2004/05/08

De: Pedro Aroso - "O debate na Alfândega II" 

Em complemento do magnífico texto do TAF, gostaria de acrescentar o seguinte:

O Director do Departamento de Reabilitação do Centro Histórico da CMP (António Bruno) e o Dr. Joaquim Branco (SRU da Baixa do Porto) queixaram-se amargamente dos proprietários e não compreendem porque motivo estes não aderem aos programas que estão a ser lançados. Pois bem, a resposta é muito simples: os proprietários conhecem muito bem a "firewall" que existe na CMP:

1 - A ideia geral é a de que os projectos só são aprovados se forem entregues aos funcionários que lá trabalham.

2 - Quando os projectos não são realizados pelos funcionários da CMP, o prazo para a emissão da licença nunca é inferior a 4/5 anos. Dou um exemplo: Proc. 4412/99 (Rua de Santa Catarina). O projecto foi aprovado no tempo do Eng. Nuno Cardoso, mas a licença ainda não foi emitida.

3 - Para a actual gerência da CMP, todos os edifícios situados fora do perímetro do centro da cidade não têm qualquer valor patrimonial. Só assim se explica que o proprietário de uma moradia dos anos 30, situada na Av. de Montevideu, seja "condenado" a pagar perto de 14000 Euros de taxa pelo restauro desse edifício (Proc. 10557/00).

Sabendo-se que a CMP delineou uma estratégia no sentido de impedir a construção fora do centro da cidade, na qual a Direcção de Urbanização se tem empenhado afincadamente, não informando os projectos que aguardam o respectivo parecer, restava-nos esta alternativa. Hoje fiquei a saber que vão ser elaborados vários Planos de Pormenor para esses quarteirões. Na prática, isto significa que os proprietários só vão poder solicitar a recuperação dos seus edifícios depois de aprovados os referidos planos, o que não deve acontecer antes de finais de 2005. Ou seja, vamos assistir à paralisação total do sector da construção civil na nossa cidade. Isto não é pessimismo, mas sim realismo!

Pedro Aroso
pedroaroso@clix.pt
http://www.e-architect.net

De: TAF - "O debate na Alfândega" 

Cheguei agora do debate na Alfândega sobre a Reabilitação.
Eu, que não tenho vocação nem paciência para pessimismos, venho de lá bastante preocupado...

Vou tentar sistematizar aqui as minhas dúvidas. É provável que saia um texto extenso mas paciência. Pode ser útil para preparar a reunião que vou ter na segunda-feira com o Dr. Joaquim Branco da SRU, de onde talvez possa vir um pouco mais optimista.

Uma primeira nota marginal sobre o local do debate.
A tão aclamada recuperação do edifício da Alfândega revelou-se afinal de qualidade muito duvidosa em termos de isolamento acústico, pelo menos no Auditório que fica à entrada. Assistir ao debate com o ruído que vinha de outros acontecimentos paralelos (não sei se por cima, se ao lado) foi um verdadeiro suplício! Não terá havido especificação decente de isolamentos mínimos no caderno de encargos?

O debate propriamente dito, com António Bruno e Joaquim Branco, foi seguido de uma palestra por João Appleton. Os comentários seguintes englobam tudo isto mas excluem a sessão de encerramento, a que não tive paciência de assistir.

Pareceu-me evidente a boa-vontade dos intervenientes e o seu sincero empenho em que algo mude no Porto. Foram divulgadas algumas medidas de apoio à recuperação do edificado que, mesmo estando longe de ser suficientes, são claramente positivas. Foram relatados alguns números quanto a obras realizadas que mostram uma tendência marcadamente crescente.

Posto isto, vamos às dúvidas/críticas.

1) O que até agora foi feito (pré-SRU), tal como os próprios intervenientes confirmaram, é uma gota no oceano. Mais: as obras mostradas como exemplo são a uma escala pequeníssima, edifício a edifício. E sem implicações estruturais para não obrigar a licenciamento que, como eles próprios afirmaram e é para todos evidente, seria um processo muito mais demorado na CMP. As obras com impacto significativo têm de ser feitas a nível de quarteirão, e para isso lá estará supostamente a SRU.

2) Não me parece claro qual o conceito de “reabilitação” que se pretende para a Baixa.

Se “reabilitar” é manter os edifícios o mais parecidos possível com o que eram originalmente em termos estéticos, estruturais, de materiais usados, de tipologias, etc., numa perspectiva de “conservação do património” da forma mais fiel possível.

Ou se “reabilitar” é visto numa perspectiva mais lata como “reabilitar a vida na Baixa” e não apenas como “reabilitar o edificado”. Isso poderá implicar em muitos casos não reabilitar os imóveis, no sentido estrito que referi acima.

Eu defendo esta segunda opção. Há quem diga que esta opção é a da “especulação imobiliária”, da “falta de sensibilidade para o património”, etc. Não posso discordar mais!

Uma Baixa em que os edifícios não tenham condições de conforto contemporâneas para deficientes, idosos, senhoras grávidas, etc. (já nem falo no “cidadão sem necessidades especiais”) é uma Baixa sem futuro. Se “reabilitar” significar ter habitações uni-familiares divididas por 3 ou 4 pisos, sem garagem próxima (no mesmo quarteirão), sem elevadores para atingir os pisos superiores, então prefiro não “reabilitar”.

Parece-me claro que na maior parte dos casos uma “reabilitação” tecnicamente fiel do património edificado é infelizmente incompatível com a obtenção da qualidade de vida indispensável para criar procura no mercado, para que as pessoas voltem a habitar na Baixa e usufruir dela a tempo inteiro. Tendo que escolher entre uma “Baixa-museu” e uma Baixa viva, eu não tenho dúvidas.

Dizem por vezes que é preciso uma “mudança cultural” na população. Se estivermos à espera de mudanças culturais não é nesta geração que vamos começar a resolver o problema da Baixa... O Óptimo é inimigo do Bom. Se tivermos que esperar pela "mudança cultural", os actuais habitantes da Baixa vão morrendo e os novos que mais tarde vierem não terão quaisquer raízes lá. Ter-se-á perdido o "património humano", que é mais valioso do que os edifícios.

3) Há muita coisa ainda por pensar por parte das entidades intervenientes.
Por exemplo, como é que se conciliam recuperações de edifícios isolados (como as que são agora incentivadas) com as futuras intervenções a nível de quarteirão. Apesar de não ser provavelmente muito frequente, reconheceu-se que poderão existir casos em que as obras agora feitas sejam “para o lixo” porque a opção no âmbito do quarteirão pode ser outra. Neste momento não há nenhum plano para os quarteirões nem se sabe concretamente quais os quarteirões que serão objecto de intervenção. Mas eu, se fosse proprietário, não faria agora absolutamente nada num edifício meu se corresse o risco de ver o meu trabalho ir por água abaixo daqui a um ou dois anos...

4) Não percebo como é que os privados (a “sociedade civil”) podem intervir eficazmente em colaboração com a SRU em “grande escala”. Mas isso fica para outra mensagem mais tarde, agora é hora de jantar. :-)

2004/05/07

De: Pedro Aroso - "Mudança de Pelouro" 

Caro Rui Rio

Li, com atenção, a notícia CMP apresenta novas medidas no âmbito dos Recursos Humanos

Embora não conheça bem o Dr. Paulo Cutileiro, tenho boa impressão dele. Aqui fica a minha sugestão: transfere o Ricardo Figueiredo para um pelouro sem importância, mas com muita burocracia, e entrega o da Urbanização ao Paulo Cutileiro e à sua equipa de colaboradoras. Talvez eles consigam fazer uma limpeza na Divisão de Urbanização, varrendo alguns mangas-de-alpaca que andam por lá a arrastar os pés, em vez de informarem os projectos dentro dos prazos legais, como acontece em qualquer Estado de Direito.

Um abraço
Pedro Aroso
pedroaroso@clix.pt
http://www.e-architect.net

De: Miguel Barbot - "Ir para casa ver os Morangos com Açúcar..." 

"... ou moribundar para o Norte Shopping"

Presumo que seja fantástica essa iniciativa da CMP... Não tendo qualquer hipótese de assistir aos debates durante os dias da semana, decidi ir ver a “exposição” quarta-feira ao fim da tarde. Quando lá cheguei encontrei o edifício da Alfândega fechado, sem qualquer indicação do horário de funcionamento. Assim, fica-me a ideia de se tratar de uma iniciativa fantasma, parecendo que não existe um interesse legítimo em mostrar à população aquilo que se está a fazer, facto de que é sintoma a falta de divulgação anteriormente denunciada pela Cristina.

Não chego a perceber que tipo de animação querem no centro da cidade, quando tudo o que há para fazer ou ver está fechado fora dos horários normais de trabalho. Queremos uma cidade para estudantes (que se baldam às aulas), desempregados e reformados, ou queremos uma cidade viva, que proporcione aos seus habitantes com maior poder de compra algumas horinhas de lazer quando não estão a trabalhar?

