mais desalinhados e (portanto!) mais incómodos. E mais que os incómodos, lamento os mais acomodados, os mais cinzentos e, sobretudo, todos os corruptos, sobretudo os que assumidamente sabem que o são.

Rio Fernandes

De: Afonso Bettencourt - "Zangam-se as comadres..." 

Este blog cada vez me surpreende mais... nunca pensei ver "Pulido Valente" e "Pedro Aroso" ( ao que parece figuras públicas) lavarem roupa suja para portuense ver... se calhar é melhor não trocarem mais galhardetes senão a novela começa a ganhar audiência...

Vou escrever um pouco não sobre esta novela mexicana mas sim sobre um personagem de seu nome "Gomes Fernandes" que quando leio as suas crónicas no JN confesso que me arrepio um pouco. Não só pelo cidade Shopping Cidade do Porto mas essencialmente porque foi com o seu cunho que a Torre do Foco foi construida. Não me recordo se foi o autor do projecto ou se, na qualidade de vereador o aprovou. Penso que foi a segunda, e assim entendendo acho que foi um péssimo serviço à cidade pois é um edifício desenquadrado da malha urbana adjacente.

Por falar em edifícios descabidos algum dos reputados escritores do blog quer debater a bela obra das torres altis em frente à Universidade Católica?
Acredito que para os compradores as vistas do mar sejam irresistiveis, mas será que quando se licencia um projecto não se têm em conta a zona envolvente?
Foram revistas as acessibilidades? as zonas de estacionamento? o impacto ambiental? o enquadramento urbano? Nada disso mandou-se tudo isso às urtigas!

Quando me desloco para o trabalho tenho obrigatoriamente de por ali passar, e nunca em momento algum pensei demorar 10/15 minutos para fazer a Rua Diogo Botelho e a Praça do Império!E isto porquê? A U. Católica alargou a sua faculdade recentemente e borrifou-se se os seus estimados alunos deixam o carro em cima do jardim ou na rotunda. Preocuparam-se em rentabilizar a "mina" com mais cursos e mais construção. Como é do senso comum qualquer aluno que se preze de andar na Católica tem de ser a sua viatura... O metro ali é que não ia conquistar muitos adeptos... o Porsche é tão mais confortável... Precisamente em frente constroem-se torres com centenas de fogos. O actual presidente ainda tentou travar em vão mais esta prenda do nosso estimado Fernando Gomes... mas a memória é curta!

Cumprimentos, Afonso Bettencourt
--
Nota de TAF: Ainda muito recentemente aqui se falou desse empreendimento em Diogo Botelho.

2006/02/02

De: Armando Peixoto - "Pontes" 

Depois de ler este último texto do sr. Lino Cabral, não resisto a fazer um comentário.
Não sei se o sr. Lino Cabral é dos que defendem entusiasmadamente a reposição, por motivos históricos e patrimoniais, da calçada dos Aliados. É que isso, comparado com a desactivação e retirada do tabuleiro inferior da ponte Luis I, é uma brincadeira de crianças. Desculpe lá, mas só posso rotular essa sua ideia de descabida e absurda, e fico impacientemente à espera do próximo que vai sugerir a transladação da torre dos Clérigos para a Areosa, uma pintura rosa choque na Casa da Música ou a transformação da Alfândega numa mega sala de chuto...

De resto também não posso estar de acordo com a ideia de construir uma nova ponte à cota baixa, a escassos metros da ponte Luís I. De facto, concordando que faltam pontes a unir as duas ribeiras, não me cabe na cabeça que, a construir outra, esta fique mesmo ao lado da única que já há! Parece-me que a localização lógica, seria, como já aqui foi referido, uma ligação da Praça da Ribeira à Praça Sandeman, salvaguardando, de alguma maneira, a navegabilidade do Douro nesse troço. E até ficaria orgulhoso se, ao contrário do que já disseram aqui, se continuasse a tradição da monumentalidade das pontes do Douro! Eu orgulho-me da beleza da minha cidade e só posso querer que ela fique mais bonita! Sinceramente, custa-me ler um arquitecto justificar uma má opção com argumentos como "ai em Paris e Veneza também é assim", "ai no Porto sempre se elevou muito a fasquia nas Pontes", como se isso fosse um pecado, em vez de virtude...

Armando Peixoto

De: Pulido Valente - "xxxxx" 

Caro P.A. vou responder porque tu, sem saber, veiculaste uma das ideias feitas incorrectas que circulam. Disseste que arranjei conflitos e com eles inviabilizei o meu monumento ao H.D. Grosso disparate. A tal ideia feita é a de que sou conflituoso quando na realidade não vou em almoços quando eles são uma provocação. Passo a explicar a ver se percebes.

Um edil é uma administrador com poderes delegados pelo voto dos cidadãos. Não é o dono quer da instituição câmara quer do lugar, seja ele de presidente ou de vereador.
PORTANTO não há almoços para ninguém! Ou o edil entende que deve fazer a obra ou não entende. Não há que "meter" cunhas ou aceitar boleias sejam elas tuas ou de outrem. Vê se compreendes que a minha postura é t.b. contra o compadrio, a palmada nas costas, etc. que têm, sempre, um preço a pagar por quem aceita. Fiz a minha parte: ganhei o concurso, mais não sou obrigado a fazer. Entrar em troca de favores para depois ter que recusar quando vierem cobrar não é o meu timbre. Será, pelos vistos, o teu que nem te deste conta do disparate que fizeste ao escrever aquilo.

Que fique claro: faço tudo o que posso para não me vender ou ficar a dever seja o que for a quem quer que seja que não seja da família do coração. E tenho pago um enormíssimo (altíssimo, diz-se) preço por ter sido sempre assim. Em quarenta e tal anos de profissão tenho menos obra que muitos num só ano. Não me queixo. Digo como se dizia nos meus tempos de Lisboa: ISTO É GANGA MAS É LIMPINHO!!!! (queres que te diga o que isto quer dizer?).
Claro que a muita gente dá muito jeito dizer que sou conflituoso,,,,,,,,,já percebes porquê?
Vê se tens mais cuidado. JPV

De: Lino Cabral - "Não sei, não sou arquitecto" 

Uma ponte na zona ribeirinha de Porto/Gaia é um assunto delicado. Trava definitivamente o tráfego fluvial de algum porte a esse rio extraordinário que é o Douro. Os revolucionários melhoramentos da barra podem abrir as portas da cidade à maior rota do mundo de veleiros de todo o tipo que é o Atlântico Norte. Percorram toda a costa noroeste da Europa e apontem um porto que se aproxime do nosso. Não há. Não seria de aproveitar?

