De: João Gomes - "Sotaque do Porto, por favor..."

Submetido por taf em Domingo, 2007-12-09 22:55

Caros participantes e leitores

Encontro neste blog uma discussão saudável e franca, para propostas e reflexões. Considero muito grave o que se está a passar neste momento no Porto.

O Porto. Património Mundial da Humanidade. Classificada pela Unesco, pelas perspectivas futuras de uma recuperação urbana, social, ancoradas a fortes actividades culturais e desportivas. Cidade tão transformada... Porto. Ruas, Praças, Edifícios singulares ou emblemáticos, Fachadas ou Interiores. Gentes. Não só se transformou a imagem do Porto, como a máquina que a altera, continua activa. Convidava a irem ao site da PortoVivo e constatarem o conceito de reabilitação que se está a augurar para a cidade. A demolição impera, em direcção ao fachadismo. Em todos os projectos:

- Frente Ribeirinha do Porto - uma área isenta de artistas e população activa, em contraponto com área turística artificial

- Zona da Sé, Barredo, e quarteiróes afins - um total fachadismo, demolindo interior de quarteirões belissimos, repleto de jardins românticos, para angariar maior área construtiva.

- Mercado do Bolhão - Mais um shopping, com áreas de construção e especulação do abismo. Apenas as fachadas vão ser deixadas.

- Quarteirão Carlos Alberto - (Convido vivamente a verem a apresentação do projecto.) É de uma violência e provincianismo que violenta qualquer alma. Neste projecto pretende-se demolir todo o interior, trazendo uma importação das habitações tipificadas da periferia T0 e T1 a T5.

- Quarteirões Infante/ Poveiros/ República/ Quarteirão do Palácio das Cardosas - Aliados - Com a mesma política de intervenção, demolição dura do interior, deixando apenas fachadas.

Julgo que o Porto precisa de uma união. Gente do Porto, gente do poder que ouça, gente das artes que se expresse, gente das letras que argumente, gente das ciências e da música e todas as áreas demais que se manifestem. Quebrar o medo da perseguição. A Gente que tem voz no Porto que a solte, que não se cale. Terão dupla responsabilidade. Este é o meu sentimento. De tristeza, mas de apelo aos sons audiveis da nossa praça que, por qualquer motivo, não se ouvem.

Um abraço a todos,
João Gomes