Dou como um pequeno exemplo, a cidade da Figueira da Foz, que embora tendo uma escala menor, mantém no seu centro lojas de referência com horários de abertura alargados até depois da hora de jantar.

Exemplificando a situação do Porto, dou o exemplo de uma loja de electrodomésticos de referência que se situa em baixo do meu local de trabalho: abre às 9h00 (quando toda a gente nas redondezas começa a trabalhar), fecha das 13h00 às 14h30 (vamos almoçar ou fazer compras?) e fecha às 18h00... Resultado: loja com “bom aspecto”, com grandes investimentos em imagem, mas sempre vazia.

Chego a achar bastantes interessantes estas iniciativas da CMP, que poderão animar pontualmente o centro, como aconteceu com o World Mix Market no Ferreira Borges, mas sinceramente, nos dias que correm, não existe atracção possível se não existir uma oferta regular, que vá para além dos cafés ou da cultura, mantendo na rua tanto os moradores como os visitantes o maior tempo possível, eliminando assim a desertificação depois das 19h00 e retirando espaço à marginalidade que quanto a mim, é o maior “repelente” de pessoas do centro.

De: TAF - "Debate na Alfândega" 

Está anunciado para amanhã, Sábado, pelas 16:00, um debate na Alfândega que me parece ter bastante interesse e ao qual conto assistir.

Trata-se de:
"Instrumentos para a Reabilitação, Perspectivas e Expectativas", e conta com a participação de
- António Bruno - Director do Dep. Reabilitação e Cons. Centro Histórico da CMP
- Joaquim Branco - SRU

Será certamente uma boa ocasião para sermos informados sobre os tais "instrumentos" e, eventualmente, colocarmos dúvidas.

De: Cristina Santos - "reparação, reconstrução e beneficiação" 

Hoje vou falar-vos dos preços de reparação, reconstrução e beneficiação.

Actualmente esse tipo de intervenção recorre a técnicas e materiais correntemente utilizados em obra nova o que não significa uma paridade de valores.

Esta diferença de preços fundamenta-se essencialmente nas condições de execução e o rendimento que esse factor implica nos trabalhos a executar.

A dispersão dos valores unitários médios dos trabalhos previstos, os acessos aos edifícios já existentes, as anomalias que é preciso detectar com a devida antecedência, a falta de dados «científicos» que resultem em técnicas eficazes, são pontos que variavelmente diferenciam este tipo de obra da Obra nova.

Muitas vezes e falo da minha experiência para este tipo de trabalho é necessário reunir condições pertinentes e nem sempre lucrativas feitas as contas finais.

A reunião consensual de condições que permitam a execução com a permanecia simultânea dos moradores, a condução da obra através de uma gestão flexível, um estaleiro diminuto funcionando com regras muito específicas, fornecimentos contidos e rigorosos, trabalhos preliminares de consolidação e preparação demorados e a exigência do conhecimento profundo das causas e das anomalias, implica acréscimos de valores, diminuição de rentabilidade e obviamente desinteresse por esta área do sector da construção.

Mas não são só essas medidas que afectam o custo final, na medida em que é também necessário fazer corresponder ao volume da obra a idade do edifício (em França uma diferença de 100 anos implica um aumento de cerca de 6 vezes), é preciso acompanhar a obra permanentemente através da disposição de exigências, especializar a mão-de-obra, gerir a aplicação de custos.

O Estado é responsável por esta afectação de custos, pela inadequação dos seus regimes de empreitadas públicas, concursos, licenciamento acessibilidades, condições desfavoráveis ao encaminhamento de resíduos sólidos, ajuste directo pouco facilitado e falta de fiscalização competente.

Alias serão estes últimos factores responsáveis pelo desconhecimento e desinteresse geral no seio dos Técnicos envolvidos nesta arte.

A soma de todas estas condicionantes resulta em nova construção e na ruína do edificado, que pela sua nobreza não pode ser demolido, e permanece vergonhosamente abandonado.

O estado tem assim que anuir, que face ao custo de reabilitações profundas poucos serão os interessados neste mercado, dada a dimensão alucinante e excedente da nova construção em Portugal.

Portanto se é objectivo do nosso Governo ou Autarquia Local conservar o edificado, terá de reunir condições para que tais intervenções favoreçam o investidor.

Promover acções de sensibilização, co- financiar Senhorios de parcos recursos incentivando o arrendamento, criar condições de acesso a edifícios implantados em zonas históricas, agilizar os processos isentando-os das formalidades inerentes ao licenciamento de obras novas, exigir outra qualidade na nova construção que resulte em melhores condições e crivo de compradores. Por exemplo a TV2 é uma estação que não gera audiências e logo não gera lucros, mas como faz parte de um interesse publico, o Estado assume-a, financia-a e promove a sua gestão. Perde talvez muitos dividendos em nome do interesse público. Deveria talvez o Estado adoptar medidas semelhantes, pelo menos para a reabilitação do edificado condicionado pelo congelamento das rendas.

Cristina Santos

2004/05/06

De: TAF - "Caro Rui Rio" 

Para corrigir os problemas é preciso primeiro identificar os responsáveis e depois agir em conformidade.

Imagine que era o dono de um restaurante para o qual tinha convidado um gerente supostamente competente e honesto. Mais tarde veio a saber que um cliente, tendo sido mal servido, tinha pedido o Livro de Reclamações ao gerente. A resposta deste terá sido:

"Neste momento estamos com obras na cozinha e os cozinheiros ainda estão em formação. É natural que tenha sido mal servido, de facto lamentamos. Mas não faz sentido dar-lhe agora acesso ao Livro de Reclamações. Quando as obras terminarem, tudo estiver a funcionar bem e já não houver motivo para reclamar, aí sim, terei todo o gosto em lhe entregar o Livro de Reclamações."

Que atitude tomaria em relação a este gerente?

Agora leia por favor isto que está escrito no "Espaço de Diálogo" da Câmara:

"A Direcção Municipal de Urbanismo encontra-se em processo de reorganização profunda. Todas as alterações e medidas que estão a ser tomadas têm como objectivo prestar melhor serviço a munícipes e técnicos, particularmente no que toca ao cumprimento dos prazos legais para resposta e aprovação/licenciamento de projectos. Brevemente irão ser enviadas circulares aos técnicos inscritos e irão ser colocados na página da CMP alguns documentos e recomendações para que também contribuam para facilitar o nosso trabalho. Por este motivo não faz sentido neste momento abrir este tema a discussão.
O DMU, José Carapeto"


Os meus cumprimentos.

De: Pedro Aroso - "Em quem devo acreditar?" 

1 - Quando o actual Executivo tomou posse, o Arq. Ricardo Figueiredo (Vereador do Pelouro do Urbanismo) disse-me que os primeiros seis meses eram para "arrumar a casa" e que, a partir daí, as coisas iam melhorar. E eu acreditei…

2 - Em Outubro de 2002, ou seja, já depois do período necessário para "arrumar a casa", entreguei na CMP um projecto para a construção de quatro moradias na zona do Foco (Proc. 19724/2002, imagens anexas). Os meses foram-se passando mas, até hoje, o meu cliente ainda não sabe se o projecto foi aprovado ou não, porque a Câmara Municipal do Porto nada deliberou sobre o assunto.

3 - Durante a fase de discussão do Plano Director Municipal manifestei, por diversas vezes, a minha indignação face à inércia da Divisão de Urbanização no que toca à apreciação dos projectos.

O Arq. Ricardo Figueiredo (Vereador do Pelouro do Urbanismo) anunciou, PUBLICAMENTE, que tudo ia melhorar a partir de Janeiro de 2004. E eu acreditei…

4 - Entretanto o Arq. Ricardo Figueiredo (Vereador do Pelouro do Urbanismo) convocou uma conferência de imprensa para anunciar "a candidatura dos Serviços Municipais de Urbanismo ao certificado de qualidade". E eu nem queria acreditar!

5 - Agora vem o Arq. José Carapeto revelar que "a Direcção Municipal de Urbanismo encontra-se em processo de reorganização profunda. Todas as alterações e medidas que estão a ser tomadas têm como objectivo prestar melhor serviço a munícipes e técnicos, particularmente no que toca ao cumprimento dos prazos legais para resposta e aprovação/licenciamento de projectos". E eu pergunto: Em quem devo acreditar?






Pedro Aroso
pedroaroso@clix.pt
http://www.e-architect.net

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Nota de TAF: Esta mensagem foi colocada online apesar de se referir bastante ao passado. Mas fá-lo numa postura positiva: apresenta e documenta um caso concreto que aguarda decisão da CMP, já que não o pode fazer no "Espaço de Diálogo" da autarquia. É com a resolução de casos concretos que a cidade avança.


2004/05/05

De: TAF - "Focar a discussão no ponto" 

Depois dos dias iniciais deste blog, em que houve uma participação surpreendentemente alta, é tempo de analisar o respectivo funcionamento.

