De: Elena Henriques - "Sobre o Bolhão"
Ao ler a intervenção de F. Rocha Antunes - "Bolhão: uma tradição de equívocos num mercado abandonado" fiquei com a sensação de que o autor não vai ao Bolhão, e é bem possível que não faça esse tipo de compras. Eu gosto de comprar no Bolhão e por isso costumo ir lá, sei que é cada vez mais desagradável por causa dos andaimes, sei também que ainda há muitos resistentes que compram no Bolhão, os legumes sabem a legumes(!), não são pré-embalados - o que diminui o risco de, ao abrir a embalagem, descobrir que de frescos só o nome, a higiene está à vista e não numa cave qualquer em que não sei o que se passa, além do que os mercados estão sujeitos a fiscalização, pelo que deverão cumprir as tais regras. É verdade que o problema é o horário, mas há vantagens a contrapor.
Acrescento que, como costumo ir ao Bolhão, sei que há imensos turistas que deliram com aquele ambiente - o que me espanta dada a presença dos tais andaimes - e temo que este projecto venha criar mais um espaço descaracterizado igual a tantos outros. E, já agora, a desagradável sensação de que quem o discute não passa nem perto da entrada.
