De: Rui Encarnação - "Eu bem dizia..."
Caro Tiago:
Perdoe-me a insistência no tema Rivoli, mas como afirmou perceber cada vez menos do assunto e eu retorqui que, agora, era mais fácil percebê-lo, não pude resistir. Cristina Santos deixou-nos – em bem haja pela sua atenção e dedicação – um link sobre os descontos para o Jesus Cristo Superstar. Seguindo o link, descobri, para meu grande espanto, que a “Ordem dos Farmacêuticos e o Rivoli Teatro Municipal, incontornável sala de espectáculos da cidade do Porto, firmaram uma parceria que permitirá aos farmacêuticos assistir ao espectáculo «Jesus Cristo Superstar», de Filipe La Féria, a preços reduzidos”.
Caro Tiago e cara Cristina, já pensaram como é que um espaço livre e que não é gerido por ninguém (como a CMP se atreveu a dizer e escrever) afinal subscreve acordos e parcerias. Quem terá sido o parceiro da Ordem dos Farmacêuticos? Quem é que terá apoiado o pagamento dos custos dos 50% do preço dos bilhetes que são objecto de desconto? Não posso, nem quero acreditar, que foi a CMP através da sua Comissão de Acompanhamento do Rivoli pois, se o fizer, estará a subsidiar um espectáculo, e ainda por cima um espectáculo comercial.
Se for o Sr. La Feria que prescinda desses 50%, é curioso, e significativo do respeito pelas decisões judiciais, constatar que La Feria e Rivoli coincidem física e juridicamente, pois até parecerias em nome do teatro esse senhor fará. Mas aí cai pela base a afirmação da CMP de que não concedeu a exploração do teatro ao encenador ou a empresa a Dª Ermelinda. De qualquer modo, mesmo sendo o encenador a prescindir dos 50%, creio que a CMP vai ficar prejudicada nos 5% da receita que teria direito a receber, ou não?
Meus caros. O assunto Rivoli só demonstra que a CMP não assume, nem quer assumir, que decidiu, porque assim decidiu, entregar ao preço da uva mijona um bem que é de todos a um empresário comercial e que, por gostar dele, das suas peças ou por razões que a razão não alcança (só talvez a justiça...) decidiu apoiar e subsidiar essa mesma actividade, seja pela promessa de compra de equipamento, seja, pelos vistos, com descontos para bilhetes. Assim, talvez seja mais fácil encher salas....
Por estas, e por muitas outras, é que a diferença entre Porto e Gaia se vai, cada vez mais, cavando, pois do outro lado do rio – do Douro - parece que se consegue ver muito mais longe e, pelos vistos, a visão é mais clara e transparente....