Pareceu-me justificar-se inicialmente uma moderação bastante "tolerante", ou seja, deixar que o assunto divergisse um pouco para dar aos participantes a oportunidade de colocar alguma "conversa em dia", uma vez que se calhar as oportunidades online não eram frequentes.

No entanto, é agora fundamental centrar a discussão no que realmente importa: o presente e o futuro.
Vou passar por isso a ser mais "censor". É preciso que as mensagens sejam compactas e "tenham sumo", senão poucos leitores terão disponibilidade suficiente para seguir atentamente o debate e dar a sua contribuição.

Já foram aqui lançados temas importantes e certamente mais irão aparecer.
A zona da "Baixa", que deu o nome ao blog, deverá permanecer como o assunto principal. Mas não é possível isolar a Baixa daquilo que a rodeia, pelo que considerarei relevante o debate sobre outros locais da cidade.

Dentro de algum tempo irei provavelmente apagar algumas mensagens que tenham deixado de ser necessárias na sequência do debate, ficando apenas as que julgar mais relevantes para a reflexão posterior. Quem chegar de novo poderá desta forma entrar rapidamente no contexto lendo um número mais reduzido de textos.

Vamos ao que interessa. Directamente.


De: Cristina Santos - "Demolição C.C. Bom Sucesso" 

Caro Pulido Valente

Antes demais o meu agradecimento pelo esclarecimento que nem sempre vem a publico.
Quem deveria ser punido seria em meu ver que não embargou e devia, quem vendeu apressadamente para justificar a permanência desse edifício no seu local, e quem por fim legalizou entre aspas, por forma a tornar legal o que não é.
Deveriam pagar do seu próprio capital e não do capital publico, com tudo qualquer cidadão que não tem dinheiro paga em serviços de utilidade publica ou vai preso.
Pelo que devemos exigir À autarquia que recolha os lixos gratuitamente, estacionamento gratuito entre outras medidas, para assim saldar a divida.

Depois quanto à sua proposta para a alameda é de sonho, mas se me permite não posso deixar de lhe solicitar que esse tão bom enquadramento que faz da lei da impermeabilização e as alternativas tão belas que cria ou imagina para as ultrapassar, pudesse também ser aplicado na reabilitação e no restauro, não sei mas não consigo conceber novos e luxuosos apesar de belos edifícios, sem me doer a alma com a situação do Património e dos seus escassos habitantes.

Cristina Santos

De: Pedro Aroso - "Obrigado pela informação" 

Caro Zé Pulido Valente

Obrigado pelo teu esclarecimento. Estava convencido que as coisas se tinham passado de maneira diferente.
Surpreende-me que tenha sido um colega do meu curso, militante da antiga UDP (actual Bloco de Esquerda) a assinar o projecto, que ainda por cima é muito mau.

Um abraço
Pedro Aroso
pedroaroso@clix.pt
http://www.e-architect.net

De: Pulido Valente - "resposta fr.r.ant." 

o estacionamento enterrado (há o ao longo da alameda) está no eixo longitudinal do espaço central e tem cerca de 15 metros de largura pelo que sibram cinquenta de terreno livre/permeável para plantar tudo e mais alguma coisa. A altura máxima por baixo do arco é de 28 m.

De: Pulido Valente - "pedro a" 

sabes pouco e falas muito: a licença foi passada pelo vereador e foi o despacho dele que foi anulado. que te deu para andares em tão má companhia?

De: Pulido Valente - "resposta a cristina santos" 

há muita farfalhada neste assunto. A ver se esclareço alguma coisa:
1 - não se pode dizer que não se cumpre a lei por falta de dinheiro; 1.1- se pudesse não pagava impostos e multas e etc
2 - quem foi condenado foi o promotor imobiliário a soqualquer coisa, -já não me lembro do nome (soares da costa mais alguém, com arquitecto brasileiro com cobertura/assinatura do arq. miguel pais vieira do porto)- e a câmara; a licença do edifício que demorou quatro anos a construir foi DADA pelo vereador três ou quatro meses antes da inauguração pelo que foi tudo construído ilegalmente, sem licença, sob a protecção do presidente ( que foi alertado para embargar várias vezes pelo fiscal não o tendo feito) e do vereador que assinou a licença ( o pedro aroso não sabe do que fala),
3 - se alei fosse boa quem teria de pagar seria o político que DEU a licença;
4 - num caso destes e cabendo alguma despesa ao município o estado deve entrar; 4.1 a parte do município pode ser assacada ao ex vereador mesmo não estando isso claro na lei? é preciso saber;
5 - as indemnizações aos comerciantes serão sempre da conta de quem os vigarizou (por não os ter avisado que havia um processo no tribunal) quando vendeu; 5.1 a parte da câmara seria metade da despesa da demolição, no máximo;
6 - sendo o processo uma acção popular se a câmara não mandar demolir cada cidadão tem o direito de pedir uma indemnização à câmara; como somos muitos a verba total será igual ou maior à correspondente ao quinhão das despesa da cmp na demolição;
7 - não se arranja um polis para a demolição?

De Cristina Santos - "Novos edificios de LUXO? e a Baixa?" 

No que diz respeito à proposta de Pulido Valente, não estou bem em forma de a avaliar, no entanto e a meu leigo ver, começo a considerar tendencial as formas cúbicas que se dão as coisas.
É para mim grande embaraço prever que num futuro próximo e dadas as absurdas quantidades de betão erigidas pela minha geração, justificar aos futuros povos, como a irresponsabilidade permitiu que num pais de escassos recursos e até de condomínios pouco pacíficos, se permitiu a construção em massa em detrimento da conservação do existente.
Muito mais me embaraça antever milhões de metros cúbicos de envelhecimento e degradação simultânea, num pais verde como é Portugal com tão poucos habitantes.
Seria para mim grande satisfação ver as mentes criadoras a recriarem a obra, já sei que é utopico.
Mas das duas uma ou demolimos grande parte do edificado e apomos a nossa marca de uma vez por todas, ou então o que urge é criar medidas que se adoptem à nossa condição, e não fronteiras que delimitam uma cidade contando-a pelo eixo que a estavelisa.
Temos que optar ou uma cidade modernizada tecnológica que também não discordo , que mantenha um ponto turístico como o da era medieval, ou então uma cidade reabilitada com identidade, futuro, com gastos de manutenção calculados etc..
Se os proprietários de edificou únicos e de pequeno porte não proverão a sua manutenção, o que acontecerá com esta selva de betonilha onde a maioria dos condóminos deve ao seu condomínio 3 anos de mensalidade, onde quem compra nem sonha que só de encargos comuns pagará o equivalente a uma prestação?
Depois edifícios de luxo para uma escassa minoria, não me parece que seja uma actividade arquitectural lucrativa ou mesmo significativa para o futuro.
Não deveriam ser avaliadas propostas sem que o Povo decidisse pela cidade moderna, ou pela cidade que conseguimos manter.
De que valia a mim um Honda de 240 Cavalos, se só para lhe dar manutenção e uso, gastaria por ano o mesmo que ele me custou, se não tenho nenhuma pista particular para lhe dar o efeito para o qual ele foi concebido?
Já me custa muitas horas de trabalho os Estádios próprios de Países abastados, apesar destes terem sido financiados, já muito me custa a forma cúbica na Rotunda, já muito me custa que apesar de poucas construções monumentais se despenda dinheiro em coisas que de nada ou pouco nos servem para um pais mais civilizado, mais educado mais preparado para manter o que produz.
Deixo para contra reflexão
Cristina

De: Cristina Santos - "LINKS PARA BLOG TRIPEIROS" 

Caro Tiago,

Não posso deixar de discordar da opnião de alguns participantes no que diz respeito à inserção neste BLOG, de novos links para outros blogs mesmo que Tripeiros.
Não porque os outros sejam menos ou mais interessantes que este, penso apenas que este foi criado com um propósito, que deve ser preservado e tem sido bem gerido para esse fim, para além de que embora existam grandes divagações (como é o meu caso), tratam-se aqui assuntos mais sérios e objectivos.
Os outros tratam o Porto de forma genérica,se me permite não me parece adequado.
Fica claro a seu critério, mas quanto a mim poderei limitar as minhas divagações em troca da originalidade e perseverança para com o assunto principal deste BLOG.
Esses blogs do Porto existem ha algum tempo ... e até à data não mereceram a minha atenção.
Se vier a proporcionar-se a inserção desses link, que pelo menos sejam bem justificadas, com uma prévia analise a esses blogs, ao seu funcionamento e conteudo.
Sem mais , melhores cumprimentos

Cristina Santos

De: TAF - "Alameda 25 de Abril" 

Na sequência da proposta de Pulido Valente aqui fica um caso que, sendo diferente, tem na minha opinião alguns pontos comuns e que pode servir para estudo adicional.