Desactive-se e retire-se o tabuleiro inferior da Luis I, faça-se um concurso internacional para uma solução de acesso entre as margens Porto/Gaia que seja móvel, segura, eficiente, integrada e muito imaginativa. (uma ponte móvel suspensa, navetes eléctricas flutuantes entre as margens por exemplo.)

Não sei, não sou arquitecto…

Lino Cabral

De: F. Rocha Antunes - "Porto+Gaia+Matosinhos+outros" 

Meus Caros,

Não acredito que o mundo mude muito por via administrativa. E acredito ainda menos que essas mudanças aconteçam por essa via nesta nossa parte do mundo. Estamos repletos de instrumentos que já foram instituídos na Lei e que não mudaram nada até agora. Só para não fugir do cerne da questão, temos uma GAMP (Grande Área Metropolitana do Porto) que até agora não se sentiu que existia e uma AMP (Autoridade Metropolitana de Transportes) do Porto que nem se consegue pôr a funcionar a si própria.

Faz todo o sentido mudar de escala, e eu tenho insistentemente falado nisso aqui. Não concordo é com a via pretendida para a mudança de escala, a da fusão de concelhos, pelo menos para já.

Nada impede que se possam fazer muitos progressos na cooperação flexível entre concelhos. Nada impede que a CM do Porto e a CM de Gaia articulem programas, partilhem custos comuns, definam objectivos comuns. A não ser a falta de vontade dos seus responsáveis. Se são capazes de se entenderem todos para irem buscar financiamentos comunitários, não percebo porque não o fazem no resto que é tão importante para a vida dos respectivos munícipes. Por exemplo, porque a SRU que a CM de Gaia quer fazer não pode utilizar parte substancial dos recursos técnicos da SRU do Porto?

A GAMP tem disparates enormes, como incluir Arouca e deixar de fora Paredes, Paços de Ferreira e Penafiel, para não falar de outros concelhos igualmente óbvios, mas é o instrumento legal existente. E que até agora não foi devidamente explorado. Parece que a nova direcção quer tirá-la do papel. Esse é o caminho. Fazer muito mais com o que já há, e depois ver como se pode corrigir o que tem de ser corrigido. É fundamental demonstrar primeiro na prática as vantagens da coordenação para conseguir vencer o espírito paroquial predominante.

A cooperação não só é possível como é exigível a todos os autarcas. Têm a obrigação de perceber que, mesmo para os respectivos eleitores, têm de criar um desenvolvimento supra municipal efectivo. E o que nós podemos fazer é exigir isso. A todos eles.

Francisco Rocha Antunes
Promotor imobiliário
--
Nota de TAF: Em que é que esta cooperação fica prejudicada pela fusão de concelhos?

De: Pedro Lessa - "Porto+Gaia" 

Contribuindo um pouco na discussão da fusão, considero que devemos começar por definir o que realmente se quer fundir. Geralmente, sempre que se começa alguma discussão no nosso País, discute-se sempre no geral esquecendo-se muitas vezes o essencial acabando a dita por se esfumar.

Concordo com o que diz o A.Burmester que antes de discutir o local se deve aperfeiçoar o regional. Poupavam-se recursos e uniam-se políticas. Mas também estou de acordo com o Tiago nomeadamente com a eliminação das duplicações de funções existentes. Não esqueçamos que estamos a falar de duas câmaras e dois centros históricos separados apenas por alguns metros. Daí concluir que sou adepto da fusão apenas de determinadas freguesias de Gaia. Penso que as freguesias mais próximas de Gaia têm toda a lógica que pertençam ao Porto, assim como não me choca nada que certas freguesias como a Granja p.ex. pertençam a Espinho. Penso que a questão deve começar por aqui.

Quanto à Ponte Pedonal, como já aqui foi dito, a mim também não me choca que fique ao lado da Luís I (atenção que o D. não existe), antes pelo contrário, a nova, bem integrada, só valoriza a existente, mas que a actual não comporta circulação de peões, disso não tenho dúvidas. Como está, caro Pedro Aroso, não se circula, caminha-se a espreitar pelo ombro e dá-se a vez ao peão que vem de frente. Por outro lado, uma vez que continuam a insistir na permissão de circulação de autocarros na ponte, eliminavam-se aqueles "caminhos" passando o tabuleiro só para o trânsito. Teria todo o interesse, para promover a circulação pedonal por exemplo dos turistas, que os autocarros ficassem pela zona da Alfândega ou pela Igreja de S. Francisco, criando-se assim um anel de circulação pedonal que a nova (ou novas) travessia pedonal viria afirmar.

Cumprimentos,
Pedro Lessa
[email protected]

De: Pedro Aroso - "Um bom exemplo" 

Na sequência da petição apresentada na Assembleia da República no passado mês de Novembro (e que recolheu 35 000 assinaturas), encontra-se em fase de debate público o projecto de lei "Arquitectura: um Direito dos Cidadãos, um acto próprio dos arquitectos", destinado a impedir que pessoas não qualificadas (engenheiros civis, engenheiros técnicos, agentes técnicos de Arquitectura e Engenharia (???), desenhadores e fiscais das câmaras) continuem a elaborar projectos de Arquitectura ao abrigo do DL 73/73.

Citando Helena Roseta: "É tempo de dar o seu a seu dono. A arquitectura deve ser feita por arquitectos, tal como a medicina deve ser exercida por médicos e a advocacia por advogados".

