De: Luís de Sousa - "Um de muitos exemplos"

Não penso que se deve estabelecer opinião com base em preconceitos para nos referirmos a este conceito hipotético de cobertura da Rua de Cedofeita.
Em primeiro lugar existem alguns modelos arquitectónicos que nos podem dar noções exactas de quais as potencialidades de um espaço exterior coberto, que vença diferentes cotas nas suas extremidades ao longo de um espaço corredor similar a uma rua, como é o caso do projecto de cobertura do arquitecto italiano Massimiliano Fuksas para as ligações exteriores do recinto da Feira de Milão, que em cima apresento.
Depois outra questão de que não nos podemos abstrair é o facto de o fenómeno dramático da proliferação de centros comerciais na periferia, e agora também no centro das cidades, só ocorrer porque existem alguns atractivos que as multinacionais que neles se instalam proporcionam aos seus clientes, como sejam a imagem contemporânea e inovadora dos espaços assim como momentos de dinamização cultural como sejam os espaços expositivos cinemas, etc. Por isso mesmo não devemos negar o óbvio e admitir que uma evolução do comércio tradicional tem obrigatoriamente que passar por uma análise daquele que é o modelo comercial mais em voga neste inicio de século, extraindo desta pontos positivos que justifiquem a transposição de certas posturas para as lojas de rua e identificando pontos fracos onde os comerciantes da Baixa possam marcar a diferença dando-lhes uma resposta divergente das do comércio massificado.
Por fim gostaria de me referir mais uma vez ao tema dos concursos de ideias, para reafirmar a importância do hábito da sua implementação numa sociedade que se pretende plural, inventiva e acima de tudo democrática no momento de decidir a sua imagem. Os concursos não são trapalhadas ou perda de tempo como alguns teimam em afirmar. São sim um acto de abertura e de visão de quem promove ao optar por premiar as propostas mais virtuosas, que garantidamente se tornarão no momento da sua formalização mais-valias quer para a cidade quer para a sociedade que se vê munida de mais um espaço qualificado para seu usufruto. Quanto a mim errado é a utilização abusiva feita por parte de alguns autarcas deste país do nome de arquitectos mais conhecidos e prestigiados, para legitimarem intervenções avulsas nas suas cidades.
Cumprimentos
Luís de Sousa