Panasonic Multimedia Centre, Tóquio







Não pedi autorização para reprodução aos detentores dos direitos das imagens mas, para este efeito e pela publicidade que faço a este livro que recomendo, julgo que não haverá problema.

De: Miguel Barbot - "Fonte das Virtudes" 

Um outro blog tripeiríssimo a registar: A Fonte das Virtudes http://fontedasvirtudes.blogspot.com/

Se gostamos da Avenida dos Aliados http://avenidadosaliados.blogspot.com/, este também não lhe fica atrás...

Tiago, não querendo dar trabalho (mais ainda!), para quando começar a colocar links para blogs cá da terra?

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Nota de TAF: na boa tradição da Internet, o melhor é ter um link para uma lista de links noutro lado qualquer...
:-)


De: Alexandra Melo - "venda de património" 

Estão à venda dois solares do século XVII na Rua D. Hugo, junto à Sé do Porto, com vistas únicas sobre o Rio Douro, ideais para investimento turístico.
Já que este Blog é sobre a baixa penso que podem dar uma ajuda na divulgação desta venda.
junto uma fotografia das casas enquadradas na paisagem e mais algumas informações.
Obrigada
Alexandra Melo



- Descrição

Dois solares do século XVII, situados na Rua de D. Hugo, nº 37, 39 e 41, no Porto, inseridos na zona classificada pela UNESCO, Património Mundial.
Área coberta (+ -)800 m2
Área descoberta (+-)250 m2
Estado de conservação, razoável
Vistas deslumbrantes sobre o Douro
Ideal para sede de Instituição/ pequeno hotel/apartamentos

- Alguns dados históricos sobre a zona envolvente

A Rua de D. Hugo (outrora chamada Rua dos Cónegos de Trás da Sé, Rua dos Cónegos, Rua de Trás da Sé e Rua da Catedral) é uma das mais interessantes do núcleo envolvente da Sé, mantendo, a sua leitura desde a época medieval até ao século XX.
Situam-se na Rua de D. Hugo a sede da Associação dos Arquitectos Portugueses, o Museu Guerra Junqueiro e a Fundação Maria Isabel Guerra Junqueiro
Esta rua está integrada na zona classificada pela UNESCO, património mundial.

Contacto com os proprietários:
Alexandra Melo Telemóvel- + 351 93 3175994/meloalexandra@hotmail.com

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Nota de TAF:

Hesitei antes de colocar esta mensagem online, já que se trata de um interesse particular específico.
Contudo, resolvi publicar o anúncio, nem que seja para obter a opinião dos leitores.
É importante recolher os dados dos proprietários de imóveis na Baixa e esta poderá ser uma via.
Mesmo que eventualmente não seja para colocar online, vale a pena os proprietários enviarem-me informação dos imóveis que possuem.


2004/05/04

De: Alexandre Burmester - "PÔORTO?" 

Todos os que agora falam do Porto, calaram-se.
Foram ver o Porto.

BAMOS A BER SE BIBA.....

Alexandre Burmester, Arqto.
x@aburmester.com

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Nota de TAF: Quase todos... ;-)

De: Francisco Rocha Antunes - "Alameda 25 de Abril" 

Meus Caros,

Será que é desta que podemos discutir abertamente a arquitectura que se faz no Porto?

Eu não tiro piso nenhum ao estudo prévio da Alameda, sempre achei preferível premiar a construção em altura em troca de espaços públicos.

O estudo prévio cumpre as regras e mostra como não é com alinhamentos e cérceas que vamos lá.

Já agora, o estacionamento subterrâneo não deveria ter regras que permitissem a criação de uma camada de verde e drenagem adequada?

Por mim, vamos à discussão. Sem os sobrolhos carregados do costume.

Francisco Rocha Antunes
promotor imobiliário

frocha.antunes@johnneild.pt

De: TAF - "Alameda 25 de Abril - Proposta de Pulido Valente" 

Fui há dias contactado pelo Arq. Pulido Valente a propósito de uma proposta que ele elaborou para a nova Alameda 25 de Abril. Pediu-me para sugerir formas eficazes para divulgação deste trabalho, com o objectivo de suscitar uma discussão pública alargada.

Aqui está o primeiro resultado da nossa conversa: uma apresentação neste blog. :-)



Não sendo eu arquitecto, vou fazer alguns comentários prévios para melhor compreensão daquilo que é agora exposto, se bem percebi o que Pulido Valente me explicou.

1) Não se trata ainda de um "projecto de arquitectura", mas sim de uma "reflexão urbanística". As imagens apresentadas devem ser vistas apenas uma explicação do tipo de solução proposta, ainda com muito trabalho de arquitectura pela frente, e não como um projecto acabado.

2) O primeiro impacto (falo por mim...) pode ser algo chocante. Depois, verifiquei que se calhar a principal razão para esse choque foi precisamente o facto de não ser um trabalho terminado. É preciso abrir o espírito e analisar mais friamente a proposta, tentando imaginar como poderia ser a arquitectura num estado mais elaborado deste estudo. Mas o que está aqui em debate não é o detalhe da arquitectura específica desta construção, mas sim o tipo de solução para o local.

3) Aqui está a página com a apresentação mais completa e imagens virtuais:
http://porto.taf.net/jpv.htm

4) Apesar de tudo, falando atrevidamente do detalhe das construções centrais, eu diria que haveria bastante benefício em:
a) retirar os 2 pisos superiores, reduzindo a volumetria no topo (não por ser "grande demais" ou "alto demais", mas porque acho que não fica com uma forma elegante);
b) separar visualmente os arcos de sustentação, tornando mais clara a distinção entre as "vigas habitáveis" e o respectivo suporte que nestas imagens se funde com as "vigas";
c) e muito mais havia que dizer mas não é altura de tratar dos detalhes.

Observem e comentem. :-)
Transcrevo abaixo uma nota prévia de José Pulido Valente.
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Nota prévia

O documento que se apresenta é o resultado de mais de vinte e cinco anos de luta contra a burocracia, o imobilismo, a renuncia, a cobardia, a falta de amor-próprio, o desleixo, a falta de exigência para consigo, a falta de imaginação, o abandono de um ideal, a desistência da pesquisa de novos caminhos – principalmente os próprios deste país – para a arquitectura e contra o mercantilismo instalados na classe dos arquitectos que conta com mais 1/1000 da população cá da terra.

As imposições das câmaras e serviços vários e dos que neles trabalham; a falta de perspectiva cultural olhando para a história e para o nosso papel dentro dela; o complexo de inferioridade subjacente a tudo isto levam os arquitectos a aceitar ser instrumentos do processo produtivo da destruição do património, abdicando da sua fundamental função de criadores de cidade. São, quanto muito, decoradores da cidade. Com péssimos resultados.

Desde o meu bloco do talhão O da Pasteleira, aqui no Porto 1968, que, – naturalmente e porque o edifício que me apareceu (veio à minha cabeça para projectar) não respeitava a figura desenhada em planta no plano da CMP – me sinto incapaz de seguir as regras impostas para implantações e cérceas constantes dos planos aprovados ou, na maioria dos casos, encasquetadas nas cabeças das pessoas que representam as câmaras e os serviços.

Foi assim em todos os casos em que o edifício encomendado não estava entre dois outros (até chegar ao da Rotunda da Boavista, em curso há quinze anos por incapacidade da CMP).

Submeti-me em Arcos de Valdevez, 1979/82, perdi o concurso da frente urbana do Parque da Cidade, 1982; o do pavilhão de Carreiros, o da zona conquistada ao rio em Viana do Castelo – este por razões inversas: propunha construção quando era pedido um jardim –, o parque de exposições de Braga, a faculdade de medicina também de Braga, etc.

Ganhei(amos), porque no júri estava o Jorge Gigante em representação da ANA, o da Mutual, 1970, e o monumento a Humberto Delgado, 1979? Ambos contrariando o previsto no programa. Deveria ter sido excluído também?


De: Cristina Santos - "DEMOLIÇÃO C. C. BOM SUCESSO" 

Caro José Pulido Valente

Antes de mais a minha vénia.
Depois dela a pergunta, depois de um processo moroso que venceu e Bem, pode dizer-nos como se sente (embora honrado com certeza) depois da Autarquia informar que não há verba para demolir o C.C. Bom Sucesso e alem disso os proprietários do referido apesar de cobrarem rendas de 1.500€ por espaço exíguos também não dispõem de meios para o efeito?

Obrigado
Cristina Santos

De: Pedro Aroso - "O Zé Pulido Valente está de volta!" 

Caro Zé Pulido

Bem-vindo ao blog "A Baixa do Porto"!

Já todos tínhamos notado a tua ausência. Registo, com satisfação, que continuas em grande forma.

Em relação ao "criminoso cretino" de que tu falas, não retiro uma vírgula em relação àquilo que escrevi, até porque, tanto quanto sei, a aprovação do CC do Bom Sucesso não passou por ele. A História encarregar-se-á de lhe fazer justiça e repor a verdade dos factos.