Sabendo que o nosso primeiro-ministro é um engenheiro (e que no governo existem vários), não tenho ilusões acerca do futuro desta lei: vai continuar tudo na mesma. No entanto, a Câmara Municipal do Porto podia dar um bom exemplo ao resto do país, adoptando a mesma medida aprovada pelo Eng. Nuno Abecassis nos anos 80. Pouca gente sabe mas, em Lisboa, na Câmara Municipal só são aceites projectos elaborados por arquitectos!

Pedro Aroso

2006/02/01

De: Manuela DL Ramos - "O nome da Avenida/Praça" 

A propósito da sugestão de Rui Cunha, lembrei-me que em Dezembro lhe tínhamos arranjado um nome: Avenida dos ali(en)ados

De: Pulido Valente - "Esclarecimentos" 

O arq. autor do "Oceanus" na Av. da Boavista chama-se Henrique Coelho e o arq. que assinou o projecto do "shopping" Miguel Pais Vieira. jpv

De: Rui Cunha - "Praça da Liberdade/Av. dos Aliados" 

Fui, na tarde de Sábado, à Praça da Liberdade e Avenida dos Aliados. Que desgosto!
Como recordação trouxe um frasco com terra negra das antigas hortas. Quem trabalhou nos Clérigos durante muitos anos deixa ali um pouco da sua vida e muito das suas recordações.
Dado o plano que está em execução, em que deixa de haver dois espaços bem definidos, sou de opinião que se passe a chamar AVENIDA DOS LIBERDALIADOS. Assim fica pelo menos uma designação a condizer com a fusão.

Rui Cunha

De: TAF - "Porto com Gaia - respostas" 

Caro Alexandre, aqui vão as respostas. :-)

De: Alexandre Burmester - "Porto com Gaia" 

Caro Tiago, algumas questões:
Por favor convence-me…
Alexandre Burmester

De: Alexandre Burmester - "Pontes" 


Sempre que se fala em pontes sobre o Rio Douro, sejam lá quais e onde forem, estarei à partida de acordo.
Mais do que querer juntar as duas cidades numa só, a principal ligação que se pode estabelecer entre Porto e Gaia é mesmo a construção de “Pontes” físicas e todas as outras que forem possíveis.

Quanto às dúvidas se uma nova ponte fica bem ou mal junto a esta ou a outra ponte, é uma questão que se coloca apenas porque existem poucas. Em Paris, Veneza, Roma, Londres, etc, existem inúmeras pontes, e se umas serão piores é porque existem também as outras…

No Porto, sempre se elevou a fasquia demasiado alto para construir pontes. A ponte D. Maria é um ex-libris, a ponte D. Luís outro, a ponte de Arrábida e a ponte S. João – obras de arte do Eng.º Edgar Cardoso, uma com o maior vão do Mundo em betão armado, outro distendido. Recentemente a ponte do Infante é o maior arco abatido. As próximas, ao lado da Arrábida e junto ao Palácio de Cristal, para o “TGV” ( :-) ), serão da autoria do Arquitecto Siza (que é pau para toda a obra). Esta ponte de que agora se fala, deverá também ser a maior em alguma coisa? Não bastará apenas fazer uma ponte? Terá que ser a oitava maravilha das pontes?

Bastará que se proceda realmente a um concurso público, e desde logo sugiro que se permita às populações dar um voto na sua escolha.
Não se procure a parolice de querer fazer mais do que se consegue, e cairmos na eterna discussão do sexo dos anjos, se fica bem aqui ou ali. De outro modo corremos o risco de não fazer nenhuma.

A ponte pedonal, em cujo projecto estive envolvido, não lhe ponho qualquer objecção. Não me incomoda a proximidade da Ponte D. Luís, nem acho que entre em conflito com esta. E ao contrário do que aqui se disse os passeios de 80 cms da ponte D. Luís não são ligações pedonais convidativas porque nem seguras são.

Apenas gostaria que, uma vez que as pontes existentes são todas “aéreas” por se situarem à cota alta transpondo o rio a alta velocidade, se pensasse desta vez numa ponte a cota baixa ou média, que possibilitasse a ligação entre margens, o rio e as suas populações.

Alexandre Burmester

De: TAF - "Porto com Gaia" 

Integrar Gaia no Porto é de todas as opções de "fusão", etc., a mais simples:
É útil:
Sou também a favor de que se repensem as funções das freguesias, especialmente num contexto em que o concelho fosse alargado.

As outras questões relativas à afirmação do Norte, blá-blá, blá-blá, não devem passar por aqui. Isto é, de alguma forma, um problema estritamente técnico de eficiência e eficácia de gestão, de colocar a administração local a servir melhor as populações, e não um problema político nesse sentido mais amplo.

De: Alexandre Burmester - "Porto - Gaia" 

Esta actual discussão que pretende unir as duas cidades tem para mim pouco sentido. Se olharmos apenas para cada uma destas cidades, percebemos facilmente que ambas apresentam inúmeras áreas que nem com as próprias cidades se ligam, e estas uniões deviam antes de tudo ser prioritárias.

A junção das duas cidades sendo uma realidade do ponto de vista cultural, tem sentido do ponto de vista político, mas não tem nenhum do ponto de vista prático e administrativo.

Culturalmente não existe qualquer diferença entre Porto e Gaia, como com qualquer outra cidade vizinha ou do Norte de Portugal.

Do ponto de vista político a junção de Porto e Gaia, devia incluir Matosinhos, Gondomar, Maia, Rio Tinto, Vila do Conde, Stº Tirso e Espinho (e se calhar outras). Toda esta região devia ter um desenvolvimento estratégico e consentâneo, ter um Planeamento único, e poder falar pela mesma voz. Para isso não precisamos de juntar cidades, mas sim de pôr a funcionar as estruturas que existem, como a Junta Metropolitana, as CCRs e outras, e que devendo estar criar acima das Autarquias, não deviam ser “Jobs for the boys”, mas com o poder legitimado pela representação eleitoral e uninominal.

Do ponto de vista administrativo devia ser exactamente o contrário, muitos dos poderes camarários deveriam estar na posse de estruturas pequenas e próximas da população, como é o caso das Freguesias.

