De: Daniel Rodrigues - "Re: Sugestão à CMP e Redundância"

Submetido por taf em Quarta, 2007-12-12 11:27

Queria apenas deixar dois breves comentários em relacão a posts anteriores.

O primeiro sobre a sujidade nas ruas e a desresponsabilizacão sistemática que se faz dos cidadãos. A recolha de lixo tem de ser eficiente, bem planeada, e a Câmara não se pode furtar às suas responsabilidades de salubridade pública. Mas temos de ganhar um bocadinho de bom senso, e alertar, responsabilizar e sobretudo educar os verdadeiros responsáveis pelo estado a que chegam as ruas: que são os próprios portuenses. Quem atira papéis, plásticos, beatas de cigarro, cascas de fruta, cospe no chão numa cidade que se pretende civilizada, são os seus habitantes. A Câmara tem de limpar? Sim. Mas mais importante do que fazer a limpeza, é não sujar. Gostava de ver igual acutilância para com as nossas responsabilidades enquanto cidadãos. No bairro onde eu moro (não estou em Portugal neste momento) recebi há umas semanas uma simpática carta da correspondente 'junta de freguesia'. Nesta, convidavam-se os moradores a participar num dia de limpeza dos jardins do bairro: A entidade 'política' fornecia luvas, vassouras, sacos. Os cidadãos podiam contribuir e participar. Isto poderá vir a acontecer um dia no Grande Porto?

O segundo post que gostava de comentar era o de António Alves. A racionalidade das sua propostas ultrapassa-me, no sentido de não compreender como ideias tão simples e engenhosas podem passar despercebidas deste modo. Vejo que a insistência nestes assuntos (quer o aproveitamento da Linha de Leixões, quer da Linha do Douro para transporte de mercadorias) remonta já ao tempo de discussão do novo aeroporto de Lisboa. Por que razão vejo tanta mobilizacão da parte dos cidadãos que lêem este blog para um assunto, e tão pouca para um assunto bem mais próximo de todos nós? Por que razão as empresas que beneficiariam de uma linha de mercadorias através desse canal natural que é o Douro não fazem lobby profissional (podiam contribuir para a ideia do Tiago ;-) ) pela ideia? Como podem os cidadãos não se manifestar pelo aproveitamento de recursos já existentes para um sistema de transportes do Grande Porto verdadeiramente multi-modular que integre comboio, metro, autocarros, e sobretudo aproveite os canais que já existem? O Porto tem de ser eficiente e eficaz, e para atingir esse objectivo, tem de ser inteligente. Isso significa aproveitar ideias inteligentes. A António Alves, o meu "bravo" por insistir nestas ideias.

Finalizando, as conclusões: Se queremos um Porto moderno, (e quando digo Porto, refiro-me á metrópole) temos de envolver todos os cidadãos e em vez de responsabilizar os políticos, ignorá-los cada vez mais, e assumir em nossas mãos os destinos. Direccionar qualquer batalha sobretudo para que o Estado não seja um empecilho, evitar ao máximo utilizar expressões como "Eles têm de fazer". "A responsabilidade deles". "Tem o dever de educar". Se toda a gente que aqui fala fosse tripeira genuina, diria "Vou arregaçar as mangas". "Eles não peçam mais impostos, e que saiam da frente, porque eu e os meus vizinhos temos uma solução para o bairro". "Nós tratamos de organizar uma sessão cultural".

Esta mudança é sobretudo de mentalidades, e em Portugal só a vejo ao alcance de um Porto (de novo, metrópole) de tradicão liberal, mui nobre e sempre leal para com os seus valores. Um apelo: Muita gente de responsabilidade lê este blog: Não se deixam iludir pelos milhões do Governo, e tratem de fazer o que tem de ser feito de forma responsável, eficiente e coerente. Sobretudo, partilhem essa responsabilidade. Há uma cidade inteira a fervilhar disposta a contribuir, (que é responsável, eficiente, e coerente no seu dia-a-dia, certo?) desde que tudo seja de forma séria: numa política "Open-Source" :)

Cumprimentos,
Daniel Rodrigues