Um grande abraço

Pedro Aroso
pedroaroso@clix.pt
http://www.e-architect.net

De: Pulido Valente - "puxão de orelhas ao pedro aroso" 

caro pedro, mais uma vez falaste demais ou depressa demais. O Cruarb não deve nada de bom ao criminoso cretino que tu nomeias mas ao Jorge Gigante. O outro foi o segundo e para lá chegar pôs uns patins ao JG. Para que conste. jpv
em tempo: a qualificação que faço do individuo tem por base o conhecimento de algumas tramoias enquanto politico actuante, nomeadamente a da aprovação do c.c do bom sucesso, o concurso para adjudicação de projectos de habitação económica, a respeito do qual ele disse que o projecto do bairro das condominhas tem qualidade, e outras facilidades concedidas a alguns e as muitas dificuldades e obstruções feitas a outros.

De: Francisco Rocha Antunes - "Utopias" 

Caro Arquitecto Pedro Aroso,

Não resisto a comentar o seu comentário.

Como sabe melhor que eu, isto do imobiliário é complicado, mas não é física quântica. Quando se investe, porque é de investimento que se trata, é preciso fazer bem mais do que um projecto de arquitectura: deve-se começar por analisar o mercado, definir o produto imobiliário que se vai criar, assegurar que se consegue aprovar um projecto compatível com as capacidades de compra do mercado, construir de acordo com o projecto e conseguir fazer isto tudo remunerando todos os intervenientes de forma atraente.

Não se devem confundir questões de mercado com questões urbanísticas. O zonamento, ou definição de uso possível para um determinado local é um assunto urbanístico. Criar o produto imobiliário adequado à localização e ao mercado é outra coisa.

O que me parece utópico é baralhar tudo isto e dizer que tudo o resto é utopia.

A Rua da Restauração tem uma exposição solar magnífica, uma baixa densidade, uma excelente localização central e só precisa que se saibam definir os produtos residenciais de qualidade que tal espaço merece. Daqui a uns anos veremos o que valem as casas que aí forem criadas. Até me atrevo a dizer que os escritórios virão a ser reconvertidos outra vez em habitação, mas entretanto perdem-se anos desnecessáriamente.

Já agora, essa sua insistência em "atirar flores" regularmente a diferentes pessoas pode, sem querer, vir a provocar que se discutam pessoas e não assuntos. Não lhe parece?

Os meus cumprimentos,

Francisco Rocha Antunes
promotor imobiliário

frocha.antunes@johnneild.pt

De: Cristina Santos - "PORTO é tradição" 

Caro Alex Silva

Como diz e muito bem nós os Tripeiros somos viajados e cultos, não nos limitamos a conhecer Lisboa pelas amoreiras ou pelos seus cortes à Inglês . Quem de nós já por lá foi viu bem as Barracas, Os grupos de cor e eu digo, muitas vezes de noite temi sair à rua pela presença desses gangues com aspecto perigoso, que apesar de tudo não vejo no Porto.
Ao fim de semana é ver as filas com destino ao Algarve sem cheta no bolso. O desrespeito às autoridades e a perigosidade é em Lisboa uma constante. Por cá vão-se mantendo os respeitos mutuos.
Mas nós de Lisboa já não falamos, exactamente porque não se compara.
Foi refeita após o Terramoto e nem por isso dispõem de melhor traça ou autonomia. O seu relevo natural dá-lhe com certeza outras vantagens, mas o Porto é Porto pelos seus declives, pelo seu granito, pelo seu POVO tripeiro, que aparece sempre nos média na clara personificação dum Porto antigo, saltando-nos logo à memoria os dragões as Francesinhas e o sotaque.
Nem por isso ficamos mais beliscados, são nossos esses habitantes e são as suas características que completam o valor patrimonial do PORTO. São as suas achegas populares que nos fazem rir e descompreender como é possível ainda existir.
Nunca chegamos a Capital de Portugal, mas já fomos Capital do Mundo e do Património.
O Porto é Porto e não há discussão, bairrista ferrenho tripeiro - o PORTO está sempre presente para representar Portugal - É nas artes, é na musica, É na historia e no Património ... e é agora BLOG imbativel.
Ate sempre e bom regresso ao Porto caro amigo

Cristina Santos

De: Miguel Barbot - "Falando de advogados..." 

Caros,

Conheço um caso curioso (conheço o caso, não os seus intervenientes) de um escritório de advogados situado num edifício recuperado na marginal. O proprietário do dito escritório também adquiriu há pouco tempo um outro edifício com valor arquitectónico para sua habitação própria, tendo já sido precedido por uma colega sua, que também adquiriu habitação para recuperar na mesma zona. Sendo esta uma zona maioritariamente residencial, o caso assume alguma importância, reflectindo algumas boas sinergias entre habitação e comércio.

barbot@netcabo.pt

De: Cristina Silva - "Licenciamento em tempo record" 

Caro Pedro

Bem me parecia, isso significa que a autorização precedeu a Venda, o que justiça que caso ela não existisse o Prédio continuava sem interessados, concordo consigo, se existissem no local muitos edifícios com esse tipo de uso, provavelmente existiria mais comercio, movimento laboral e logo habitantes dada a proximidade dos postos de emprego. Ainda mais que se ilustres advogados elegem a zona para sediação das suas firmas, a segurança mobilidade etc., terão de ser asseguradas, e captarão com certeza habitantes para o local.

Um abraço
Cristina

De: Cristina Silva - "Agilização não é censura" 

Caro António Arlindo Fonseca

Atrevo-me a perguntar se alguma das suas participações ficou crivada no Crivo da censura?
Como sabe a gestão destes espaços obriga à disponibilidade de particulares e também de todos os participantes, seria talvez mais fácil ao Eng.º Tiago promover acesso directo sem moderação, mas se ele disponibiliza o seu tempo para recepcionar em seu e-mail os conteúdos que mais tarde são publicados, e publica-os em tempo record, faz um trabalho que merece todo o nosso respeito e consideração.
Parece-me também que não é uma verdadeira censura é mais um agilizar dos meios.
Com tudo a sua mensagem apesar de critica foi publicada, concordo quando diz ter que se submeter a uma previa analise de conteúdo, mas este é um esforço que visa a motorização anti burocrática dos meios e não a censura, o facto que refere foi analisado antes da publicação deste Blog, optou-se por esta forma para facilitar todos os participantes.
Fico assim à espera dessa tão anunciada participação que prevejo como incendiaria... inspire-se e participe.
Quando o conteúdo é bom , não há censura que aguente...
Ate sempre

De: Alex Silva - "O Porto bairrista" 

Caro Tiago Fernandes,

Acabei de ler o seu documento.

Estou globalmente de acordo. Deixe-me só aproveitar para publicar este desabafo, que também abrange esse seu texto, dadas as referências que faz no ponto XII.

É que há um 'carimbo' tipicamente colocado aos portuenses que cada vez mais me enerva vê-lo referido. É o do fulano 'bairrista', sempre dito e escrito em sentido pejorativo, próprio de cidadãos parolos, limitados e de gente que nunca saíu da terrinha e que portanto não é capaz de aceitar que em outras cidades (e vem sempre à tona Lisboa nestas alturas) haja algo melhor. Do tipo, 'a minha rua é a melhor do mundo, porque eu não conheço mais nenhuma!'.

E é isto que me deixa com os cabelos em pé!
Primeiro, nem toda a gente se encaixa neste estereótipo - e quanto a isto, ponto final ! E os que assim são, que cresçam e que se habituem a ver isso como um defeito. Quando se admite algo como natural, está-se implicitamente a permitir que quem está mal se julgue bem.
Segundo, quando comparados com outras cidades (e refiro aqui novamente a inevitável comparação com Lisboa) os portuenses são, quando muito, saudavelmente bairristas, habituados a defender o que é seu e conscientes de que têm uma identidade colectiva que raras cidades possuem. Têm história, marcas, personalidades e características próprias, quando não únicas! E entendem (e bem!) que as devem defender. Por fim, gostam pouco que lhes ponham o pé em cima e que diminuam essas suas características. E aqui é que as coisas são diferentes, por rexemplo, em Lisboa. O lisboeta típico é saloio, fechadíssimo, provinciano, mesquinho e acha-se o máximo simplesmente porque vive num qualquer subúrbio rasca da capital (quem vive em Lisboa são pouco mais que os velhos, para quem não souber) ! E nem sequer tem o mínimo interesse em saber o que se passa fora do amontoado de cimento em que a Grande Lisboa está transformada. Apenas ir a banhos ao Algarve serve de motivo para sair. E como o custo de vida é elevadíssimo, mesmo os que eventualmente quisessem dar umas voltas pelo país real, não o conseguem fazer - quem não tem dinheiro, não tem vícios!
Isso sim é ser bairrista no mau sentido ! E o que me custa é continuar a ver os próprios portuenses a referir (dessa forma perpetuando-o) o mito do tripeiro bairrista, que só conhece a sua rua e o estádio das Antas! E (corolário desta afirmação) custa-me que personalidades eminentes da cidade (como o Preseidente da Câmara e o Bispo do Porto) tenham ainda recentemente referido este aspecto nos seus conterrâneos sem terem a preocupação de a enquadrar. Honestamente, acho que é altura de NÓS, que queremos o bem da cidade, começarmos a partir do princípio que o que aqui escrevi é verdade.