Actualmente temos exactamente o contrário, Freguesias que não servem para mais do que gerir os cemitérios e os campos desportivos e culturais; Autarquias com estruturas gigantes e mal geridas sem qualquer interligação entre si; E estruturas intermunicipais, que essas então alguém me explique para que servem, ainda mais que apenas são representativas dos partidos de Lisboa.

Antes de unir Porto e Gaia criando estruturas ainda maiores, o que precisamos realmente é de alterar as estruturas Políticas e Administrativas, dar-lhes sentido e levá-las mais próximo a quem servem.

O grande Porto já existe – e somos todos do Porto.

Alexandre Burmester

De: Pedro Aroso - "A Ponte Pedonal" 

A propósito da Ponte Pedonal (em aço inox), eu estive na apresentação que o Eng. Adão da Fonseca fez numa das salas do Pavilhão Rosa Mota, há cerca de cinco/seis anos (já não me recordo) e em que estiveram presentes o Nuno Cardoso e o Luís Filipe Meneses.

O desenho da ponte era lindíssimo, mas:
  1. O argumento invocado para a necessidade da construção da referida ponte assentava na dificuldade experimentada pelos peões no percurso ao longo do tabuleiro inferior da Ponte de D. Luíz... (???).
  2. Um dos aspectos que mais me chocou e para o qual na altura chamei a atenção, foi o facto dessa ponte não permitir a circulação de deficientes em cadeira de rodas, sem a ajuda de terceiros. Isto, porque o declive era da ordem dos 11%.
  3. Por outro lado, a vista da ponte D. Luiz, da autoria do Eng. Teophile Seyrig (discípulo de Gustave Eiffel) ficaria para sempre comprometida e o IPPAR jamais aprovaria tal coisa.
Sabendo que o custo estimado rondava os 500.000 contos e obrigava ao lançamento de um concurso internacional, a ideia caiu por terra e nunca mais se falou disso. Confesso que não esperava tornar a ouvir falar deste assunto...

Pedro Aroso

De: David Afonso - "De Volta À Baixa" 

[publicado no DoloEventual]

1. A notícia do protocolo estabelecido entre a Câmara Municipal do Porto e o Centro Nacional de Cultura com o objectivo de levar a cabo uma semana cultural para animar a Baixa do Porto é aquilo a que se pode chamar uma boa notícia. Fico muito satisfeito porque isto vem ao encontro do que tenho vindo a defender e do que estou a colocar em prática: neste momento encontra-se em fase de produção um projecto de arte contemporânea coordenado por mim e pela Arq. Adriana Floret, envolvendo a colaboração de cinco jovens artistas plásticos portugueses e um japonês, e para o qual já contamos com a preciosa parceria da SRU. Na devida altura terei todo o prazer em disponibilizar mais informação sobre este assunto.

2. Tenho acompanhado com alguma atenção o relançamento da questão da fusão Porto/Gaia. Sobre este assunto temo não partilhar do entusiamo da maioria. Não me parece que o problema do Porto seja um problema de escala, não é por termos um concelho maior que os nossos problemas deixarão de existir. Na verdade, creio até que esta fusão seria uma nova fonte de problemas. Por mim, seria mais sensato começar pelo mais elementar e necessário.
A Ponte Pedonal aqui é apenas um pormenor não decisivo e, de resto, revejo-me perfeitamente na posição de João Medina sobre este assunto. É de avançar com um concurso de ideias a ver se a cidade aprende de uma vez por todas as boas práticas (entretanto, o Eng. Adão da Fonseca reaparece oportunisticamente a acenar com o velho projecto da ponte em aço inox a escassos 11 metros da Ponte D. Luís: o Sr. Eng.º, terá a sua oportunidade como outro concorrente qualquer, caso esteja interessado).

O que já me parece decisivo é a coordenação do processo de reabilitação dos centros históricos de Gaia e Porto. Parece-me irracional que a Loja da Reabilitação e o Programa Viv'ABaixa se limitem à actual zona de intervenção da PortoVivo. Ouvi dizer que têm aparecido na Loja da Reabilitação, de quando em quando, proprietários do outro lado do rio à procura de apoio. É natural (?) que tenham visto as suas expectativas frustradas. O bom senso diria que em vez de se promoverem debates sobre a coisa, se passasse à acção onde tal é possível e necessário. Não entendo por que motivo não há-de haver uma estratégia comum para a reabilitação dos dois núcleos históricos na medida em que, já hoje, são complementares como duas metades de uma maçã. Porque não ensaiar uma aproximação entre as duas margens do rio Douro a partir daquilo que ambas têm de mais precioso? Não entendo o que poderá impedir a entrada da C.M.Gaia na Sociedade de Reabilitação Urbana PortoVivo. Somos um país de recursos escassos e não podemos andar a estoirá-los na feira das vaidades. Para isso já basta o foguetório do S. João.

David Afonso
[email protected]
--
Nota de TAF: Não era tudo mais simples se fosse um único município, com Gaia absorvida pelo Porto?

De: Miguel Barbot - "Oporto city marketing" 

O IPAM de Matosinhos e IDIM, apresentam a:
Conferência Ibérica de Marketing das Cidades
Dia 29 de Março de 2006 no Edifício da Alfândega, no Porto.

De: João Medina - "Ponte pedonal..." 

"... - por favor não repitam o filme"

Aqui há poucos anos houve já uma ideia peregrina de fazer uma ponte pedonal a 11 metros da ponte D. Luís. Precisamente no local onde estava a ponte pênsil.

Nessa altura participei num movimento que pretendeu alargar a discussão e não permitir que qualquer decisão fosse tomada sem que a população do Porto (e de Gaia, claro) pudesse ser ouvida. (Parece que neste aspecto ainda não se aprendeu nada, desde então).

Realço que o movimento não era contra a ponte em si mas sim contra a sua localização.
Passo a expor algumas das principais razão que nós apresentávamos na altura:
Os comentários recebidos por nós, assim como diferentes tipos de documentos e suportes podem ser consultados em: http://ponte.com.sapo.pt/

Conforme é afirmado nesse site "A solução adoptada será irreversível e marcará definitivamente a cidade, por isso as câmaras devem aceitar pôr à discussão e debate a questão da localização da ponte, não apenas o projecto apresentado mas também novas alternativas possíveis. A decisão a tomar terá de ser da responsabilidade de todos. Ela deve ser colectivamente ponderada, e não se contentar em ser apenas a obra de alguns."

