De: António Alves - "Resposta ao 2º post de Emídio Gardé"

Submetido por taf em Domingo, 2008-01-13 18:25

Afirmar que o custo duma viagem na futura Linha Porto-Vigo será 4 vezes superior a uma viagem de camioneta é um exagero propositado. Façamos um pequeno exercício de benchmarking. A CP, que já oferece na Linha do Norte um serviço em tudo semelhante ao que vai ser oferecido na futura via, cobra no alfapendular por uma viagem de ida e volta entre Coimbra e o Porto – sensivelmente a mesma distância do ASC a Vigo - 27€; apenas 1,42 vezes mais caro que o preço das camionetas, que cobram 19€ por uma viagem de ida e volta entre Vigo e o Aeroporto. Nada indica que a transportadora ferroviária – caso venha a ser ela a explorar este serviço -, que até já serve Braga com os CVE comummente conhecidos por alfapendular, venha a cobrar preços mais elevados. Note-se que a CP Longo Curso, unidade que gere os alfapendular, descontados os custos de operação e amortização do material circulante, dá lucro. É, infelizmente, a única unidade que o consegue, mas é um facto indesmentível.

A ligação ao ASC potencia também o tráfego oferecido pelas low cost e o mercado turístico das short brakes em toda a região. Este tipo de turistas poupam nas viagens para gastar nas estadias. Convencer um habitante da húmida Londres ou da sombria Liverpool a passar um fim de semana solarengo na vetusta Bracara Augusta, na bela Ponte de Lima, ou nas sólidas muralhas de Valença, ainda com um salto ao Gerês, é capaz de ser um negócio promissor. Se essas pessoas puderem chegar ao Sá Carneiro e aí apanhar descansadamente um comboio que os leve ao destino será uma mais valia. Os que se dirigem ao Porto utilizam, obviamente, o metro onde gastarão pouco mais de um €uro.

Quanto ao “véri tipicále” S. João de Deus: quem passa a bordo de um comboio na Linha de Leixões mal vislumbra o afamado bairro. Ele fica por trás duma alta trincheira. De qualquer maneira será uma boa oportunidade para arranjar urbanisticamente aquela zona. Além de que coisas como o S. João de Deus não são novidade nenhuma para, por exemplo, londrinos ou parisienses e portugueses.

As restantes questões julgo respondidas no meu trabalho e post anterior. Por aqui me fico porque não pretendo monopolizar este espaço com esta discussão. :-)

António Alves