Alex Silva
Lisboa

De: Miguel Barbot - "Porto" 

Caro António Arlindo Fonseca,

Complementando a resposta do Pedro Aroso à sua critica, informo-o que a alternativa a um moderador neste blog, passaria pela distribuição de palavras-passe a um número limitado de utilizadores. Querendo este espaço afirmar-se como sendo algo de todos os portuenses, não faria sentido algum limitar o acesso e intervenções a meia dúzia de privilegiados.

O actual formato é a melhor alternativa que conheço: o TAF é um sublime moderador e com uma disponibilidade fantástica - basta ver as horas a que os posts são afixados, para se ver que não brinca em serviço.

Enfim, para os descontentes/descrentes, uma sugestão: criem um blog! São gratuitos, fáceis de gerir e podem escrever tudo aquilo que vos apetecer.

barbot@netcabo.pt

De: Cristina Santos - Cartaz 



(Caro Tiago Fernades - já afixei em todos os pontos visiveis , este cartaz com o fim de obter participação de todos os Propreitários e clientes que nos visitam - espero que daqui resulte grandes intervenções e até mesmo defesas Publica...)
Ate sempre

Cristina

De: Pedro Aroso - "Autorização de mudança de uso e licenciamento em tempo record" 

Olá Cristina

A mudança de destino foi aprovada em 1991, pelo Arq. José Gomes Fernandes, que na altura detinha o pelouro do Urbanismo. Aproveito para prestar uma homenagem pública ao Zé Gomes Fernandes, a quem devemos, entre outras coisas, o CRUARB (entretanto extinto pelo Dr. Rui Rio) e o reconhecimento do Porto, pela UNESCO, como Património Mundial.

Pedro Aroso

De: Pedro Aroso - "Porto" 

Caro António Arlindo Fonseca

A sua crítica parece-me perfeitamente descabida. Com efeito, este blog nasceu como resposta ao pseudo "Espaço de Diálogo" criado pela Câmara Municipal do Porto. Aí sim, o diálogo é vedado aos participantes. Por outro lado, isto é um blog, não é um grupo de discussão. Consequentemente, faz todo o sentido que as mensagens sejam previamente analisadas pelo webmaster. Vou contar-lhe aquilo que se passou comigo ainda hoje: Uma das minhas últimas mensagens continha uma gralha imperdoável. Imagine o meu embaraço, caso o Tiago Azevedo Fernandes não a tivesse retido…

Um abraço

Pedro Aroso

De: Cristina Santos - "Autorização de mudança de uso e licenciamento em tempo record" 

Caro Pedro

Deprendo da sua mensagem ao Sr. Francisco , que esse processo de autorização de mudança de uso e o restauro de que falam, obteve um parecer /licenciamento em tempo record. A que se deveu essa rápida aprovação?

Cristina

De: António Arlindo Fonseca - "Porto" 

Exmos Senhores.

Quando vi no JN que existia um blog para falar do que o Porto cidade, tem de bom ou tem de mal, relativamente a obras, obras e obras, pensei escrever algo sobre esse assunto, chamando a atenção dos responsáveis para resolver os problemas.
Mas afinal, parece que tem de se pedir por favor, para se fazer as críticas que eventualmente pudesse fazer, passando primeiro pelo "crivo" da "censura".
Não quero crer que isso seja possível, mas está bem. Quem manda pode e obedece quem deve. É pena que assim seja, mas paciência.
Por agora, portanto deixo este desabafo, mas prometo que voltarei dentro em breve, mesmo com estes "estorvos" a impedirem que se dê a conhecer os podres que poderiam ser resolvidos com boa vontade, entre os munícipes e entre quem manda.

Os melhores cumprimentos.
António Arlindo Fonseca

De: Francisco Rocha Antunes - "Alteração de uso" 

Meus caros,

Nós em Portugal quando temos uma dúvida pensamos logo em fazer uma nova lei. E o pior é que as fazemos mesmo, e as leis que se fazem são mais em resultado dessas dúvidas do que do trabalho de casa bem feito. E confundimos tudo: temos leis do arrendamento que fazem protecção social, temos regulamentos dos planos que fazem de regulamentos de construção, temos leis de ordenamento que fazem de leis de solos, e por aí fora. Tudo porque insistimos nesta ideia peregrina de querer reinventar a roda a cada passo.( O Vasco Pulido Valente insiste que é uma mania velha de procurarmos a Glória)

Vem isto a propósito da questão da alteração de usos que está a descaracterizar a Baixa. Não é preciso nenhuma lei nova para que a Câmara do Porto regule a alteração do uso dos edifícios. Só é preciso (como nós, portugueses, odiamos isso) que ela seja correcta e persistentemente aplicada.

Concretizando: uma das ruas mais agradáveis para se morar no Porto é a Rua da Restauração, especialmente no lado virado ao rio. Esta rua, que tem tudo para ser uma zona residencial excelente, tem vindo paulatinamente a ser ocupada por escritórios de advogados, que têm vindo a recuperar algumas casas magníficas. Ainda recentemente uma moradia foi muito bem recuperada, e neste momento, mais uma está a ser reconvertida em escritório.

E isto só acontece porque a Câmara deixa.

É só a Câmara não autorizar a mudança de uso e é impossível abrir lá um escritório seja do que for. Tem mesmo que ser habitação. Durante anos havia a consciência que isso não podia ser feito, e todos conheçemos situações de escritórios que nem se atreviam a ter letreiros na porta, com medo da fiscalização. Hoje, os letreiros são às claras. E a lei não mudou.

É evidente que qualquer política de ordenamento implica zonamento, e a estabilidade desse zonamento é essencial para a formação dos preços dos diferentes mercados: comercial, residencial e de escritórios. A rigidez deste zonamento é importante não só, convém não esquecer, pelas diferentes regras legais que se aplicam aos diferentes espaços, como para que cada segmento de mercado possa ter hipótese de se regenerar à medida da evolução desse mesmo mercado. Se cada vez que o mercado de escritórios vai abaixo, como é o caso actual, e ainda por cima se permite que as casas sejam transformadas em escritórios, conseguimos o pior dos 2 mundos: nem existe pressão de mercado para recuperar escritórios desactualizados, e impede-se que o mercado de habitação destine as suas melhores localizações para as pessoas morarem.

Era interessante que a Câmara publica-se uma mapa igual ao que fez para o PDM mas com a definição de usos que foram aprovados para cada edifício. Assim, todos poderiamos conhecer as "evoluções" que vão acontecendo.


Francisco Rocha Antunes
promotor imobiliário

frocha.antunes@johnneild.pt

De: Pedro Aroso - "Alteração de uso" 

Meu Caro Francisco Rocha Antunes

Uma das razões que conduziram à mudança de destino de grande parte dos edifícios situados na Baixa do Porto deve-se ao facto do Plano Auzelle determinar que só o último piso podia ser utilizado para habitação!
Em relação às casas da Rua da Restauração, é verdade aquilo que diz. Uma das mais bonitas foi comprada por um cliente meu, em 1989. Esse advogado sueco (residente na Suécia) teve o edifício à venda durante mais de 10 anos e só muito recentemente é que uma conhecida sociedade de advogados do Porto o comprou. Se a Câmara Municipal do Porto não tivesse aprovado a mudança de destino, a casa acabaria por ruir dentro de alguns anos, porque jamais alguém a compraria para habitar, tão elevados eram os custos de manutenção. E é exactamente isso que vai acontecer com as outras. Tudo o resto é pura utopia!


Pedro Aroso
pedroaroso@clix.pt
http://www.e-architect.net

De: Cristina Santos - "Falar de Permuta à Autarquia - Será aconselhavel?" 