Nota: Não sou insensível à questão dos "tall ships". Quem não se lembra da regata do infante - talvez o momento mais bonito do Douro de que me posso recordar. A meu ver, esta questão pode ser facilmente superada, fazendo com que uma parte da ponte (que por ser pedonal pode ser uma estrutura leve) pudesse abrir - não seria preciso uma ponte levadiça, uma parte da ponte poderia "dobrar" como uma porta sobre uma dobradiça. Mas estas soluções teriam de ser adiantadas de forma criativa pelo projectista da mesma.

De: Pedro Aroso - "Campanha de reabilitação do vereador..." 

Caro Zé Pulido

Tens toda a razão! Sempre que posso, faço "campanha de reabilitação do vereador que estava em funções aquando da construção do Centro Comercial Cidade do Porto, vulgo do Bom Sucesso"! Estou particularmente à vontade para o fazer porque, como te recordas, o Gomes Fernandes era vereador pelo PS, enquanto eu, vereador pelo PSD, na oposição, não tinha qualquer pelouro.

Eu também não gosto do edifício Centro Comercial Cidade do Porto e fiquei bastante surpreendido quando soube que o Miguel Vieira (meu colega de curso e destacado militante da defunta UDP, actual Bloco de Esquerda), se sujeitou àquela assinatura de favor. O que tu não podes é pegar num caso isolado e conturbado, e generalizar, dizendo que a passagem do GF pela câmara foi negativa. Além do mais, és ingrato, porque foi o Gomes Fernandes que se lembrou de desenterrar o teu projecto do Humberto Delgado para a Av. dos Aliados. Se não foi para a frente na altura, a culpa foi tua, porque arranjaste uma série de conflitos com o Fernando Gomes. Mais, quando tu já andavas pegado com o Gomes Fernandes, eu propus-lhe um almoço para dirimir os vossos desentendimentos e encontrar uma solução para eles. Ele aceitou, tu não.

Abraço
Pedro Aroso

2006/01/31

De: Pulido Valente - "Desgraças" 

From: J. Pulido Valente
Date: Jan 31, 2006 7:16 PM
Subject: Desgraças
To: José Carapeto CMP
Cc: Lino Ferreira CMP, Presidência CMP

Senhor Director Municipal do Urbanismo, não tive qualquer eco do meu correio enviado aquando da notificação para abrir a porta da casa sem que tal notificação fosse correcta e legal. Por não ter tido eco fui, como afirmado no meu correio, esperar pelo equipa de peritos. Chegaram meia hora depois da indicada desculpando-se com o trânsito. Aceitei. Não sabiam bem ao que iam e foi necessário manusear o dossier que levavam para perceber que se tratava de uma queixa de um vizinho meeiro feita ao IGAT. Este já por duas vezes tinha oficiado à CMP para ser esclarecido. A terceira provocou esta diligência ilegal que pretendia segundo disseram verificar se o projecto foi cumprido.

Como afirmado não abri a porta tendo sido escritas no processo as razões pelas quais assim acontecia. Antes de assinar perguntei se podia acrescentar umas palavras. Que sim. Escrevi qualquer coisa como isto: "informo que a requerente já tem licença de utilização" e assinei. Os Senhores engenheiros gritaram: "então porque viemos aqui?"

Não respondi porque só tenho uma opinião e não uma certeza. Penso que a CMP demorou tanto tempo a responder ao primeiro e ao segundo ofício do IGAT que, à pressa sem estudar o processo, decidiu, mal, mandar lá os peritos sem se dar conta que já tinha sido considerado que o projecto tinha sido respeitado pois sem isso não há licença de utilização.
A licença é de 09.11.03 e tem o número 41.

É uma vergonha não é? É mesmo uma desgraça.
Quando poderemos ajuizadamente esperar ter uma câmara que não faça tristes figuras como as que esta vem fazendo?

Cumprimentos
José Pulido Valente

De: Pulido Valente - "Tristezas" 

Para início de conversa peço atenção para o que escrevi sobre os jornalistas a propósito deste PDM agora com luz verde do governo.

Há tempos que o Pedro Aroso anda a fazer uma campanha de reabilitação do vereador que estava em funções aquando da construção do Centro Comercial Cidade do Porto, vulgo do Bom Sucesso.
Não tenho respondido porque o disparate ainda é livre. Agora vir com inverdades (estas não são mentiras) sobre o bom funcionamento dos serviços na altura em que esse vereador lá esteve não pode ser deixado sem resposta.
Aqui vai.

As ilegalidade começaram no início da construção com o fiscal a alertar por três vezes o presidente (e o vereador por ser dele o pelouro). Não foi cumprido o loteamento pelo que as construções não estavam dentro dos lotes (o "shopping" ocupa dois ou três lotes desse loteamento, um dos outros ou o outro é o hotel). Não houve o embargo devido. A planta topográfica final foi pedida pelo telefone pelos serviços nas vésperas da emissão da licença (há uma informação ou mesmo despacho a dizer que falta a PT definitiva e ela aparece no dia seguinte). Até aí o processo andou sem ela, portanto. Quantos casos destes conheces? A licença foi emitida em Julho ou Junho e o edifício inaugurado em Novembro. Conheces mais casos? Então diz para se ficar a saber a competência do sujeito.

Conheço processos que estiveram quatro anos à espera de solução, prometida pelo António Baptista aos requerentes, de cada vez que eles lá iam, para a semana seguinte. Houve quem desistisse e vendesse os terrenos. Queres mais? É só ir ao baú da memória. Há documentos no processo em que despachos desse vereador foram apagados com aquela tinta branca que se usava como corrector nos textos escritos à máquina e ficaram sem despacho ou com outro. No mesmo dia foram apresentados dois aditamentos, com numeração seguida (aí o erro do requerente porque se podem identificar) para responder às exigências do IPPAR de modo a que o processo fosse licenciado. Um foi para o IPPAR o outro desapareceu. Qual foi o que desapareceu? O que ficou à espera do parecer do IPPAR ou o que foi para o IPPAR? Será que percebes?

