De: Nuno Casimiro - "Caso a caso"

Submetido por taf em Quarta, 2007-11-14 12:06

Meu caro, é claro que cada caso é um caso. E o Via Catarina aí está para provar que um centro comercial pode contribuir para a envolvente – ou, pelo menos, pode não a destruir. A verdade, porém, é que esta é uma excepção. Seria um exercício interessante contabilizar os centros que foram inaugurados dentro da cidade (as mega-construções nas suas margens ou em nós de auto-estrada são um caso diferente) nos últimos 20 anos e a sua situação actual, o fluxo de pessoas dentro e fora de acordo com as horas do dia, a evolução da ocupação desse quarteirão, etc.

Como se percebe, a minha posição relativamente a essa evolução é de profundo cepticismo… Mais uma vez, repito, nem é tanto a questão do comércio tradicional (ou não) que se coloca mas antes o efeito destas estruturas na envolvente. O problema é o de quase todas serem pensadas como ilhas dentro da cidade, na mesma lógica do condomínio fechado, e é essa a ameaça. Pensados dessa forma, mais tarde ou cedo, afirmar-se-ão como pouco mais do que praças da alimentação para quem trabalhe aí à volta – o Cidade do Porto, o Península e o Cristal Park são só 3 exemplos…

Considerar (mais) um banal centro comercial no centro da cidade como âncora de revitalização da Baixa é "a long shot".

nuno casimiro