Lembrei-me nem sei bem porque ... mas acham V.Ex.as aconselhável que questione a Autarquia quanto à problemática «permuta » à legitimidade dos Ramalhos e dos Dragões.
Que acham, pergunto? ou corro o risco de vir a ser banida, e mais vale nem falar no assunto-?
Cristina Santos

De: Cristina Santos - "Tiago e a Educação" 

Caro Tiago

Não estava cá no Porto quando se deu esse encontro que fala na sua mensagem. Mas recordo-me perfeita-me de na data ter lido no JN numa caixa cinzenta, falar da sua intervenção, inclusive apesar de a considerarem insólita era das únicas a que aludiam com algum teor critico e analitico.
Mais tarde e porque nessa altura reconheci o seu nome, vi no seu site a dita intervenção e tenho a dizer-lhe que concordo com esse novo método educacional.
As suas intervenções primam pela irreverência, mas obtêm sempre a tenção mediática que as boas intervenções merecem.
Cristina Santos

De: Cristina Santos - "Sem reabilitação Não hà Invicta para ninguem" 

Em primeiro lugar, onde não existem habitantes sedeados, não existe comercio, melhorias ou outros processos sociais resultantes da vivências comuns. Esta desertificação no interior revela-se num ambiente social pacato e sossegador.
Numa metrópole como O PORTO, esta desertificação habitacional, revela guetos, marginalidade, decadencia. Se alguns séculos atrás as grandes metrópoles se desertificavam pela falta de bens essenciais, agua, terra fértil e outros, actualmente as grandes metrópoles correm o mesmo risco, por falta de condições de habitabilidade, relações de vinculo estatal, mobilidade e segurança. Obviamente existindo essas condições em concelhos vizinhos, as pessoas mudanças-se transforma-se e procuram o que mais lhe convem.
A politica de restauro e conservação em Portugal, esteve direccionada quase exclusivamente à conservação de Monumentos, existiu em tempos uma Secção de defesa e recuperação da paisagem urbana (DGSU) influenciada na altura pelas perspectivas de Gordon Cullen e na sua tese de TOWNSCAPE, depois veio a conservação dos Centros Históricos, abrangeu mais de meia centena de zona em Portugal. No entanto o restauro do parque habitacional antigo é em Portugal uma acuidade.
Recorde-se que o nosso extraordinário Plano operação Ribeira-Barredo, propôs em tempos a demolição de grande parte dos edifícios históricos e a destruição da era medieval, é preciso ter em conta que os então moradores seriam deslocados para bairros da periferia, e ergueriam-se novos e radicais centros urbanos , mas foi o Arquitecto Fernando Távora que mais tarde emitiu um parecer, que deu origem ao comissariado do CRUARB etc..., que veio a intervir no Bairro central mais Problemático a Sè.
isto foram de facto experiências positivas, mas não solucionaram , faltou a reflexão profunda das verdeiras necessidades e interesses.
Essa falta prende-se com questões culturais , que não valorizam a identidade que o Património histórico concede ao Porto; com apetites voraces de modernidade e gastos superfulos, não existe também uma legislação que beneficie a intervenção, a impreparação dos nossos técnicos, construtores, operários; falta de investigação, tudo isso condiciona o restauro do edificado;
Quanto a mim as entidades principais não incentivam, as rendas absurdas não geram capitais, existe pouco apoio financeiro estatal para estas iniciativas, as co-propriedades e os morosos processos de expropriação inviabilizam intervenções profundas.
Urge criar planos estruturais, intervir em toda a cidade não limitar a acção ao Centro Histórico, promover a reabilitação física dos edifícios , para alcançar novas perspectivas sócio-económicas .
Esta acção pode não constituir a solução geral, mas ajuda à resolução das questões sociais e físicas , impõem-se ao estado a comparticipação e o incentivo financeiro para estas acções, investir na formação para novas técnicas e métodos de intervenção.
Sem esta acção a Cidade não se reabilita, continuamos a ir à ribeira e a ignorar o problema do bairro da sé , dos seus moradores e do constante envelhecimentos dessa zona. Continuamos a passar em frente a ilhas que desconhecemos a existencia.
O Porto tem boas hipóteses se se direccionar para a adequação daquilo que possui de melhor.
Sem isto não h´vida não há retoma, não há PORTO CIDADE INVICTA para ninguem.

Se assim não for, Afigura-se-me que daqui alguns séculos vai-se escrever aqui existiu uma Grande metrópole erguida por pessoas corajosas e trabalhadores, o seu abandono deveu-se à infertilidade habitacional e histórica, aqui morou Almeida Garrett, que abandonou a cidade antes do processo de desertificação. Onde esta esse Povo? em Matosinhos, Gaia, concelhos que não tinham nada de nobre mas que pela sua extensão permitiram ao Povo Tripeiro aqui se socorrer dos bens que lhe eram essenciais... Fotografem Senhores ... estas eram as casas onde os mais primitivos e carenciados residiam..
Cristina Santos

De: Pedro Aroso - "A Baixa a qualquer hora" 

Caro Samuel Cabral

O problema da Baixa é outro... Tenho vários clientes que são proprietários de edifícios situados nessa zona, mas que não os recuperam porque na Câmara Municipal do Porto só encontram entraves. A ideia geral é a de que, para aprovar os projectos, é preciso entregá-los aos funcionários que lá trabalham. E, ao contrário daquilo que apregoa o Dr. Rui Rio, com este Executivo a situação agravou-se. Existem neste momento mais de 3000 (três mil) processos em lista de espera. A situação não vai melhorar enquanto o bando de burocratas que se instalou na CMP continuar a gerir a Divisão do Urbanismo. Dou-lhe um exemplo: entreguei um projecto em Outubro de 2002 (Proc. 19724/2002), mas até hoje o requerente não recebeu qualquer feedback da autarquia. Se vivêssemos num Estado de Direito, o projecto estava tacitamente aprovado, mas a actual lei (aprovada pelo governo do Eng. António Guterres) protege os funcionários públicos incompetentes. O Dr. Rui Rio tem conhecimento desta situação mas, que eu saiba, limita-se a fazer discursos demagógicos, em vez de demitir esses (i)responsáveis.

Pedro Aroso
pedroaroso@clix.pt

2004/05/03

De: TAF - "Encontro Porto Cidade Região" 

Escrevi há tempos um artigo cuja versão oral apresentei no Encontro "Porto Cidade Região" organizado em Fevereiro pela Universidade do Porto, na sessão presidida por Miguel Cadilhe sobre "Economia e Sociedade".

A propósito do que me parecia importante para o Porto, disse lá "barbaridades" como:

- a Educação não deve ser a prioridade máxima para o país;
- a Inovação não deve ser vista como o caminho para o desenvolvimento;
- não se deve incentivar a criação de novas empresas em Portugal.

Por estranho que possa inicialmente parecer, a comunicação foi muito bem recebida... :-)
A versão escrita está disponível em formato PDF em http://taf.net/pcr/taf-pcr.pdf.

De: Carlos Santos - "Metro do Porto - melhoria da mobilidade" 

Li um excelente artigo no Público (no Suplemento Carga e Transportes que sai às segundas-feiras dentro do suplemento computadores) sobre a melhoria da mobilidade no Porto devido ao Metro
Aqui vai o resumo e respectivo site:

"O salto qualitativo que irá ocorrer na cidade do Porto, devido à nova rede do Metro, será a demonstração que a melhor solução para os actuais problemas de mobilidade nas cidades é o transportes público. Este exemplo, no futuro, talvez possa vir alterar a política de transportes em Portugal."

http://www.maquinistas.org/media/metroporto.pdf (Duplo clique para ler artigo do Público)

Carlos Santos

De: Miguel Barbot - "A City cá da zona" 

Caro Alex,

Concordo completamente com o seu ponto de vista...

Noutros locais que não este, tenho debatido largamente essa questão com o amigo João Medina... De facto, o novo PDM prevê a criação de uma zona de grande densidade comercial (escritórios) na actual zona industrial de Ramalde, contemplando uma série de valências como uma universidade privada, um centro de congressos, etc, e com o toque pautado pela batuta da reconversão urbanística, de que a cobertura da VCI é paradigma... Algo gigante, há quem lhe chame a futura La Defense portuguesa. Prevê-se que a ideia se concretize em 20 anos, se bem me recordo...

A ideia é engraçada, JM chama-lhe a City do Porto, mas obviamente que nenhum de nós espera que isto saia do papel.... pelo menos tão cedo.

Seguindo o mote, penso que de facto, tirar as empresas do centro, criar uma nova centralidade articulada com as mais importantes vias de comunicação e criar condições para a geração de riqueza dentro de portas é fundamental para que se devolva a baixa aos habitantes, deixando-a assumir-se como uma zona predominantemente residencial.

Obviamente não estou a ser minimamente realista, mas creio que este espaço tanto serve para protestar (e há quem o faça de forma veemente), dar ideias, desabafar ou divagar (de vagar à moda de alguns), serve também para hipotetizar. Pode ser que deste modo o poder de decisão saia à rua e que as espectaculares decisões façam eco daquilo que todos nós sonhamos.

barbot@netcabo.pt

De: Samuel Cabral - "A baixa à noite" 

Não adianta abrirem cafés porque a partir das 20 horas não se vê vivalma na baixa. O que é preciso é criar uma lei onde não seja permitido alugar escritórios novos em deterimento das casas para habitação, pois continuam-se a ver escritos nos vidros das casas que antes eram habitadas. A Câmara devia promover em força o arrendamento habitacional, para não falar das casas abandonadas que para nada servem. É preciso haver mais policiamento nas ruas. Os técnicos que estudem soluções.