Será que alguém acredita que estes desmandos foram feitos neste processo? Ou será que estes se sabem porque o tribunal administrativo, a meu pedido e por duas vezes, OBRIGOU a CMP a mostrar o processo?

Mas há mais. O tipo era na altura presidente da associação dos arquitectos na secção regional. Que fez ele com os dois cargos simultâneos que fizesse com que a classe (ORGANISMO DE INTERESSE PÚBLICO) tivesse um papel mais activo e útil na sociedade e nas cidades e concelhos da sua área de intervenção? Ainda não percebeste que o tipo é daqueles que optam por ir para um partido para se poder governar? Sabes quantas obras tem do outro lado da circunvalação? E quantas tem por esse país fora que também podem ser, por acaso?, dos interessados em obras no Porto? Só se deve falar daquilo que se sabe e não é o caso.

Voltando aos dois lugares: O projecto do "shopping" foi assinado pelo Miguel...? esqueço-me agora do resto... que era da Soartis empresa que fazia parte da Sodel (-associada com uma empresa brasileira-) que estava dentro do processo, mas o projecto é de um arquitecto(?) brasileiro. Os jornais mostraram fotografias de uma construção IGUAL já construída no Brasil. Que fez ele? Um processo ao Miguel por assinar ilegalmente? Não. Exigiu a substituição do termo de responsabilidade? Não. Fez outra coisa: aceitou que o Alexandre Vasconcelos (arquitecto das empresas com lugar de administrador ou director) aliciasse o Távora que deu o nome e uns desenhos à mão, de que tive e devo ter cópias retiradas do processo do IPPAR, para, à pala do nome do mestre, se entreabrir a porta do licenciamento com o pretexto de que a casa agrícola e a eira - ambas em vias de classificação pelo IPPAR - seriam "recuperadas" pelo Távora. Onde está a eira? onde está a recuperação e a intervenção do Távora?
As merdas do IPPAR já vêm de longe.

Acho melhor não puxar pela memória para evitar que alguém, mais avisado e menos conhecedor até aqui fique a chorar.

Espero ter sido claro. Mas há muito mais a dizer SÓ nesse processo do "shopping". Por exemplo o plano de pormenor feito expressamente para tentar legalizar a coisa que foi aprovado pela CMP e pela assembleia municipal mas não foi publicado pelo governo. Até ao governo a coisa cheirava mal. De resto de nada serviria aprovar o p.p. porque a sentença do STA diz claramente que nem assim a coisa deixaria de ser ilegal.

Que fique claro: nem todos os processos eram aprovados dentro dos prazos (não conheço um), nem todos os arquitectos eram bem tratados.

De: Pulido Valente - "Av. Aliados" 

Caro Matteo Tiepolo, estranho que V. seja tão claro na defesa do centro sem carros e não tenha dito nada a propósito do meu esquisso/proposta para a Avenida dos Aliados. Será que o desenho é tão mau que não se percebe? Se sim por favor diga que eu trato de ser mais claro. A solução proposta já foi descrita várias vezes pelo que julgo que não será o caso. Então o que se passa?
Completamente de acordo consigo.
Cumprimentos JPV

De: Pulido Valente - "Jornalistas e território" 

Está na altura de falar sobre o papel pernicioso dos jornalistas no que à gestão do território diz respeito.

A propósito da homologação do PDM pelo governo dizem os jornalistas que AGORA já se tem um documento que substitui o PDM de 93 desactualizado e que não servia os interesses da cidade/concelho. Tenho sido muito crítico deste tipo de arruaças que fazem aparecer nos jornais FRASES FEITAS com o intuito de anestesiar a opinião pública e tirar qualquer tipo de oportunidade de reacção contra o PDM. Os jornalistas sendo veículo deviam saber ser mais atentos e evitar estas escorregadelas. Todos têm dito o mesmo: o anterior PDM estava a servir mal a cidade/concelho e este vem corrigir a situação. Não se podia seguir esse PDM neste interim em que ele voltou a ser eficaz. Ninguém disse que não cumprir a lei dá perda de mandato da gestão camarária. Toda a gente achou bem que a lei não se cumprisse.

Não é verdade que este PDM venha corrigir o anterior. Mas se fosse seria necessário que se dissesse, por alto e para toda a gente, onde o anterior desservia e este serve. Mas não se tem dito porque é muito difícil, senão impossível. De facto o índice de construção não era exagerado e era, sempre, indicado como O MÁXIMO PERMITIDO, pelo que a CMP poderia SEMPRE ter impedido que se adoptassem os índices máximos. Não, nunca, exigiu que os índices fossem menores que o máximo permitido. E por aí fora. Havia a possibilidade de fazer planos de pormenor para resolver os problemas sem solução no PDM anterior. Foram feitos? Não. Porque as pessoas da CMP não queriam dar importância ao PDM. Queriam po-lo de lado. Como realmente puseram ao permitir sempre mais e mais volumetria (até inventaram umas normas ilegais para se protegerem que foram o sucesso que se sabe de embuste e trapacice).

Também as zonas verdes poderiam ser acauteladas com medidas expeditas mas, ao contrário, vários terrenos e zonas que deveriam ter sido protegidas foram entregues ao imobiliário. Veja-se por exemplo o bairro social na Pasteleira entre o parque da Pasteleira e a casa de Serralves. O PDM de 93 previa a ligação dessas três áreas mas as pessoas da CMP propuseram o terreno do meio para o bairro por ele não ter valor para o proprietário dado que no PDM anterior estava com ZERO m3/M2. Esta ilegalidade - desrespeito pela lei - passou com tantas centenas.

A torre das Antas estava em zona de ZERO m3/m2 no PDM anterior. Outro desrespeito pela lei.

Quantos projectos foram aprovados com mais do que 8m3/m2 com o pretexto de que eram de qualidade arquitectónica e sem parecer de peritos ou conhecedores?

