De: Ricardo Coelho - "Estação de Metro da Trindade"

Submetido por taf em Segunda, 2007-06-25 16:51

Estação da Trindade

O centro de todo o nosso sistema de Metro está aqui, na Estação da Trindade. Estamos perante um dos grandes investimentos dos últimos anos. Afinal, esta estação dá-nos acesso a todas as linhas.

Arquitectonicamente o projecto não se distingue de qualquer outro da escola de Siza Vieira e Souto Moura. Temos assim um paralelepípedo branco coberto por uma desenxabida praça relvada. Espaço triste e impessoal este, como tantos outros que têm nascido nesta cidade em tempos repleta de vida. Pessoalmente nada tenho contra projectos arquitectónicos de carácter minimalista. Acho até que uma das maiores obras que temos na cidade é o Museu de Arte Contemporânea de Serralves, saído da escrivaninha de Siza.

Mas o minimalismo não pode ser usado como uma receita mágica para todo o tipo de projectos. Diria mesmo que nunca pode funcionar no espaço público. Uma praça quer-se com vida, cor e alegria. Ora, o espaço ajardinado por cima da Estação da Trindade poderia ser uma praça assim. Poderíamos ter um espaço com equipamentos de lazer. Poderíamos ter um jardim com flores e árvores, ou até uma hortinha de ervas aromáticas e decorativas. O céu é o limite quando temos um espaço como estes ao nosso dispor. Quando a lei da régua e esquadro domina a forma como se desenha o espaço público, o resultado é a tristeza que resulta da monotonia. Seja numa praça verde como esta ou cinzenta como a Av. dos Aliados.
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Ricardo Coelho
O Verde e o Cinzento