Samuel Cabral
Porto

De: Alex Silva - "O conteúdo necessário à Baixa" 

Desculpem desviar o foco da discussão, mas a verdadeira revitalização da Baixa do Porto não passa por melhores projectos para rotundas ou por revitalizar os monumentos ou o comércio tradicional. Passa sim por voltar a tornar a cidade num centro de negócios que tenha capital e ideias próprias, tecnologia e clusters nacionais únicos, algo que existiu ao longo de muito tempo e que claramente se perdeu na última década.

É a minha opinião - sou tripeiro, já vivi fora de Portugal e vivo actualmente em Lisboa. Olho para a cidade e para a região de fora. De tudo o que já vi, só posso concluir que o conteúdo de que o Porto precisa é esse. TUDO o resto vem por arrastamento (as receitas que permitirão à Câmara modernizar a cidade, o aumento do poder político e económico face a Lisboa, a atracção de investimentos privados para a cidade). É uma questão de distinguir causas e efeitos. Se a cidade estiver viva e a florescer, tudo se torna mais fácil.

Parabéns por lançarem esta 'mesa de café' de discussão, na qual entrei hoje pela primeira vez. Fica uma sugestão: se temos ideias e gostamos da cidade, porque não uma discussão real de café (em vez de virtual) um dia destes para discutir os problemas da cidade? O Majestic continua a ser um dos meus pontos favoritos da cidade...

Alex Silva
Lisboa

De: TAF - "Jornalistas moderadores?" 

Na sequência do relevo (surpreendente?) que tem sido dado a este blog, seria interessante ter a colaboração de jornalistas que participassem no debate como moderadores/dinamizadores deste espaço online. Havendo interessados, teria todo o gosto em aceitar a respectiva colaboração.

De: Cristina Santos - "SÓ APROVO SE TIVER RAIOS DE LUZ COLORIDOS" 

Eh Pá , desculpem lá , mas eu não consigo olhar para a proposta visual que sugerem para a Tal Praça, sem me perder a RIR, Ah sério, imagino logo montes de cibernautas, com anteninhas de chapa a tentar apanhar sinal de rede gratuito.
Ou então montes de crentes a colocar bananas, melancias e fazer rituais de magia negra.
Imagino também montes de brasileiros orando em torno da estatua pensando que é um novo ALA, e vai ser só gente descalça por ali.
Camionetas e camionetas de turistas, para ver o tornado ao vivo, aquilo é tipo fonte luminosa não é , gira em tono de si própria e emite raios de luz de todas as cores ? Estou a ver bem não estou?
Eh pá fantástico, aqui a dois passos logo ao pé do mar um enigma destes, é pena não ser DOURADO, se fosse dourado eu ainda gostava mais. Dá mesmo a ideia que nos vai levar numa viagem no Tempo, calem-se as rebeldias, Estatuas a Heróis, Caravelas, discos de Vinil, isto é muito melhor e ouvi dizer que é anti grafitti... Sem duvida Matosinhos esta de Parabéns, que é que iam lá por Um Homem Forte a Pescar, O Presidente, Um Farol, Um Bidão da Galp, o Figo.... ?
Esta é a melhor opção, por mim está já aprovada, claro se tiver luzes e funcionar como um farol para os cargueiros que ali vão passando...
Cristina Santos

De: Cristina Santos - "ROTUNDAS TRIDIMENSIONAIS" 

Caros amigos

Esta proposta escultural apresentada tem tudo a ver com a Cidade telecomandada do futuro , que o nosso executivo já uma vez propôs para Baixa, automatismos, meus amigos , automatismos! O Povo não sonha que o preço elevado de tal trabalho se deve ao facto de no seu interior funcionar o Cérebro de toda a organização, é do centro dessa escultura tridimensional, orbital que se comandam as casas inteligentes do nosso centro historico.
Desenganem-se os descrentes, mas em época de crise uma invasão tipo ET (eternamente tolos) beneficia a nossa baixa, e esta associação secreta, que divulgo em primeira mão, entre Porto e Matosinhos, vem-nos comprovar caros amigos, que Pontes Telecomandadas, Casas Inteligentes, Centros Históricos onde ninguém precisa de residir para viver, é o futuro a retoma.
Acreditem que de inicio e quando vi a imagem, estagnei e pensei aqui Há coisa, primeiro a Praça tem nome brasileiro/americano do Sul e segundo parece-me um centro de escutas, Ah sério, pensei esta é a união dos presidentes para detectarem em primeira mão as escutas, mas depois percebi, que não era nada disso. É o tal automatismo que até liga os telemóveis oferecidos aos nossos médicos, para atenderem os seus utentes sem sequer os verem... Essa Rotunda é uma fonte de dinheiro.
Mas em Braga Caros amigos, em Braga está o executivo de Parabéns, fez lá uma rotunda em homenagem ao VINIL, toda a rotunda é ocupada em 50% (fica só uma faixa de contorno) por um disco mole, preto sobrelevado a escassos centímetros, e aquilo sim é um embelezamento e uma opção ás estatuas, As rotundas em Portugal começam a ser pontos atractivos do Turismos é cada generalidade, são tantas, que daqui a 50 anos vão ser conotadas como Círculos de referência para a arquitectura Portuguesa do Sec XXI.
Além disso dão grandes subsidios...
Caros amigos tenho ainda a dizer que se o meu Filho vê algum dia essa rotunda, vai ser difícil tira-lo de Lá, pensa logo que aquilo é um BLADE bLayte (peão do futuro) ou a sede do inimigo das Tartarugas Ninja...
Se levar lá a minha avó pensa logo que ali aconteceu um grande tornado que matou milhões de pessoas e por isso fizeram esta estatua e remata Sabias meu Filho?...
Parabéns ao Mestre e ao adjudicador... não dá obras à Resin, mas premia ás novas tecnologias, e em cada autor o seu entendimento, o que é certo é uma obra desta me estimulou a imaginação.
FAÇA-SE A OBRA!

Cristina Santos

De: Miguel Barbot - "Olha a "Baixa" no jornal!" 

O tráfego da última semana na “Baixa do Porto” já faz mexer a imprensa... O primeiro foi o JN e muita tinta ainda correrá... Ainda dizem que a Baixa está morta :-D

http://jn.sapo.pt/textos/out2031.asp


De: TAF - "Esculturas" 

A propósito desta escultura para a Praça Cidade S. Salvador referida abaixo por Miguel Barbot, é interessante ver os números:
- segundo o Público - 750.000 euros a empreitada;
- segundo o site da Janet Echelman - 1.250.000 euros.

Será que o Público não se refere à soma honorários da artista + construção civil, mas apenas a uma destas componentes? Ou foi a artista que se enganou?

E, seja lá qual for o valor, não seria possível arranjar uma boa escultura por um preço "mais em conta"? Eu por acaso sou casado com uma escultora* e palpita-me que ela e outros artistas portugueses ou estrangeiros não se importariam de tentar trabalhos maiores do que o costume por valores inferiores a estes... ;-)

Estou um bocado farto de ver pagar tanto dinheiro público por coisas que outros artistas "mais baratos" poderiam fazer igualmente bem ou melhor. O problema é que se calhar o cliente não se atreveria a avaliar a qualidade das propostas que lhe fizessem e por isso prefere escolher alguém mais consagrado embora muito mais caro. Se alguma Câmara quiser mais trabalhos destes pode falar comigo, eu levo uma comissão baixa...
:-) :-) :-)

É claro que se pode argumentar que adquirir obras de "artistas internacionais famosos" dá só por si projecção à cidade, é um valor acrescentado. O que eu contesto é o uso dos recursos públicos para esse efeito, sabendo que simultaneamente há tantas carências com maior prioridade. Quem quiser estes "luxos" que use capital privado. Mais: o próprio Estado poderia até sugerir opções destas a patrocinadores privados, servindo de catalizador para a intervenção daquela faixa da sociedade civil que é mais sensível à "imagem cosmopolita" do espaço público.

É bom ter obras de estrangeiros na cidade. É bom ter obras de portugueses na cidade. Mas umas e outras não precisam de ser caras para ser de qualidade. Sendo assim, o Estado que seja poupado!

(* O site da Ana está desactualizado e não tem as últimas obras nem a colaboração com o José Rodrigues na Pantera do Boavista, por exemplo).

De: Miguel Barbot - "Praça Cidade S. Salvador" 

Aqui têm algumas imagens da escultura de Janet Echelman encomendada pela Polis Matosinhos para a Praça Cidade S. Salvador entre a Praia de Matosinhos e o Parque da Cidade. Pelas imagens e pela descrição, que podem ler em http://jornal.publico.pt/publico/2004/04/30/LocalPorto/LP21.html, dá para ter boa ideia daquilo que poderemos encontrar lá mais para o final do ano... Será com certeza mais um projecto polémico.

Vamos lá a ver se depois de concluído não é colocada uma escultura alternativa ao lado!

Mais informações sobre a Janet Echelman em http://www.echelman.com/


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