Tudo isto comprova que houve desde sempre uma luta surda contra o PDM de 93 por parte das máfias instaladas que continuam a fazer crer que o PDM de 93 não serve e AGORA, SIM este é que é. Só por este facto há razão de sobejo para duvidar que este novo PDM sirva convenientemente a cidade/concelho. As pessoas são das mesmas equipas.

Porque será que ninguém fala no licenciamento do Península e no banco Santander na Boavista em frente a Antunes Guimarães? E nas centenas e centenas como o edifício também da Soares da Costa na Av. da Boavista e rua de Tanger que até o artigo 59º do Regulamento Geral de Edificações urbanas desrespeita? Mas é do arq. Coelho!
E porque será que o arq. Coelho, saiu da CMP e tem tido este e outros trabalhos que contrariam o PDM de 93? E porque carga de água a APOR tem encomendado sem concurso trabalhos a arquitectos como o Jorge Patrício Martins irmão do José que esteve sempre ao serviço do vereador da altura e não da CMP? Será que o PDM de 93 dá cobertura a tudo isso?
NÃO DÁ.

Como se pode suspeitar há pano para mangas para se poder duvidar da seriedade, da competência e da boa qualidade do NOVO PDM que foi apresentado até ao fim como a REVISÃO do de 93. Isto não chegará para os senhores jornalistas terem dúvidas que os impeçam de escrever o que têm escrito sobre as qualidades do NOVO PDM?

De: António Alves - "Ponte Pedonal..." 

"... e Escarpa das Fontainhas"

Uma notícia publicada hoje no PÚBLICO, traz de novo à ribalta a ideia duma ponte pedonal à cota baixa entre as ribeiras de Porto e Gaia. Eu, que sou um adepto ferveroso da fusão dos dois municípios e considero que a cidade conhecida como “Porto” é uma realidade sociológica que se estende, pelo menos, de Gaia a Matosinhos, não sou particular entusiasta desta ideia.

A ponte de que se fala situar-se-á, segundo a mesma notícia, entre a Alfândega e a Ribeira de Gaia. No momento em que decorrem obras para tornar a Barra do Douro de mais fácil e seguro acesso, parece-me contraproducente criarmos uma barreira à entrada de navios de maior porte àquela área. A concretizar-se este projecto, o espectáculo dos grandes veleiros atracados no cais de Gaia ou ancorados no meio do Douro, será algo que nos ficará vedado para sempre. Qualquer TallShip, ou outro navio de maior porte que demandasse o Douro, teria que ficar a jusante de tal infraestrutura. O tabuleiro inferior da ponte de D. Luís é há muito uma barreira à navegação dos grandes veleiros oceânicos Douro acima. Não construamos outra.

Uma estrutura leve e elegante, no mesmo sítio onde antigamente pontificava a Ponte Pênsil, parece-me melhor ideia para diminuir o efeito barreira provocado pelo rio entre as duas ribeiras e também para “repercutir o turismo das caves sobre a margem portuense e ajudar a ampliar a capacidade lúdica de ambas as margens”. Isso e os sempre adiados “vaporetos”, que poderiam servir ambas as margens do rio desde o Freixo até aos Pilotos ou mesmo Passeio Alegre.

A obra que decorre na Barra do Douro, concorde-se ou não, é um facto consumado e deve ser potenciada. O potencial turístico que a navegação de lazer pode trazer ao Douro é uma “riqueza” que não deve se desperdiçada.

A cidade de Marselha que, tal como o Porto, viu os seus antigos cais substituidos por uma moderna infrestrutura portuária, construída a oeste da cidade, foi capaz de tranformar o seu “Velho Porto” numa eficaz infraestrutura que fervilha de vida e é potenciadora da indústria turística local. E, modéstia à parte, a paisagem que se vislumbra do meio do Douro é muito mais arrebatadora do que aquela que se vê do meio da enseada marselhesa. A navegação de recreio é um segmento que poderá trazer muita gente e dinheiro ao Douro. Eu sei que não estamos no mediterrâneo, mas Vigo também não e basta lá ir e ver o que lá se passa para perceber como se fazem as coisas.

A mesma notícia aborda também a questão da recuperação da marginal a jusante da ponte D. Maria e a escarpa das Fontainhas. Joaquim Branco, administrador da Porto Vivo, diz-nos que será necessário “muita criatividade” e que esta última zona – a escarpa – “é uma zona com muita potencialidade e que merece ser bem aproveitada”. Concordo em absoluto.

Um dos vectores para a sua recuperação poderá ser o aproveitamento do canal ferroviário existente entre a Alfândega e a Estação de Campanhã, transformando-o numa linha de eléctrico moderno que ligue a grande infraestrutura intermodal de transportes que aí está a nascer ao coração do Porto antigo. Além das evidentes potencialidades turísticas, estes eléctricos ligariam a toda a marginal ribeirinha, desde a Foz, à maior gare ferroviária do Porto. Quanto a este último ponto, temo que, embora desconheça o projecto, as futuras “Docas” a construir no actual parque de estacionamento da Alfândega possam vir a impedir a ligação física entre a linha da Alfândega e a linha de eléctrico da marginal. Se for assim, tal será mais um monumental erro a juntar aos muitos que têm sido cometidos nesta cidade.

Este é o meu modesto contributo para a criatividade necessária. Um projecto simples, barato, útil e de fácil execução. Trata-se do reaproveitamento do que já existe, poupando assim os recursos financeiros que são sempre escassos.

De: TAF - "Algumas notícias" 

- Túnel de Ceuta: IPPAR ainda não recebeu proposta da Câmara
- Parque Oriental terá um plano de pormenor
- Impasse no metro sem fim à vista
- Nova lei penaliza os trespasses
- Porto pode ser base da Ryanair

2006/01/30

De: TAF - "Rendas comerciais e não só" 

- Dossier da nova lei das rendas comerciais no Diário Económico (via Blasfémias).

PS off topic qb.: Afinal está tudo explicado. Pois é.

De: Cristina Santos - "«Gaiolas para ciganos»" 

Estará esta instituição a sugerir que os senhores em questão não podem ter qualidade de vida sem um jardim, um jardim vedado tipo as hortas que estes senhores tinham no São João de Deus?! Ou será que se referem a um jardinzinho melhor… sem sucata, ovelhas, porcos e galinhas?!

Há outra coisa que me ficou cá no goto da interrogação, cumpria à CMP avaliar esta situação ou cumpria a esta instituição formar os moradores, alertá-los para as novas regras de convivência em bairros de etnias mistas?

Como bem se sabe, nos bairros há muitos moradores com direitos adquiridos sobre os jardins que contornam os blocos, e se muitos ajardinam, a maioria cria galinhas, faz reservatório de sucata, faz anexos que são reservatórios do lixo dos andares superiores, faz um uso inadequado de um bem público em prejuízo de todos os moradores.

Na minha opinião a CMP deveria era exigir que todos os moradores no rés do chão dos bairros camarários fizessem o favor de libertar e disponibilizar a todos essas áreas.

Que se fale em integrar, em empregar, em formar, tudo muito bem, mas pôr antes disso a necessidade de se sentirem integrados através da disponibilização de logradouros ou jardins, não sei, mas parece-me que não se encontram garantidas condições futuras de coabitação digna para os restantes moradores… adiante… que sabemos no que esta discussão vai dar.

Antes desses que já tem casa no 2º ou no 3º andar de um bloco qualquer, eu pergunto a CMP:
É importante que a Senhora Vereadora se lembre que a maioria tem enormes dificuldades de locomoção, são idosos que tendem a ser cada vez mais idosos e importa que pelo menos consigam sair de casa sem auxílio.
Estas pessoas são contribuintes na sua maioria, pagaram ao senhorio durante toda a sua vida, não tem culpa do congelamento de rendas.
Senhora Vereadora tente colocar os que tem dificuldade de locomoção ou famílias com deficientes nas listas dos que pretendem ocupar os rés do chão, indepentemente da sua etnia, segundo a minha visão populista dos factos - são esses direitos que devem ser consagrados na democracia.

De: TAF - "No início da semana" 

- DREN e Câmara do Porto decidiram encerrar a EB 1 de S. Miguel
- “Gaiolas” para os ciganos
- Aniversário do Rodrigues de Freitas com ciclo de conferências
- Para promoção da cidade, Amesterdão convida bloggers - via Ponto Media
- Livraria Poetria lançou apelo aos clientes - No início a poesia, depois o teatro
- As rendas e os trespasses no comércio
- STCP encerra oito linhas e abre seis

- Hipótese de fusão entre Porto e Gaia volta a ser colocada - Ver também o vídeo. Aproveito para lembrar o que escrevi aqui: "Sim, mas".

2006/01/29

De: Matteo Tiepolo - "Viabilidade na baixa" 

Há muito tempo que não escrevo, seja por vergonha do meu português, seja porque no blogue estão a prevalecer argumentos “políticos” respeito aos argumentos práticos. Mas uma intervenção de alguns dias atrás acerca do escasso uso do Túnel de Ceuta, despertou a minha vontade de intervenção.

Eu escolhi Porto como residência, mas por razões profissionais passo muito tempo em outras cidades como Munich, Torino, Barcelona e outras, o que traz a vantagem dos namoros com pouca convivência, de permitir disfarçar os defeitos aos olhos do namorado. Mas, apesar disso, a falta de planeamento da cidade começa a ser irritante também para mim. Eu fui um apoiante completo do Túnel de Ceuta porque sei e está mais que provado, que a qualidade de vida nas cidades se obtém basicamente eliminando o trânsito nas áreas centrais. Em uma cidade com a conformação geográfica como Porto a única forma de poder obter este resultado mantendo uma certa funcionalidade da cidade é transferindo o trânsito para o subsolo.

Mas se depois de ter construído um túnel, não se modifica a malha viária de superfície, não se obrigam os fluxos de trânsito de consequência, é deitar dinheiro pela janela!

É demencial que ainda os carros ligeiros transitem na Praça dos Leões. Era a única área do Porto onde eu tinha apreciado uma certa visão a longo termo por parte dos gestores da cidade. A realização de parques de estacionamento subterrâneos ligados entre si, permite de estacionar na zona sem circular em superfície, e as saídas, já por debaixo das praças Carlos Alberto e Leões, permitiriam que no contorno do Jardim de Carregal só transitaria o fluxo marginal em saída de ligeiros.

O metro e os parques subterrâneos são o começo da recuperação dos centros históricos das cidades europeias. O pior inimigo da qualidade de vida em cidade é o carro estacionado! Quem deseja ter o privilégio de ocupar o meu espaço (espaço público!) com o próprio carro tem que pagar! O comerciante que estaciona o próprio carro na frente da loja de manhã até o fecho tem que pagar e muito este privilégio que impede o transitar a dezenas de pessoas nesta área ocupada por ele.

No meu escritório de Barcelona nem penso em pagar 250 euros cada mês para estacionar o carro (só em subterrâneo porque em superfície não há carros estacionados mas pessoas a caminhar), em Torino, onde o escritório é na periferia, vivo e habito em centro, onde a área interdita aos carros é muito vasta e é onde estão as melhor lojas e os melhores café, restaurantes e locais de divertimento. Tento me movimentar com os meios públicos sempre que posso, mas quanto preciso ir de carro, já sei que custa portanto faço-o raramente.

No Porto já falei com uma senhora que tem uma loja na baixa e tem um lugar privativo, então o marido estaciona no lugar e ela em segunda fila, por todo o dia, porque se estacionasse nos outros lugares e não pagasse seria multada e bloqueada, coisa que nunca se passa se estaciona em segunda fila!

Discutir se uma escultura cheia de cores é mais ou menos bonita ou se a burocracia era maior com um presidente rosa ou laranja, não me estimula como saber o que se está a fazer para melhorar a cidade, porque ninguém até agora me respondeu à pergunta: o que está a ser feito para melhorar a viabilidade e a qualidade de vida na baixa do Porto?

Matteo Tiepolo

De: TAF - "Apontadores do dia" 

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Leituras de fim de semana:
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- completamente "off topic" - Cenas de sexo no Esplanar. Só lido. :-)

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